Não pagamos, não pagamos, não pagamos
Acabo de regressar da Madeira. A minha opinião é que devemos pegar o boi pelos cornos. Ter o incómodo de dizer a Sua Excelência que não podemos pagar tudo. É um incómodo muito grande: os jornais, que ele comprou, a RTP e a RDP, cujos directores dependem dele, e todos os subsidiados, que são legião, vão dizer de nós cobras e lagartos mas não há outra solução. A Madeira está rica, nós é que somos pobres. Não pagamos. As propinas do Jardim, não pagamos. Não pagamos.

 
Vou contar-vos a coisa por miúdos. Mas para já o que vos proponho é muito simples: organize-se uma excursão de autarcas de Trás-os-Montes à Ilha da Madeira. De autarcas das juntas de freguesia, não de vereadores, ou presidentes de câmara, esses querem é Brasil, países nórdicos, viagens caras, chorudas despesas de representação.

 
A Região Autónoma da Madeira tem sensivelmente o mesmo número de habitantes que o distrito de Vila Real de Trás-os-Montes.
  • Vila Real de Trás-os-Montes que não recebeu ao longo destes anos milhares de milhões.
  • Vila Real de Trás-os-Montes que não pode permitir-se uma dívida (avalizada pelo Estado?) de cinco mil milhões de Euros. Que não pode subsidiar os agricultores para manterem os terraços do Rio Douro a parecer bem aos turistas.
  • Vila Real de Trás-os-Montes que não pode financiar a construção hoje de antigas casas, tradicionais (não é gralha, tenho fotografias!), ridículas casas de bonecas.
  • Nem dezenas de "arrastadores" de carrinhos de cestos, que não têm clientes, e andam ao alto (contei 72, a jogar cartas, e nenhum cliente, um dia inteiro)
  • Nem dezenas de jardineiros, por canteiro, a cavar e recavar, os jardins do Palácio Presidencial.
  • Nem comprar quintas atrás de quintas.
  • Nem deixar de cobrar IVA.
  • Nem pôr a gasolina mais barata.
  • Nem esburacar as montanhas em todas as direcções com 164 túneis, com um total de 73 quilómetros, todos gratuitos, que já começam a precisar de elevadas despesas de manutenção.
  • Nem meter ao bolso as receitas das fugas aos impostos numa escandalosa zona franca.
  • Nem e nem e nem.
Temos de confrontar os eleitos de Vila Real de Trás-os-Montes à Assembleia da República (aliás maioritariamente do mesmo partido que Sua Excelência o Dr Alberto João Cardoso Gonçalves Jardim - um nome que está em toda a parte na Madeira) com as suas decisões de mandar mais dinheiro, sempre mais dinheiro, para os luxos da autonomia e da irresponsabilidade.
Só porque assim querem o PSD, o CDS, o PCP e o BE. Faz cá falta. O Governo da Madeira não merece mais.

 



Publicado por Xa2 às 00:05 de 06.02.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Nem mais um tostão

"O Governo não coloca nem mais um tostão no BPP…"

Estas palavras foram ditas pelo ministro Teixeira dos Santos ontem a alguns clientes do banco.
E disse muito bem. Aguardemos para ver.

E era preciso ainda explicar muito bem aos portugueses quanto dinheiro de todos nós já lá foi colocado e porquê.
E como tenciona o estado português ser ressarcido dessas importâncias e quando.
Porque ao contrário do BPN, em que a intervenção do estado tem uma justificação política, no BPP muitos portugueses não entendem porque são os contribuintes, através de verba inscrita no Orçamento do Estado deste ano, que vão pagar parte do dinheiro aplicado pelos clientes do ‘tal’ retorno absoluto do BPP.

Casos de polícia são com os tribunais a não ser que a partir de agora quando uma pessoa ou alguma empresa fica a dever dinheiro a alguém, seja pelo Orçamento de Estado que nos seja pago o calote. Acredito que até seja legal uma irregularidade de um banco privado ser paga por todos nós, mas isso não me impede de continuar a achar o facto imoral.


