Sexta-feira, 28.02.14

Estado manda funcionária de empresa cometer crime, empresa é punida  (-por R.Alves, 21/2/2014, EsquerdaRepublicana)

  O pide João Luís ordenou ao seu subordinado Nuno Lopes Dias que pedisse à funcionária da Optimus Gisela Teixeira a disponibilização dos registos telefónicos do jornalista Nuno Simas.  Alguém tem dúvidas de que isto é ilegal ?
    «Olhe, senhora da operadora telefónica, diga-me aí com quem anda a falar ao telefone esse senhor jornalista, a que horas e durante quanto tempo, está bem?»   Há algum país em que valha a pena viver em que este género de ordem seja legal? Eu acho que não.
   O Ministério Público, pelo contrário, acha bem. Mais: diz que «não tinham consciência» de estar a cometer um crime. Temos portanto espiões que desconhecem a lei (ignorantes), ou então que fazem de conta que não a conhecem, quando são apanhados (fazem-se de parvos). A escolha da alternativa correcta fica para o leitor.
    Entretanto, a Optimus é condenada a uma multa de 4,5 milhões de euros pela Comissão Nacional de Protecção de Dados (uma instituição que, ao contrário do Ministério Público, protege a nossa liberdade e a nossa privacidade, e portanto a nossa segurança). (A empresa telefónica) Defende-se dizendo que «ajudou a descobrir o prevaricador». Tem alguma razão, mas esta empresa (e as outras) têm que aprender a não contratar criminosos (perdão, pessoas que não têm consciência de serem criminosos). Chocante, finalmente, que no meio disto tudo não haja demissões de pides, aposentações compulsivas, idealmente um ou dois deles darem com os ossos nas grades, ou então, vá lá, a condenação do SIED a uma multa, no mínimo, de igual valor. As escutas telefónicas são crime para quem executa a ordem mas não para quem a dá?

---xx--- (-já postado em 22/11/2013):

Governo de direita e extrema direita reforça poder da polícia política  (-por R.Alves, Esq.Republicana, 21/11/2013)

   Num país europeu, um governo de direita e extrema direita decidiu reforçar os poderes e privilégios da polícia política.
1- A divulgação dos «segredos do Estado» passa a ser punida com entre três e dez anos de prisão, incluindo especificamente quando a divulgação é feita «com recurso a meios de comunicação social ou a plataformas de índole digital» (i.e. jornais, revistas, e-mail, blog, site, facebook, ...).

2- O âmbito dos «segredos do Estado» amplia-se, e vai de coisas tão precisas como a identidade dos funcionários do Estado que são espiões, até coisas tão vagas como «a preservação do ambiente, a preservação e segurança dos recursos energéticos fundamentais, a preservação do potencial científico e dos recursos económicos e a defesa do património cultural» (nisto vale tudo !! é a discricionariedade e arbitrariedade total !! nas mãos da polícia e/ou dos governantes !!).

3- A classificação do que constitui «segredos do Estado» constitui privilégio do Primeiro Ministro (não do Presidente da República, note-se) e do chefe da polícia política.

4- A capacidade do poder judicial de investigar matéria em «segredo de Estado» fica limitado.

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Maioria parlamentar apresenta projectos de lei sobre regime do segredo de Estado que explicita as matérias abrangidas e agrava as penas para a sua violação

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    À polícia, tudo é permitido .    Há duas semanas, polícias manifestaram-se nas galerias do Parlamento. Ao contrário do que é costume, quem dirigia os trabalhos (presid. da A.R.) não deu ordem para evacuar as galerias. Caso único.

    Hoje, uma manifestação de polícias derrubou a barreira policial frente à Assembleia da República e invadiu as escadarias (mas não tentou entrar no edifício). Ao contrário do que é costume, não apenas a ocupação foi tolerada como não houve violência da parte da polícia de choque (especialmente reforçada).
    O precedente fica aberto. Se aos civis não for permitido o mesmo...

   (e, no meio dos milhares de agentes das várias polícias, guardas, seguranças,...) um cartaz onde se lê:

 "Em 74 foram os militares, agora somos nós".

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Cúmplice de Pedro Passos Coelho vangloria-se das campanhas sujas, do condicionamento de opinião, das mentiras espalhadas pelos media e pelas redes sociais, levadas a cabo por uma “task force” para o efeito criada e que assim, primeiro, ludibriando os militantes do PSD ajudou Coelho a derrotar Paulo Rangel e Aguiar Branco na corrida à presidência do partido e depois,  manipulando os eleitores com os mesmos métodos, ajudou Passos Coelho a derrotar Sócrates.   A história («Ascensão e queda de Passos, v.2.0») desta atividade abjeta que ajudou a fabricar (ou a destruir) um presidente do PSD e um 1ºM de Portugal vem descrita, com orgulho, pelo consultor de comunicação Fernando Moreira de Sám. - artigo na Visão.

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         Estado  capturado (e não democrático) :

... leis feitas por encomenda a gabinetes/sociedades de advogados e com a colaboração de 'peritos/especialistas' que são parte interessada (tal como grande parte dos deputados, até pela sua "não-incompatibilidade" e promiscuidade com o poder económico) ou a soldo de grandes empresas e lóbis (de cartéis e oligarcas super-privilegiados, rentistas e sugadores de dinheiros e bens públicos), ...

... manipulação de cidadãos e (tele)espectadores, de 'fóruns' das rádio, TVs e internet, condicionamento de debates, aumento da influência e poder de agências-gabinetes, consultores de comunicação e 'spin-doctors', compra de publicidade e artigos, 'fugas de informação', campanhas de desinformação e propaganda, 'tachos' e 'boys paraquedistas', nepotismo, ...

... 'pressões'/ameaças, controlo de jornalistas (cada vez mais precários, tb) e empresas de mídia, ...

...  condicionamentos e pressões (até públicas e internacionais!) sobre magistrados, tribunais, investigação policial,  ...enviesamento/manipulação de estudos, inquéritos, estatísticas, indicadores, gráficos e análises, ...

...  agitadores e infiltradores (policiais ou...) nas manifestações pacíficas, video-vigilância por todo o lado, escutas e bases de dados pessoais ilegítimas, abuso de poder e prisão para distribuidores de panfletos ou pintores de murais e grafitis, ... 

- será isto um Estado de direito Democrático, com Justiça, Liberdade, transparência e cidadania participativa ??!!  (e um mínimo de soberania autonomia ?!!).



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Quarta-feira, 26.02.14

A Ucrânia,  ponto nevrálgico da Europa  (-por JMC Pinto, 5/12/2013, Politeia)

