Quinta-feira, 04.07.13
Os números da nossa miséria são assustadores e não param de aumentar. O êxodo da juventude, resultado do desemprego e da angústia, faz de nós um país de mais velhos do que já somos. Os suicídios crescem de Norte a Sul; agora, as estatísticas dizem-nos que, no Alto Minho, os índices do desespero dão uma nota elevada às mulheres que põem termo à vida. O país de suicidas, de que falava Unamuno, voltou a dar razão ao filósofo. E as infaustas notícias não chegam aos jornais, vá-se lá saber porquê.

A tragédia que se abateu sobre a nossa pátria atinge dimensões medonhas. O meu velho amigo Carlos do Carmo, ainda há dias, num programa nocturno da RTP, alimentava as nossas esperanças, dizendo que sempre "demos a volta por cima em circunstâncias históricas funestamente semelhantes." Seja como grande cantador, prevê e deseja. De qualquer das formas, a sua voz dá ânimo e força às nossas tão debilitadas energias. Sou mais pessimista. Prevejo um horizonte sombrio. Mesmo quando nos libertarmos desta gente e pudermos remendar e cerzir os estragos que fizeram, no tecido económico, social e, sobretudo, moral da nação, a tarefa vai ser soberana entre as demais.

Freitas do Amaral disse, há dias, que a situação portuguesa, pelo peso histórico que encerra, pode ser comparável a 1383 e aos sessenta anos da ocupação castelhana. Não serei eu a contrariá-lo. Mas, pessoal e civicamente, no meio das "avaliações" da troika, sinto-me como enclausurado na minha terra. E este Governo subserviente, sem alma e sem dignidade, que obedece a tudo e admite tudo com a espinha dobrada e um sorriso feliz, representa mais um regente do estrangeiro do que o mandatário de um povo. Custa-me escrever e pensar assim; porém, não posso calar a voz da minha consciência. Nunca procurei dividendos de uma luta antiga e extremamente perigosa na qual me tenho envolvido. Pertenço a uma geração que se inspirou em outras gerações de portugueses, que possuíam uma noção muito acendrada de pátria e de liberdade. E chego a "isto" que por aí está com um desgosto infinito.

Claro que, mais tarde ou mais cedo, as coisas modificar-se-ão, pela própria natureza dialéctica da História, mas as chagas deixadas por esta malandragem não cicatrizarão tão cedo. Espero que os responsáveis deste crime sejam condenados, e que a impunidade tradicional, a cumplicidade entre uns e outros não façam, de novo, lei. Estamos a ser traídos, assassinados, desprezados e culpados de delitos que desconhecemos e que não cometemos. Estamos a perder, porque assim nos obrigaram, a noção de sociedade, as relações humanas que formaram o nosso modo de ser.

Atribuem à Europa todos os malefícios que nos afligem, e esta gentalha não faz o mínimo esforço para os escarmentar. Quem é Vítor Gaspar e que sabemos dele a não ser o que diz aqueloutro António Borges, cuja origem também, rigorosamente, desconhecemos. Uma Imprensa que se desqualifica constantemente passa, com ligeireza e leviandade, por cima dos factos mais relevantes sobre as pessoas que mandam, enriquecem e praticam as tropelias mais graves.

Tratam-nos como mentecaptos e eles próprios possuem uma cultura de serventuários dos grandes e ocultos interesses. Acaba de ser publicado um precioso livro do professor Paulo Morais, "Da Corrupção à Crise", cuja leitura, além de eu insistentemente recomendar, representa um acto de coragem, de cidadania e de pedagogia social, que todos deviam ler para saber do inferno moral em que sobrevivemos.

As relações de poder, estabelecidas entre grandes escritórios de advogados, deputados e governantes, não são apenas sórdidas, são nojentas. O livro revela as ligações dos representantes dos partidos de poder com os Executivos, todos os Executivos, que têm estado no poleiro desde há quase quarenta anos. Já não é só a natureza capciosa das duzentas famílias que, na sombra e no silêncio, nos dominam e nos reprimem. Agora é, "democraticamente", os enredos e os favores trocados que criam a teia para a qual somos atirados. O prof. Paulo Morais (que escreve, semanalmente, no "Correio da Manhã", leitura obrigatória) esclarece, neste importante livro, que passou à categoria de documento, as nebulosas de um regime que está a demolir-se a si mesmo, ante a passividade de quem poderia inverter esta tendência fatal.

Por: Baptista Bastos [Jornal de Negócios]



Publicado por [FV] às 11:49 | link do post | comentar | comentários (1)

Segunda-feira, 01.07.13

O valor global das dívidas declaradas prescritas ascendeu aos 833,7 milhões de euros, em 2012, segundo dados da Conta Geral do Estado de 2012.

De acordo com a Conta Geral do Estado de 2012, hoje divulgada pela Direção Geral do Orçamento, no ano passado, o valor das dívidas fiscais prescritas atingiu os 833,7 milhões de euros, montante que inclui 534,2 milhões de euros que já tinham sido anteriormente declarados em falha, ao abrigo do Código de Procedimento e de Processo Tributário.

Destes 833,7 milhões de euros, mais de metade pertence ao Imposto de Valor Acrescentado (IVA), tendo prescrito 566,4 milhões de euros nesta rubrica (67,9% do total).

No Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Coletivas (IRC) as dívidas fiscais prescritas ascenderam aos 167,6 milhões de euros (20,1% do total) e no Imposto sobre o Rendimento de Pessoas Singulares (IRS) aos 70,8 milhões de euros (8,5% do total).