Publicado por [FV] às 10:30 de 03.02.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Receita corajosa e Qualidade da Despesa

Diário do Orçamento III - Primeiro os Fins

 

É um lugar-comum dizer que a política do controlo do défice tem dominado o debate económico durante os últimos anos. Mas talvez seja mais rigoroso dizer que o défice das contas públicas tem sido usado, aliás muito selectivamente, para impôr um conjunto de políticas recessivas ao nível da contracção do investimento público, da redução da despesa social, das privatizações, etc.

Na realidade, nenhuma das forças que colocam o défice no topo das suas prioridades tem defendido medidas de aumento da receita, que também agiriam positivamente sobre o défice (tributação sobre mais-valias, banca, etc.). Têm, aliás, proposto reduções fiscais sobre reduções fiscais, sempre sobre as empresas, bem entendido.

Isso mostra que a questão, mais do que o défice, em que, aliás, a direita teve uma prestação lamentável, é outra:

trata-se aí de encontrar um argumento imperativo (agora reforçado com a estratégia de alarmismo e intimidação apoiada nas agências de rating, que a direita faz os possíveis para credibilizar) para executar políticas de redução da despesa com vista desmantelamento do estado social e de políticas económicas públicas. O problema da Direita não é o défice, são as políticas públicas. É isso, aliás, que a Direita reconhece quando critica qualquer redução do défice que não seja alcançada estritamente pela redução da despesa.

O que é preciso ter claro é que a vitória ideológica da Direita no debate ideológico sobre ajustamento orçamental impõe uma política de combate ao défice em que os instrumentos minam os seus próprios objectivos. A contracção do investimento público e políticas públicas de apoio à economia e a própria política de distribuição de rendimentos, mesmo quando reduzem o défice no curto ou curtíssimo prazo, criam as condições para mais défice no futuro (menor crescimento, mais desemprego, menos receita fiscal sobre lucros, trabalho ou consumo, mais prestações sociais, etc.) através de um ciclo vicioso que tem sido o retrato da evolução da economia europeia.

Um discurso que coloca o crescimento e o emprego no centro de todas as políticas não é, portanto, um exercício de populismo virado contra gente séria e ideologicamente descomprometida, que quer impor alguns sacrifícios temporários em nome do bem comum. Esta narrativa, que povoa o discurso económico ortodoxo, esbarra numa dura realidade. Nem os sacrifícios se revelaram temporários, nem o bem se revelou comum.

A redução do desemprego é a política que reduz estruturalmente o défice, porque é a política que pode gerar ciclos virtuosos no conjunto das principais variáveis económicas:

aumento de salários, consumo, actividade económica, crescimento, receita fiscal, etc.

Esta política faz-se com constrangimentos orçamentais? Faz, sim, senhor. Mas primeiro é preciso ter claros os objectivos, para depois descobrir os melhores meios.

É por isso que uma política fiscal corajosa (sim, receita), muito em particular sobre o Sector Financeiro, é absolutamente decisiva, necessária e nenhum dos fantasmas do costume deverá impedir a sua plena concretização. É uma política que faz a diferença entre os campos políticos. Para quebrar o ciclo da recessão, são necessárias políticas públicas e essas políticas precisam de financiamento.

Isto não quer, obviamente, dizer que a esquerda se ponha fora do debate sobre a despesa e a qualidade da despesa, como foi algumas vezes a tentação. Mas isso é assunto para outro post.

 


Publicado por Xa2 às 07:05 de 02.02.10 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

Orçamento e opções políticas

Diário do Orçamento II - Não é melhor arrumar a casa antes?

Nos discursos sobre todos os Orçamento de Estado de que me lembro, é sistematicamente utilizada a ideia de que primeiro é preciso pôr as contas públicas na ordem, para depois, com uma situação orçamental resolvida, podermos partir para políticas de crescimento, emprego, etc. Soa bem e faz sentido, não é? O país não pode endividar-se indefinidamente.