 
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A defesa e a conquista de posições geoestratégicas  (militares, políticas e económicas: recursos e mercados)
     A Ucrânia, mesmo antes da URSS, já era um ponto nevrálgico da Europa. Se muitos não deixam de sublinhar que a velha Rússia nasceu na Ucrânia, em Kiev, também não é menos verdade que durante fases importantes da sua história, nomeadamente durante o domínio territorial dos latifundiários polacos e lituanos, se aproximou da Europa de leste, que se opunha aos russos e ao expansionismo do Império czarista para Ocidente, acabando, todavia, por ser os cossacos, que se rebelaram contra a servidão polaca, a restituir a Ucrânia ao seio da “mãe”Rússia, com excepção da Galícia que, na partição da Polónia do séc. XVII, ficou para o Império Austro-Húngaro até ao fim da Primeira Guerra Mundial.    A fracassada intervenção soviética na Polónia, logo depois da vitória da Revolução, acabou por ditar uma nova partilha do que é hoje o território ucraniano:   a parte Ocidental foi incorporada na Polónia, tendo o centro e o leste constituído a República Socialista Soviética Ucraniana, integrada, em 1922, na URSS.
     Foi na Ucrânia que os “brancos” travaram as principais batalhas contra os “vermelhos” na sequência da eclosão da Revolução de Outubro e foi também na Ucrânia que as potências da Europa ocidental mais tentaram combater a revolução bolchevista.
     Assegurada a vitória das forças revolucionárias, foi na Ucrânia que a batalha económica pelo domínio da terra foi mais brutal e mais trágica e voltou a ser na Ucrânia, um pouco mais de uma dezena de anos depois, que Hitler depositou as maiores esperanças na derrota da URSS. O colaboracionismo ucraniano, nomeadamente da Ucrânia ocidental, constituía para os alemães um exemplo que esperavam ver seguido em todo Cáucaso e mesmo nas zonas mais remotas da parte europeia da URSS, principalmente no sul do Volga.
     A brutalidade nazi e a incapacidade de os alemães se relacionarem com os povos do leste, a não ser como “untermenschen” ("sub-pessoas"/ escravos), impediram que aquela política fosse posta em prática com um mínimo de credibilidade. O colaboracionismo, apesar de extenso em determinadas zonas ocidentais, não era minimamente credível.
    Estaline, ciente do importante papel geoestratégico que a Ucrânia desempenhava para a URSS, não teve dúvidas em exigir nas negociações com os aliados, o deslocamento das suas fronteiras para ocidente, sendo a Polónia compensada, também a ocidente e à custa das fronteiras da Alemanha, com um território sensivelmente idêntico ao perdido a leste.
    Mais tarde o optimismo voluntarista de Krutschev na fidelidade da Ucrânia aos ideais do socialismo foi ao ponto de, num rearranjo de fronteiras entre os Estados que compunham a URSS, lhe ter atribuído a península da Crimeia!
    A verdade é que mal a URSS “desabou” e a Ucrânia – que sempre teve assento na ONU, juntamente com a Bielorrússiadeclarou a sua independência, logo as “operações de charme” do ocidente recomeçaram. A primeira e mais aparatosa, de que pouca gente já hoje se recorda, ocorreu, em 1992, em Washington, tendo como pretexto a segurança das centrais nucleares ucranianas.  Meio mundo – ou mais – foi convidado para participar nessa conferência cujo objectivo era demonstrar a grande boa vontade com que o Ocidente se propunha ajudar a Ucrânia num domínio particularmente sensível.
    Depois aconteceu o que se sabe:   acentuaram-se na Ucrânia as divisões entre o ocidente, mais próximo da Polónia e sempre sob o olhar atento da Alemanha, e o leste muito mais chegado à Rússia. Os americanos chegaram mesmo a ter um presidente da Ucrânia com nacionalidade americana – como, de resto, aconteceu noutros ex-Estados da URSS – e a Ucrânia esteve a um passo de integrar a NATO e chegou mesmo a “fazer o estágio” para tentar integrar a União Europeia.
    A firme oposição da Rússia de Putin, o termo do mandato de George W. Bush, a eleição de Obama e a vitória de Viktor Ianukovicht desencorajaram os ânimos “integradores” do Ocidente e amorteceram o “colaboracionismo” ucraniano. 
    A União Europeia, todavia, não desistiu. Numa jogada geoestratégica de grande envergadura negociou com a Ucrânia um Tratado de associação que lhe permitiria dominar economicamente o mais importante território da Europa de leste a troco das conhecidas “ajudas” de integração, que são, como se sabe, o preço que a UE está disposta a pagar para aniquilar o aparelho produtivo dos novos aderentes ou associados.
    Acontece que a Rússia, parcialmente restaurada na sua força e beneficiando do relativo abrandamento do expansionismo americano a leste, ergueu a voz, ameaçou economicamente a Ucrânia e exigiu a retractação do acordo já negociado com Bruxelas, pronto, ao que parece, para ser assinado na cimeira de Vilnius.
    Esta jogada da União Europeia tem a sua face mais visível nos esforços voluntaristas da Polónia, da Lituânia e da Suécia, mas só um cego não vê que este grande movimento em direcção ao leste tem a matriz política da Alemanha. Se saísse vitorioso, permitiria restaurar, em paz através da dominação económica, o que a bestialidade nazi tentou, sem êxito, à força.
     Em conclusão:     noutros tempos, não muito recuados, a defesa ou a conquista de posições geoestratégicas importantes na Europa poderia ser muito vantajosa para milhões e milhões de pessoas que apenas vivem do seu trabalho.
    Hoje, tudo isto não passa de um confronto entre oligarcas que enriqueceram à custa de um dos roubos mais descarados da História e o capital plutocrático que não pára de se expandir  à custa do esmagamento dos salários, da precariedade do trabalho e da limitação, primeiro, e, quando possível, extinção dos direitos sociais.
    Esta“guerra”, portanto, não é nossa, embora, em última instância, seja preferível tê-los separados e conflituantes do que unidos sob o domínio de um deles.       (--- já postado em 16/12/2013)
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     Contra o modelo neo-liberal que favorece os ricos, destrói pessoas e países  
 Cleptocracia  - governo de/por ladrões (+corruptos e nepotistas)  (-por F.Castro, 21/5/2011)
 
... Os motinsprotestos em curso ... reforçam as “teses” que expus nesse texto. Uma delas é que a UE, longe de ser um qualquer escudo contra a ameaça fascista, é na verdade a geradora dessa mesma ameaça e, inclusive, chega a ser aliada no terreno de movimentos neo-nazis, e medidas "legais"anti-democráticas ...
 (e de partidos de direita ultra/ neo-Liberais, incentivados e apoiados financeira e logisticamente por UE e USA e Rússia :  serviços secretos, partidos e fundações conservadoras/direita, bancos,  corporações multinacionais, mídia, ...  atentados e ameaças pessoais e de sanções e interferências militares) ...
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     O "espaço vital" alemão é-nos fatal   (-por F.Fernandes, DN, 27/2/'14)

  Que importa que alguém tenha dito uma frase famosa sobre as repetições da história (primeiro, tragédia... depois, farsa... blá-blá-blá...)?   O que conta é que a história repete os erros. Dava jeito aprender isso, o facto, e não memorizar a frase. Dava jeito, por exemplo, para saber o que se passa na Ucrânia. Já vimos o filme e não foi há muito tempo. A Jugoslávia teve o azar de se atravessar num conflito de interesses entre a Alemanha e a Rússia. Esta estava, então, ferida e a outra aproveitou para debicar. A Jugoslávia perdeu logo a Eslovénia e a Croácia, sobre as quais a Alemanha se sentia com antigas pretensões.

     A Europa seguiu a patroa (então, ainda incipiente) alemã e, numa guerra sem inocentes, demonizou só um lado: a Sérvia, a aliada russa, foi apresentada como a culpada única. Não foram só bombas que lhe lançaram, mas o anátema. 

    Os intelectuais europeus que se insurgiram contra esta forma esguelha de olhar foram apontados como cúmplices: o francês Patrick Besson e o austríaco Peter Handke, escritores, e o cineasta bósnio Emir Kusturica passaram quase por criminosos de guerra.

    Agora, a mesma patroa alemã, já com poderes reforçados, vai pelo mesmo caminho na Ucrânia. Esta já se divide (a Crimeia parte) como há 20 anos a Jugoslávia e a explicação volta a ser sem nuances: os maus são os pró-russos. E aquela frase inicial é ingénua.  Isto não vai acabar em farsa, mas numa tragédia maior: a Europa está a perder a Rússia.

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    A guerra dos drones   da alta finança, mídia e medo    (OJumento, 27/2/2014)

  ...     Uma boa parte da guerra fria era feita com o argumento da liberdade ao mesmo tempo que as rádios e televisões prometiam hamburgers e jeans aos cidadãos dos países do Leste. Agora acena-se com mais democracia para derrubar democracias e mandam-se membros de governos ocidentais participar em manifestações e incentivar à guerra civil.

    Para fazerem ao Iraque ou ao Afeganistão o mesmo que fizeram à Síria os países ocidentais perderam milhares de soldados e gastaram milhões, para destruir a Síria, desorganizar a Líbia, lançar a confusão no Egipto e atirar a Ucrânia para a guerra civil os EUA e a Europa não gastaram um tostão e não perderam um único soldado. Usaram um drone chamado manifestações e usaram a democracia ou o que restava de democracia para promoverem ditaduras, para destruírem países ou para lançarem povos na guerra civil.