O Código de Procedimento e de Processo Tributário determina que é declarada falha da execução fiscal de dívidas quando se demonstre a falta de bens penhoráveis do executado, seus sucessores e responsáveis solidários ou subsidiários ou quando for o executado for desconhecido e não seja possível identificar o prédio, quando a dívida recair sobre propriedade imobiliária.

É ainda declarada falha na execução da dívida quando o devedor do crédito penhorado se encontrar ausente em parte incerta, não tendo outros bens penhoráveis.

 

Pergunta: Algum dos meus amigos aqui do Luminária ou algum dos nossos ilustres comentadores foi dos «beneficiados»? Ou alguém da família? E algum amigo próximo ou amigo de amigo?. Fico à espera para tentar perceber o porquê destas prescrições...



Publicado por [FV] às 21:13 | link do post | comentar

Segunda-feira, 17.06.13

QUE É O BCE?
- O BCE é o banco central dos Estados da UE que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.

E DONDE VEIO O DINHEIRO DO BCE?
- O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 Estados da UE contribuíram com 30%.

E É MUITO, ESSE DINHEIRO?
- O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012 até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.

ENTÃO, SE O BCE É O BANCO DESTES ESTADOS PODE EMPRESTAR DINHEIRO A PORTUGAL, OU NÃO? COMO QUALQUER BANCO PODE EMPRESTAR DINHEIRO A UM OU OUTRO DOS SEUS ACCIONISTAS ?
- Não, não pode.

PORQUÊ?!
- Porquê? Porque... porque, bem... são as regras.

ENTÃO, A QUEM PODE O BCE EMPRESTAR DINHEIRO?
- A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses.

AH PERCEBO, ENTÂO PORTUGAL, OU A ALEMANHA, QUANDO PRECISA DE DINHEIRO EMPRESTADO NÃO VAI AO BCE, VAI AOS OUTROS BANCOS QUE POR SUA VEZ VÃO AO BCE.
- Pois.

MAS PARA QUÊ COMPLICAR? NÂO ERA MELHOR PORTUGAL OU A GRÉCIA OU A ALEMANHA IREM DIRECTAMENTE AO BCE?
- Bom... sim... quer dizer... em certo sentido... mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!

AGORA NÃO PERCEBI!!..
- Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de Maio a Dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 mil milhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.

MAS ISSO ASSIM É UM "NEGÓCIO DA CHINA"! SÓ PARA IREM A BRUXELAS BUSCAR O DINHEIRO!
- Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas.

A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo,

ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 mil milhões de euros.

ISSO É UM VERDADEIRO ROUBO... COM ESSE DINHEIRO ESCUSAVA-SE ATÉ DE CORTAR NAS PENSÕES, NO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO OU DE NOS TIRAREM PARTE DO 13º MÊS.
As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.

MAS QUEM É QUE MANDA NO BCE E PERMITE UM ESCÂNDALO DESTES?
- Mandam os governos dos países da zona euro.

A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.

ENTÃO, OS GOVERNOS DÃO O NOSSO DINHEIRO AO BCE PARA ELES EMPRESTAREM AOS BANCOS A 1%, PARA DEPOIS ESTES EMPRESTAREM A 5 E A 7% AOS GOVERNOS QUE SÃO DONOS DO BCE?
- Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6, a 7% ou mais.

ENTÃO NÓS SOMOS OS DONOS DO DINHEIRO E NÃO PODEMOS PEDIR AO NOSSO PRÓPRIO BANCO!...
- Nós, qual nós?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prémios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.

MAS, E OS NOSSOS GOVERNOS ACEITAM UMA COISA DESSAS?
- Os nossos Governos... Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.

MAS ENTÃO ELES NÃO ESTÃO LÁ ELEITOS POR NÓS?
- Em certo sentido, sim, é claro, mas depois... quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século, para cá. Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num casino mundial, como os casinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.

E ONDE O FORAM BUSCAR?
- Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões.

   De onde havia de vir o dinheiro do Estado?...

MAS METERAM OS RESPONSÁVEIS NA CADEIA?
- Na cadeia? Que disparate!

Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody's, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram... passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indemnização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.

E ENTÃO COMO É? COMEMOS E CALAMOS?
 Isso já não é comigo, eu só estou a explicar...

 

Nota: Este post é uma repetição aqui no Luminária. Mas de vez em quando é bom recordar...



Publicado por [FV] às 18:17 | link do post | comentar | comentários (1)

Quarta-feira, 05.06.13



Publicado por [FV] às 11:27 | link do post | comentar



Publicado por [FV] às 10:59 | link do post | comentar

Quarta-feira, 29.05.13

 O BANIF está insolvente. Mas mais uma vez se confirma que as relações entre a finança e a política são promiscuas e (pouco) claras.


 

 


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Quinta-feira, 09.05.13

 

Como diriam lá no «meu» Alentejo: É filha de quem?


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Publicado por [FV] às 08:36 | link do post | comentar | comentários (3)

Segunda-feira, 15.04.13
 

O comentador da SIC, José Gomes Ferreira, está de novo em destaque nas redes sociais, depois de hoje no “Primeiro Jornal” ter explicado, sem meios-termos, o porquê da subida constante do preço dos bens e serviços em Portugal.

Fica a saber quem “mama” e como tudo funciona! PARTILHA



Publicado por [FV] às 16:51 | link do post | comentar

Terça-feira, 19.02.13



Há quem viva uma vida inteira numa ilha do Porto e há quem esconda a fortuna uma vida inteira nas ilhas Caimão.
Em Portugal, é este que merece todo o perdão do Estado.



Publicado por [FV] às 15:49 | link do post | comentar

Sábado, 27.10.12


Publicado por [FV] às 17:17 | link do post | comentar

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