Este é o paradigma que tem comandado a política económica desde há muitos anos a esta parte. Com variações? Sem dúvida. Mas a continuidade tem sido mais significativa. Hoje, o país tem um dos maiores défices e a maior taxa de desemprego de sempre. Foi a crise financeira e apenas a crise financeira? Vamos aceitar que sim. Mas e agora, voltamos ao mesmo?

Back to basics: há duas formas de intervir sobre o défice: através do aumento da receita ou da diminuição da despesa. O aumento do défice no último ano deu-se essencialmente por via de uma enorme perda de receita fiscal, muito mais do que por despesismo ou por causa de um miserável pacote de investimento público, dos mais baixos da Europa e, mesmo assim, executado em 70%. Por isso, pensar que o ajustamento se poderia fazer unicamente pela despesa é um delírio que só gente insensata ou demagógica poderia alimentar.

A receita pode aumentar de várias formas:
aumentando impostos sobre trabalho, lucro, consumo, mais-valias; aumentando a base tributável com mais emprego, salários mais altos, lucros mais altos, promovendo o consumo; combatendo a fraude, ou seja, diminuindo o fosso entre tributação teórica e efectiva; ou ainda integrando lucros de empresas pública ou fazendo pagar por serviços públicos.

A despesa pode diminuir também de várias formas:
reduzindo benefícios e deduções fiscais; desinvestindo nos serviços públicos ou nas parcerias com os privados; reduzindo os salários da administração pública ou reduzindo contratação externa; cortando no investimento público; reduzindo as prestações através do seu valor, das condições de acesso ou do número de pessoas a precisar dessas prestações.

Há mais, de ambos os lados. Mas estas são algumas das mais relevantes e de alguma forma exemplares. Agora pensemos na caixa de comentários quais as escolhas que consideramos mais adequadas, enquanto eu escrevo um texto sobre o que é que isto tem a ver com a pergunta do título.

     em 28.1.10, Ladrões de Bicicletas



Publicado por Xa2 às 00:05 de 30.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Orçamento e agências manhosas

Diário do Orçamento I - A revelação

Foi ontem entregue o Orçamento para 2010. A primeira notícia é sobre 2009. O défice foi de 9,3%.
Agora que já votámos, ficámos a saber que os números das contas públicas são bem diferentes daqueles que o Governo andou a repetir durante a campanha. E claro que essa revelação serve agora para justificar o defraudar de muitas outras das promessas da campanha. Como de costume, as más notícias ficaram para depois da contagem dos votos.
Mas mesmo sob o signo do défice, continua a haver muito por onde escolher. Como sempre. É dessas escolhas que irei falar durante o próximo mês.

   - por José Guilherme Gusmão, em 27.1.10

Tigres de papel (manhosos)

Os governos tremem perante as agências de rating. Alguns economistas veneram-nas como oráculos “dos mercados”. Um coro de fazedores de opinião amplia o medo.
E as agências, porque quem as venere, conseguem condicionar Orçamentos de Estado (como vimos entre nós nos últimos dias) e levar governos assustados (como o Grego) a emitir divida com remunerações chorudas desnecessárias (e que vão aumentar ainda mais a sua dívida, para enriquecer  os grandes jogadores nas bolsas).

Afinal “os mercados” estão-se a borrifar para as agências  (imprescindível ver aqui e aqui).

    - por José M. Castro Caldas

 [em Ladrões de Bicicletas]



Publicado por Xa2 às 08:05 de 28.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (14) |

Esquerda e direita nas opções orçamentais
Curioso o debate sobre o orçamento na TV 1. Já não se discutiu se o défice era grande ou pequeno. O défice vai ficar igual, menos uns pós simbólicos. A direita, contra tudo o que tem dito do despesismo, cala e consente. Fica mal no retrato. Perde a face. Estamos sempre a ser surpreendidos: o que ontem parecia impossível, deixa de o ser da noite para o dia.

Mesmo assim ficou claro que há critérios para distinguir entre esquerda e direita nas questões orçamentais: antes do mais os critérios de repartição (na receita e na despesa). Decência: é o que vai faltar no orçamento da convergência à direita. E não tinha de ser assim porque a decência ajudava muito. Até a reduzir o défice.

