Lideranças: submeter-se ou enfrentar troika, euro, ... oligarquias e bangsters

O ódio a Sócrates    (-por Daniel Oliveira)

...   ...   ...

Porque gera tantos ódios José Sócrates? Os que o odeiam responderão com rapidez que faliu o país. Nessa não me apanham mesmo. Até porque a "narrativa" tem objetivos políticos e ideológicos que ultrapassam em muito a figura do ex-primeiro-ministro, o que revela até que ponto podem ser estúpidos os ódios pessoais de uma esquerda que, por mero oportunismo de momento, comprou uma tese que agora justifica todo o programa ideológico deste governo. 

   É pura e simplesmente falso que Sócrates tenha falido o país. E isto não é matéria de opinião. Sócrates faliu o país da mesma forma que todos os que eram primeiros-ministros entre 2008 e 2010 em países periféricos europeus o fizeram. Até 2008 todos os indicadores financeiros do Estado, a começar pela dívida pública, e todos os indicadores da economia seguiam a trajetória negativa que vinha desde a entrada de Portugal no euro (ou até desde o início da convergência com o marco, que lhe antecedeu), verdadeiro desastre económico que ajuda a explicar uma parte não negligenciável da situação em que estamos. A narrativa que esta crise se deve ao governo anterior, além de esbarrar com todos os factos (o truque tem sido o de juntar o aumento da dívida anterior e posterior a 2008 e assim esconder a verdadeira natureza dessa dívida), esbarra com a evidência do que se passa nos países que estavam em situação semelhante à nossa e não tiveram Sócrates como primeiro-ministro. Posso escrever tudo isto com uma enorme serenidade: fui opositor de Sócrates e sempre disse o que estou a dizer agora.

    Também nada de fundamental, até 2008, distinguia, para o mal e para o bem, os governos de Sócrates dos anteriores. O que era diferente correspondia às pequenas diferenças entre os governos do PS e do PSD, que já poderiam ter sido detectadas em Guterres. O que era igual, conhecemos bem e podemos identificar em Barroso, Guterres ou Cavaco. Em todos eles houve decisões financeiras desastrosas - das PPP à integração de fundos de pensões privados na CGA, da venda ruinosa de ativos a maus investimentos públicos. Em todos eles houve interesses, tráficos de influências, mentiras, medidas demagógicas e eleitoralistas. Sócrates foi apenas mais um.

     Há uma parte deste ódio que surgiu à posteriori (sim, vale a pena recordar que Sócrates venceu duas vezes as eleições). Perante a crise, o país precisava de encontrar um vilão da casa. Como escrevi, irritando até muitas pessoas de esquerda, em Outubro de 2010, ainda Sócrates era primeiro-ministro: "São sempre tão simples os dilemas nacionais: encontra-se um vilão, espera-se um salvador. Sócrates foi um péssimo primeiro-ministro? Seria o último a negá-lo. Mas, com estas opções europeias e a arquitetura do euro, um excelente governo apenas teria conseguido que estivéssemos um pouco menos mal. Só que discutir opções económicas e políticas dá demasiado trabalho. Discutir a Europa, que é 'lá fora', é enfadonho. É mais fácil reduzir a coisa a uma pessoa. Seria excelente que tudo se resumisse à inegável incompetência de Sócrates. Resolvia-se já amanhã." O único acerto a fazer é que, perante este governo, a avaliação de incompetências passou para um outro patamar.

    Sócrates acabou por servir, nesta crise, para muitas cortinas de fumo. A de quem quis esconder as suas próprias responsabilidades passadas. A de quem queria impor uma agenda ideológica radical e tinha de vender uma "narrativa" que resumia a história portuguesa aos últimos 9 anos e esta crise a um debate sobre a dívida pública. E a de quem, sendo comentador, economista ou jornalista, e tendo fortes limitações na sua bagagem política, foi incapaz de compreender a complexidade desta crise e optou por uma linha um pouco mais básica: o tiro ao Sócrates. Não lhes retiro o direito ao asco. Eu tenho o mesmo pelo atual primeiro-ministro. Mas não faço confusões e já o escrevi várias vezes: Passos sai, Seguro entra e, se não houver um enfrentamento com a troika, fica tudo exatamente na mesma. Porque o problema não é exclusivamente português e, mantendo o país no atual quadro europeu, depende muito pouco do nosso governo.

    Há outra explicação para o ódio que Sócrates provoca. As novas gerações da direita portuguesa são, depois de décadas na defensiva, de uma agressividade que Portugal ainda não conhecia. A que levou à decapitação da direção de Ferro Rodrigues, através do submundo da investigação criminal e do submundo do jornalismo, representado, desde sempre, pelo jornal "Correio da Manhã". A mesma que tratou de criar um cerco de suspeição que transformou, durante seis anos, a política nacional num debate quase exclusivamente em torno do carácter do primeiro-ministro. Um primeiro-ministro que, como tantos políticos em Portugal, se prestou facilmente a isso. Um cerco que fez com que poucos se dessem ao trabalho de perceber o que estava a acontecer na Europa desde 2008 e como isso viria a ser trágico para nós. Andávamos entretidos a discutir escutas e casos.

     ...  Goste-se ou não do estilo, Sócrates é, muitas vezes, de uma violência verbal inabitual em Portugal. Ele é, como se definiu na entrevista a Clara Ferreira Alves, anguloso. E voltou a prová-lo, nesta conversa, de forma eloquente. Num País habituado a políticos redondos isso choca. Ainda mais quando se trata de um líder do centro-esquerda, por tradição cerimoniosa e pouco dotada de coragem política. Sócrates, pelo contrário, tem, e isso nunca alguém lhe negou, uma extraordinária capacidade de confronto e combate. O estilo público de Guterres, Sampaio, Ferro Rodrigues e Seguro (muito diferentes entre si em tudo o resto) é aquele com o qual a direita gosta de se confrontar. A aspereza de Sócrates deixa-a possuída, irritada, quase invejosa. A ele não podiam, como fizeram com Guterres, acusar de indecisão e excesso de diálogo. Sócrates acertou na mouche: ele é o líder que a direita gostaria de ter. 

   Também a maioria dos portugueses tende a gostar de um estilo autoritário, mas sonso, que nunca diz claramente ao que vem, de que Cavaco Silva é talvez o exemplo mais acabado. Diz-se, ou costumava dizer-se, que Cavaco é previsível. Mas ele não é previsível por ser fiel às suas convicções, que nós desconhecemos quais sejam. É previsível porque quer sempre corresponder ao arquétipo do político nacional: moderado, ajuizado, prudente, asceta e severo. Apesar de, na realidade, no seu percurso cívico e político pouco ou nada corresponder a estas características. Pelo contrário, Sócrates corresponde, na sua imagem pública, ao oposto de tudo isto.

