Sexta-feira, 21.06.13

          A  democracia  é uma  chatice      (-por João Vilela)

     No mesmo dia, o PSD decidiu brindar-nos com duas pérolas de cultura democrática.

 ... O primeiro... Sugeria Jardim, decerto no seguimento da proposta de Nuno Crato, ontem vinda a público, de «mexer numa série de coisas» na Lei da Greve, que esta fosse liminarmente proibida aos trabalhadores dos transportes, da saúde, da justiça, e das forças armadas. ...acho pouco.

 ... a proibição devia ser extensível a todos os assalariados rurais, que claramente só fazem greve por repulsa pessoal em andar a cavar terra. ... o direito de greve não pode vigorar para os trabalhadores de hotéis de cinco estrelas, que com isso perigam a imagem de Portugal como destino turístico de estrangeiros endinheirados, comprometendo o afluxo de divisas e o equilíbrio da balança de transações correntes. Ou ... à sinistra corporação dos professores o direito de parar os trabalhos e deixar, assim, os jovens da nação à mercê da vadiagem, dos cafés e dos charros, quando deviam estar na escola a aprenderem a ser homens.  ... o direito à greve só devia vigorar nas profissões que não impliquem nenhum transtorno para nenhuma pessoa em nenhum momento. Salvo em tais circunstâncias nada legitima que o trabalho pare, e negá-lo é, francamente, ceder sem verticalidade mínima ao politicamente correcto. Um erro crasso.

     Por seu turno, Poiares Maduro identificou o grande problema nacional do nosso tempo: em Portugal, as coisas não andam porque «tudo é contestado». Enfim chegou ao poder quem tivesse a coragem de pôr o dedo nesta ferida! Com efeito, se não somos a terra da leite e do mel isso nada tem que ver com o desmantelamento do tecido produtivo, com a promoção do desemprego, com a precarização do trabalho, com o ataque aos direitos sociais e a descaracterização da democracia pelo tratamento desigual e desprovido de isenção dispensado às várias correntes de opinião nos meios de informação.

    Tudo isso é paleio esquerdista para iludir o essencial: que a salvação do país está na supressão liminar desse hábito birrento e aborrecido de tudo criticar, tudo contestar, tudo maldizer. Felizes são os países onde não existe nenhum tipo de protesto, nenhuma forma de oposição a quem governa, onde, felizes e contentes, os cidadãos obedecem sorridentemente aos líderes e percebem que deles só pode vir o bom, o belo, e o verdadeiro.

 Só lamento que Poiares Maduro não dite, sobre este assunto, qualquer solução a tomar, atendo-se ao desabafo desanimado: porque não proíbe ele a crítica pública dessas decisões? Porque não põe comissões de fiscalização do espírito positivo (atenção, não lhe chamemos censores!) a purgar jornais e revistas da sinistra peste contestatária?

Porque não emprega um conjunto diligente de inspectores na procura pelos cafés, os restaurantes, os autocarros, os metropolitanos e as salas de espera, desses nossos réprobos concidadãos que criticam e fomentam pela palavra o espírito de sedição, que os retire discretamente de circulação e, nos termos eufemísticos do 1984 de Orwell, os «vaporize»? Para grandes males, Sr. Ministro, grandes remédios! Não se pode encarar e debelar uma doença nacional desta gravidade com tibieza: seja dinâmico, seja determinado! O povo lhe agradecerá!

     ... Estamos a andar mal, ...! Só um país onde os trabalhadores nunca parem (nem nas greves, nem nos fins de semana, nem nos feriados – saravá, Rui Rio! -, nem sequer na doença ou na maternidade), e estejam sempre felizes e bem dispostos, será um país de futuro. Até porque, importa reter, a contestação atrai energias negativas, gera sentimentos de peso e desconforto, aborrece, irrita, tira de nós o entusiasmo e o sorriso no rosto. Longe, bem longe de nós, querermos alguma vez criticar ou não trabalhar. Ser trabalhador consciente ou cidadão interventivo é um péssimo serviço que se presta ao país e ao povo.

