De Prefiro os serviços públicos aos privado a 3 de Janeiro de 2014 às 17:50
Portucall Center

Hoje (um eufemismo para as últimas 48h), tentei em vão cancelar a internet no meu iPad. O aparelhómetro expirou uns dias depois da garantia de dois anos ter feito o mesmo. E, de qualquer modo, já há uns tempos que tinha dificuldade a reconhecer o cartão de internet. Escarafunchando com um clipe ainda se conseguia resolver o problema durante períodos cada vez mais curtos, mas entretanto percebi que podia viver sem internet e sem iPad. Decidi ir a uma loja da tmn acabar com a assinatura. Fui atendido em menos de cinco minutos por um funcionário que disse que não podia tratar daquilo ali mas que se prontificou a ligar para o call center que me poderia ajudar. Fiquei dez minutos a vê-lo a ouvir música. Acabei por me vir embora. Hoje, liguei para o Apoio TMN. Vinte minutos depois, apercebi-me que a tradução da letra da música de espera era “Diz-me como posso salvar o teu amor por mim”. Mau sinal. Duas chamadas iguais depois, a paciência já tinha ido de vez. Finalmente sou atendido por alguém que me garante que os meus quatro anos como cliente eram muito importantes, que me davam desconto se eu mantivesse o serviço. Repeti que o meu iPad tinha avariado. Disseram-me que eu usava 500 mb por mês e que me podiam transferir esse serviço para o telemóvel com desconto durante um ano. Eu tenho um tarifário de telemóvel que me dá 1 Giga por mês portanto não me comovi. Já só pedia que me cancelassem o serviço. Falaram-me dos pontos. E eu pedia que me cancelassem o serviço. Falaram-me da minha importância como cliente. E eu disse que, como cliente, já só me interessava que me cancelassem o serviço nos próximos 30 segundos. E que dos quatro anos de cliente, só me lembrava das horas que passei a ouvir música. E, quanto aos pontos, que agarrassem neles e os oferecessem à avó. Disse isto tudo. Implorei pelo cancelamento. Consegui uma morada para onde mandar uma carta a pedir o cancelamento. Que era a primeira informação que me deviam ter dado.

Por pior e mais incompetente que seja a repartição de um serviço público essa incompetência não deriva de obrigarem gente a competir até à morte entre si, para (com todos os obséquios) me vender serviços que eu não quero, em vez de me (simplesmente, rapidamente) informar. Prefiro três dias de burocracia estritamente pública e não comercial, entremeada de 4 estações de Vivaldi, do que o período equivalente de publicidade disfarçada a cuspe de “apoio técnico”.

Acho que, se algum dia a maralha que anda a privatizar tudo e mais alguma coisa for julgada e presa, a pena deveria ser trabalhar compulsivamente num call center. Quanto mais não seja porque transformaram isto num país onde metade dos cidadãos tenta em vão resolver problemas com a outra metade, condenada a trabalhar em call centers pelas decisões do 1% de idiotas que nos governam.

http://ressabiator.wordpress.com/2013/12/27/portucall-center/

In “the ressabiator”


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