Terça-feira, 06.12.11

Tartufos da justiça
    «Desde há mais de dois anos que eu não era alvo de uma tão intensa bateria de ataques pessoais como tenho sido nas últimas semanas, por denunciar a política errática da actual ministra da justiça e, sobretudo, o nepotismo que se instalou nesse ministério.
    Jornalistas, deputados, magistrados, funcionários do próprio ministério da justiça e até a organização de juventude do partido de que a ministra é vice-presidente, todos acorreram em defesa da ministra - não para desmentir os factos que eu tenho denunciado, mas para me dirigir os mais variados ataques pessoais.
     Uma deputada do PS chama-me pide - isso mesmo, agente da Polícia Internacional de Defesa do Estado, a respeitável instituição criada por Salazar para meter na ordem social vigente os que tentavam subverter, precisamente, a ordem social vigente; o presidente do sindicato do Ministério Público chama-me «fascista»; alguns jornalistas (!?!?!?) disparam sobre mim outros insultos de idêntico jaez, na esperança óbvia de agradarem à Sra. Ministra; o chefe de gabinete da ministra ataca-me em linguagem desbragada por eu ter ousado revelar factos que põem em causa a credibilidade política de quem lhe arranjou tão invejável «job»; até a jornalista Manuela Moura Guedes abandonou as brumas da bem-aventurança onde se refugiara desde que deixara de protagonizar na TVI magníficos espectáculos político-jornalísticos e desceu à terra para engrossar a marcha dos justiceiros contra mim (desta vez não me chamou «bufo», mas andou perto); num blogue da editora Verbo Jurídico muito usado por magistrados para me insultar, um deles, sob anonimato, foi ainda mais longe e inventou factos totalmente falsos a meu respeito, que logo fez circular na Net, na esperança de que as calúnias produzissem os efeitos desejados antes de serem desmentidos. Na crónica da semana passada desafiei-o a provar os factos que me imputou, mas, como todos os cobardes, continua refugiado nos becos do anonimato.
     Mas de todos os ataques o que mais me surpreendeu foi o da JSD, pois mostrou que, afinal, possui mais aptidão para ser uma espécie de claque de apoio (como no futebol) do PSD ou tropa de choque dos dirigentes sem credibilidade do que para defender os verdadeiros interesses dos jovens que diz representar. Longe vão os tempos em que a JSD era dirigida por líderes que não se prestavam a esses fretes e os dirigentes do PSD não se refugiavam atrás da organização juvenil do partido.
     Willy Brandt, talvez a maior referência da social democracia europeia do pós guerra, disse uma vez que para se ser um bom social democrata aos quarenta anos era necessário ter sido um bom esquerdista aos dezoito. Só que, hoje, em Portugal, eles já são óptimos social democratas aos 18 anos para, aos 40, poderem ser aquilo que verdadeiramente procuram, ou seja, administradores de um qualquer BPN ou de outra coisa parecida.
     E, assim, enquanto outros lhe fazem o trabalho sujo, a ministra da justiça continua a sua meritória acção governativa: ouve falar em corrupção, logo garante que vai acabar com a «impunidade absoluta da corrupção»; um tablóide fala em enriquecimento ilícito, logo ela envia para o Parlamento um projecto de diploma para o criminalizar; os jornais dizem que um arguido está a usar expedientes processuais para atrasar o trânsito em julgado de uma sentença, imediatamente a ministra corre para a comunicação social garantindo que vai acabar com as manobras dilatórias; a comunicação social diz que Duarte Lima não pode ser extraditado para o Brasil, logo a ministra (sem reparar no que diz a Constituição) vai à televisão afirmar que pode; alguns órgãos de informação noticiam que os homicídios do estripador de Lisboa já prescreveram, imediatamente ela surge a prometer legislar para dilatar os prazos de prescrição.
     Enfim, num momento em que o país precisava no ministério da justiça de alguém com uma sólida cultura jurídica que constituísse uma bússola para um sistema judicial em profunda crise, o melhor que o Dr. Pedro Passos Coelho encontrou para o cargo foi um catavento que oscila ao sabor das brisas mediáticas.»