    O cinismo do Ocidente nunca foi tão longe e aquilo que já se tinha visto na Jugoslávia estendeu-se a uma boa parte do mundo, a Europa já não envia tropas, não tem nem dinheiro nem coragem, agora manda jornalistas, televisões e discursos falsamente democráticos. A Alemanha já não constrói o seu terceiro Reich com invasões militares, agora acena com ajudas financeiras para promover guerras civis e derrubar os regimes que se opõem à sua expansão, já perdeu o medo da União Soviética e com a nova estratégia leva a guerra às fronteiras da Rússia.
    Esta estratégia cínica que consiste em usar a democracia como campo de batalha usando as promessas de dinheiro e a comunicação social como drones já destruiu países, está atirando a África para a confusão e agora promove guerras civis nas fronteiras da Rússia, estimulando o ódio aos russos, usando o medo em relação a estes como se fez no passado em relação aos judeus. A Europa está no mau caminho e isto só pode acabar muito mal.


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Quinta-feira, 28.11.13

Tudo para o buraco da banca   (Nuno Teles, 28/11/2013, CADTM)

            Hoje, o sistema bancário nacional está completamente dependente do apoio público. O seu financiamento é garantido através do Euro sistema a taxas de juro de referência de 0,25%. A sua capitalização teve que ser empreendida pelo Estado, em 5,6 mil milhões de euros, devido à incapacidade dos seus acionistas. E, no entanto, ao contrário da narrativa governamental, a banca continua enfraquecida. Na sua atividade, os quatro maiores bancos nacionais totalizaram 1200 milhões de prejuízos até setembro.

     As causas são fáceis de identificar: com a austeridade e recessão que assola o nosso país o número de empresas e famílias incapazes de cumprir com os seus contratos de crédito não pára de subir. Assim, com a continuação da austeridade e crise no futuro não é expectável qualquer reversão desta tendência. Os balanços da banca continuarão a degradar-se, consumindo o capital entretanto injetado pelo Estado e bloqueando qualquer extensão de crédito à economia portuguesa.

     Os empréstimos públicos realizados no processo de recapitalização são apresentados como tendo preços acima do mercado. Esta afirmação não faz qualquer sentido. Não existe mercado, e logo não há nenhum preço de mercado, já que a banca não se conseguia financiar através de agentes privados. Ainda assim, importa notar que os juros pagos pela banca por estes empréstimos do Estado são dedutíveis no IRC da banca paga ao Estado. Ou seja, na verdade, estes juros têm um desconto real de 25% (taxa nominal do IRC) naquilo que é pago ao Estado.

     Finalmente, os representantes do Estado nos bancos intervencionados não têm poder para reconfigurar o modelo de negócio atual da banca que, por exemplo, faz uso do financiamento barato do BCE para comprar dívida portuguesa no mercado secundário a uma taxa de juro muito superior, no que são lucros seguros feitos à custa dos portugueses.  Medidas como o eventual corte nas remunerações das administrações da banca, além de mero número demagógico (os salários auferidos não têm qualquer limite em valor), servem só para criar uma cortina de fumo sobre o que é preservação a todo custo do poder financeiro em Portugal.

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25 maiores fortunas de Portugal equivalem a 10% do PIB    (Rev.Exame, 27/11/2013, via Esquerda.net)

    Este ano, as 25 maiores fortunas do país perfazem 16,7 mil milhões de euros,  2,3 mil milhões a mais do que em 2012, este valor corresponde a 10% do produto interno bruto (PIB), sendo equivalente a todo o dinheiro que o Estado português foi buscar aos mercados com a emissão de dívida a curto prazo este ano.   “Os tempos podem ser de crise, mas as maiores fortunas nacionais continuam a crescer”, avança a revista.

    No topo da lista dos mais ricos de Portugal encontra-se Américo Amorim que, tendo conseguido duplicar a sua fortuna em apenas um ano, com a subida de flecha do preço das ações que detém na Galp Energia, no Banco Popular e na Corticeira Amorim, voltou a conquistar o primeiro lugar do pódio, destronando Alexandre Soares dos Santos, agora em segundo lugar. A sua fortuna, avaliada em 4,5 mil milhões de euros, é superior ao esforço de austeridade exigido para este ano.

    Ainda que tenha descido na classificação, Soares dos Santos (PDoce) viu a sua fortuna aumentar de 2,1 para 2,2 mil milhões de euros.

    Em terceiro lugar surge a família Guimarães de Mello (Cuf), com uma fortuna de 1,7 mil milhões de euros.

    Belmiro de Azevedo (Sonae/Continente), mantém o quarto lugar ranking, com uma fortuna de 1,2 mil milhões de euros, o dobro do valor apurado em 2012.

    Maria Isabel dos Santos (uma das principais acionistas da Jerónimo M./PDoce), volta a ser identificada como a mulher mais rica de Portugal, subindo do 9.º lugar para o 7.º lugar, com uma fortuna de 574,9 milhões de euros.

    Nos primeiros dez lugares do ranking surge ainda Maria do Carmo Espírito Santo Silva (BES), com uma fortuna avaliada em 497,4 milhões de euros.


