Quinta-feira, 14.04.11

A antiga deputada socialista, Marta Rebelo, analisa o PS actual.

[…] Este PS precisa de definição. Precisa o país, precisamos todos. Estou certa de que já todos recuperaram da embriaguez do fim-de-semana. E sóbrios, esperam pelo futuro do líder. Sócrates não sucederá a Sócrates, isso todos pensam e (quase) todos anseiam. Eu, a quem «elogiaram» como «a menina bonita do PS», «a socranete n.º 1», ou «a estrela em ascensão», respondo que a idade traz rugas; então e Edite Estrela?; e as estrelas acabam cadentes. Estou desiludida, afastada e farta desta engrenagem do meu partido (vá, chamem-me o que quiserem). Não sei se estou contigo, Zé – eu manifestante com a Geração à Rasca. E sem humildade de plástico, não me tenho na conta de futuro de nada. Todavia, avance quem for contra Seguro, regresso com o arsenal que aprendi a reunir com todos estes. Estarei com Costa sempre. Com Assis, se for ele a avançar. Posso porém garantir-vos que o meu arsenal não caberá nunca numa lata de salsichas nobre, daquelas pequeninas e de seis unidades, de qualidade dúbia mas que de repente geraram uma corrida às prateleiras dos supermercados. Que partidos são estes?! [...]

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Publicado por JL às 18:27 | link do post | comentar | comentários (7)

Quarta-feira, 13.04.11

Alegre defende que diálogo de esquerda não pode excluir PS

[São José Almeida, Público.pt, 09-04-2011, via MIC]
    Um abraço a Almeida Santos e outro a José Sócrates selou o regresso de Manuel Alegre às intervenções nas tribunas dos congressos do PS e à direcção nacional do PS, ao lado da actual direcção. Ovacionado pelo Congresso de pé, o candidato derrotado a Presidente da República por duas vezes, primeiro contra o candidato do PS, depois apoiado pelo partido, mas desta segunda vez com o apoio do BE, fez questão de comentar o encontro que na sexta-feira se realizou entre PCP e BE afirmando: “Não repitam o erro de 1975. Não queiram dispensar os socialistas. Não há soluções de esquerda sem o Partido Socialista.”

    Ainda no domínio dos avisos, Alegre alertou o próprio PS para a necessidade de “compreender”, “integrar” e ouvir” a sociedade, nomeadamente aqueles que constituem a “geração à rasca”.
    Alegre salientou a unidade do PS, lembrou que estavam ali “todos” para “enfrentar e derrotar a ofensiva neoliberale para “preservar o Estado Social”. E dedicou a maioria da sua intervenção a criticar “aqueles que desejaram eleições”, num discurso em que glosou todos os temas do discurso que José Sócrates fez no início do Congresso. A saber: Serviço Nacional de Saúde, Ensino Público, Segurança Social Pública, Direitos laborais e justa causa e Caixa Geral de Depósitos.
    E desferindo o seu ataque ao PSD, garantiu que “privatizar é a sua palavra de ordem, mas não se pode privatizar o Estado, não se pode privatizar a democracia e, sobretudo, não se pode privatizar Portugal.”
    Frisando que “não é fácil governar à esquerda numa Europa dominada pelo neoliberalismo”, Alegre apelou à Internacional Socialista para que combata a “hegemonia neoliberal que está a perverter o projecto europeu”. 
     ''É preciso falar verdade e sem demagogias''

     ''O PS deve abrir-se e estar atento aos novos fenómenos''

     ''Construir uma perspectiva e uma esperança para o futuro de Portugal''

                   (ver: Discurso integral de M.Alegre no Congresso do PS em Matosinhos)



Publicado por Xa2 às 13:07 | link do post | comentar

Terça-feira, 12.04.11

Chegam hoje a Portugal os peritos das três organizações, eminentemente, financeiras e muito pouco políticas, tanto pela sua composição académica como pela componente dos interesses que os move.

