Retratos da direita como embuste

Rui Namorado , 1.5.2011

    1. Mais sociedade”, esse conglomerado de engomadinhos, devidamente temperado por um ou outro renegado mais ostensivo, junta-se, fingindo que pensa, apenas para desenrolar com estrondo mediático a lista das conveniências de alguns patrões de luxo, que pretendem aproveitar a presença da troika neoliberal, para imaginarem novas maneiras de levar ainda mais longe a exploração dos trabalhadores e o confisco de bens públicos pela voracidade ilimitada dos barões do capital.
    2. Tal como antes as matilhas salazarentas pretendiam perseguir como culpados de um crime de opinião os portugueses que não pensavam como eles, algumas das suas projecções ideológicas actuais, revestidas pelo verniz neoliberal, querem perseguir como culpados de um crime de governação os governantes democraticamente escolhidos pelos portugueses, que não governaram (ou não governem) como eles queriam.
Isto é,  se a direita ganha as eleições  governa;  se ganha o PS, ou governa como a direita governaria se ganhasse ou metem-no em tribunal.
    3. O espaço mediático foi invadido por um enxame de comentadores, de jornalistas, de capatazes intelectuais de grandes interesses, de advogados de negócios, de professores de economia falando do estrangeiro, de graves especialistas sociais de inenarráveis banalidades, de inertes politólogos de laboratório. Falando muitas vezes perante verdadeiras obtusidades jornalísticas, vão poluindo os nossos ouvidos com ladainhas previsíveis que traduzem, na sua prosa embrulhada de ideólogos ainda verdes, o jargão neoliberal de antes da actual crise, servido como se continuasse com as mãos limpas, apesar do desastre para onde nos levou.
    Essas carcaças engravatadas, mais ou menos jovens, mais ou menos senatoriais, dividem-se em dois grandes grupos, embora , por vezes se desorientem embrulhando os dois grupos dentro de si próprios.
    Num deles alinham os que insultam grosseiramente o PS e o governo, culpando-os da crise financeira internacional desencadeada nos USA, da tendência da banca internacional para ignorar a ética e roçar a fronteira da criminalidade organizada; atirando-lhes para cima as culpas pela especulação nos mercados das dívidas soberanas e pelo estranho mix de conveniências e tecnicidade, que parece guiar as agências de “rating”. São os que acusam o PS e o Governo do essencial das consequências do neoliberalismo (que afinal defendem ), pretendendo imputar-lhes, como grave responsabilidade, o facto de não serem suficientemente neoliberais. São os que parecem querer mandar o PS e o governo para Peniche, para Caxias, ou quiçá para o próprio Tarrafal. Se pudessem...
     No outro grupo, situam-se os que, sem deixarem de atribuir também ao PS e ao Governo todas as culpas que consigam imaginar, determinam que o PS tem que participar numa solução de poder como disciplinado acólito da direita.
    Trata-se pois de uma cambada de ideias que se atropelam no espaço mediático, numa imensa operação de propaganda, que, no entanto, não tem um norte que verdadeiramente a oriente. De facto, ora parece querer pôr o PS e o Governo na cadeia, ora parece querer obrigá-lo a partilhar o poder com a direita. É como se tivessem medo que os seus desajeitados intérpretes politico-institucionais excedam a margem de asneira que, da sua própria natureza, esperam. E, por isso, querem dispor de alguns socialistas que impeçam os seus capatazes de cairem em todos os pequenos abismos que o dia a dia da governação lhes ponha pela frente.
    4. Fiquei emocionado. Desta vez a direita colocou-se toda na balança da luta eleitoral. Não estou, no entanto, seguro que essa sofreguidão táctica, não a faça incorrer em sobreriscos estratégicos. De facto, a direita classicamente organiza-se, desdobrando-se em centros de poder dispersos, entre os quais avultam quer os centros de poder económico, que de facto mandam, quer os seus partidos políticos, protagonizados por capatazes profissionais, alguns dos quais necessariamente de luxo. Para potenciar a própria eficácia, a intercomunicação entre as duas esferas é fisiológica e discreta.
    Assistimos agora, pelo lado do PSD, à quebra dessa discrição, a uma verdadeira desocultação do que estava escondido. Talvez tenha sido uma precipitação, gerada pela vertigem dos acontecimentos, mas o facto é que se transformou numa verdadeira experiência de um teatro do absurdo. Bem na frente dos nossos olhos, os mandatários fingem mandatar os seus próprios mandantes, para que estes venham, em praça pública, dar-lhes como conselhos as orientações políticas que lhes transmitiram já como ordens nos fisiológicos canais da informalidade.
    Eles talvez tenham temido que o descrédito público, que desgastou particularmente os agentes político-partidários da direita, possa ultrapassar o eleitoralmente suportável, julgando poder minorar esse risco com o apadrinhamento público ostensivo de uns tantos agentes dos poderes de facto económicos. Porém, os riscos de fugirem aos rotinados canais normais são grandes. Por exemplo, a provável ausência dos habituais filtros ideológicos, preparados para travarem as medidas mais brutais ou para as envolverem nos sete véus da dissimulação, pode fazer com que os destinatários da propaganda acabem por perceber aquilo que lhes deveria ser ocultado. Ou seja, que aquela gente defende principalmente os seus negócios, a rentabilidade do seu capital, se possível no quadro dos interesses nacionais, se necessário contra eles.
     Na verdade, o que realmente entrou em cena não foi um generoso impulso para "mais sociedade", mas um egoístico apego a "mais negócios".


