Sem sentido

“Chegámos a uma situação insustentável"



Publicado por JL às 21:37 de 10.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Sei que não devemos ir por aí

Cavaco Silva terá declarado, um destes dias e a propósito do questionamento sobre a sua posição em relação ao processo legislativo que decorre na Assembleia da Republica quanto ao casamento “gay” que, e cita-se, "a minha atenção está noutros problemas", concretizando ser o "desemprego, o endividamento do país, o desequilíbrio das contas públicas, a falta de produtividade e de competitividade", desaconselhando novas "fracturas na sociedade portuguesa". Tudo um conjunto de preocupações genéricas que são comuns a qualquer cidadão minimamente consciencioso deste país tão mal tratado e pouco melhor gerido. Salvo os gestores bancários que conseguiram em tempo de crise ver as suas remunerações aumentadas 17% e mais uns tantos privilegiados o grosso da população viram os seus rendimentos diminuir quando não mesmo desaparecer completamente.

Segundo divulgaram uma boa parte dos órgãos de comunicação social, quiçá mal interpretando as declarações, os socialistas (ou aqueles que se pronunciam publicamente em seu nome) terão reagido mal às declarações proferidas pelo PR, Prof., Aníbal Cavaco Silva e terão mesmo afirmado que o Presidente está, em "coro com a direita", a querer interferir na agenda do PS, a causar instabilidade e a "exorbitar a sua legitimidade".

Um dos responsáveis a quem são atribuídas declarações apontadas como oficiais e "em nome do PS", é o deputado Sérgio Sousa Pinto, já protagonista há alguns anos em outras "causas fracturantes" dinamizadas por certos socialistas, disse que o Presidente da República "tem a liberdade de ter a sua posição pessoal", acrescentando que apesar disso, "já não terá o direito de se intrometer na agenda dos partidos como, no caso vertente o casamento gay, na agenda do partido que apoia o Governo". E, ainda por cima, "em coro com a oposição de direita". Lá Palice não diria melhor nem mais claro.

Sérgio Sousa Pinto, que falava em Lisboa à entrada de uma reunião de José Sócrates com autarcas do PS, terá afirmado que o Presidente "está a contribuir inutilmente para a dramatização da vida nacional". E, com isso, "a pôr em causa as condições de estabilidade política que são indispensáveis para dar resposta aos problemas que preocupam o Presidente, o Governo e o PS".

O parlamentar socialista terá acrescentado que foram os comentários do Presidente da República (feitos no contexto de perguntas sobre o casamento gay e recusando novas "fracturas" na sociedade portuguesa), que representam "uma interferência na agenda dos partidos". "Os portugueses não escolheram o PS para que a sua agenda (de governação) fosse determinada pelo Presidente da República".

Declarações de utilidade muito duvidosa (pouco menos que ajudar à afirmação pessoal de quem as profere) em nada contribuem para ajudar a resolver os problemas das populações, a criar emprego, contribuir para o crescimento económico ou a atenuar os constrangimentos provocados pela grave crise que a economia e a balança comercial que o país atravessam.

Compete aos socialistas assumirem as suas responsabilidades na governação do país, muito particularmente a administração directa e indirecta do Estado. Para isso é necessário garantir a estabilidade necessária ao governo e respectivos ministros e secretários de estado.

Para que tal desiderato seja conseguido torna-se necessária mais labuta e menos lamuria e má língua. Será que os responsáveis socialistas não são capazes de dar conta do recado e vão defraudar as expectativas do eleitorado? Está nas suas mãos (ainda que não em exclusivo mas sobretudo) responder positivamente escolhendo o correcto caminho da boa gestão rés-pública, mesmo assumindo a assunção de medidas mais ou menos fracturantes.



Publicado por Zé Pessoa às 10:54 de 21.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Belém atinge o estado de Nirvana



Publicado por JL às 00:01 de 15.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Cavaco Silva

[…] Portugal está sem Presidente da República, o que tem é um candidato às presidenciais que instalou a sede de campanha no Palácio de Belém, usando as competências e os programas da Presidência da República para fazer campanha e promover a desestabilização do país. Ainda andou uns tempos calado mas aproveitou a instabilidade política para relançar a sua campanha eleitoral.

É urgente preparar uma alternativa a Cavaco Silva para que a normalidade regresse às instituições da República. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:02 de 14.12.09 | link do post | comentar |

Onde andas, Cavaco?

O governo, governa, O Parlamento, fiscaliza. Certo? Errado. Sócrates talvez mereça a vingança. O país, de joelhos, não sobreviverá.

O Parlamento anda num frenesim imparável. Cada pedra que se levanta e cada deputado que se ergue tem uma vontade indomável de fazer leis, rever códigos, mudar o país e mandar no governo. Pelo caminho, abrem-se comissões de inquérito - agora para investigar o computador Magalhães - e desconfia-se de tudo o que tenha o dedo ou a sombra do primeiro-ministro.

Para um país a caminho da bancarrota, apesar das braçadeiras da zona euro, não deixa de surpreender a tendência suicida que se apoderou da Assembleia da República.

Já se esperava: com um governo socialista minoritário, a oposição haveria de vingar-se dos pecados acumulados pelo primeiro-ministro na legislatura anterior. A arrogância e a gula de José Sócrates deixavam pouco ou nenhum espaço para o diálogo, a não ser que os partidos percebessem a gravidade do problema. Mas já ninguém acredita em milagres, a não ser Cavaco Silva.

A principal agência financeira que avalia Portugal - a Standard & Poor's -, veio repetir o diagnóstico sombrio: as contas públicas estão uma miséria e não vale a pena ter sonhos irrealistas. Ou há genuína contenção orçamental - e o Estado controla a despesa -, ou não há viabilidade e futuro possíveis. O país (Estado, empresas e particulares) pagará cada vez mais caro pelos empréstimos que precisa. Os mercados financeiros saberão desferir o golpe - ou ir apertando o garrote, através do aumento dos spreads - quando acharem que o risco exige margens mais gordas para acautelar o dinheiro que têm emprestado cada vez em maior quantidade.

A quem compete corrigir a trajectória? A pergunta é banal, simples, mas no Parlamento.

A excitação reinante parece não entender o óbvio. Convém por isso esclarecer. Apesar da euforia messiânica que se apodera todas as manhãs de José Sócrates não ajudar a construir pontes e entendimentos, é ao governo que - surpresa! - compete governar. Quem deve fazer as leis? O governo, claro, seja directamente ou através do Parlamento. Ora bem, o Parlamento inclui os partidos da oposição que podem e devem ter iniciativa legislativa, mas esta súbita vontade rebarbativa de propor e mudar deve ser feita sempre - sempre, mesmo - na base de acordos negociados com o partido do governo.

Forçar leis e modificações com impacto social e orçamental à margem do que pretende o primeiro-ministro é não apenas batota, é um risco enorme para o país. Se em Portugal os governos já são acometidos de vários ataques de esquizofrenia - defendem tudo e o seu contrário -, se lhe juntarmos o coro de vozes dos deputados e a suas influenciáveis e pueris vontades, não teremos governo nenhum, mas um desgoverno ainda mais perigoso, lunático e analfabeto.

Chumbar as leis propostas pelo governo se forem consideradas negativas, sim, esse é um dever da oposição. Mas serão todas as leis más, como parece hoje? Todas erradas e estúpidas? Passámos de um país absolutamente centrado nos humores e vontades do ego do primeiro-ministro, para outro onde o centro do poder tresmalhou-se pelos corredores lustrosos da Assembleia da República. O poder não caiu na rua, caiu nas bancadas parlamentares, onde, apesar da aparência, a vontade de reformar o país passa demasiadas vezes para último plano, muito atrás das vinganças e das estratégias para substituir o poder logo ao virar da esquina. Há muitos anos que não se via tremenda irresponsabilidade política. Sócrates talvez mereça. O país, não merece. Cavaco Silva, onde andas?

[ i , André Macedo]



Publicado por JL às 08:12 de 11.12.09 | link do post | comentar |

Cavaco e a torre de marfim

António Vitorino já deixou o pedido formal: "O Presidente da República não vai poder ficar fechado numa torre de marfim", quando o País lhe cai aos pés de uma crise de ingovernabilidade. Atente-se: só passaram dois meses das eleições legislativas e já se clama pela intervenção de Cavaco Silva para tentar um regresso à normalidade.

A bem da verdade, o Presidente está, nesta crise iminente, como o resto do País. Preso ao resultado eleitoral de há tão pouco tempo, limitado pelas funções que jurou cumprir e que o obrigam a respeitar o poder de uma Assembleia mais dividida e acalorada que nunca. Mas se isto é verdade, em bom rigor não é - e não pode ser - toda a verdade.

É que ao Presidente da República cabe garantir, pela mesma Constituição da República, o regular funcionamento das instituições. Dir-se-ia que lhe será impossível pedir outro Governo quando este acaba de ser eleito. Mas nem só de dissoluções vive o poder de Belém. A um chefe do Estado cabe, como muito bem tem vindo a dizer o próprio Presidente, o maior dos poderes: o da palavra. E a última coisa que o País espera de um Presidente eleito directamente é que deixe de o usar, precisamente no momento em que ele mais é preciso.

Mas, mais do que isso, o Presidente tem nas mãos outro instrumento precioso: o de mediação de conflitos. Cavaco Silva já o fez, em pleno Governo maioritário de José Sócrates. Fê-lo no caso do aeroporto da Ota e no Pacto da Justiça. Talvez seja tempo de o voltar a praticar, a bem do futuro colectivo. Uma coisa é certa: Portugal precisa de alguém ao leme para não correr o risco de um dia perder o rumo. [Diário de Notícias]



Publicado por JL às 08:44 de 10.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O dr. Cavaco não gosta do cravo

O dr. Cavaco revela um manifesto conflito com o 25 de Abril. Embora não tivesse a mais escassa participação na batalha contra o fascismo: uma discreta assinatura num protesto, uma petição colectiva contra a censura, uma indignação contra a perseguição a estudantes - o dr. Cavaco beneficiou da queda do regime, embora lhe não esteja muito grato. A efeméride é canónica: não pertence à Esquerda nem à Direita, assim como a República não é uma propriedade unilateral. O 25 de Abril permitiu que gente de todos os quadrantes pudessem demonstrar as opiniões, exactamente o contrário do que a ditadura fez, durante quase meio século.

Relembrar estas evidências é como compor uma redacção de terceira classe. Parece uma futilidade, mas não o é, quando o máximo representante da República escusa-se, omite, faz de conta - quando se trata de comemorar a nobre data.

Quando primeiro-ministro opôs-se a que a viúva de Salgueiro Maia recebesse pensão de viuvez. Isto, no mesmo ano em que caucionou pensões a antigos torcionários da PIDE-DGS. Nunca o dr. Cavaco colocou na lapela o singelo cravo de Abril, quando das cerimónias oficiais da data. Obrigado, pelas circunstâncias, a soletrar umas frases, estas saem-lhe, sempre, vazias de sentido, inócuas, sem emoção e sem grandeza.

Alguém tem de recordar a este homem que ele é Presidente da República, e não dirigente de um agrupamento restrito. E alguém terá, também de lhe ensinar que o acontecimento pertence ao historial mais nobilitante dos fastos portugueses. O que ele tem cometido, sobre ser muitíssimo feio, são actos que a ética e o civismo reprovam com veemência.

Agora, sustentado por uma absurda evasiva protocolar, não compareceu na grande homenagem à memória de Melo Antunes. A justificação brada aos céus. Estavam presentes três antigos Presidentes da República, demonstrando que a questão central, o tributo a Melo Antunes, evocava o sentido dos valores e a magnitude de uma Revolução que determinava a defesa desses valores. O dr. Cavaco virou as costas. E a Associação 25 de Abril, cansada de ambiguidades e de escusas disparatadas a quatro convites destinados a memórias semelhantes, a Associação decidiu nunca mais solicitar a presença do dr. Cavaco. Há, portanto, um corte de relações entre uma instituição que simboliza a Revolução de 1974 e os seus heróis, e um indivíduo que, casual e episodicamente, é Presidente da República.

