Sexta-feira, 17.02.12

        Nós  não  somos  a  Grééécia !! !!! !!!!   (-por Raimundo Narciso)

"Não aceito que o meu país seja criticado pelo Sr. [Wolfgang Schauble]", disse Carolos Papouilas, Presidente da Grécia, durante uma visita que hoje fez ao Ministério da Defesa.
    "Quem é o Sr. Schauble para criticar a Grécia? Quem são os holandeses? Quem são os finlandeses?", exclamou o chefe do Estado grego, citado pela AFP, durante o dia de hoje.
    Papouilas, que foi um adolescente muito ativo na resistência anti-nazi, é uma figura consensual na Grécia e goza de grande popularidade. No mesmo dia anunciou também que prescindia do seu salário de chefe do Estado, em solidariedade para com o povo grego, a quem estão a ser pedidos grandes sacrifícios. "  (mais uma diferença abismal com o PR do 'chickeiro')

    O Presidente da República da Grécia faz frente à Merkel, critica Schauble?  Prescinde do seu ordenado em solidariedade com o povo grego?
Estou de acordo:   NÓS NÃO SOMOS A GRÉCIA  !!! 

                         Pois os cidadãos dignos  lutam pelos seus iguais  e  defendem-se dos bárbaros ...
 

       "Portugal não é a Grécia" (# por Joao Abel de Freitas)

Esta frase é muito pronunciada, penso que algo em desespero, pelos nossos dirigentes políticos máximos. É uma frase imprópria.
    Primeiro, pela falta de solidariedade que demonstra. Em vez de se tornarem parceiros (aliados também com a Irlanda e outros 'PIGS'..., frente ao centrão/directório da UE, CE e BCE) e de exigirem da senhora Merkel uma política de defesa e de progresso da União Europeia, apresentam-se como pedintes, separados. 
    Segundo, porque lendo os indicadores, Portugal não fica melhor na fotografia que a Grécia. Por exemplo, os últimos dados do Eurostat, o gabinete de estastísticas da UE, em termos de evolução do PIB para o quarto trimestre de 2011, a situação portuguesa apresentou-se muito pior que a Grécia. O pior país com uma queda de 1,3%. E em termos de previsões para 2012, Portugal continua a ser o país de piores perspectivas.
 - Como se entende então esta postura?
 - Será que esses dirigentes quererão dizer: trate-nos melhor porque somos mais pacatos?!
Será isso porque em termos de evolução económica não vejo onde está realmente a diferença apregoada.
Não me parece é que seja um bom indicador. Os ditados populares aí estão para dar resposta.


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Terça-feira, 14.02.12

     Meias-hastes     (- LNT, [0.109/2012])

Bandeira da ONU a meia-hasteCumpre-me o doloroso dever de comunicar o falecimento da democracia helénica.
O corpo encontra-se em câmara ardente no Βουλή των Ελλήνων.
O funeral realizar-se-á em meados do mês de Abril, findo as exéquias, o féretro segue para o cemitério de Nürnberg.
Guernica 
'Guernica', de P.Picasso 
                                   Um apelo da Grécia    (-por José M. Castro Caldas )
   
 
Apelamos às forças e aos indivíduos que partilham estas ideias, para convergirem numa ampla frente de acção Europeia, o mais cedo possívelpara SALVAR os POVOS da Europa.” (Mikis Theodorakis e Manolis Glezos).  Do Reino Unido Tony Benn e outros responderam. 

    « 65 years after the defeat of nazism and fascism, European people are today confronting a dramatic threat, this time not military, but a financial, social and political one.

    A newEmpire of Money” has been systematically attacking one European country after another in the last 18 months, without facing any substancial resistance.

    European governments not only fail to organize a collective defense of European people against the markets, but, instead, try to “calm” the markets by imposing policies that remind us of the way governments tried to confront nazism in the ’30s.   ... »



