O Barbosa quer fazer do ACP um braço político do PSD

Os partidos da oposição sentem-se desarmados, não têm programas credíveis e apostam no dizer mal, mas sabem que aí a sua credibilidade não aumenta muito. Daí estarem há muito a recorrer aos diversos sectores organizados em que têm influência para que o oposicionismo venha de outros lados aparentemente não partidários.

Os comunistas têm utilizado os sindicatos para uma verdadeira guerra de guerrilhas apontada principalmente ao Estado e a qualquer reforma ou melhoria do mesmo. O PSD recorre às organizações patronais onde tem alguns dos seus homens de mão e agora ao Automóvel Clube de Portugal (ACP), cujo presidente, Barbosa, tornou-se num opositor ordinário e estúpido do PS.

Em resposta ao êxito que foi trazer uma fábrica de baterias de iões de lítio para automóveis eléctricos e ao anúncio de um subsídio para reduzir o preço das referidas viaturas, o tal de Barbosa teve uma posição altamente ordinária, dizendo que Sócrates estava a brincar e aquilo tudo era uma demagogia eleitoral como se a Nissan-Renault estivesse interessada em brincadeiras ou demagogias.

Já na questão do Terreiro do Paço, o Barbosa confundiu tudo e pretendeu que o facto de o pedido de uma providência cautelar dar entrada num tribunal é já uma concretização judicial da mesma providência e qualquer obra da CML na zona deveria ser suspensa. O tal de Barbosa foi eleito presidente do ACP, mas não presidente da CML e ninguém sabe o que lhe passou pela cabeça.

Barbosa pretende agora que o Estado suspenda durante dois anos ou mais o Imposto Automóvel. O homem esquece que o Instituto de Seguros de Portugal declarou há não muito tempo que há em Portugal 5,8 milhões de seguros válidos de viaturas ligeiras, o que é uma das taxas mais elevadas da Europa. Os portugueses endividaram-se para comprar casa e carro. Deixem-nos pagar as dívidas, muitas das quais vieram de fora, e continue-se com os impostos como estão que não impediram que os portugueses tenham por mil habitantes 20% mais automóveis que os espanhóis.

As 3,8 milhões de famílias portuguesas possuem 5,8 milhões de viaturas e 6,15 milhões de unidades habitacionais independentes. Não podem ter mais. Apesar da crise, os carros em segunda mão vendem-se a preços bastante baixos e as vendas de viaturas novas sofreram uma quebra salutar de uns 25% este ano, o que é importante porque os carros são importados. De resto, acontece em toda a Europa e nos EUA.

Barbosa quer proteger os lucros dos importadores quando o mercado está saturado com imposto ou sem imposto e Portugal não é suficientemente rico para atirar para a sucata uns milhões de automóveis ainda em excelente estado de conservação como acontece com o meu que tem seis anos e anda como se fosse novo. Além disso, está a tornar-se num braço ou filial política do PSD da Manuela Ferreira Leite. Vou mesmo deixar de ser sócio.

As famílias portuguesas são muito poupadas; no final do ano passado deviam à banca 114 mil milhões de euros, mas os seus activos estavam calculados em 675 mil milhões de euros, portanto em cerca de seis vezes mais. Há, contudo, famílias em dificuldades e vários programas para apoio na prestação ou renda da casa; houve o aumento do abono de família, o complemento de reforma para idosos, o RMI, etc.


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Publicado por DD às 22:31 de 20.07.09 | link do post | comentar |

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