Sexta-feira, 13.07.12

         Lisboa,  Sicília        (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

 O Luís M. Jorge fez o favor de postar este vídeo que explica o buraco em que estamos metidos e a forma como actua a mafia que nos governa. É verdade que os quatro especialistas em economia e fiscalidade são perigosos esquerdistas - José Gomes Ferreira, Paulo Morais, Tiago Caiado Guerreiro e Armando Esteves Pereira - e por isso o vídeo foi produzido clandestinamente numa gruta para os lados de Celorico de Basto. Com um pedido de paciência aos nossos leitores de direita, mais sensíveis a este tipo de gente, aconselho a verem até ao fim, vale mesmo a pena. Assustador.           ( tags: crime organizado, crise )


Publicado por Xa2 às 07:40 | link do post | comentar | comentários (6)

Sexta-feira, 29.06.12

                           UE:  Futebol  &   ‘Rebelião’  Latina …   (-por e-pá! Ponte Europa)

   Deixando de fora o Euro 2012 e o disputado encontro de Varsóvia, ontem, e simultaneamente com o desenrolar do 'match', no Conselho Europeu em Bruxelas, viveram-se - segundo se depreende - momentos de exigente e animado debate político.
   Tratou-se do reavivar de um problema recorrente que tem sido sistematicamente agendado (adiado) para o médio prazo. Isto é,  a regulação dos mercados de obrigações através da intervenção dos fundos de socorro europeus (FEEF e SEM).
   Tal intervenção foi exigida - para já e com urgência - por Mario Monti e apoiada por Mariano Rajoy. link
Perante as constantes indecisões e ziguezagues sobre agendas de crescimento, project bonds e eurobonds e face à eminência de novos (mega)resgates (Espanha e Itália... e Chipre...), o enfrentar das progressivas pressões dos mercados tornou-se uma questão central e prioritária que determina a tomada imediata de decisões para a defesa da moeda única.
   O Conselho Europeu terá dificuldades em delinear uma inflexão tão profunda no enfrentar da ‘crise das dívidas soberanastornando equilibrado e transparente o acesso aos mercados de financiamento. Existem - dentro da UE - muitos e poderosos interesses em jogo, nomeadamente, questões de âmbito nacional e, a curto prazo, eleitoral.
    Todavia, o crescente número de países europeus 'encurralados' pelo desmesurado apetite dos mercados, algum dia (terá sido ontem?), teriam de 'bater o pé' e apostar na Europa e no futuro comum.
   Sendo assim, quando na próxima semana se disputar, no futebol, mais uma final europeia, seria bom que, neste caso, os dois países latinos envolvidos, estejam sob a pressão emotiva dos seus adeptos mas livres do silencioso cerco (garrote) dos mercados e das cíclicas indecisões de Bruxelas.
   E, regressando à alegoria futebolística, em Kiev, na próxima final, que ganhe o melhor!


Publicado por Xa2 às 07:54 | link do post | comentar | comentários (8)

Quarta-feira, 27.06.12

                                       Federalismo europeu

     «Seguro quer eleição directa da Comissão Europeia para resolver crise política»   Esta ideia é hoje defendida em vários quadrantes como via para aprofundar a legitimidade democrática da União, reforçar a Comissão Europeia e o "método comunitário" face ao intergovernamentalismo do Conselho e avançar na senda do federalismo europeu.
      Há porém pelo menos duas contra-indicações nessa proposta (de Seguro):

(i) a escolha do presidente da Comissão Europeia em eleição directa requer mudança dos Tratados da UE, e não se afigura ser possível unanimidade nessa matéria, o que inviabiliza à partida a solução;

(ii) a eleição directa conferiria um enorme peso aos países mais populosos da União (Alemanha, França, Reino Unido, Itália, etc.) na escolha do presidente da Comissão Europeia, maior do que o que têm no Parlamento e no Conselho.
      Sucede que há uma alternativa mais ortodoxa e mais praticável, explorando o que já consta dos actuais Tratados, quando estabelecem que o presidente da Comissão é escolhido pelo Conselho tendo em conta os resultados das eleições para o Parlamento Europeu. Desse modo, para que ele fosse escolhido em eleições bastaria que:

  (i) os partidos políticos europeus se comprometessem a apresentar os seus candidatos a presidente da Comissão nas eleições para o Parlamento Europeu;

  (ii) que os partidos políticos nacionais se comprometessem a seguir a indicação dos partidos políticos europeus a que pertencem e a apoiar a candidatura apresentada;

  (iii) que o Conselho Europeu indicasse automaticamente para presidente da Comissão o candidato do partido europeu mais votado nas eleições europeias.

