Um Cavaco desconhecido

Já em tempos aqui mesmo escrevi que, qual oráculo, o presidente da República sempre precisa de alguém que o interprete, explique as suas palavras, o que dá origem às maiores confusões. Pois bem: o caso piora. Sendo claro e cristalino, o Presidente deixa-nos perplexos e extremamente preocupados.

Reagindo às notícias sobre ter saído de Belém a encomenda de uma notícia sobre a eventual vigilância do pessoal da Presidência pelos serviços secretos, o Presidente considerou que não deve pronunciar-se sobre matérias directa ou indirectamente ligadas à campanha, mas assegurou que depois das eleições vai tentar obter mais informações sobre questões de segurança.

Quer isto dizer que, se não estivéssemos em campanha eleitoral, Cavaco iria imediatamente querer saber mais sobre segurança, nomeadamente sobre se Belém estava ou não a ser vigiada? Iria? Podemos ter a certeza?

Infelizmente não. As suspeitas de Belém foram transmitidas a um jornalista há 17 meses, quando não havia campanha eleitoral. Que fez o presidente durante este período? A quem se queixou? Quem pôs a investigar? A que conclusões chegou? Ou, terá o Presidente esperado que o jornal fizesse o seu trabalho? Ou, pior ainda, o objectivo não era lançar uma investigação mas deixar apenas uma suspeita?

Por muito menos, recorde-se, com grande pompa e circunstância, no Verão do ano passado, fez Cavaco Silva uma comunicação ao país sobre o Estatuto dos Açores. O que terá passado pela cabeça de Cavaco para considerar que ser espiado pelo Governo não mereceria que desse pública nota disso, não mereceria que enviasse uma comunicação à Assembleia da República, chamasse o Procurador, o chefe do SIS mas se limitasse a ordenar que da suspeita fosse apenas dada conta a um jornal?

Saber-se que Cavaco Silva agiu assim e que atira para depois das eleições a resolução de um problema que o continua a preocupar, deixa o presidente da República numa triste posição. Este não é o Cavaco Silva rigoroso que os portugueses conhecem. Dele não se guarda a imagem de um político que deixe apodrecer situações e relações, mas a verdade é que esta questão das escutas, lançada há 17 meses, aparece agora, conhecidos todos os contornos, como mais um caso a desmentir a tão propalada cooperação estratégica entre Cavaco e Sócrates.

Belém e São Bento não precisam de viver em consenso. Mas os portugueses não entenderão que Cavaco lance suspeitas sobre o Governo ou que Sócrates possa pôr os serviços secretos a espiar o que se passa em Belém. Se há, na Presidência, uma pequena desconfiança de que assim seja, uma coisa dessas não pode ser um segredo de Estado que o Presidente partilha com um assessor e um jornalista amigo. E, mesmo em cima das eleições, o Presidente não tem outra saída: se mantém a desconfiança, mande investigar imediatamente, mesmo que possa parecer que está a tomar partido contra o Governo. [Jornal de Notícias, José Leite Pereira]



Publicado por JL às 00:03 de 21.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O ocaso no verão

Em Agosto, a história parecia um caso de verão, passageiro e equívoco. Quando Cavaco Silva disse que as escutas estavam a desviar as atenções do essencial, a declaração parecia sensata e desautorizava as fontes de Belém invocadas pelo Público. Passada a época das tontarias, no Domingo passado o Provedor do Leitor do Público revelou que as alegadas escutas não se baseavam em qualquer "indício palpável", para além "de um indício, sim, mas de paranóia, oriunda do Palácio de Belém". Mais, todas as informações recolhidas pelo correspondente do jornal na Madeira que contradiziam a fonte de Belém haviam sido ostensivamente ignoradas aquando da publicação das notícias. Entretanto, o DN revelava um e-mail onde se dá conta do modo como, alegadamente, um assessor de Cavaco plantou a notícia.

Tudo sugere que estamos perante um gravíssimo episódio de manipulação política do jornalismo e um acto institucionalmente inaceitável. Como é hábito, entre explicações delirantes, ninguém assume responsabilidades, mas as consequências são já claras: o que aparentava ser um caso tonto tornou-se no ocaso da superioridade moral de Cavaco Silva. Quando mais precisávamos de um Presidente capaz de contribuir para a solidez institucional, ajudando a formar um Governo sólido, que supere a inevitável fragmentação eleitoral, teremos um Presidente fragilizado na sua principal mais-valia: a credibilidade. [Arquivo, Pedro Adão e Silva]



Publicado por JL às 00:01 de 21.09.09 | link do post | comentar |

Correspondência do Provedor do Público vasculhada

«Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do Público», escreve Joaquim Vieira na edição de hoje do jornal.

Segundo o provedor, aqueles responsáveis procederam à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se também de e para o exterior), acrescentando que conviria que a asfixia democrática de que «se fala (…) não se traduzisse numa caça às bruxas no Público que sempre foi conhecido como um espaço de liberdade».

No habitual artigo de uma página, Joaquim Vieira questiona se todo o caso relacionado com uma eventual escuta da Presidência da República pelo governo, que o jornal avançou em Agosto passado, não tem por base «uma agenda política oculta».

«Do comportamento do Público, o provedor conclui que resultou uma atitude objectiva de protecção da Presidência da República, fonte das notícias (…) E isto (…) leva à questão mais preocupante, que não pode deixar de se colocar: haverá uma agenda política oculta na actuação deste jornal?», pergunta Joaquim Vieira.

Contactado, o director do Público recusou comentar estas afirmações.

«Nunca comentei publicamente, para garantir o seu estatuto de independência, nenhum artigo de nenhum provedor. Não abro excepções», disse.

Na sexta-feira, o Diário de Notícias (DN) noticiou que o assessor do Presidente da República Fernando Lima foi a fonte do diário Público nas notícias que sucederam à sua manchete de 18 de Agosto, já em pré-campanha eleitoral, segundo a qual Cavaco Silva suspeitava estar a ser espiado pelo Governo liderado por José Sócrates.

Essa suspeita foi formulada a propósito de críticas do PS à alegada participação de assessores de Cavaco Silva na elaboração do programa eleitoral do PSD.

Na sequência desta manchete o Público noticiou no dia seguinte que as alegadas suspeitas de Cavaco Silva quanto a uma vigilância do Governo remontavam à visita do Presidente à Madeira em 2008, na qual teria sido observado um comportamento suspeito por parte de um assessor governamental, Rui Paulo Figueiredo.

Na sexta-feira, o DN publicou uma alegada mensagem de correio electrónico entre Luciano Alvarez e o correspondente da Madeira, Tolentino de Nóbrega, com instruções para seguir pistas fornecidas por Fernando Lima quanto a essa suspeita, supostamente por ordem directa de Cavaco Silva.

O director do Público, José Manuel Fernandes, depois de, numa primeira reacção, ter envolvido a «secreta» portuguesa numa alegada violação da correspondência entre os dois jornalistas, revelou na SIC Notícias não haver «nenhum indício que tenha havido violação externa» das mensagens electrónicas. [SOL]

 

Esta notícia diz tudo sobre a conspiração de Cavaco Silva contra o PS em vésperas de eleições e que encontrou em Belmiro de Azevedo um aliado disposto a vingar-se por Sócrates alegadamente não o ter deixado comprar a PT com dinheiro espanhol que não teria agora a garantia do valor das acções da PT e do grupo Sonae que foram abaladas pela crise. Belmiro estaria agora ao serviço dos espanhóis ou teria entregue parte da PT ao Banco SantanderTotta que a teria vendido à Telefónica.

Belmiro é como outros capitalistas portugueses. Acham que o poder político só existe para servir os seus interesses pessoais e permitir que ganhem cada vez mais milhões e milhões sem qualquer ética ou moral social. Belmiro é o empresário que paga o maior número de salários mínimos ou muito próximos aos seus trabalhadores e, mesmo assim, está a substituir muitos deles por caixas automáticas de pagamento nos seus supermercados, aumentando assim o desemprego em Portugal

Belmiro afirmou à Televisão que não dirigia editorialmente o Público. Mas quem é o ingénuo que acredita nisso; quem pode acreditar que o proprietário de qualquer empresa, incluindo um jornal, não tem influência no que se passa na empresa. Belmiro quis fazer dos portugueses estúpidos ao dizer isso.