O que os move é mais os dinheiros e interesses das fianças e menos, muito menos, os interesses e as condições das pessoas e das populações. Tem sido isso o constatado nos mais variados países por onde, tais peritos, têm actuado.

Do que mais irão falar e escrever será do risco calculado pelas agências de rating, de taxas de juro, das medidas restritivas ao credito, da venda (ainda que e sobretudo a preços de saldo, como convirá a quem lhes completará, mais tarde, os magros salários) do património do Estado, da revisão de leis, sobretudo as do trabalho, tentando suprimi-las enquanto autónomas e especificas das relações laborais, empurrando-as, dispersamente e segundo uma óptica comercialista, para os códigos civil e comercial acantonadas a uma visão pré-industruial em, que a mão-de-obra e a inteligência criativa sejam tratadas de maneira mais simples, como qualquer outro produto, matéria-prima ou bem transaccionavél e perecível que se incorpora ou descarta, a cada momento e conforme as necessidades, no processo produtivo e no mercado.

Há quem diga, são a maioria dos habituais e corriqueiros comentadores e apologistas das nossas desgraças, que pouco ou nada há que se possa fazer. Puro engano e demagogia barata. São os mesmos ideólogos que aplaudiram o assédio bancário e de “vendilhões do templo” em catedrais de consumo montadas que nem circos em tempos natalícios e que nos massacraram, anos a fio, com cartões de crédito e com os mais variados incentivos ao consumismo desenfreado, irracional e irresponsável. Nem os políticos foram capazes, durante todo este tempo, de impedir ou sequer alertar para tais desvarios. Foram, completamente, coniventes ou mesmo incentivadores.

Chegou a hora de todos e cada um de nós dizermos basta. Através das mais variadas formas e integrados nas muitas e diversas iniciativas que vão surgindo, incluindo em tempo de eleições, temos o direito e a obrigação de manifestarmos as nossas posições de desagrado e exigirmos ser governados por políticos que sejam capazes de experimentar novos moldes de governação e que não seja nem a terceira via social-democrata de Tony Blair nem a via ultraliberal, actualmente encarnada pela Sr.ª Merkel (entre nós defendida pelo PSD), mas sim um regressar às origens fundadoras que estiveram na génese da constituição da Europa Comunitária. Uma Europa mosaico de culturas alicerçada nos príncipes da solidariedade, na cooperação, na responsabilidade do desenvolvimento social e crescimento económico sustentado. Uma construção europeia que seja a via láctea de democracia social com cidadania responsável e responsabilizante.

Tudo isto exige um Partido Socialista renovado nos seus comportamentos ideológicos e governativos como, simultaneamente, é exigível um Bloco de Esquerda e um PCP com outras atitudes e mais comprometidos com as responsabilidades governativas.



Publicado por Zé Pessoa às 00:02 | link do post | comentar | comentários (16)

Sexta-feira, 08.04.11

Durante a sua curta intervenção, na abertura da reunião, o autarca Guilherme Pinto dirigiu-se ao líder da oposição, para acusar Passos Coelho de "andar aos papéis".



Publicado por JL às 22:33 | link do post | comentar | comentários (1)

Houve um empate. Nove eurodeputados portugueses (socialistas e de esquerda) votaram ontem a favor do fim das viagens aéreas em primeira classe. Outros nove votaram a favor da continuação dessa regalia.

 

Apesar de tudo, a emenda 3 ao “relatório Fernandes” (proposta por Miguel Portas, deputado do Bloco de Esquerda, em nome do grupo Esquerda Unitária Europeia, e que defendia a alteração dos critérios de viagem de modo a que as deslocações aéreas inferiores a quatro horas fossem feitas em classe económica) acabou rejeitada pela maioria dos membros do Parlamento Europeu (por 402 votos contra, 216 a favor e 56 abstenções).

