2 comentários:
De Ano novo ? ... num país sem futuro ? ... a 7 de Janeiro de 2014 às 12:07
ANO NOVO?

Será que vamos ter mesmo um ano “novo”?
No plano político três coisas vão defini-lo:
se haverá ou não resgate ou plano cautelar;
quem e como vão ser ganhas as eleições europeias, e
qual o grau do “consenso” entre PSD e PS.

Cada uma delas actuará sobre o contexto actual, os protagonistas actuais, os partidos como eles estão e por isso serão conjunturais, mais do que estruturais.
Se se combinarem para gerar uma “tempestade perfeita”, - como pode acontecer se for necessário um novo resgate, ou as condições “cautelares” forem muito pesadas, ou o PSD-CDS se sair bem das europeias, - por muita inércia que o sistema tenha, então a mudança pode ser de natureza estrutural e implicar um novo ciclo.
Só eleições podem permitir e potenciar essa saída e por isso a possibilidade de eleições, indesejadas até ao limite pelo establishment, permanece em aberto.

È também por isso que grandes manobras eleitorais são de prever, até porque PSD, CDS e o governo já estão em modo eleitoral.

No plano económico, os dados estão lançados e não haverá grandes surpresas.
Algumas estatísticas vão melhorar dentro de uma mediocridade geral de resultados.
Outras vão piorar, e o governo fará sobre elas o silêncio total, para não estragar os “sinais”.

Mas uma coisa não acontecerá, como aliás não aconteceu, nem haverá transformação estrutural da nossa economia, nem “milagre económico”.


No plano social, não haverá ano “novo”.
Será a mesma coisa, agravada pela passagem do tempo, ou seja, empobrecimento dinâmico.
Desta situação social pode resultar uma subida de tom da conflitualidade, e não é possível saber se qualquer “centelha” incendeia a planície.
O governo teme isso mais do que o admite em público, e tem razão em ter medo.

(url)
15:02 (JPP) , Abrupto, 3/1/2014
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DESEJAMOS A TODOS BOM NATAL E BOM ANO,
MAS COMO É QUE SE VIVE NUM PAÍS SEM FUTURO?

(-por.JPP, Abrupto, 25/12/2013)


Mais uma vez foi anunciado um prazo para a “austeridade”. Quinze anos, pelo menos.
Se tomarmos à letra o “programa” vindo das várias troikas, FMI-UE-BCE, ou Passos-Maria Luís-Moedas, ou Neves-Lourenço-Bento, ou qualquer das suas variantes, serão precisas décadas.
Se tomarmos à letra as promessas de manter a “austeridade” pelos anos necessários para “resolver” o problema do défice e da dívida, como política “inevitável”, é de décadas que falamos.

Como é que se vivem décadas de “austeridade”?
Não se vivem. Com troika ou sem ela, com plano cautelar ou sem ele, o que nos dizem os governantes é que a “austeridade” é para ficar como o novo modo de vida “ajustado” dos portugueses.
Esta perspetiva de “vida” é impossível em democracia, só em ditadura.
Só com DITADURA ou com GUERRA civil é que é possível esse “ajustamento”.
Se continuarmos a viver em democracia, é IMPOSSÍVEL.
Mais, é economicamente AUTODESTRUTIVO, ou seja, os efeitos que gera este longo “ajustamento”, se se viesse a verificar, tornam-no insustentável, logo ineficaz, logo errado.

Começa por que, para muitos, não é sequer uma perspetiva de “vida” viável.
Para uma parte importante dos portugueses com mais de 60 anos, tira-lhes qualquer hipótese de, na sua vida terrestre, conhecerem qualquer melhoria, bem pelo contrário.
Depois para muitos adultos com quarenta anos, por exemplo, para os chamados “desempregados de longa duração”, é igualmente um beco sem saída, cujo agravamento se acentuará com a passagem do tempo.
Impossível de “viver” a não ser com legiões de pobres na rua, como na Grande Depressão americana.
E não há nenhum “New Deal”(Roosevelt, USA) á espera.