     1984 ...   'Grande irmão'/'big brother' ...  (de  Michael Radford, baseado na obra de George Orwell.  Legendado em português.   Pode obter gratuitamente o livro aqui. ) 

   --------  Revolução,  Manif. 'mansa'  ou  sofá  ?  (-por guicastrofelga)

 bastilha 



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Quinta-feira, 16.05.13

             A falência da democracia   (-por  A. Marinho e Pinto, JN)

      «Estará a democracia representativa em falência? Estarão os alicerces da democracia política corroídos por degenerescências que ameaçam a sua própria sustentação? Seja qual for a resposta uma coisa é certa: a democracia representativa está doente, muito doente - pelo menos em Portugal.
     O que, verdadeiramente, distingue um sistema democrático de qualquer outro regime político é o respeito pela vontade popular. Por isso, nunca será verdadeiramente democrático um sistema político cujos titulares se desvinculam da vontade dos que dizem representar. As piores ameaças à democracia política são protagonizadas por aqueles que se acham superiores ao comum dos cidadãos ou então que se julgam portadores de verdades inquestionáveis. Os exemplos mais recentes são os totalitarismos da primeira metade do século XX, alguns dos quais ainda hoje persistem como fósseis de um passado de terror, enquanto outros só desapareceram depois de cataclismos bélicos cuja memória nos interpela como a terrível pergunta: "Como foi possível ?".
     Os ditadores suprimem a auscultação da vontade popular através da imposição dos seus axiomas políticos e exploraram com desbragado oportunismo as imperfeições dos regimes democráticos. Aproveitam-se inescrupulosamente das suas fragilidades e transformam algumas das virtudes das democracias em defeitos tenebrosos. Para qualquer ditador, real ou em potência, o povo nunca está preparado para exercer em plenitude as liberdades ou para escolher em consciência os seus próprios dirigentes. O povo deve apenas obedecer porque mandar é tão difícil que só homens superiores estão aptos a fazê-lo. As liberdades - dizem - conduzem à anarquia social e, por isso, o povo não deve ser chamado a decidir o seu próprio destino, antes deve ser conduzido pelas suas elites, sejam elas iluminadas vanguardas políticas ou simplesmente um caudilho de ocasião. Para eles, o conjunto dos cidadãos constitui uma massa ignara que serve apenas para aplaudir e aclamar as decisões dos seus dirigentes mas nunca para as questionar e muito menos para pôr em causa quem está nas ingratas funções do mando. Os ditadores garantem sempre que as suas medidas são as melhores ou as únicas viáveis, mas como o povo quase nunca percebe isso elas têm de ser impostas.
     Esta "cultura" está hoje subjacente à atuação de muitos dirigentes políticos das democracias formais, os quais se consideram, igualmente, portadores de verdades que o povo não aceitaria se fosse consultado. Por isso é que as suas verdades ou os benefícios que nos oferecem têm de nos ser impostos para o nosso próprio bem ou para o bem geral.
     Nas democracias formais já não é o uso da força que garante a emergência e subsistência desses iluminados, mas antes o ardil, o engano, o logro e a mentira. Esses criptoditadores recuperaram um dos mais emblemáticos paradigmas das tiranias, ou seja, a distinção entre a vontade e o interesse do povo ou, se se preferir, entre o interesse geral da governação (a que também chamam nação) e os interesses dos governados. E, tal como qualquer ditador, dizem que a sua ação é sempre em favor do interesse geral ainda que contra a vontade dos seus beneficiários, ou seja, de quem os elegeu. E porque o povo raramente aceitaria a preponderância do interesse geral é que surge essa casta de esclarecidos sempre com a missão de cumprir um grande desígnio patriótico.
     Por isso é que o mais importante para eles é a conquista do poder, pois sabem que a seguir tudo é permitido, tudo se legitima por si próprio sem qualquer responsabilização. Os benefícios do poder são tão grandes para os seus titulares (e para as suas clientelas) que vale tudo para o alcançar e para o manter. Depois, perde-se todo o sentido da honradez e da ética política, bem como todo o respeito pela verdade e pela vontade dos eleitores. Aliás, para eles, a ética política está exclusivamente nas leis que eles próprios fazem à medida dos seus interesses. São estas situações que levam ao apodrecimento da democracia e à descrença de muitos cidadãos nas suas virtudes. É neste ambiente de degradação ética da política e de degenerescência moral da democracia que as serpentes costumam pôr os seus ovos.» 