 

Há 22 eurodeputados portugueses. Nove votaram a favor da emenda 3. Ou seja, estiveram ontem a favor do fim (com ressalvas) das viagens em primeira classe para deslocações inferiores a quatro horas. A saber: os três deputados do Bloco de Esquerda (Miguel Portas, Marisa Matias e Rui Tavares), os dois deputados da CDU (Ilda Figueiredo e João Ferreira) e quatro eurodeputados do PS (Luís Paulo Alves, Elisa Ferreira, Ana Gomes e Vital Moreira).

 

Contra esta emenda, ou seja, a favor da continuação das regalias de voos em executiva, estiveram sete eurodeputados sociais-democratas e dois eurodeputados socialistas. Do lado do PSD votaram contra os seguintes deputados: José Manuel Fernandes (o relator), Paulo Rangel, Regina Bastos, Carlos Coelho, Mário David, Maria do Céu Patrão Neves e Nuno Teixeira. Do lado do PS, votaram contra os socialistas Luís Manuel Capoulas Santos  e   António Fernando Correia de Campos.

 

A social-democrata Maria da Graça Carvalho não votou. Os dois eurodeputados do CDS-PP, Nuno Melo e Diogo Feio, também faltaram à votação.

 

Houve apenas uma abstenção: da eurodeputada socialista Edite Estrela.

  

Numa altura de contenção orçamental, a emenda frisava que esta mudança para classe económica visava apenas as viagens com menos de quatro horas, quer para os eurodeputados quer para o restante pessoal do Parlamento. E, além disso, a emenda previa excepções em função da idade e do estado de saúde dos viajantes.

 

Algumas horas antes do voto na sessão plenária, Miguel Portas (que declarou a sua oposição ao projecto) fez um apelo a todos os deputados: “Desculpem lá mas não é normal que deputados que viajaram sempre em económica tenham passado a fazê-lo em executiva mal os voos começaram a ser reembolsados ao bilhete e não ao quilómetro”.

 

Miguel Portas disse ainda: “Eu não compreendo como é que pode haver aqui deputados que não hesitam em defender nos seus países políticas de austeridade e de redução do salário e da pensão mas que, quando chega ao momento de decidir sobre o seu próprio dinheiro, aí a austeridade fica à porta de casa. Isto não é sério, meus amigos. Isto é indecente e muito triste”.

 



Publicado por Izanagi às 08:10 | link do post | comentar | comentários (4)

Um bom espelho para certos inscritos/militantes que, ainda, andam a acalentar ilusões.

Tudo indica e, ainda mais, face às actuais circunstâncias, que objectivo do XVII Congresso do PS não vai além de preparar a máquina partidária para a luta eleitorallegislativa de 05 de Junho, empurrando para segundo plano (ou para as calendas gregas, como sucedeu no anterior) as discussões estratégicas e de reorganização interna do partido, incluindo a revisão estatutária.

Este congresso nacional, o XVII, que tem o seu epicentro na cidade de Matosinhos e decorre entre hoje (dia 8 de Abril) e domingo, parece feito à medida (Narciso Miranda diz que queda do governo foi golpe de mestre, vá-se lá saber porque faz tais afirmações) para mobilizar a máquina partidária para as eleições legislativas.

José Sócrates foi eleito, por proposta de Jorge Coelho, secretário-geral do PS em 2004, a composição da Comissão Política e do Secretariado (o órgão de direcção restrita), apesar de mudanças pontuais, tem registado, desde então, uma continuidade significativa.

Dizem alguns dos responsáveis, do aparelho socialista, que quando este congresso foi convocado destinava-se a fazer um balanço da actividade do Governo socialista a meio da legislatura e a proporcionar alguns ajustamentos internos para afinar a ligação entre as esferas partidária e governativa. Numa atitude clara, ainda que não confessada, por parte dos dirigentes máximos do PS, de que já andavam preocupados com fragilidades sentidas no arco da governação e não tanto com o próprio partido.