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Segunda-feira, 30.01.12

              UE:  tragédia grega   (-

    O Financial Times revelou que a Alemanha quer fazer a Grécia abdicar da soberania orçamental, transferindo-a para um comissário europeu, em contrapartida de novo pacote de resgate.
    A Grécia rejeitou liminarmente a humilhação (embora, realmente, já pouco consiga controlar).
    A Comissão Europeia veio tibiamente pôr água na fervura.
    Mas o governo alemão não desmentiu: à punição quer mesmo agora acrescentar a humilhação.
    Sem que isso sirva para nada: sobretudo não resolve, antes agrava, a crise do euro, que as tacanhas receitas e declarações alemãs de facto têm feito arrastar e aprofundar.
    Não haverá homenzinhos na Cimeira Europeia de amanhã que tenham a coragem e a capacidade de o fazer ver à Senhora Merkel?
    Pode o PM Passos Coelho continuar a assobiar para o ar sobre a Grécia e sobre o que a UE tem de fazer para ajudar a Grécia e para salvar o euro?   Pode internamente continuar a refugiar-se no mantra esburacado de que não somos a Grécia, quando a tragédia que se desenrola na Grécia é tragédia de toda a Europa?  Quando, como avisam agora até o Wall Street Journal e os idolatrados mercados, depois de morta a Grécia, será Portugal a próxima vítima.

 

        Cimeira  Europeia:  o  problema  alemão 

    Pela primeira vez desde há dois anos, que não se anuncia uma Cimeira Europeia, a de amanhã, como crucial, decisiva, definitiva, final.
E, no entanto, deveria ser. Poderá ainda ser?
    Porque o Euro, a UE e a economia mundial estão à beira do precipício, avisam todos, até o FMI.
    A tragédia que tem paralisado a Europa não é, de facto, grega. A economia grega pesa apenas 2% do PIB europeu, o problema já há muito podia estar resolvido e impedido de gangrenar.
    A Alemanha impõe à Grécia que negoceie uma impossível "restruturação voluntária" com os seus credores privados, os mesmos que, voluntária ou involuntariamente, ganharão muito dinheiro com a bancarrota grega, compensados pelos cds que detêm.
    A Alemanha continua a impôr à Grécia uma solução que entretanto deixou cair para o resto da zona Euro, na última Cimeira de Dezembro, por finalmente ter compreendido que é completamente contraproducente.
    Como se não bastassem as responsabilidades da Alemanha no arrastar e agravar da crise da Grécia e do Euro, o FT expôs a ofensiva germânica de humilhar a Grécia, forçando-a a abdicar formalmente da soberania orçamental.
    O potencial de ressentimento anti-germânico, na Grécia e por toda a Europa, é colossal.
    Muito perturbante é a evidência de que a Europa voltou a ter um problema alemão.

 

                    A reestruturação grega 

 

 Como o tempo passa e a crise só se aprofunda    

Attacar a crise 



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Terça-feira, 08.11.11

As dívidas da Alemanha

por Sérgio Lavos

  (Museu Pergamon, em Berlim) 
Absolutamente a ler até ao fim, esta resposta de um grego a uma carta enviada para a revista Stern escrita por um alemão que se sente ofendido com o "estilo de vida" grego. Traduzida por Sérgio Ribeiro, via Aventar. Já agora, seria bom que, tanto o Rui Rocha como o Pedro Correia, que andam entretidos no Delito de Opinião a convencer-nos de que os gregos merecem aquilo por que estão a passar, lessem este post até ao fim. Talvez ganhassem algum bom senso e deixassem de apontar o dedo a quem mais sofre com o austeritarismo imposto por Merkozy. 

     "Há algum tempo, foi publicada , na revista, uma “carta aberta” de um cidadão alemão, Walter Wuelleenweber, dirigida a “caros gregos”, com um título e sub-título:

«    Depois da Alemanha ter tido de salvar os bancos, agora tem de salvar também a Grécia

Os gregos, que primeiro fizeram alquimias com o euro, agora, em vez de fazerem economias, fazem greves

     Caros gregos,

    Desde 1981 pertencemos à mesma família. Nós, os alemães, contribuímos como ninguém mais para um Fundo comum, com mais de 200 mil milhões de euros, enquanto a Grécia recebeu cerca de 100 mil milhões dessa verba, ou seja a maior parcela per capita de qualquer outro povo da U.E.

    Nunca nenhum povo até agora ajudou tanto outro povo e durante tanto tempo.

    Vocês são, sinceramente, os amigos mais caros que nós temos. O caso é que não só se enganam a vocês mesmos, como nos enganam a nós.

    No essencial, vocês nunca mostraram ser merecedores do nosso Euro. Desde a sua incorporação como moeda da Grécia, nunca conseguiram, até agora, cumprir os critérios de estabilidade. Dentro da U.E., são o povo que mais gasta em bens de consumo.

