Empate técnico

As sondagens mais recentes sobre o sentimento político no País concluem por um empate técnico entre os dois maiores partidos. Do meu ponto de vista, este resultado exprime o momento crítico de decisão que marca hoje a sociedade portuguesa.

Quatro anos de políticas determinadas de modernização colocaram Portugal num novo patamar competitivo. O contexto atingido, longe de ser perfeito, induz maior responsabilidade aos diversos actores individuais e colectivos. Esta nova exigência de responsabilidade e ambição é, a meu ver, a principal razão do impasse político. Um impasse que poderá ter um desenlace virtuoso se a mudança no contexto tiver tido impacto real na atitude e na confiança dos portugueses.

Acomodados numa longa tradição de foco na desculpa para não enfrentarem com determinação os desafios e as oportunidades, muitos portugueses hesitam ainda, talvez inconscientemente, entre escolher uma proposta de negação que cobre todos os fracassos ou uma visão de ambição e arrojo que exige uma maior exposição e compromisso.

O empate técnico que os estudos de opinião revelam entre os dois maiores partidos do sistema democrático em Portugal é muito mais do que uma similitude pontual de intenções de voto. É um empate entre os que querem arriscar e os que preferem travar. Entre os que querem competir no Mundo global e os que preferem, de facto, o refúgio do "jardim à beira-mar plantado". Entre os navegadores e os velhos do Restelo.

A História de Portugal está cheia de empates técnicos e de desempates, ora gloriosos, ora trágicos. Nenhum empate, por mais cristalizado que esteja, é eterno. Mais cedo ou mais tarde, o jogo vai decidir-se, por inspiração, acção do árbitro ou pontapés da marca de grande penalidade!

Será o desempate que se aproxima um momento de impulso ou um momento de recuo? Cabe a cada português avaliar o que pretende para o futuro do País e decidir em conformidade. A decisão colectiva será a prova dos nove da maturidade das nossas gentes para enfrentarem os desafios do Mundo global.

[Carlos Zorrinho, Correio da Manhã]


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Publicado por JL às 01:00 de 21.07.09 | link do post | comentar |

1 comentário:
De Português, aqui e agora a 21 de Julho de 2009 às 09:48
Tal como afirma o filosofo José Gil, é preciso ter coragem e não ter medo de existir como o próprio escreveu em “PORTUGAL HOJE, o medo de existir” – lançado num contexto e timing notável, aquando do governo de Santana, fomentando uma depressão nacional baseada na inveja e no medo lusitano.

É necessário que se assuma essa viragem e que se não recue, sobretudo agora quando tantos sacrifícios se fizeram para conseguir significativos avanços, tecnológicos , culturais e ambientais perfeitamente reconhecidos no plano internacional .


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