Pode concluir-se que pouco mudou na filosofia de preocupação do congresso, por parte de quem conduz a máquina do partido e, no próximo Sábado, segundo dia de trabalhos, os cerca de 1800 delegados não vão votar outra coisa que não seja a moção global e outras, colaterais, propostas apresentadas por José Sócrates ou por alguém, estrategicamente, por ele indigitado. Todos os esforços serão concentrados em torno de uma única meta; a de ganhar as eleições e manter os socialistas no poder.

As listas de deputados, embora tendo um processo de escolha que intercala entre os órgãos nacionais do PS (Comissão Nacional, Comissão Política Nacional e Secretariado Nacional) os federativos e concelhios, tem registado algumas picardias internas sempre dirimidas através de compromissos e troca de favores ou colocações, tanto no aparelho de estado, autarquias como nas empresas públicas.

Por voto secreto os delegados vão eleger a Comissão Nacional do PS e também aqui ninguém contestará a proposta que for apresentada por Sócrates, até porque há muitos lugares em disputa mas são muitos mais os boys a satisfazer.

O grave de tudo isto é se a estratégia falhar, o PS perder as eleições e José Sócrates não vier a ser indigitado primeiro-ministro. Nestas circunstâncias iremos ver muitos ratos a sair do palheiro e vira casacas a desdizer o que antes de dois meses haviam jurado pelas alminhas do purgatório que irão cair direitinhas no fogo do inferno partidário.



Publicado por Zé Pessoa às 00:04 | link do post | comentar | comentários (4)

Terça-feira, 29.03.11

Em Portugal, atravessamos um pequeno período dramático de um tempo instável, povoado por problemas sufocantes.

Os discursos, as propostas, os objectivos afixados pelos interventores políticos têm um valor facial que não pode ser ignorado. No entanto, é talvez a atitude que deixa transparecer, o horizonte para onde mostram que estão a querer caminhar que mais contam. E contam como sintomas do que realmente querem, como indícios dos bloqueios estratégicos que realmente os afligem.

À direita, o CDS está alapado numa campanha, que ele quer fazer parecer mansa, esperando que o PSD ganhe as eleições sem maioria absoluta, para fazer render a feliz circunstância de precisarem dele. Procura ser duro para com o Governo com a menor truculência possível e distancia-se do PSD com alguma cerimónia. Embrulhada nos seus temas emblemáticos, segue a clássica agenda neoliberal no que é essencial, tendo o cuidado de pôr os olhos em alvo, relativamente às vítimas dessa mesma agenda, mostrando assim que tem muita pena delas, mas não pode evitar-lhes o sofrimento. No limite, como Paulo Portas disse, sonha com um inesperado "bingo" eleitoral.

Na direita, que alega estar um bocadinho ao centro, o PSD apresta-se a tentar parecer um ciclone de mudança que não derruba uma única árvore. Mas os seus dirigentes deixaram já transparecer um lado reguila que os leva a precipitarem-se em disparates, que de seguida têm que vir dizer que foram a brincar. E começa a pairar, ainda ao de leve, mesmo entre os seus entusiastas, um vago receio de que possam tratar um futuro governo, onde consigam estar, como uma rapaziada de fim-de-semana. Para compensarem a atmosfera algo adolescente que os rodeia, recorrem, aqui e ali, a algumas reminiscências carcomidas do passado que voltam à ribalta política estremunhados, como se lhes tivessem interrompido um merecido repouso.

As oposições de esquerda cavalgam com algum espanto as suas palavras habituais, revelando curiosidade e preocupação, quanto ao ponto a que as vão conduzir os seus automatismos identitários. Alguns espíritos mais abertos e voluntaristas têm-lhe até dirigido apelos para que se juntem. Que eu saiba, só o PCP reagiu já, com uma resposta quase comovente, através da qual fez saber que o seu matrimónio com os Verdes era uma união feliz que o deixava plenamente satisfeito, não precisando de mais ninguém.