Tudo isto conduz a um extremo mal-estar e ao acentuar das divisões na sociedade portuguesa, cisão cada vez mais protagonizada pelo dr. Cavaco, já de si pouco propenso ao estreitamento de laços e à renovação de novas relações de proximidade. A figura de autoridade, por ele pretendidamente representada, fixa-se, afinal, num autoritarismo gelado que permite e incita a todas as indignações. E, cada vez mais, cava o abismo que o separa da reeleição. Ele não serve, está mais do que provado.

[Jornal de Negócios, Baptista Bastos]



Publicado por JL às 00:01 de 09.12.09 | link do post | comentar |

O regresso do assessor

Cavaco Silva não deixou cair Fernando Lima. Deu-lhe apenas cerca de dois meses de descanso por causa das eleições e do escândalo. Passado o burburinho, falhada a estratégia da "asfixia democrática", o assessor volta ao activo como se nada se tivesse passado. Como se não tivesse sido o protagonista de uma maquinação político-jornalística inédita em Portugal, na importância e no descaro.

Num outro País, democraticamente maduro, isto seria impossível.

Por cá, acima da opinião pública, se é que ela existe, e às vezes sinceramente duvido, está a vontade do Presidente da República.

A responsabilidade política, tão reclamada para outros servidores do Estado, e noutros sectores, não é coisa de Belém. Aí todos os cidadãos são livres de ter e explicitar a sua opinião - até de imaginar teorias conspirativas e passá-las para os jornais. Tudo isso é legítimo e pode ser pago com o dinheiro dos contribuintes.

Nunca tive dúvidas, no tal processo das escutas, de que Fernando Lima não dera um único passo à revelia de Cavaco. No campo da lealdade e devoção ao PR, o assessor não cometeu um erro em 20 anos de serviço.

Desta vez, a única coisa que se revelou errada foi a escolha do mensageiro. Tivesse isso resultado bem e não teria havido qualquer problema. A insídia teria feito caminho e evitaria aquela medíocre comunicação de Cavaco Silva que fica para os anais da pequena história política nacional.

Como as coisas correram da forma que é conhecida, este regresso de Lima, após dois meses "adormecido", significa confiança e apoio, mas também igualmente que Cavaco Silva continua a esticar a corda com José Sócrates. Não há um português que não saiba que os dois homens se detestam. Mas se alguém andasse desatento bastaria esta segunda nomeação do assessor que pretendeu levar ao País a convicção de que o gabinete do primeiro-ministro andava a espiar a Presidência da República...

Neste momento sabemos o que Cavaco, que não pode falar de escutas, pensa de Sócrates. Só nos falta saber o que Sócrates, que não pode falar de corrupção, pensa de Cavaco.

[Diário de Notícias, João Marcelino]



Publicado por JL às 00:03 de 30.11.09 | link do post | comentar |

O gato da Alice

 

Cavaco promove assessor das escutas a assessor da Casa Civil.

Envolvido no caso das escutas a Belém, como a suposta fonte que terá feito chegar a notícia à Comunicação Social, o assessor da Presidência da República (PR), Fernando Lima, foi promovido por Cavaco Silva, passando a assessorar o chefe da Casa Civil do Presidente.

Este Sr. Silva só me faz lembrar o gato da Alice no País das Maravilhas, que, quando queria, ficava invisível. Tanto aparece como desaparece e quando aparece mais valia nunca mais aparecesse. [wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 00:01 de 28.11.09 | link do post | comentar |

A banalização da Presidência da República

Os resultados das sondagens ontem divulgadas que colocam a imagem de Cavaco a níveis típicos de dirigentes partidários significa que com o actual Presidente ocorreu um fenómeno novo, pela primeira vez a imagem do Presidente da República corresponde à do seu titular e não a que resulta da dignidade alcançada pela instituição Presidente da República. A partir de agora o Cavaco Silva é o Cavaco que todos conhecemos e não o Cavaco Presidente da República que desempenha o cargo com o rigor e independência a que os portugueses se habituaram.

Um Presidente que se deixa enredar em artimanhas de assessores anónimos, que durante meses se deixou substituir por assessores de qualidade e formação duvidosa não merece a confiança que os portugueses se habituaram a depositar na figura do Presidente da República. Cavaco esqueceu-se de que quem os portugueses gostavam era do Cavaco Presidente da República, poderia ser o Silva ou outro qualquer que tivessem elegido, não era o Cavaco despido da dignidade do cargo e a fazer política aconselhado por gente como o seu ex-assessor para a imprensa.

Ao contrário do que sucede com um primeiro-ministro, cuja credibilidade depende dele próprio, o Presidente da República beneficia da dignidade da instituição que os portugueses respeitam como o último reduto da democracia. A partir do momento em que os portugueses tiveram a percepção de que Cavaco poderá ter esquecido o seu papel para assumir um outro no domínio da luta política, perdeu a protecção de que beneficiava e passou a valer por si próprio.

Resta saber se Cavaco tem condições para retomar o cargo nos termos que os portugueses que nele votaram estavam à espera ou se esta banalização é tão irreversível quanto a imagem idiota com que ficou quando decidiu não dar tolerância de ponto na Terça-feira de Carnaval.

Quando era primeiro-ministro Cavaco sempre desejou ser Presidente da República, agora que chegou a ser Presidente ficou evidente que tem saudades do poder do primeiro-ministro e, pior do que isso, parece não ter resistido à tentação de acumular os dois cargos ainda que assumindo o de primeiro-ministro recorrendo a uma terceira pessoa, ainda por cima uma política de credibilidade e competência duvidosa.

Agora Cavaco Silva não só não é primeiro-ministro como tem de aturar aquele que tanto desejou ver pelas costas, e como se isto não bastasse é um Presidente que muitos portugueses deixaram de o ver enquanto tal, mesmo depois de vários discursos e encenações, como as comemorações paralelas montadas no Palácio de Belém.

Quem torto nasce tarde ou nunca se endireita e o Cavaco Silva que vemos hoje é bem mais genuíno do que aquele que andava a passear no roteiro da exclusão, é o Cavaco ambicioso por poder e calculista de sempre. Só que agora não tem os fundos comunitários à sua disposição nem pode inaugurar obras ou aumentar pensões antes das eleições, o mais que pode fazer é discursos lamechas em que muitos já não acreditam. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:01 de 08.11.09 | link do post | comentar |

Cavaco e a cooperação

Em 2005, e pela primeira vez na história do semipresidencialismo em Portugal, um Presidente da República demitiu um primeiro-ministro de um governo que tinha maioria absoluta, dissolveu a Assembleia e convocou eleições.

Os resultados foram os conhecidos: o partido desse presidente, o PS, ganhou com maioria absoluta e Jorge Sampaio, sim era ele o Presidente, conseguiu afastar Santana Lopes de S. Bento. É certo que poderá sempre dizer-se que foram as trapalhadas do governo de Lopes e Portas que levaram Sampaio a tal acto extremo, mas a verdade é que o fez, e só o fez quando o PS escolheu como líder alguém – Sócrates – que Sampaio considerava ter condições para ganhar.

Em 1987, o que aconteceu foi diferente. Nesse já longínquo ano, um presidente que tinha sido eleito pela esquerda – Mário Soares – dissolveu o Parlamento e convocou eleições, que foram ganhas pelo PSD de Cavaco Silva, com maioria absoluta. Constâncio, o líder do PS na época, não convencia ninguém e Soares não o ajudou, tendo optado por beneficiar Cavaco.

Com estes dois exemplos na memória, devemos reflectir sobre o que se pode vir a passar até às presidenciais de 2011. Sabendo que Sócrates e Cavaco não têm as melhores relações, como agirá Cavaco? Como Soares em 87? Ou como Sampaio em 2005?

À partida, acredito que Cavaco gostaria mais de ser Sampaio 2005 do que de ser Soares 1987. Ou seja, acredito que esperará que o PSD escolha um líder em condições e, a partir desse momento, aproveitará um qualquer pretexto para puxar o tapete a José Sócrates, como Sampaio fez a Santana. Contudo, se o líder escolhido pelo PSD não agradar a Cavaco, ele poderá ter de mudar de rumo, e mesmo a contragosto, escolher ser mais Soares 1987, deixando Sócrates governar sem pressão presidencial.

A estratégia de Cavaco está, pois, muito dependente do PSD. Tal como Sampaio esteve dependente do PS até este trocar Ferro por Sócrates, Cavaco espera ardentemente que o PSD escolha bem o seu próximo líder. O espaço de manobra do Presidente aumenta se o PSD tiver à sua frente alguém credível e com hipóteses de convencer o País. Nesse caso, duvida-se que o actual governo dure muito. Se, pelo contrário, a escolha do PSD não entusiasmar ninguém, Cavaco tenderá a ser mais prudente, e José Sócrates pode mesmo conseguir ficar primeiro-ministro mais quatro anos. A cooperação entre Belém e S. Bento depende mais do PSD do que de José Sócrates ou de Cavaco Silva.

[Correio da Manhã, Domingos Amaral]



Publicado por JL às 22:04 de 28.10.09 | link do post | comentar |

Cavaco, prisioneiro de Sócrates

A política tem destas coisas, o mesmo Cavaco Silva que parece ter dado rédea solta aos seus assessores para conspirarem contra Sócrates, com o objectivo claro de levar Manuela Ferreira Leite a São Bento, vê-se agora orçado a andar com Sócrates ao colo se quer ter esperança de vir a ser reeleito Presidente da República. Quando Sócrates tinha a maioria absoluta mas ficou vulnerável face à crise financeira Cavaco optou por lhe tirar o tapete, agora que Sócrates não conta com uma maioria absoluta Cavaco vê-se obrigado a protegê-lo.

O que irá pela cabeça de um Fernando Lima que há poucos meses promoveu falsas acusações com o objectivo de destruir Sócrates e agora vê Cavaco pedir aos partidos que deixem passar o programa de governo e o orçamento?

A diferença no comportamento de Cavaco Silva explica-se pelo calendário eleitoral, antes Cavaco tinha uma estratégia em função as legislativas, agora actua em função das eleições presidenciais. Este é o prior dos cenários para Cavaco Silva, parte com a imagem de um político que não tem perfil nem está à altura das exigências do cargo de Presidente da República, é forçado a apoiar o partido que não queria ver no governo, não vai conseguir gerir o processo de mudança na liderança do PSD e nem este nem o PS lhe vão agradecer o que tem feito.

Cavaco vai usar o protagonismo que a ausência de uma maioria absoluta lhe proporciona para assumir o papel de garante da estabilidade o que não deixa de ser irónico, quando essa estabilidade estava assegurada pela existência de uma maioria absoluta foi ele e os seus assessores que assumiram a função de desestabilizar. Só que este apoio ao PS fá-lo perder a confiança da direita e é pouco provável que lhe traga simpatias à esquerda.

Se quiser os votos da direita Cavaco terá de desagradar ao PS mas isso levaria a uma grave crise política e, muito provavelmente, a uma derrota nas presidenciais. Se quiser os votos à esquerda Cavaco terá de desagradar à direita mas isso pode levar à implosão de um PSD que precisa de se livrar dos cavaquistas para reencontrar a sua identidade, mas que depois de mais de duas décadas a servir de eucaliptal cavaquista perdeu o seu espaço político.

O mesmo Cavaco que sonhou ver-se livre de Sócrates é agora prisioneiro do líder do PS, a sua reeleição vai depender da estabilidade política e da recuperação da economia. Por outras palavras, se Cavaco quer ser reeleito terá de ajudar Sócrates a recuperar a governar bem e a manter-se no governo e, muito provavelmente, a recuperar a maioria absoluta.

Cavaco apostou e perdeu, não só perdeu como ficou com grandes dívidas de jogo de qu Sócrates é o grande credor. O PSD vai aprender uma dura lição, Cavaco Silva é um político que apenas se serviu dele para satisfazer as suas ambições pessoais e fará tudo o que for necessário para sobreviver, incluindo ajudar à destruição do partido que o deu à luz na vida política. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:05 de 22.10.09 | link do post | comentar |

O PSD vai precisar de um líder e de um candidato presidencial

A esta hora já Cavaco Silva deve ter percebido que ou é mais difícil ser presidente do que primeiro-ministro ou não tem perfil para o cargo, ou ainda que sucedem as duas coisas. Qualquer Presidente da República tem boa imagem, basta para tal beneficiar da dignidade do cargo e manter a isenção, é raro a imagem de um Presidente da República descer tão baixo como está a suceder com Cavaco Silva.

Então no que falhou o actual Presidente da República?

