Sexta-feira, 31.01.14

     África   deles  –  China  e  Japão

   África é, neste momento, motivo de tensões, políticas e diplomáticas, entre o Japão e a China. A caminho de Davos, o primeiro-ministro japonês visitou a Etiópia, a Costa do Marfim e Moçambique e o ministro dos Negócios estrangeiros chinês passou também pela Etiópia, para além do Senegal, Gana e Djibouti.
     O Japão acusa o seu eterno rival asiático de apenas querer explorar recursos naturais (petróleo, minérios, madeira, ...) e de criar pouco emprego (sabe-se que muitas das grandes obras, em países africanos, são executadas por trabalhadores levados da China), o governo de Pequim recorda as atrocidades cometidas pelos nipónicos durante a Segunda Guerra Mundial e argumenta com números da atualidade: em 2012, o volume de comércio da China, em África, foi sete vezes superior ao do Japão. 
    Os africanos assistem e (as suas elites) vão tirando partido destas novas formas de colonização, com outras etiquetas, de que não podem de modo algum prescindir.      (Fonte*, entre outras)
     Só para falar da Etiópia, longe parecem ir os tempos em que o Japão podia evocar as velhas relações entre os dois países, não só mas também por ambos  terem saído vencedores contra investidas militares europeias (o primeiro na Batalha de Tsushima e o segundo na de Adwa) e assinarem por isso um Tratado de Amizade e Comércio, em 1930. E se é verdade que essas boas relações foram interrompidas porque o governo japonês não ajudou os etíopes na segunda guerra destes contra a Itália de Mussolini (1935-1938), acabaram por ser reatadas, a partir dos anos 50. 
     Hoje (em vez das canhoneiras coloniais), falam muito mais alto os cifrões (das multinacionais, das 'empresas soberanas' e): África está a ficar chinesa (mas também grande parte da Ásia, Europa e até os USA estão fortemente endividados/comprados pelas exportações/investimentos da China).  E, contra factos, há cada vez menos argumentos (e menos soberania ...).
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     * « ...Japan will not just extract resources from Africa but “create jobs.” (Japanese PM) spokesman, told the BBC that countries like Japan “cannot provide African leaders with beautiful houses or beautiful ministerial buildings.” Instead, Japan’s policy is “to really aid the human capital of Africa.”

     Mr. Abe was trying to distinguish Japan’s efforts from those of China, Europe and the United States, news agencies reported. However, at a time of tension between Japan and China, the Chinese Foreign Ministry responded angrily, calling Mr. Abe’s comments “unprofessional and ridiculous.”

Relations between the two countries have been strained because of a sovereignty dispute over several East China Sea islands and unresolved issues from Japan’s wartime past. ...

...(chinese) Mr. Lu said that African countries “have already seen” that Japan was eyeing African resources and markets, wanting to compete with China and to win votes at the United Nations.

He criticized Japan’s approach as empty words whereas Chinese assistance “can be seen and touched.” China has financed the construction of numerous major infrastructure projects in Africa, including government buildings, roads and railways – often with resource-backed loans.

“During Abe’s visit to Africa, the Japanese side said China only engages in infrastructure construction,” Mr. Lu said. “The problem is, without infrastructure, how can Africa develop? Why don’t you, Japan, help Africa with basic infrastructure?”

... the war of words was an important fight that China “must not lose.”  “There is no smoke in this ‘Chinese-Japanese public opinion war’ but it is a special 21st century battlefield,”.»



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Terça-feira, 07.05.13

 A emergência da China e dos “BRIC”, miragem ou realidade? (parte II.4)  (-por Francisco )

 

2012_Pudong A China neste momento é a segunda economia mundial e são recorrentes as previsões que irá ultrapassar os EUA e assumir o lugar cimeiro. Para alguns será em 2016, para outros em 2020, varia mais a data de que a certeza que tal dia chegará. É também comum a narrativa do ocidente decadente perante a emergência de novas potências… Não só os BRIC (a China, mas o Brasil, a Índia e a Rússia)…  Recentemente tem-se também falado da Colômbia, Indonésia, Malásia e alguns países da África subsariana.