O PS apresta-se para o combate. Tudo indica que tenciona vender cara a derrota, que todos anunciam como certa. Ora, neste baile de sombras, só quem realmente venda cara uma possível derrota merece verdadeiramente vencer. Por isso, no pequeno coração dos seus inimigos, há um medo ainda leve que começa a subir: o medo de uma inesperada recuperação do PS. E, dia após dia, num ruído mediático crescente, muitas vozes criteriosamente conjugadas, provocam uma girândola política, que quase poderia parecer esquizofrénica: num momento cospem violentamente em tudo o que cheire a governo e a PS, para, no momento seguinte, se prostrarem dóceis diante dele, pedindo-lhe a esmola de uma futura ajuda. E alguns políticos, empresários ou comentadores, mais assimétricos, ocupam mesmo o seu repousado tempo a exigir ao PS que escolha, como seu primeiro dirigente, alguém que esses plumitivos achem ser um sujeito que lhes convenha.

Se o PS entender que este período de combate apenas exige que se faça como de costume, erguendo-se um pouco mais o tom de voz, intensificando-se a agressividade das palavras e flagelando-se com mais energia os adversários, corre o risco de patinar em seco e até, em última instância, de se estatelar. De facto, tudo isso é importante, mas precisa de ser completado, pela ostensividade de uma qualificação política objectivamente prestigiante. Deste modo, o PS tem que colocar já em movimento uma dinâmica de renovação interna que o torne mais eficaz, mais democrático, mais transparente e mais solidário. E tem que ser completamente alérgico a carreirismos pessoais, devendo agir com sistemática diligência, no aproveitamento pleno dos méritos, competências e capacidades dos seus militantes. Tem por isso que se mostrar objectivamente determinado a ser um verdadeiro movimento social, que adquira um protagonismo efectivo na impregnação do tecido social pelos seus valores e pelo seu horizonte. A urgência do longo prazo vai manifestar-se, com muita força, nos próximos tempos, pelo que quem falhar na imaginação do futuro dificilmente poderá ter credibilidade para que confiem nele como solução no presente.

Rui Namorado [O Grande Zoo]



Publicado por JL às 22:27 | link do post | comentar | comentários (1)

Quarta-feira, 23.03.11

O abismo: o resgate

     "Esta pode ser a semana em que eles terão de accionar o fundo de resgate", diz um perito da Economist Intelligence Unit, citado hoje pela BBC a propósito da crise política que pode levar a demissão do Governo esta tarde.
Pois!
     Os portugueses pagarão duramente as favas. Mas PS e PSD, os dois maiores partidos que não puderam/quiseram entender-se para evitar o resgate, terão de responder perante os portugueses.

 

Portugal à beira do abismo 

     No comentário que esta manhã fiz sobre o momento político nacional na rubrica Conselho Superior da Antena UM apoiei o Dr. Mário Soares no apelo que lançou à intervenção do Presidente da República para impedir o país de se precipitar no abismo, persuadindo PS e PSD a um entendimento para que o Governo possa apresentar-se no dia seguinte no Conselho Europeu confirmando os compromissos necessários quanto às metas no quadro do PEC IV.
     Frizei que os esforços têm de ser feitos de parte a parte, Governo e PSD.
E voltei a sugerir (como já o tinha feito no passado dia 18 num debate com Paulo Rangel e Carlos Daniel na RTP-N) que esse entendimento, quanto aos compromissos sobre os objectivos de equilibrio orçamental e medidas de austeridade, passe por um ACORDO À IRLANDESA, isto é marcando eleições para breve.

 

Fundo de Estabilização do Euro vai ser flexibilizado ou não?