Belmiro perde dinheiro com o Público para poder influenciar a política nacional e é o que tem estado a fazer nos últimos dias. O director J. M. Fernandes é um mandarete do patrão como acontece em todas as empresas. Belmiro pode não influenciar o noticiário normal, mas quando se trata de grandes escândalos políticos e situações de profunda influência no futuro do País, é óbvio que um empregado não toma decisões por sua conta e risco sem falar com administradores e sem que esses falem com o patrão. Aquilo, o Público, não é da Joana é do Belmiro.

O Rui Paulo Figueiredo é um militante do PS e foi coordenador de uma secção lisboeta que já não me lembro qual. Exerce uma função de assessor, pelo que é um personagem de terceira categoria. É pois muito estranho que o Presidente da República possa ter um dossier sobre o referido militante que terá estado presente num jantar a convite do Representante da República na Madeira, portanto, num evento público e coberto pelas televisões, rádios e jornais. O RPF é um personagem equivalente a alguns milhares de outros militantes do PS. Será que Cavaco Silva tem dossiers sobre todos esses militantes?



Publicado por DD às 17:19 de 20.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Terá este jornal uma agenda política oculta?

A crónica do Provedor do leitor - Público, Joaquim Vieira

A questão principal

O caso das escutas de Belém suscita a mais preocupante das perguntas: terá este jornal uma agenda política oculta?

Na sequência da última crónica do provedor, instalou-se no PÚBLICO um clima de nervosismo. Na segunda-feira, o director, José Manuel Fernandes (J.M.F.), acusou o provedor de mentiroso e disse-lhe que não voltaria a responder a qualquer outra questão sua. No mesmo dia, J.M.F. admoestou por escrito o jornalista Tolentino de Nóbrega (T.N.), correspondente do PÚBLICO no Funchal, pela resposta escrita dada ao provedor sobre a matéria da crónica e considerou uma "anormalidade" ter falado com ele ao telefone. Na sexta-feira, o provedor tomou conhecimento de que a sua correspondência electrónica, assim como a de jornalistas deste diário, fora vasculhada sem aviso prévio pelos responsáveis do PÚBLICO (certamente com a ajuda de técnicos informáticos), tendo estes procedido à detecção de envios e reenvios de e-mails entre membros da equipa do jornal (e presume-se que também de e para o exterior). Num momento em que tanto se fala, justa ou injustamente, de asfixia democrática no país, conviria que essa asfixia não se traduzisse numa caça às bruxas no PÚBLICO, que sempre foi conhecido como um espaço de liberdade.



Publicado por JL às 14:51 de 20.09.09 | link do post | comentar |

Um silêncio suspeito (Parte II)

"Numa Presidência da República nunca há 'fontes'. Há factos, comentários ou opiniões, que um Presidente, em certas alturas, quer tornar do domínio público sem se comprometer por via oficial, nem sequer com uma nota. E há colaboradores para executarem a vontade e a estratégia do Presidente. Quando não o fazem, obviamente passam imediatamente a ex-colaboradores. É por isso que o silêncio de Cavaco Silva pesa sobre a actual suspeita de pseudovigilância ilegal às comunicações dos seus assessores por parte de 'alguém' do gabinete de José Sócrates" ("Um silêncio suspeito", escrito a 22 de Agosto)

"É absolutamente condenável a estratégia da Presidência da República nesta questão. Ou a notícia é falsa e já deveria ter sido desmentida; ou a notícia corresponde ao que o Presidente pensa e só poderia ter duas consequências: queixa na Procuradoria e demissão do Governo" (Idem)
1. As críticas que aqui fiz ao comportamento político do Presidente da República (PR) no caso das alegadas escutas de São Bento a Belém mantêm-se não só actuais como até ganharam uma outra dimensão e gravidade com a notícia publicada ontem pelo Diário de Notícias.
A reacção de Cavaco Silva é preocupante para a democracia portuguesa.
O PR, mais uma vez, não se demarcou da tarefa de que terá incumbido o seu assessor (que se tivesse exorbitado deveria estar já sumariamente despedido). Antes pelo contrário, afirmou, de forma clara, que vai "averiguar questões de segurança" depois das eleições.
Estas palavras são contraditórias com a afirmação de que não pretende influenciar o período eleitoral. Além do mais, escondem uma outra hipocrisia: se o PR não queria influenciar, porque utilizou o assessor para dar uma "notícia" em vésperas das eleições?
Um PR não se pode prestar a estes papéis. Ou tem certezas e age, com coragem; ou não tem certezas, e averigua calado. Ora Cavaco Silva não apresentou nenhuma queixa na Procuradoria, não pediu esclarecimentos ao SIS, não demitiu o Governo. De forma irresponsável, permitiu mesmo que se acendesse a fogueira da dúvida.
2. Enquanto não negar responsabilidades pessoais no comportamento do seu colaborador de 20 anos, o PR é suspeito de acusar sem provas, de lançar a instabilidade no País.
Acresce um outro aspecto: depois de 27 de Setembro, data em que começará a "averiguar", já estará eleito um outro primeiro-ministro, que pode ser o mesmo, legitimado pelo voto popular apesar das suspeitas presidenciais sobre ele. Esta não é uma questão de pormenor. Vai com certeza introduzir ainda mais instabilidade num quadro partidário que pode não vir a ter uma solução estável para quatro anos.
Pessoalmente, confesso-me surpreendido. Reconheci sempre em Cavaco Silva uma autoridade moral que me parecia um importante resguardo para o Estado português - e agora não sei que pensar. Eu e, com certeza, muitos cidadãos. 
3. Não tenhamos qualquer dúvida. Estamos a viver uma crise sem precedentes. O PR desconfia do primeiro-ministro. Este não consegue, apesar das frases politicamente correctas, esconder que a relação pessoal de ambos é péssima - e teria necessariamente de o ser.
Podemos considerar que a situação não tem um culpado e um inocente. Ambos terão responsabilidades pessoais na escalada de embirração que conduziu a esta triste realidade, até porque estamos perante dois políticos experientes. Mas, acredito, essa experiência não chega para, de 15 em 15 dias, quando estão um diante do outro, trabalharem como se nada fosse. Não pode chegar.
É evidente para quem queira olhar directo para os factos concretos deste caso que foi Cavaco Silva quem abriu as hostilidades (como foi Sócrates quem afrontou sem necessidade o PR no caso do Estatuto dos Açores).
A atitude do PR, a cada dia que passa, debilita a qualidade da nossa democracia e já está a pagar o preço dessa incrível realidade na forma crispada como a sociedade se vai acantonando num e no outro campo de uma guerra que não terá vencedores e tem um perdedor certo: Portugal.
4. Termino com uma reflexão de carácter jornalístico e deontológico.
Notícias são notícias. O dever de um jornalista é saber avaliar em todos os momentos qual o interesse público - e não há nenhum interesse particular, nem mesmo o de pertencer à corporação jornalística, que esteja acima do interesse geral. Para a Direcção do Diário de Notícias, isso é muito claro.
Neste caso, procurámos saber se a matéria que tínhamos, e temos, em mão era ou não relevante. Era, é.
E, subsequentemente, se era ou não indiscutivelmente verdadeira. Era, é.
Obtivemos essa informação da boca de uma "fonte" digna de todo o crédito, que defenderemos de forma profissional e séria. Cada um se preocupará com as suas "fontes" e será responsável pela protecção que lhes assegurar.
Nesta fase, procurámos, porque nada nos move contra o Público e os seus jornalistas, nossos camaradas que respeitamos, apenas divulgar o que era absolutamente essencial. Queremos ficar por aqui, e ficaremos de facto se a questão, fora uma ou duas reacções que consideramos ainda normais de defesa corporativa, se mantiver limitada àquilo que verdadeiramente importa: às relações institucionais entre Presidente e primeiro-ministro, às suspeitas que o mais alto magistrado da Nação ainda parece manter quanto a eventuais escutas e, sobretudo, ao papel do Presidente numa notícia que é relevante.
Não é este o momento para desfocar a questão de fundo, política e institucional, entre dois órgãos de soberania, com a discussão sobre uma outra questão que deve estar sobre a mesa mais tarde: a qualidade do jornalismo português. Nela participarei de forma activa, com todo o gosto, mas apenas quando tiver a certeza de que nem eu nem o DN seremos arrastados para lançar fumo sobre a questão que importa. Outros que o façam se, entretanto, disso precisarem. [Diário de Notícias, João Marcelino]


Publicado por JL às 00:03 de 20.09.09 | link do post | comentar |

A conspiração

O Presidente está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania.