    Não é o primeiro político português a fugir ao modelo do líder austero e sacrificado, que Salazar impôs ao imaginário nacional e que Cunhal, Eanes, Cavaco ou Louçã acabaram por, mesmo que involuntariamente, reproduzir. Já Soares fugira desse estilo e se apresentara emotivo, imprevisível e bon vivant. O que mudou desde então? Tudo. A exposição pública, o escrutínio da imprensa, o poder de disseminação do boato. Ainda assim, arrisco-me a dizer que se há um político português vivo que consegue arrebatar mais paixões, sejam de amor ou de ódio, do que José Sócrates ele é Mário Soares. À sua direita e à sua esquerda.

    Mas há uma enorme diferença entre Soares e Sócrates: o estatuto. Que resulta da idade, do currículo político e do tempo histórico em que foram relevantes. E, para tentar resumir, é esta diferença que ainda faz Sócrates correr. Acho que ele não se importa nada de ser odiado pela direita e por parte da esquerda. O que o incomoda é isso não corresponder a um papel histórico que, mal ou bem, lhe seja reconhecido. É não ter atingido um estatuto em que ser odiado por muitos não só é normal como recomendável. No fundo, move-se pelo mesmo que todos os políticos que ambicionaram mais do que uma pequena carreira: o sonho da imortalidade. E essa é, entre outras, uma das razões porque não compro o retrato do pequeno bandido que enriqueceu com uns dinheiros dum outlet em Alcochete. Parece-me que a sua ambição é muito maior. Por isso, façamos-lhe justiça de acreditar que também serão maiores e mais nobres os seus pecados.



Publicado por Xa2 às 07:52 de 29.10.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

OS TIRIRICAS PORTUGUESES

Em 2010 foi eleito no Brasil e com a segunda mais, expressiva, votação da história brasileira, um deputado sem nada ter prometido. Por isso, foi coerente e foi o que menos enganou os eleitores.

Em março passado deu uma entrevista a um jornal internacional inglês onde afirmou “"Você passa o dia inteiro aqui fazendo nada, apenas esperando para votar em algo enquanto as pessoas discutem e discutem".

Lamentavelmente os nossos tiriricas são os que discutem, discutem produzem legislação que ou não se aplica, ou se aplica contra quem os elegeu, ou permite que corruptos e ladrões fiquem sem julgamento.

Conclusão: somos, a léguas, muito mais enganados; custa-nos, a milhas, demasiadamente, mais caro; significa que, com ou sem consciência, tornamo-nos também tiriricas. Neste caso, tiriricas estúpidos e repetitivos. Eles, os da Assembleia, pelo menos, são espertos, comem-nos por patinhos.

Se não queremos assumir o papel de tiriricas estúpidos, nas próximas eleições, não devemos votar em ladrões nem em mentirosos saltimbancos.

Não sendo o conhecimento suficiente de que os/as candidatos/as dão garantias de honestidade de trabalho não podemos neles/as votar. Votamos nulo ou não votamos.

Por mim, na minha freguesia e no meu concelho, nenhum candidato merece o meu voto. Não voto em ladrões nem em mentirosos e voce, caro/a leitor/a?



Publicado por DC às 11:14 de 09.09.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

CONSTITUIÇÃO

 

 “Mande-se para a fogueira esse herege livro que dá pelo nome de Constituição da República que nenhum emprego consegue, para um só que seja dos mais de 900 mil desempregados portugueses”. Palavras de Passos Coelho. Não foi isso que ele disse? Tem a certeza?

Ora vejamos, há pouco mais de ano e meio a constituição era um empecilho à governação e era uma necessidade absoluta reve-la, daí o namoro (assédio mesmo) junto do Partido Socialista para garantir os dois terços necessários à respectiva revisão.

Como a ala mais à esquerda conseguiu impor à direção socialista o não acordo (seria a sua provável morte política) o PSD/Coelho e C.ª deixou cair tais, venenosas, pretensões.

De cambalhota em cambalhota, de mentira em trapalhada, o Pedrito agora decidiu-se (sabe-se lá porque hábeis e sábios conselhos) atacar os juízes do Tribunal Constitucional (mesmo os propostos por si mesmo, visto que a votação no chumbo foi unânime) afirmando que o problema não está na Constituição mas sim na falta de bom senso dos juízos (certamente também de quem pediu a fiscalização à famigerada lei, Cavaco Silva) os primeiros por terem ratificado as dúvidas constitucionais levantadas pelo segundo.

Sua parda eminência, nas aleivosias proclamadas junto do rebanho seguidor, tipo boys de Chicago, não se coibiu de lançar a imbecil pergunta “já alguém se lembrou de perguntar aos mais de 900 mil desempregados no país do que lhe valeu a Constituição até hoje”. Creio que o sujeito tem em conta os portugueses como uma cambada de imbecis capazes de formular tais perguntas. Só pode!

Ora, se a Constituição não vale de nada aos desempregados não vale de nada a ninguém. Queime-se!

Aposto em como não demorará meio ano, (pelos vistos a falta de bom senso de Cavaco permite que a legislatura se conclua) para ouvirmos Passos pedir a suspensão da democracia e a anulação da Constituição.

 



Publicado por Zé Pessoa às 11:05 de 05.09.13 | link do post | comentar |

DAS FORÇAS DE BLOQUEIO À TEORIA DO RISCO

Tais padrinhos iguais afilhados, do cavaquismo ao coelhismo, sem esquecer o socratismo

A ideologia, a doutrina, os tiques, o comportamento e os métodos são os mesmos.

Padrinhos e afilhados ideológicos, uns percorrem os caminhos pelos outros traçados e também por eles já percorridos.

É certo que podemos criticar e mal dizer dos atores. Podemos aquilatar das nenhumas ou insignificantes diferenças, entre os protagonistas de ontem e os de agora. A verdade é que o problema radica no sistema corrupto partidário que se instalou, insere-se no regime falacioso de democracia em que vivemos e na ausência ou abandono, por parte do povo, na participação e controlo da condução da vida coletiva alicerçada a partir do viver quotidiano.

Se uma constituição, ainda que pouco democrática, porque impede a participação popular direta do povo enquanto órgão soberano na tomada de decisões político-legislativas, constitui um risco para quem nos governa sem que para tal tenha sido eleito, expressamente, (a votação é no partido), que garantias pode haver que governa em nome do povo e em seu verdadeiro interesse? Nenhumas, como temos visto e sentido!

Perante tais realidades não deverá o povo levantar-se e clamar, unanimemente, a alteração da constituição e do falso regime democrático que o governa?

Será que queremos continuar a viver sob este regime de ilusória representação e falsa democracia ou vamos exigir um verdadeiro modelo democrático onde o exercício seja mais direto e popular?

Quando seremos capazes de por em prática as palavras do poeta “O povo é quem mais ordena …”, até porque somos nós que sustentamos o sistema, cada vez com uma maior e infernal carga de impostos?



Publicado por Zé Pessoa às 10:06 de 28.08.13 | link do post | comentar |

AS MINHOCAS E O POVO

Minhocas são bichos rastejantes que aparecem com muita frequência em épocas de remexer terras a quando da respectivas preparação para as sementeiras.

