Segunda-feira, 17.06.13

                A Greve dos professores é um acto de civilização   
       Eis o cenário que os nossos professores estão com esta greve a combater.

   Um sistema educativo constituído por trabalhadores precários, caixeiros-viajantes desumanizados, sobrecarregados de burocracia, com parcos descontos para a segurança social, pondo em causa a vida digna dos que já estão reformados.     Professores que ainda tinham direitos, entre os 40 e 60 anos, enviados para um gigante despedimento colectivo ou reformas antecipadas.
   Turmas (de 28 e 30 alunos) atascadas de crianças mal-educadas, seleccionadas para o lixo do «ensino profissional», um eufemismo para saber usar um computador e dizer umas palavras de inglês para uns turistas verem, mantendo a força de trabalho criteriosamente adequada à desordem de um país baseado em baixos salários e exportações. 
   
Não podemos ver nesta greve nada a não ser um acto de civilização, em defesa do bem-estar colectivo.
    Para os historiadores, sociólogos do trabalho, afirmar que a greve prejudica tem o mesmo significado que afirmar que a chuva molha.  Porque a greve, proibida durante tantos anos e conquistada com mortos e feridos, só é greve se prejudicar a produção, neste caso, a formação da força de trabalho.
    Sabemos, e não podemos deixar de lembrar aos que hoje trabalham, que a greve é-o porque pára a produção, mas também porque       pode criar mecanismos de solidariedade,      criar fundos de greve (para suportar vários dias de greve),      democratizar as estruturas de organização dos trabalhadores (plenários de escolas, assembleias abertas, dirigentes com cargos rotativos);      a greve pode também mobilizar outros sectores de trabalhadores à sua volta – foi tudo isto que aconteceu no ano passado em Chicago, nos EUA, naquela que foi a mais importante, e vitoriosa, greve de professores, quando vários bairros de Chicago se mobilizaram, com fundos e acções em defesa dos professores.
    A palavra desemprego hoje carrega este significado – os desempregados pressionam os salários dos que estão empregados para baixo, fazem-nos aceitar piores condições laborais.
    Argumentei no último livro que coordenei, que a estratégia da troika consiste, primordialmente, em reconverter o mercado de trabalho. Como? Transformar todos os trabalhadores do país em trabalhadores precários, isto é, pôr fim ao direito ao trabalho substituído por um estado em que se alterna entre a precariedade e o assistencialismo, os «rendimentos mínimos», quando se fica desempregado.
    Um precário ganha em média menos 37%, se for formado menos 900 euros, se não for formado menos 300 euros.
    Há um número cada vez maior de pessoas eliminadas do mercado de trabalho – num processo de eugenização social da força de trabalho – mas o número dos que voltam ao mercado de trabalho ganhando muito menos aumenta também.    Quer isto dizer que, tendencialmente, quem consegue voltar ao mercado de trabalho volta com um salário inferior.
    Por isso vivemos num país onde há cada vez mais gente desempregada e cada vez mais gente a ganhar o salário mínimo,  salário mínimo que é a palavra mágica que contém em si (quase) tudo – bairros sociais degradados, má educação, brutalidade, violência, (+ crime,) má alimentação, fome, apatia social (, iliteracia, alienação com "pão e circo"/FFF, não participação cívica e política, ... degradação Humana e social).
    Nenhum aluno será prejudicado se esta greve sair vencedora e conseguir o que pode, e está ao seu alcance:
reduzir o horário de trabalho,    empregar mais professores,    estender e melhorar a sua formação nas universidades (ampliar de novo os cursos superiores),    devolver aos cursos de educação uma forte componente científica,    dignificar o trabalho com salários decentes,    acabar com o terror do medo de perder o emprego,    diminuir o número de alunos por turma,    impor o respeito pelos professores, por parte dos alunos e por parte de todos nós como sociedade   – a reboque garantimos a sustentabilidade da segurança social porque com relações laborais protegidas e emprego os descontos para esta aumentam.
    O que impressiona nesta greve não é que ela prejudica os alunos.   É que ela é o derradeiro acto para salvar os alunos, uma geração inteira «queimada» por um Governo que nada tem para lhes oferecer a não ser um salário baixo ou um passaporte para a emigração, para países que, ao contrário dos anos 60, também estão com desemprego
crescente!
    Vivemos abaixo das nossas possibilidades.   Hoje um trabalhador, por força do desenvolvimento tecnológico, é 5,35 vezes mais produtivo do que em 1961, mais de 430% mais produtivo!   Isso significa que produzimos riqueza social suficiente para ter turmas de 10, 15 alunos,    escolas amplas com espaços verdes,   espaços de brincadeira,   funcionários bem pagos e atentos;   professores bem formados em cursos com extensão universitária de 5 ou 7 anos;    aprendizagem de instrumentos musicais, teatro …
    Esta greve aos exames defende a dignidade laboral de quem vê no acto educativo um acto de construção da civilidade, da educação, da candura, do amor a aprender, do respeito pelo outro, da ciência como meio de emancipação humana.   