Independentemente dos contornos jornalísticos, apreciados nas suas vertentes ética e deontológica, que ficam para outra ocasião, é um facto que a "inventona" das escutas a Belém foi gerada, na Presidência da República, por Fernando Lima, um homem-forte do Presidente e utilizou o jornal ‘Público’, dirigido por José Manuel Fernandes, que agora abandona o barco, ao que se diz, para se juntar ao staff do Presidente da República.

A podridão no estado mais puro, a exigir processos-crime, carteiras profissionais ‘cassadas’ e demissões várias. Se se confirmar (é necessária a reconfirmação de tudo) tudo o que ficou agora jornalisticamente provado e se, em tempo útil, o Presidente da República não se pronunciar sobre o assunto, mostrando-se à altura do cargo e das responsabilidades que os portugueses lhe confiaram, não há outra saída que não seja a resignação. O Presidente da República está "acusado" de promover uma conspiração contra outro órgão de soberania, enquanto prega a cooperação institucional entre Belém e S. Bento. Ou prova, ou se demarca, sem equívocos, ou resigna, porque feriu de morte a confiança dos portugueses e já não pode continuar a ser o garante do regular funcionamento das instituições democráticas.

Quem adopta estas práticas perde todas as hipóteses de continuar a exercer uma magistratura de influência na sociedade e não será mais aceite como Presidente de todos os portugueses. O assunto é muito grave. Não deve ser dramatizado mas, por outro lado, não pode ser minimizado. Embora estranho, não deixa de ser preocupante que se vislumbre um nexo causal entre este episódio e outros que se desenvolveram contra José Sócrates, de forma sistemática e apurada. O caso Freeport, que na sua génese envolveu gente do PSD, o caso da TVI e da vergonhosa manipulação do ‘Jornal’ de sexta-feira, os ataques à honra da sua família mais próxima, e agora a encomenda de Fernando Lima ao jornal ‘Público’.

Os dados mostram que o PSD desencadeou uma campanha ‘ad hominem’ e acreditou que era essa a substância para virar Sócrates do avesso e derrotá-lo nestas eleições. Estamos a nove dias do acto eleitoral e Manuela Ferreira Leite não apresentou uma única proposta válida para resolver os problemas do País. As sondagens que ontem foram conhecidas, da Católica e da Aximage, mostram que o povo português não se deixou encantar pelas conspirações e pune de forma drástica o PSD. O PS continua a subir e o PSD está em plano inclinado, a perder votos, obrigando Ferreira Leite a uma mudança de rumo de última hora. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:01 de 20.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Orgia de irresponsabilidade

Primeiro, do Presidente da República. Depois de uma notícia vinda de Belém e com a acusação mais grave de que há memória nas relações institucionais em democracia, Cavaco Silva ficou calado. Nem esclareceu se essa acusação tinha fundamento (coisa que a notícia não permitia saber) e agiu em conformidade, nem afastou quem passou essa informação. Com um assinalável cinismo, tendo em conta que a informação vinha das suas bandas, limitou-se a afirmar que havia quem quisesse criar elementos de distracção para não falar dos problemas do País. Alimentava assim a suspeita, sem no entanto a esclarecer.

Hoje, Cavaco Silva ainda piorou mais as coisas. Depois de sabermos que a fonte era Fernando Lima, que este entregara ao “Público” um dossier sobre um assessor governamental (como perguntou Luís Delgado, porque raio tem Belém dossiers sobre assessores políticos?), Cavaco volta a não esclarecer nada mas a enviar ainda mais mensagens subliminares (como se sobre esta questão fossem aceitáveis meias palavras), dizendo que depois das eleições quer saber coisas sobre segurança. Ou seja, a confirmar a ideia de que estaria a ser espiado ou escutado sem no entanto o dizer e sem nada fazer. A infantilidade da gestão deste caso ultrapassa tudo o que já se viu. Cavaco Silva está a brincar com um assunto gravíssimo. E está a fazê-lo em plena campanha eleitoral.

Segundo, o “Público”. Logo depois da notícia, já aqui escrevi o que pensava desta rocambolesca novela delirante. Os dados avançados pelo Provedor do Leitor não só confirmaram os piores temores sobre o trabalho do jornal como agravaram as suspeitas de irresponsabilidade. Apenas ainda uma nota adicional sobre o assunto: ao contrário do que diz José Manuel Fernandes, as suspeitas de elementos de Belém de que haja escutas não é notícia. Ou melhor: é, mas apenas em uma de duas condições. Ou os dados permitiam dar sustentabilidade factual a esses temores ou a pessoa que os transmitia o fazia em “on”. As fontes anónimas servem para transmitir informações e factos. Não há opiniões e sentimentos de fontes anónimas. Valem zero.

Hoje de manhã José Manuel Fernandes avançava com mais uma suspeita para explicar a notícia do “Diário de Notícias”: o “Público” poderia estar sob escuta das secretas. Acusação, mais uma vez, gravíssima. Agora, na SIC Notícias, José Manuel Fernandes muda a agulha e explica, coisa extraordinária, que aquilo era apenas uma suposição. Vinda de um director de um jornal esta ligeireza é estarrecedora. Com base em coisa nenhuma, ou talvez com a mesma leveza com que se publicou a história das escutas e do “espião”, Fernandes lança uma acusação gravíssima para o ar.

Por fim, Manuela Ferreira Leite, no discurso do comício de hoje, comprou como verdadeiras as escutas ao “Público” que o próprio José Manuel Fernandes desvalorizou umas horas depois.

Nada disto, a infantilidade da Presidência, a falta de profissionalismo do director do “Público” e a ligeireza de Ferreira Leite, teria muita relevância não fosse dar-se caso do tema em apreço ser de um enorme melindre. Num país normal, faria mesmo, caso se provassem as escutas, à queda de governantes. E caso se provasse a sua falsidade, à queda do Presidente. Aqui, no meio desta autêntica orgia de irresponsabilidade, tudo continua a ser tratado como se fosse uma mera troca de galhardetes. Não percebem José Manuel Fernandes, Manuela Ferreira Leite e, acima de tudo, Cavaco Silva, que estão a brincar com o fogo. [Arrastão, Daniel Oliveira]



Publicado por JL às 19:22 de 19.09.09 | link do post | comentar |

Encomenda

 

José Manuel Fernandes na SIC Notícias:

O Público não publica notícias encomendadas

Então, a encomenda é o Jose Manuel Fernandes.

Que figura triste está a fazer...dar o braço a torcer. Mete dó.



Publicado por JL às 22:22 de 18.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Silva&LimaGate

 

…e vai-te a eles.



Publicado por JL às 18:48 de 18.09.09 | link do post | comentar |

TVI - A minha leitura

Fui director de programas da RTP e depois seu administrador. E garanto-vos que, se alguma vez algum apresentador ou jornalista desse uma entrevista a chamar-me "estúpido", a primeira coisa que aconteceria seria o cancelamento imediato do seu programa, independentemente de haver ou não eleições em curso.