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Segunda-feira, 18.03.13

O   impossível   acontece      (

O Chipre está falido porque a sua banca sobre-dimensionada estoirou, em parte devido ao impacto da reestruturação grega no seu sistema bancário.     Reunidos na sexta-feira, os ministros das finanças da zona euro esperaram pelo encerramento dos mercados para aprovar o plano de resgate ao Chipre (ver nota do Ecofin).  Esse plano contém uma cláusula inesperada e sem precedentes na UE: uma taxa de 6,75% sobre o valor dos depósitos até 100.000 euros (supostamente garantidos pelo Estado em todas as eventualidades, incluindo a falência do banco) e de 9,9% para depósitos acima de 100.000 euros. Em troca os depositantes “confiscadosreceberiam ações dos bancos. Os bancos estarão fechados pelo menos no fim-de-semana e na segunda-feira. Nesse período as contas serão purgadas do valor da taxa.
     Os depósitos acima de 100.000 incluem muitas contas de cidadãos russos habituados a recorrer a Chipre como lavandaria (de máfias e oligarcas...). Diz-se que o parlamento alemão jamais aprovaria um “resgate” à banca cipriota que deixasse incólumes os depositantes russos.
     O que há de extraordinário aqui não é o confisco das contas gordas, russas ou não, nem a relutância alemã em salvar bancos-lavandaria. Extraordinário é o confisco aos pequenos aforradores. Neste ponto a responsabilidade parece ser do novo governo conservador cipriota. Este governo teria preferido distribuir o mal pelas aldeias, em vez de o situar acima do limite garantido de 100.000, para preservar o “prestígio” de Chipre como porto de abrigo de piratas financeiros. Mesmo assim será interessante saber até que ponto os credores dos bancos cipriotas, inclusive os credores alemães, irão também sofrer perdas. 
     É cedo para ter certezas quanto à perigosidade dos demónios que esta decisão da EU libertou. Fico-me por citações de duas notícias de jornal.
               Lê-se no grego Ekathimerini:
    “A notícia do acordo foi recebida com choque em Chipre, já que o recém-eleito Presidente Nikos Anastasiades e os seus conselheiros económicos (conservadores/direita) haviam dito ser contra a ideia de uma taxa sobre os depósitos. Anastasiades reunirá o governo e encontrar-se-á  com lideres políticos rivais no Sábado à tarde e dirigir-se-á à nação no domingo.
    O candidato presidencial Giorgos Lillikas apelou a um referendo acerca da aceitação ou rejeição pelos cipriotas da taxa sobre os depósitos. À falta do referendo exigiu a convocação imediata de nova eleição presidencial.   Lillikas disse também que estava em conversações com economistas acerca da criação de um plano para o abandono do euro por parte de Chipre e o regresso à libra cipriota.   O secretário geral do Partido Comunista de Chipre (AKEL), Andros Kyprianou, disse que o seu partido está a considerar aconselhar Anastasiades a convocar um referendo ou retirar Chipre da zona euro.
    Desde a manhã de sábado, os cipriotas formaram filas nos bancos para retirar dinheiro e algumas caixas multibanco ficaram sem notas para entregar aos clientes.”
          Lê-se no britânico Economist:
    “Os lideres da eurozona falarão do negócio como algo que reflete as circunstâncias únicas que rodeiam Chipre, exatamente como fizeram com a reestruturação da dívida Grega no ano passado. Mas se o leitor for um depositante num país periférico que parece precisar de mais dinheiro da eurozona, qual seria o seu cálculo? Que nunca seria tratado como as pessoas em Chipre, ou que havia sido estabelecido um precedente refletindo a exigência consistente dos países credores de uma repartição do peso do fardo? A probabilidade de grandes e desestabilizadores movimentos de dinheiro (para notas e moedas, senão para outros bancos) foi desencadeada.”