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Terça-feira, 12.11.13
Os populistas não são o verdadeiro problema    [Barbara Spinelli, LA REPUBBLICA, 08-11-2013, via MIC]
    Rotular de populistas e reacionários  (ou de radicais) todos os movimentos de protesto que vão surgindo só serve para contornar as raízes do problema. A União Europeia, tal como se apresenta hoje, não está ameaçada pela ira dos seus cidadãos, mas pela relutância dos governos em delegar-lhes a soberania.
    Concordo com a criação de uma Europa federal e a salvação da moeda única. Caso contrário, teremos, em vez da União, muitos pequenos Estados sem grandeza mas não sem ignomínia, sem amigos mas mais do que nunca vassalos do poder norte-americano (ou dos bancos corporações  multinacionais). Regressaremos à estaca zero: derrotados pelo nosso nacionalismo (ou bairrismo ou clubite partidária), como nas guerras mundiais do século XX.
    Por que está a crescer na Europa uma humanidade tão infeliz, tão revoltada, que alimenta a extrema-direita e partidos eurocéticos? Chamar-lhe populista ou reacionária é ficar-se pelo “porquê”, fugindo à razão de ser desse grito. A resposta será inútil, se os protestos e propostas, tão diferentes entre si, forem tratados como uma massa compacta que obstrói qualquer tipo de progresso.
    Estigmatizar o problema com desprezo e rejeição é ignorar que a Europa de hoje destila venenos crónicos. Não basta, como fazem os governos atuais, invocar o seu nome para que ela exista. Isso serve para esconder o que é, contudo, óbvio: nacionalismo e conservadorismo são vícios que afligem as próprias instâncias dirigentes e as elites dos Estados da União Europeia.
   Também aqui, temos de ousar ir além das palavras. Se excluirmos a França, a palavra “federação” deixou de ser tabu. Evocada pela direita e pela esquerda, não é, no entanto, seguida por ações práticas, como a partilha das dívidas públicas, o crescimento impulsionado por euro-obrigações e recursos financeiros europeus de maior magnitude do que os atuais. Ou mesmo um Parlamento Europeu com novos poderes e uma Constituição comum, que seja expressão do sentir dos seus cidadãos. Em suma, uma Europa que seja para eles um refúgio em tempos de angústia e não o bastião que protege uma endogâmica oligarquia de poderosos que se protegem uns aos outros.
        Povos soberanos
    A Europa, tal como existe hoje, não está ameaçada pela ira (à direita ou à esquerda) dos seus cidadãos. Está ameaçada por governos relutantes em delegar a soberania nacional, não apenas fingida, mas usurpada, visto que em democracia, o soberano é o povo. A crise de 2007-2008 atormenta-a desmesuradamente devido a essas distorções. Uma austeridade que aprofunda a pobreza e a desigualdade, um Pacto de Estabilidade que nenhum Parlamento pode discutir: é esta a Europa que se quer livrar do populismo. É a miséria grega. É a corrupção de governos, que se alimenta das desigualdades e de falsa estabilidade.
    O caso da esquerda radical na Grécia é exemplar. O Syriza, uma coligação de movimentos de cidadãos e grupos de esquerda, foi apodado de populista e antieuropeu, nas duas eleições de maio e junho de 2012. Os governos europeus mobilizaram-se para descrever o Syriza como o monstro a abater. Berlim ameaçou fechar as torneiras da ajuda. Mas nem o Syriza nem Alexis Tsipras, que o dirige, são antieuropeus. Exigem é uma Europa diferente e é isso que apavora os poderes instalados.
    Em 20 de setembro, quando apresentou o seu programa no Kreisky Forum, em Viena, Tsipras surpreendeu aqueles que o tinham enxovalhado. Disse que a arquitetura do euro e os planos de resgate esmagaram a União, em vez de lhe curarem as feridas. Recordou a crise de 1929 e o dogma neoliberal com que foi tratada. Tal como hoje. “Os governos negaram a arquitetura aberrante dos seus projetos, insistindo na austeridade e na mera revitalização das exportações”.
           Crise europeia e corrupção
    O resultado foi a miséria “e a ascensão do fascismo no Sul da Europa e do nazismo na Europa Central e Setentrional”. É por isso que a União tem que ser refeita a partir do zero. Retomando propostas dos sindicatos alemães, o Syriza propõe um Plano Marshall para a Europa, uma união bancária real, a dívida pública gerida centralmente pelo Banco Central Europeu e um enorme programa de investimento público lançado pela União Europeia.
    Mas Alexis Tsipras disse mais: há uma ligação que tem de ser denunciada, entre a crise europeia e as democracias corruptas de Atenas e de muitos países do Sul. “A nossa cleptocracia forjou uma forte aliança com as elites europeias”, e esse casamento alimenta-se de mentiras sobre as culpas de gregos ou italianos, sobre os salários demasiado altos e um Estado demasiado generoso. Essas mentiras “são usadas para transferir a culpa dos ombros dos cleptocratas nacionais para os das pessoas que trabalham duramente”.
    É uma aliança que não tem qualquer oposição desde que a esquerda tradicional adotou, na década de 1990, os dogmas neoliberais. Grande parte da população ficou, pois, sem representantes. Perdida, abandonada, castigada por manobras que parecem exercícios recessivos. É essa parte – a maioria, se contarmos com os abstencionistas – que protesta contra a Europa.
         Elites consanguíneas
   Às vezes, sonha com um retorno irreal às moedas e às soberanias nacionais; outras, reclama uma Europa diferente, que não esqueça o clamor dos pobres, como foi possível no período do pós-guerra e no final dos anos de 1970. Assim fala Tsipras. E Grillo, em Itália, diz coisas semelhantes, ainda que de forma mais caótica.
   Se nada acontecer, a Europa deixará de ser um abrigo e passará a ser um lugar em que as pessoas ficam expostas, sem protecção. Administrada por elites consanguíneas, assemelha-se cada vez mais ao “Escritório das cartas mortas” de Bartleby, o solitário escriturário do conto de Herman Melville [Bartleby, the Scrivener: A Story of Wall Street]. À força de compilar e deitar fora muitos milhares de cartas nunca enviadas aos seus destinatários, Bartleby acaba por amadurecer a sua recusa plácida, que fará com que responda a qualquer ordem ou pedido, com uma tranquilidade cadavérica: “Prefiro não fazer”.
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 Los amos del dinero: Las 70 familias de caciques que dominan España(o caso/exemplo de «Os Donos de Espanha»): 
           Eslabones perdidos del sistema
    Durante el feudalismo, la oligarquía española se organizaba en facciones dirigidas por familias, con sus círculos de influencia, matrimonios de conveniencia, vasallos y sirvientes. Controlaban directamente la recaudación de impuestos y gestionaban el territorio.
   500 años después las oligarquías se organizan en familias al amparo del franquismo tomando la forma de grupos empresariales en base a S.L. de entre 3 a 5 miembros. Poseen toda una suerte de empresas y dominan grandes campos de la producción si no toda. El dinero conseguido del privilegio y el ladrocinio, cuando no es conducido a paraísos fiscales, es reinvertido en toda suerte de empresas, destacando las Sicavs, gestionadas por los bancos.
          Los otros amos del dinero Por MARIBEL GONZÁLEZ y J.F. LEAL.
Hay vida, y cuentas corrientes con muchos ceros, más allá de las 100 fortunas que incluimos en nuestro ranking de ricos. Analizamos otros 70 apellidos cuyo patrimonio también merece el calificativo de ‘multimillonario’ y ponemos a todos en el mapa, para saber cómo se distribuye por regiones el dinero nacional.   [ ...   ...   ...}
          Conclusiones.
     Gracias a sus contactos políticos, también vasallos, si no miembros de los clanes, controlan indirectamente la recaudación, y se aprovechan del sistema coercitivo estatal para adsorber los fondos de los presupuestos (orçamentos), en forma de subvención (subsídios e isenções). Los mismos les proporcionan acceso a los concursos públicos.
    La oligarquía domina el territorio. Controla todos los aspectos de nuestra vida: lo que comemos, los vestidos, coches, casas. Es imposible escapar de sus garras acudiendo a los circuitos comerciales establecidos. Pero tampoco es posible montar alternativas, ya que ellos poseen los medios de producción y los dispositivos legales que justifican su supremacía.
          Consejero Delegado= Terrorista con corbata
     El Consumo responsable es necesario, pero no suficiente. Se debe cuestionar todo su sistema de valores, lo cual nos llevará a encontrar alternativas. Estas existen, y gusten o no pasan por una redistribución de los bienes sin el uso de dinero. Negar su máxima es negar su sistema entero: mercado y propiedad privada.
             Luchar contra sus empresas es luchar contra la oligarquía.   Abandona la militancia domesticada.     Organízate y lucha.

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«Anonymous publica los documentos del PP (Partido Popular)»  .    Como parte del compromiso adquirido ante el pueblo de España, Anonymous da inicio a OpSecretFiles2 y saca a la luz pública el caso de corrupción del Gobiernode España, con pruebas contundentes.  

     Que caigan los corruptos de España y que se sepa quien es Mariano Rajoy y sus alianzas, #OpSecretFiles2!!..    -Atentamente vuestras madres.    (http://www.ecorepublicano.es/ )

 

     