Por isso me parece incompreensível que, embora rios de tinta já se tenham escrito sobre o cancelamento do jornal nacional que Manuela Moura Guedes (MMG) apresentava na TVI, todos os analistas e comentadores tenham ignorado a explosiva e provocatória entrevista que MMG deu ao Diário de Notícias dias antes de a administração da TVI lhe ter acabado com o programa.

Em meu entender essa entrevista, realizada com antecedência para ser publicada no dia do regresso de MMG com o seu jornal nacional, foi a gota de água que precipitou a decisão da TVI. É que, o seu conteúdo, de tão explosivo e provocatório que era, começou a ser divulgado dias antes. E se chegou ao meu conhecimento, mais cedo terá chegado à administração da TVI.

Nessa entrevista MMG chama "estúpidos" aos seus superiores. Aliás, as palavras "estúpidos" e "estupidez" aparecem várias vezes sempre que MMG se refere à administração.

É um documento que merece ser analisado, não somente do ângulo jornalístico, mas sobretudo do ponto de vista comportamental. É uma entrevista de uma pessoa claramente perturbada, convicta de que é a maior ("Eu sou a Manuela Moura Guedes"!) e que se sente perseguida por toda a gente. (Em psiquiatria esse tipo de fenómenos são conhecidos por "ideias delirantes", de grandeza ou de perseguição).

MMG diz-se perseguida pela administração da TVI; afirma que os accionistas da PRISA são "ignorantes"; considera-se "um alvo a abater"; acusa José Alberto de Carvalho, José Rodrigues dos Santos e Judite de Sousa de fazerem "fretes ao governo" e de serem "cobardes"; acusa o Sindicato dos Jornalistas de pessoas que "nunca fizeram a ponta de um corno na vida"; diz que o programa da RTP 2, Clube de Jornalistas, é uma "porcaria"; provoca a ERC (Entidade Reguladora da Comunicação Social); arrasa Miguel Sousa Tavares e Pacheco Pereira, etc.

E quando o entrevistador lhe pergunta se um pivô de telejornal não deve ser "imparcial", "equidistante", "ponderado", ela responde: "Então metam lá uma boneca insuflável"!

Como é que a uma pessoa que assim "pensa" e assim se comporta, pode ser dado tempo de antena em qualquer televisão minimamente responsável?

Ao contrário do que alguns pretendem fazer crer - e como sublinhou Mário Soares - esta questão não tem nada a ver com liberdade de imprensa ou com a falta dela. Trata-se, simplesmente, de um acto e de uma imperativa decisão administrativa, e de bom senso democrático.

Como é que alguém, ou algum programa, a coberto da liberdade de imprensa, pode impunemente acusar, sem provas, pessoas inocentes? É que a liberdade de imprensa não é um valor absoluto, tem os seus limites, implica também responsabilidades. E quando se pisa esse risco, está tudo caldeirado. Há, no entanto, uma coisa que falta: uma explicação totalmente clara e convincente por parte da administração da TVI, que ainda não foi dada.

Vale também a pena considerar os posicionamentos político-partidários de MMG e do seu marido.

J. E. Moniz tem, desde Mário Soares, um ódio visceral ao PS. Sei do que falo. MMG foi deputada do CDS na AR. Até aqui, nada de especialmente especial.

O que já não está bem - e é criminoso - é que ambos se sirvam de um telejornal para impunemente acusarem pessoas inocentes, sem quaisquer provas, instilando insinuações e induzindo suspeições.

Ainda mais reles é o miserável aproveitamento partidário que, a começar no PSD e em M. F. Leite, e a acabar em Louçã e no BE, está a ser feito. Estes líderes políticos, tal como Paulo Portas e Jerónimo de Sousa, sabem muito bem, que nem Sócrates nem o governo tiveram qualquer influência no caso TVI. Eles sabem isto. Mas Salazar dizia: "O que parece, é"!

E eles aprenderam.

- 1984. Eu era, então, administrador da RTP. Um dia a minha secretária disse-me que uma das apresentadoras tinha urgência em falar comigo: - "Venho pedir-lhe se me deixa ir para a informação, quero ser jornalista"! Perguntei-lhe se tinha algum curso de jornalismo. Não tinha. Perguntei-lhe se, ao menos, tinha alguma experiência jornalística, num jornal, numa rádio... Não tinha. "O que eu quero é ser jornalista"! Percebi que estava perante uma pessoa tão determinada quanto ignorante. E disse-lhe: "Vá falar com o director de informação; se ele a aceitar, eu passo-lhe a guia de marcha e deixo-a ir". A magricelas conseguiu. Dias depois, na primeira entrevista que fez - no caso, ao presidente do Sporting, João Rocha - a peixeirada foi tão grande que ficou de castigo e sem microfone uma data de tempo.

P.S. - A jovem apresentadora chamava-se Manuela Moura Guedes.

E se eu soubesse o que sei hoje...

[O Ribatejo, José Nisa]



Publicado por Rutilio às 21:16 de 16.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

“Paranóia” Público-Belém

O provedor do leitor, Joaquim Vieira, revela hoje no Público, o caso das “escutas” do Governo ao Presidente da República, uma intriga política cozinhada entre um acessor de Belém e aquele jornal.

As “escutas” inventadas pelo assessor do PR e publicitadas com alarme pelo Público em 18 de Agosto com a manchete: “Presidência suspeita estar a ser ‘vigiada pelo Governo”. passou a ser a prova que faltava para dar um arremedo de credibilidade à estulta acusação da “asfixia democrática”, uma linha central da campanha do PSD e de Manuela Ferreira Leite, cujo currículo académico não regista nem um pio contra a ditadura, enquanto assistiu, em toda a sua vida universitária às perseguições e à prisão de centenas de universitários seus colegas que lutavam pela liberdade e até ao assassinato de um deles (Ribeiro dos Santos) às mãos da PIDE.

Uma parte do enredo montado pelo assessor de Cavaco Silva e pelo Público (com intervenção directa de José Manuel Fernandes) não apresenta factos e a que os apresenta, a investigação de Joaquim Vieira revelou que eram forjados.

A denúncia de Joaquim Vieira é reveladora do trabalho sujo em que acenta a campanha da "verdade", da "honestidade" e da "ética" do PSD e de Manuela Ferreira Leite e pode ser lido aqui.

[PuxaPalavra, Raimundo Narciso]



Publicado por JL às 00:33 de 14.09.09 | link do post | comentar |

Todos os jornalistas

Se a dra. Ferreira Leite o diz é porque é Verdade: "Todos os jornalistas, todos os empresários e pessoas da sociedade civil percebem que estão sob algum tipo de retaliação, sob algum tipo de chantagem (…) caso ousem criticar o Governo". Ando há uns dias a matutar nisso e receio ter-me tornado bipolar.

 Às segundas, quartas e sextas dá-me para a depressão: se "todos" percebem por que é que eu não percebo?; será que nunca "ousei" criticar o Governo?; terei estado "sob algum tipo de retaliação, sob algum tipo de chantagem" sem o saber?; não serei jornalista, ou empresário, ou sequer "pessoa da sociedade civil"?; quem sou?, donde venho?, para onde vou? Já às terças, quintas e sábados, é a euforia: sou a excepção respirante entre todos os asfixiados pois tenho (tremo só de pensar nisso) "ousado" criticar o Governo e não fui retaliado ou chantageado, um raro, um privilegiado, espécie de aldeia de Astérix perdida algures na imprensa portuguesa sujeita ao jugo do invasor romano. Só aos domingos é que me ocorre que talvez o "Portugal de Verdade" da dra. Ferreira Leite seja uma notícia um pouco exagerada. [Jornal de Notícias, Manuel António Pina]



Publicado por JL às 00:05 de 11.09.09 | link do post | comentar |

Haja bom senso

É espantoso o que ocorre nos dias que passam. Manuela Ferreira Leite, Paulo Portas, Aguiar Branco, Francisco Louçã, Jerónimo de Sousa e outros, acolitados por uma mão cheia de jornalistas e ‘opinion-makers’, têm vindo a desenvolver uma infame campanha para tentar consolidar uma, mais uma, conspiração segundo a qual está em curso um processo de "asfixia democrática".