Cavaco habitou-se demasiado ao poder do cargo de primeiro-ministro e não resistiu à tentação de exercer o poder para além dos limites das suas competências. Tentou fazê-lo ao promover pactos entre o PS e o PSD de Marques Mendes, fê-lo ao intervir no caso da localização do aeroporto e quando percebeu que José Sócrates não era um pau mandado recorreu a uma dúzia de vetos políticos para impor a sua vontade.

Acabou por não resistir à tentação de ver Sócrates ser substituído pró Manuela Ferreira Leite, convencido de que as campanhas contra o primeiro-ministro e as dificuldades resultantes da crise financeira criaram as condições para uma vitória eleitoral do PSD apostou tudo nas legislativas. Mas perdeu, não só não perdeu como quase pôs em causa a sua continuidade no cargo, acabou por ter de se remeter a uma atitude defensiva na tentativa de voltar a poder sonhar com uma reeleição.

Habituado a governar a pensar em votos Cavaco não percebeu que a melhor forma de se manter tranquilamente no cargo era prestigiando a instituição Presidência da República. Não percebeu que enquanto Presidente não tinha os fundos comunitários para gerir a sua imagem, não poderia agendar as inaugurações para as vésperas das eleições, nem podia aumentar as pensões para assegurar vitórias eleitorais.

Cavaco não percebeu a diferença entre ser primeiro-ministro das vacas gordas e ser Presidente da República durante a maior crise financeira internacional, aliás, Cavaco nunca percebeu o papel da Presidência da República que no passado designava por foça de bloqueio, ele que agora serviu vetos à dúzia.

Não só não percebeu a dimensão do cargo como foi incompetente no seu desempenho e revelou não ter dimensão política e intelectual para o seu exercício. O resultado é perigoso, Portugal tem um Presidente fraco, de competência duvidosa, em cuja isenção poucos confiam, que tem de colaborar com um primeiro-ministro contra o qual os seus assessores foram acusados de conspirar, havendo muita gente que pensa que o fizeram a mando do Presidente.

Cavaco não cumpriu nenhuma das suas promessas eleitorais, nãose portou com isenção não ajudou nem o governo nem o país, limitou-se a pensar nele e o seu futuro e fê-lo de forma desastrada. Conseguirá Cavaco recuperar desta actuação desastrosa? Duvido, da mesma forma que duvido que muitos portugueses considerem que Cavaco Silva está à altura das exigências do cargo.

Isso significa que o PSD não enfrenta apenas a necessidade de encontrar uma liderança credível a curto ou médio prazo. É muito provável que se venha a confrontar com a necessidade de arranjar à pressa um candidato a Presidente, até porque Cavaco vai manter o tabu da sua recandidatura até se sentir seguro de que não será humilhado nas eleições presidenciais, ficando para a história como o primeiro Presidente da República a não conseguir ser reeleito. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:03 de 21.10.09 | link do post | comentar |

Sondagem: Cavaco Silva recebe chumbo histórico dos portugueses

Pela primeira vez em muitos anos, a actuação de um Presidente da República é avaliada negativamente pelos portugueses. Talvez tivéssemos que recuar ao período pós-revolucionário para eventualmente encontrarmos uma avaliação igual.

Com crise ou sem crise, política, social ou económica, os chefes de Estado estiveram sempre acima dos humores dos portugueses. Aníbal Cavaco Silva acaba de abrir um precedente: é possível um presidente sair mal na fotografia.

Conseguiu-o com o desenlace do caso das escutas, no mês seguinte àquele em que decidiu vir a público falar sobre o caso, à hora dos telejornais. Cavaco falou sobre o caso em 29 de Setembro. Em Outubro, em resposta à sondagem da Aximage para o Jornal de Negócios e o Correio da Manhã, 42,4% dos portugueses entende que o Presidente tem actual mal, quando questionados sobre como Cavaco Silva tem actuado nos últimos 30 dias.

Apenas 35,5% do universo de respostas considera que o Presidente esteve bem, contra ainda 15,9% que diz assim-assim. Esta avaliação é ainda mais relevante quando se pediu aos portugueses que dessem uma nota de 0 a 20 de avaliação da actuação de Cavaco Silva em Outubro. O presidente recebeu um chumbo: 9,6! Nunca Cavaco Silva tinha descido do bom (14,5 foi a sua nota mais baixa, em Outubro de há um ano).

Entre os restantes líderes, Paulo Portas é o que recebe a melhor avaliação dos portugueses, com um 12,3. José Sócrates recebeu 12,1 e Jerónimo de Sousa e Francisco Louça aparecem separados por uma décima (11,5 e 11,4, respectivamente). No mesmo mês, apenas Manuela Ferreira Leite surge com avaliação negativa. Os portugueses dão-lhe um 6!



Publicado por JL às 00:03 de 20.10.09 | link do post | comentar |

Está aberta a pré-campanha para as presidenciais

Ao contrário do que disse Ferreira Leite o ciclo eleitoral em que o PSD está envolvido não ficou concluído com as eleições autárquicas, será concluído com as eleições presidenciais. Aliás, as eleições legislativas foram marcadas pelo empenho de Cavaco Silva num projecto de poder que vinha desenhando há muitos meses e que visavam criar condições para uma recandidatura. A partir do momento em que Sócrates não se revelou o primeiro-ministro servil que o Presidente esperava e desejava passou a ser evidente que o futuro de Cavaco Silva passava por pôr fim à carreira política do líder do PS.

Cavaco Silva vai ter mais dificuldades em conseguir um segundo mandato do que as que teve para ser eleito para o primeiro mandato. Quando se candidatou Cavaco Silva apareceu desalinhado de um PSD dirigido por gente de que não gosta ou diz não gostar. Ao insinuar que Santana Lopes seria a má moeda sem, contudo, ter tido a coragem (este não é um atributo de Cavaco que ao longo da vida nunca exibiu grandes rasgos de coragem) de afirmar que se estava a referir ao menino guerreiro.

Desta vez Cavaco parte “queimado” à esquerda, sem credibilidade em boa parte da direita e exibindo o pior mandato presidencial de que há memória no Portugal democrático. Além disso, não se poderá encostar a José Sócrates como fez no princípio da legislatura, dificilmente o primeiro-ministro o ajudará a recuperar a imagem junto do eleitorado, devolvendo-lhe a estratégia manhosa de tentar levar Ferreira Leite a primeira-ministra.

Mas Cavaco Silva não pode, não está em condições de decidir, não tem condições para apostar numa vitória e, muito provavelmente, não tem saúde para um segundo mandato. Como nem tão cedo vai decidir se é de novo candidato a Presidente da República a partir de hoje o país vai assistir ao segundo tabu de Cavaco Silva. Aliás, será o próprio Cavaco a promover o tabu pois é a forma de estar no centro das atenções e, dessa forma, usar a comunicação social para recupera a imagem.

A indecisão de Cavaco terá consequências no PSD como já se pode constatar, Marcelo ainda não sabe se vai ser candidato à liderança do PSD ou candidato a Presidente da República. O próprio Cavaco não saberá se prefere a liderança de Manuela Ferreira Leite ou, se para se demarcar do PSD, não preferirá que volte uma qualquer má moeda à liderança do PSD.

Feitas as contas das autárquicas, lambidas as feridas por todos os partidos concorrentes, principalmente pelo Bloco de Esquerda, está aberta a pré-campanha para as presidenciais. Cavaco Silva que confunde o país com o seu umbigo vai gerir a Presidência da República com vista a um segundo mandato e enquanto não se decidir ou não se sentir seguro de que vai ganhar tudo fará para que o país gire em seu torno. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:03 de 15.10.09 | link do post | comentar |

O conselheiro do Sr. Presidente

 

Marcelo Rebelo de Sousa pediu para “Deixem ficar a Dra. Manuela que está muito bem”, mas ao mesmo tempo veio lançar o tabu se será ou não candidato à liderança.

Claro que sabemos que não vai ser, o que ele quer é a cadeira do Sr. Silva.

Este seu “Conselheiro de Estado” não perde a oportunidade para ir semeando veneno pelo caminho e de vez em quando passar-lhe uma rasteira.

Ainda recentemente, no caso do e-mail e das escutas, garantiu ser este um assunto sem importância e que se resolvia com um puxão de orelhas ao culpado.

O Sr. Silva acreditou e no dia seguinte sacrificou o Fernando Lima, ficando ainda mais queimado ao confirmar a sua responsabilidade na tramóia e que terminou com a patética comunicação ao país.

Com amigos destes o Sr. Silva não vai longe.

[Wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 00:02 de 08.10.09 | link do post | comentar |

Estranha forma de democracia

Manuela Ferreira Leite, a líder do PSD em regime de gestão, foi a Alcobaça dizer o que pensa de com se deve governar quando não se conta com uma maioria absoluta, só resta saber se esta posição é meramente pessoal ou, como Ferreira Leite nos habituou, antecipa a opinião de Cavaco Silva. Ferreira Leite defendeu que Sócrates não deve governar com o seu programa porque não tem a maioria absoluta deve governar com um programa que respeite o parlamento.

Este tipo de raciocínio não é novo, no início da legislatura Cavaco Silva foi um defensor dos pactos, só os esqueceu quando Menezes liderou o PSD e nunca mais pensou nisso quando Menezes cedeu o lugar a Manuela Ferreira Leite. Aliás, por várias ocasiões Cavaco Silva assou por cima da Constituição e vetou diplomas com o argumento de que deveriam ter sido aprovados com uma maioria alargada, o mesmo é dizer que mesmo tendo o PS a maioria absoluta Cavaco Silva achava que para alguns temas (nunca disse quais) essa maioria absoluta era insuficiente.

Seguindo o raciocino de Ferreira Leite o governo do PS deve ser um governo com um programa fornecido à consignação pelos partidos da oposição. Resta saber se esse programa deve ter contributos e todos os partidos ou se basta o contributo de deputados em número suficiente para contar com a maioria absoluta. O problema depois está em saber se os ministros do PS serão os melhores para executar propostas alheiras e Ferreira Leite vem defender que Sócrates deve convidar os outros partidos a indicarem ministros.

Manuela Ferreira Leite tem um problema com programas, quando o PS governava com maioria absoluta queixava-se de que este partido lhe roubava as propostas, até chegou a passar meses em silêncio para evitar que Sócrates roubasse as suas brilhantes ideias, resultado da mistura dos telefonemas para Belém com os artigos do filósofo da Marmeleira. Quando se candidatou ao lugar de primeiro-ministro apresentou-se sem programa com o argumento de que no seu mini programa apenas dizia o que ia mexer ou rasgar, agora que o PS governa sem maioria absoluta acha que deve aplicar os programas dos outros partidos, incluindo o seu.

Será que se Sócrates for buscar as propostas do programa do PSD a sua líder vai mandar os seus deputados votarem sempre a favor do Governo? Será que o próximo líder do PSD vai partilhar com Sócrates o ónus eleitoral da governação?

A opinião de Manuela Ferreira Leite é uma idiotice, mas pode ser uma idiotice inspirada em Belém o que nos tempos que correm não seria novidade. Cavaco Silva tem dado mostras de não saber ser Presidente da República, tem evidenciado muito pouco respeito pela maioria parlamentar, mesmo quando o Parlamento vota por unanimidade. Não ficaria nada admirado se Cavaco viesse a defender esta ideia peregrina de Ferreira Leite, usando o resultado das últimas presidenciais para se transformar num primeiro-ministro sombra, contando para isso com o apoio da direita ou parte da direita parlamentar, senão mesmo do PCP que nos últimos tempos anda muito apaixonado por Cavaco Silva. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:01 de 08.10.09 | link do post | comentar |

Noventa e nove anos depois…

 

…a celebração da implantação da República realizou-se parte em Belém, parte na Praça do Município.

O Presidente da República não quis misturar-se com o Presidenta da Câmara Municipal em nome de uma imparcialidade de paróquia.

Os portugueses foram tratados como uns imbecis que ainda não sabem distinguir uma cerimónia institucional de uma acção de campanha eleitoral.

Os últimos tempos não têm corrido de feição para os lados da Praça do Império, quiçá porque os fantasmas dos velhos do Restelo resolveram atormentar o sono do presidencial inquilino.

Ao contrário do que se possa argumentar aquilo não tem nada a ver com o staff, aquilo é falta de cultura cívica.