     Até que ponto tais narrativas são sólidas, ou meras miragens? Não subscrevo por inteiro a tese deste texto – Broken BRICs: Why the rest stopped rising - mas pelo menos tem a virtude de desmistificar o “inexorável” avanço dos países ditos “emergentes” face às potenciais estabelecidas, ao contrário de certas análises simplistas como esta. Pura e simplesmente extrapolar a taxa de crescimento de uma economia, com base na sua performance nos últimos 10 (ou cinco) anos é um exercício coxo, que nos diz mais acerca do passado e presente de uma economia que do seu futuro. Analisar apenas taxas de crescimento oculta também o facto de se estarem a comparar pontos de partida completamente diferentes. É óbvio que nos países “Ocidentais” não há margem para taxas de crescimento equivalentes a países onde a infraestrutura é raquítica e o nível de vida baixíssimo, ou seja onde pequenas melhorias de rendimento ou novos projectos têm um efeito exponencial no PIB, enquanto que as melhorias em países já desenvolvidos têm sempre efeitos marginais no produto agregado. Outro erro comum é assumir que a clivagem fundamental é entre as potencias estabelecidas e os países emergentes. Mais do que desalojar países da Trilateral (EUA/Europa/Japão) da sua posição dominante, o mais comum é certos países emergentes substituírem outros emergentes na hierarquia do sistema-mundo.

    Um dos casos que fura mais a corrente narrativa é o da Rússia, considerada uma potência emergente, mas o que é a Rússia de hoje comparada com o que foi a URSS? Se a Rússia de Putin está bem acima do descalabro Ielstiano, não deixa de estar a anos luz do poder social, geopolítico, político e mesmo económico da defunta URSS. Ou pensemos numa Argentina se é verdade que está bem melhor agora do que na década de 80 do século XX, convém lembrar que a Argentina já foi uma potência económica e política bem mais relevante que nos dias de hoje (no final do século XIX e até à segunda guerra mundial, mais coisa menos coisa).

     No caso de África, corre o debate se o século XXI não será um século muito favorável a esse continente. Até pode ser, espero que seja, mas daí até achar que a África será uma super potência no final do século XXI vai uma grande diferença.

    Mas talvez o caso que mereça maior atenção seja mesmo o da China. São inegáveis os avanços e o desenvolvimento da China nos últimos 30 anos, cuja base foi lançada nos 20 anos antecedentes. Vários números podem ser dados para exemplificar isso, a China ocupa hoje um lugar importante no sistema mundo. Mas irá transformar-se na potência dominante? Os dois textos seguintes dão um bom enquadramento no que concerne à natureza do processo de desenvolvimento Chinês e às tensões a que esse modelo está agora sujeito.      The Global Stagnation and China, John Bellamy Foster and Robert W. McChesney.    China’s capitalism and the crisis, Jane Hardy and Adrian Budd.

     O desenvolvimento de um pujante mercado interno Chinês que absorva as exportações do Ocidente é uma das maiores esperanças dos “mandarins” das potências da Trilateral desejosos de escapar à “espiral recessiva”. Mas a questão prévia é saber se a economia Chinesa conseguirá ajustar-se à queda da procura para as suas exportações no mercado ocidental. A China não sofreu mais com a crise de 2008-2009 porque implementou uma política Keynesiana ao quadrado (ou à escala Chinesa…), até que ponto esses investimentos e o crédito concedido obterá o retorno necessário para sustentar a economia Chinesa e possibilitar a margem de manobra necessária a uma reconversão do seu modelo produtivo com vista a uma dinamização do mercado interno, é algo que está por saber. O que é certo é que entre enunciar um rumo “desenvolver o mercado interno” e de facto operar transformações nesse sentido, vai uma grande distância, até porque essas transformações irão colidir com interesses particulares instalados, interesses que se baseiam no actual modelo produtivo virado para as exportações. Isto num contexto em que a conflitualidade social e laboral atinge níveis importantes, níveis que permitiram de facto, um aumento considerável dos salários na China.