Erguem-se estas almas para chorar o fim de um jornal televisivo, que, de forma sistemática, violou leis da República e, ao mesmo tempo, espezinhou os códigos ético e deontológico. Deixam assim o seu nome ligado e comprometido com os abusos praticados por Manuela Moura Guedes, em que o bom--nome das pessoas era aviltado e posto em causa com prepotência e sem hipótese de defesa das vítimas, com uma prática insuportável de sonegação de informação, de adulteração da verdade, de manipulação dos factos.

Se com Paulo Portas isto não surpreende por tudo o que fez de absurdo no ‘Independente’, já custa a acreditar que os outros afinem pelo mesmo diapasão. É inquestionável que a decisão da administração da TVI liderada por Cebrian, um nome de referência do jornalismo internacional, é um acto de gestão. A Administração da TVI, legitimamente, limitou-se a não contemporizar como reinício do regabofe das sextas-feiras. [Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:07 de 08.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A estupidez não tem limites

O Jornal Nacional da TVI não gostava de José Sócrates e o afecto era retribuído. A vantagem é que quem frequentava aquela hora já sabia ao que ia: não era possível ter um olhar neutro, até porque o que era oferecido não era um produto jornalístico, assente em factos e no contraditório. Mas essa é outra história, que tinha, aliás, a vantagem de ser clara. A três semanas de eleições, a decisão de pôr fim ao regresso anunciado de Manuela Moura Guedes aos ecrãs é uma decisão notável, que não se percebe a quem convém. Comercialmente não faz sentido que a Media Capital abdique de um programa líder de audiências e politicamente Sócrates sai prejudicado pela percepção de que afinal há "asfixia democrática". Mas, convenhamos, uma televisão privada é uma empresa, em que também há relações hierárquicas. Ora o que poderá uma administração fazer quando uma funcionária se entretém a conceder declarações à imprensa que colocam manifestamente em causa a autonomia das decisões da administração? Pois foi isso que fez Moura Guedes ao dizer, textualmente, que "só se fosse alguém muito estúpido" é que a tirava do ar. Entre fingir que não ouviram ou agir em conformidade face a uma chantagem, a administração agiu. É, no mínimo, estúpido e inoportuno. [Arquivo, Pedro Adão e Silva]



Publicado por JL às 00:03 de 06.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A padeira de Queluz de Baixo

Ou estou muito enganado ou num dos próximos dias o Público terá como notícia de primeira página “Sócrates aliciou assessor de Cavaco”, também aposto que o assessor em causa foi o tal que se lembrou de queixar ao mesmo jornal que os assessores de Belém estavam a ser vigiados pelo governo.

Só mesmo o tal assessor anónimo é que teria imaginação suficiente para se lembrar de aconselhar Sócrates a pedir à Media Capital o fim do jornal da dona Moniz. Se Sócrates tivesse dado tal passo, agora que Manuela Moura Guedes já tinha convencido quem tinha a convencer, teria dado um tiro do pé, em vez de ser criticado por ingerência na linha editorial da TVI, deveria ser demitido compulsivamente de secretário-geral do PS.

Mas o facto é que a Media Capital se livrou de Manuela Moura Guedes e nem teve de lhe pagar os três milhões de euros que o marido embolsou quando saiu da estação de televisão. Mas pelos vistos a indemnização paga a Moniz não previa o fim do controlo da estação pela família Moniz, isso viu-se na despedida, quando Moniz tentou condicionar a linha editorial da informação da estação ao dizer que o fim do jornal da esposa seria uma desgraça. A família estava tão arrogante e convencida que a própria Manuela chamou estúpidos aos patrões.

A verdade é que a indemnização paga a Moniz não incluía a demissão do seu fantasma mais a esposa, ao longo de anos o Eduardo Moniz comportou-se como patrão da estação, cultivando o culto da personalidade, a sua arrogância chegou ao ponto de ter usado a estação para tentar derrubar um governo legítimo do país.

Se a Media Capital pôs fim a um programa que visava objectivos políticos que ultrapassavam o que se espera de um telejornal fez muito bem, só pecou por ter tomado a decisão de forma tardia e num contexto em que acaba por provocar mais prejuízos do que a sua manutenção. Compreende-se que o PS tenha ficado incomodado com a decisão, foi o grande prejudicado. Compreende-se também a reacção incrédula das virgens da oposição pois mesmo sabendo que a informação da dona Moniz era um nojo isso favoreça-os.

Entretanto o país ganhou mais uma heroína da liberdade, uma Manuela Moura Guedes que muito brevemente vai ser promovida a mais uma padeira em luta contra os castelhanos da PRISA (por ironia do destino a sede da estação até fica numa rua de nome Castelhano, mais precisamente na Rua Mário Castelhano), a Padeira de Queluz de Baixo. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:03 de 05.09.09 | link do post | comentar |

O primo "Gordo"

Mais uma vez o cobarde e hipócrita anonimato serve para criar factos políticos. A TVI abriu o seu jornal com a peça rasca que a Manuela Guedes queria apresentar. A peça é toda baseada em informações dadas por arguidos anónimos que podem ou não existir. É a teoria dos jogos, ninguém sabe quem foi e ninguém pode desmentir a veracidade dos factos.

Descobriu-se agora, ao fim de mais de cinco anos de investigação, que há um primo gordo. Já foi o tio, o outro primo, o buldogue do tio, a mãe e é agora o primo gordo, alvo de emails sem prova de existência real. Verdade é só a encenação e os bonecos dos emails desenhados na TVI.

Nunca o capital estrangeiro desceu tão baixo em Portugal. E qual o objectivo da Prisa?

Derrubar o Primeiro-Ministro? Para quê? Ou mostrar apenas como era rasca e estúpida a peça da Guedes?

A não ser isso, a única justificação seria a de Manuela Ferreira Leite ter prometido um generoso empréstimo de 2 mil milhões de euros por parte da Caixa Geral de Depósitos se vier a ser primeira-ministra.

Posso dizer que fonte anónima do PSD confirmou essa promessa. Em termos de anonimato qualquer um pode dizer o que lhe apetece, mas jornalismo não é escrever uma péssima ficção literária. Jornalismo é relatar factos reais baseados em fontes credíveis e susceptíveis de serem provadas. A fonte anónima faz do jornalismo uma vergonha e reduziu a TVI a um zero absoluto em termos de credibilidade e seriedade. Contudo, a ficção não deixa de ser curiosa e é interessante ver até que ponto é que a intolerância e o ódio político podem levar as pessoas a fazerem tábua rasa da ética.

Ficção & Realidade

Da longa entrevista que a procuradora Cândida Almeida, directora do DCIAP e responsável pela investigação do Caso Freeport, deu a Judite de Sousa (RTP), retive duas passagens muito esclarecedoras:

1. Grande parte do que passa por fugas de informação são meras invenções. Exemplo: as autoridades inglesas em nenhuma circunstância solicitaram informação sobre as contas de José Sócrates.

2. Cândida Almeida não viu (e não quer ver) o famoso DVD, o qual, aliás, não consta do inquérito. Os outros magistrados que investigam o caso também não.

Gostava de ver os jornais de amanhã a sublinhar estes pontos, por muito que lhes custe dar o braço a torcer. Afinal, foi com base neles que o Caso Freeport virou questão de Estado.

[Da Literatura, Eduardo Pitta]

Canal História

Em 1980, ano de eleições legislativas, era então Francisco Sá Carneiro primeiro-ministro, a Oposição resvalou para a «luta policial» (em vez da luta política). O Diário, jornal do PCP, foi o primeiro a lançar a campanha das alegadas dívidas de Francisco Sá Carneiro à banca (à mistura, envolveram a sua vida pessoal e privada ao barulho) e insistiu no tema até à exaustão. Em meados de Agosto, na RTP – não haviam mais canais e tinha acabado de estrear o colorido – Sá Carneiro defendeu-se do «combate larvar» que lhe moviam. Em Outubro, a AD obteve a segunda maioria absoluta.

[Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos, Tomás Vasques]



Publicado por DD às 22:55 de 04.09.09 | link do post | comentar |

Do passado



Publicado por JL às 22:07 de 04.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Liberdade de expressão

O antigo presidente da Media Capital, Miguel Pais do Amaral, disse hoje que caso tivesse continuado na empresa o Jornal de Sexta «nunca teria existido»

Moura Guedes não permitiu que mais nenhuma peça fosse utilizada. A ainda subdirectora de informação recusou também que a apresentação do Jornal Nacional de hoje fosse feita por Júlio Magalhães, o único pivot experiente da TVI que se tinha proposto a fazê-lo.

Miguel Paes do Amaral, antigo dono da TVI, critica a informação da estação de Queluz e defende a decisão da administração de acabar com o jornal apresentado por Moura Guedes. “Era algo que se esperava que acontecesse há algum tempo. Aquele noticiário ultrapassava tudo o que era admissível.

O ex-editor da TVI Paulo Simão acusou hoje José Eduardo Moniz de lhe ter exigido que "alinhasse" o seu Jornal da Tarde pelo jornal de sexta-feira, de Manuela Moura Guedes, ordem que o levou a sair da estação.



Publicado por JL às 22:02 de 04.09.09 | link do post | comentar |

Fizeram o que tinham que fazer

 

«Só se fossem muito estúpidos é que me tiravam do ar!»



Publicado por JL às 00:05 de 04.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Desculpabilizar os gestores da sua responsabilidade

O campeão da competitividade (pela via mais desastrosa)

Desde meados de Agosto que o Jornal de Negócios tem dedicado 3 a 4 páginas de cada edição diária a uma área governativa específica, dando conta da situação do país nesse domínio, fazendo o balanço do que foi feito pelo actual governo, comparando as propostas dos principais partidos e entrevistando figuras de destaque na área respectiva.

Algumas das peças que li são do melhor jornalismo que se faz em Portugal. Destaco o tratamento que foi dado a temas como a desigualdade (24/8), a segurança social (25/8) ou o código do trabalho (26/8). Infelizmente também há temas cujo tratamento merece menos elogios - o de hoje é um desses casos.

Há pouco se possa deixar de criticar no tratamento dado ao tema da competitividade, na edição de hoje: desde a confusão de conceitos (fala-se em produtividade, competitividade e concorrência como se fosse tudo a mesma coisa), aos indicadores e fontes utilizadas (o ranking de competitividade da empresa IMD - que está longe de ser uma referência consensual; ou a balança de pagamentos tecnológica - a qual, por muito sexy que seja, tem um valor verdadeiramente residual nas contas externas e que, contrariamente ao que vem no texto do artigo, tem muito pouco a ver com ‘produtos tecnológicos’), terminando na personagem escolhida para falar sobre competitividade - a eminência parda do liberalismo-conservador em Portugal, Pedro Ferraz da Costa (PFC).

Para PFC o problema da competitividade em Portugal não tem nada a ver com o padrão de especialização da economia portuguesa (fruto de uma história de baixas qualificações, empresários que não gostam de arriscar e uma intervenção do Estado que oscila entre a protecção dos interesses instalados e a demissão na promoção do desenvolvimento), com o baixo valor acrescentado produzido pela generalidade das empresas portuguesas (fruto de ausência de dinâmicas de inovação e da má inserção nas cadeias de valor internacional), com os elevados custos de alguns inputs transversais (desde logo, a energia, fruto de uma política de regulação ao serviço das grandes empresas do sector) e das dificuldades de acesso a crédito (idem).

Não, para PFC a falta de competitividade em Portugal tem a ver, só e apenas, com o crescimento dos salários acima da produtividade. Não importa que os salários em Portugal sejam já dos mais baixos da UE. Não importa que a política de baixos salários constitua um incentivo para continuarmos a investir em sectores de baixo valor acrescentado e que estão condenados a enfrentar uma concorrência crescente de economias com custos de produção muitíssimos mais reduzidos. Não importa também que a história económica nos mostre que os países mais competitivos no longo-prazo são aqueles onde os salários mais crescem (e que a competitividade-preço não faz mais do que contribuir para resolver desequilíbrios externos conjunturais).

Nada disto interessa, por uma razão: é que PFC está muito mais preocupado com os lucros que os empresários podem obter no imediato do que com o desenvolvimento sustentado do país. É pena que o Jornal de Negócios não tenha imaginação para escolher um entrevistado menos previsível e limitado. [Ladrões de bicicletas, Ricardo Paes Mamede]

 

PFC não diz nenhuma mentira, aliás diz uma grande verdade, quando diz que a falta de competitividade do país se deve a um crescimento dos salários acima da produtividade.

O grande problema de PFC, de Vítor Bento e de muitos outros é o de associarem o aumento da produtividade única e exclusivamente à redução dos custos. O grande problema é que PFC só olha para o denominador da equação da produtividade. Produzir o mesmo tipo de bens a custos mais baixos. Isso só nos arrastará numa espiral de empobrecimento ao tentarmos competir pelo preço mais baixo.

O que PFC não fala, nunca fala, é do numerador da equação da produtividade, do aumento da criação de valor, do aumento da produtividade através do aumento dos preços ao produzir bens com maior valor acrescentado. Bens que não competem pelo preço mais baixo.

Bastava perguntar a PFC como é que ele explica o aumento em mais de 250% da produtividade do sector do calçado português?

O que PFC faz ao colocar a tónica na redução dos custos é desculpabilizar os gestores da responsabilidade de melhorar o numerador da equação da produtividade. Só eles têm autoridade para o fazer. [Balanced Scorecard, de CCz (comentário)]



Publicado por Xa2 às 00:01 de 04.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Escândalos: As obras na marquise de Cavaco Silva

 

A remodelação da casa de Cavaco Silva e as suspeitas de fraude fiscal. Tudo arquivado.

Em 1993, o casal Cavaco Silva inicia as obras de remodelação no seu apartamento na Travessa do Possolo, em Lisboa. A história ganha dimensão quando, em Agosto de 1994, o jornal "Expresso" recebe uma denúncia sobre suspeitas de fraude fiscal da empresa que executa as obras na casa do primeiro-ministro: a Soprocil - Sociedade de Projectos e Construções Civis, SA, sediada em Tavira. A empresa teria realizado trabalhos a mais sem emitir a respectiva factura, fugindo ao pagamento do IVA.

O "Expresso" questiona os subempreiteiros e Cavaco Silva sobre o valor das obras. Sem responder, Cavaco Silva envia uma carta ao director do jornal queixando-se do inquérito. E identifica um jornalista que se teria feito passar por agente da Polícia Judiciária. A resposta oficial às perguntas do "Expresso" surge dias mais tarde, assinada pelo assessor de imprensa Fernando Lima, que escreve em nome de Maria Cavaco Silva. O pedido de informação era negado porque Maria Cavaco Silva "também nunca perguntou a nenhum jornalista quanto é que gastou na última reparação do seu automóvel ou na última vez que foi ao alfaiate."

A investigação não é publicada por falta de elementos. A 5 de Janeiro de 1995, Cavaco Silva envia uma carta ao presidente da Assembleia da República, Barbosa de Melo, com a correspondência trocada com o "Expresso" em anexo. Para "suscitar uma reflexão por parte dos representantes do povo sobre a dimensão e amplitude da esfera da privacidade dos familiares de agentes políticos."

A 6 de Janeiro entra na Procuradoria--Geral da República uma queixa apresentada pela contabilista Soprocil, referindo as ilegalidades. No dia seguinte, o "Expresso" publica toda a investigação. e o Ministério Público abre um inquérito.