     Não seriam precisas muitas eleições, para elas passarem a ser vistas como eleição do presidente da Comissão, como sucede ao nível nacional.
Esta eleição "indirecta" do chefe do Governo é o sistema vigente nas democracias parlamentares, dominantes na Europa. A escolha directa do chefe do executivo só se verifica nos regimes presidencialistas ou aparentados. O federalismo não requer um regime presidencialista (veja-se o caso da Alemanha e da Suíça na Europa).

    Na tradição parlamentar prevalecente na Europa, o presidente do "governo" europeu (a Comissão Europeia) deve ser escolhido através das eleições parlamentares e não em eleições nominais próprias, à maneira presidencialista.
    O que é preciso é aprofundar e completar a democraia parlamentar ao nível da UE.

 

[É preciso que o Parlamento Europeu tenha a plenitude de um verdadeiro órgão legislativo e fiscalizador da U.E. !; é preciso que a Comissão Europeia seja um verdadeiro Governo federal da U.E. e deixe de ser o "secretariado do Conselho" (de PMs nacionais) ou, pior, sejam 'frouxos paus mandados' dum directório (de 3 ou 2 ou um 1 ditatorial governante 'nacional') sem legitimidade democrática europeia !! e sujeitos/vergados a fortes pressões (com tráfico de influências, corrupção, cartelismo e nepotismo) de poderosos políticos nacionais/ internacionais ou de poderosíssimos lóbis financeiros e de grandes empresas multinacionais !!! ]



Publicado por Xa2 às 13:49 | link do post | comentar | comentários (1)

Quinta-feira, 17.05.12
 
O novo documentário da equipa responsável por Dividocracia chama-se Castastroika e faz um relato avassalador sobre o impacte da privatização massiva de bens públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás. Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em sectores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy.
De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável. Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.
As consequências mais devastadores registam-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de «resgate». Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia. O objectivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos. Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.
Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro. Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemónico omnipresente nos media convencionais, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta ou a barbárie.

 



Publicado por [FV] às 10:03 | link do post | comentar | comentários (5)

Quarta-feira, 09.05.12

          Los duenos de España  (ou de Portugalistãn ...)

     Rodrigo Rato demitiu-se do cargo de presidente do banco espanhol Bankia (seu BPN !), deixando atrás de si um banco que se prepara para uma injecção de 10 mil milhões de euros do Estado espanhol, mas com direito a pára-quedas dourado de 1,2 milhões de euros. Há variedades de capitalismo, mas há coisas que não mudam no capitalismo financeirizado e desigual: Rato foi ministro da economia e vice-presidente do governo do PP, tendo sido um dos arquitectos da bolha imobiliária espanhola.

    Ajudou uma lei de solos feita à medida da economia da construção, puxando uma economia que era dada como exemplo de disciplina laboral e orçamental e adaptação ao euro no discurso neoliberal português nos primeiros anos do milénio; uma bolha que como bom seguidor da sabedoria económica convencional Rato sempre negou, já que as forças de mercado é que sabem.

    Depois Rato foi para o topo do FMI, graças ao tal milagre espanhol e regressou depois ao sistema financeiro espanhol para ganhar umas massas. Lembram-se como se dizia que era bem regulado o sistema financeiro espanhol em 2008 e 2009? De facto, não há sistema que resista ao rebentamento de uma bolha destas dimensões, o que só mostra que o controlo público dos capitais tem de ser muito mais forte. É claro que o Banco de Espanha, tal como o Banco irmão do lado de cá, só pensa em desregulamentar as relações laborais para transferir para as classes populares os custos de um sistema financeiro disfuncional, em que só um banco custará mais do que os cortes em educação e saúde anunciados por Rajoy.

    Lá como cá, temos uma economia desigual, em que uma “pequena elite de 1400 pessoas, que representa 0,0035% da população espanhola, controlava recursos que equivalem a 80,5% do PIB” (Hay alternativas, p. 39). O problema é sempre o mesmo...
 