Publicado por Xa2 às 08:07 de 04.05.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Cidadania anti- ''Bangster''s e a barbárie de ''mercados'' especuladores

 

Via Tribuna Socialista (Libertário)

 

   "A crise que atravessa o mundo não é um desastre natural nem um acidente de percurso. Faz parte, como outras que a precederam, dos próprios mecanismos do sistema capitalista em que vivemos. Quando os negócios perdem rentabilidade e os investimentos deixam de gerar os lucros necessários, a crise torna-se um pretexto para baixar salários, privatizar bens ou serviços essenciais (água, energia, saúde, educação), reduzir direitos e conceder mais privilégios aos privilegiados.

    Depois de vários governos terem injectado fundos públicos (pagos pelo contribuinte) no sistema financeiro – para cobrir os prejuízos provocados pela especulação no sector imobiliário – o problema da dívida pública ganhou uma imp  ortância decisiva. Esse mesmo sistema financeiro cobra agora juros cada vez mais elevados aos Estados, pelos empréstimos de que estes necessitam para relançar as respectivas economias e assegurar o seu funcionamento. Os «mercados» procuram compensar as suas perdas através da dívida pública e os governos agem por sua conta (dos ''mercados''), impondo políticas de austeridade e fazendo os trabalhadores pagar a crise.
     A luta contra o pagamento da dívida é um dos elementos essenciais da resistência às imposições da alta finança mundial. Recusamos-nos a pagar para manter o capitalismo agarrado à máquina. Por todo o lado se formam grupos, movimentos e organizações para juntar esforços nesse sentido, superando o isolamento nacional e colocando a questão no plano internacional.

É tempo de começar a fazê-lo, também aqui."

(in, http://jornadasanticapitalistas.wordpress.com/)



Publicado por Xa2 às 07:07 de 04.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Grande fuga ... legal !

A  PT foge aos impostos ?

O João Abel já expôs aqui em baixo o essencial mas parece-me que ele está excessivamente céptico.
Estou absolutamente convencido que Ricardo Salgado representante do maior accionista da PT, o Grupo Espírito Santo (BES), com 71.660.806 de acções e 7,99% do capital social e que irá receber 71.600.000 € de impostos fugidos ao fisco (legalmente, é claro. A legalidade é feita à medida...) irá por livre iniciativa, pagar como todos quase todos os portugueses a sua contribuição ao Estado, para que este não falhe no investimento, na saúde, no subsídio de desemprego, nas reformas, no ensino, etc.
Estou convencido porque ele tem vindo muitas vezes às televisões (até pensei que ele tinha entrado para o Governo) esclarecer os portugueses que o momento é de sacrifícios e que temos todos que os fazer neste dificílimo momento que o país atravessa.
E o mesmo farão, estou certo, os outros grandes accionistas portugueses, Nuno Vasconcelos (Ongoing) com 60,6 milhões €, o Grupo Visabeira com 22, 6 milhões ou o empresário Joaquim Oliveira com 20,4 milhões de euros de dividendos da PT fugidos aos impostos.
O que é incrível, mas faz parte do que somos, é que uns pobres coitados que têm umas dezenas ou centenas de acções da PT e assim receberão mais meia dúzia de euros julgam, erradamente, que assim ficam a ganhar.



Publicado por Xa2 às 00:07 de 07.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Capitalismo financeiro destrói o bem comum

É demasiado bom para ser de todos nós , por Daniel Oliveira, Arrastão, 21.7.2010

 

     O que não cresce morre. É esta a máxima do capitalismo. Por isso procura sempre novos mercados. E se isto é verdade à escala global, também o é no mercado interno.

     Durante décadas a burguesia nacional viveu da obra pública – a necessária e a dispensável – paga com dinheiros europeus. Mesmo o consumo foi alimentado, não por uma valorização salarial – as nossas empresas não acrescentam valor ao que produzem e por isso apostam no trabalho intensivo, desqualificado e mal pago -, mas pelo endividamento das famílias.

     E viveu da especulação imobiliária, que cresceu às custas da fragilidade do mercado de arrendamento, do juro baixo e da bonificação do crédito à compra de casa. E alimentou-se da privatização de empresas já consolidadas, muitas delas em regime de monopólio natural. Ou seja, a nossa burguesia não criou nada, não inovou nada, não arriscou nada.