A contabilista, Maria Lurdes Machado, alega ter recebido uma chamada do arquitecto responsável pela obra, Olavo Dias, informando que os administradores da empresa tinham decidido "fazer uma atenção" ao cliente e não cobrar IVA nos trabalhos a mais. A empresa não emitira a respectiva factura - 300 contos (1500 euros) - e lançara, em outras obras, parte dos valores do material usado na Travessa do Possolo. O casal Cavaco Silva era alegadamente cúmplice por pagar as obras sem factura.

A queixa da contabilista é arquivada em Março de 1995, três meses depois de aberto o inquérito após a empresa pagar o IVA em falta. O casal Cavaco Silva nunca é ouvido porque se considera "desnecessário recolher o depoimento". E porque, sendo "os consumidores finais dos trabalhos", não tinham "qualquer obrigação de exigir factura". A conversa telefónica entre a contabilista e o arquitecto fica por provar. Maria Cavaco Silva escreve ao "Expresso": "Sobre as despesas que paguei, incidiu IVA até ao último tostão." O caso ficou conhecido como "a marquise de Cavaco".

Mas teve outro desfecho: o jornalista referido na correspondência com o "Expresso" processou Cavaco Silva por difamação. O tribunal de primeira instância arquivou a queixa alegando que, mercê de uma confusão entre o Código Penal e do Processo Penal, o prazo prescrevera. O Tribunal da Relação de Lisboa delibera no mesmo sentido.

Meses antes da sentença, os mesmos juízes assumiram outra decisão sobre uma matéria semelhante à do processo Cavaco Silva. E essa sentença foi em sentido oposto à do caso de Cavaco Silva. O colectivo de juízes afirmou ter mudado de opinião. O Supremo Tribunal confirmou esta sentença e criou jurisprudência que permitiu arquivar mega investigações da Polícia Judiciária como a do Fundo Social Europeu. [ i ]



Publicado por JL às 16:02 de 27.08.09 | link do post | comentar |

Dez debates, quanto será o esclarecimento?

Feitas as contas, com o acordo estabelecido entre os três canais de televisão, RTP, SIC e TVI serão mais de dez os debates a levar a cabo ao todo, se os líderes partidários anuírem à proposta. As três televisões propuseram sucessivos frente-a-frente entre os líderes dos cinco partidos com assento na Assembleia da República.

Se todos os partidos se puserem de acordo, como é credível que acabe por acontecer, são, pelo menos, dez as oportunidades de apresentação de ideias e de esclarecimentos à opinião pública sobre as diferentes propostas de programas eleitorais. Será que vamos ficar mais esclarecidos ou mais confusos? Dos, respectivos, lideres dependerão os resultados.
Apesar do alarido que para aí vai por causa dos debates ninguém diz uma palavra sobre os muitos que ficam de fora deste acordo que envolve a, que se pode chamar, de primeira liga da política partidária. A democracia não é perfeita, já sabemos isso, como diria Sócrates (o de Roma inA República”) através do livro escrito pelo seu discípulo Platão “...a pior das democracias será sempre, infinitamente melhor, do que a melhor das ditaduras.”


Publicado por Zé Pessoa às 08:54 de 27.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Mário Soares e o “Patético de Manuela Ferreira Leite”

Segundo artigo de opinião publicado no DN, o antigo Presidente da República critica a atitude de Manuela Ferreira Leite na entrevista que deu à RTP1 na semana passada, em que chamou mentiroso a José Sócrates, “um termo pouco próprio num debate democrático entre adversários políticos” e, acrescenta, “com um olhar de mazinha ao canto do olho que me surpreendeu...”.

Mário Soares continua as críticas à líder do PSD, dizendo que Ferreira Leite “não disse nada de jeito” sobre “cultura, educação, ciência, ambiente, Europa, justiça, administração, segurança social, luta contra a criminalidade, defesa, luta contra o terrorismo, imigração, política no sentido mais estrito, relações partidárias, reforço da democracia”.



Publicado por Otsirave às 13:06 de 25.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Fontes secas

A questão das escutas em Belém interpela três instituições da democracia em Portugal - o Governo, a Presidência da República e a Imprensa. Seguindo ridículo a ridículo o desenrolar da opereta, só se pode concluir que houve jornalismo que entrou em perigoso conúbio com fontes de Belém para criar um factoide de represália que respondesse às simplórias acusações de colaboracionismo entre Belém e a Lapa na elaboração do programa do PSD.

Há muito que os leitores do "Público", entre os quais me incluo, notam que o jornal tem procurado marcar o seu território na dura luta por protagonismo, encostando-se à Presidência e malhando (à la Santos Silva) no PS. É um comportamento que a ocasional tentativa de cosmética com colunas isentas não consegue disfarçar.

O "Público" é hoje um jornal de opinião. E tem direito a sê-lo. Tal como o "Avante", o "Portugal Hoje" ou o "Portugal Socialista", defende a orientação que as suas tutelas definem. É uma maneira de ser dos editores. É a maneira de estar da sua consciência cívica. No processo informativo de uma comunidade não se deve excluir a opinião. Pelo contrário. É preciso procurá-la, lê-la ou ouvi-la e depois considerá-la ou descartá-la. Para a consumir como produto mediático, seja na "Luta Popular", na "Comuna" ou no "Público", é preciso estar equipado com a chave que descodifique as intenções e objectivos dos autores, e depois, retirar a informação lá contida que é útil para formar uma imagem completa do que nos rodeia.

A chave para entender a ofensiva do "Público" veio na sua edição de 19 de Agosto de 2009, no editorial da Direcção onde se admite que a verdade é que ninguém pode responder à pergunta se a Presidência está ou não a ser escutada pelo Governo. Isto, escrito dois dias depois de se ter anunciado com máximo destaque que se suspeitava que estivesse, diz o que há a dizer sobre a fiabilidade da informação publicada. Admitindo o próprio jornal que aquilo que publicou não é confirmável, resta-nos tentar entender o que é que levou o "Público" a fazer isso. Mais adiante, no mesmo editorial, há outra pista. Lê-se que o que as fontes de Belém fizeram foi "um aviso à navegação". Ao escrever isto, José Manuel Fernandes admite que, contactado pelas sombrias "fontes de Belém", se prestou a ser veículo desse aviso, fosse ele confirmável ou infirmável.

A desesperada tentativa do jornal de tentar credibilizar a sua notícia levou a incluir na página dos relatos não substanciados uma coluna onde se lia que já o procurador-geral tinha dito que era escutado no seu gabinete. O que é que isto tem a ver com o caso? Nada. O que é que isto tem a ver com este jornalismo de opinião e a suas fontes? Tudo.

Já tive a minha dose de problemas com "fontes de Belém". Denunciei-as por estarem a colocar sob anonimato notícias nos jornais que depois não confirmavam oficialmente, criando embaraços aos editores mais crédulos. O chefe da Casa Civil, Nunes Liberato, brindou-me com uma queixa aos meus empregadores. É distinção que me honra e faz curriculum. Fiquei agora a saber que "as fontes de Belém" estão não só secas de confirmações, mas estão a secar a dignidade informativa à sua volta. [Jornal de Notícias, Mário Crespo]



Publicado por JL às 14:53 de 24.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Será senilidade?

Quando o semanário Expresso noticiou o envolvimento de assessores de Cavaco Silva na eleição de Manuela Ferreira Leite a Presidência da República apressou-se a divulgar um comunicado desmentindo a notícia. Na edição seguinte o Expresso manteve o que tinha escrito e o assunto ficou por aí.

Quando um outro semanário noticiou o envolvimento de assessores da Presidência da República na elaboração do programa do PSD a opção foi outra, Cavaco Silva manteve-se em silêncio, foi o PSD que veio desmentir a notícia. Cavaco optou por recusar tomar posição por causa do período eleitoral, mas lá foi ameaçando que se fosse necessário tomava falava em público.

Quando todos se tinham esquecido da notícia original um qualquer assessor anónimo veio lançar uma insinuação de grande gravidade sobre o primeiro-ministro, insinuando que a Presidência da República poderia estar sob vigilância. Incrivelmente Cavaco permaneceu em silêncio.