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Um povo muito fofinho

  Os portugueses são um povo muito fofinho.  ... No dia em que ficamos a saber que os multimilionários portugueses  enriqueceram 10,8% com a crise (muito acima da média europeia) os tugas vomitam a suas frustrações, ódios e invejas, em cima dos funcionários públicos!
   Animado com este fervor patriótico dos tugas, Hélder Rosalino (Sec.E.Adm.Púb.) aproveitou para anunciar que o governo está a preparar mais cortes nos salários dos funcionários públicos, devendo o diploma estar pronto até final do mês.
   Enquanto isto, Cavaco deve ter ..contribuído para a domesticação dos tugas, ... Passos, por sua vez, deve ter aproveitado o dia para almoçar com Marilú(Min.Fin.) e delinear mais umas medidas que dobrem a canalha.
   ... Como foi pena ter visto, num dos canais, o pio a ser cortado cerce a quem defendeu com mais vivacidade os grevistas e mimoseou os governantes e o paralítico de Belém com alguns epítetos menos fofinhos.
   Estamos bem servidos. Temos um povo estóico que defende a política do nosso governo com unhas e dentes e ataca de forma veemente os traidores dos funcionários públicos ... Governo e povo tuga/ fofinho merecem-se. ... São ambos invejosos, mesquinhos e vingativos.
   Os que teimam em defender os seus direitos é que deviam ser deportados. São perigosos estalinistas que não hesitariam em meter este povo fofinho de analfabetos em campos de correcção onde aprendessem o princípio mais básico da cidadania: a defesa dos seus direitos.
   Eu não gosto do povo fofinho. Nem deste governo. Nem de tugas. Mas, como dizia Hanna Arendt, eu não tenho de gostar do meu povo. Devo é gostar dos amigos que me rodeiam, falem eles a língua que falarem. Não me revejo, pois, nos elogios ao povo corajoso que tem resistido com estoicismo às medidas de austeridade. Não pertenço a esse grupo. O meu povo são os meus amigos e medimos estoicismo e coragem por outra bitola.
-------      Quando a troika mandou taxar as rendas excessivas; aplicar uma taxa às PPP; reduzir o número de municípios e cortar nos apoios ao ensino privado.   Nestas situações, o governo nunca ouviu os conselhos da troika e ofereceu, em troca, os trabalhadores portugueses, para serem degolados no altar dos sacrifícios.
-------           Min. Def. num momento patético
   “Estado totalitário”? Fala do oposto a Estado totalitário, fala de estado social, em sentido estrito. Senão vejamos: o Estado totalitário de que fala o MDN não é algo com a natureza do salazarismo ou de qualquer outra ditadura, não se refere a um Estado sem liberdade ou democracia. Não, para Aguiar Branco o Estado totalitário a que se refere é “totalitário” porque tende a disponibilizar acesso à saúde a “todos”, saúde “totalitária”?, perigosamente igual para todos, ricos ou pobres. E de igual modo para o ensino e educação, escola igual para “todos” e não em função do vencimento do papá. Estado totalitário ao querer abranger “todos”no apoio ao desamparo, no desemprego, no direito à reforma, de acordo naturalmente com os descontos feitos.
    Trata-se portanto, no pensamento do ministro, de um Estado social “absorvente”, que “absorve” a sociedade ao ponto de se tornar “totalitário”. Trata-se, mesmo assim de uma exageração ministerial pois que há a liberdade de criar e oferecer medicina privada e de a ela aceder quem quiser , desde que tenha dinheiro para isso. O mesmo se passando com o ensino e até com a constituição de seguros de reforma
    O que parece que Aguiar Branco pretende é que o Estado reduza senão totalmente pelo menos ao máximo as ofertas de saúde (Serviço Nacional de Saúde), de educação (escolas gratuitas ou quase), segurança social, reforma assegurada e gerida pelo Estado. E o ministro quererá  tudo isso porquê e para quê? Não porque queira o mal de ninguém, seguramente pois julgo-o  ” pessoa de bem”. Talvez seja  porque partilha o pensamento “liberal” (no sentido usado em Economia) de que quanto menos Estado melhor para a máxima liberdade de cada um se desenvencilhar conforme o dinheiro que tiver no bolso. Mas partindo duma “grelha de partida” em que uma pequena minoria de ultra-milionários são donos de quase tudo e outros donos de pouco ou mesmo  nada. Partilha o nosso ministro a doutrina neoliberal de Hayek, Friedman, da Escola de Chicago?.
    Quer nos convencer que as fortunas ultra–milionárias que conhecemos por aí , foram em geral, obtidas pelo “suor do seu rosto”, pelo mérito? !! ...
   Intoxica-se a comunicação social dizendo que se trata de documentos falsos e, quando vier a ser provado que não há falsificação nenhuma, assobia-se para o ar. Os vigaristas têm sempre desculpa ou justificação para as suas acções.
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       A Farsa da descida do desemprego   (-por Ivo R. Silva, 9/11/2013, AdArgumentandum)

   É evidente que há gente a ser paga – e muito bem paga – para bajular as políticas deste governo nos órgãos de comunicação social (mídia). Gente amestrada para a contra-informação, para a propaganda, para a aldrabice pura e simples, a coberto de supostas especializações técnicas.    Não sei se em dinheiro, se em cargos, se em promessas futuras, se em jantares, se em favores de qualquer espécie, mas parece-me óbvio que a corrupção está ao rubro no nosso país. (tal como o nepotismo, a grande cunha e os assédios).   E muito mais do que aquilo que se possa imaginar.   Só isso pode explicar – isso ou a imbecilidade… – que apareça quem dê loas a uma “descida do desemprego” sem atender ao que isso verdadeiramente significa, ou ao que se deve em concreto essa ligeira alteração estatística.

    A verdade, contrária ao que se pretende fazer crer, não é que haja “mais gente com emprego”.   A verdade, é que menos gente a contar para as estatísticas do desemprego.   Daí a tal “descida” no número de desempregados.   E isso acontece sobretudo por três razões: ou porque emigraram (no ano passado, em média, saíram 10 mil por mês), ou porque se encontram 'em formação', ou porque – frustrados pelas consecutivas tentativas de procurar uma agulha num palheiro – simplesmente desistiram de procurar “activamente” algo que não existe.

    Nenhum dos corrompidos do sistema diz, evidentemente, que o número de postos de trabalho destruídos é muito superior ao número dos tais que deixaram de estar inscritos como “desempregados”.   Se os que passaram a “não inscritos” – esta é a verdadeira designação – foram em número de 34 mil, já o número de despedimentos entre Julho e Setembro foi de 102 mil.   Também nenhum dos serventuários do sistema refere o aumento de + de 6 mil jovens desempregados do que no trimestre anterior. Não convém. É capaz de ser só a incómoda teimosia dos números.

    Não se diga que quando falamos destes sentadinhos de estúdio falamos de gente ingénua, bem posta na vida e incapaz de perceber o que realmente se passa. Não é isso. Isso é fazer deles coitadinhos. Esta gente é paga para isto. Esta gente está a soldo de interesses. Está corrompida dos pés à cabeça. Está a desempenhar um papel, porque sabem que, mais tarde ou mais cedo, serão recompensados por isso. E o pior de tudo, para mal dos nossos pecados, da nossa paciência e se calhar das nossas carteiras, é que sê-lo-ão mesmo

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Segunda-feira, 04.11.13

    A Justiça de olhos abertos     (-por R.Varela, 5Dias,3/11/2013)

 images   Uma greve pela justiça, pelo Estado social, contra a possibilidade de se cortarem salários, contra a brutalidade de trabalho que ficou nas mãos de quem ainda está empregado. É isto que creio, se anuncia na justiça. Esperemos desta vez não ter que ouvir os outros trabalhadores dizer que estes, do sector da justiça, são corporativos ou privilegiados.
    O salário corresponde em Portugal, salvo raras excepções, aquilo que é necessário para reproduzir aquela força de trabalho. O facto de alguém não ser miserável e não ter que «roubar», legitimamente, electricidade, por exemplo, ou só comer pão para estar vivo, ou deixar de passear, viver como humano digno e não como animal acossado, não faz dele um privilegiado mas apenas um trabalhador que mesmo se ganhasse mais, dentro de um tecto razoável, estaria a ganhar aquilo que é fruto do seu trabalho, aqui visto como trabalho colectivo, riqueza social.
      Em Portugal não é privilegiado quem ganha 1500, 2000, 3000 euros – porque esse valor é comportado pelo conjunto da produção nacional, calculando a riqueza produzida e a produtividade do trabalho. É privilegiado quem vive à sombra de monopólios privados protegidos pelo Estado, como a EDP; quem gere empresas em que o Estado assume os deficits ou a recapitalização, como a PT; empresas que usam força de trabalho paga pela segurança social, como sectores da Banca; empresas que vivem de contratações milionários, como a Mota Engil no Porto de Lisboa ou nas autoestradas; empresas que não assumem riscos porque sorvem impostos, como o Grupo Mello e o Grupo Espírito Santo na saúde. Tudo isto se traduz em privilégios, benefícios, que estão espelhados na distribuição de dividendos, que em certos casos alcançam os milhões de euros de «salário» por ano.
     Já não há nada que justifique a ignorância do que se está a passar no país. Esta greve da justiça não é só por salários (que podia ser, e seria, claro, justa) mas é uma greve que assume uma linguagem lindíssima – o termo é mesmo este, creio -, de defesa de uma «sociedade mais justa». É uma greve que coloca os magistrados na luta pelo Estado social, contra o corte de salários, pelo acesso de todos à justiça, estou a citar.
     Esquecemos muitas vezes que o Estado Social também é o acesso à justiça, à não arbitrariedade. O Estado (ou o Governo) pode devolver os nossos impostos e contribuições em saúde, em educação, em segurança social, justiça, habitação, cultura, espaços verdes, transportes públicos. Pode devolvê-los sob a forma de polícias, balas e repressão. Pode devolvê-los sob a forma de fiscalização para arrecadar ainda mais impostos. Pode nem os devolver, mas é só enquanto o permitirmos.