    Vocês descobriram a democracia, por isso devem saber que se governa através da vontade do povo, que é, no fundo, quem tem a responsabilidade. Não digam, por isso, que só os políticos têm a responsabilidade do desastre. Ninguém vos obrigou a durante anos fugir aos impostos, a opor-se a qualquer política coerente para reduzir os gastos públicos e ninguém vos obrigou a eleger os governantes que têm tido e têm.

    Os gregos são quem nos mostrou o caminho da Democracia, da Filosofia e dos primeiros conhecimentos da Economia Nacional.

    Mas, agora, mostram-nos um caminho errado. E chegaram onde chegaram, não vão mais adiante  !!!  »

 

Na semana seguinte, o Stern publicou uma carta aberta de um grego, dirigida a Wuelleenweber:

«    Caro Walter, Chamo-me Georgios Psomás. Sou funcionário público e não “empregado público” como, depreciativamente, como insulto, se referem a nós os meus compatriotas e os teus compatriotas.

    O meu salário é de 1.000 euros. Por mês, hem!... não vás pensar que por dia, como te querem fazer crer no teu País. Repara que ganho um número que nem sequer é inferior em 1.000 euros ao teu, que é de vários milhares.

    Desde 1981, tens razão, estamos na mesma família. Só que nós vos concedemos, em exclusividade, um montão de privilégios, como serem os principais fornecedores do povo grego de tecnologia, armas, infraestruturas (duas autoestradas e dois aeroportos internacionais), telecomunicações, produtos de consumo, automóveis, etc.. Se me esqueço de alguma coisa, desculpa. Chamo-te a atenção para o facto de sermos, dentro da U.E., os maiores importadores de produtos de consumo que são fabricados nas fábricas alemãs.

    A verdade é que não responsabilizamos apenas os nossos políticos pelo desastre da Grécia. Para ele contribuíram muito algumas grandes empresas alemãs, as que pagaram enormes “comissões” aos nossos políticos para terem contratos, para nos venderem de tudo, e uns quantos submarinos fora de uso, que postos no mar, continuam tombados de costas para o ar.

    Sei que ainda não dás crédito ao que te escrevo. Tem paciência, espera, lê toda a carta, e se não conseguir convencer-te, autorizo-te a que me expulses da Eurozona, esse lugar de VERDADE, de PROSPERIDADE, da JUSTIÇA e do CORRECTO.

    Estimado Walter,

    Passou mais de meio século desde que a 2ª Guerra Mundial terminou. QUER DIZER MAIS DE 50 ANOS desde a época em que a Alemanha deveria ter saldado as suas obrigações para com a Grécia.

    Estas dívidas, QUE SÓ A ALEMANHA até agora resiste a saldar com a Grécia (Bulgária e Roménia cumpriram, ao pagar as indemnizações estipuladas), e que consistem em:

1. Uma dívida de 80 milhões de marcos alemães por indemnizações, que ficou por pagar da 1ª Guerra Mundial;

2. Dívidas por diferenças de clearing, no período entre-guerras, que ascendem hoje a 593.873.000 dólares EUA.

3. Os empréstimos em obrigações que contraíu o III Reich em nome da Grécia, na ocupação alemã, que ascendem a 3,5 mil milhões de dólares durante todo o período de ocupação.

4. As reparações que deve a Alemanha à Grécia, pelas confiscações, perseguições, execuções e destruições de povoados inteiros, estradas, pontes, linhas férreas, portos, produto do III Reich, e que, segundo o determinado pelos tribunais aliados, ascende a 7,1 mil milhões de dólares, dos quais a Grécia não viu sequer uma nota.

5. As imensuráveis reparações da Alemanha pela morte de 1.125.960 gregos (38,960 executados, 12 mil mortos como dano colateral, 70 mil mortos em combate, 105 mil mortos em campos de concentração na Alemanha, 600 mil mortos de fome, etc., et.).

6. A tremenda e imensurável ofensa moral provocada ao povo grego e aos ideais humanísticos da cultura grega.

    Amigo Walter, sei que não te deve agradar nada o que escrevo. Lamento-o.

    Mas mais me magoa o que a Alemanha quer fazer comigo e com os meus compatriotas.

    Amigo Walter:

na Grécia laboram 130 empresas alemãs, entre as quais se incluem todos os colossos da indústria do teu País, as que têm lucros anuais de 6,5 mil milhões de euros. Muito em breve, se as coisas continuarem assim, não poderei comprar mais produtos alemães porque cada vez tenho menos dinheiro. Eu e os meus compatriotas crescemos sempre com privações, vamos aguentar, não tenhas problema. Podemos viver sem BMW, sem Mercedes, sem Opel, sem Skoda. Deixaremos de comprar produtos do Lidl, do Praktiker, da IKEA.