     (- A.Marinho e Pinto, [JN] via OJumento).
 
Todos se queixam da Justiça (... da sua aplicação ou não, do 'direito', dos 'códigos' de processo civil e penal, e da INjustiça ou Não-justiça) mas os seus agentes (juízes, procuradores, organização dos tribunais, polícias, ...) estão enquadrados pela Lei (boa ou má, complexa, dispersa, dúbia, lacunar), não será tempo de pedir responsabilidades aos legisladores (Assembleia da República/deputados, governos/gabinetes de "política legislatva", sociedades de advogados a quem foram encomendadas a feitura de leis) ?? e a quem tem a responsabilidade de atribuir os meios e condições para funcionar correctamente ??  ou continuar-se-á a ter denegação de Justiça, acesso condicionado, atrasos e não conclusão de processos, ... e uma justiça para pobres e outra para ricos ?!!


Publicado por Xa2 às 07:36 | link do post | comentar

Sábado, 19.03.11

Um dia, isto tinha de acontecer..

Existe uma geração à rasca? Existe mais do que uma! Certamente!

Está à rasca a geração dos pais que educaram os seus meninos numa abastança caprichosa, protegendo-os de dificuldades e escondendo-lhes as agruras da vida.

Está à rasca a geração dos filhos que nunca foram ensinados a lidar com frustrações. A ironia de tudo isto é que os jovens que agora se dizem (e também estão) à rasca são os que mais tiveram tudo.

Nunca nenhuma geração foi, como esta, tão privilegiada na sua infância e na sua adolescência. E nunca a sociedade exigiu tão pouco aos seus jovens como lhes tem sido exigido nos últimos anos.

Deslumbradas com a melhoria significativa das condições de vida, a minha geração e as seguintes (actualmente entre os 30 e os 50 anos) vingaram-se das dificuldades em que foram criadas, no antes ou no pós 1974, e quiseram dar aos seus filhos o melhor.

Ansiosos por sublimar as suas próprias frustrações, os pais investiram nos seus descendentes: proporcionaram-lhes os estudos que fazem deles a geração mais qualificada de sempre (já lá vamos...), mas também lhes deram uma vida desafogada, mimos e mordomias, entradas nos locais de diversão, cartas de condução e 1º automóvel, depósitos de combustível cheios, dinheiro no bolso para que nada lhes faltasse. Mesmo quando as expectativas de primeiro emprego saíram goradas, a família continuou presente, a garantir aos filhos cama, mesa e roupa lavada.

Durante anos, acreditaram estes pais e estas mães estar a fazer o melhor; o dinheiro ia chegando para comprar (quase) tudo, quantas vezes em substituição de princípios e de uma educação para a qual não havia tempo, já que ele era todo para o trabalho, garante do ordenado com que se compra (quase) tudo. E éramos (quase) todos felizes.

Depois, veio a crise, o aumento do custo de vida, o desemprego, ... A vaquinha emagreceu, feneceu, secou.

Foi então que os pais ficaram à rasca.

Os pais à rasca não vão a um concerto, mas os seus rebentos enchem Pavilhões Atlânticos e festivais de música e bares e discotecas onde não se entra à borla nem se consome fiado.

Os pais à rasca deixaram de ir ao restaurante, para poderem continuar a pagar restaurante aos filhos, num país onde uma festa de aniversário de adolescente que se preza é no restaurante e vedada a pais.

São pais que contam os cêntimos para pagar à rasca as contas da água e da luz e do resto, e que abdicam dos seus pequenos prazeres para que os filhos não prescindam da internet de banda larga a alta velocidade, nem dos qualquercoisaphones ou pads, sempre de última geração.