              A notícia é da Agência Lusa.:      «O Ministério Público anunciou este sábado que vai uma jornada de protesto com greve pela dignificação do sistema de Justiça, do estatuto socioprofissional dos magistrados, da independência do poder judicial e do Estado Social de Direito.    A decisão foi tomada num assembleia geral que decorreu em Coimbra. Num documento enviado à Renascença, os magistrados criticam a contínua destruição do Estado Social e da economia real e a violação de princípios basilares do Estado de Direito democrático, como os princípios da intangibilidade dos salários, da igualdade, da proporcionalidade, da tutela da confiança e da progressividade e suportabilidade do imposto sobre o rendimento pessoal.

   «Como o Tribunal Constitucional vem afirmando de forma inequívoca, a imposição de sacrifícios mais intensos aos trabalhadores que exercem funções públicas não pode ser justificada por factores macroeconómicos relacionados com a recessão económica e o aumento do desemprego».

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            Pobres   dos   Ricos    (-por I.R.Silva, 5Dias, 2/11/2013)

    Esta semana a EDP apresentou lucros na ordem dos 800 milhões de euros. Curiosamente, esta semana também, a EDP decidiu desencadear uma mega-operação de corte de electricidade a um sector de privilegiados que vive à grande e à francesa nos “luxuosos” bairros sociais de Lisboa e Porto. E se aqui se usa de uma certa ironia, veja-se como, na idiossincrasia de J.Miranda, se desenha uma vida faustosa das gentes de um desses bairros, no caso o do Lagarteiro, caracterizada por ele como gente que recebe – e coloca tudo ao molho para engrandecer ainda mais a coisa… –      “uma data de pensões”. Aquilo é um fartote! É uma data de euros e de euros valentes! Aquilo é que é “mamar”! J.Miranda fala de “complemento solidário para idosos, subsídio social de desemprego, abono de família e pensão social de invalidez” como se estivesse a falar de mais-valias bolsistas, salários milionários de gestores, motoristas particulares, jactos privados, benesses e luxos que auferem e de que beneficiam certamente os Mexias desta louvada terra.     “Pobres dos ricos”, faltou dizer taxativamente na curta prosa, onde o autor, para espalhanço geral, traz à liça o “favor” da EDP em conceder “obrigatoriamente” (diz ele) uma “tarifa social de electricidade” aos moradores, caindo na clamorosa contradição que constitui não poder usufruir desse tal “luxo” quem, como ele diz, “rouba” ou “não paga” a electricidade. Enfim, é meter ao barulho e pode ser que cole. E não cola.

      Só que o que é curioso aqui sobretudo é verificar como a direita pugna de forma acérrima pelo cumprimento de “contratos” e de “obrigações”. Espantoso zelo este pela fórmula incontestável dos “deveres contratuais”. Curiosamente, não se lembram desses tais deveres contratuais quando toca a falar de cumprimento do “contrato” estabelecido, por exemplo, entre Estado e trabalhadores contribuintes, entre Estado e reformados ou entre Estado e pensionistas. Não se importam nada, até aplaudem vigorosamente, que o governo saque às pessoas aquilo que por “contrato” lhes pertence.    Em nome de políticas de favorecimento do sistema financeiro, vislumbrando contraditoriamente no lamaçal e na podridão da banca, da especulação, dos “mercados a solução para todos os nossos males, aí, tendo em vista tais objectivos, já se pode conspurcar a sacrossanta obrigação de cumprir o que se deve, de se pagar a quem se deve e tudo o que se deve.

      Se há dias se lia na imprensa que (estavam a emigrar 9.000 potugueses, por mês!!, e) em todo o país havia um total de 100 mil (!) pessoas a receber RSI – uma multidão de privilegiados… -, é provável que haja aí uns 100 “ricaços” no Lagarteiro a gozar à grande e à francesa os seus 180 ou 190 euros de rendimento mensal. São uns ingratos, que ainda por cima não respeitam os valorosos “favores” da empresa dos 800 milhões de lucro. É coisa verdadeiramente inadmissível, uma blasfémia. Pobres dos ricos. Malditos sejam os pobres (e os desempregados e os trabalhadores mal pagos, ...). Amén.



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    Notícias preocupantes mas que, infelizmente, não surpreendem:    «O medo regressou à Grécia com a notícia da morte de dois militantes do Aurora Dourada, alvejados por desconhecidos à porta de um edifício do partido neonazi num subúrbio de Atenas.» (Público, 2/11/2013)
     «Os mercados entraram em pânico e o Banco Central Europeu tem de tomar medidas urgentes. A razão é grave: a inflação na zona euro desacelerou para uma zona de perigo de deflação.   A taxa de inflação anual na zona euro atingiu 0,7% em Outubro, o que representa uma desaceleração face ao valor de 1,1% verificado em Setembro, segundo a estimativa rápida do gabinete de estatística da União Europeia divulgada na quinta-feira.» (i online)
     Como tenho dito, os anos 30 do século passado (e da grande depressão e ascensão do fascismo/nazismo) são uma referência útil para entender o que estamos a viver:
     «Em Berlim, a polarização eleitoral reflectia-se nas lutas de rua entre milícias nazis e comunistas. … Brüning manteve-se como Chanceler, apoiado no Reichstag pelos Sociais-Democratas, mas a sua autoridade tinha sido enfraquecida e a opinião política e financeira, no estrangeiro, estava cada vez mais alarmada. Em Dezembro de 1931 foram ordenados mais cortes … Brüning e os seus conselheiros sentiam uma imperiosa necessidade de restaurar a abalada confiança na Alemanha.» (Barbarism and Civilization, p. 177)
     «Várias lições da desastrosa experiência entre as duas guerras são directamente relevantes para a Europa dos nossos dias ... A deflação ajudou a aprofundar a Depressão; ... os países começaram a recuperar da Grande Depressão logo que abandonaram o padrão-ouro.» (O'Rourke e Taylor, p. 176)
  .   O trilema

     Realizadas as manifestações convocadas pela CGTP e pelo movimento Que Se Lixe a Troika, tudo indica que a falta de uma proposta credível para romper com a actual depressão, a falta de uma luz ao fundo do túnel, é a razão fundamental para a desmobilização das pessoas. Contudo, são cada vez mais visíveis os sinais de que há uma cólera sufocada que, mais tarde ou mais cedo, acabará por irromper com violência no espaço público. Na Grécia dos nossos dias, como na Alemanha dos anos trinta, a violência é sintoma de um enorme fracasso político à esquerda: a incapacidade de produzir uma alternativa mobilizadora. A situação em que nos encontramos foi descrita pelo economista Dani Rodrik sob a forma de um trilema. Dos três vértices do trilema - globalização, estado-nação, democracia - as sociedades contemporâneas apenas podem escolher dois.