     Mas não é só a contracção no consumo a ocidente que força a uma alteração no modelo produtivo Chinês. Existe também o estagnar do outsorcing e das deslocalizações de empresas ocidentais para a China. O debate sobre até que ponto o outsorcing está a morrer (aqui ou aqui) ou até que ponto está a ocorrer um regresso da Indústria aos EUA, está em curso (aqui, aqui ou aqui). O facto de se dar esse debate é só por si revelador, é revelador, de que, no mínimo, o grau de deslocalizações de Industrias ocidentais para a China estagnou. Portanto, aquele que foi um dos maiores motores de desenvolvimento da economia Chinesa parou. A liderança Chinesa sabe disto, daí a nova orientação para o mercado interno e o assumir de que os anos de crescimento exponencial terminaram.

     Até que ponto é possível a China re-ajustar o seu modelo a este novo ambiente é uma grande questão. E seja qual for a resposta, esta questão por si só desmonta a narrativa do inexorável avanço Chinês até à primazia no seio do sistema-mundo.

Para lá destas questões, a forma como a China chegou a esta posição no sistema mundo merece uma breve discussão. Sobretudo porque permite desmontar certos mitos difundidos pela elite capitalista, tomados por muitos como verdades irrefutáveis. É essa a maior força do artigo China 2013, de Samir Amin.

     ... Foi exactamente por seguir uma via de desenvolvimento diferente do modelo capitalista da trilateral que a China chegou onde chegou, a segunda economia mundial, com o maior nível de crescimento económico das últimas décadas!!! Tivesse a China seguido os conselhos do FMI, Banco Mundial e outros que tais, ainda seria uma nação dividida e marginal no sistema mundo… Outro mito comum é de que o desenvolvimento Chinês deveu-se única e exclusivamente aos salários baixos. Se assim fosse o Burundi ou qualquer outro país a roçar o miserável ter-se-ia desenvolvido exponencialmente. Os baixos salários foram certamente parte da equação, mas estão longe de ser a única componente e cada vez mais serão uma parte menor da equação, uma vez que existe um aumento do rendimento dos trabalhadores Chineses, ao mesmo tempo que na Trilateral/ocidente há um congelamento ou redução dos custos laborais. A existência de (e investimento em) infraestruturas de transportes e telecomunicações, a existência de cadeias logísticas, as economias de escala possíveis, a existência de clusters de indústrias, a urbanização e, last but not least, o controlo político e estratégico de todo o processo por parte do Partido Comunista Chinês é que permitiram a China chegar onde chegou. E sobre o ponto onde a China chegou muito se pode dizer, incluindo, que a enorme redução dos níveis de pobreza mundiais entre os anos 80 e a actualidade se deveu, quase em exclusivo, aos esforços desenvolvidos pela República Popular da China.

    Com todas as suas vicissitudes e contradições, a China foi seguindo o seu próprio caminho. Um caminho que incluí o crescimento exponencial das últimas décadas e a transformação da China no maior centro de manufactura mundial. Este caminho gerou e gera fortes tensões, tanto a nível interno, como externo.

    Quanto às tensões internas e à luta de classes os dois textos que mencionei no início da discussão sobre a China abordam o assunto. Mas acrescentaria mais dois, China in Revolt -Today, the Chinese working class is fighting. More than thirty years into the Communist Party’s project of market reform, China is undeniably the epicenter of global labor unrest - e, The Struggle for Socialism in China.