[Eleições 2009, Cipriano Justo]



Publicado por JL às 00:04 de 07.10.09 | link do post | comentar |

E Fernando Lima?

No seu discurso de hoje, o Presidente da República apelou à ética republicana e à transparência na vida pública.

Estamos a falar do mesmo Cavaco Silva que mantém na Presidência da República Fernando Lima, em circunstâncias que não são claras, depois do que se passou nas últimas semanas.

Que Cavaco Silva não perceba o quanto esta situação mina a sua credibilidade é algo que me faz confusão. Muita confusão.

[Delito de Opinião, Paulo Gorjão]



Publicado por JL às 00:01 de 07.10.09 | link do post | comentar |

A vitória de Aníbal

O presidente Aníbal Cavaco Silva devia ter falado hoje ao país. Decidiu ignorar o interesse nacional a favor de uma soturna agenda pessoal que já ninguém entende. Não colhe a justificação de que por haver eleições autárquicas, o presidente não fala. Nada tem a ver uma coisa com outra.

Estas mesmas eleições não o impediram de falar ao país há uma semana com a sua intrigante, politiqueira e sectária comunicação das escutas. Estamos, portanto, face a mais um misterioso desígnio voluntarista que lhe ditou agora que ficasse calado no Dia da República que ele jurou representar. O país, no lamentável estado de confusão em que se encontra, necessitava de um discurso do estado da República que procurasse restabelecer a confiança e transmitisse a mensagem de que as instituições seriam capazes de enfrentar a crise que se radicou. Serão? Ao certo não sabemos. Há quem duvide. E assim, o representante da República Portuguesa, o garante da independência nacional, do regular funcionamento das instituições democráticas e comandante Supremo das Forças Armadas optou por mais uma incompreensível caturrice, reafirmando neste aniversário da implantação da República que o quero-posso-e-mando continua a ser a sua maneira de estar no Estado, com os absurdos ímpetos pessoais que ignoram os interesses do país.

No aniversário da implantação da República em Portugal, ainda sem um governo definido e sem uma linha política ou ideológica fiável, o comandante em chefe decide-se, por razões que nenhuma razão explica, por mais um nebuloso mutismo. É um registo que tem que ser lavrado quando a Republica Portuguesa assinala os seus 99 anos e que deve constar do cadastro deste seu presidente, para memória futura.

Há um pormenor estranho no comportamento presidencial de Aníbal Cavaco Silva que talvez possa ajudar a interpretar atitudes actuais. Desde o início do mandato que o presidente utilizava nas suas comunicações fórmulas desconcertantes da terceira pessoa. Quando interpelado publicamente, Cavaco Silva respondia sempre que "o presidente da República" faria isto ou faria aquilo. Nunca utilizava na sua retórica pronomes pessoais claros e directos que responsabilizassem o cidadão Aníbal Cavaco Silva.

Tudo se passava num binómio esquizofrénico em que havia dois indivíduos com identidades distintas. Aníbal e uma pesada entidade presidencial cujo fato, de imaculado corte, nunca lhe assentou bem. Este dramático despique parece ter tido um desfecho com a morte do presidente da República e a vitória de Aníbal na histórica comunicação das escutas. Pela primeira vez no discurso presidencial as terceiras pessoas desapareceram.

Lêem-se nesse texto coisas como "a minha interpretação dos factos" a "leitura pessoal", a "interrogação que fiz a mim próprio", ou mesmo a "minha confissão". Portanto, faleceu o elo mais fraco da persona presidencial.

Aníbal possuiu a chefia do Estado e tomou conta do discurso no Palácio de Belém com a sua linguagem chã e os seus ultrajes humanos, sem recursos desculpabilizantes a terceiras pessoas. Aníbal zurziu em quem não gosta numa impudica zaragata birrenta e sem quartel. Claro que Aníbal está no seu direito de fazer tudo isso e coisas piores ainda de que certamente é capaz.

O presidente da República, não!

[Jornal de Notícias, Mário Crespo]



Publicado por JL às 00:04 de 06.10.09 | link do post | comentar |

Bom dia, República

Viva a República e a unidade nacional!

Com o pretexto de estarmos em campanha eleitoral para as autarquias quebraram-se as tradições que são antigas de quase 100 anos. A Bandeira de Portugal, símbolo adoptado após a implementação da república, não foi içada na Câmara Municipal de Lisboa pelo Presidente da República como se as eleições tivessem sido marcadas antes da república ser república e como se a democracia celebrada em votos não fosse coisa da própria república.

Dir-me-ão que já antes outros tinham feito coisa semelhante, mas também lhes digo que o entendi errado porque a demonstração de independência partidária que se pretendeu transmitir mais não foi do que desviar as atenções da unidade dos portugueses à volta das suas referências de regime.

O modelo seguido hoje distanciou, uma vez mais, os diversos poderes que se reúnem neste dia na varanda dos Paços de Concelho de Lisboa e não foi um discurso de circunstância ditado do vulnerável bunker de Belém que ajudou a superar a ideia de que o Presidente da República se isola dos outros poderes.

A República e os conceitos de igualdade e fraternidade que lhe são inerentes revêem-se na nossa Constituição onde os deveres de unidade do Estado são carga especial do mais alto magistrado da Nação.

Foi lamentável que se perdesse a oportunidade de demonstrar essa unidade num dia em que todas as instituições da república e o seus símbolos, Bandeira, Hino, Presidente, Legislativo, Executivo, Autárquico, Justiça, têm por praxe reunirem-se no mesmo espaço para falarem à República Portuguesa e ao nobre povo desta Nação valente e imortal.

[A barbearia do senhor Luís, LNT]



Publicado por JL às 19:05 de 05.10.09 | link do post | comentar |

O Presidente no seu labirinto

Por motivos que permanecem insondáveis, o Presidente da República foi-se deixando enredar num labirinto. A declaração desta semana, em lugar de contribuir para ajudar Cavaco Silva a encontrar uma saída não foi clarificadora, lançou novas dúvidas e revelou um Presidente hiper-susceptível à disputa política.

Continuamos sem perceber se as notícias sobre a alegada vigilância de Belém têm ou não fundamento, se foram uma invenção da fonte da casa civil ou, afinal, não passaram de uma inventona do Público. Ficámos, contudo, a saber que, numa terça-feira do ano de 2009, um Presidente de uma República do mundo ocidental descobriu que o seu computador é vulnerável e pode ser violado. Mais, sentiu necessidade de transmitir aos seus concidadãos essa insólita descoberta.

Mas, acima de tudo, quando precisávamos, mais do que nunca, de ter na Presidência um referencial de estabilidade, Cavaco revelou-se despeitado porque, em plena pré-campanha eleitoral, um par de deputados socialistas cometeu o pecado de "encostá-lo" ao PSD.

Se bem percebi, em última análise, Cavaco respondeu com uma tempestade institucional a uma declaração política que tem tanto de legítima como de desastrada: havia membros da casa civil a participar no programa eleitoral do PSD. Não deixa de ser reveladora a perturbação presidencial com o tema, mas temo que, chegado aqui, Cavaco já não encontre a ponta do novelo que o leve de volta à saída.

[Arquivo, Pedro Adão e Silva]



Publicado por JL às 08:40 de 05.10.09 | link do post | comentar |

Os limites da decência

Enganei-me sobre Cavaco. Nunca lhe reconheci grandeza (lembro por exemplo, na campanha que o elegeu, em 2006, a forma desastrada, canhestra, como reagiu à acusação de Santana Lopes de que não resistiria, como presidente, a ingerir-se na área do Governo: primeiro disse que não sabia do que os jornalistas falavam, sendo óbvio que só podia saber; depois abriu a boca de forma desmesurada, como quem encena surpresa, conseguindo apenas fazer uma figura ridícula e menorizando-se face a um homem que fora seu secretário de Estado e a quem intitulara de "má moeda"), mas nunca esperei o espectáculo deplorável do seu discurso de 29 de Setembro.

Antecipava que tivesse ao menos a inteligência e o instinto político de não se enredar mais na impossível teia daquilo a que apropriadamente caracterizou como "toda aquela manipulação" - a teia iniciada com as célebres notícias do Público de 18 e 19 de Agosto e laboriosamente continuada com o seu silêncio e declarações dúbias, sibilinas, para culminar na revelação do papel do seu assessor para a comunicação, Fernando Lima, na respectiva demissão (negada dias mais tarde, sempre por fonte anónima) e em mais "notícias" atribuídas a fontes anónimas da presidência reiterando a tese das escutas, na véspera do "dia de reflexão".

Manipulação, sim: muita. E toda a apontar para o mesmo sítio: a presidência. Perante essa evidência e após um resultado eleitoral avesso ao aparente objectivo de tanta manipulação, Cavaco não podia sair bem desta história, mas podia sair melhor do que está. Como? Demarcando-se. Tranquilizando. Fazendo um comunicado sobre a situação efectiva de Fernando Lima. Mas duas semanas passadas sobre a revelação do mail que sem apelo nem agravo mostra como o seu assessor tentou plantar num jornal, "a partir da Madeira", uma suspeita de "vigilâncias", não sabemos, nós, o povo que o Presidente representa e em nome do qual admite e demite, se Lima foi realmente demitido ou se ainda está a trabalhar para nós e a fazer o quê. Note-se: nem sequer sabemos o que Cavaco acha do comportamento de Lima descrito no mail. Mas tendo ouvido e lido o discurso só podemos deduzir que a hipótese de ter ocorrido ("tenho sérias dúvidas", disse) não lhe merece sequer condenação pública. E isso é intolerável.

Mais grave ainda é que, ao nem sequer esclarecer o que tem a dizer sobre as suspeitas de vigilâncias governamentais à Presidência, Cavaco transformou a sua alocução em mais uma peça da manipulação. Quando alguém pode acabar com dúvidas - no caso, tem a obrigação estrita de acabar com elas - e não o faz, sustenta-as. Ao nada esclarecer, o Presidente optou por deixar o País a marinar num caldo podre de fontes anónimas e insinuações. A verdadeira dúvida, porém, é se o País está onde e como ele o julga ou se no caldo ficaram só os que o fizeram. Por outras palavras, se foi só o incompreensivelmente reverente e antidemocrático tabu que impedia críticas ao ocupante de Belém que acabou ou se foi tudo com ele.

[Diário de Notícias, Fernanda Câncio]



Publicado por JL às 10:43 de 04.10.09 | link do post | comentar |

Caldo entornado

O Presidente da República decidiu abrir uma guerra com o PS dois dias depois deste partido ter ganho as eleições. Não foi nada bonito e sobretudo não foi uma boa ideia. Mostra, aliás, como Cavaco Silva tem dificuldade em lidar com contrariedades e, face a elas, perde a noção do seu papel e do interesse geral. A comunicação formal que fez ao país foi um exercício algo patético, repleto de pequenos detalhes incongruentes e argumentos sem sentido. Falou-se da casa do Algarve e de emails, matéria sobre a qual Cavaco Silva mostrou um elevado desconhecimento prático. Não foi uma intervenção digna de um Presidente da República.

Para além disso, um Presidente não tem interpretações pessoais. Estas, a existirem e a serem declaradas perante uma televisão, tornam-se factos políticos. A referida comunicação resumiu-se por isso à revelação de uma clara hostilidade face ao PS e naturalmente ao actual e futuro primeiro-ministro. O que, trocado por miúdos, significa que a cooperação estratégica terminou aqui.

Sendo certo que muita gente ficou profundamente irritada com a vitória de José Sócrates e não de Manuela Ferreira Leite, seria de esperar que o Presidente fosse o primeiro a aceitar o resultado das eleições. Depois de uma campanha feita de casos, na sua maioria provocados pelo PSD e seus acólitos e ampliados pelo Bloco, cabia a Cavaco Silva acalmar os ânimos e dar início a um novo ciclo político já de si bastante complicado. Ao participar activamente na continuidade da agitação o Presidente prejudica objectivamente a capacidade do país em se refazer da crise e avançar com o seu processo de modernização. Não lhe fica bem.