 

     Só que, com a pressão europeia para conter a despesa pública, todas as portas de saída estão agora fechadas. Não vale a pena ter ilusões quanto á nossa capacidade de exportação. Graças à contenção salarial na Alemanha, que julga que é possível manter um mercado europeu aberto e saudável apenas exportando; à falta de competitividade da nossa produção sem valor acrescentado; e a uma moeda forte não temos grande espaço de manobra no comércio externo. Talvez com excepção do mercado angolano e brasileiro.

     Resta então, à nossa elite económica, a receita do costume: rapar o fundo do tacho. Ou seja, integrar no mercado os bens e serviços públicos, tendo aí uma nova oportunidade de negócio sem risco.

     Já se percebeu que enquanto o Estado oferecer gratuitamente saúde e educação (bens com procura pouco elástica e por isso especialmente interessantes como negócio) os nossos grupos económicos, pouco familiarizados com a qualidade a preços aceitáveis, não se safam.

 

     É neste contexto que devemos ver o programa que o PSD prepara para a saúde e educação e que fica claro na sua proposta de revisão constitucional.

     Havia duas possibilidades: o cheque ensino e o cheque saúde ou o fim da educação e saúde gratuitas e universais. São duas formas de chegar ao mesmo.

     No primeiro caso, o Estado (leia-se o Governo e a A.R.) transfere para os privados os seus recursos financeiros.

     No segundo, o Estado (o Governo e a A.R.) torna pouco vantajosos para os cidadãos com alguns recursos os bens que oferece e, no fim, transforma os cidadãos em clientes e oferece-os ao privado. A primeira solução era mais agradável para o negócio, mas não há dinheiro público para isso. O PSD vai optar pela segunda.  Ou seja, deixa para o Estado (o serviço público) os miseráveis, passa para o privado o resto da população. Três problemas desta solução:

 

     1. Se a classe média abandonar os serviços públicos eles saem mais caros por utente (é uma questão de economia de escala – metade dos alunos no ensino público não corresponderá a metade da despesa).

     2. Se a classe média abandona os serviços públicos eles perdem qualidade. Está estudado: com menores capital social e cultural, as classes baixas têm menor poder reivindicativo e, isoladas, não beneficiam da qualificação que a presença da classe média oferece aos serviços.

     3. Pagando pelos serviços do Estado, quem paga mais impostos fará pressão para pagar menos. O caminho está traçado: Campos e Cunha e vários economistas já propõem a taxa fiscal plana. Ou seja, preparam o País para o Estado assistencialista em vez do Estado Social redistributivo.

     Juntem-se as três coisas:

menos qualidade, mais caro por utente, menos recursos fiscais para alimentar os serviços. Ainda menos qualidade. Ou seja, no final teremos serviços públicos miseráveis.

     Não preciso de fazer qualquer futurologia. O que propõem para a saúde, por exemplo, já foi experimentado nos Estados Unidos.

     O Estado garantia serviços médicos apenas aos mais pobres. E em Portugal, é bom recordar, os mais pobres são mesmo muito pobres. Os indicadores de saúde de uma das maiores potências económicas do Mundo falam por si:

cada americano gasta 7290 dólares em saúde por ano e cada português gasta 2150. No entanto, a esperança média de vida em Portugal é superior à dos EUA e os Estados Unidos estão vários lugares acima no ranking da mortalidade infantil. De tal forma que os EUA se viram obrigados a recuar nesta matéria.

     Na educação passa-se o mesmo: a escola pública americana é, em geral, um subproduto. Os mais pobres só se safam se forem muito bons e conseguirem bolsas. Os restantes estão condenados à partida.

 

     A política de emagrecimento do Estado tem um sentido:

oferecer os serviços sociais às empresas para que estas ultrapassem a sua crise de crescimento. E, com isso, sacrificar o bem comum.

     Próximo objectivo: a privatização da segurança social para transferir estes apetitosos recursos para fundos de pensões. Aqueles que hoje são o motor da finança em quase todo o Mundo.

     O capitalismo financeiro não vive da produção. Vive, por agora, da privatização dos recursos públicos.

     Quando eles acabarem logo se verá para onde se vai. No caminho, deixará atrás de si um Estado Social em ruínas.

         Publicado no Expresso Online



Publicado por Xa2 às 00:07 de 23.07.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Democracia e Capitalismo não estão funcionando !

ONTEM TIVEMOS PROTESTOS !

 Ontem foi dia de protestos sindicais promovidos pela CGTP ! Foi apenas para manter a contestação aquecida. Todavia , os protestos foram curtos. Não hove uma manfestação massiva, apesar da crise que se vive. É estultícia de alguns ficarem contentes...  Há explicações para quase tudo. Isto também se pode explicar de muitas maneiras.