    O texto Imperialism and instability in East Asia today, de Ha-young Kim foca-se no crescendo de tensões inter-imperialistas no extremo-oriente . ...how-america-wants-to-check-chinas-expansion E o que dizer dos EUA? Sem dúvida que os EUA já não estão na posição dominante inquestionável que por instantes ocuparam após a queda da URSS. Há várias questões que se colocam quanto às bases do seu poderio. Mas neste momento são ainda a potência hegemónica global, o seu poder militar e económico são ímpares. O dólar continua a ser a moeda referência mundial, as forças armadas dos EUA são ainda as mais poderosas do globo (não são é omnipotentes…), em termos de desenvolvimento científico os EUA ocupam um lugar cimeiro, a economia dos EUA (mesmo com problemas) continua a mais pujante do planeta. Desalojar os EUA do seu lugar implica ultrapassar todos estes obstáculos mais a rede de alianças centrada nos EUA (na Ásia com o Japão, Coreia do Sul e outros, na Europa com a NATO, etc…) e a rede de instituições globais (FMI, Banco Mundial, ONU, etc…) desenhadas para manter a hegemonia dos EUA e a actual hierarquia  dentro do sistema mundo encabeçado pela Trilateral, em que o vértice mais alto são os EUA.

     A isto acrescento outra vantagem, que os EUA dispõe face à China e mesmo a uma putativa Europa unificada. O seu grau de coesão. É muitas vezes dito que a sociedade dos EUA é muito desigual, que há uma enorme desigualdade social e na distribuição de riqueza. Sem dúvida, isso é verdade. Mas o que não se faz tanto é comparar a realidade dos EUA com a realidade Chinesa ou Europeia. Na verdade, fazendo uma medição através do índice de gini, os EUA apresentam um índice de desigualdade social semelhante ao da União Europeia! O que acontece é que cada país da UE tem um nível de desigualdade inferior ao dos EUA, mas se a UE for tomada no seu todo, as enormes diferenças entre o norte rico (e.g. Holanda, Finlândia, Dinamarca…) e o sul pobre (e.g. Roménia, Grécia, Portugal…) resultam num índice semelhante aos dos EUA. Mas para além do coeficiente de gini está a realidade histórica e cultural. A Europa é uma manta de retalhos de nações com ódios seculares entre si. A China é também uma realidade muito mais plural do que se julga, por extensos períodos de tempo a China nem foi um país  unificado, mesmo hoje em dia por vezes certas regiões reivindicam a independência (e nem estou a falar do Tibete!)… Nos EUA, apesar de existirem alguns regionalismos, a guerra civil resolveu a questão nacional, não existem movimentos independentistas dignos de registo nem tensões inter-regionais/inter-nacionais significativas. Quando comparado com a China ou a Europa, os EUA são uma realidade político-social muitíssimo mais coesa e homogénea. Em tempos de crise esse grau de coesão faz uma grande diferença.

    Para concluir direi que é importante ter em conta que no actual sistema mundo as potências da Trilateral já não são os únicos agentes relevantes. A China, outras potências na Ásia, África e América do Sul também ocupam um lugar no “grande jogo“. Outro factor a ter em conta é o reforço das relações ditas “sul-sul”, entre China e África, África e América Latina, em que a Trilateral já não ocupa um ponto de charneira incontornável. Estas novas realidades tem impacto na economia, no social e na geopolítica… ou até no simples design de produtos. As ideologias, ideias, artes, padrões estéticos até há uns anos atrás considerados “universais” eram decalcados do mundo ocidental, haverá uma tendência para que os novos padrões universais incluam reflexos de outras paragens e não exclusivamente os do “Ocidente”.

    Dito isto, importa acrescentar que isso não significa que iremos assistir a uma pacífica e inexorável transição para um mundo em que a potência hegemónica seja a China ou outra potência Asiática. Tenho grandes dúvidas que tal venha a acontecer, mesmo a médio prazo. O que é certo é que a emergência destes novos players, sobretudo da China, dará azo a novas contradições inter-imperialistas e irá reacender velhas feridas, isso será cada vez mais visível à medida que a actual crise se agudizar.



Publicado por Xa2 às 07:47 | link do post | comentar | comentários (1)

Sábado, 31.07.10

            Perto da cidade chinesa de Shenzen, junto ao Rio das Pérolas, não muito longe de Cantão, existe uma outra cidade com mais de meio milhão de trabalhadores, a fábrica Foxconn, a maior de todas as fábricas que alguma vez existiu como unidade homogénea no Mundo.

            Dessa cidade saem grande parte dos telemóveis Nokia e das mais diversas marcas, bem como os iPods, computadores Dell, portáteis de todas as marcas, ratos, teclados e centenas de milhares de componentes de computadores e material eléctrico.