Tanto mais que nada de substancial se passou. Exceptuando o excessivo e doentio ódio a Sócrates por parte de vários sectores muito conservadores, à direita e à esquerda, o jogo de intrigas faz parte de uma sociedade aberta e mediatizada. É preciso saber conviver com o clima de rumores e má-língua. A liberdade tem os seus aspectos negativos, mas tem muitas mais qualidades e não é portanto negociável. Contudo, os actos ficam a marcar quem os desencadeia. Cavaco Silva, com base no diz que disse e em peripécias de banda desenhada, revelou não ser factor de apaziguamento da sociedade portuguesa. Realidade que não poderá deixar de contar em próxima candidatura. Ao queixar-se de que o PS o quis encostar ao PSD o Presidente acaba ele mesmo por reduzir o seu campo de acção política e partidária. Deixando desse modo de ser o Presidente de todos os portugueses para passar a ser o Presidente da direita. Nessa medida, para além de outras considerações, e dado o resultado destas eleições que deu uma clara maioria de esquerda, torna-se difícil entender o que vai na cabeça dos seus estrategas quanto a uma eventual reeleição. Tal como as coisas estão, e prevendo que ainda vão piorar no futuro próximo, ela é cada vez mais improvável.

Mas o futuro de Cavaco Silva é de somenos importância face ao futuro do país. O programa de reformas modernizadoras tem de continuar mesmo se uma parte significativa do eleitorado prefere estagnar ou mesmo recuar. É, aliás, dos livros que a evolução das sociedades se faz quase sempre com a vontade e determinação de alguns face à indiferença ou oposição dos outros. Nestes próximos anos por cá também será assim.

Dito isto julgo que o PS, e sobretudo José Sócrates, não se devem atemorizar com as dificuldades e, pelo contrário, prosseguir com uma linha de rumo que tem beneficiado os portugueses no seu conjunto. As reformas no ensino, a modernização tecnológica e empresarial, as ligações às redes europeias, continuam a ser essenciais para que Portugal possa garantir melhores condições de vida para todos e ganhar civilização e competitividade global. Não podendo a partir de agora esperar a colaboração do Presidente, o PS sabe que pode contar com os sectores mais dinâmicos da sociedade portuguesa. É para aí que se deve virar sem hesitações.

[Jornal de Negócios, Leonel Moura]



Publicado por JL às 09:34 de 03.10.09 | link do post | comentar |

Entre a razão e o coração

A cooperação entre Cavaco e Sócrates começou por ser exemplar. Depois veio uma presidente PSD cavaquista e o coração falou mais alto.

Recorde-se que o mandato do actual Presidente da República começou com solenes promessas de "cooperação estratégica" com o governo do PS e que, durante os primeiros tempos da governação de Sócrates, essa cooperação foi exemplar. Mas aquilo que tornava possível esse estado de coisas era, além do ímpeto reformista do governo, com o qual o Presidente se identificava, o facto de o PSD ter lideranças que desagradavam a Cavaco Silva. Ou seja, era fácil para o Presidente apoiar o governo do PS quando o partido a que o próprio Cavaco Silva se sentia mais ligado enveredava por caminhos que ele reprovava. A facilidade de relacionamento entre Belém e S. Bento variava na razão directa do desgosto do Presidente em relação às lideranças do PSD. Porém, tudo isso mudou com a eleição de Manuela Ferreira Leite para presidente do partido.

Com Ferreira Leite a imprimir um cunho "cavaquista" à liderança do PSD, o Presidente passou a encontrar menor incentivo para a cooperação com o governo do PS. Foi nessa altura que se desenrolou o "drama" do Estatuto dos Açores. Simultaneamente, com o aproximar do fim da legislatura e a necessidade de responder de forma rápida à crise internacional, o próprio governo tornava-se menos cooperante e lançava políticas ad hoc que desagradavam profundamente ao Presidente. A desconfiança de Belém em relação a S. Bento foi em crescendo. Em termos institucionais, o Presidente manteve a cooperação com o governo, mas notava--se maior proximidade em relação ao principal partido da oposição (por exemplo, na necessidade de fazer um "discurso de verdade"). A cooperação estratégica do Presidente mantinha-se pela "razão" de Estado, mas era constantemente torpedeada pelo "coração" político.

O caso das escutas mostra como o Presidente permanece dividido entre a razão e o coração.

Por um lado, quer sinceramente manter a cooperação estratégica que prometeu aos portugueses, assim como a sua isenção enquanto titular do órgão de soberania que é o Presidente da República. Daí ter adiado uma intervenção pública sobre o assunto. Cavaco Silva não falou antes para não ser acusado de favorecimento ao PSD. Por outro lado, o Presidente tem um desejo irreprimível de vincar a sua distância em relação ao PS e ao seu governo. Daí a violência verbal da comunicação de terça-feira, acusando o PS de forjar o episódio lateral da suposta colaboração dos seus assessores na feitura do programa do PSD (acrescentando embora - o que gera "ruído" na mensagem - que isso não seria crime). Nesta comunicação presidencial, o coração acabou por triunfar sobre a razão.

Quanto à única coisa que interessava e não era lateral - as escutas -, os portugueses ficaram a saber que não há provas nem indícios de que alguma vez tenham ocorrido, mas que o Presidente continua a desconfiar delas. Ou seja, a razão do Presidente sabe que não há escutas, mas o seu coração deseja-as.

[ i , João Cardoso Rosas]



Publicado por JL às 23:22 de 01.10.09 | link do post | comentar |

Finalmente o Presidente falou sobre…


Publicado por JL às 19:51 de 30.09.09 | link do post | comentar |

Apelo

 

Rapariga de dez anos pôs avó à venda no eBay

Alguém me pede a um dos netos do Cavaco para fazer o mesmo sff.

[Arcádia, Pedro Soares Lourenço]


MARCADORES:

Publicado por JL às 17:35 de 30.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Caiu no ridículo

 

Em frente ao País, Cavaco Silva quis ralhar com as pessoas que com ele trabalham. Para dizer que só os seus Chefes das Casas Civil e Militar é que podem falar por si (para além do próprio) era melhor ter feito uma reunião de pessoal, em Belém, em vez de estar a alvoraçar a política nacional com questões de funcionamento interno.

O resto foi ainda mais lamentável. Não esclareceu o que devia. Nada assumiu – atirou as culpas para os jornalistas. Dilatou as suspeições acerca de novas vigilâncias: desta vez já não são as escutas mas os emails. E varreu definitivamente os temas locais da campanha das autárquicas.

Julgava que Cavaco Silva iria evitar mais ruído escusado – infelizmente enganei--me. Pela primeira vez, tive vergonha de ter votado neste Presidente.

[Correio da Manhã, Carlos Abreu Amorim]



Publicado por JL às 11:09 de 30.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Soltas

"Esta declaração é a peça mais demagógica que alguma vez vi num político de alto nível em Portugal", disse João Marcelino, director do Diário de Notícias, em declarações no telejornal da RTP1.

 

“…Mas, de tudo aquilo que ouvi, há uma coisa que me não deixa dúvida: Alguém declarar publicamente que tem vulnerabilidades de segurança no seu sistema informático é a maior vulnerabilidade e a maior falha de segurança que pode fazer.” [A barbearia do senhor Luís, LNT,]

 

Cavaco Silva acabou de fazer um exercício suicida. Desceu do lugar da mais alta dignidade institucional da República, para o qual foi eleito, à mesa do café para transmitir as suas opiniões pessoais aos portugueses. Ao que vinha, na qualidade de Presidente, tudo ficou por esclarecer. Nunca tal se tinha visto! Com seus defeitos e virtudes nunca qualquer outro Presidente da República alguma vez desceu tão baixo. A partir de hoje, se ainda restassem dúvidas, Cavaco Silva deixou de ser o Presidente de todos os portugueses para se tornar no líder da oposição ao PS.” [Absorto, Eduardo Graça]

 

“Decididamente, Cavaco Silva saiu do carril. Produziu uma declaração totalmente dispensável. O que o país precisava e merecia saber não foi esclarecido. Lamentável esta declaração.” [Tomar Partido, Jorge Ferreira]

 

O PS, pela voz de Pedro Silva Pereira, considerou que a comunicação ao país do Presidente da República "confirmou" que a suspeição sobre "escutas" do Governo a Belém não passou de "uma invenção" com o objectivo de prejudicar os socialistas e o seu executivo. [Expresso]



Publicado por JL às 23:42 de 29.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

É hoje...



Publicado por JL às 17:01 de 29.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O fim do mito cavaquista

Agora que temos mais uma oportunidade de revisitar as sórdidas práticas cavaquistas para além do mito cuidadosamente construído (da rodagem do carro à fracassada "política de verdade" de Ferreira Leite é sempre a mesma cantiga...), acho que vale a pena republicar o que escrevi no i sobre a economia política e moral do cavaquismo:

A “roubalheira” no Banco Português de Negócios, para usar a controversa expressão de Vital Moreira, tem servido para relembrar a experiência neoliberal portuguesa na sua origem, ou seja, a economia política e moral do cavaquismo. Isto é tanto mais útil quanto muitos dos problemas do país resultam das profundas transformações económicas promovidas pelos governos cavaquistas e das normas sociais que as legitimaram.

O cavaquismo legou um guião de políticas de privatização sem fim e de abertura mal gerida às forças do mercado global a que os governos subsequentes só acrescentaram algumas dissonantes notas de rodapé. As mudanças dependem sempre de uma mistura entre economia e política. Não é defeito, é feitio. A mistura iniciada pelo cavaquismo foi perniciosa porque deu origem a um poder político com um fôlego cada vez menor e a um poder económico cada vez mais rentista.

A obsessão cavaquista pela chamada convergência nominal, no quadro da aceleração liberal da integração europeia, contribuiu para uma duradoura sobreapreciação da nossa moeda. Esta opção enfraqueceu a competitividade do sector de bens transaccionáveis para exportação num período de transição crucial e canalizou muito do esforço empresarial para o sector de bens não-transaccionáveis, como foi o caso da construção. Foi à sombra desta e da especulação que prosperou a banca privada impulsionada pelo cavaquismo e por muitos cavaquistas. Nos sectores controlados pelos grupos económicos que ascenderam em Portugal, o mercado é irremediavelmente uma entidade vaporosa que esconde mal a força das redes sociais.

Estes processos foram oleados por um discurso que desprezava o sector público e incensava os negócios privados, mesmo que os últimos crescessem à custa do esvaziamento do primeiro. O cavaquismo representou a vitória de uma perniciosa cultura que transformou a acumulação de dinheiro na base do reconhecimento social. A redistribuição só servia para tolher o homem novo movido a incentivos pecuniários. Os direitos laborais e a acção colectiva eram um vestígio a remover à força de pacotes laborais e de algumas bastonadas. Não é de admirar que o cavaquismo tenha coincidido com a manutenção de elevadas taxas de pobreza e com um assinalável aumento, que nunca mais foi revertido, das desigualdades de rendimentos.

Mário Crespo escreveu recentemente que o mito do cavaquismo acabou. É pena que seja mais fácil acabar com os mitos do com as estruturas económicas e com os valores iníquos que eles nos legaram. [Ladrões de Bicicletas, João Rodrigues]


MARCADORES:

Publicado por JL às 00:01 de 24.09.09 | link do post | comentar |

Indigesto

 

Houve uma mudança brusca na dieta alimentar da família Silva, o Aníbal proibiu, acho mesmo que emitiu um veto presidencial proibindo a Maria de lhe voltar a servir carapaus a-Lima-dos, os últimos caíram-lhe tão mal que ainda lhe estão a dar a volta ao estômago. [O Jumento]


MARCADORES: ,

Publicado por JL às 18:26 de 23.09.09 | link do post | comentar |

Quem se lixa é sempre o mexilhão...

Cavaco Silva só terá percebido que o silêncio sobre o caso das escutas estava a beneficiar o PSD, quando MFL e Paulo Rangel tentaram aproveitar-se das suas declarações de sexta-feira para lançar ataques patéticos ao PS e a Sócrates. Com a lhaneza que lhe é habitual, MFL repisou a tecla da asfixia democrática. Como se estivesse a tomar chá num grupo de amigas, pegou no cardápio das difamações e desatou a lançar suspeitas. Não querendo ficar isolada, chamou Paulo Rangel e disse-lhe para comparar Sócrates a Chavez. Em MFL já nada me espanta…

Quanto a Cavaco, o seu silêncio é preocupante. Se um PR não consegue perceber o que todos os portugueses perceberam, o que poderemos esperar dele no futuro?

Não suspiro aliviado com a demissão de Fernando Lima, porque ela não encerra o caso. Como disse Paulo Portas, a demissão é clarificadora mas, em minha opinião, fica por esclarecer a responsabilidade do PR neste caso.