    (-por Raquel Varela, 2013/6/16)
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       Obrigatório ver :   Professor  SantanaCastilhoBlog   analisa o ano lectivo e a Educação.

http://www.youtube.com/watch?v=mLkIurcPqnQ    e    http://www.youtube.com/watch?v=7TxnzRoCMbM 

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Publicado por Xa2 às 07:51 | link do post | comentar | comentários (4)

Sexta-feira, 31.05.13

                 Ora vamos lá empreender !    (por António Paço)

Ainda no rescaldo do caso Martim-empreendedor-e-defensor-do-salário-mínimo vs. Raquel Varela-o-salário-mínimo-de-485euros-é-um-escândalo, eis mais algumas conclusões sobre empreendedorismo.    Imagine você que tinha uma ideia de empreendedor. Por exemplo: tendo em conta a actual desconfiança nos banqueiros e no Estado, com muita gente (sobretudo depois do exemplo do Chipre) a suspeitar de que os limites para lhe irem ao bolso podem sempre ser ultrapassados, decidia criar uma empresa. Chamemos-lhe Colchão.com. O seu objectivo seria apenas garantir que os depósitos que as pessoas fizessem na sua empresa seriam integralmente devolvidos quando as pessoas quisessem. Comprometia-se a não usar o dinheiro que lhe tivesse sido confiado em nenhuma operação especulativa, a não o fazer navegar para as ilhas Caimão nem a mandá-lo por estrada para o Luxemburgo, nada! Só dinheiro na mão quando os depositantes quisessem. Escolhia um conselho de administração (podia até chamar-lhe board of directors, para o charme) de gente incorruptível e lançava-se no negócio.

Parece uma ideia simples, útil e relativamente fácil. Podíamos até considerar ter descoberto um ‘nicho de mercado’, não?   Não.

     Não é tudo tão simplex. Eis os gastos com que, segundo o negócios.com terá de contar se quiser iniciar uma empresa:

«Se fizermos as contas, e para manter o mínimo de actividade, gastamos pelo menos o valor a pagar a um contabilista, impostos mínimos obrigatórios, deslocações, chamadas telefónicas e impressões de documentos, ou seja, cerca de 5000€ por ano.

     (…) Se é uma empresa que vende produtos, terá de facturar 33.333€ no primeiro ano apenas para equilibrar os custos mínimos de manutenção da actividade (considerou-se uma margem média de 15% para produtos). Como vê não é assim tão pouco. Necessita dessa facturação apenas para cobrir os custos mínimos, sem considerar um ordenado para si, ou mesmo um pequeno escritório.

     (…) Se pretende receber um ordenado por mais pequeno que seja, como por exemplo cerca de 1100€ líquidos mês, já está a sobrecarregar a empresa em mais 23.000€ ano, ou seja que para o caso da prestação de serviços e para uma margem de 100% estaríamos a falar de 28.000€ ano de facturação. No caso dos produtos voltamos a dificultar a operação uma vez que as vendas teriam de subir de 33.333€ para 186.666€, logo no primeiro ano.»

      E as reacções da concorrência (neste caso, banca estabelecida e Estado)? É mais que certo que seria denunciado pelos primeiros e punido pelo segundo se não fosse admitido no círculo restrito dos primeiros. Eis o que diz o DL n.º 298/92, de 31 de Dezembro (sendo a sua mais recente actualização o DL n.º 63-A/2013, de 10/05. No artigo 8.º temos o ‘princípio de exclusividade’: «Só as instituições de crédito podem exercer a atividade de receção, do público, de depósitos ou outros fundos reembolsáveis, para utilização por conta própria», reza a alínea 1. E os incumpridores levam com o art.º 200: «Aquele que exercer actividade que consista em receber do público, por conta própria ou alheia, depósitos ou outros fundos reembolsáveis, sem que para tal exista a necessária autorização, e não se verificando nenhuma das situações previstas no n.º 3 do artigo 8.º, é punido com pena de prisão até 5 anos.»