 

- Hoje fazer protestos ou dar sinal de simpatia pelos mesmos é perigoso na maioria das empresas. É pôr em risco o posto de trabalho numa altura em que o desemprego está quase nos 12%.

- Hoje uma parte dos trabalhadores, embora revoltados, não acredita nas formas sindicais de protesto. São rotineiras e mais se parecem com as antigas ladaínhas e liturgias religiosas.

- Hoje muitos trabalhadores, embora revoltados, procuram uma solução individual para a crise (emigrar, biscates,etc).

- Hoje uma parte dos trabalhadores está anestesiada pela educação que tiveram e pela influência dos órgãos de comunicação social, em particular a TV.

 

Não fiquem contentes pelo facto de não existirem mais protestos.... pelo contrário, será de ficar apreensivo.

É que a revolta pelo que se passa no dia a dia político e social vai acumulando.... tal como material explosivo. Depois é apenas necessário um fósforo!

Falta saber se depois, na fogueira, não será a democracia que arde. Será que ela não está já a arder ?

 

Publicada por A.Brandão Guedes, Bem estar no trabalho



Publicado por Xa2 às 08:07 de 12.07.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Cidadãos europeus, Uni-vos!

Financeirização?

Em artigo na “Visão”, o sociólogo Boaventura de Sousa Santos pôs o dedo na ferida europeia, sem quaisquer rodeios e usando a teoria social crítica como guia para a compreensão que antecede o apelo à união dos trabalhadores europeus e dos seus diversos movimentos sociais:

“A luta de classes está a voltar sob uma nova forma mas com a violência de há cem anos: desta vez, é o capital financeiro quem declara guerra ao trabalho.”

A guerra ao trabalho reveste-se de múltiplas formas: da desregulamentação das relações laborais à erosão da provisão pública de bens sociais.

Os objectivos são claros: reduzir o peso dos salários directos e indirectos e relançar a acumulação de capital através da expropriação de bens comuns.

Os ideólogos nacionais deste processo europeu não escondem os seus objectivos. Daniel Bessa, por exemplo, defendeu na semana passada a privatização das escolas e dos hospitais. A miopia gerada pelas ideias e pelos interesses não cessa de me espantar.

Esta guerra, se for politicamente bem sucedida, apenas vai acentuar o chamado processo de financeirização das economias capitalistas maduras, ou seja, o processo de aumento da importância dos agentes, mercados e motivos financeiros.

A literatura económica sobre o domínio do capital financeiro, que circula sem entraves, tem assinalado vários padrões perversos que desembocam em sucessivas crises financeiras.

Em primeiro lugar, temos a pressão selectiva sobre os assalariados dentro de empresas cada vez mais obcecadas em criar valor para o accionista, o que tem levado a uma quebra dos rendimentos do trabalho no rendimento nacional em muitos países desenvolvidos e a um aumento generalizado das desigualdades.

Curiosamente, a satisfação dos accionistas não tem tradução nos indicadores de investimento criador de emprego.

Em segundo lugar, temos assistido, à escala europeia e mundial, à criação de desequilíbrios insustentáveis nas relações internacionais:

 modelos nacionais assentes no endividamento, que, em alguns casos, compensou temporariamente os efeitos negativos da estagnação salarial na procura, tendo como contrapartida modelos exportadores agressivos, assentes na compressão salarial permanente e cujos excedentes são reciclados pelo mercados financeiros.

Em terceiro lugar, o aumento da dependência dos trabalhadores face a um sistema financeiro naturalmente pouco transparente e cada vez mais complexo, que a erosão da provisão pública favorece, em áreas que vão da habitação à segurança social, intensifica aquilo a que o economista Costas Lapavitsas designa por “expropriação financeira” dos trabalhadores.

O aumento da presença e do controlo públicos do crédito ou a taxação das transacções financeiras são hoje a melhor forma de começar a responder, no campo das propostas, à guerra do capital financeiro.

«The ABCs of the economic crisis: what working people need to know», Fred Magdolf & Michael D. Yates

João Rodrigues, Ladrões de Bicicletas 



Publicado por Xa2 às 00:07 de 16.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Repartir custos (e os lucros/ benefícios) ?!

Sacrifícios, palavras e sereias

Os sacrifícios devem ser repartidos com equidade por todos. Quem não concorda ?

Há depois um problema de efectivação dessa equidade: aonde está o repartidor imparcial de sacrifícios ?

Há depois outros problemas.

Primeiro, o modo de medir os sacrifícios, que permitirá apurar se eles realmente são repartidos com equidade, pode ser um método estruturalmente viciado pelo modo como encara a realidade. Portanto, mesmo quando ele indicar que tudo está equilibrado, devemos ver bem, se ele em si próprio não estará de facto a beneficiciar uns e prejudicar outros, pelo uso de uma medida objectivamente distorcedora. É preciso, por isso, dede logo ter-se a certeza, à partida, de que se encontrou um critério de medida justo. Sem isso, não é possível ter sequer a noção do que seja uma equidade autêntica.