 



Publicado por Xa2 às 07:56 | link do post | comentar | comentários (7)

Quarta-feira, 15.02.12

Solidariedade e sensatez

 

    «Nós não temos uma situação parecida com a da Grécia», assegura Passos Coelho. O importante é evitar os «efeitos de contágio nefastos», adverte Luís Montenegro. «Portugal não é a Grécia», sentencia Paulo Portas, sacudindo a peçonha. «Ninguém faz comparações entre Portugal e a Grécia», diz Miguel Relvas, em meio tom de intimação.   E enquanto as preces são cerzidas umas às outras, para que em uníssono formem uma oração mais poderosa, alguém tenta sondar mais de perto as divindades, para que, caso o exorcismo falhe (não vá o diabo tecê-las), se garanta alguma ajuda("...") lá do alto. A ladaínha, seja como for, não deve parar: «Portugal não é a Grécia, Portugal não é a Grécia, Portugal não é a Grécia».
    É no meio deste pânico, em que se crê poder esconjurar o naufrágio renegando o passageiro mais exposto, que alguém com a decência e a lucidez que se impõem lembra o facto de, apesar das diferenças, todos se encontrarem no mesmo barco. De passagem por Lisboa, a ministra irlandesa dos Assuntos Europeus, Lucinda Creighton, sublinha que «seria errado tentarmos demarcar-nos da Grécia ou de outro país que esteja a atravessar dificuldades», invocando assim um dever de solidariedade que decorre, desde logo, da circunstância de os três países estarem nas melhores condições para demonstrar uma «grande compreensão em relação às dificuldades que enfrentam».
    E quanto à possibilidade de saída da Grécia da Zona Euro, Creighton é lapidar: «não podemos tolerar essa eventualidade. (...) Temos de ser solidários com a Grécia e mantê-la no euro. Não há alternativa.» À dignidade e sensatez de uma ministra «cautelosamente confiante» contrapõe-se pois o fanatismo medroso dos que se orgulham, irresponsavelmente, de desbravar os mares que ficam «para além da troika».
            (A imagem corresponde, como está bem de ver, a mais uma genial criação da Gui Castro Felga).



Publicado por Xa2 às 13:44 | link do post | comentar

Quinta-feira, 26.01.12
                                        
     A desregulação financeira internacional originou uma crise com consequências económicas muito graves, em particular para os países periféricos da zona euro.

     Depois de uma campanha de terror económico, o problema transferiu-se para a esfera da política e social, iniciando-se uma campanha de destruição dos avanços sociais conseguidos nas últimas dezenas de anos. Urge tomar medidas que impeçam a destruição do que resta do Portugal de Abril.
     Perante a conivência ideológica e política do actual governo com as manobras do capital financeiro internacional, que propostas alternativas apresentam as forças de esquerda portuguesas?  Que convergências será possível estabelecer para aumentar a eficácia da luta contra a ofensiva em curso? 
                                       " A Esquerda, a Crise e a Alternativa"
27 de Janeiro 21.30 H. - Local, Hotel IBIS (junto ao Hospital de S.João) - Porto
Presenças confirmadas:
   - Manuel Pizarro (Partido Socialista)
   - João T. Lopes (Bloco de Esquerda)
   - Correia Fernandes(Movimento de Intervenção e Cidadania)
   - Jorge Bateira (Convergência e Alternativa)
   - Paulo Fidalgo (Renovação Comunista
      Nota: O PCP foi convidado e recusou o convite por "não ser tradição participar em debates promovidos por outras organizações políticas". 
          O núcleo do Porto da RC, 25.01.2012



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Sexta-feira, 30.12.11

 É preciso romper com a troica e obrigá-la a renegociar a dívida

 

Para o politólogo belga, Éric Toussaint, a dívida de Portugal à Europa e ao FMI é ilegítima e deveria ser renegociada. O grande problema da crise, defende, não está nos estados, mas nos bancos. (Hoje no Público)
................

Éric Toussaint não está optimista, mas tem uma visão diferente da actual crise e do que fazer para sair dela. O politólogo e professor universitário belga esteve recentemente em Lisboa para ajudar a lançar a iniciativa por uma Auditoria Cidadã da Dívida Pública. Experiência não lhe falta. É presidente do Comité para Anulação da Dívida do Terceiro Mundo e fez parte da equipa que realizou, entre 2007 e 2008, a auditoria sobre a origem e destino da dívida pública do Equador, ao servico do novo Governo de esquerda do país, num processo que levou ao julgamento de vários responsáveis políticos e à decisão unilateral de não pagar parte da dívida equatoriana. Acredita que o mesmo pode acontecer na Europa. Mas isso implica romper com as exigências da troika.
Depois das decisões que saíram da última cimeira europeia acha que a crise da dívida está próxima do fim?
Esta é uma crise que vai durar 10 ou 15 anos, porque o problema fundamental não é a dívida pública, mas sirn os bancos europeus. E não estou a falar dos pequenos bancos portugueses ou gregos. O problema é que os grandes bancos - Deutsche Bank, BNP Paribas, Credit Agicole, Société Generale, Commerzbank, Intesa Sampaolo, Santander, BBVA - estão à beira do precipício. Isso é muito pouco visível no discurso oficial. Só se fala da crise soberana, quando o problerna é a crise privada dos bancos.
Está a referir-se à exposição dos bancos à dívida pública de alguns países do euro? Não, não é a exposição à dívida soberana, mas sim a derivados tóxicos do subprime [crédito de alto risco]. Está a ocultar-se que todo o conjunto de derivados adquiridos entre 2004 e 2008 continuam nas contas dos bancos, ... [continua aqui]