      A globalização comercial e financeira, consagrada no Consenso de Washington, logo após o fim da União Soviética, foi progressivamente imposta nos vários continentes através do FMI, do BM e da OMC. Na Europa, os estados colocaram-se sob a tutela dos mercados financeiros e as várias dimensões do Estado social europeu foram sendo reconfiguradas em nome da "competitividade". Nesta nova ordem, a política económica contra-cíclica tornou-se anátema, o trabalho foi desprotegido, a legitimidade dos direitos sociais foi posta em causa e a finança desregulada infiltrou os maiores partidos, controlando agora apertadamente os estados. Por conseguinte, a escolha entre diferentes projectos de sociedade ficou praticamente eliminada já que a ideologia neoliberal e os interesses de uma minoria induziram a escolha dos vértices globalização - estado-nação. A situação de tutela que hoje vivemos, sujeitos a "condicionalidades" que não dependem dos resultados eleitorais, faz-nos sentir na pele o que vários povos de outros continentes há muito sabem: a globalização esvaziou a democracia no estado-nação.
      Tratando-se de um trilema, há mais duas escolhas possíveis. Uma delas é o binómio democracia - integração, neste caso deixando cair o estado-nação e transferindo para um nível superior os mecanismos da democracia representativa. Esta opção não existe à escala mundial mas é o sonho de muitos europeístas, pelo menos como a meta de um processo lento e cheio de obstáculos. Tendo abdicado da soberania económica através da criação de uma moeda única, de um banco central independente e do Tratado Orçamental, os estados pertencentes à Zona Euro poderiam dar mais alguns passos de natureza federal:    eleger o Presidente da Comissão, criar um orçamento federal com transferências dos países mais ricos para os que estão em dificuldades, mudar o mandato do BCE para que financie os estados mais frágeis e lhes torne mais favoráveis a taxa de câmbio e a inflação, etc.    A crise que estamos a viver já tornou evidente que a Alemanha nunca aceitará este caminho, embora esteja disposta a camuflar essa recusa com cedências de menor alcance, sempre tentando ganhar tempo. O SPD, o novo parceiro de Angela Merkel no governo, será muito útil para camuflar a sua estratégia de completa submissão da UE ao ordoliberalismo. Porém, como observaram Kevin O'Rourke e Alan Taylor num recente artigo académico (Cross of Euros), "Uma coisa é levar mais longe as instituições federais dos Estados Unidos em tempo de crise, dentro do que já é um país, outra coisa é fazê-lo numa união de 17 estados independentes."
     Perante a urgência de encontrar uma saída para esta crise, ainda podemos virar-nos para a terceira escolha, o binómio estado-nação - democracia, deixando cair a Zona Euro e protegendo-nos da globalização. É este o caminho de saída da crise que as esquerdas se têm recusado a assumir. Por isso é que continuamos sem luz ao fundo do túnel. E também é por isso que, em França, Marine Le Pen vai à frente nas sondagens.   (O meu artigo no jornal i)


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Quarta-feira, 23.10.13

         Garoupa no Pingo Doce

    Quem viu ontem Soares dos Santos a confraternizar com Judite de Sousa e Medina Carreira terá ficado com uma ideia bastante aproximada da função que está reservada à Fundação Pingo Doce no projecto extremista de virar o país do avesso. Sem perder tempo a analisar as declarações de Soares dos Santos, que balançam entre o atrevimento despudorado (trabalhar sete dias por semana, acabando com os fins-de-semana) e a ignorância (como quando afirmou que gostaria de ver o Tribunal Constitucional transformado numa espécie de Auditoria Jurídica de um qualquer ministério), retive, nos momentos finais do programa, o anúncio de que iria colocar na prateleira António Barreto para entregar a presidência da fundação a Nuno Garoupa.      Quem é este Garoupa, apresentado como alguém que veio de uma universidade americana (neoliberal do Illinois)? Basta ler um só artigo dos que publicou no Jornal de Negócios para poder ficar a conhecê-lo. Está lá tudo condensado.
     Tal como os extremistas que sustentam que o “socialismo real” falhou porque não se adoptou tão escrupulosamente a teoria do socialismo científico como se deveria ter feito, o Garoupa do Pingo Doce entende que os “três governos da direita (Durão, Santana e Passos)” falharam porque “não há qualquer programa de reformas consistentes, nem qualquer visão ideológica neoliberal consistente”.
    O extremista Garoupa do Pingo Doce não poupa ninguém à direita, nem Vítor Gaspar, esse “moderado” que teve o desplante de se ter transformado, em Fevereiro deste ano, no cavalo de Tróia do PS no Governo: “A direita portuguesa duas vezes falhou completamente a reforma do Estado. ... O anúncio do ministro das Finanças na semana passada de pedir mais tempo à troika e aderir ao discurso político do PS confirma a completa derrota do actual Governo que evidentemente já vinha a sentir-se à [sic] muito tempo.”
    Não parece ousado concluir que o Garoupa do Pingo Doce, escolhido por Soares dos Santos, tem uma missão concreta a desempenhar na fundação: inventar argumentos para justificar o desmantelamento do “Estado social (que fundamentalmente corporativizou e paralisou a economia portuguesa)”-diz/em ele/s.
---------- ignatz...

tenho cá um palpite que o gajo se vai candidatar a presidente e que a fundação já começou a funcionar como sede de candidatura. deem uma olhada na lista de avençados da coisa e imaginem a próxima casa civil de belém.

--- não vejo diferença nenhuma entre o SS do PD e o javardo do Continente e seus apaniguados, o Ulrico e outros bardamerdas que diariamente utilizam os canais de tvs para nos dar lições de moral, qualquer dia temos tempo de antena do ..., diretamente da quinta da Marinha ou da Coelha...

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           Da escassez de neurónios no mercado liberalizado

    Os leitores que me acompanham há mais tempo sabem que nunca fui à bola com o ex-PM e aqui lhe teci duras críticas.
    Apesar disso, a entrevista ao "Expresso" é uma lufada de ar fresco. Não só por ter posto nomes aos bandalhos que nos governaram (Relvas e Santana), ou ter  lembrado as pulhices de Cavaco - mentor do chumbo do PEC IV e do golpe de Estado constitucional que desde então vem promovendo-  e do colaboracionista Coelho, mas principalmente porque naquela entrevista se pode fazer uma comparação entre o ex e o actual PM.

     Sócrates é culto,  tem conteúdo político e intelectual. Fundamenta o seu discurso de uma forma rectilínea.    Passos Coelho é o exemplo acabado do nihilismo dos "tipos que nunca fizeram um corno" ( Carlos Silva, líder da UGT, sábado ao Expresso). ...O homem não tem  consistência (nem competência) para defender o seu processo revolucionário. É uma marioneta dos interesses instalados, de quem espera receber o respectivo tributo. É um idiota investido no assalto ao pote, como chefe de uma cáfila comandada pelo Okupa de Belém. ... Apenas a noção de que é preciso ser servil para alcançar os objectivos que o animam. ... Cavaco, Coelho, Portas et alii foram fabricados num formato que só conhece: a traição, o ódio e vingança. Precisamos, urgentemente, de mudar de forma!   ...
------Meninos prodígio : Um dia destes, o Moedas contrata o filho da Cristas   O Gab. do Sec. de Estado Adj. do P.M. contratou dois jovens de 21 e 22 anos para acompanhar a execução de medidas do memorando de entendimento com a troika. A informação consta de um despacho publicado no Diário da República e tem sido alvo de críticas nas redes sociais.

 ---- O Diário de Notícias faz as contas ao que no próximo ano o Governo prevê gastar com o seu staff, entenda-se salários, aquisição de bens e serviços, deslocações, etc. No total, o Governo prevê uma despesa de 36,7 milhões de euros, ou seja, um aumento de 10% fase a este ano. À cabeça surge, desde logo, a Presidência do Conselho de Ministros, que inclui os gabinetes de Passos e Portas, que prevê gastar 9,4 milhões de euros.



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Quarta-feira, 16.10.13

        Quantas  vezes  mais ?        (-por João Rodrigues, 15/10/2013, Ladrões de B.)