Em segundo lugar, um pequeno sacrifício, pedido a quem vive uma vida já difícil, é sempre um acréscimo de sofrimento, subjectivamente muito doloroso. Um imenso sacrifício, aferido objectivamente pelo volume das prestações, que seja exigido a quem vive na abundância, não representa qualquer sofrimento subjectivo para essas pessoas.

Em terceiro lugar, há uma hipocrisia profunda na atitude dos que aceitam, como única possível, uma sociedade que produz o empobrecimento dos pobres e o enriquecimento dos ricos, ou seja, uma sociedade essencialmente iníqua, mas que, ao mesmo tempo, põem os olhos em alvo, propugnando a sua sede de equidade e de justiça, alardeando medidas que sufocam os já sufocados e que, beliscando ao de leve os privilégios dos poderosos, fazem disso um argumento legitimador de todos os sofrimentos que causem nos outros.

Por isso, o essencial não é uma cosmética de pseudo-equidade, para dar uma aparência de realidade à mistificação do "todos unidos para salvar o Portugal". O essencial está em apontar um caminho de saída ( e querer percorrê-lo) desta fábrica de desigualdades e de injustiça que é o tipo de sociedade actual. A imperfeição injusta, com que necessariamente temos que enfrentar as crises actuais, seja a menor possível, não pode continuar a reproduzir-se, de crise em crise, até à implosão final.

Sejamos, pois, tão justos quanto possível, no imediato, sem escondermos que o máximo de justiça possível, no curto prazo, envolverá sempre um peso acrescido de sofrimento para os mais fracos e mais pobres. Mas mostremos determinação na luta por uma nova sociedade, em que a justiça estrutural seja uma realidade. Não confundamos a necessidade de sobrevivência de um sistema de desigualdade estrutural entre o capital e o trabalho (com subaltermidade deste), com a necessidade de sobrevivência digna de todos os cidadãos que são Portugal.

E, desde já, comecemos por sair da armadilha ideológica onde se finge um justicialismo absoluto na parificação dos subalternos, como preço para se poderem garantir os privilégios estruturais dos dominantes. Por exemplo, fazendo cruzadas contra todas as disparidades entre os rendimentos, que possam ser ou parecer salários, mas esquecendo que há muita gente que vive de lucros (de lucros bem mais chorudos do que os altos salários) que, afinal, bem vistas as coisas, são fruto, no essencial e principalmente, do trabalho de muitos emuitos que vivem bem pior.

Não há sociedades parcialmente justas, há sociedades justas ou injustas. Por isso, é indispensável olhar com desconfiança para muitos dos discursos tonitroantes que arrasam o presente, já que eles oferecem muitas vezes para o futuro novas raízes das dificuldades que hoje estamos a enfrentar.

Atravessamos um tempo de hipocrisia.

Ouvem-se, cada vez mais, maviosos cantos de sereias; mas não nos iludamos, muitos deles apenas ocultam a sofreguidão melíflua das hienas. 

Rui Namorado, O Grande Zoo



Publicado por Xa2 às 08:07 de 15.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Uma sociedade de hipócritas, um país de pobres, um capitalismo selvagem...

 

Há quem afirme que o Subsidio de Desemprego em Portugal é muito generoso e que por via disso os desempregados se recusam a aceitar empregos oferecidos por “generosos” empresários. Vejamos então a generosidade do calculo e a «sacanagem» que está por detrás de tais afirmações.

O montante diário é igual a 65% da remuneração de referência e calculado na base de 30 dias por mês.

Ninguém pode receber mais de três vezes o IAS - Indexante dos Apoios Sociais, que este ano está fixado em 419,22 euros (o mesmo de 2009). Ou seja, o valor máximo que se recebe de subsídio de desemprego é 1 257,66 euros por mês. Ninguém pode receber mais mas menos pode. Para fazer as contas é preciso saber quanto ganhou em 12 meses (SB=salário bruto, prémios, horas extraordinárias). Se, nesse período, recebeu os subsídios de férias e de Natal, multiplique o seu salário base mensal por 14. Ora se o valor base de cálculo for menor, menos receberá de subsídio e, consequentemente, menor será o encargo da segurança social. Também aqui o Estado (governo) tira vantagens na precarização das relações de trabalho.

QUANTO RECEBE DE SUBSÍDIO SOCIAL DE DESEMPREGO

1. Beneficiários sozinhos: €335,38 (80% do IAS fixado para 2009) ou o valor da sua remuneração de referência líquida (o que for mais baixo).