Antigamente, o povo na sua maioria agricultor, pouco letrado (analfabeto e menos emburrecido do que agora) mas com muita experiencia, combatia tal praga com pesticida ou abrindo o galinheiro e soltando a galinhas. Esta bicharia (as galinhas), também de duas patas, que comem tudo o que apanham, tal-qual as moscas do poeta António Aleixo, faziam o equilíbrio providencial à mãe natureza, reduzindo o número das minhocas rastejantes.

A Procuradora Cândida Almeida não tem a mesma sorte nem idênticos recursos para combater as minhocas que encontra em cada cavadela que faz nos processos de tentativa de combate à corrupção.

As minhocas de duas pernas saltam com maior abundancia do que os cogumelos em épocas preparativas de semear votos. Elas aparecem de São Bento (Assembleia da República e governo) das sedes partidárias, das candidaturas às autarquias, dos bancos (BPN, BP, BCP, …) das privatizações dos sectores mais importantes da economia nacional e até de Belém.

 

Naturalmente que a Justiça (tribunais, juízes, procuradores, advogados, legislador…) não estão imunes nem isentos de culpas no processo proliferador da praga exponencial de tal bicharia que a procuradora apelida, apropriadamente, de minhocas.

Contudo o combate a tal praga não pode ser deixado, até porque não resulta como se tem constatado, só nas mãos de quem não consegue e muitas das vezes não quer (por razões óbvias) combater tal bichedo.

O combate às minhocas de duas pernas, que aparecem disfarçadas de políticos, de deputados, de banqueiros, de autarcas, de governantes, de administradores ou disfarçados de muitas outras maneiras, tem de ser, permanente, feito por todos enquanto povo interessado na construção de uma outra democracia e de um regime político, mais rigoroso e transparente.



Publicado por Zurc às 08:57 de 14.08.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Aos socialistas e aos cidadãos

"Alocução  aos  Socialistas"   (-por António Sérgio * no Banquete do 1ºde Maio de 1947; via E.Graça)

     "Na política, como sabeis, o comportamento rectilíneo, sem argúcia alguma, - sincero, aberto, desartificioso, claro, - usa ser censurado, como sendo ingénuo: e, nessa sua qualidade de comportamento ingénuo, como prejudicial, ou pateta. Paciência. Seja. (…) Os essencialmente habilidosos (não faço empenho em negá-lo) alcançam a sua hora de simulacro e de vista. Mas é uma hora e nada mais; mas é simulacro, e só vista. Logo a seguir a esse instante, comunica-se-lhes o fogo da sua iluminação de artifício, e fica tudo em fumaça, que pouco depois não é nada."
     "Aos nossos socialistas, quanto a mim, compete-lhes resistirem ao tradicional costume de se empregarem espertezas e competições de pessoas para apressar o momento em que há-de chegar ao poder…"
     "Antes de tudo, buscai prestigiar-vos ante a nação inteira pelo timbre moral da vossa alma cívica; porque (como acreditais, creio eu) não é indispensável conquistar o poder para se influir de facto na orientação do estado."
     "Não tenhais a ânsia de vos alcandorar no poleiro com prejuízo das qualidades a que se tem chamado "ingénuas". As habilidades dissipam-se; os caracteres mantêm-se."
     "Não existam ciúmes e invejas recíprocas entre os vários componentes da vossa grei socialista: nem tampouco os ciúmes, nem tampouco as invejas, para com os homens que compõem as outras facções da esquerda. Seja vosso lema a unidade. Por mim, quero trabalhar pela unidade, pelo entendimento recíproco, pela existência de convivência amável entre os homens políticos de orientações discordes. Incorrigivelmente "ingénuo", fraterno, cordial."


Publicado por Xa2 às 13:15 de 19.07.13 | link do post | comentar |

QUASE TODOS IGUAIS, MUITO POUCO DIFERENTES

Continuamos entalados por um sistema caduco, entre uma direita ultraliberal, à qual uma grande parte do próprio PS se deixou amarrar, e uma esquerda incapaz de se encontrar a si própria nem encontrar ideias inovadoras que captem o interesse do eleitorado.

Seguro tenta amolecer o partido em troca de umas migalhas prometidas no bodo dos ricos. Nada de visível ou palpável que interesse verdadeiramente à vida dos portugueses, falando, claro está, do povo pobre, dos trabalhadores e da classe media. Ouvimos debater, por parte dos senhores mandantes da troica nacional, recorrendo a argumentários que nos dizem defender compromissos estranhos e que mais não são que garantias dos credores, engorda dos banqueiros e dos seus comparsas, sempre com a mesma receita “mais apertos e sacrifícios para o povo pagante”

Nem esse ministro de qualquer coisa e de coisa nenhuma, líder do PP diz o que quer nem ao que anda (além de esconder e abafar o negocio mal explicado dos submarinos e alguns outros idênticos).

Tão pouco o pseudo primeiro-ministro, que anda a passos de coelho, demonstra o mínimo de capacidade na orientação de políticas serias, honestas, de rigor e transparência para o país.

Também esse putativo timoneiro que ora avança logo a seguir recua, em zig-zag nas inépcias convicções de governabilidade futura do país, continua sem qualquer vislumbre de ideias, de propostas e de projetos que os leitores compreendam, inequivocamente.

Perante um presidente que, malogradamente e com memoria curta dos efeitos dos dois mandatos exercidos como primeiro-ministro, a maioria dos que votaram o elegeram representaram uma minoria da população que mais não tem sido do que um complicativo “salvador nacional” conforme abordou recentemente Batista Bastos no DN, Em  O pesadelo, continuamos fortemente entalados,

Hoje debate-se mais uma moção de censura ao governo e às políticas por si seguidas. Mais do mesmo e de igual resultado. È o sistema a funcionar sem nada alterar. É pois necessário que se debatam mudanças do próprio sistema partidário, o sistema de representação democrática, o sistema de democracia direta e representativa. Quando o povo for capaz de encetar tal debate deixara, inequivocamente, de estar tão entalado com políticos como os que atualmente nos representa tão mal e tão desonestamente.



Publicado por Zé Pessoa às 15:53 de 18.07.13 | link do post | comentar |

Passos Coelho: O Padrinho!