Exagero? Só é exagero porque não irá acontecer, porque, a prazo mais curto do que pensam os seus proponentes, que também não tem muita confiança na possibilidade das suas políticas serem sustentáveis,
- pelo efeito do “politiquice” eleitoral, dizem com desprezo, - haverá mudanças de política, quer sejam feitas a bem ou a mal.
Suspeito que a mal, mas isso é outra questão.

Um poderoso acelerador do fim desta política é o crescimento da DESIGUALDADE.
Como é que se vivem décadas de “austeridade” desigualmente distribuída?
Não se vivem sem REVOLTA. Por aqui me fico.
Bom Natal. No fim de contas o Pai Natal também veste de vermelho e é velho, duas sinistras condições para a revolta nestes dias.


De U.E. sob a bota do Medo e Finança global a 3 de Janeiro de 2014 às 15:36
Lampedusa, Europa, Século XXI
(-por Nuno Serra, 2/1/2014, Ladrões de B.)

«As imagens captadas pelo telemóvel do jovem sírio Khalid chocaram o mundo. Em Lampedusa (mini ilha italiana), meses após a morte trágica no Mediterrâneo de centenas de imigrantes clandestinos, descobre-se que os que sobrevivem ao mar são tratados como BICHOS.
No centro de acolhimento da ilha italiana, ficam nus à frente de toda a gente para serem desinfectados com um jacto de água.
A imagem tem conotações duras. Um campo de concentração? Um matadouro? Duas ou três palavras bastam para descrever essas imagens. Indiferença. Desumanidade. Vergonha.

Em Outubro, quando mais de 300 imigrantes morreram ao largo da ilha, o Papa Francisco resumiu tudo na palavra vergonha. Passadas poucas semanas, a vergonha ainda não chegou a Lampedusa. Nem à Itália.
Nem à Europa que desiste dos seus valores a troco da segurança imaginária de uma fortaleza.
Ao escândalo da morte escondida no fundo do mar soma-se o escândalo da humilhação dos sobreviventes, julgados demasiado indignos para serem tratados como mulheres e homens num centro de acolhimento.
A Europa que se mostra assim tem que legitimidade para dar lições de direitos humanos aos outros?

Vimos as imagens, elas suscitaram a indignação geral. Incluindo a fúria de Bruxelas, em vésperas de mais uma cimeira europeia onde o tema da imigração corre o sério risco de ser afastado do topo da agenda. E a pergunta a fazer é:
o que aconteceria se não tivéssemos visto essas imagens?
O que aconteceria se Khalid não tivesse obrigado os europeus a ver? Tudo continuaria na mesma. Porque na verdade está tudo na mesma.
Desde as tragédias de Outubro, a UE não deu um passo para alterar as suas políticas de imigração.

Continua a preferir o medo à vergonha, a indiferença à humanidade
. E é intolerável que a Europa não consiga encarar de frente a questão.
Os direitos humanos são de todos os seres humanos.
E esquecê-lo é infelizmente mais fácil que parece.»

(Editorial do Público de 19 de Dezembro: A vergonha ainda não chegou a Lampedusa).

--------- Anónimo disse...

"As imagens captadas pelo telemóvel do jovem sírio Khalid chocaram o mundo"
- Qual mundo? Certamente falamos do mundo ocidental, assético, "generoso", politicamente correto. O outro mundo, o mundo a que os refugiados tentam escapar, continua inerte, mudo, distante.
Entretanto o nosso mundo vê nas "imagens", não aquilo que elas representam, mas apenas o espelho da sua própria má consciência.
É isso que "liga" a desinfeção a Auschwitz.

No mundo sórdido, violento, corrupto e fundamentalista que os refugiados deixam para trás, aquele banho frio é antes de mais uma redenção.

Entretanto, o ocidente "benévolo" nada diz e nada faz contra os verdadeiros responsáveis pela origem do "problema"... (na Síria, Líbano, Israel/Palestina, Iraque, Egipto, Líbia, ...)
Um silêncio, esse sim, criminoso.


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