    Mas vocês, Walter, como se vão arranjar com os desempregados que esta situação criará, que por ai os vai obrigar a baixar o seu nível de vida, Perder os seus carros de luxo, as suas férias no estrangeiro, as suas excursões sexuais à Tailândia? Vocês (alemães, suecos, holandeses, e restantes “compatriotas” da Eurozona) pretendem que saíamos da Europa, da Eurozona e não sei mais de onde.

    Creio firmemente que devemos fazê-lo, para nos salvarmos de uma União que é um bando de especuladores financeiros, uma equipa em que jogamos se consumirmos os produtos que vocês oferecem: empréstimos, bens industriais, bens de consumo, obras faraónicas, etc.

    E, finalmente, Walter, devemos “acertar” um outro ponto importante, já que vocês também disso são devedores da Grécia:

    EXIGIMOS QUE NOS DEVOLVAM A CIVILIZAÇÃO QUE NOS ROUBARAM  !!!  

Queremos de volta à Grécia as imortais obras dos nossos antepassados, que estão guardadas nos museus de Berlim, de Munique, de Paris, de Roma e de Londres.

    E EXIJO QUE SEJA AGORA !!  Já que posso morrer de fome, quero morrer ao lado das obras dos meus antepassados.

Cordialmente,

Georgios   »



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Quarta-feira, 02.11.11

A Grécia aqui tão perto

   A Europa vinha jogando há muito tempo um jogo perigoso com a Grécia. Hoje tudo se está a precipitar. Perguntam qual é o limite para os sacrifícios que se podem impor a um povo inteiro sem perspectiva de saída. A Grécia é a resposta. O que é que esperavam?


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Segunda-feira, 03.10.11

    

Em frente, as ruínas da Grécia antiga; atrás de vós a (actual) Grécia arruinada !.

     

 

 

[eurotortuga.jpg]  Partido Pirata ?  

ou piratas nos partidos, nos governos, na U.E. e nas ''offshores''/paraísos fiscais ?!

         (em: A diferença ;  Tobin or not Tobin?O Raio ),



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Segunda-feira, 26.09.11

                A trivialização do desespero

    ... uma das faces mais sinistras da vertigem austeritária: o ajustar progressivo do que é tolerável para níveis crescentemente indignos e imorais; a resignação que desce, um a um, os degraus do fosso dos retrocessos sociais que a austeridade cava consecutivamente.
    (Sobre a destruição do tecido económico local e a deterioração das condições de vida em Atenas, resultante das ondas do choque austeritário, vale a pena ler este testemunho de um jurista de Viena, que há cerca de ano e meio vive num apartamento da capital grega).

               Um verdadeiro “genocídio financeiro”,   (22 setembro 2011,  Die Presse, Viena)

Thessalonique, 16 de setembro. Um homem imolar-se em fogo para protestar contra o governo, bancos e partidos políticos.

Thessalonique, 16.09.2011. Um homem imola-se em fogo para protestar contra o governo, bancos e partidos políticos.  AFP

Então os gregos “recusam-se a economizar”? Um jurista de Viena, que tem um apartamento em Atenas, observou-os diariamente. A sua conclusão: economizam ao máximo.

Günter Tews Não podemos deixar de responder às diversas declarações dos mais altos responsáveis de toda a Europa, algumas delas roçando a imbecilidade, sobre estes “preguiçosos” gregos que “se recusam a economizar”.

Há 16 meses que tenho casa em Atenas e vivi in loco esta situação dramática. Ouvem-se queixas de que os planos económicos não vão funcionar porque as receitas fiscais caíram. Põe-se em causa a vontade dos gregos economizarem. Que surpresa! Vejamos alguns factos:

- Redução de salários e de pensões até 30%.

- Redução do salário mínimo para 600 euros.

- Dramática subida de preços (combustível doméstico + 100%; gasolina + 100%, eletricidade, aquecimento, gás, transportes públicos + 50%) ao longo dos últimos 15 meses.

- Um  terço das 165 mil empresas comerciais a fecharem as portas, um terço sem conseguir pagar os salários. Por toda a cidade de Atenas pode ver-se os painéis amarelos com a palavra  “Enoikiazetai” a letras vermelhas – “Aluga-se”.