O GABINETE DO 1º MINISTRO PORTUGUÊS. (coitados do OBAMA, do HOLLANDE, e da MERKEL, gente pobre)

Função

Nome

Nomeação

Vencimento

Chf. Gabinete

Francisco Ribeiro de Menezes

06-08-2011

4.592,43

Assessor

Carlos H. Pinheiro Chaves

21-06-2011

3.653,81

Assessor

Pedro A. Amaral e Almeida

18-07-2011

3.653,81

Assessor

Paulo João L, Rêgo Vizeu Pinheiro

11-07-2011

3.653,81

Assessor

Rudolfo M. Trigoso Rebelo

21-06-2011

3.653,81

Assessor

Rui Carlos Baptista Ferreira

21-06-2011

3.653,81

Assessora

Eva M. Dias de Brito Cabral

12-10-2011

3.653,81

Assessor

Miguel Ferreira Morgado

21-06-2011

3.653,81

Assessor

Carlos A Sá Carneiro Malheiro

01-12-2011

3.653,81

Assessora

Marta Maria Pereira de Sousa

21-06-2011

3.653,81

Assessor

Bruno de Castro R. Maçaes

01-07-2011

3.653,81

Adjunta

Mafalda G. L. Roque Martins

01-07-2011

3.287,08

Adjunto

Carlos A. Raheb Lopes Pires

21-06-2011

3.287,08

Adjunto

João C. A. Rego Montenegro

21-06-2011

3.287,08

Adjunta

Cristina M. C. Pucarinho

23-08-2011

3.287,08

Adjunta

Paula Cristina Cordeiro Pereira

22-08-2011

3.287,08

Adjunto

Vasco L. C P Goulart Ávila

21-11-2011

3.287,08

Adjunta

Carla Sofia Botelho Lucas

25-01-2012

3.287,08

Técnica Especialista

Bernardo M. S Matos Amaral

07-09-2011

3.287,08

Técnica Especialista

Teresa P. V. de Figueiredo Duarte

21-07-2011

3.653,81

Técnica Especialista

Elsa Maria da Palma Francisco

16-01-2012

3.653,81

Técnica Especialista

Maria T. G. de Matos Ferreira

18-07-2012

3.653,81

Secretária pessoal

Maria Helena C. Santos Alves

18-07-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Inês Rute Carvalho Araújo

18-07-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Ana Clara S Oliveira

13-07-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria de Fátima M. L. H. Samouqueiro

21-06-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria Dulce Leal Gonçalves

01-07-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria M, Brak-Lamy Paiva Raposo

13-07-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Margarida Maria A. S. Neves Ferro

21-06-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria Conceição C. N. Leite Pinto

21-06-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria Fernanda T. C. P. de Carvalho

01-08-2011

1.882,76

Secretária pessoal

Maria Rosa E. R. Silva Bailão

01-09-2011

1.882,76

Coordenadora

Luísa Maria Ferreira Guerreiro

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Alberto do Nascimento Cabral

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Ana Paula Costa O. da Silva

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Elisa Maria Almeida Guedes

01-01-2012

1.500,00

téc, administrativo

Isaura Conceição A. L. de Sousa

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

José Manuel Perú Éfe

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Liliana de Brito

01-01-2012

1.500,00

téc, administrativo

Maria de Lourdes G. F. Alves

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Maria Fernanda Esteves Ferreira

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Maria Fernanda da Piedade Vieira

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Maria U. G. Fernandes Barroso

01-01-2012

1.500,00

téc, administrativo

Zulmira Jesus G S. Santos Velosa

01-01-2012

1.506,20

téc, administrativo

Artur Vieira Gomes

01-01-2012

1.600,15

téc, administrativo

Benilde Rodrigues L. da Silva

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Fernando Manuel da Silva

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Francisco José M. Coradinho

01-01-2012

1.472,82

Apoio Auxiliar

Joaquim Carlos da Silva Batista

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

José Augusto Morais

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Maria Lurdes da Silva B. Pinto

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Maria de Lurdes Camilo Silva

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Maria Júlia R Gonçalves Ribeiro

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Maria Natália Figueiredo

01-01-2012

975,52

Apoio Auxiliar

Maria Rosa de Jesus Gonçalves

01-01-2012

975,52

Motorista

António Francisco Guerra

01-01-2012

1.848,53

Motorista

António Augusto Nunes Meireles

01-01-2012

2.028,28

Motorista

António José Pereira

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Arnaldo de Oliveira Ferreira

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Jaime Manuel Valadas Matias

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Jorge Henrique S Teixeira Cunha

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Jorge Martins Morais

01-01-2012

1.848,53

Motorista

José Hermínio Frutuoso

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Nuno Miguel R Martins Cardoso

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Paulo Jorge P. da Cruz Barra

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Rui Miguel P. da Silva Machado

01-01-2012

1.848,53

Motorista

Vitor Manuel G Marques Ferreira

01-01-2012

1.848,53

  

 

Total/Mês

149.486,76

Resumo: 1 Chefe de Gabinete, 10 Assessores, 7 Adjuntos, 4 Técnicos Especialistas, 10 Secretárias Pessoais, 1 Coordenadora, 13 Técnicos Administrativos, 9 Apoio Auxiliar e 12 Motoristas.

 

Jobs for the Boys and girls:

       Vantagem: Estes não tiveram de emigrar!

       Inconveniente: Assim não há orçamento que resista!



Publicado por DC às 12:42 de 16.07.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O GASPAR BATEU COM A PORTA

 

Nada vai mudar

Pouco importa

Que o Gaspar

Tenha batido com a porta

 

Com este governo à deriva

E a fazer-nos a vida negra

Há muito quem diga

Que já nenhuma mudança pega

 

A Albuquerque, Luísa

Que nos Swaps anda metida

Já outra política não visa

Que esta política fratricida

 

Os salteadores do poder

Reclamam já eleições

O povo não sabe quem escolher

Entre esta corja de aldrabões

 

Ninguém vislumbra

Uma linha anticorrupção

Nesta política de penumbra

Que faz doer o coração

 

Que diferença faz

Um PS de Seguro

Que parece não ser capaz

De nos mostrar uma linha de futuro

 

Já basta de sofrimento

Tanta amargura do povinho

Eu já não aguento

Uma esquerda sem caminho

 

Entendam-se lá, por uma vez

As esquerdas em Portugal

Para corrigir as asneiras que alguém fez

E que nem todos pagam por igual

Só assim valera a pena uma campanha eleitoral!



Publicado por Zurc às 12:27 de 02.07.13 | link do post | comentar |

Povos, governos e governantes

 

 

É  um lusitano à procura de tumulo, o mais profundo possível, para que o povo português possa enterrar este governo. Nem o tumulo foi, ainda, encontrado nem o povo se decide enterrar o governo. Como diz o ditado "nem o pai morre nem a gente almoça".

Acabaremos por morrer, todos, de fome. Muitos  portugueses e populações por essa Europa e por todo o mundo já passam e morrem de fome, não por falta de recursos mas porque a riqueza está vergonhosamente distribuída.

Como diriam os do "gato fedorento" temos de importar imigrantes, sobretudo brasileiros, par virem fazer a agitação necessaria que obriguem os politicos a fazer as mudanças que urge sejam efectuados. Por lá a coisa está a dar frutos!

 



Publicado por Otsirave às 14:23 de 28.06.13 | link do post | comentar |

DUARTE LIMA, O CORDEIRO

O advogado de defesa de Duarte Lima, após a primeira sessão de audiência de julgamento, prestou declarações à Comunicação Social afirmando que o seu cliente estaria a ser sujeito a um sacrifício de expiação ou imolação por causa dos pecados de toda a classe política deste país.

Não elencou os casos porque se tornaria demasiado exaustivo e escapariam uma grande parte desses políticos e outros comediantes corruptos agora expiados.

Dentro do processo é normal as partes assumirem posições diametralmente opostas, em que uma acusa e a outra defende como pode e consoante a capacidade económica do réu.