                   O assalto    (-por Daniel Oliveira )

No Chipre, já nem se tenta que aquilo a que chamam de “resgate” não se pareça com o que realmente é: um assalto. Aliás, os lunáticos irresponsáveis que dirigem a Europa transmitiram uma mensagem extraordinária para todos os europeus: é perigoso deixarem o vosso dinheiro no banco. É oficial: o euro e a União Europeia têm os dias contados.

                   Lições da História    (-por Sérgio Lavos)

O poder financeiro europeu deixou-se de subterfúgios e passou ao saque directo às pessoas, ao roubo instituído por decreto político. O fogo que queimava na seara desde 2008 irá reacender-se com toda a força. Se os nossos economistas que andam aí pelas televisões a debitar asneiras conhecessem um pouco de História, saberiam que muito do que está a acontecer precedeu também a 2.ª Guerra Mundial. Dirigimo-nos para o desastre e ninguém parece com vontade de parar. A pior geração de líderes europeus a liderar o combate à crise financeira de 2008 só poderia dar nisto. Ninguém estará a salvo.

                          ---- comentários:

     «... a intervenção da troika no Chipre tem como alvo principal salvar a banca cipriota?  O caso é o de sempre - o povo cipriota é chamado a resgatar/ pagar os prejuizos dos banqueiros, ou seja, vai ter de pagar forte e feio pelo dinheiro que já tinham depositado no banco, enfim, é como se você depositasse o seu dinheiro no meu banco e depois tivesse que pagar 10% do que lá tem para poder receber os outros 90% - isto depois de eu lhe ter prometido juros pelo seu depósito.
     E porque é que eu(banqueiro) desbundei o seu dinheiro? Ora, porque não?. Não me acontece nada, eu não perco nada, não perco a casa, o carro, o salário, a reforma e portanto que se fod@ já que no entretanto ainda ganhei chorudas comissões pelos investimentos desastrosos que fiz e que estão devidamente depositadas nas caraíbas.»

     « Independentemente de tudo, cada vez mais me convenço que a Europa caminha, mais uma vez, para o desastre. A substituição do ideal europeu (expresso nas 12 estrelas da perfeição sobre um fundo azul do céu e do mar, a par com o Hino da Alegria de Beethoven, música para o poema da fraternidade universal de Schiller) por uma ditadura do BCE e dos mercados financeiros que capturaram as instituições europeias e condenam os povos ao empobrecimento e à perda de direitos duramente conquistados estão a destruir a UE. E, sinceramente, não vejo ninguém capaz de parar esta dinâmica destrutiva.     Como europeísta de esquerda, sinto uma enorme mágoa mas uma raiva profunda contra os canalhas que a estão a levar a cabo. Ou nós os paramos ou eles nos param a nós!»



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Quinta-feira, 21.02.13

            Uma  questão de  tempo     (-por Sérgio Lavos, Arrastão)

     Não surpreende que o PSD e os seus avençados mediáticos tenham escolhido a via da vitimização para tratar o caso do inimputável Dr. Relvas. Os piores crápulas gostam sempre de fingir indignação quando são despidos em público. O que surpreende é a reacção de algumas pessoas de esquerda e uma ou outra luminária do regime que já veio botar faladura sobre o assunto.