São estes pais mesmo à rasca, que já não aguentam, que começam a ter de dizer "não". É um "não" que nunca ensinaram os filhos a ouvir, e que por isso eles não suportam, nem compreendem, porque eles têm direitos, porque eles têm necessidades, porque eles têm expectativas, porque lhes disseram que eles são muito bons e eles querem, e querem, querem o que já ninguém lhes pode dar!

A sociedade colhe assim hoje os frutos do que semeou durante pelo menos duas décadas.

Eis agora uma geração de pais impotentes e frustrados.

Eis agora uma geração jovem altamente qualificada, que andou muito por escolas e universidades mas que estudou pouco e que aprendeu e sabe na proporção do que estudou. Uma geração que colecciona diplomas com que o país lhes alimenta o ego insuflado, mas que são uma ilusão, pois correspondem a pouco conhecimento teórico e a duvidosa capacidade operacional.

Eis uma geração que vai a toda a parte, mas que não sabe estar em sítio nenhum. Uma geração que tem acesso a informação sem que isso signifique que é informada; uma geração dotada de trôpegas competências de leitura e interpretação da realidade em que se insere.

Eis uma geração habituada a comunicar por abreviaturas e frustrada por não poder abreviar do mesmo modo o caminho para o sucesso. Uma geração que deseja saltar as etapas da ascensão social à mesma velocidade que queimou etapas de crescimento. Uma geração que distingue mal a diferença entre emprego e trabalho, ambicionando mais aquele do que este, num tempo em que nem um nem outro abundam.

Eis uma geração que, de repente, se apercebeu que não manda no mundo como mandou nos pais e que agora quer ditar regras à sociedade como as foi ditando à escola, alarvemente e sem maneiras.

Eis uma geração tão habituada ao muito e ao supérfluo que o pouco não lhe chega e o acessório se lhe tornou indispensável.

Eis uma geração consumista, insaciável e completamente desorientada.

Eis uma geração preparadinha para ser arrastada, para servir de montada a quem é exímio na arte de cavalgar demagogicamente sobre o desespero alheio.

Há talento e cultura e capacidade e competência e solidariedade e inteligência nesta geração?

Claro que há. Conheço uns bons e valentes punhados de exemplos!

Os jovens que detêm estas capacidades-características não encaixam no retrato colectivo, pouco se identificam com os seus contemporâneos, e nem são esses que se queixam assim (embora estejam à rasca, como todos nós).

Chego a ter a impressão de que, se alguns jovens mais inflamados pudessem, atirariam ao tapete os seus contemporâneos que trabalham bem, os que são empreendedores, os que conseguem bons resultados académicos, porque, que inveja!, que chatice!, são betinhos, cromos que só estorvam os outros (como se viu no último Prós e Contras) e, oh, injustiça!, já estão a ser capazes de abarbatar bons ordenados e a subir na vida.

E nós, os mais velhos, estaremos em vias de ser caçados à entrada dos nossos locais de trabalho, para deixarmos livres os invejados lugares a que alguns acham ter direito e que pelos vistos - e a acreditar no que ultimamente ouvimos de algumas almas - ocupamos injusta, imerecida e indevidamente?!!!

Novos e velhos, todos estamos à rasca.

Apesar do tom desta minha prosa, o que eu tenho mesmo é pena destes jovens.

Tudo o que atrás escrevi serve apenas para demonstrar a minha firme convicção de que a culpa não é deles.

A culpa de tudo isto é nossa, que não soubemos formar nem educar, nem fazer melhor, mas é uma culpa que morre solteira, porque é de todos, e a sociedade não consegue, não quer, não pode assumi-la.

Curiosamente, não é desta culpa maior que os jovens agora nos acusam.

Haverá mais triste prova do nosso falhanço?

Pode ser que tudo isto não passe de alarmismo, de um exagero meu, de uma generalização injusta.

Pode ser que nada/ninguém seja assim.