Concordo com tudo o que o defensor disse. No lugar dele qualquer um faria parecidas declarações, só é pena que não tenha justificado ou tão pouco tentado explicar como foram criados os buracos financeiros no BPN, BCP e por aí adiante.

Nem Duarte Lima nem o seu mandatário explicaram como é que o filho do réu chegou a empresário com uma quota tão elevada na sociedade ainda tão jovem.

Cordeiros e sacrificados somos todos nós, os contribuintes, que temos de suportar tais furtos.

Faça-se justiça e condenem-se todos os criminosos tanto à cadeia como à devolução dos bens furtados. 



Publicado por Zurc às 12:20 de 30.05.13 | link do post | comentar |

SWAPS E GINCANA POLÍTICA

Dentro do habitual processo de gincana política, que mais não é do que permitir, a uns e a outros, uma espécie de ejaculação cerebral, vai hoje ser ouvido, na Assembleia da República, o ministro da finanças.

Como de costume, tudo ficará como dantes, como a palha em Abrantes, sem nada ser esclarecido sobre a constante irracionalidade comportamental dos políticos na gestão da “coisa” pública, associada com a desenfreada corrupção, por parte dos controladores partidários.

Todos, cada um à sua medida, nos governos ou nas oposições, são corresponsáveis, por ação ou por omissão conivente, pelos descalabros gestionários nas empresas públicas do sector empresarial do estado - EPE`s, sejam elas das áreas dos transportes ou da construção naval. Também assim sucede ao nível das empresas camarárias, por este país de Norte a Sul.

Tais comportamentos, por parte de todas as forças partidárias, têm assentado numa base filosófica de atuação que é a de sobrepor acima de todos os interesses coletivos os próprios e dos seus respetivos grupos.

Todos os partidos, os que tem assumido responsabilidades governativas à cabeça, têm usado a estrutura estatal e autárquica para proveito próprio, para fins de colocação das suas clientelas e para obter financiamentos às suas campanhas e, por vezes, às suas contas particulares.

Quem se escusou de inaugurar obra em vésperas de campanha eleitoral?

Quantos foram, políticos e cidadãos comuns, a perguntar quem, como e com que dinheiro eram pagas tais obras, por vezes faraónicas?

As swaps, que em algumas empresas de transportes começaram a ser usadas a partir de 1996, sempre foram utilizadas com conhecimento e cobertura das tutelas respectivas.

O excesso de endividamento, das tão badaladas empresas, foi feito, não por vontade própria das administrações respectivas, mas sempre por imposição dos governantes com a conivência da Assembleia da República (AR).

Disso sempre tiveram conhecimento todos os deputados na AR, pois é ela que apoia e fiscaliza os governos.

Tanto a Inspeção Geral das Finanças (IGF) como o Tribunal de Contas (TC), são conhecedores de tais práticas. Os Relatórios e Contas das empresas são de acesso público e referem a existência das ditas Swaps.

Nem a hipocrisia do PCP escapa a esta gincana visto que os seus rapazes sempre prontos a “arrastar” trabalhadores para a agitação de rua não viram porque nunca querem ver o que lhes não convém ainda que sempre prontos a “sacar” benefícios pouco se importando das consequências futuras.

Nunca os relatórios das auditorias ou dos órgãos fiscalizadores, uma qualquer comissão da AR, da IGF ou do TC, alguma vez questionaram ou deles foram suscitados esclarecimentos.

Ainda há quem diga não haver consensos neste país!



Publicado por Zé Pessoa às 13:02 de 30.04.13 | link do post | comentar |

O ERRO EXCEL E OS BURROS DE BRUXELAS

Com a argumentação de que uma divida publica superior a 90% do PIB comprometia o crescimento económico de qualquer país tendendo, mesmo, para a recessão foram impostas, a partir de Bruxelas, mediadas draconianas de equilíbrio orçamental cujos critérios na zona euro se constituíram desmedidos e agora, ainda que a contragosto, vão levando à conclusão de serem, além de injustos, contraproducentes.

Os erros grosseiros e as graves omissões no estudo intitulado, na versão portuguesa, “crescimento em tempo de divida” seguido como “bíblico” pelos elaboradores dos relatórios da Comissão Europeia, emitidos a partir de Bruxelas, enganaram, com tais premissas, os políticos dos vários países da zona euro.

O famigerado estudo levou à conclusão de que o crescimento médio seria negativo, pelo menos abaixo de -0,1%, nas economias cujas dívidas soberanas ultrapassem a fasquia dos 90%. Uma vez corregidos tais erros e lapsos de avaliação conclui-se que o crescimento pode até chegar aos +2,2%.

Ou seja, o mal não está em se dever, o grave é dever-se e não ter sido aplicado bem, de forma reprodutiva, o que se poupa e o que pediu emprestado.

Quem compensa os sacrificados ou paga, agora, os sacrifícios impostos às populações e os prejuízos causados às economias nacionais pelo erro Excel e pelo logro dos relatórios emitidos pelos técnicos de Bruxelas?

Quando vêm à luz do dia e emergem da espuma estatística os logros dos números não há economia que aguente nem mercado que valha.

Só uma revolução com alternativas claras e inequívocas poderá alterar a falaciosas alternâncias cujas moscas apenas se alternam de lugar, sendo sempre as mesmas, ainda que travestidas, já se sabe. Ir à rua em cada 25 de Abril que passa e num ou outro dia nos intervalos já é curto, muito curto mesmo.



Publicado por DC às 13:08 de 26.04.13 | link do post | comentar |

BADAMERDA

 Consensos?

Quem diz que não há consensos?



Publicado por Zurc às 11:10 de 25.04.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

RELVAS – O LUTADOR
 
 
 

O não licenciado, ministro da propaganda portuguesa, afirmou, na hora da despedida, que aos dois anos de funções governativas se devem somar, os três anos que os antecederam, sendo dois deles a lutar dentro do partido para que o novo líder, por si escolhido, fosse eleito e a seguir se afirma-se, não esquecendo mais os 365 dias de lutas para a eleição, do menino de oiro, como primeiro-ministro. Lembranças incisivas ao menino de colo na hora do adeus.

É verdade que “o lutador” espreitou a oportunidade de anunciar a sua saída com, contumazes, avisos e acobertado das decisões do Tribunal Constitucional, cujas reações o protegem durante algum tempo atirando-o, convenientemente, para o limbo do esquecimento. Mas mesmo assim, é jugada de mestre, convenhamos!

São cinco anos de muitas lutas e candescentes vitórias, aos quais se antecederam algumas décadas a “escavar” intrigas, a semear mentiras e a espalhar boatos, nas secções, dentro da estrutura partidária e não só.

Se tudo isso serviu para chegar a ministro da Presidência do Conselho de Ministros e para coordenar as (más) políticas governativas, além de mandar na propaganda oficial do Estado, não deveria ser (mais que) suficiente para obter um grau de academia? Claro que sim! Nem sequer refiro os pergaminhos colocados na estratégia de fazer desaparecer freguesias com critérios de régua e esquadro, ou não fosse “o lutador” um pedreiro, perdão Maçom.