     Vamos lá ver as coisas como elas são:  esta gente saberá o que é censura?  O que é liberdade de expressão?  Não saberão que a censura é sempre um acto de poder exercido pelo mais forte sobre o mais fraco?   Uma limitação de expressão que visa calar opiniões contrárias, prévia ou posteriormente?   Ontem, quando o Dr. Relvas entrou no ISCTE, rodeado de seguranças, e subiu para um palanque posto à disposição pela estação com mais audiências do país, quem detinha o poder?   O ministro dos Assuntos Parlamentares, que tutela a comunicação social e decide os destinos do país, que tem o controle directo sobre os instrumentos que podem exercer a violência de Estado (a polícia e as forças armadas),  ou um grupo de estudantes que diariamente sofre as consequências das políticas implementadas pelo Governo a que o Dr. Relvas pertence?

      É de facto inacreditável que haja quem esteja, por ignorância ou pura má fé, a confundir censura com o que aconteceu ontem.  Durante três minutos, os assobios, os insultos e os apupos ao Dr. Miguel Relvas sobrepuseram-se à propaganda ministerial.  Os outros quinhentos e vinte e cinco mil e seiscentos minutos do ano são usados pelo Dr. Relvas para sobrepujar, humilhar e empobrecer os estudantes que ontem não o deixaram falar e deram voz à raiva e à humilhação sentida por milhões de portugueses. Confundir um direito em democracia - o direito à manifestação - com um instrumento das ditaduras - a censura - não é, não pode ser, sério.

      O que muita gente parece não perceber é que a democracia não são aqueles breves dois segundos em que depositamos o nosso voto na urna. Os quatro anos (dois milhões, cento e dois mil e quatrocentos minutos) a que cada Governo tem direito não são um cheque em branco.  Cada minuto passado no poder por cada um dos governantes tem de ser um minuto a prestar contas, não só ao seu eleitorado mas a todos os cidadãos. Um mandato de quatro anos não é uma ditadura provisória, durante a qual tudo pode ser legítimo, mesmo (e sobretudo) quando todas as promessas eleitorais ou o que está no programa do Governo não é cumprido.

     O que o Dr. Relvas sentiu ontem foi a consequência imediata de um ano e meio de desvario, prepotência e desrespeito pelo povo que ele era suposto servir. Três minutos em que a democracia se sobrepôs à ditadura de quatro anos, que parece ser o modo como este Governo olha para o seu mandato. Não se perceber isto é não se perceber nada de nada. Um regime que ataca um grupo de estudantes contestatários (e não-violentos) para defender uma figura sinistra como o Dr. Relvas precisa urgentemente de repensar a sua natureza e existência. 

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Falemos de corrupção (11)  (- títulos do CM: «Amigas de Portas colocadas em Londres, ganham concurso diplomático»; «Passos e Relvas investigados») . “Há jogos atrás da cortina, habilidades e corrupção. Este Governo é profundamente corrupto nestas atitudes a que estamos a assistir” - D. Januário Torgal Ferreira, 16/07/2012.

 No ISCTE  não lhe deram  equivalência : (e Relvas teve de abandonar a sala, protegido pelos seguranças... ficando sem sabermos 'como será o jornalismo daqui a 20 anos?').

 -  "Isto é um sítio privado, não tens direitos!" :  Não se fiquem pela canção. Vale a pena tomar atenção ao estilo do moderador do 'clube dos "pensadores". (em defesa do seu convidado Relvas perante a 'Grândola...' e  os insultos que lhe foram dirigidos da assistência ...)

- " Cada vez que um português encontre um ministro, um secretário de Estado ou um banqueiro ...  cante-lhe a 'Grândola, Vila Morena'."- Paulo Raposo, do movimento "Que se lixe a troika".

- Pedro Rosa Mendes:   « ... encontramo-nos na Rua. »  também a 2 Março 2013.



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Segunda-feira, 21.01.13

Ironias da História - ou: O Outro Lado do Espelho...

http://stoppaying.wesign.it/es    



(via Manuel Duran Clemente no Fb , via Ana P.Fitas))



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Quarta-feira, 17.10.12

(Graffiti, Lisboa, via OJumento):  (Nota de) "1 SujoCop" com dizeres: 'ESCRAVOS  UNIDOS  do  MUNDO', 'O mundo é o nosso recreio e nosso campo de batalha',  'Nós confiamos no Lucro', 'F..... técnica, eu quero alma', 'LAVA AS TUAS MÃOS', (cara de palhaço) 'Em guerra de ganância', 'Nós trazemos prendas', 'Sim e depois', 'Comporta(-te)'..