- Nesta atmosfera de miséria, o consumo (a economia grega foi sempre muito centrada no consumo) diminuiu de maneira catastrófica. Os casais com dois salários (onde o rendimento familiar representava até então 4000 euros), de repente, têm apenas duas vezes 400 euros de subsídio de desemprego, que começa a ser pago com meses de atraso.

- Os funcionários públicos e de empresas próximas do Estado, como a Olympic Airlines ou os hospitais, há meses que não recebem ordenados e os pagamentos a que têm direito foram adiados para outubro ou para o “próximo ano”. O recorde pertence ao Ministério da Cultura. Há 22 meses que os funcionários que trabalham na Acrópole não são pagos. Quando ocuparam a Acrópole para se manifestarem (pacificamente!) receberam rapidamente o troco, em gás lacrimogéneo

- Toda a gente está de acordo quando se diz que 97% dos milhares de milhões das tranches de resgate da UE voltam diretamente para a UE, através dos bancos, para amortizar a dívida e pagar novos juros. Assim, o problema é discretamente atirado para cima dos contribuintes europeus. Até ao crash, os bancos recebiam copiosos juros e as reivindicações estão a cargo dos contribuintes. Por isso não há (ainda?) dinheiro para as reformas estruturais.

- Milhares e milhares de empresários em nome individual, motoristas de táxi e de camiões, tiveram de desembolsar milhares de euros para pagarem as suas licenças e, para isso, contraíram empréstimos, mas hoje veem-se confrontados com uma liberalização que faz com que os recém-chegados ao mercado não tenham de pagar quase nada, enquanto quem já lá está há mais tempo está onerado com enormes créditos, que tem de pagar.

- Inventam-se novos encargos. Assim, para apresentar uma queixa na polícia é preciso pagar logo 150 euros. A vítima tem de abrir a carteira se quer que a sua queixa seja aceite. Ao mesmo tempo, os polícias são obrigados a cotizarem-se para abastecerem os seus carros-patrulha. 

- Foi criado um novo imposto sobre a propriedade associado à conta da eletricidade. Se não for pago, a luz de casa é cortada. 

- Há meses que a escolas públicas deixaram de receber materiais escolares. O Estado deve milhões às editoras e as entregas deixaram de ser feitas. Agora, os estudantes recebem CDs e os pais têm de comprar computadores para que os filhos possam estudar. Não se sabe como é que as escolas – sobretudo as do Norte – vão pagar as despesas de aquecimento.

- Até ao fim do ano todas as universidades estão paralisadas. Um grande número de alunos não pode entregar trabalhos nem fazer exames.

- O país prepara-se para uma enorme onda de emigração e estão a aparecer gabinetes de aconselhamento sobre este assunto. Os jovens não veem futuro na Grécia. A taxa de desemprego entre os jovens licenciados é de 40% e de 30% entre os jovens em geral. Os que têm emprego trabalham a troco de um salário de miséria e, em parte, de forma ilegal (sem segurança social): 35 euros por 10 horas de trabalho diário na restauração. As horas extraordinárias acumulam-se sem serem pagas. Resultado: não sobra nada para investimentos de futuro como a educação. O governo grego não recebe nem mais um cêntimo em impostos.

- As reduções maciças de efetivos na função pública são feitas de maneira antissocial. Foram despedidas, essencialmente, pessoas que estavam a alguns meses da idade da reforma, para lhes ser pago apenas 60% do total da pensão a que teriam direito.

   Toda a gente faz a mesma pergunta: onde está o dinheiro das últimas décadas? É evidente que não está no bolso dos cidadãos. Os gregos não têm nada contra a poupança, simplesmente, não aguentam mais. Quem consegue ter emprego mata-se a trabalhar (acumula dois, três, quatro empregos).

   Todas as conquistas sociais das últimas décadas em matéria de proteção dos trabalhadores se desfizeram em pó. Agora, a exploração tem rédea solta; nas pequenas empresas é, geralmente, uma questão de sobrevivência.

   Quando se sabe que os responsáveis gregos jantaram com os representantes da troica [Comissão Europeia, BCE e FMI] por 300 euros por pessoa, não podemos deixar de perguntar quando é que a situação acabará por explodir

   A situação da Grécia deveria alertar a velha Europa. Nenhum partido que propusesse uma razoável ortodoxia orçamental estaria em condições de aplicar o seu programa: nunca seria eleito. É preciso atacar a dívida enquanto está ainda relativamente sob controlo e enquanto não se assemelha a um genocídio financeiro.