O povo português se não compreende os sacrifícios, a paixão e a honradez deste exímio lutador das causas públicas, que desde menino se esforça em servir a nação, é um povo medíocre e sem coração, olá se é!

Não o disse expressamente, mas deixou nas entre linhas a profecia de que “ainda vão clamar por mim tal qual andam clamando por esse grande filósofo luso que dá por nome de Sócrates. A história nos julgará”. Palavras de Relvas o lutador.



Publicado por Zurc às 13:08 de 07.04.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

RELVAS CORTADAS
 

 

Relvas crescidas, relvas cortadas. É da natureza das coisas e das coisas naturais. Tudo o que cresce tem de ser aparado e o que cresce muito rapidamente morre depressa.

A universidade Lusófona, grupo da família socialista Damásio, mas que acoberta gente de todas as correntes políticas (não digo ideológicas porque as ideologias já foi chão que deu parreiras, hoje a veneração é o vil metal), desde a chamada esquerda às direitas o “dr” lhe deu o “dr” lhe tirou e com isso desapeou o sr Miguel.

O governo está decadente e em queda. Mais, muito mais grave que isso é não se vislumbrarem alternativas credíveis, veja-se o que se passa em França e por essa Europa assim como mundialmente.

É a crise de valores que, por mais religiosidade apregoada e mudanças promovidas em Roma nada adianta enquanto os sistemas de governação e de exercício de democracia não forem reajustados.

Todos, enquanto cidadãos de pleno direito, temos de assumir e exigir exercer o pleno de cidadania, individual, nacional e internacionalmente.

Os relevas reaparecem a cada esquina, produzidos pelas máquinas partidárias financiadas com o dinheiro dos nossos impostos. Até quando?

 


Publicado por Zurc às 18:14 de 04.04.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Custe o que custar
Custe o que custar nunca direi a verdade aos portugueses.


Há quem lhe chame de "mentiroso compulsivo". Na verdade o homem não acerta uma. tem feito, em tudo, o contrario do que prometeu aos portugueses.

O ultimo "desmentido", feito por Gaspar (o que significa que Passos mentiu), é sobre a afirmação "nem mais tempo nem mais dinheiro". 

Finalmente a juventude deste país começa a afirmar-se e a afirmar que não quer que Portugal continue a ser governado por mentirosos. É preciso engrossar o protesto!


Publicado por Zurc às 12:31 de 21.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

MOSCAS, MELGAS E A PESCA À LINHA

A política que começou por ser entendida como uma atividade altamente nobre e sempre enobrecida por quem a exercia, ultimamente, ela e quem a exerce, desvirtuaram-se de forma escandalosa tal é o elevado índice de corrupção sem que os tribunais façam a concomitante justiça e apliquem o exemplar castigo.

Verificamos, vezes sem conta, que os políticos, à medida que ganham o poder perdem a frescura, a sinceridade, a confiança e o reconhecimento que granjeavam antes de serem escolhidos e junto de quem os escolheu, na esperança de que estes venham a ter comportamentos diferentes dos seus antecessores.

Mesmo depois de algumas desajeitadas tentativas o Coelho já não consegue voltar a ser o “Pedro” nem Seguro conseguiu voltar a ser o “Tó Zé”.

Eles põem-se a jeito, cultivam e permitem o engrossar do exército dos verdadeiros e grandes culpados das travessuras camaleonicas que são as melgas ditas “especialistas” que rodeia uns e outros. Os que aprisionam os aparelhos partidários.

O mais grave desta evolução negativa, na política portuguesa, em especial e da Europa em geral, já não é a falta de credibilidade nos partidos mas a, generalizada, desconfiança de quem neles manda.

Como diria o poeta António Aleixo “uma mosca sem valor, poisa com a mesma alegria, na careca de um doutor, como em qualquer porcaria”.

Chega-se à conclusão que as moscas e os lugares onde elas poisam são sempre as mesmas/os, umas e outros apenas mudam de lugar conforme as circunstâncias de cada momento.

Tudo se repete ciclicamente, tirado a papel químico, cada vez de pior qualidade. Um desses ciclos está a repetir-se. A escolha dos candidatos a encabeçar as listas (tipo avio de supermercado) decididas pelos detentores do poder autárquicos e dos partidos. A pesca à linha começou.

Nunca será com estes comportamentos que os partidos se regeneram nem que a democracia se revitaliza. É lamentável!



Publicado por DC às 21:49 de 08.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

PORCARIA DE POLÍTICA

Já todos andávamos, mais ou menos, desconfiados.

No tempo de Sócrates, o PSD e toda a oposição afirmavam que, a política levada a cabo pelo seu governo, era uma porcaria. Agora, no tempo do Coelho, Portas, Gaspar e troica, o PS e os outros excluídos da governação dizem, repetidamente, que a política levada à prática por este governo é uma porcaria.

Uns afirmando outros desconfiando, todos íamos tendo a percepção que a política, em Portugal, se andava a tornar uma porcaria.

Se duvidas ainda alguém poderia acalentar, da tese da porcaria de política, desde ontem ficou comprovadíssima e irrefutadamente demonstrada, por um douto professor, sindicalista, que não só demonstrou que a política portuguesa se tornou uma grande porcaria como são os próprios suínos já envolvidos nela.

Não admira que da política e, grande parte, dos políticos nela envolvidos cheire tanto mal.

P.S.

Uma palavra de solidariedade para os professores portugueses. Não merecem nem esta política nem estes sindicalistas.



Publicado por Zurc às 18:34 de 27.01.13 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Estado e súbditos ou cidadãos ?!

... A  direita não se cala contra o «estado social», as «gorduras do estado», os «direitos adquiridos» conquistados, ... e a favor do «estado mínimo», da liberdade (neo)liberal, da desregulamentação, da 'refundação do estado', ... 

    O que está em causa por detrás desta retórica/propaganda é um ataque concertado à democracia e à classe média que a sustenta
    Uma grande classe média é a inimiga principal da cleptocracia (governação por ladrões, corruptos, nepotistas, ... ), das oligarquias e dos ditadores ... que governam não a favor da maioria da população (do povo) mas a favor de si próprios e/ou duma minoria (de direita), que quer conservar e expandir os seus privilégios e riqueza

    Logo, são os membros da classe média os principais visados numa "refundação" ultra-neoliberal.   Na classe média estão pessoas sem os grandes benefícios/rendimentos da élite no poder mas com literacia (que lêem livros e jornais, que têm acesso e fazem uso de informação e formação, que pensam e questionam...) e têm aspirações de liberdade, igualdade de acesso, civilização, transparência, justiça, cultura, democracia, paz, sustentabilidade, querem deixar um mundo decente aos filhos e aos netos ... participam na cidadania tanto do seu condomínio como na associação de pais, na assembleia da sua polis e gostam de ver-se bem representados nos parlamentos e nos governos. 

    Já os membros da classe baixa, mais condicionados pela pobreza e manipulados pela direita, com menos literacia, são mais facilmente enganados com «pão e circo»/ 'futebol, Fátima e fado'... e uns tostões/migalhas, são os primeiros a fazer fila para se alistarem, lutarem e morrerem por reis e por cardeais, pela 'pátria', pelo 'interesse nacional', ... e por Suas Excelências os grandes e iluminados líderes/chefes. 

