Quarta-feira, 12.01.11

Cavaco Silva tornou-se num factor de instabilidade e de dúvida” e líder da oposição, digo eu.



Publicado por JL às 23:09 | link do post | comentar | comentários (5)

Sexta-feira, 24.09.10

Chamar-lhe palhaçada ofenderia os artistas de espectáculos que habitualmente por aí aparecem em época natalícia, o circo.

Apelida-la de novela, como alguns políticos e comentadores já rotulam, à relação entre o governo e o maior partido da oposição seria, também, ofender os actores televisivos e o povo (inculto ou não) que tanto se apega ao aparelho mágico que leva as pessoas a confundir a realidade com a ficção, o televisor.

O que lhe poderemos chamar, assassinos da economia e carrascos do povo? É exagerado, afinal são os nossos eleitos, essas figuras pardas com assento naquele hemiciclo ao fundo da Rua de São Bento.

O que lhe chamaremos então?



Publicado por Zé Pessoa às 10:03 | link do post | comentar | comentários (15)

Segunda-feira, 21.12.09

É óbvio, para qualquer militante do PS que não ande distraído, mas parece escapar à corte presidencial e às lideranças das oposições, que, se derrubarem ou inviabilizarem o governo do PS, ou os derrubadores formam um governo de união das oposições ou há eleições.

O sonho de que um “deus” qualquer, chame-se ele, Cavaco, Ferreira Leite, Portas, Louçã ou Jerónimo, pode vir dizer ao PS quem o deve representar na liderança de qualquer governo da sua responsabilidade, não é mais do isso: um sonho. E mesmo que todos esses "pequenos deuses caseiros"o sonhassem em conjunto, muito aconchegadamente, continuaria a não passar disso: um sonho. Irrealizável.

Pelo que me diz respeito, a minha posição é clara. De facto, falando com o à vontade de quem, quer no mais recente Congresso do PS, quer no que levou Sócrates pela primeira vez á liderança do Partido, alinhou publicamente, por moções alternativas, eu não só nunca apoiaria um imaginado substituto de Sócrates imposto de fora do PS como o combateria firmemente. E tomem bem nota disto: aquele que por estupidez momentânea admitisse sequer ser o rosto dessa traição induzida, estaria a riscar-se a si próprio de qualquer hipótese futura de desempenhar um papel de relevo em representação do PS.

Deixem-se pois de fantasias, não derrubem aquilo que não forem capazes de substituir, não sonhem com o êxito de possíveis manipulações grosseiras do PS. Repito: se derrubarem ou inviabilizarem o actual governo do PS, suas excelências os corajosos derrubadores não terão êxito na cobardia política de quererem derrubar o PS, para depois o constrangerem a reassumir o poder com um novo rosto. Se levarem por diante essa manobra irresponsável: ou há novas eleições, ou a "coligação canguru" forma governo.

E, por favor, tenham pelo menos a coragem política de assumirem a responsabilidade pelo que vierem a fazer. Não enveredem pela manobra de ilusionismo e contrabando político de tentarem derrubar o governo, ao mesmo tempo que procuram transferir para ele a responsabilidade pelos vossos actos.

[O Grande Zoo, Rui Namorado]



Publicado por JL às 00:03 | link do post | comentar

Vira o disco e toca o mesmo. Tem sido assim a discussão à volta da existência ou não de condições de governabilidade.

Os partidos da oposição a dizerem que o Governo devia preocupar-se com as suas tarefas e deixar em paz o Parlamento, o Governo a enfatizar que a oposição vive preocupada em fazer acertos de contas com o passado e, consequentemente, em impedir a governação de acordo com o programa sufragado em eleições.

O que fica para além destas declarações genéricas que valha a pena introduzir nas nossas reflexões? É um facto que o Governo tem procurado, por todas as formas ao seu alcance, sublinhar a circunstância de ser um Executivo de maioria simples, com as fragilidades próprias dessa situação, mas é igualmente verdade que a(s) oposição(ões) tem(têm) feito a vida negra ao Governo, tentando travar um combate que, em última instância, redundará em prejuízo dos interesses nacionais. Um Governo de maioria simples pode fazer duas coisas: ensaiar todas as formas de diálogo com os partidos da oposição e, se esse diálogo se revelar uma impossibilidade, apelar ao magistério de influência que o Presidente da República pode exercer, e ainda sensibilizar o povo que lhe deu o mandato para a irresponsabilidade da ‘praxis’ dos partidos da oposição.