2. Beneficiários com agregado familiar: €419,22 (100% do IAS fixado para 2009) ou o valor da sua remuneração de referência líquida* (o que for mais baixo).

*A remuneração de referência líquida é quanto a entidade empregadora declarou à Segurança Social que lhe pagou em média nos primeiros 6 meses dos últimos 8 (a contar do mês anterior àquele em que ficou desempregado) menos os descontos para a Segurança Social e os impostos.

PERÍODOS DE ATRIBUIÇÃO

O número de dias a que tem direito a Subsídio de Desemprego e Subsídio Social de Desemprego varia em função da idade e do número de meses com registo de remunerações no período anterior à data do desemprego.

Pelo exposto várias e diferentes conclusões se podem elidir, algumas aqui ficam:



Publicado por Zé Pessoa às 00:08 de 24.03.10 | link do post | comentar | ver comentários (9) |

Encruzilhada do sindicalismo europeu (iv)

Podemos hoje dizer que o sindicalismo europeu está demasiado integrado no sistema. Faz parte do mesmo e acaba por ter tiques de conservação! Tem pavor da desordem de rua e tem palavras mansas para a desordem do novo capitalismo.


Este tem características tais que pode perfeitamente dispensar os sindicatos a médio prazo. Aliás, alguns gestores modernaços já o dizem abertamente. Para alguns gestores o sindicalismo está ultrapassado, pertence a uma fase industrial que já não existe!

O capitalismo financeiro globalizado tem características tais que está a fazer uma viragem civilizacional. Uma das suas características é transformar a empresa uma entidade com todos os direitos e os trabalhadores sem direitos. O trabalhador deve submeter a sua vida aos interesses da empresa. Deve trabalhar ou parar quando é necessário, estar disponível e ligado à empresa, aumentar os ritmos até à exaustão para satisfazer os clientes. Em troca recebe o salário e, quando é um quadro importante, mais algumas regalias (carro, cartão, férias nas caraíbas...)!
A empresa, por sua vez está a mudar. Muito centralizada no topo, no comando, e dispersa na base. A subcontratação expande-se e as empresas fortes submetem as mais pequenas a contratos de vida ou de morte. Muitas empresas estão dispersas pelo planeta num autêntico polvo! Algumas são virtuais!

 

A organização flexível é a nova matriz do trabalho. A máxima polivalência e os vínculos precários. O ideal é destruir o direito do trabalho e utilizar o direito comercial. Contratos entre trabalhador e empresa como estivessem em pé de igualdade. É o que alguns autores chamam de fascismo legal ! A imposição do mais forte!
Os altos quadros obedecem a uma lei de rotatividade tremenda. Não sabem se amanhã ainda estarão na mesma cidade ou no mesmo país! Nunca sabem se não serão ainda hoje dispensados. Os ritmos de trabalho e o assédio levam a doenças graves do foro psicológico e físico.
Todas estas mudanças estão a criar uma nova cultura laboral nos novos trabalhadores. A ameaça do desemprego a precariedade e a manipulação criam o medo e a insegurança na sociedade. A resistência é difícil, mesmo dentro da legalidade e da ordem estabelecida!

Neste quadro o sindicalismo europeu tem que procurar novos caminhos de luta e de diálogo firme! Entender a nova situação e os caminhos complexos que se colocam aos trabalhadores e a cada trabalhador.

Neste quadro o sindicalismo europeu deveria potenciar a enorme força que ainda tem e não sabe por quanto tempo terá. São milhões de trabalhadores sindicalizados e são milhões os desempregados.
É necessário, no entanto, uma outra dinâmica internacional e nacional. Acabar com os nacionalismos bacocos e responder de forma global aos desafios do novo capitalismo. Coordenar as lutas e definir reivindicações europeias que mobilizem os milhões de assalariados e desempregados. Dar como inaceitável este capitalismo de novos escravos, destruidor da pessoa humana e de povos inteiros.
Enfrentar o poder das multinacionais, fazer novas alianças com os movimentos sociais que por todo o mundo contestam o sistema, enfim, saltar do pedestal a que se tem remetido o sindicalismo!

 

Sabemos que o contexto mundial é desfavorável. A China e outros países emergentes lideram a competitividade e esmagam os concorrentes. Mas estes países não estão imunes ás mudanças sociais e políticas. O comportamento do sindicalismo europeu terá reflexos na América e na Ásia! Continuar de compromisso em compromisso à espera que volte o diálogo do tempo de Delors poderá ser um erro trágico !  Esta é a grande encruzilhada!