 

- Mas o que é o ESTADO  ?   Distinções necessárias.
    «ESTADO» designa o "conjunto das instituições (P.R., tribunais, A.R., governo, forças armadas, serviços públicos, ...) que controlam e administram uma nação"/sociedade e seu país/território; «Estado» é um "país soberano/ com identidade e estrutura própria e politicamente organizado".
Assim, nação/sociedade de cidadãos  +  território/país (+ outros recursos)  +  organização/ administração (com alguns recursos que lhe permitem exercer essa missão) =  "razão pública", a "res pública", ... a 'República Portuguesa', ou simplificadamente, os portugueses, Portugal
     Sem Estado, o  País e a Nação não funcionam, entram em anarquia e lutas internas (muitas vezes fomentadas e aproveitadas pelo exterior). Mas com um Estado fraco (sem pessoal independente, erário e meios técnicos e legais necessários para disponibilizar a Justiça e a segurança, o cumprimento da Lei, a transparência, a liberdade de expressão e de acesso ... e garantir as condições básicas de bem-estar e coesão da sua população) é facilmente corrompido, fracionado, dominado e manipulado, capturado, sugado/vampirizado, posto ao serviço  de uma minoria oligárquica e/ou de tiranos.
     Mas o Estado não gere (nem é um organismo em auto-gestão). Embora sendo a estrutura essencial e organizativa da 'res pública', o Estado é gerido por cidadãos eleitos, ou por estes nomeados como administradores e dirigentes.  É por isso que o Estado (seu tipo, funções e meios...) varia em função da classe dirigente/ governante, dos seus órgãos de soberania, ... e do voto e acompanhamento político dos seus cidadãos/eleitores. 
     O Estado não faz isto ou aquilo...  O que é feito é por decisão e organização definida ou aceite por dirigentes e eleitos ... escolhidos/votados pelos cidadãos. Depois dos eleitores, os responsáveis pela administração do Estado e dos recursos da 'res pública' são os órgãos de soberania (PR, A.R., tribunais e governo, e as autoridades em quem foram delegados poderes ...), que usam a estrutura do Estado e a modificam conforme os interesses que representam.
     Sendo o Estado a organização política e administrativa de bens e direitos que permitem a existência de uma sociedade/nação ... (incluindo recursos e direitos privados, pessoas individuais e colectivas,...), o 'Estado' NÃO são "eles", os funcionários públicos ... nem apenas os políticos eleitos e nomeados mais os funcionários que servem o interesse público. 
     Os 'funcionários públicos' são trabalhadores 'por conta de outrém' (com diversos tipos de contrato) que têm como empregador uma grande entidade/sociedade que é gerida por governantes/administradores... e tem por acionistas/associados efectivos indivíduos maiores de idade, aptos e com título de cidadãos/eleitores (a "razão pública").
     Estado, órgãos de soberania, dirigentes, trabalhadores da função pública, ... são entidades e responsabilidades que devem ser diferenciadas. E também é importante lembrar o grau de responsabilidade de quem é empossado ou nomeado para um cargo público :«Eu, ... , juro cumprir com lealdade * as funções que me são confiadas». (* aplica-se o Código de Procedimento Administrativo, a legislação de responsabilidade civil extra-contratual e as normas e procedimentos internos vigentes).
     Assim, se os cidadãos/acionistas têm razões de queixa sobre como funciona ou está organizada a sua grande sociedade, devem exigir transparência, analisar a situação, debater e chegar a uma nova organização, regras e responsabilização (política, civil e criminal) dos dirigentes/administradores da sua sociedade gestora de participações sociais.
 
- E que parte dos recursos (valor ou percentagem do total ou de cada rúbrica) do Orçamento G. Estado deve ser alocada à Segurança ou à Justiça, Educação, Saúde, inspeção, manutenção, frota de automóveis, ajudas de custo, consultorias e estudos ou serviços adjudicados ao exterior, ... ? 
 Porque não leiloar internacionalmente os submarinos ? Porque não cortar as rendas escandalosas das 'ParceriasPP', os 'contratos de associação'/subsídios a privados ? Porque não rever/cortar os benefícios e isenções a bancos e grandes grupos empresariais, fundações, ... ? ...
- Ou é mais importante acompanhar a telenovela ou o jogo ?     E  papaguear que "não há alternativa" e o "voto útil" é no centrão de interesses ? - esse é "o jogo e interesse" da direita !!     Acordem.
República e Laicidade      


Publicado por Xa2 às 08:08 de 12.01.13 | link do post | comentar | ver comentários (20) |