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           O golpe de Estado alemão       (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso Online)

     O ministro das finanças alemão, Wolfgang Schäuble, defendeu esta semana que os orçamentos nacionais possam ser vetados pelo comissário europeu dos Assuntos Financeiros. Ou seja, o ministro alemão defende que alguém não eleito se possa sobrepor aos representantes eleitos de um povo. E que seja ele a decidir o mais importante instrumento político de um País, decidindo, independentemente da vontade dos cidadãos, o que será feito com o seu dinheiro. E isto num momento em que vários países assistem a um autêntico assalto fiscal.

     "No taxation without representation", foi o mote para o que viria a ser a revolução americana. O que Schäuble propõe, e é coerente com o que a Alemanha tem defendido, é um golpe de Estado contra as democracias, criando uma junta de tecnocratas que retira à democracia representativa uma das suas principais funções: determinar o que se faz com os recursos de uma comunidade. Não há duas formas de dizer isto: o poder alemão quer destruir as bases fundamentais das democracias europeias. Em vez do federalismo democrático, em vez dos eurobounds e de uma integração cambial e financeira com pés e cabeça, defende uma ditadura orçamental que torne os cidadãos europeus em súbditos. Em contribuintes sem o direito de decidir o que fazer com os seus impostos.

     A posição alemã, ao contrário do que aconselham todas as evidências, continua a apostar na redução da dívida dos países europeus (muito inferior à de grande parte dos grandes blocos económicos), e não no crescimento. E nem a probabilidade de rebentar com a Grécia, fazendo, mais uma vez, cair ali a primeira peça do dominó europeu, travará Merkel e o seu ministro. Recusam um prazo suplementar para os gregos, proposto pelo FMI. A Alemanha aposta no seu crescimento económico à custa de uma hecatombe económica da Europa (aposta que, como no passado, lhes sairá cara) e não está disposta a parar perante nenhum obstáculo. Nem perante as regras da democracia.

     Não se trata de nenhuma posição anti-alemã. É apenas uma constatação de facto: a Alemanha, que já foi um dos principais motores da construção europeia, é hoje a principal inimiga da Uniãõ Europeia. E nas suas cada vez mais indisfarçáveis tentações imperais põem em risco as democracias dos países europeus, o euro, a União e, com tudo isto, sessenta anos de paz. Travar a cegueira alemã é obrigação de todos europeístas e democratas, na Alemanha e em toda a Europa. Antes que seja tarde.

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    «Isto até parece uma réplica de Vichy (governo fantoche francês, sob 'autorização' nazi). Os 'moços' que nos desgovernam, antes de tomar qualquer decisão vão perguntar o que fazer aos alemães, com o espantoso argumento de que não há alternativa.» -Bafo



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Quarta-feira, 03.10.12

Surdinas [ LXI ]      (-por  LNT  [0.466/2012] A Barbearia do sr. Luís )

                 Dez estratégias de Manipulação Mediática, de Noam Chomsky
Noam Chomsky



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Segunda-feira, 13.02.12

A ONU com Garzón... Contra os Crimes do Franquismo!  (por Ana Paula Fitas )