  



Publicado por Xa2 às 00:06 de 27.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Negociação do Orçamento 2010
Diz-me com quem negoceias o Orçamento...
 - por João Rodrigues*, em i online, 25.1.2010   
      O entendimento do partido do governo com o PSD e o CDS mostra o arco da nossa desgovernação neoliberal

 

       Na semana passada, as negociações com a direita avançaram a "bom ritmo", segundo Teixeira dos Santos. Diz-me com quem negoceias o documento que fixa a orientação da maioria das políticas públicas e dir-te-ei várias coisas:   quem vai pagar a crise, os interesses que privilegias e, logo, quem és ideologicamente.

      O congelamento dos salários da função pública e a continuação dos cortes no investimento público orçamentado, cujo peso no PIB não cessa de cair, indicarão que a austeridade é tão permanente quanto assimétrica:    o fardo do ajustamento deve recair sobre os assalariados.

     O aumento do desemprego e a existência de algumas centenas de milhares de desempregados que se arriscam a continuar ou a ficar sem quaisquer apoios, dada a recusa em mexer nas regras do subsídio, contribuem para o aumento do medo, que facilita as tarefas do capitalismo medíocre.

 

      O CDS, claro, está mais preocupado com atacar os beneficiários do chamado rendimento mínimo, um dos menos generosos dos países desenvolvidos, propondo a sua amputação. Nas sociedades desiguais, o escrutínio do Estado tende a dirigir-se prioritariamente aos mais vulneráveis, ao mesmo tempo que os investimentos na segurança social são facilmente substituídos pelos investimentos na segurança pouco social:  o CDS propõe mais polícia.

 

          Entretanto, a manutenção de parcerias público-privadas tão opacas quanto ruinosas e a renovada pressão para novas privatizações de infra-estruturas públicas assinalarão que são sobretudo os grandes grupos económicos rentistas que podem estar seguros.

 

       O incremento da justiça fiscal e da autoridade democrática perante os grandes interesses financeiros, também pouco escrutinados e "sacrificados", não são compatíveis com negociações à direita. Não é por isso de admirar que o governo se prepare para meter na gaveta uma das mais importantes recomendações do seu grupo de peritos na área fiscal:   taxa de 20%, em sede de IRS, sobre as mais-valias bolsistas.

       A perplexidade reina certamente entre os deputados que são socialistas e não conseguem compreender as razões desta violação dos compromissos eleitorais.

 

        Na boa lógica dos efeitos perversos das más escolhas políticas que prolongam a crise, o défice pode nem sequer ser reduzido: no actual contexto, diminuir a procura pública diminui o crescimento e as receitas fiscais. Pouco importa.

       O défice não passa de um mau pretexto para a continuidade do enviesamento de direita da política económica. Este enviesamento revela, melhor do que qualquer declaração, o perfil ideológico de quem, no fim de contas, consegue sempre entender-se com o PSD e com o CDS no campo socioeconómico.

       Este é, definitivamente, o arco da nossa desgovernação neoliberal.

                         * Economista e co-autor do blogue Ladrões de Bicicletas



Publicado por Xa2 às 00:05 de 27.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Orçamento de/o Estado...da Nação

Qualquer dia nem melões quanto mais queijos!

Não é um, nem dois, nem três, seriam precisos muitos queijos “Limianos” para que o governo conseguisse negociar com toda a oposição, o toma lá dá cá, de receitas e despesas, mais das segundas que das primeiras.

No caso do Bloco, não chegariam os queijos teria que ser, mesmo, uma queijaria. Eles não fazem por menos e lá têm as suas razões. Se é verdade que a CGD (dinheiro do Estado claro está, visto que essa entidade diminui os resultados positivos) já gastou 4,2 mil milhões com o BPN, cujo resultado negativo, para os cofres do Estado, está por saber e o BPP contínua um assunto sem resolução, há alguma coisa que não vai bem no campo da resposta aos problemas, independentemente de qual seja a sua natureza.