Rogério Fonseca, sociólogo e psicólogo - recebido por email


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Publicado por JL às 22:30 | link do post | comentar | comentários (5)

Terça-feira, 15.03.11

Já não existirão grandes dúvidas, que a malta anda mesmo à rasca. Desta vez parece que já nem o Sócrates escapa.

Por isso e porque já, tambem, se adivinhava o que por aí vinha não se sabendo, ao certo, o que por aí mais virá, é que foram marcadas e levadas a efeito, no passado Sábado dia 12 de Março, um conjunto de concentrações/manifestações que não só mobilizaram a juventude dita “geração à rasca” como ainda outras gerações.

Em boa verdade foi uma mobilização geracional que reuniu pais, avos e netos. As manifs decorreram como era de esperar e, tambem, como é decorrência habitual e onde se viu de tudo um pouco, ou de quase tudo, que se costuma ver neste tipo de manifestações. Não se viram nem se ouviram, como nunca se ouvem, quaisquer sugestões ou propostas concretas e exequíveis de saídas resolutivas dos erros e maleitas apontadas.

O que foi agitado, mais uma vez e como sempre, foram cartazes e vozearias contra a situação actual que, a quase todos, nos desagrada. Ouviram-se reclamações, mais ou menos ajustadas aos prejuízos que cada um em particular ou a sua respectiva corporação, e exigiram-se, em relação a isso, mudanças de politicas sem que se apontassem formas, meios, agentes nem metas a atingir com tais exigidas mudanças.

O que vimos, sobretudo no caso de Lisboa, e que também não é, de todo, novidade, salvo o acentuado emergir, foi um cheiro do período do PREC. Em abono da verdade e ainda bem, porque é um sinal que o regime democratico (pelo menos nesse pormenor) está vivo aqui representado pelos “homens da luta” numa representação mitigada com comédia à teririca brasileira ou coelhada madeirense.

Seja como for, a verdade é que muito por culpas próprias mas, acima de tudo, por causa dos maus políticos que nos têm, supostamente, governado, há muito tempo o pessoal diz que anda à rasca. Provavelmente os mais à rasca não são os que ali vieram, os que apareceram nas manifestações. Provavelmente os mais à rasca já nem têm meios nem condições para se manifestar.

Os factos não deixam, todavia, de constituírem um serio sinal, tanto para o governo como para os partidos políticos bastante envelhecidos e desenquadrados metodológica e funcionalmente das realidades sociais, no sentido de aproveitarem o pouco tempo que ainda lhes resta para se reorganizarem antes que sejam incinerados por uma qualquer implosão ou convolução social de imprevisíveis consequências.

Embora não seja a “indignação e protesto A Mudança que o Pais Precisa” apregoados pelo PCP numa cassete enfadonha e enganadora não seja a o necessário, visto que o país não necessita de mudança nenhuma o que urge mudar são as pessoas, tanto nos seus comportamentos como nas suas atitudes e é isso que poderá estar a acontecer.

Se assim não for, não serão os políticos que nos andam a enganar, será o povo que se engana a si próprio.



Publicado por Zé Pessoa às 00:03 | link do post | comentar | comentários (2)

Domingo, 27.02.11

PROTESTO DOS JOVENS TRABALHADORES PRECÁRIOS!

 

No próximo dia 12 de Março vai realizar-se uma grande manifestação de jovens trabalhadores com vínculos precários e desempregados! Sob o nome de «Geração à rasca» a manif vai realizar-se na Avenida da Liberdade em Lisboa e na Praça da Batalha no Porto.

A forma como se está a organizar este protesto , na linha da organização autónoma dos trabalhadores, está a levantar algumas suspeitas da parte dos partidos tradicionais e organizacões sindicais!É tempo de nos habituarmos a novas formas de organização das pessoas.São iniciativas que beneficiam o aprofundamento e revitalização da democracia.É uma luta pelo trabalho digno!
Mais informação
 


Publicado por Zurc às 21:32 | link do post | comentar | comentários (3)

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