Etiquetas: Equador, renegociar a dívida, Romper com a troica


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Publicado por Xa2 às 20:04 | link do post | comentar

Terça-feira, 20.12.11

Sinais de maré

   Para os falantes de inglês, pois infelizmente sem legendas, uma interessante entrevista no HARDtalk da BBC com Steve Keen, economista pós-keynesiano australiano que é autor de uma devastadora crítica dos fundamentos epistemológicos e metodológicos da economia neoclássica no livro Debunking Economics.
   Keen, que enjeita afirmar-se anti-capitalista, dá ainda assim uma rara demonstração de lucidez no espaço mediático ao referir-se às origens sistémicas da crise actual, nas suas diversas manifestações; ao estado da economia como ciência; à relação entre a crise do endividamento soberano e o aumento exponencial do endividamento privado (só faltando assinalar a relação com a compressão neoliberal dos salários directos e indirectos); e à necessidade de proceder à eutanásia dos sectores e interesses rentistas que, se não forem detidos, irão inevitavelmente condenar as nossas sociedades a um prolongado período de pauperização.
   Keen advoga a eliminação de uma parte substancial de toda a dívida, pública e privada,  e a nacionalização da banca - e é sintomático que até um crítico relativamente tépido do capitalismo perceba a absoluta necessidade de que assim seja, como única alternativa à barbárie parasitária. A conversa perde-se um pouco na parte relativa aos detalhes de como implementar este plano - Keen sugere que a via deverá passar pelo financiamento monetário de défices públicos crescentes (precisamente o contrário do que, no contexto europeu, é actualmente imposto pelos estatutos do BCE no plano monetário e em vias de consagração constitucional nacional no plano orçamental), mas depois perde-se por alguns instantes perante a incompreensão da entrevistadora. Em todo o caso, bastantes elementos interessantes para animar a reflexão, o debate e o optimismo, nestes tempos em que ainda vão escasseando os motivos para tal. Depois de ontem ter visto a reportagem Contracorrente, na SIC, sobre os movimentos sociais anti-austeritários em Portugal, e da Convenção da Iniciativa de Auditoria à Dívida no fim-de-semana, a vontade fica um pouco mais optimista.

Ponham-se finos

O Ministro das Finanças irlandês avisa que sem uma redução significativa do fardo da dívida as novas regras europeias não serão aprovadas em referendo. Cada um usa as armas que pode, menos em Portugal onde negociar com credores é de mau tom, coisa para populistas, sei lá. Quando olhamos para um gráfico com a evolução do PIB e do PNB irlandeses - a diferença deve-se, fundamentalmente, aos rendimentos que as multinacionais transferem para o exterior - percebe-se bem a atitude irlandesa: a recuperação austeritária só existe na imaginação de elites tão subalternas quanto ignorantes (via Paul Krugman). Como é que se diz ''ponham-se finos'' em inglês ?

   

Contracorrente, 16.12.2011 Grande Reportagem SIC

 Numa altura em que Portugal está a viver uma profunda crise e a receber assistência financeira externa, têm surgido diferentes movimentos sociais que contestam as medidas de austeridade e que não aceitam a inevitabilidade do chamado resgate da Troika. Movimento 12 de Março, Plataforma 15 de Outubro, Ocupar Lisboa, Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública são movimentos que reúnem pessoas descontentes com o actual rumo do país e que querem ter voz activa nas decisões políticas.

   José Castro Caldas, economista, é um dos proponentes da Iniciativa para uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública, para "proporcionar à generalidade das pessoas a compreensão do fenómeno do endividamento" do Estadoportuguês.
   Joana Manuel, actriz, juntou-se ao Movimento 12 de Março porque acredita que cada pessoa não pode tratar apenas da sua "vidinha" e é preciso "fazer de cada cidadão um político".
   Ana Gonçalves, professora de artes do 3º ciclo e secundário, envolveu-se na Plataforma 15 de Outubro porque não quer ter razão sozinha.
   Marco Marques, engenheiro florestal à procura de emprego, está nos Precários Inflexíveis porque acredita que "só colectivamente podemos mudar  alguma coisa no futuro".
   Miguel Marques, "infoactivista", foi à Islândia no Verão passado fazer um documentário que pretende mostrar como os cidadãos daquele país se mobilizaram para enfrentar a crise.
   Bruno Lavos, terapeuta expressivo, faz parte do Movimento Ocupar Lisboa e dormiu quase 2 meses ao relento frente ao Parlamento porque "algo tem de mudar".
 