A vida nacional anda pelas ruas da amargura, veja-se a taxa de desemprego já com dois dígitos e a gestão dos dinheiros públicos tem sido feita através de peneiras que além de serem de rede muito larga ainda se encontra bastante rota. O Tribunal de Contas tem demonstrado isso mesmo, como, também, o parecem, com evidência, demonstrar certos negócios como a compra de submarinos, fragatas e aviões para a transportadora aérea portuguesa.

Por outro lado o país e os portugueses há muito se habituaram, mal, muito mal, a viver à sombra do cartão de crédito, é natural que quando chegam as contas para pagar, vezes sem conta, já se não lembram das despesas que fizeram. Os próprios políticos, mais deles, que supostamente, deveriam ter gerido os recursos económicos do país com o maior rigor e parcimónia, muitas das vezes fizeram-no descuidadamente ou mesmo de forma corrupta. O Estado caiu num estado de desgraça, com os credores a roerem-nos os calcanhares, que nem cães raivosos.

Se não invertermos certos hábitos e não assumirmos, como maior rigor, as responsabilidades que nos competem, qualquer dia nem melões temos para negociar quanto mais queijos.



Publicado por Zé Pessoa às 00:15 de 25.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

O Bailinho da Madeira

O PSD deu um novo contributo para a eventual demissão do Governo e a realização, de novo, de eleições gerais antecipadas. Com os votos do PSD e de um deputado do CDS-PP foi aprovada na Assembleia da República uma alteração ao Orçamento do Estado para 2009 para que a Madeira possa contrair um endividamento de 79 milhões de euros. Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, acusou, neste caso o PSD, de ter uma atitude irresponsável ao viabilizar mais esta despesa, que agrava a dívida da Região Autónoma da Madeira, e que terá de se repercutir no corte de receitas do Estado. O PSD esteve surdo a todos os apelos de Teixeira dos Santos, nomeadamente quando disse que o Continente vai ter de continuar a pagar os desvarios financeiros da Madeira, que dá sinais claros de descontrolo de contas e de indisciplina orçamental. Na Madeira, os partidos da oposição, do CDS ao BE, falam de legitimação do "regabofe" das finanças públicas.

Trata-se sem dúvida de mais uma vitória de Alberto João Jardim, mesmo incompatibilizado com Aguiar Branco, líder da bancada social-democrata, catalogado como "incompetente" que tem conduzido o PSD a um "pantanal de contradições". O Governo de José Sócrates vai ter de arrostar com mais esta despesa não prevista, que se junta a outras resultantes da aprovação por uma coligação negativa formada pelo PSD, CDS-PP, PCP e BE para viabilizar alterações ao Código Contributivo que, na prática, significarão elevadas perdas de receitas e novas despesas no valor de quase dois mil milhões de euros, também não previstas no Orçamento do Estado. Aperta-se assim o cerco ao Governo da República, que vai tendo cada vez mais dificuldades em cumprir o seu programa. Começa lentamente a desenhar-se um cenário de ingovernabilidade, que após os primeiros seis meses da praxe só pode vir a desembocar em eleições, se, até lá, não for mudado o quadro de actuação dos partidos com assento parlamentar.

Infelizmente, a pouco e pouco vai-se confirmando a ideia de que em Portugal só se pode governar com maiorias absolutas, única forma de se cumprir um mandato de legislatura, com um programa de governo pré-estabelecido. Os governos de maioria simples só muito excepcionalmente conseguem "levar a água ao seu moinho". Não há uma cultura de governos de coligação nem de acordos de incidência parlamentar, e o que em regra se constata é a impossibilidade de governar e de resolver os problemas do País.

[Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:02 de 13.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Governo ou Executivo?

Na construção de uma notícia, os jornalistas procuram sempre sinónimos de uma palavra várias vezes utilizada nessa mesma notícia. Para não repetirem vezes sem conta presidente, dizem chefe de Estado, ou para não repetir primeiro-ministro, dizem chefe do Governo. Também dizem Executivo para não estar sempre a dizer Governo e, nunca como agora, se aplica dizer mais vezes Executivo do que Governo.