Os portugueses têm o direito de conhecer todos os contornos deste caso escabroso. Exibir em praça pública um culpado, entregando-o ao julgamento do povo, pode ser-lhe favorável neste momento mas, mais tarde ou mais cedo, não deixará de ser emulado. Cavaco resistirá, no máximo, até 2011, e ficará na História como o primeiro PR que não foi reeleito. Por muito que alguns dos seus admiradores se esforcem na tentativa de branquear a actuação de Cavaco, chamando à liça casos que não podem ser comparados, o futuro do actual PR está traçado.

Só Fernando Lima poderá salvar Cavaco. Assumindo que agiu por iniciativa própria e sem conhecimento do PR. Mas apenas lhe salvará a Honra, não o futuro político. [Delito de Opinião, Carlos Barbosa de Oliveira]



Publicado por JL às 00:07 de 23.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O pântano institucional

O presidente da República transformou-se numa das figuras centrais da campanha eleitoral em curso. Os esforços, assumidos pelo próprio, de se manter à margem da luta partidária caíram ontem por terra, com a exoneração do seu assessor principal e companheiro político de mais de duas décadas, Fernando Lima. Ao deixar cair o jornalista, Cavaco Silva assume que algo de muito grave se passou no intitulado "caso das escutas". Independentemente das circunstâncias (talvez nunca as venhamos a conhecer na totalidade) que conduziram a este desfecho, o chefe de Estado sai deste (ainda inacabado) episódio com a sua imagem bastante fragilizada.

Porquê? Porque uma de duas: ou Cavaco foi enganado pelo seu ex-assessor, o que é grave (e um pouco inverosímil); ou não foi enganado e geriu pessimamente o caso, o que é ainda mais grave. Aliás, se a segunda possibilidade fosse a correcta, estaríamos perante um jogo de tal forma ínvio que a hipótese de se avançar para uma impugnação do mandato do presidente da República não seria, a meu ver, uma mera hipótese académica.

Em qualquer país com boa tradição democrática este caso seria investigado até ao limite. E daí retiradas as devidas consequências. Em Portugal, a excessiva reverência com que habitualmente são tratados os detentores do poder (primeiro-ministro e presidentes da República antes de todos os demais) servem de travão ao aprofundamento de responsabilidades.

Os factos são o que são. Quando foi pela primeira vez confrontado com a manchete do DN que dava conta de ter sido Fernando Lima a colocar no jornal "Público" o "caso das escutas", o chefe de Estado respondeu: depois das eleições, trataria de saber em que estado se encontra a segurança do país. Isto é: Cavaco deu imediata cobertura à tese dos que achavam que a "conspiração" envolvia escutas, espionagem e entusiasmantes coisas afins. Ao fazê-lo - e sobretudo ao dizer que não acreditava que a urdidura partisse de Belém -, o presidente da República defendeu o seu ex-assessor.

O que mudou no curto espaço de uma semana? O chefe de Estado concluiu que Lima actuou à sua revelia? Lima não lhe mentiu, mas o chefe de Estado entendeu que o nome do presidente passou a estar em causa e viu-se na iminência de sacrificar alguém? Cavaco sacrificou um inocente? Por que razão disse que só falaria depois das eleições e, afinal, actuou antes? Por que não "matou" o assunto à nascença? Ao não fazê-lo, permitiu a ilação mais grave de todas: tudo parece ter sido feito à medida para incomodar o Governo.

Eis-nos no pântano institucional a poucos dias das legislativas. O senhor presidente devia dizer-nos como sair daqui. [Jornal de Notícias, Paulo Ferreira]



Publicado por JL às 00:05 de 23.09.09 | link do post | comentar |

A conspiração

O Presidente da República afirmou aos jornalistas, a propósito de eventuais escutas em Belém, que um dos seus traços não é a ingenuidade.

Ora, depois da decisão de afastar um assessor e da confirmação oficiosa da conspiração a partir de Belém para derrotar o PS nas eleições legislativas, vale a pena dizer ao Presidente que os portugueses também não são ingénuos.

O que se está a passar é mau demais para ser verdade, é a asfixia democrática que ninguém imaginava possível, é a fragilização de um órgão de soberania, o Presidente da República, com a conivência do próprio, por acto ou omissão, mas seguramente por actos e omissões mal explicados, contraditórios, suspeitos. Por isso, a demissão de um assessor, o seu afastamento, a sua responsabilização pública só explica parte da história, a de que houve uma tentativa de golpe palaciano para prejudicar o PS e José Sócrates em plena campanha eleitoral. Mas continuam a faltar outras explicações de Cavaco.

O silêncio ambíguo de Cavaco Silva quando foi publicada a primeira notícia, no "Público" a 18 de Agosto, sobre as suspeitas de que o Governo andava a espiar a sua actividade, através de escutas colocadas no Palácio de Belém, causaram perplexidade. Afinal, não era um disparate de Verão? Quando o DN noticiou, na passada sexta-feira, que o assessor Fernando Lima tinha encomendado uma notícia sobre estas escutas, através do mesmo jornal, a resposta ambígua de Cavaco Silva serviu apenas para confirmar que, afinal, era mesmo verdade, o Presidente suspeitava da existência de escutas. Até porque, nessa resposta, afirmou-se atento "às questões da segurança" e disse que não era ingénuo. A declaração do director do "Público", José Manuel Fernandes, de que o SIS poderia estar envolvido na notícia do DN, porque citava um ‘email' trocado entre o referido assessor e um jornalista do "Público", só serviram para adensar o trama.

O primeiro a desmentir-se foi o director do "Público", porque, afinal, não teria existido uma violação do sistema informático do jornal. O segundo foi o próprio Presidente ao demitir o assessor Fernando Lima, a forma encontrada para dizer ao país que a conspiração não tinha tido a sua participação ou conhecimento e limitar, assim, os danos deste caso, já óbvios.

A decisão de demitir Fernando Lima - que não é um caso particular da Presidência, como afirmou Manuela Ferreira Leite para justificar o seu silêncio sobre o caso - confirma a existência de uma conspiração a partir de Belém contra o primeiro-ministro, afecta a imagem do "Público" neste processo pela forma como o seu director assumiu ‘as dores' da Presidência, arrasta o PSD neste pântano institucional e partidário e, mais grave, põe em causa a sua própria autoridade e independência políticas.

A decisão de Cavaco Silva serve, apesar de tudo, para responder à pergunta colocada ontem neste espaço: os portugueses podem confiar nas ‘secretas' portuguesas e o regime democrático não está em causa, porque, afinal, não há escutas promovidas pelo SIS ou outro órgão de informação a mando do Governo. Se existissem, o Presidente já teria, com toda a certeza, actuado... [Diário Económico, António Costa, (Director)]



Publicado por JL às 00:03 de 23.09.09 | link do post | comentar |

Crime Público

Portanto, o Governo está a espiar a Presidência da República! Gravíssimo! Que fazer? Há várias alternativas para um presidente espiado. Denunciar o Governo espião e dar-lhe um ralhete exemplar em público (nunca no "Público") utilizando uma comunicação nacional na TV como o fez com irrepreensível dramatismo e inigualável teatralidade com o estatuto dos Açores. Desta vez, teria de incluir a demissão do Parlamento e a convocação de novas eleições. O caso não seria para menos. Um governo a usar serviços secretos do Estado para espiar outro órgão de soberania exige demissões e eleições. Mas não. O presidente da República, o mais alto magistrado da nação, o comandante em Chefe das Forças Armadas, sabe que está a ser espiado. Tem a certeza disso porque, da sua doutrina passada ficou o axioma de que "raramente se engana e nunca tem dúvidas". Estando a ser espiado qual é a actuação realmente presidencial para este caso? Exigir do procurador-geral da República uma investigação imediata? Convocar o Conselho de Estado (já com a respeitabilidade recuperada desde a saída de Dias Loureiro)? Fazer uma comunicação ao Parlamento como é seu privilégio e, neste caso, obrigação? Nada disso! A Presidência de Cavaco Silva, através da sua Casa Civil, decide encomendar (mandar fazer in: Dicionário Porto Editora) uma reportagem a um jornal de um amigo.

Como os jornalistas são por vezes um bocado vagos e de compreensão lenta, a Casa Civil da Presidência da República achou por bem ser específica na encomenda dando um briefing claro a pessoa de confiança no jornal. "Vais falar com fulano e pergunta-lhe por sicrano, vais aqui, vais ali, fazes isto e aquilo e trazes a demasia de volta". O homem ainda tentou cumprir com a incumbência, mas a coisa não tinha pés nem cabeça e parece que lhe disseram isso repetidamente.

Por isso, logo, por causa disso, houve mais um ano e meio de fartar espionagem enquanto no Pátio dos Bichos continuavam todos a ouvir vozes

Cavaco Silva deve ter tido uma birra monumental com a sua Casa Civil e mandou perguntar ao amigo do jornal: "Sócrates está quase a ser reeleito e essa notícia não sai"? Como o que tem de ser tem muita força, a história lá saiu. Mal-amanhada, mas era o que se podia arranjar. Lá se meteu a Madeira no meio porque, como ninguém gosta do Jardim, gera-se logo um capital de boa vontade. Depois, como tinha pouca substância, puseram na mesma página duas colunas ao lado a dizer que, há uns anos, o procurador-geral da República tinha dito que também estava a ser escutado, e a encomenda ficou mais composta. Que interessa que tudo isto seja bizarramente inverosímil? Nos média, o que parece, é. Cavaco Silva julga que está a ser escutado, portanto, está a ser escutado, tanto mais que o seu recente depoimento presidencial é que "não é ingénuo". Com tudo isto, fica-me uma certeza. O trabalho de reportagem do "Diário de Notícias" é das mais notáveis e consequentes peças jornalísticas na história da Imprensa em Portugal. O e-mail com registos claros da encomenda feita por Fernando Lima não é "correspondência privada" que se deixe passar pudicamente ao lado. É uma infâmia pública de gravidade nacional que exige denúncia.

Invocar aqui delações, divulgação de fontes ou violação de correspondência é desonesto. Ao ver o presidente e a Casa Civil metidos nisto fica-me também uma inquietante dúvida. Aníbal Cavaco Silva, referência do PSD, ainda tem condições para continuar a ser o presidente de Portugal depois de causar uma trapalhada desta magnitude a dias das eleições? [Jornal de Notícias, Mário Crespo]



Publicado por JL às 16:57 de 22.09.09 | link do post | comentar |

O nervosismo entrou em Belém

O nervosismo nunca é bom conselheiro. E, pelo menos, já fez uma vítima. Fernando Lima afastado de assessor do PR com o fim de minorar os estragos demolidores que o conhecimento público da conspiração anti -governo estava a desencadear.

Mas Cavaco Silva com esta sua decisão, em minha opinião, afundou-se ainda mais. De pessoa equidistante dos partidos, como tentava passar a imagem, a sua credibilidade como pessoa e como Presidente desfez-se como um baralho de cartas.

Esta demissão não desmente que, a partir da Presidência da República, se tramou uma conspiração contra o Governo de José Sócrates, agravada ainda por ser despoletada com fins eleitorais, exactamente na tentativa de beneficiar o PSD e a candidata Ferreira Leite.

Cavaco Silva dificilmente pode demonstrar que um seu assessor de longa data e da confiança pessoal máxima tenha agido, tenha encomendado este acto ao Público sem a sua anuência. Este acto do Presidente não resolve. Apenas uma assunção pública dos erros é a resposta adequada.

Adenda:

É pena que José Manuel Fernandes já tenha substituto...porque face aos acontecimentos de hoje, teria um substituto da casa à altura.

[PuxaPalavra, João Abel de Freitas]



Publicado por JL às 21:27 de 21.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Lima&SilvaGate



Publicado por JL às 20:51 de 21.09.09 | link do post | comentar |

Um Cavaco desconhecido

Já em tempos aqui mesmo escrevi que, qual oráculo, o presidente da República sempre precisa de alguém que o interprete, explique as suas palavras, o que dá origem às maiores confusões. Pois bem: o caso piora. Sendo claro e cristalino, o Presidente deixa-nos perplexos e extremamente preocupados.

