Domingo, 10.05.09

Apesar dos salários multimilionários dois administradores da banca e de algumas grandes empresas terem diminuído numa média global de 18% continuam ainda a serem uma afronta aos trabalhadores mais pobres do País e ao facto de muitas das grandes empresas e, em particular, a banca, estarem a viver com apoios estatais como garantias para permitirem o fluxo de financiamentos estrangeiros que, mesmo assim, não tem vindo em quantidade significativa porque os gestores milionários não são, afinal, tão bons como deveriam ser.

O Jornal de Negócios publicou recentemente a lista do que auferem em média os membros dos conselhos de administração e do que ganham em média os trabalhadores das referidas instituições.
Assim, o mais arrogante dos gestores, Ricardo Salgado, presidente do BE integra um conselho de administração em que cada um dos seus membros recebe uma média de 932.909 euros por ano. Não se conhece o salário particular de cada um, apenas a despesa em salários dos administradores dividida pelo número de indivíduos a ocuparem esses cargos. O presidente, obviamente, ganha mais que a média. Mesmo assim, auferindo uma mensalidade de 66.636 euros, provavelmente brutos, esta é o resultado de uma quebra de 33,7%. Repare-se que o BES paga relativamente bem aos seus quadros e empregados, os quais ganham anualmente 55.254 euros, ou seja, 16,8 vezes menos.
O Conselho de Administração que mais ganha por cabeça depois da PT é o da empresa que nos vai ao bolso todos os dias e pretende receber milhões do Estado sob a rubrica “défice tarifário” e agora apresentou ao Governo uma reivindicação chantagista de um apoio substancial ao kWh produzido pelas eólicas. Trata-se do EDP dirigida pelo Sr. António Mexia, cujos membros do C.A. recebem anualmente 1.095.855 euros por cabeça, ou seja, 23,24 vezes que a média dos salários de quadros e trabalhadores que é de 47.154 euros. A bela presidente executiva da afiliada da EDP, a Sra. Ana Maria Fernandes, está num C.A. bem mais modesto com apenas 235.000 euros anuais por cabeça.
A PT apesar de enfrentar a concorrência quase mortal do Skype e VoipBuster continua a ser a que mais paga aos seus administradores, mais de 1,5 milhões por cabeça. É obra!
Assim, temos ainda os seguintes valores salariais por pessoa nas diversas empresas cotadas em bolsa e, por sinal, bem mal cotadas:
  • Portugal Telecom: 1.553.306 / administrador e 19.287 / quadro e trabalhador.
  • Sonae SGPS: respectivamente 922.500 e 17.917.
  • Portucel: respectivamente 904.919 e 51.777.
  • Cimpor: respectivamente 797.658 e 26.973
  • Brisa: respectivamente 739.351 e 32.396.
  • Galp: respectivamente 683.167 e 37.354.
  • Zon: respectivamente 637.347 e 34.110.
  • Jerónimo Martins: respectivamente 623.046 e 11.564 euros – é a empresa que mais mal paga aos seus funcionários.
  • BCP: respectivamente 487.571 e 40.520.
  • Sonae Indústria quase falida: respectivamente 334.042 e 41.400.
  • Mota-Engil: respectivamente 216.238 e 17.424 euros. O nosso camarada Jorge Coelho é, sem dúvida, o administrador que aufere o mais baixo salário no conjunto das empresas portuguesas cotadas em bolsa.
  •  

Saliente-se aqui que a média por quadro e trabalhador parece, por vezes, elevada, por serem empresas que empregam bastantes engenheiros e economistas e porque o trabalho mais mal pago como limpezas, guarda de portões, reparações, etc. ser contratado a empresas de fora, pelo que os salários mais mai baixo não entram nas médias.
A empresa que mais gasta com o seu Conselho de Administração é o BES que desembolsa 12,6 milhões de euros, segue-se a EDP com 7,7 milhões e em último lugar no total de pagamentos ao C.A. está a Mota-Engil com 1,4 milhões.


Publicado por DD às 11:55 | link do post | comentar | comentários (4)

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