Não tenhamos dúvidas sobre a questão central desta polémica: é preciso resolver os problemas do País, e essa é a obrigação do Governo, é preciso conduzir os negócios e a vida pública de acordo com os interesses nacionais, e esse é o dever do Governo, sendo óbvio que não pode aceitar uma acção concertada de obstrução que pouco ou nada permite. Vivemos um período grave de crise económica, o número de desempregados é assustador, os valores do défice das contas públicas impressionam, e por isso, ao Governo, tem de se exigir que realize com eficácia programas de combate a este cenário. As oposições, se não puderem ou não quiserem ajudar, o que se lhes pede é que não criem dificuldades adicionais, como aquelas que há duas semanas levaram BE, PCP, PSD e CDS a unir-se para retirarem 800 milhões de euros às receitas do Estado.

Em Janeiro teremos aí o primeiro Orçamento do Estado preparado pelo actual Governo. É um momento de capital importância. É claro que pode e deve ser melhorado com contribuições de todos os partidos mas tem de ser um Orçamento do Governo, um documento em que o Governo se reveja inteiramente, uma matriz para cumprir um ano de governação. Não pode ser um OE das oposições para o Executivo levar à prática.

[Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:02 | link do post | comentar | comentários (1)

Terça-feira, 01.12.09

Não estando eu a olhar de longe, tenho a impressão de que, quem pudesse olhar de longe, distanciadamente, o que se passa hoje, conjunturalmente, em Portugal, teria a sensação de que um conjunto de crianças grandes brinca inadvertidamente com o fogo.

Dirigentes políticos, dirigentes sindicais, dirigentes patronais, economistas, professores, fazedores de opinião, profissionais do direito, politólogos e outros cidadãos de relevo, parecem acirrados numa disputa feroz, a cujas consequências de médio prazo parecem totalmente alheios e, portanto, sem qualquer possibilidade de, verdadeiramente, as poderem prever e influenciar.

Alguns teorizam até sobre um alegado fim de regime, como se um regime democrático pudesse ter fim a não ser pelo advento de uma ditadura. Entre eles, uns poucos mais consequentes aludiram mesmo abertamente ao risco de um golpe de estado, que, dizem eles poderia já ter acontecido, se não fosse a nossa pertença à União Europeia. E é estranho que, apesar da sua boa reputação intelectual, não tenham reflectido sobre a possibilidade de se pensar que, quem estabelece um nexo causal entre o mau funcionamento de uma sociedade democrática e um golpe de estado, está afinal a admitir que um golpe de estado pode ser encarado como resposta a uma deriva negativa de uma democracia, não sendo por isso necessariamente uma miserável acção violenta que não deve beneficiar de qualquer absolvição mesmo tácita, a partir dos valores democráticos. Não pode nunca ser relativizado o princípio da ilegitimidade de se responder aos defeitos de uma democracia, acabando com ela através de um golpe de estado. Uma democracia reforma-se democraticamente, de acordo com as suas próprias regras, não se revoluciona pela força. Pela força só é legítimo que se derrubem as ditaduras. E nenhum europeísta pode ignorar que esta é uma das conquistas básicas da União Europeia.

Toda esta insalubridade política impõe um novo tipo de resposta por parte das forças políticas parlamentares, baseada numa plena autenticidade das suas posições e especialmente dirigida a integrar as perspectivas de cada uma delas, no curto prazo, num contexto estratégico de médio prazo.

O PS, como partido do governo é o que tem uma maior responsabilidade conjuntural. A sua situação de partido com uma maioria apenas relativa e os outros aspectos mais imediatistas da situação política têm-no atirado para uma atitude essencialmente defensiva. Dificilmente, se poderá esperar que mude de atitude e que passe à ofensiva, pois não é claro que tenha sequer margem de manobra, objectivamente, para uma mudança desse tipo.

Mas os partidos da oposição têm talvez, nesta conjuntura, uma maior responsabilidade estrutural. De facto, cada partido da oposição tem que perceber que o próprio facto de haver um governo minoritário lhe dá, a toda ela e a cada um dos partidos que a integram, um novo tipo de responsabilidade política. E será sinal de grande miopia estratégica que os partidos da oposição ignorem que a mutação qualitativa ocorrida na relação de forças produziu uma mudança profunda no tipo de consequências possíveis da concertação entre todos eles contra o governo.