     Ficou com algumas dúvidas? Pergunte ao Gaspar, que ele está lá para ajudar.

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A Cinderela do Empreendedorismo” – Ricardo A.Pereira interpela o jovem Martim N.  (-por R.Teix.) 

   “Eu já obtive aquela resposta uma vez mas não foi de um miúdo, foi de um Primeiro-Ministro. Foi do Primeiro-Ministro da altura que hoje é Presidente da República. ...“    (…) É possível construir pontes [entre o Martim e a Raquel] desde que os operários que a constroem não ganhem o salário mínimo. Acho eu. Era o mínimo para construir uma ponte entre essas duas pessoas.  ... Tem a verdade na boca da criança, o menino que faz ver à doutora, o bom senso prático a superiorizar-se à teoria académica e tal, tudo o que agrada ali. É uma espécie de Cinderela do empreendedorismo. ...  É como dizer: ‘pá, é como comer uma carcaça de anteontem do que não comer nada’. Agora desde que no final a gente concorde que ter uma alimentação à base de carcaças de anteontem continua a ser miserável, tudo bem. (…)”

 ...  “(…) O que está em causa, parece-me, é o seguinte. O Martim explicou o seu negócio todo, com excepção de um pequeno pormenor que eu acho fundamental. Ele disse: ‘Eu tive a ideia. Comecei a desenhar as roupas. Fui à fábrica. Convencia as miúdas mais giras da minha escola a deixarem-se fotografar com as minhas roupas e pus no facebook.’ Tudo isto está certíssimo, é uma boa ideia de negócio. Há só um pormenor que falta. No empreendedorismo é fundamental, em qualquer negócio que a gente faz, é preciso um investimento inicial. Ele disse ‘as minhas roupas hoje em dia são uma moda na linha de Cascais’.

 Eu acredito que um rapaz que não more na linha de Cascais, basta um quilómetro para o lado, provavelmente não se chama Martim chama-se Zé Manel, que tem a mesma ideia para uma linha muito gira de roupa barata, vai ao banco e tem quinze anos, e diz ‘preciso só um bocadinho de dinheiro para o investimento inicial para esta minha ideia que é espectacular’. E o banco diz: ‘vai-te embora pá’. E ele chega a casa e pede aos pais, que é é o que faz um miúdo de 15 anos quando quer começar um negócio. O que é que se passa. Os pais do Fábio, ou do Zé Manel, ao contrário dos do Martim, não têm dinheiro para lhe poder emprestar para ele começar o negócio. Porquê? Porque trabalham em fábricas de roupa barata e ganham o salário mínimo, (que só dá para SUBviver, muito mal) estás a perceber? O problema é que esta conversa do empreendedorismo é uma actualização daquela conversa do ‘não têm pão comam brioches’ (...e a rainha foi guilhotinada!!), ‘não tens emprego, faz o teu emprego’. Com que dinheiro? Quando se diz, ‘empreendam porque é facílimo’, se calhar é melhor pensar que o empreendedorismo não é bem democrático. Não é acessível a toda a gente.” RAP.



Publicado por Xa2 às 07:43 | link do post | comentar | comentários (1)