            As condições de trabalho são tão tenebrosas que anualmente se registam muitas centenas de suicídios. A empresa rodeou de altas grades os terraços e telhados para evitar que algum trabalhador se lance daí e todos têm de assinar uma declaração de que não se vão suicidar, a mais curiosa das declarações contratuais que se conhece no Mundo desde sempre. Em caso de suicídio, a família do morto tem de pagar uma indemnização à fábrica, o que é único no Mundo. O Carvalho da Silva nunca falou nisto nem deve saber pois parece que desconhece qualquer língua estrangeira excepto o portunhol.

            Recentemente, a administração dessa fábrica do capitalismo comunista mais selvagem que há resolveu aumentar os salários dos trabalhadores em 100%. Que imensa generosidade?

            Para conseguir esse aumento, os trabalhadores são sujeitos a uma prova de trabalho de três meses com mais de 100 horas extraordinárias mensais. Uma vez conseguida essa prova de trabalho quantitativo e qualitativo passam a receber o dobro do salário, mas na condição de manterem o imenso ritmo de trabalho, podendo o aumento ser retirado ou reduzido a qualquer momento.

            O fato tem levado muitos trabalhadores à morte por esgotamento total ou suicídio.

            Os trabalhadores são proibidos de falarem uns com os outros durante o trabalho e vivem geralmente em pequenos cubículos para oito trabalhadores de diferentes turnos, pelo que nem se conhecem. Até o uso de telefones portáteis chegou a ser proibido, mas, entretanto, levantado para os operários com mais de um ano de casa.

            Alguns sindicalistas ilegais chineses afirmam que nessa fábrica, os trabalhadores produzem mais valias de 95%, isto é, segundo a concepção marxista, 5% do seu trabalho é para si e 95% para os patrões.

            Esta empresa introduziu no Mundo a exportação em larga escala dos computadores desktop completos, levando à falência a portuguesa “City Desk” que pagava salários que chegavam a 200 vezes mais que os chineses, considerando a enorme produtividade esclavagista do trabalhador chinês. Praticamente todos os fabricantes/montadores de computadores da Europa faliram como a “City Desk” pois pagavam salários ainda mais altos.

            A exploração do trabalho é tal que permite aos proprietários originários de Taiwan serem dos mais ricos industriais do Mundo e, ao mesmo tempo, proporcionar gigantescos lucros aos diversos clientes que mandam lá fazer os seus produtos e vendê-los a nós todos a preços relativamente baixos.

            Por isso compramos tanto material informático cada vez mais barato, mas, por enquanto, pois, uma vez desaparecida toda a indústria de material informático fora da China, os seus preços aumentarão certamente.

            É evidente que são fábricas deste tipo que matam a indústria portuguesa e criam o desemprego. Não há política de nenhum governo português que possa evitar isso, a não ser esperar por 2014, ano em que as decisões na União Europeia serão tomadas por maioria e a Alemanha perderá o seu monopólio de poder proporcionado pelas decisões por consenso. A partir daquele ano, os pequenos e médios países juntos poderão impor elevados direitos aduaneiros aos produtos chineses de modo a financiar os desempregados europeus, quase a atingir os 30 milhões, e a reduzir o desemprego, permitindo o trabalho europeu, naturalmente mais caro.

            Os produtos serão mais caros, mas não podemos ter salários razoáveis sem os pagar. Não podemos receber sem dar o equivalente em troca. Só estúpidos como o Medina e o Passos Coelho ou o Jerónimo e o Louçã é que pensam que Portugal pode inventar produtos fantásticos e únicos no Mundo capazes de nos proporcionar elevados rendimentos com a sua exportação. Os analfabetos como o Medina e outros economistas não percebem que temos os produtos chineses baratos, mas pagamos um diferencial através dos nossos impostos para o mais de meio milhão de desempregados portugueses, sucedendo o mesmo em Espanha com mais de 20% de desemprego e com os restantes países europeus.