Tudo isto talvez imponha que se preste uma nova atenção ao óbvio, ainda que se nos apresente como estranho. Ora, as votações recentes que ditaram a derrota do PS e a vitória da coligação de todas as oposições mostraram que há nesta Assembleia, sem necessidades de novas eleições (aliás impossíveis até Abril de 2010), uma base parlamentar objectivamente possível para um governo de maioria. Basta que a oposição se coligue, derrube o governo do PS e se entenda para ser suporte de um novo governo.

Como militante do PS, creio não me enganar se disser que o PS seria uma oposição firme a esse governo, mas seria uma oposição agindo dentro da legalidade democrática e da ética republicana, bem distante de qualquer política de terra queimada ou de combate político fora da política. E acho que é esta posição que o PS deve tomar e tornar clara. Se a oposição é capaz de se concertar para impor medidas e para revogar medidas ao arrepio das posições deste governo, que assuma, como natural consequência dessa atitude, o dever de se congregar também para formar um governo que materialize, agora, positivamente essa já adquirida convergência negativa.

Admito que muitos apoiantes dos partidos da oposição reajam negativamente a esta hipótese. Fá-lo-ão coerentemente todos aqueles que discordaram da união “sagrada” contra o governo do PS, expressa nas recentes votações ocorridas na Assembleia da República. Já não poderão ser qualificados do mesmo modo os que aplaudiram com entusiasmo a grande vitória das oposições, mas recusam depois a expressão política duradoura dessa mesma vitória traduzida num governo de todas as oposições.

É que uma coisa é um governo de minoria com uma oposição heterogénea. A sua legitimidade está no facto de ser o maior bloco com coesão suficiente, para ser suporte de um governo. Mas se a oposição maioritária deixar de ser heterogénea em muitas circunstâncias, passa a ser ela a maioria possível e fica objectivada a ilegitimidade de um qualquer governo se manter em contradição com ela.

Não sei se os partidos parlamentares actualmente na oposição se podem entender entre si. É um problema que lhes cabe resolver, a eles e aos seus apoiantes. Mas o que parece claro é que lhes falta legitimidade para simultaneamente constrangerem fortemente a governação do PS, por acção conjunta convergente, e recusarem-se a assumir uma tradução positiva das concertações que já fizeram, ou seja, uma coligação que origine um governo. Um governo realmente estranho, mas com apoio de uma maioria absoluta no parlamento.

E vale a pena sublinhar que o PS pode ser responsabilizado pela sua política, mas não pode ser responsabilizado pelo facto de a oposição, que facilmente se entende para lhe impor e revogar medidas, não querer entender-se para constituir um governo que objectivamente poderia ser estável, dado dispor até de apoio parlamentar maioritário.

[O Grande Zoo, Rui Namorado]



Publicado por JL às 10:36 | link do post | comentar

MARCADORES

administração pública

alternativas

ambiente

análise

austeridade

autarquias

banca

bancocracia

bancos

bangsters

capitalismo

cavaco silva

cidadania

classe média

comunicação social

corrupção

crime

crise

crise?

cultura

democracia

desemprego

desgoverno

desigualdade

direita

direitos

direitos humanos

ditadura

dívida

economia

educação

eleições

empresas

esquerda

estado

estado social

estado-capturado

euro

europa

exploração

fascismo

finança

fisco

globalização

governo

grécia

humor

impostos

interesses obscuros

internacional

jornalismo

justiça

legislação

legislativas

liberdade

lisboa

lobbies

manifestação

manipulação

medo

mercados

mfl

mídia

multinacionais

neoliberal

offshores

oligarquia

orçamento

parlamento

partido socialista

partidos

pobreza

poder

política

politica

políticos

portugal

precariedade

presidente da república

privados

privatização

privatizações

propaganda

ps

psd

público

saúde

segurança

sindicalismo

soberania

sociedade

sócrates

solidariedade

trabalhadores

trabalho

transnacionais

transparência

troika

união europeia

valores

todas as tags

ARQUIVO

Novembro 2019

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

RSS