Terça-feira, 03.07.12

      Os  novos  negreiros    (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

   A notícia de que estão a ser contratados enfermeiros pagos abaixo do salário mínimo apenas surpreende quem não presta muita atenção ao modo como o Governo olha para os trabalhadores. É prática comum do Estado estimular o emprego precário. Somando-se aos trabalhadores a falsos recibos verdes (ainda há pouco tempo foi notícia a dispensa dos serviços de vários prestadores de serviços no Centro de Saúde do Norte do país), há também o hábito de recorrer a empresas de trabalho temporário ou similares, sobretudo desde que as entradas na Função Pública foram congeladas (excepto para os boys do PSD e do CDS).
     Ora, estas empresas são os negreiros do capitalismo. O Estado (e as empresas privadas) pagam um serviço por um determinado valor e o trabalhador apenas recebe uma parte*. Os artistas do costume dirão que é o mercado a funcionar. E têm toda a razão. Neste caso, o mercado funciona explorando a mais valia laboral a um nível ainda mais expressivo, de maneira a que dois agentes lucrem com essa mais valia: o Estado (ou a empresa) e os negreiros. Quando há duas entidades diferentes a lucrar, o trabalhador fica sempre a perder. E também seria interessante saber quanto vai pagar a ARS de Lisboa às empresas prestadoras de serviços - tenho um dedo que me diz que deve ser sensivelmente o mesmo que os enfermeiros recebiam directamente, mas interesses mais altos se levantam, e se existisse jornalismo a sério em Portugal veríamos daqui a algum tempo reveladas as ligações entre os decisores na ARS e os donos destas empresas.
     O Governo é claro que permite e estimula isto, dado que entra no âmbito das "reformas estruturais" que visam transformar Portugal na China da Europa (Paulo Portas, o submarino amarelo desta acabrunhada tristeza, já anda pelo Oriente a colher exemplos deste "empreendedorismo" libertador).      Tudo normal, e muito sinceramente não sei porque há ainda quem se surpreenda por esta habilidade que equipara o trabalho altamente qualificado e essencial dos enfermeiros ao trabalho das empregadas de limpeza (por sua vez também contratadas por empresas que as exploram). Chama-se "corte nas despesas", meus amigos. Habituem-se. O ideal seria mesmo pôr esta gente toda que vive à conta do Estado a trabalhar 18 horas por dia e a pagar para trabalhar. Aí, sim, teríamos acabado com o despesismo que grassa nos organismos públicos da área da Saúde. Ah, admirável mundo novo.


Publicado por Xa2 às 07:41 | link do post | comentar | comentários (4)

Quarta-feira, 22.12.10

O Governo decidiu aumentar 10 euros em Janeiro e fazer ao longo do ano duas avaliações com a intenção de chegar aos 500 euros.

Não ficou garantido a chegada aos 500 euros no próximo ano, conforme estipulava o acordo estabelecido entre os parceiros em 2006.

Seriam 33 cêntimos por dia o aumento para cada trabalhador se o acordo dos 500 euros fosse cumprido, conforme está escrito e assinado por este governo.

Alguém acredita verdadeiramente que um empresário português não possa suportar este aumento com um seu trabalhador?

Mas que raio de país é este?



Publicado por [FV] às 13:12 | link do post | comentar | comentários (4)

Terça-feira, 07.12.10

VOLUNTARIADO ,CRISE E DESEMPREGO!

Neste fim de semana as televisões, para além da crise e do futebol, falaram muito do voluntariado. Alguns jornais davam como certo que mais de 15 mil pessoas se tinham oferecido para acções de voluntariado e que cerca de 800 instituições sociais desejavam esses voluntários!

No século passado o voluntariado estava quase circunscrito á Igreja Católica e a algumas tias que não tinham que fazer! Falar em voluntariado era algo anacrónico e as classes altas e burguesas fugiam a sete pés de tal actividade!
Hoje, porém, tornou-se moda fazer voluntariado social e ambiental. Algum voluntariado aparece patrocinado por multinacionais e pela banca e as classes ricas, nomeadamente altos quadros de grandes empresas, dedicam-se com inestimável afinco a acções de voluntariado dirigido aos «mais carenciados», aos sem abrigo, crianças, deficientes, enfim a todo um caudal humano que cresce a olhos vistos com a crise provocada pela finança!

Para além de ser moda (chic) o voluntariado é uma terapia e previne as depressões ou pelo menos pode minorá-las, com origem particularmente nas condições em que é exercido o trabalho, a profissão. Muitas das frustrações que as classes médias enfrentam podem ser minoradas com esta busca de reconhecimento e satisfação no voluntariado!

Muito deste voluntariado faz aquilo que deveria ser feito por outros (trabalhadores), nomeadamente por pessoas que não têm emprego e pelos actores dos processos. O voluntariado acrítico serve perfeitamente o sistema e aumenta a crise. É necessário aprofundar esta onda de voluntariado e ter em atenção os seus objectivos.
O voluntariado deve intervir de forma crítica visando fundamentalmente humanizar. Mesmo atacando situações de emergência, deve proporcionar as saídas da pobreza e da opressão e não substituir possíveis empregos ou lavar a cara de empresas que frequentemente adoptaram técnicas de gestão arrasadoras dos empregados!
Mais ainda, existem acções de voluntariado em empresas que visam a manipulação dos seus trabalhadores e a criação de um falso clima de coesão, erradicando assim qualquer clima de reivindicação e de autonomia!
Estas estratégias levadas a cabo por gestores experientes são absorvidas com muita facilidade pelos jovens trabalhadores que têm frequentemente uma visão ingénua das relações de trabalho!
SALÁRIO MÍNIMO...DIGNIDADE MÍNIMA!