.........................

De facto, há séculos e séculos que é sempre a mesma coisa:
- sempre que um agiota quer 'deitar a luva' aos bens de alguém... o agiota acena com empréstimos... que sabe que não vão conseguir pagar... RESULTADO FINAL: quem foi atrás do aceno de empréstimos (feito pelo agiota) fica na miséria... e o agiota fica com os seus bens!
Hoje em dia, mega-agiotas não se limitam a acenar a famílias... eles acenam a países inteiros!

«...

Eles sobem as escadas e já não há ninguém que me possa acudir.»



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Terça-feira, 13.09.11

Nobel Krugman diz que crise se pode tornar real numa questão de dias 
                 'O euro está em risco de entrar em colapso '
Com a possibilidade de a Grécia entrar em incumprimento cada vez mais possível, pode ser o futuro da zona euro a estar em causa.
«Um desastre impecável». Este é o nome do artigo do prémio Nobel da Economia, Paul Krugman, publicado no «New York Times», onde o economista defende que a crise financeira na Europa se tornou um problema de maior dimensão, não sendo apenas um problema de países pequenos e periféricos como a Grécia, e acusa os líderes europeus e o BCE de não estarem a reconhecer a verdadeira natureza do problema (nem parecem estar a tomar medidas adequadas).
    'A turbulência financeira na Europa já não é um problema de economias periféricas como a Grécia, uma vez que o que estamos a assistir neste momento é um ataque a grande escala a economias muito maiores, como a Espanha e a Itália', escreveu o Nobel da Economia. Segundo Krugman, a Europa ainda não percebeu a real gravidade do problema, não se esforçando para combater a crise de forma eficaz e olhando para a 'austeridade orçamental como a única resposta',
     'O BCE tem atuado de forma impecável no combate à inflação. É por isso que o euro está agora em risco de entrar em colapso', criticou, rematando: 'não estamos a falar de uma crise que se vai revelar em um ano ou dois, a situação pode resvalar numa questão de dias. E, se assim for, o mundo inteiro irá sofrer',
                 Grécia: Dinheiro só até Outubro
   No centro de todas as atenções e preocupações continua a Grécia. Ontem, numa entrevista a uma televisão local, o vice-ministro das Finanças da Grécia, Filippos Sachinidis, que Atenas só consegue assegurar os seus compromissos financeiros até outubro.
Amanhã, o FMI reúne-se para debater a transferência de mais 8 mil milhões, e no dia seguinte a reunião dos ministros das Finanças da zona euro promete girar essencialmente à volta da possibilidade cada vez mais real da Grécia entrar em incumprimento e poder sair da zona euro.
   Segundo o semanário Der Spiegel, a Alemanha deixou de confiar nos compromissos assumidos pela Grécia para receber ajuda externa e está a elaborar um plano B para o caso de falência deste país da zona euro. O Spiegel cita fontes do ministérios das finanças ligadas à elaboração do plano, mas oficialmente um porta-voz garantiu que 'se está a trabalhar intensivamente num plano A, e não num plano B', sem adiantar mais pormenores.
   Em caso de falência da Grécia, e da reestruturação da sua dívida pública, os bancos de outros países, como Portugal, Espanha ou Irlanda, deveriam ser assim postos a salvo. O plano alemão não prevê, no entanto, uma eventual saída da Grécia do euro, que também tem sido hipótese colocada.
   O economista chefe do banco dinamarquês Saxo, Steen Jakobsen, estima que as necessidades de recapitalização da banca europeia ascendam a 2 biliões de euros em caso de uma hipotética bancarrota da Grécia.
   Já o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, disse acreditar que Atenas vai conseguir cumprir os compromissos de ajustamento estrutural e de reestruturação definidos para o país receber o resgate financeiro.
                    'Alemanha tem mais a ganhar '
   Em Berlim, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, disse que o euro continua a ser uma mais-valia tanto para a União Europeia como para a Alemanha e sustentou que os alemães 'têm muito mais a ganhar do que a perder', na sua defesa.
Após um encontro em Berlim com a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente do executivo comunitário sublinhou que 'os alemães têm muito mais a ganhar do que a perder com a sua contribuição para o «Rettungsschirm»', o mecanismo europeu de estabilização financeira.
Após o encontro em Berlim, um porta-voz da chancelaria federal já havia indicado que Merkel e Barroso haviam sublinhado a 'extraordinária importância', do euro para a Europa e para a Alemanha.
                 DR, O 1ºJaneiro, 13.9.2011 