    Recentemente, o Banco que não é de Portugal estimou que por cada euro de cortes na despesa pública, o PIB cai cerca dois euros. Mais recessivo do que cortes na despesa pública não há. Mais regressivo também não há. Despesa pública que se corta é rendimento que desaparece, no público e no privado, por toda a economia. Se isto é assim, e sabemos como a realidade tem tido um intenso enviesamento keynesiano, o injusto corte planeado nos salários, pensões e serviços públicos, representando mais de 80% de uma nova ronda de austeridade no valor de 3,9 mil milhões de euros prevista no Orçamento de 2014, terá um impacto negativo de cerca de 4% do PIB. Não há economia que resista à austeridade permanente inscrita no memorando e nas regras europeias para lá dele. Não há (povo nem) economia que resista ao governo dos credores.
     Inscrita numa perversa lógica europeia de concorrência fiscal entre Estados despojados de instrumentos de política económica soberana está, entre outras, a anunciada descida do IRC, que supostamente servirá para promover o investimento neste desolador contexto. Perante o choque na procura anunciado, e sabendo que, de longe, o que mais trava o investimento empresarial é a expectativa em relação às vendas, são os empresários que o dizem, esta opção servirá para promover a perda de receita e o chamado Estado fiscal de classe.
     Uma vez mais, insistem numa política que falhou para a maioria do país. Uma vez mais, esperemos que o Tribunal Constitucional possa bloquear algumas das opções da política de austeridade. Uma vez mais, resta-nos esperar mobilizações populares, um país que ainda não desistiu. Quantas vezes mais?
------- Anónimo :
     O que os mercados (banca, fmi, bce e etc.) querem é estados com dívida perpétua (e a submissão esclavagista de trabalhadores, cidadãos e Estados com veleidades sociais, com aspirações de soberania, justiça e liberdade), essa é a verdadeira perversidade, e nós "já estamos no bom caminho" como nos diz o iluminado de Massamá.
------- Diogo :

     «... Quantas vezes mais ? »  (ou «... até quando ? »)
     Até as pessoas se aperceberem que as manifestações pacíficas não servem para nada.
     A violência pode funcionar tanto para subjugar como para libertar. Contra a violência económica e financeira que nos tem atirado a todos para o desespero, repliquemos com a violência que for necessária para desparasitar de vez o país desta cáfila de parasitas assassinos de colarinho dourado.
    Um povo que se revolta de forma sangrenta contra a Máfia do Dinheiro, coadjuvada por políticos corruptos, legisladores venais e comentadores a soldo, e cujos roubos financeiros descomunais destroem famílias, empresas e o país inteiro, esse povo está a utilizar a violência de uma forma justa para se libertar.
     Ouve-se muitas vezes dizer que "a violência gera violência", que "a violência nunca consegue nada", ou que "se se usar a violência para nos defendermos daqueles que nos agridem, ficamos ao nível deles". Todas estas afirmações baseiam-se na noção errada de que toda a violência é igual. A violência pode funcionar tanto para subjugar como para libertar,  fazer Justiça,  se auto-defender:
* Se um pai que pegue num taco para dispersar à paulada um grupo de rufias que está a espancar o seu filho;
* Se uma mulher crava uma lima de unhas na barriga de um energúmeno que a está a tentar violar;
* Se um homem abate a tiro um assassino que lhe entrou em casa e ameaça degolar-lhe a família;
* Os habitantes de um bairro nova-iorquino que se juntam para aniquilar um bando mafioso (que nunca é apanhado porque tem no bolso os políticos, os juízes e os polícias locais), estão a utilizar a violência de uma forma justa;
* Um povo está a utilizar a violência de uma forma justa quando utiliza a força, porque sonegado de todas as entidades que o deveriam defender, contra a Máfia do Dinheiro, acolitada por políticos corruptos, legisladores venais e comentadores a soldo, e cujos (desvios, dolos, burlas,...) roubos financeiros descomunais destroem famílias, empresas e a economia de um país inteiro.



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Terça-feira, 08.10.13

     Das (i)moralidades  e cortes aos trabalhadores e pensionistas (-por L. Gomes, 7/10/2013)

...  ... Não se trata de uma opção moral, de uma escolha baseada em critérios éticos ou de uma maldadezinha que estes senhores estão a fazer. Mota Soares foi claro nas suas declarações, afirmando que a poupança de cerca de 100 milhões que se fará à conta dos cortes nas pensões de sobrevivência é uma receita mínima do ponto de vista global, mas é um sinal.

     Um sinal claro de uma opção de classe: cortar nos rendimentos dos trabalhadores ou de quem descontou sobre os rendimentos dos seus trabalhos.

Relembre-se que a maioria das pensões de sobrevivência são atribuídas a mulheres, fruto de tempos em que estas não trabalhavam ou, trabalhando, não descontavam e sobrevivem dessas magras pensões. Além do que, para os cônjuges ou filhos que as recebem, estas resultam de descontos efectuados sobre o rendimento do trabalho para a Segurança Social da pessoa que morreu e apenas há, digamos, uma transferência do seu titular. O cônjuge recebe 60% da remuneração de referência, o descendente 20%.

     É sobre estes valores que, repita-se, resultam de descontos para a Segurança Social, que o Governo quer cortar. Não corta sobre os valores que as empresas de capital intensivo, que geram milhões de lucros (e têm pouca mão de obra) não descontam para a Segurança Social, porque os descontos apenas são feitos tendo em conta o número de trabalhadores.

     Não cortam sobre as transacções em bolsa.

     Não cortam sobre lucros líquidos de grandes empresas para garantir o Fundo de Estabilização Financeira da Segurança Social, ao invés, jogam o dinheiro deste Fundo na bolsa e perdem às centenas de milhares de euros sem que ninguém saiba para onde vai o dinheiro que resulta das nossas contribuições.

    Não cortam, aliás, descontam a taxa contributiva das empresas ou isentan-nas temporariamente através de vários programas de incentivo à contratação quando, na verdade, as estatísticas demonstram apenas uma realidade: o desemprego a disparar.

     Cortam no subsídio de desemprego, de doença, no subsídio por maternidade e paternidade, nos subsídios de férias e de natal, no abono de família, no rendimento social de inserção, no subsídio por morte, no subsídio de funeral, nas pensões (futuras e actuais) e claro, faltavam as pensões de sobrevivência para ninguém fique de fora.

    Caminho que foi iniciado precisamente por Sócrates e a sua pandilha em 2010 quando introduziram a condição de recursos em todas as prestações sociais e de uma leva roubaram e reduziram o abono de família a um milhão e meio de crianças e praticamente extinguiram o subsídio social de desemprego.

     Mas o sinal, voltando a ele, é claríssimo. Não fica de fora ninguém da classe trabalhadora. Só e apenas. No capital ninguém toca.

Somos nós o alvo. E não é uma imoralidade. É uma opção muito consciente.

 

                              E  o  povo,  pá ?  e "populismo"  (-por J.Rodrigues, 7/10/2014)

      ...  ... É que estamos “num momento histórico em que o mundo desenvolvido está a avançar para um despotismo oligárquico (…), quando políticas antipopulares são impostas, ao mesmo tempo que a palavra povo é eliminada do léxico político, e quem se lhes opõe é acusado de populismo”.    As palavras são mesmo armas políticas e o populismo é uma arma usada cada vez mais para limitar o campo das alternativas, para limitar a democracia e o protagonismo popular, indispensáveis também para a defesa dos direitos sociais:    “Querem saúde para toda a gente?  São populistas.    Querem que a vossa pensão acompanhe a inflação?  Que cambada de populistas!     Querem que as vossas crianças possam ir para universidade sem carregar um fardo de dívida para o resto da vida?  Bem me parecia que são populistas encapotados! 
       É assim que os cortesãos da oligarquia denunciam qualquer reivindicação popular.   E, mesmo quando esvaziam a democracia de qualquer conteúdo, acusam todos os que se lhes opõem de ter ‘instintos autoritários’”.    Sem receio de se ser apodado de populista, isso é inevitável, é também de povo e da sua unidade política, de soberania popular, que se tem de voltar a falar cada vez mais.
  -    .Pontapé TROIKA / GOVERNO / ROUBO 19 OUT. . É tempo de Agir 26 Outubro.


Publicado por Xa2 às 07:32 | link do post | comentar | comentários (9)

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