O debate que se trava no Conselho de Concertação Social sobre o aumento do salário mínimo nacional para 500 euros é um dos sinais mais chocantes das desigualdades sociais em Portugal e da miséria moral a que chegou o nosso País!
Será que um aumento de oitenta cêntimos por dia a um trabalhador vai criar assim tantos problemas ás empresas como dizem as associações patronais?

Será que uma empresa que não é capaz de tomar esta medida tem alguma viabilidade e futuro?
Como é possível travar o aumento do salário mínimo sem reparar para o aumento da actividade dos bancos alimentares contra a fome? Vamos passar a um país de pobres e dependentes da caridade? Como se devem sentir mal os Capitães de Abril ao olhar para este país!
Há crianças com fome e a pobreza ataca uma larga percentagem de trabalhadores de baixos salários.

É aí que se deve atacar a pobreza. E não me venham com a criação de riqueza pois esta existe em grande escala nomeadamente no nosso País. Ainda hoje se noticiava que a venda de carros da marca Porsche aumentou 60% em Portugal. Cada uma unidade destes carros é vendida acima de 100 mil euros!! Não ver com os olhos abertos é a pior cegueira que existe! Esta cegueira está a atacar Portugal e Europa. Todavia, esta cegueira pode levar-nos a todos ao desastre!


Publicado por Xa2 às 13:07 | link do post | comentar | comentários (15)

Sábado, 31.10.09

O presidente da CIP entende que empresas continuam a precisar de apoios, pelo menos até 2011. Sobre o aumento do Salário Mínimo Nacional (SMN) em 25 euros, Francisco Van Zeller defendeu que, em 2010, esta retribuição não deve ser aumentada porque as empresas correm o risco de fechar.

É assim mesmo, o estado que continue a apoiar as empresas com o dinheiro dos nossos impostos que eles não podem dar uns miseráveis 25 euros (80 cêntimos por dia) a quem vive com 450 euros de ordenado mínimo. Se não podem então algo está errado porque eu não vejo faltar dinheiro para pagar dezenas ou centenas de milhares de euros aos administradores e gestores. Quando ouvimos que políticos trabalham para dezenas de empresas, (lembro-me do Nobre Guedes que para ser Ministro do Ambiente teve de abdicar de 30 cargos em empresas), e onde só devem ir quando o rei faz anos e recebem milhares de euros não podemos deixar de nos revoltar. Vão todos à merda e quem trabalha acorde e lute pelos seus direitos. Já basta desta pouca-vergonha. [wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 19:53 | link do post | comentar | comentários (1)

Terça-feira, 20.10.09

Não faço ideia de quanto ganhará por mês o sr. Francisco Van Zeller, presidente da CIP. Mas suponho que ganhará um pouco mais de 450 euros (pelo menos o fato com que apareceu na RR deverá ter custado o dobro disso). E suponho isso porque o sr. Van Zeller quer agora voltar atrás com o que acordou na Concertação Social e impedir que o salário mínimo nacional aumente, como previsto, 25 euros este ano.

Argumenta o patrão dos patrões que a inflação não subiu e, assim sendo, quem recebe salário mínimo… ganhou, o que é um escândalo. Os patrões estão muito tristes por a inflação não ter, como de costume, subido, rapando os salários, valorizando-lhes os "stocks", diminuindo-lhes o que pagam em juros e rendas e multiplicando-lhes os lucros. E pretendem ser "indemnizados" pelos trabalhadores pelo facto de todos aqueles que mandaram para o desemprego terem deixado de consumir-lhes o que produzem. É um bom e sólido argumento. Quanto menos o sr. Van Zeller pagar a quem trabalha, maiores serão os seus lucros e, logo, mais próspero será o país do sr. Van Zeller. O país dos outros? Esse não é problema seu.

[Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 00:05 | link do post | comentar

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