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Quinta-feira, 30.06.11

Questionando os Presidentes da UE

a de que a receita de austeridade, sózinha, não funciona. Pelo contrário, como a Grécia demonstra, essa receita só enterra mais a economia grega, portuguesa, irlandesa, italiana, espanhola, etc... e expoe o Euro à especulação nos mercados.
- O que espera o Conselho para adoptar medidas verdadeiramente europeias e solidárias?

como os eurobonds, para mutualizar a divida soberana;

um imposto sobre as transacções financeiras, para financiar a recuperação económica e o emprego na Europa;

e avançar na governação económica europeia, com harmonização de politicas fiscais, industriais e comerciais para travar os desiquilibrios macro-económicos entre os membros da UE?
- O que espera o Conselho para obrigar os bancos europeus a comunicar ao governo grego todos os haveres gregos que ajudaram a desviar para paraisos fiscais no ultimo ano, ajudando assim a frustrar o "plano de ajuda" europeu?

         Presidente Barroso -
- O que farão Conselho e Comissão se o Parlamento grego amanhã não aprovar o plano do Conselho Europeu? Qual é o plano B do Conselho?
- Será que o Conselho realiza que, com o impacto estupido e doloroso da sua receita neo-liberal sobre os cidadãos, não está apenas a enterrar a Grécia, mas o Euro, a construção europeia e a própria democracia na Europa, além de desencadear uma crise global pior que a resultante da queda do Lehman Brothers, como avisam os nossos aliados americanos?"


Dirigi-as esta tarde aos Presidentes van Rompuy e Barroso, em Conferência de Presidentes aberta, no PE.
Ambos se mostraram muito confiantes em que o Parlamento grego aprove o novo pacote de medidas de austeridade.
Barroso negou, por isso, que houvesse Plano B...(se o parlamento grego chumbar as medidas, deixa-se a Grécia cair na bancarrota?).
Barroso admitiu, no entanto, que o dinheiro dos gregos está de facto a ser desviado para o exterior. Com visível exasperação, proporcional à incapacidade da UE para o impedir.
O que, só por si, diz tudo sobre a eficácia da receita até aqui aplicada pelo Conselho Europeu!

 

Maltratar a Grécia afunda a UE 

     A crise das dividas soberanas resulta da falta de governação económica na UE e consequente falta de sustentabilidade do Euro.
Por isso, Portugal poderá ser tremendamente afectado (e será certamente o primeiro país da zona Euro a ser afectado), se se deixar a Grécia entrar em incumprimento (default) - o que pode resultar de eventual votação amanhã no Parlamento grego, tendo o Conselho Europeu feito depender dela a libertação de uma tranche do empréstimo acordado em 2010 e a concessão de eventual novo empréstimo. E não se sabe se o governo socialista grego consegue essa aprovação, não só porque o povo protesta vivamente nas ruas influenciando deputados do PASOK, como porque o maior partido à direita - cujo lider fez ouvidos moucos às admoestações da Sra. Merkel - se recusa a aprovar as novas e durissimas condições exigidas à Grécia em troca da "assistência".
     Em Portugal não devemos alimentar ilusões, como as semeadas por aqueles que acham que bastou Pedro Passos Coelho apresentar-se no Conselho Europeu de baraço ao pescoço, por todos nós, e agradecer muito o empréstimo nas condições determinadas pela Troika, repetindo o mantra "nós não somos a Grécia".
     Por mais que cumpramos com rigor o acordo com a ‘troika’, se a Grécia se afundar, nós afundamo-nos a seguir. E é toda a Europa que se afunda.
     Por isso, teve razão Mário Soares ao fazer notar como é vergonhosa a forma como os lideres da União Europeia estão a tratar a Grécia.
E teve razão António José Seguro quando advertiu o Governo para não se exceder no zelo neo-liberal de ultrapassar o que a Troika nos impõe em medidas de austeridade, antes se aplique a investir o que for possível em crescimento económico e emprego.

Porque é sobretudo à conta da receita de austeridade punitiva, sem condições para relançar o crescimento económico, que hoje a Grécia se acha ainda mais endividada e desesperada.

[- por  AG  em 28.6.2011



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Sábado, 25.06.11


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