Das duas uma, ou Cavaco anda tão nervoso com as sondagens que vai lendo que achou que devia ir mais longe na sua estratégia de favorecimento de Manuela Ferreira Leite, ou está ficar senil e são os seus jovens tigres recrutados no PSD que representam a Presidência da República enquanto Cavaco Silva se vai entretendo a comer carapaus alimados.

É grave que a Presidência da República seja envolvida em insinuações deste tipo, é ainda mais grave que essas insinuações sejam feitas por assessores a coberto do anonimato (ode estará Pacheco Pereira que em tempos tanto atacava os blogues anónimos?), é gravíssimo que Cavaco Silva dê cobertura com o seu silêncio, fazendo suas as acusações dos seus assessores.

Há muito que Cavaco Silva deixou de ser uma referência da estabilidade política, deixou cair a imparcialidade e desde que Manuela Ferreira Leite reapareceu que o seu envolvimento no processo político é cada vez maior, chegando agora ao ponde de promover ou deixar-se envolver em golpes que são tão baixos que chegam a ser idiotas. Cavaco Silva parece estar a perder o controlo, já não parece ser ele que contra a Precedência da República, deixando aos assessores essa tarefa.

Cavaco não resistiu à tentação de deter todo o poder e não hesita em desprestigiar a instituição Presidência da República entregando-a a assessores com deficiente formação política que estão a querer transformar este país numa república das bananas. Desta vez os assessores chegaram ao ponto de lançar insinuações graves para desviar a atenção dos portugueses das listas de candidatos do PSD.

Cavaco estará a ficar senil? Nunca foi grande coisa enquanto político, mas quando era um pouco mais jovem revelava mais inteligência e controlo das situações do que aquilo a que estamos a assistir. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:14 de 24.08.09 | link do post | comentar |

A entrevista de MFL



Publicado por JL às 00:09 de 21.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A cidadania que temos, mesmo em tempos de eleições

Os temas que enchem as parangonas da comunicação social passam, fundamentalmente, pelas seguintes preocupações:

·         Assessores do PR, que ajudam a elaborar programas partidários;

·         Escutas e vigilâncias entre Belém e são Bento;

·         Presidência da República teme estar a ser vigiada;

·         Capucho diz que “algo de anormal se passou” no caso da vigilância;

·         Assis desafia Cavaco a mandar calar os que em Belém lançam suspeitas;

·         Homossexuais que não podem dar sangue no Santo António;

·         Quatro carros da GNR abalroados por fugitivos;

·         Sócrates só aceita dois debates frente-a-frente com Ferreira Leite;

·         PS chamou a polícia;

·         Socialistas gastam mais;

·         "Eles chegam aqui e tomam conta de tudo";

·         Bandeiras monárquicas hasteadas na Cidadela de Cascais;

·         Linha 24 incapaz de responder às solicitações;

·         Ministra reconhece incumprimento de protocolo assinado;

·         Algarve está sem controlo do vírus H1N1;

·         PCP quer que Estado denuncie contrato com empresa responsável pela Linha de Saúde 24;

·         Manuais escolares estão mais caros 4,5%;

·         Santana impõe equipa à distrital;

·         Descubra as diferenças entre PCP e BE;

·         Tráfego acima dos 600 mil contentores em Alcântara justifica investir na Margem Sul, defende o presidente da CCDRLVT;

Finalmente,

·         "Portugal não tem dimensão para se roubar tanto"

·         Economia recupera mas corre perigo.

Viu aqui alguma nota sobre justiça, emprego, ecologia, ordenamento do território, combate à corrupção e promoção da justiça fiscal e social?

Pois é, mesmo em tempos que deveriam ser de apresentação de propostas de trabalho e compromissos futuros, para que o eleitorado pudesse escolher, o que sucede é os políticos se distraírem em questiúnculas que nada importam nem acrescentam à democracia e exercício da cidadania ou os Órgãos de Comunicação Social darem mais relevo às fofoquices próprias de revistas de má-língua que de coisas sérias e problemas a necessitarem de respostas resolutivas que façam o país andar para diante.

Enfim, cada vez mais pobres até no comportamento ético e cívico.



Publicado por Zé Pessoa às 14:44 de 20.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

O Grupo Prisa não Pode Pagar a Dívida de 1,95 mil milhões de euros

O grupo capitalista espanhol Prisa que detém a “Média Capital”, por sua vez, proprietária da TVI está a atravessar uma grave crise financeira.

As dívidas do grupo Prisa de 1,95 mil milhões de euros estão a vencer os seus prazos e este terá de os renegociar com os bancos credores, Naxitis e BNP Paribas de França, o que passa pelo pagamento de parte da dívida, só possível pela venda total ou parcial de muitas das participações em dezenas de empresas do grupo.
A “Média Capital” é um investimento que os dirigentes do grupo dizem ser estratégico, mas os analistas admitem que 20 a 30% do respectivo capital está mesmo à venda. Os jornais do grupo tendem a vender menos e a acumular prejuízos, pelo que as estações de televisão ainda valem alguma coisa enquanto não se desvalorizarem de todo. Em Espanha, o governo Zapatero já cedeu à chantagem do grupo e outros empresários privados de televisão e acabou com a publicidade na televisão estatal TVE. Os bancos franceses estão a exigir garantias de valor superior ao das dívidas para as renegociar, considerando a possibilidade de os activos do grupo virem a perder valor nos próximos tempos.
O grupo Prisa cometeu o erro de adquirir por OPA a empresa televisão por cabo Sogecabe, tendo pago um valor superior ao actual, pelo que vai vender a empresa “Digital Plus” e o grupo “Santillana”, além de dispersar parte do capital de “Média Capital” em bolsa ou vender uma tranche importante a algum investidor interessado.
No último trimestre de 2008, o grupo Prisa apresentou resultados muito maus, o que levou já a mudanças na direcção da respectiva “holding”.
José Eduardo Moniz, o administrador da TVI, recebeu ordens de Espanha para reduzir em 14% a massa salarial da sua estação, o que, de resto, é uma ordem dos bancos credores para todo o grupo Prisa. Assim, o homem que fez da sua profissão um combate pessoal contra José Sócrates e da TVI a arma fundamental para isso vai estar a braços com a redução salarial e irá, provavelmente, encontrar-se com novos administradores da “Media Capital” no caso de haver comprador para parte das suas acções.
A “Média Capital” já foi de Paes do Amaral que a teve de vender para pagar as dívidas contraídas com a aquisição da parte detida por um gigante americano dos seguros de saúde. Esse grupo é proprietário de grandes empresas de seguros privados de saúde nos EUA e noutros países, além de investir muito em meios de comunicação, nomeadamente em televisões. A aquisição da TVI começou por ser um meio para o grupo de se lançar activamente nos seguros de saúde em Portugal. Mas, verificou que o Serviço Nacional de Saúde funciona regularmente, pelo que os seguros de saúde não podem ser muito caros. Claro, não souberam fazer bem as contas que resultam da mistura do seguro privado com o SNS. Os médicos privados receitam os medicamentos para o SNS pagar e o seguro privado só paga a consulta. Os americanos não compreenderam o sistema e acreditaram que um sistema privado só funcionaria se o desconto para a Segurança Social deixasse de existir e isso só aconteceria se o SNS não deixasse de pagar o quer que fosse oriundo do exercício da medicina privada.
De qualquer maneira, a TVI quando foi parcialmente adquirida pelo grupo americano de seguros de saúde iniciou uma campanha violenta contra o SNS de modo a criar um mercado para os seguros privados. Quer dizer, não se tratou de jornalismo de relato de casos de doenças, mas sim de uma estratégia organizada para obter objectivos completamente exteriores a uma estação de televisão ou à actividade jornalística. Nessa altura, o casal Moniz esteve totalmente vendido a interesses americanos que pagavam bem. Agora, na campanha contra Sócrates, estão obviamente vendidos a quem lhes está a pagar bem por isso. Quem será? Eis a questão fundamental.


Publicado por DD às 13:24 de 09.05.09 | link do post | comentar |

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