 



Publicado por Xa2 às 00:04 de 13.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Estratificação social
A questão da ‘classe média’
 

A propósito de um post de Paulo Pedroso em Banco Corrido

“Numa sociedade em que cada um tenha algo a guardar e pouco a tomar, será difícil a ocorrência de revoluções violentas”, dizia Tocqueville. Nas sociedades democráticas, em comparação com as velhas aristocracias, os “pobres” seriam em pequeno número e, além disso, não estariam ligados por laços de uma miséria irremediável e hereditária, enquanto que os ricos, além de pouco numerosos, não permitem que os seus privilégios atraiam os olhares, como acontecia com a riqueza fundiária. Isto é, os ricos não constituiriam uma classe à parte que facilmente pudesse ser despojada pelos pobres.

Entre estes dois extremos, adianta o autor, “acha-se uma multidão inumerável de homens quase idênticos que, sem serem precisamente ricos ou pobres, possuem bens suficientes para desejar a ordem, mas não os têm em demasia para suscitar a inveja. (...) Sem dúvida que não vivem satisfeitos, mas mantêm com ardor inigualável o desejo de enriquecer, embora esse desejo tenda a permanecer dentro dos limites necessários, porque o facto de viverem numa situação de relativo conforto, que é tão afastada da opulência como da miséria, leva-os a atribuir aos seus bens um preço imenso (...).

Como estão ainda muito próximos da pobreza, vêem de perto os seus rigores, e temem-nos; entre ela e estes mais não há que um pequeno património sobre o qual fixam imediatamente os seus temores e as suas esperanças. A cada instante, interessam-se primeiro pelos cuidados constantes que ele lhes dá e ligam-se-lhes cada vez mais pelos esforços diários que fazem para o aumentar. A ideia de ceder a menor parte dele é-lhes insuportável e consideram a sua perda como a última das infelicidades” (Tocqueville, 1988: 272-273).

A temática da classe média reveste-se, hoje, de contornos bem diferentes daqueles que assumiu nesse tempo. Ao longo do século XX nas sociedades industrializadas do mundo ocidental, a importância (política, nomeadamente) da “nova classe média assalariada”, em especial a partir da II Guerra Mundial, deu azo a inúmeras polémicas no terreno sociológico, atravessando correntes teóricas diversas, nomeadamente marxistas, funcionalistas e weberianas. Desde então, a expressão “classe média” vulgarizou-se cada vez mais mas deslocou-se do velho sentido do século XIX, que a conotava com a pequena burguesia proprietária. Além disso, convém notar, o fenómeno da “mobilidade social” (e da classe média), nunca teve na Europa o mesmo significado que nos EUA, uma sociedade bem mais individualista.

Porém, manteve-se a mesma relação directa entre o crescimento da “classe média” e a questão da “luta de classes”. Como o progresso económico (e tecnológico) parecia infindável, pensava-se que o crescimento dos assalariados white collar o seriam igualmente. No sector privado ou à sombra do Estado social o imparável reforço da classe média era a garantia da coesão social e um seguro para prevenir qualquer conflito estrutural. Quanto maior a classe média (e a mobilidade social) menor a intensidade da luta de classes. Autores como Ralf Dahrendorf, Frank Parkin, John Goldthorpe ou Pierre Bourdieu (e até o próprio Giddens) ajudaram-nos a perceber que o papel da classe média caminhava de par com múltiplas tensões, poder reivindicativo e conflitos abertos entre categorias profissionais emergentes, consolidadas e em declínio. Mais do que as oportunidades de subida para os que tivessem sucesso, a mobilidade inseria-se nos processos de recomposição da estrutura social, gerando o chamado efeito escada rolante, e de certo modo funcionando como ideologia meritocrática (processo gerador de ilusões apaziguadoras). Quando certos grupos se movem dos degraus mais baixos ou intermédios da estratificação social para os degraus acima, perdem de vista o facto de as posições superiores entretanto também se terem movido no mesmo sentido. Além disso, também o grupo de referência, ao funcionar como padrão comparativo que mede a condição social dos próprios por referência a outros grupos em situação idêntica ou ainda mais humilde (os vizinhos ou os familiares, por exemplo), tende a ampliar o sentido de privação relativa e, desse modo, a iludir o grau de proximidade, ou de progressão, na escala estratificacional entre fracções distintas dentro da classe média (Parkin, 1979).

A classe média no seu conjunto apresenta contornos dúbios porque na verdade nunca foi um grupo homogéneo. E em Portugal é ainda muitíssimo frágil e instável. No nosso país ela (ou o seu segmento assalariado) cresceu e afirmou-se a partir dos anos sessenta e muito dependente do Estado. Como já antes escrevi, a classe média portuguesa, é-o mais na aparência do que na realidade, sobretudo se atendermos a que uma parte significativa dos funcionários e empregados do sector terciário se aproximam da categoria proletária. Por exemplo, num estudo que publiquei em 1997 com José Manuel Mendes (Classes e Desigualdades Sociais em Portugal, Afrontamento) mostrámos que, segundo vários critérios estruturais, inspirados no modelo de Erik Wright) como novel de qualificações, grau de autonomia e poder de influência e propriedade, os trabalhadores que então classificámos de “proletários” eram nessa altura de cerca de 46% da força de trabalho empregada. Nos últimos anos, no quadro das políticas liberais e da crise económica vigente, fenómenos como o endividamento das famílias, o peso do trabalho precário, o desemprego e a instabilidade do mercado de trabalho, com toda a panóplia de situações de abuso de poder e de medo, atingem hoje amplos sectores da força de trabalho, incluindo a classe média.