Reagindo às notícias sobre ter saído de Belém a encomenda de uma notícia sobre a eventual vigilância do pessoal da Presidência pelos serviços secretos, o Presidente considerou que não deve pronunciar-se sobre matérias directa ou indirectamente ligadas à campanha, mas assegurou que depois das eleições vai tentar obter mais informações sobre questões de segurança.

Quer isto dizer que, se não estivéssemos em campanha eleitoral, Cavaco iria imediatamente querer saber mais sobre segurança, nomeadamente sobre se Belém estava ou não a ser vigiada? Iria? Podemos ter a certeza?

Infelizmente não. As suspeitas de Belém foram transmitidas a um jornalista há 17 meses, quando não havia campanha eleitoral. Que fez o presidente durante este período? A quem se queixou? Quem pôs a investigar? A que conclusões chegou? Ou, terá o Presidente esperado que o jornal fizesse o seu trabalho? Ou, pior ainda, o objectivo não era lançar uma investigação mas deixar apenas uma suspeita?

Por muito menos, recorde-se, com grande pompa e circunstância, no Verão do ano passado, fez Cavaco Silva uma comunicação ao país sobre o Estatuto dos Açores. O que terá passado pela cabeça de Cavaco para considerar que ser espiado pelo Governo não mereceria que desse pública nota disso, não mereceria que enviasse uma comunicação à Assembleia da República, chamasse o Procurador, o chefe do SIS mas se limitasse a ordenar que da suspeita fosse apenas dada conta a um jornal?

Saber-se que Cavaco Silva agiu assim e que atira para depois das eleições a resolução de um problema que o continua a preocupar, deixa o presidente da República numa triste posição. Este não é o Cavaco Silva rigoroso que os portugueses conhecem. Dele não se guarda a imagem de um político que deixe apodrecer situações e relações, mas a verdade é que esta questão das escutas, lançada há 17 meses, aparece agora, conhecidos todos os contornos, como mais um caso a desmentir a tão propalada cooperação estratégica entre Cavaco e Sócrates.

Belém e São Bento não precisam de viver em consenso. Mas os portugueses não entenderão que Cavaco lance suspeitas sobre o Governo ou que Sócrates possa pôr os serviços secretos a espiar o que se passa em Belém. Se há, na Presidência, uma pequena desconfiança de que assim seja, uma coisa dessas não pode ser um segredo de Estado que o Presidente partilha com um assessor e um jornalista amigo. E, mesmo em cima das eleições, o Presidente não tem outra saída: se mantém a desconfiança, mande investigar imediatamente, mesmo que possa parecer que está a tomar partido contra o Governo. [Jornal de Notícias, José Leite Pereira]



Publicado por JL às 00:03 de 21.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O ocaso no verão

Em Agosto, a história parecia um caso de verão, passageiro e equívoco. Quando Cavaco Silva disse que as escutas estavam a desviar as atenções do essencial, a declaração parecia sensata e desautorizava as fontes de Belém invocadas pelo Público. Passada a época das tontarias, no Domingo passado o Provedor do Leitor do Público revelou que as alegadas escutas não se baseavam em qualquer "indício palpável", para além "de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém". Mais, todas as informações recolhidas pelo correspondente do jornal na Madeira que contradiziam a fonte de Belém haviam sido ostensivamente ignoradas aquando da publicação das notícias. Entretanto, o DN revelava um e-mail onde se dá conta do modo como, alegadamente, um assessor de Cavaco plantou a notícia.

Tudo sugere que estamos perante um gravíssimo episódio de manipulação política do jornalismo e um acto institucionalmente inaceitável. Como é hábito, entre explicações delirantes, ninguém assume responsabilidades, mas as consequências são já claras: o que aparentava ser um caso tonto tornou-se no ocaso da superioridade moral de Cavaco Silva. Quando mais precisávamos de um Presidente capaz de contribuir para a solidez institucional, ajudando a formar um Governo sólido, que supere a inevitável fragmentação eleitoral, teremos um Presidente fragilizado na sua principal mais-valia: a credibilidade. [Arquivo, Pedro Adão e Silva]



Publicado por JL às 00:01 de 21.09.09 | link do post | comentar |

A gula

 

O motivo pelo qual o sr. Aníbal só se pronuncia sobre o Silva&LimaGate depois das eleições deve-se à sua gula.
Novamente, comeu uma fatia de bolo-rei e a respectiva fava.
Ficou engasgado.

MARCADORES:

Publicado por JL às 21:51 de 20.09.09 | link do post | comentar |

Correspondência do Provedor do Público vasculhada

«Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do Público», escreve Joaquim Vieira na edição de hoje do jornal.

Segundo o provedor, aqueles responsáveis procederam à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se também de e para o exterior), acrescentando que conviria que a asfixia democrática de que «se fala (…) não se traduzisse numa caça às bruxas no Público que sempre foi conhecido como um espaço de liberdade».

No habitual artigo de uma página, Joaquim Vieira questiona se todo o caso relacionado com uma eventual escuta da Presidência da República pelo governo, que o jornal avançou em Agosto passado, não tem por base «uma agenda política oculta».

«Do comportamento do Público, o provedor conclui que resultou uma atitude objectiva de protecção da Presidência da República, fonte das notícias (…) E isto (…) leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?», pergunta Joaquim Vieira.

Contactado, o director do Público recusou comentar estas afirmações.

«Nunca comentei publicamente, para garantir o seu estatuto de independência, nenhum artigo de nenhum provedor. Não abro excepções», disse.

Na sexta-feira, o Diário de Notícias (DN) noticiou que o assessor do Presidente da República Fernando Lima foi a fonte do diário Público nas notícias que sucederam à sua manchete de 18 de Agosto, já em pré-campanha eleitoral, segundo a qual Cavaco Silva suspeitava estar a ser espiado pelo Governo liderado por José Sócrates.

Essa suspeita foi formulada a propósito de críticas do PS à alegada participação de assessores de Cavaco Silva na elaboração do programa eleitoral do PSD.

Na sequência desta manchete o Público noticiou no dia seguinte que as alegadas suspeitas de Cavaco Silva quanto a uma vigilância do Governo remontavam à visita do Presidente à Madeira em 2008, na qual teria sido observado um comportamento suspeito por parte de um assessor governamental, Rui Paulo Figueiredo.

Na sexta-feira, o DN publicou uma alegada mensagem de correio electrónico entre Luciano Alvarez e o correspondente da Madeira, Tolentino de Nóbrega, com instruções para seguir pistas fornecidas por Fernando Lima quanto a essa suspeita, supostamente por ordem directa de Cavaco Silva.

O director do Público, José Manuel Fernandes, depois de, numa primeira reacção, ter envolvido a «secreta» portuguesa numa alegada violação da correspondência entre os dois jornalistas, revelou na SIC Notícias não haver «nenhum indício que tenha havido violação externa» das mensagens electrónicas. [SOL]

 

Esta notícia diz tudo sobre a conspiração de Cavaco Silva contra o PS em vésperas de eleições e que encontrou em Belmiro de Azevedo um aliado disposto a vingar-se por Sócrates alegadamente não o ter deixado comprar a PT com dinheiro espanhol que não teria agora a garantia do valor das acções da PT e do grupo Sonae que foram abaladas pela crise. Belmiro estaria agora ao serviço dos espanhóis ou teria entregue parte da PT ao Banco SantanderTotta que a teria vendido à Telefónica.

Belmiro é como outros capitalistas portugueses. Acham que o poder político só existe para servir os seus interesses pessoais e permitir que ganhem cada vez mais milhões e milhões sem qualquer ética ou moral social. Belmiro é o empresário que paga o maior número de salários mínimos ou muito próximos aos seus trabalhadores e, mesmo assim, está a substituir muitos deles por caixas automáticas de pagamento nos seus supermercados, aumentando assim o desemprego em Portugal

Belmiro afirmou à Televisão que não dirigia editorialmente o Público. Mas quem é o ingénuo que acredita nisso; quem pode acreditar que o proprietário de qualquer empresa, incluindo um jornal, não tem influência no que se passa na empresa. Belmiro quis fazer dos portugueses estúpidos ao dizer isso.

Belmiro perde dinheiro com o Público para poder influenciar a política nacional e é o que tem estado a fazer nos últimos dias. O director J. M. Fernandes é um mandarete do patrão como acontece em todas as empresas. Belmiro pode não influenciar o noticiário normal, mas quando se trata de grandes escândalos políticos e situações de profunda influência no futuro do País, é óbvio que um empregado não toma decisões por sua conta e risco sem falar com administradores e sem que esses falem com o patrão. Aquilo, o Público, não é da Joana é do Belmiro.

O Rui Paulo Figueiredo é um militante do PS e foi coordenador de uma secção lisboeta que já não me lembro qual. Exerce uma função de assessor, pelo que é um personagem de terceira categoria. É pois muito estranho que o Presidente da República possa ter um dossier sobre o referido militante que terá estado presente num jantar a convite do Representante da República na Madeira, portanto, num evento público e coberto pelas televisões, rádios e jornais. O RPF é um personagem equivalente a alguns milhares de outros militantes do PS. Será que Cavaco Silva tem dossiers sobre todos esses militantes?



Publicado por DD às 17:19 de 20.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Campanha Nacional



Publicado por JL às 14:57 de 20.09.09 | link do post | comentar |

Um silêncio suspeito (Parte II)

"Numa Presidência da República nunca há 'fontes'. Há factos, comentários ou opiniões, que um Presidente, em certas alturas, quer tornar do domínio público sem se comprometer por via oficial, nem sequer com uma nota. E há colaboradores para executarem a vontade e a estratégia do Presidente. Quando não o fazem, obviamente passam imediatamente a ex-colaboradores. É por isso que o silêncio de Cavaco Silva pesa sobre a actual suspeita de pseudovigilância ilegal às comunicações dos seus assessores por parte de 'alguém' do gabinete de José Sócrates" ("Um silêncio suspeito", escrito a 22 de Agosto)