... afinal, as organizações internacionais ainda conseguem ter uma palavra a dizer... e se tal palavra não for eficaz, com consequências reais no plano das decisões concretas, fica, pelo menos!, o registo da sua pronúncia simbólica que, (in)felizmente?!, nos tempos que correm, não é de minimizar... refiro-me à ONU que se pronunciou em defesa de Baltasar Garzón, o Juiz que a Espanha levou à fogueira inquisitorial contemporânea... LER AQUI! 
          Conhecer Garzón... Condenar a "(In)Justiça"...
    Ganhem 30 m de vida e vejam, com atenção!, os 2 vídeos que ilustram Quem é o Juiz Baltasar Garzón: o Homem que prendeu Augusto Pinochet, ditador do Chile, que quis julgar os assassinos a soldo de Franco e do Fascismo espanhol, que condenou os GAL contra os interesses (ditos "de Estado" mas, seguramente, corporativos!) e que defendeu e ajudou, como ninguém!, os indígenas na Colômbia...
   Tenham a coragem de saber e de conhecer, com objectividade, as razões que assistem às obscuras motivações em que assenta a condenação de Garzón, o Juiz que ilustra o modelo de democracia pelo qual, todos, mas, mesmo todos!, aspiramos !... e sim, VIVA GARZÓN !
  

          A Sentença Contra Baltasar Garzón...

   O regime judicial espanhol perdeu a credibilidade ao condenar o Juiz Baltasar Garzón  com uma sentença que pode ser lida AQUI... Condenado a não poder exercer durante 11 anos por, alegadamente, ter autorizado escutas a corruptos em cumprimento de regime prisional, a partir de uma argumentação que faz jus à retórica distante da verdade e da justiça, o Juiz exemplar que todos gostariamos que fosse o modelo do exercício de uma profissão de que pode depender, tantas e tantas vezes, a vida e o futuro das pessoas, viu interrompida uma carreira cheia de dignidade a partir de uma ordem medíocre e indigna.  A Espanha está mais pobre e mais sózinha, assumindo tempos de má-memória, particularmente assustadores nos tempos que correm! Entretanto, o mundo está com  Baltasar  Garzón !    Viva  Baltazar  Garzón !    (LER MAIS AQUI)


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Quarta-feira, 25.01.12

                        Silêncio para totós  (-por Sérgio Lavos )

    Alguém sabe se a censura a Pedro Rosa Mendes está a ser noticiada nos canais televisivos, sejam eles privados ou públicos?

    O silêncio e o assobio para o lado reinam para as bandas dos indignados com a "asfixia democrática" socratista. Nem o Crespo porta-voz do Governo, nem os monárquicos Vaders. Bem podemos esperar por uma manifestação em frente à assembleia. Sentados, como os assessores do Relvas que denunciam crónicas de jornalistas e produzem comunicados para abafar a censura. No pasa nada.

    Adenda: a última crónica de Raquel Freire, uma das cronistas do programa, a quem estão a ser dirigidos os mais soezes ataques de carácter, o habitual argumento dos fracos.

 

 

 

                   Operação Propaganda (2) (por Sérgio Lavos)

É oficial: a censura foi reimplementada em Portugal. Com uma ajudinha dos nossos amigos angolanos, que percebem muito da poda. A brincadeira do Prós e Contras em Angola não foi um acidente de percurso.