     Os apelos dos Presidentes Mário Soares, Jorge Sampaio e Eanes, entre outros, para um entendimento partidário sobre o PEC IV têm o objectivo de salvaguardar o interesse nacional - permitindo ao Governo apresentar-se no Conselho Europeu depois de amanhã a reiterar o compromisso que assumiu quanto às metas do PEC IV (metas que o PSD, num comunicado em inglês que ontem emitiu, diz que subscreve).
     E têm um pressuposto - é que esse compromisso garantirá ao país acesso ao Fundo de Estabilização Financeira do Euro, nas anunciadas condições de maior flexibilização já pré-acordadas. Condições que deverão permitir a Portugal comprar divida pública no mercado primário e dessa maneira aliviar as condições de financiamento, sem ter de recorrer a um resgate nas condições desastrosas a que foram sujeitas Grécia e Irlanda; isto é, com uma ajuda financeira que não nos obrigue a sair do mercado.
     - Mas será que essas condições estão mesmo pré-acordadas, vão materializar-se e aplicar-se já a Portugal?
Wolfgang Munchau, o reputado especialista financeiro, num artigo ontem publicado no "Financial Times", diz que NÃO. E exemplifica concretamente com o nosso país:
     "Quando foi anunciado que o Mecanismo de Estabilização do Euro (MEE) seria autorizado a comprar títulos do tesouro nos mercados primários, isto parecia uma grande concessão alemã. Até eu me deixei enganar durante algum tempo. Mas acontece que o argumento do mercado primário era uma fraude. O MEE não está em posição, por exemplo, de apoiar Portugal nos próximos meses, quando o país precisa de refinanciar grandes parcelas de dívida. Se Portugal não se puder refinanciar, não terá escolha senão aceitar um programa-padrão de apoio ao crédito no quadro do actual esquema de resgate. Só depois de alguns anos, quando um Portugal mais magro e transformado emergir da austeridade e planeie voltar aos mercados de capitais, é que o MEE poderá querer ajudar intervindo num pequeno número de leilões de bilhetes do tesouro como comprador de última instância".
      A leitura deste artigo alarmou-me. Levantou-me dúvidas. - Saberia o Governo disto? Que fundamentos terá Wolfgang Munchau? É essencial que o Governo esclareça, até para não deixar avolumar acusações de que foi o Primeiro Ministro quem escolheu desencadear a crise política agora.
Deixei já esta manhã o pedido ao Governo, no comentário que fiz na rubrica Conselho Superior da Antena UM 

 

Assim vai o PS... 

    Crise política? qual crise?
Crise europeia? E isso o que é, a Europa? 
E para que servem deputados europeus? para decorar cartazes nas eleições europeias, está visto!
     Porque para serem regularmente consultados sobre para onde vai ou não vai a Europa, sobre o que Portugal faz, não faz ou devia fazer na Europa, sobre como vamos de crise financeira, e como saimos desta crise política em concreto, deputados europeus não servem para nada, deve achar este PS
     E por isso eles não são sequer, por sistema, convocados para reuniões da Comissão Política. Incluindo esta, extraordinária, que a esta hora está em curso em Lisboa. 
     Ou será que a este PS, que se esmera em encenações de abertura nas "Novas Fronteiras", bastam as sensibilidades dos eurodeputados já alinhados como membros da Comissão Política e do Secretariado Nacional?
Pois esta direcção do PS dispensará bem ouvir-me, como deputada europeia, numa crise nacional de gravidade sem precedentes e implicações para a Europa e para o papel de Portugal na Europa.
     Mas eu é que não dispenso dizer à direcção do PS o que tenho a dizer. Nos órgãos próprios. Ou fora deles.

[- por AG, CausaNossa, 22 e 23.3.2011] 



Publicado por Xa2 às 08:08 | link do post | comentar | comentários (11)

Terça-feira, 22.03.11

Facto 1: A fazer fé nas sondagens, e caso se realizassem hoje eleições legislativas, a maioria dos portugueses daria a vitória ao PSD, sem contudo lhe entregar uma maioria absoluta para governar o País.