"É absolutamente condenável a estratégia da Presidência da República nesta questão. Ou a notícia é falsa e já deveria ter sido desmentida; ou a notícia corresponde ao que o Presidente pensa e só poderia ter duas consequências: queixa na Procuradoria e demissão do Governo" (Idem)
1. As críticas que aqui fiz ao comportamento político do Presidente da República (PR) no caso das alegadas escutas de São Bento a Belém mantêm-se não só actuais como até ganharam uma outra dimensão e gravidade com a notícia publicada ontem pelo Diário de Notícias.
A reacção de Cavaco Silva é preocupante para a democracia portuguesa.
O PR, mais uma vez, não se demarcou da tarefa de que terá incumbido o seu assessor (que se tivesse exorbitado deveria estar já sumariamente despedido). Antes pelo contrário, afirmou, de forma clara, que vai "averiguar questões de segurança" depois das eleições.
Estas palavras são contraditórias com a afirmação de que não pretende influenciar o período eleitoral. Além do mais, escondem uma outra hipocrisia: se o PR não queria influenciar, porque utilizou o assessor para dar uma "notícia" em vésperas das eleições?
Um PR não se pode prestar a estes papéis. Ou tem certezas e age, com coragem; ou não tem certezas, e averigua calado. Ora Cavaco Silva não apresentou nenhuma queixa na Procuradoria, não pediu esclarecimentos ao SIS, não demitiu o Governo. De forma irresponsável, permitiu mesmo que se acendesse a fogueira da dúvida.
2. Enquanto não negar responsabilidades pessoais no comportamento do seu colaborador de 20 anos, o PR é suspeito de acusar sem provas, de lançar a instabilidade no País.
Acresce um outro aspecto: depois de 27 de Setembro, data em que começará a "averiguar", já estará eleito um outro primeiro-ministro, que pode ser o mesmo, legitimado pelo voto popular apesar das suspeitas presidenciais sobre ele. Esta não é uma questão de pormenor. Vai com certeza introduzir ainda mais instabilidade num quadro partidário que pode não vir a ter uma solução estável para quatro anos.
Pessoalmente, confesso-me surpreendido. Reconheci sempre em Cavaco Silva uma autoridade moral que me parecia um importante resguardo para o Estado português - e agora não sei que pensar. Eu e, com certeza, muitos cidadãos. 
3. Não tenhamos qualquer dúvida. Estamos a viver uma crise sem precedentes. O PR desconfia do primeiro-ministro. Este não consegue, apesar das frases politicamente correctas, esconder que a relação pessoal de ambos é péssima - e teria necessariamente de o ser.
Podemos considerar que a situação não tem um culpado e um inocente. Ambos terão responsabilidades pessoais na escalada de embirração que conduziu a esta triste realidade, até porque estamos perante dois políticos experientes. Mas, acredito, essa experiência não chega para, de 15 em 15 dias, quando estão um diante do outro, trabalharem como se nada fosse. Não pode chegar.
É evidente para quem queira olhar directo para os factos concretos deste caso que foi Cavaco Silva quem abriu as hostilidades (como foi Sócrates quem afrontou sem necessidade o PR no caso do Estatuto dos Açores).
A atitude do PR, a cada dia que passa, debilita a qualidade da nossa democracia e já está a pagar o preço dessa incrível realidade na forma crispada como a sociedade se vai acantonando num e no outro campo de uma guerra que não terá vencedores e tem um perdedor certo: Portugal.
4. Termino com uma reflexão de carácter jornalístico e deontológico.
Notícias são notícias. O dever de um jornalista é saber avaliar em todos os momentos qual o interesse público - e não há nenhum interesse particular, nem mesmo o de pertencer à corporação jornalística, que esteja acima do interesse geral. Para a Direcção do Diário de Notícias, isso é muito claro.
Neste caso, procurámos saber se a matéria que tínhamos, e temos, em mão era ou não relevante. Era, é.
E, subsequentemente, se era ou não indiscutivelmente verdadeira. Era, é.
Obtivemos essa informação da boca de uma "fonte" digna de todo o crédito, que defenderemos de forma profissional e séria. Cada um se preocupará com as suas "fontes" e será responsável pela protecção que lhes assegurar.
Nesta fase, procurámos, porque nada nos move contra o Público e os seus jornalistas, nossos camaradas que respeitamos, apenas divulgar o que era absolutamente essencial. Queremos ficar por aqui, e ficaremos de facto se a questão, fora uma ou duas reacções que consideramos ainda normais de defesa corporativa, se mantiver limitada àquilo que verdadeiramente importa: às relações institucionais entre Presidente e primeiro-ministro, às suspeitas que o mais alto magistrado da Nação ainda parece manter quanto a eventuais escutas e, sobretudo, ao papel do Presidente numa notícia que é relevante.
Não é este o momento para desfocar a questão de fundo, política e institucional, entre dois órgãos de soberania, com a discussão sobre uma outra questão que deve estar sobre a mesa mais tarde: a qualidade do jornalismo português. Nela participarei de forma activa, com todo o gosto, mas apenas quando tiver a certeza de que nem eu nem o DN seremos arrastados para lançar fumo sobre a questão que importa. Outros que o façam se, entretanto, disso precisarem. [Diário de Notícias, João Marcelino]


Publicado por JL às 00:03 de 20.09.09 | link do post | comentar |

A conspiração

O Presidente está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania.

Independentemente dos contornos jornalísticos, apreciados nas suas vertentes ética e deontológica, que ficam para outra ocasião, é um facto que a "inventona" das escutas a Belém foi gerada, na Presidência da República, por Fernando Lima, um homem-forte do Presidente e utilizou o jornal ‘Público’, dirigido por José Manuel Fernandes, que agora abandona o barco, ao que se diz, para se juntar ao staff do Presidente da República.

A podridão no estado mais puro, a exigir processos-crime, carteiras profissionais ‘cassadas’ e demissões várias. Se se confirmar (é necessária a reconfirmação de tudo) tudo o que ficou agora jornalisticamente provado e se, em tempo útil, o Presidente da República não se pronunciar sobre o assunto, mostrando-se à altura do cargo e das responsabilidades que os portugueses lhe confiaram, não há outra saída que não seja a resignação. O Presidente da República está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania, enquanto prega a cooperação institucional entre Belém e S. Bento. Ou prova, ou se demarca, sem equívocos, ou resigna, porque feriu de morte a confiança dos portugueses e já não pode continuar a ser o garante do regular funcionamento das instituições democráticas.

Quem adopta estas práticas perde todas as hipóteses de continuar a exercer uma magistratura de influência na sociedade e não será mais aceite como Presidente de todos os portugueses. O assunto é muito grave. Não deve ser dramatizado mas, por outro lado, não pode ser minimizado. Embora estranho, não deixa de ser preocupante que se vislumbre um nexo causal entre este episódio e outros que se desenvolveram contra José Sócrates, de forma sistemática e apurada. O caso Freeport, que na sua génese envolveu gente do PSD, o caso da TVI e da vergonhosa manipulação do ‘Jornal’ de sexta-feira, os ataques à honra da sua família mais próxima, e agora a encomenda de Fernando Lima ao jornal ‘Público’.

Os dados mostram que o PSD desencadeou uma campanha ‘ad hominem’ e acreditou que era essa a substância para virar Sócrates do avesso e derrotá-lo nestas eleições. Estamos a nove dias do acto eleitoral e Manuela Ferreira Leite não apresentou uma única proposta válida para resolver os problemas do País. As sondagens que ontem foram conhecidas, da Católica e da Aximage, mostram que o povo português não se deixou encantar pelas conspirações e pune de forma drástica o PSD. O PS continua a subir e o PSD está em plano inclinado, a perder votos, obrigando Ferreira Leite a uma mudança de rumo de última hora. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:01 de 20.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Verdade



Publicado por JL às 22:39 de 19.09.09 | link do post | comentar |

Orgia de irresponsabilidade

Primeiro, do Presidente da República. Depois de uma notícia vinda de Belém e com a acusação mais grave de que há memória nas relações institucionais em democracia, Cavaco Silva ficou calado. Nem esclareceu se essa acusação tinha fundamento (coisa que a notícia não permitia saber) e agiu em conformidade, nem afastou quem passou essa informação. Com um assinalável cinismo, tendo em conta que a informação vinha das suas bandas, limitou-se a afirmar que havia quem quisesse criar elementos de distracção para não falar dos problemas do País. Alimentava assim a suspeita, sem no entanto a esclarecer.

Hoje, Cavaco Silva ainda piorou mais as coisas. Depois de sabermos que a fonte era Fernando Lima, que este entregara ao “Público” um dossier sobre um assessor governamental (como perguntou Luís Delgado, porque raio tem Belém dossiers sobre assessores políticos?), Cavaco volta a não esclarecer nada mas a enviar ainda mais mensagens subliminares (como se sobre esta questão fossem aceitáveis meias palavras), dizendo que depois das eleições quer saber coisas sobre segurança. Ou seja, a confirmar a ideia de que estaria a ser espiado ou escutado sem no entanto o dizer e sem nada fazer. A infantilidade da gestão deste caso ultrapassa tudo o que já se viu. Cavaco Silva está a brincar com um assunto gravíssimo. E está a fazê-lo em plena campanha eleitoral.

Segundo, o “Público”. Logo depois da notícia, já aqui escrevi o que pensava desta rocambolesca novela delirante. Os dados avançados pelo Provedor do Leitor não só confirmaram os piores temores sobre o trabalho do jornal como agravaram as suspeitas de irresponsabilidade. Apenas ainda uma nota adicional sobre o assunto: ao contrário do que diz José Manuel Fernandes, as suspeitas de elementos de Belém de que haja escutas não é notícia. Ou melhor: é, mas apenas em uma de duas condições. Ou os dados permitiam dar sustentabilidade factual a esses temores ou a pessoa que os transmitia o fazia em “on”. As fontes anónimas servem para transmitir informações e factos. Não há opiniões e sentimentos de fontes anónimas. Valem zero.

Hoje de manhã José Manuel Fernandes avançava com mais uma suspeita para explicar a notícia do “Diário de Notícias”: o “Público” poderia estar sob escuta das secretas. Acusação, mais uma vez, gravíssima. Agora, na SIC Notícias, José Manuel Fernandes muda a agulha e explica, coisa extraordinária, que aquilo era apenas uma suposição. Vinda de um director de um jornal esta ligeireza é estarrecedora. Com base em coisa nenhuma, ou talvez com a mesma leveza com que se publicou a história das escutas e do “espião”, Fernandes lança uma acusação gravíssima para o ar.

Por fim, Manuela Ferreira Leite, no discurso do comício de hoje, comprou como verdadeiras as escutas ao “Público” que o próprio José Manuel Fernandes desvalorizou umas horas depois.

Nada disto, a infantilidade da Presidência, a falta de profissionalismo do director do “Público” e a ligeireza de Ferreira Leite, teria muita relevância não fosse dar-se caso do tema em apreço ser de um enorme melindre. Num país normal, faria mesmo, caso se provassem as escutas, à queda de governantes. E caso se provasse a sua falsidade, à queda do Presidente. Aqui, no meio desta autêntica orgia de irresponsabilidade, tudo continua a ser tratado como se fosse uma mera troca de galhardetes. Não percebem José Manuel Fernandes, Manuela Ferreira Leite e, acima de tudo, Cavaco Silva, que estão a brincar com o fogo. [Arrastão, Daniel Oliveira]



Publicado por JL às 19:22 de 19.09.09 | link do post | comentar |

A estratégia

 

O envolvimento de Cavaco Silva e dos seus assessores na tentativa de levar Manuela Ferreira Leite a São Bento concentrando no PSD cavaquista o poder da República não passou apenas, percebe-se agora, pelo envolvimento de assessores de Belém e votos comprados na eleição de Ferreira Leite para a liderança do PS, pela colaboração na elaboração do programa ou nas insinuações que Cavaco tem lançado, esse envolvimento inclui também o assassínio político de José Sócrates.



Publicado por JL às 00:05 de 19.09.09 | link do post | comentar |

Silva&LimaGate

 

…e vai-te a eles.



Publicado por JL às 18:48 de 18.09.09 | link do post | comentar |

Preocupação

Cavaco promulgou 113 diplomas em Agosto.

Durante o mês de Agosto, e apesar de ter gozado um pequeno período de férias no Algarve, o Presidente da República já promulgou 113 diplomas e vetou apenas um: trata-se do veto de Cavaco Silva às uniões de facto, por considerar inoportuno que em final de legislatura se fizesse alterações de fundo à actual lei.

De acordo com uma nota informativa da Presidência da República, divulgada no site oficial, na recta final da legislatura encontram-se ainda em análise, aguardando decisão de Cavaco Silva 54 diplomas.

Férias? Com este stress, provavelmente teve insónias!

Estou muito preocupado com o sr Silva.



Publicado por JL às 00:02 de 03.09.09 | link do post | comentar |

DESTAQUE DO MÊS
14_04_botão_CUS
MARCADORES

todas as tags

CONTACTO

Email - Blogue LUMINÁRIA

ARQUIVO

Junho 2017

Março 2017

Fevereiro 2017

Janeiro 2017

Dezembro 2016

Novembro 2016

Outubro 2016

Setembro 2016

Agosto 2016

Julho 2016

Junho 2016

Maio 2016

Abril 2016

Março 2016

Fevereiro 2016

Janeiro 2016

Dezembro 2015

Novembro 2015

Outubro 2015

Setembro 2015

Agosto 2015

Julho 2015

Junho 2015

Maio 2015

Abril 2015

Março 2015

Fevereiro 2015

Janeiro 2015

Dezembro 2014

Novembro 2014

Outubro 2014

Setembro 2014

Agosto 2014

Julho 2014

Junho 2014

Maio 2014

Abril 2014

Março 2014

Fevereiro 2014

Janeiro 2014

Dezembro 2013

Novembro 2013

Outubro 2013

Setembro 2013

Agosto 2013

Julho 2013

Junho 2013

Maio 2013

Abril 2013

Março 2013

Fevereiro 2013

Janeiro 2013

Dezembro 2012

Novembro 2012

Outubro 2012

Setembro 2012

Agosto 2012

Julho 2012

Junho 2012

Maio 2012

Abril 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Janeiro 2012

Dezembro 2011

Novembro 2011

Outubro 2011

Setembro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Abril 2011

Março 2011

Fevereiro 2011

Janeiro 2011

Dezembro 2010

Novembro 2010

Outubro 2010

Setembro 2010

Agosto 2010

Julho 2010

Junho 2010

Maio 2010

Abril 2010

Março 2010

Fevereiro 2010

Janeiro 2010

Dezembro 2009

Novembro 2009

Outubro 2009

Setembro 2009

Agosto 2009

Julho 2009

Junho 2009

Maio 2009

Online
RSS
blogs SAPO