                    RDP - frete a quem? (-
    No post anterior expliquei porque não critiquei logo o frete indecoroso prestado ao regime de Luanda pelo arremedo de "Prós e Contras" na RTP, a televisão pública, na semana passada.
   Mas agora não posso deixar de me apressar a comentar as alarmantes retaliações na RDP, a rádio pública, por causa de comentários criticos do frete da RTP a Luanda, emitidos no programa "Este Tempo" por Pedro Rosa Mendes e Raquel Freire, que viram subitamente dispensadas as suas colaborações.
   Dizem-me que se demitiram quadros na própria RDP, pessoas que persistem em respeitar deontologia profissional, serviço público e, sobretudo, em respeitar-se a si próprias.
   Insuportável é o silêncio comprometido da direcção da RDP: terá de tirar consequências se acaso aceitou fazer o frete a luso aprendiz de Joseph Goebbels. Um silêncio que, a prolongar-se, se torna comprometedor para a tutela, ou seja, o Ministro Relvas, o oficiador da RTP em Luanda.
    PS: sou colaboradora, semanalmente, da RDP. Até ver. Porque obviamente jamais me sujeitarei a censura ou alinharei em auto-censura. Mas já chegámos à Hungria de Orban, ou quê? (nova ditadura na Europa actual, com supressão de direitos democráticos via alteração constitucional)
                   RTP - frete a Luanda
Eu vi a parte final do programa, o tal da RTP em Luanda,na segunda-feira da semana passada. Passava da meia-noite em Estrasburgo, acabara de chegar ao hotel vinda do PE e pus a TV na RTPi para ver as ultimas noticias do dia na lusa pátria.
    Achei-o indigente no mínimo, exercício de propaganda canhestra, insultuoso na louvaminhice: não duvidei que na parte que não vi pudesse ter aparecido algum crítico do regime de Luanda, nem que fosse para disfarçar o frete.
    Desprezei a graxa barata e os sorrisos alvares do Ministro Relvas, a fazer mais do que abrilhantador de serviço, a agir como anfitrião co-patrocinador, quiçá pagador.
    Perguntei-me como é que Fátima Campos Ferreira - jornalista que respeito pelo habitual profissionalismo - se prestava àquilo.
    Vi o Francisco e a Maria João na primeira fila, rodeados por todos os lados por damas vestidas pró-bufete e pensei: embaixador sofre! mas profissional, já cafrializado ou não, engole e aguenta.
    Não escrevi logo, nem escrevi nada nos dias seguintes - estava cansada, não vira metade e a mistela não valia o esforço, havia coisas mais importantes a espingardar.


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Quarta-feira, 18.01.12

           E a Hungria aqui tão perto

    As recentes alterações constitucionais na Hungria, já condenadas pela União Europeia, veio relançar a discussão sobre o futuro da Europa e sobre o que leva um povo, recentemente liberto de um regime totalitário, a embarcar num processo que o faz retroceder, agora que vivia em Democracia, para um regime que se apresenta, de novo, autoritário.
    E vem relançar a discussão pelos motivos, já bem à vista, da proliferação e aumento de notoriedade de movimentos ligados à extrema direita.
    E que razões podem justificar o aumento de adeptos destas formas de intervenção política ?
    Em primeiro lugar a desilusão que o regime democrático, porque incapaz de dar resposta aos desejos das populações, tem  sido incapaz de colmatar. Os cidadãos voltam a olhar para soluções paternalistas que lhes facultem o mínimo dos mínimos como preferíveis à livre expressão liberal das suas capacidades e daí à não dependência do Estado.
    A promoção da "ideologia" ultra-neo-liberal que tem sido a pedra de toque da política económica global, o canibalismo dos mercados, a falta de respeito pelos direitos consagrados nas constituições democráticas, especialmente na Europa, como a defesa  do Estado Social, são razões suficientes para que os povos olhem para soluções, em que vendendo os direitos de Liberdade real, se considerem mais protegidos, nem que o seja minimamente.
    A corrupção, os escandalos, a falta de credibilidade dos governos e governantes, o desaparecimento de aspectos básicos no que se refere à Educação, à Saúde, à Protecção Social, à Cultura, etc. fazem parte do caldo que leva à decepção dos cidadãos.
    E é aqui que se entronca a relação com o que se passa no nosso país.
    Não será de estranhar que a curto/médio prazo estas manifestações de desagrado se possam vir a verificar no nosso país.
    E ultimamente, ainda mais grave, tem-se verificado algo de ainda mais preocupante como a caça às bruxas que se tem desenvolvido com o ataque descabelado às obediências maçónicas para já não falar nas declarações de gente com responsabilidades, que chocaram a grande maioria,  em que o desprezo a que eram votados os mais desprotegidos  ou, também, o exacerbamento do valor individual e a sua recompensa, mesmo que despudoradamente chocante.
   Por isso, ou levamos a peito a defesa efectiva dos nossos valores democráticos ou podemos descobrir um dia destes que acordamos num outro regime.


Publicado por Xa2 às 07:51 | link do post | comentar | comentários (4)

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