A próxima Grande Reportagem SIC procura tomar o pulso à vitalidade dos movimentos sociais, num ano fértil em mobilização e protesto em Portugal, e saber quem são as pessoas nesses novos movimentos, o que as mobiliza e que propostas têm para a mudança que defendem.
Ficha técnica
 Jornalista: Carla Castelo, Imagem: José Silva, Edição de Imagem: Vanda Paixão, Grafismo: Isabel Cruz, Produção: Isabel Mendonça, Coordenação: Cândida Pinto, Direcção: Alcides Vieira


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Sábado, 10.12.11

SINDICALISMO PORTUGUÊS: um congresso para enfrentar a crise !  (III)

 

   O próximo congresso da CGTP, a realizar nos finais de Janeiro de 2012, pode ser um congresso histórico! A maioria dos analistas vão centrar-se na saída de Carvalho da Silva bem como sobre a pessoa que o irá substituir!
   Serão feitas análises também sobre a relação de forças entre as diferentes correntes  e qual delas vai ganhar ou perder. Pessoalmente não considero particularmente relevante estas questões nem vejo que sejam importantes para o presente e futuro dos trabalhadores portugueses. Será importante para alguns sindicalistas da cúpula, a maioria ligados aos dois grandes partidos da esquerda portuguesa. Sempre existiu e continuará a existir uma luta latente pela hegemonia do movimento sindical. O problema está quando esta luta se torna central, mirrando a vitalidade de uma organização. Penso que não é o caso! Espero que não o seja no futuro!
Embora não subestimando este dado penso que será muito mais importante e interessante responder à seguinte questão:  Vai a CGTP ser capaz de enfrentar a crise presente e sair dela mais reforçada e como a maior organização dos trabalhadores portugueses?  Vai se continuar o seu caminho com destaque para alguns aspectos, nomeadamente:

1º Se o seu novo secretário geral mantiver e alargar a herança de Carvalho da Silva relativamente ao diálogo com a sociedade portuguesa, nomeadamente os partidos políticos, igrejas, movimentos cívicos, novos movimentos sociais e de trabalhadores precários; se valorizar a participação nas instâncias institucionais a par da reivindicação e da proposição autónoma.

2º Se a CGTP se transformar cada vez mais num grande espaço de debate politico-sindical e de unidade de acção desde os locais de trabalho até á direcção. Um espaço onde sejam aceites com tolerância perspectivas políticas diferentes e plurais, acarinhada e incentivada a militância de base de novos trabalhadores e activistas sindicais. Para este objectivo é muito importante o reforço da formação sindical, cada vez mais aperfeiçoada e rica e que deve criar hábitos de leitura e de estudo, levando os activistas a evitar as receitas e os «chavões».

3º Continuar e incentivar com responsabilidade a renovação de quadros sindicais, cativando gente mais nova para as direcções sindicais e delegados. Gente que não se perpetue na organização mas que possa regressar ao local de trabalho sempre que possível. A ligação dos activistas e dirigentes aos locais de trabalho é fundamental. Apenas os estritamente necessários devem ficar nas estruturas.

4º Estudar novas formas de acção sindical adequada aos tempos actuais e ás diferentes categorias profissionais, aos desempregados e aos precários. Rever formas de manifestação e participação, a coreografia, os cenários, o discurso,etc. Todas estas questões podem ser estudadas na formação sindical.

5ºTalvez seja tempo de estudar uma nova forma de reorganização sindical adoptando e potencializando o território de modo a conseguir-se uma melhor participação dos desempregados e trabalhadores precários bem como até de alguns reformados. As uniões distritais não cumprem tais objectivos. Uma organização sindical mais próxima animaria a vida sindical. Não vejo que esta forma de organização sindical seja concorrente dos partidos políticos.

No quadro desta crise de ataque inédito aos direitos dos trabalhadores e aos seus interesses estratégicos a CGTP pode sair mais reforçada, mais forte e mais coesa, ou, pelo contrário  uma organização cansada pelos combates, burocrática, ritualista e reduzida a uma organização assente apenas nos militantes que resistiram à tempestade.



Publicado por Xa2 às 08:49 | link do post | comentar

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