Facto 2: A fazer fé nas sondagens, a maioria (agora sim absoluta) dos portugueses não acredita que o Governo seja capaz de cumprir as metas orçamentais a que se propôs. Que é como quem diz, a maioria dos portugueses não confia minimamente no Governo.

Facto 3: A fazer fé nas sondagens, uma esmagadora maioria dos portugueses (63%) defende que o PSD deve evitar provocar eleições antecipadas.

Confuso? Eu também. Especulemos pois sobre esta bizarria.

Cenário 1: Os portugueses ensandeceram de vez e querem ver no Governo um partido em que não confiam em absoluto sem primeiro tirar de lá um outro em que não confiam de todo. Uma espécie de arranjinho político desenhado por M. C. Escher. É a tese do "enlouquecimento global".

Cenário 2: Os portugueses estão verdadeiramente fartos de políticos, politólogos, sondagens e eleições, desistiram de ter opinião, divertem-se a responder o que primeiro lhes passa na mona e vão à sua vidinha que está muito difícil. É a tese do "seja lá o que Deus quiser" ou, na versão mais laicamente correta, "o último a sair que apague a luz".

Cenário 3: Os portugueses estão com o Eng.º Sócrates pelos cabelos (fartos dos seus "truques", no dizer mais requintado de Alexandre Soares dos Santos), sabem que o homem os conduzirá fatalmente à desgraça, mas não fazem a mínima ideia do que seja esse tal de PSD. É a tese do "estamos à beira do precipício mas ainda não percebemos se a alternativa não será um passo em frente".

Entre as três hipóteses, confesso, mon coeur balance. Mas como sou um homem prático facilmente entendo que pouco ou nada há a fazer se os portugueses tiverem coletivamente ensandecido ou se tiverem desistido desta pátria improvável. O que nos deixa com o Cenário 3. E mesmo relativamente a esse, não vale a pena perder muito tempo nem muitas energias. Ninguém, no seu inteiro juízo, se vai pôr agora a exigir ao Dr. Passos Coelho que nos explique o que é o PSD. Há desafios que todos reconhecemos ser impossíveis e parece cristalinamente óbvio que não existirão dois militantes com a mesma resposta para tão esfíngica pergunta. Felizmente a forma de sair deste intrincado paradoxo - e começa a ser urgente desatar este nó - é estupidamente simples: bastará que o Dr. Passos nos diga o que não é o PSD. Ou, melhor ainda, quem não é o PSD.

Sossegue o País, Dr. Passos. Diga-nos mais claramente ainda (porque é verdade que já o sugeriu) que o seu governo não será o comboio fantasma de apparatchicks que todos imaginam. Diga-nos que não nos vai obrigar a mudar de governo para que tudo fique na mesma. Diga-nos que percebe, tão bem como nós percebemos, que muitos dos seus entusiasmados apoiantes de hoje foram os indefetíveis de Sócrates até anteontem. Diga-nos que não vai ficar refém dos mesmos interesses económicos e financeiros que sustentaram o delírio socialista. Diga-nos com firmeza e coragem o que não é, nem nunca será. Vai ver que é o que basta para fazer desequilibrar a balança.

Pedro Norton [Visão]



Publicado por JL às 18:05 | link do post | comentar | comentários (1)

Quinta-feira, 17.03.11

É, por isso, urgente, abrir desde já as portas a uma profunda renovação do PS, quer quanto ao modo como se relaciona com a sociedade, com o capitalismo e com o futuro, quer quanto ao seu funcionamento interno.

Urgente, porque só será realista pugnar pela conquista de uma nova credibilidade no curto prazo, se for objectivamente evidente que o PS iniciou um longo e radical processo de renovação.



Publicado por JL às 16:03 | link do post | comentar | comentários (4)

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