No entanto faz ainda sentido falar do conceito de: o efeito classe média. Ou seja, para lá da existência de uma classe média “real”, pode conceber-se a presença de uma classe média “virtual”, na medida em que essa vaga e imprecisa “mancha” sociológica situada algures entre as classes dominantes e as classes trabalhadoras manuais (apesar de hoje mais enfraquecida devido ao pessimismo induzido pelo contexto de crise) com um alcance significativo na modelação das representações sociais. E essas subjectividades adquirem efeitos concretos no terreno das atitudes e comportamentos socioculturais e políticos.

  - Publicada por Elísio Estanque, em Boa Sociedade, 11.1.2010



Publicado por Xa2 às 01:09 de 12.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Do dinheirismo ao cancro da competitividade e da degradação
 

A consensual normatividade carcinogénica do capitalismo

Na actual fase de putrefacção do capitalismo, parece não haver tema mais consensual e insusceptível de qualquer crítica do que o chamado “empreendedorismo”, tema ao qual se dedicou uma instrutiva “semana global”, no passado mês de Novembro. A palavrinha parece ter virtudes de solução mágica para todos os problemas sociais e económicos e, por isso mesmo, anda na boca do mundo, do Presidente da República e dos membros do governo aos partidos políticos, dos empresários aos estudantes, das escolas primárias às universidades, associações, fundações, câmaras municipais, eu sei lá!...A ideia básica é simples e faz justiça a Adam Smith e ao dogma da imaculada escassez: fazer de cada cidadão um negociante, um vendedor de qualquer coisa.

A coisa vem de trás, mas aqui há dois ou três anos – a partir da academia e das associações empresariais – apareceram uns missionários dispostos a ganhar visibilidade promovendo o ensino (?) desta nova religião nas escolas, a crianças a partir dos 6 anos, com a indiferente conivência e o apoio de professores e pais. Alguns, acharam por bem evangelizar até as crianças dos bairros degradados da periferia, para melhor combater a exclusão. A doutrina, cujos pressupostos radicam numa espécie de darwinismo social de meia-tigela, pretende revelar os esplendores divinos da inovação e da competitividade com recurso ao potencial criativo que jaz no fundo de cada homem, mulher e criança, aplicando-se tudo aos negócios, claro.

Cultivando a ambição desmedida e estimulando o sempre ilimitado desejo de ganhar dinheiro e a vontade de poder e sucesso, deve sublinhar-se o lugar de destaque atribuído à expressão “auto-emprego”, a par com o uso recorrente das palavras “oportunidade” e “desafio”, regurgitadas até à exaustão. Junte-se a isto o uso do vulgar uniforme parolo do mundo dos negócios – o conjunto fato e gravata capaz de transformar qualquer imbecil, ou qualquer vigarista, em pessoa de aparência credível – e eis a fórmula do “empreendedorismo”.

Para melhor disseminar a peçonha, a União Europeia incentiva este discurso e estas práticas, tendo até produzido relatórios em que se recomenda às instituições do ensino superior que abram departamentos de “educação para o empreendedorismo”.

Em contexto de crise económica, com a Estratégia de Lisboa e a implantação da nova ordem digital, com os "produtos de conhecimento" incubando a ficção mercantil do capitalismo cognitivo e com os interesses dos actores profundamente investidos pela peçonha da ambição, do dinheirismo e da corrupção, o sistema de justiça em necrose acelerada, o descrédito do Estado, da governação e das instituições, temos ainda, pois, que nos confrontar com o cancro da competitividade, a ver quem apresenta o produto mais inovador, quem vende mais e melhor, com endividamento e concorrência feroz.

É esta a doutrina soteriológica proposta pelos arquitectos do actual desastre social e do imenso drama da pobreza e do desemprego, que a “resiliência” de que tanto falam os apóstolos dos negócios parece ser, sobretudo, virtude dos explorados, dos precários, dos pobres.

Assim, este “empreendedorismo” suporta teórica e tecnicamente a continuidade da injustiça profunda de um modelo de crescimento incapaz de se reformar e corrigir de modo a pôr termo à degradação ambiental, ao esgotamento dos recursos e à destruição acelerada do planeta.

E escusado será dizer que a degradação é também de ordem moral. A apatia generalizada, a resignação e o medo fazem o resto.

[Ladrões de Bicicletas, Francisco Oneto]



Publicado por Xa2 às 00:01 de 08.12.09 | link do post | comentar |

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