Na reacção ao adiamento do Código Contributivo, José Sócrates disse não poder aceitar que "a Oposição crie um problema orçamental e que o Governo depois só tenha de executar" e acrescentou que a isso se chama "um Governo da Assembleia". É para onde as coisas caminham. A Oposição sente o Governo fragilizado e quer impor-lhe um caminho. O Executivo sente-se acossado e procura uma solução.

Por agora, estamos ainda na fase da concretização de uma ameaça. O adiamento foi aprovado na generalidade, mas é preciso que ele seja aprovado em votação final global. Ou seja, é preciso que a Oposição volte a unir-se sobre o caminho a impor.

O Código Contributivo, a extinção do pagamento especial por conta, valem muito mais para quem tem de governar do que a avaliação dos professores, mas aqui a Oposição não esteve unida. Se é para mostrar quem manda, a Oposição atira onde dói mais a quem governa, nas receitas e nas despesas.

O futuro deste Executivo joga-se no primeiro trimestre do próximo ano. Como José Sócrates já sabe, a Oposição quer impor o nível da receita e a concretização da despesa, pouco se importando com o défice final de todas as propostas. Essa será uma responsabilidade que o Executivo terá de assumir.

No dia seguinte às eleições, escrevi que José Sócrates iria querer utilizar o Parlamento para fazer política, recusando que a Oposição lhe imponha o ritmo e o caminho. Só que para vencer esta guerra, o PS tem de jogar tudo no Orçamento. Essa é uma batalha em que os socialistas vão ter de jogar todas as armas. Na lógica de "antes quebrar que torcer", está à vista que a José Sócrates pode interessar mais que a Oposição se junte para chumbar o Orçamento.

Sem Orçamento, o PS pode alegar que não tem condições de governar e de se responsabilizar pelo caminho que quer para o país. A demissão pode bem ser o caminho, mas é muito pouco provável que o presidente da República esteja disponível para fazer a vontade a José Sócrates.

O início do próximo ano adivinha-se muito complicado. Para o Governo, para a Oposição, para o chefe de Estado, mas, acima de tudo, para todos os portugueses. O PS foi o partido mais votado, mas a maioria escolheu votar noutros partidos.

Cavaco Silva, perante uma eventual demissão do Executivo, pode pedir ao PS que proponha outro Executivo. Se o PS recusar, pode ainda tentar encontrar uma solução parlamentar, mas a Oposição unida para impor um caminho a Sócrates não será capaz de se unir para assumir a responsabilidade de governar. Por muito que não queira, Cavaco pode mesmo ter que terminar o mandato convocando eleições antecipadas.

Veremos se o político que chegou à chefia do Governo com a alcunha de "animal feroz" aceita ser aprisionado nas redes da oposição parlamentar ou se prefere correr o risco de ficar ferido de morte, tentando obrigar Belém a convocar eleições que obriguem os portugueses a clarificar o que quiseram dizer quando, no final de Setembro, renovaram a confiança no governo de Sócrates, retirando-lhe o espaço que tinha para dizer "quero, posso e mando".

[Jornal de Notícias, Paulo Baldaia]



Publicado por JL às 00:04 de 02.12.09 | link do post | comentar |

Não foi nada disto que eu pedi!

Se os votos tivessem hipótese de reclamação imediata, estou certo que o PSD já teria recebido duas.

Uma por ter assumido, à priori, que votaria contra o orçamento, mostrando que, independentemente do que de lá venha, a partidarite se sobrepõe ao bom-senso e que "às cegas" se adoptam muitas decisões por aqueles lados.

A outra teria base na expectativas defraudadas de quem elege deputados para uma legislatura e não por meia hora e que com toda a legitimidade poderia dizer "não foi nada disto que eu pedi!"

Abram o livro de reclamações que há já quem lá queira escrever!

[Câmara de Comuns, João Maria Condeixa]



Publicado por JL às 00:05 de 17.10.09 | link do post | comentar |

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