 

           

           Fonte: Rádio Deutschlandfunk - Canal Radio Wissen ou Rádio Saber que transmite em permanência tudo sobre o conhecimento científico, filosófico, político, social, literário, histórico, etc. durante 24 horas, permitindo no computador repetir as peças de modo a sejam memorizadas com mais facilidade. Claro é tudo em alemão.


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Publicado por DD às 18:14 | link do post | comentar | comentários (6)

Segunda-feira, 07.06.10

A China Comunista-Capitalista encontra-se actualmente a viver um perigoso „boom“. No primeiro trimestre a economia cresceu 11,9%, enquanto os preços do imobiliário subiram mais de 12% no mesmo período, estimulados por um autêntico “tsunami” de crédito barato. Já em 2009, o crédito bancário ultrapassou os 1,1 biliões de euros a uma taxa de juro extremamente baixa.

Para enfrentar uma quebra nas exportações, as autoridades chinesas fomentaram o crédito barato e indirectamente a consequente subida de preços, tanto das casas como dos activos financeiros e saliente-se aqui que é difícil na China ao investidor privado comprar acções de empresas cotadas. Estas estão todas na mão dos mais diversos fundos bancários e são esses que o chinês ou estrangeiro compra sem grande transparência porque não sabe ao certo o que consta do activo desses fundos que cresceram desmesuradamente. O Banco da China tem procurado obrigar os bancos a manter reservas mais elevadas relativamente aos créditos concedidos, mas, mesmo assim, muitos analistas acreditam que não é possível manter o crescimento numa base tão capitalista sem um aumento substancial dos salários da esmagadora maioria dos trabalhadores.

Os grandes fundos ocidentais como o “Fidelity Trust”, o “Allianz”, “Invesco”, etc. estão a sair do mercado chinês, ainda rentável. Mas por quanto tempo ainda?

A recente quebra do Euro em 15% veio agravar a situação, pois o mercado da zona euro é extremamente importante para os chineses, nomeadamente para os muitos homens de negócios, quadros e grandes empresários que investem nos fundos bancários e adquirem casas graças aos imensos lucros que a exportação de produtos feitos com mão de obra baratíssima lhes proporciono

O Euro mais barato relativamente ao dólar torna as exportações chinesas mais caras, pois o Yuan é cotado em paridade com o dólar. Os chineses perdem competitividade no mercado europeu e não podem alargar o seu mercado interna pela via salarial para não perderem ainda mais competitividade e acrescente-se que as medidas restritivas da Alemanha e de quase todos os países da zona euro mais outros que não pertencem como a Hungria, Islândia, Eslováquia, Roménia, Bulgária, etc. dificultam ainda mais as exportações chinesas.

Apesar da grandeza da China, o seu verdadeiro mercado interno é reduzido, sendo um pouco superior ao da Alemanha, dado que o povo vive na miséria, pelo que tudo indica que vai haver um rebentamento da bolha de crescimento da China com o afundamento bolsista dos seus derivados, fundos de aplicações e outros produtos financeiros associado ao fim da bolha especulativa do imobiliário e a uma maior quebra nas exportações.

Os chineses possuem importantes reservas monetárias aplicadas nos EUA. Servirão para alguma coisa? Apenas para importar produtos alimentares e outros se uma parte dos trabalhadores fosse desviada para importantes obras públicas, o que limitaria o desemprego, mas não resolvia o problema da competitividade externa da sua economia. Em qualquer economia é difícil mudar de paradigma ou modelo. Apenas os japoneses o fizeram limitadamente, passando de uma economia de baixos salários para uma de alto custo de mão de obra associada a grandes investimentos no estrangeiro. Criaram a maior dívida externa do Mundo, mas detida pelos seus nacionais, quer em títulos, quer nos tais investimentos em fábricas, hotéis, etc. que proporcionam rendimentos, mas não tantos como os esperados devido à crise global.

A China parece não ter saída e vai entrar em crise nos próximos meses porque ninguém vê que uma intervenção estatal possa mudar seja o que for.


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Publicado por DD às 23:49 | link do post | comentar | comentários (3)

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