2 comentários:
De 40 a. depois: irreconhecível mas piorar. a 11 de Fevereiro de 2014 às 10:19
http://jugular.blogs.sapo.pt/quarenta-anos-depois-este-pais-esta-3699576
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lembrar o caminho que de facto se percorreu desde 1974, quando tínhamos as duas vinte e tal anos, até hoje. Lembrar o que era Portugal antes do 25 de Abril. É o que faz Teresa de Sousa, neste excerto do seu artigo:

«Veio a Lisboa na semana passada uma equipa da France Culture para fazer uma série de programas sobre os 40 anos do 25 de Abril. A jornalista era jovem, competente, procurou informar-se antes de fazer as perguntas. Creio que fui a última entrevista que fez antes de regressar a Paris. Sabemos que a esquerda francesa sempre teve uma visão “romântica” da revolução portuguesa. Mas foi de uma extrema dificuldade explicar-lhe duas ideias feitas que trazia provavelmente de Paris e que viu confortadas pela maioria das entrevistas que fez.

A primeira era que estávamos hoje pior do que no 25 de Abril, por causa da crise. Para ela, e para muita gente por cá, o país anterior à queda da ditadura é uma projecção que nunca foi vivida e que, portanto, só pode ser feita com os olhos de hoje. Quem tem menos de 50 anos não tem a memória viva das coisas. Não era apenas a falta de liberdade. Portugal era um país muito, muito pobre, pouco escolarizado, sem saneamento básico, onde numa qualquer aldeia do interior as crianças iam para a escola descalças, independentemente do frio ou do calor e as suas barrigas eram anormalmente grandes. Os liceus eram um privilégio para as classes médias mais privilegiadas das cidades. A saúde estava acessível a poucos. E lá tive eu de explicar que o nosso Serviço Nacional de Saúde, com crise ou sem crise, estava ao nível dos melhores sistemas europeus. Os números não deixam mentir. Que a taxa de mortalidade infantil, que era uma das piores da Europa, estava hoje abaixo da média europeia. Que, apesar de todas as dificuldades, a esperança de vida das mulheres aproximava-se a passos largos da recordista França. E que isto não se devia a um milagre de Nossa Senhora de Fátima.

Quarenta anos depois, este país está irreconhecível. A crise está a empobrecer- nos de uma maneira que nunca pensaríamos possível. O Governo não respeita nada nem ninguém, quando se trata de arrecadar. A classe média está a pagar a crise praticamente sozinha e a “compressão” dos seus rendimentos é brutal. Tudo isto é verdade, mas todas as crianças vão para a escola com sapatos.»


De Fuga de Peniche p. a Liberdade. a 6 de Janeiro de 2014 às 10:55
O Preço da Liberdade e a Fuga de Peniche...


Hoje, no famigerado Forte de Peniche, foi recriado um dos episódios mais marcantes da resistência contra o Estado Novo e o regime salazarista:
a célebre "Fuga de Peniche" que, em 3 de Janeiro de 1960, arrancou à tortura da PIDE:
Álvaro Cunhal, Jaime Serra, Carlos Costa, Joaquim Gomes, Francisco Martins Rodrigues, Francisco Miguel, Guilherme da Costa Carvalho, José Carlos, Pedro Soares e Rogério de Carvalho - foi ainda integrado na fuga, para efeitos de proteção, o GNR que ajudou a operacionalizar a fuga, José Jorge Alves (ler aqui).

Testemunho de que a coragem desafia todos os muros e encontra formas de devolver a dignidade às pessoas e às populações, a iniciativa da recriação histórica da Fuga de Peniche, inscreve-se na comemoração do 40º aniversário do 25 de Abril...

Quanto ao documentário que aqui partilho, ( http://www.youtube.com/watch?v=slhNw-RTdPw&feature=player_embedded )
refira-se que é uma fonte documental verdadeiramente impressionante não apenas pela narrativa talentosa da intrépida estratégia da fuga
(com pormenores interessantíssimos e curiosos que só a vivência permite conhecer e transmitir)
mas, de forma essencial, pela crueldade das realidades descritas, cujo valor inestimável para a construção da História do país que também somos, não podemos ignorar, nem devemos esquecer!...
para que nos não apaguem a Memória e, consequentemente, a Identidade!
Incontornável é também a Homenagem justa e devida que nos permite aos sobreviventes Carlos Costa e Jaime Serra!

(- por http://AnaPaulaFitas.blogspot.pt/ 4/1/2014)


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