Alternativas ao crime neoliberal: o exemplo do Equador

         Aprender  com  a  América  latina

Presidente RAFAEL CORREA  do Equador a descrever a Crise Espanhola (e a Portuguesa) falando do Equador  (2012/12/3, Público (espanhol), por Bonifacio Cañibano, via No moleskine)
      Rafael Correa chegou ontem à tarde à Universidade Pablo de Olavide, em Sevilha, onde era aguardado por uma multidão de pessoas. Veio explicar como tinha o Equador saído da crise da sua dívida ou, como ele próprio chamou, da «longa noite neoliberal» na qual afundaram o país na década de noventa: a ação conjunta de banqueiros insaciáveis, políticos corruptos e governos cegamente obedientes às medidas desreguladoras do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial. Parecia estar a descrever o que se está a passar em Espanha e no Sul da Europa, porque o processo era quase uma fotocópia do seguido aqui, de tal modo que, para não provocar conflitos diplomáticos, avisou no início da conferência que «não vinha dar conselhos ao governo espanhol sobre a forma de sair da crise, mas sim descrever o que tinha acontecido no país dele».
      A sala onde decorreu a conferência estava a abarrotar de estudantes e havia mais três salas onde se seguia a sua intervenção por videoconferência. Mesmo assim, não era suficiente. Fora, no campus, um numeroso grupo de estudantes que tinham ficado sem lugar gritava durante metade da conferência: «Que saia Correa!»
     O presidente do Equador situou a origem dos problemas económicos do seu país na década de setenta, em pleno boom do petróleo. Nessa altura, o Equador crescia a um ritmo de 10 por cento, superior ao que a China apresenta atualmente. Então, quando houve excesso de liquidez, começaram a aparecer em Quito os burocratas do FMI, do BM e da banca internacional, predicando o endividamento agressivo. O país começou a comprar compulsivamente no estrangeiro todo o tipo de coisas, entre as quais, obviamente, pacotes de armamento caríssimos.
      Em 1982, o Equador já não conseguiu pagar a dívida e a situação explodiu. Naquela altura, disse Correa,«entrou em funcionamento a lógica financeira do FMI, que dá a prioridade ao pagamento da dívida, acima de tudo». Os sucessivos governos equatorianos sentiram a necessidade de endividar-se uma e outra vez para poder pagar os cada vez mais altos juros de uma dívida que continuava a crescer. «O objetivo da economia passou a ser o pagamento das dívidas do próprio Estado e dos bancos, enquanto a população empobrecia cada vez mais», acrescentou, levando os estudantes a aplaudir entusiasticamente. «O círculo infernal em que se encontram atualmente Grécia e Portugal» – afirmou Correa, que, por respeito ao país anfitrião, não incluiu a Espanha nesta referência.
     No Equador, sustentou o Presidente, «a dívida privada interna (a dos bancos) foi paga à base de empréstimos externos, mas à custa do endividamento do Estado». Também desta vez não referiu Espanha, mas lembrou que dois anos antes, numa visita a Portugal, tinha avisado o governo português do risco de acontecer o mesmo no país vizinho. Augúrio cumprido.
    O passo que o Equador deu em seguida também é bem conhecido nestas latitudes: «Foi o das privatizações, desregulações e cortes sociais, ditados pelo consenso de Washington, a Bíblia do neoliberalismo para a América Latina». (Algo semelhante ao que ditam atualmente Berlim ou Bruxelas). «Impuseram-nos leis», disse o Presidente, «que, diziam eles, impulsionavam a competitividade e a flexibilidade no trabalho, que é o mesmo que explorar os trabalhadores», esclareceu a uns estudantes cujos aplausos e entusiasmo continuavam a aumentar. «Demonizavam a despesa pública quando era para pagar aos professores, mas não quando era para comprar armas», voltou a esclarecer.
     Foi nesta conjuntura que o Equador entrou no ano 2000, no qual 16 bancos foram à falência. «Então, os políticos, que não representavam os cidadãos mas sim os poderes económicos, tudo fizeram para que a crise fosse paga pelo povo», referiu, tendo todo o cuidado para não mencionar em momento algum a Espanha, enquanto as quatro salas aplaudiam com grande alvoroço. Correa explicou que, pouco antes da falência, o governo em funções criou um Fundo de Garantia de Depósitos, que não teria sido uma má ideia se o objetivo não tivesse sido o de cobrir as perdas das entidades financeiras que faliram imediatamente depois. “Desta forma, as perdas da banca foram socializadas”. O presidente equatoriano manteve-se firme na decisão de não fazer comparações com a Espanha.
     O «quintalinho» equatoriano recebeu o nome de encautamiento de depósitos (cativação de depósitos), que se traduz na proibição governamental de os cidadãos utilizarem o dinheiro que tinham no banco. Depois chegou a dolarização, os suicídios – «chegamos a conhecer um novo fenómeno, o suicídio infantil» – e a emigração de milhões de equatorianos (alguns dos quais presentes na conferência).
     Correa criticou abertamente a independência do Banco Central Europeu, «que não está a fazer o necessário para que a Europa saia da crise». «A ideia de que a economia não é política não resiste a uma análise séria e torna-se uma estupidez argumentar que os tecnocratas que a dirigem tomam decisões sem interesses políticos concretos, como se fossem seres celestiais que não estão contaminados pela maldade terrena». Nesta altura o público estava rendido. Depois, dirigindo-se aos estudantes, disse: «Quando a burocracia financeira internacional toma decisões, não está a pensar em solucionar o vosso desemprego, está a pensar no pagamento da dívida». E disse-o com a elegância de colocar como sujeito dessa ação a burocracia internacional... não os políticos locais.
     Foi mais direto ao evocar um cartaz que tinha visto em Sevilha nessa manhã e que dizia «Gente sem casas e casas sem gente». «Se seguirmos a lógica dos poderes financeiros vamos chegar ao pior dos mundos possíveis, no qual as pessoas não terão casas e os bancos terão casas de que não precisam». Os despejos são inumanos, disse, e «não tem lógica que uma pessoa que entrega a casa, por não a conseguir pagar, fique endividado para sempre». O presidente explicou que, quando chegou ao governo em 2007, implementou de imediato diversas medidas: eliminou a hegemonia do seu banco central, auditou e reestruturou a dívida, eliminando o embuste da «dívida ilegítima» e recuperando títulos de dívida a 35 por cento do seu valor nominal. Depois pagou o resto, «para se livrar do condicionamento do FMI, como haviam feito o Brasil e a Venezuela». Correa terminou lembrando que «expulsei de Quito a missão do Banco Mundial e há seis anos que a burocracia financeira internacional não voltou ao meu país.  Agora estamos melhor do que nunca».
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Atenção: R.Correa é um presidente/ governante eleito democraticamente mas "é estranho", porque não governa para as oligarquias, para os bancos, para o sistema financeiro internacional, para o FMI, para as "tróicas", de lá ou de cá. Não, R. Correa, como aliás mais alguns governantes de outros países latino-americanos, trabalha e defende os interesses do seu povo. Parece mentira? Pois, mas assim se comprova que também existem verdadeiros e bons Políticos.


Publicado por Xa2 às 07:48 de 08.01.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Eça e políticos de 'monte castanho'

Citações e pensamentos do sempre actual José Maria de Eça de Queirós:  Povoa de Varzim - 25/11/1845,  Paris - 16/8/1900

 - "O melhor espectáculo para o homem será sempre o próprio homem."

 

- "Diz-se geralmente que, em Portugal, o público tem ideia de que o Governo deve fazer tudo, pensar em tudo, iniciar tudo: tira-se daqui a conclusão que somos um povo sem poderes iniciadores, bons para ser tutelados, indignos de uma larga liberdade, e inaptos para a independência. A nossa pobreza relativa é atribuída a este hábito político e social de depender para tudo do Governo, e de volver constantemente as mãos e os olhos para ele como para uma Providência sempre presente."  - In "Citações e Pensamentos" de Eça de Queirós»

 

- "Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura."  - Eça de Queirós, in "Correspondência" (1891)

 "Este governo não cairá  porque não é um edifício, sairá com benzina   porque é uma nódoa" - Eça de Queirós, in 'O Conde de Abranhos'

 

- "Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente e pela mesma razão" - Eça de Queirós

 

- " ORDINARIAMENTE todos os ministros são inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a faustosas inaugurações e são excelentes convivas.  Não têm a austeridade, nem a concepção, nem o instinto político, nem a experiência que faz o ESTADISTA.  É assim que há muito tempo em Portugal são regidos os destinos políticos.  Política de acaso, política de compadrio, política de expediente.  País governado ao acaso, governado por vaidades e por interesses, por especulação e corrupção, por privilégio e influência de camarilha, será possível conservar a sua independência ? " - Eça de Queiroz, 1867 in "O distrito de Évora"

 

- "Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.

A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.

A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.

À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade." - Eça de Queiroz, in 'Distrito de Évora" (1867)

 

- "Nós estamos num estado comparável apenas à Grécia: a mesma pobreza, a mesma indignidade política, a mesma trapalhada económica, a mesmo baixeza de carácter, a mesma decadência de espírito. Nos livros estrangeiros, nas revistas quando se fala num país caótico e que pela sua decadência progressiva, poderá vir a ser riscado do mapa da Europa, citam-se em paralelo, a Grécia e Portugal" - Eça de Queirós, 1872, in As Farpas

   Como se chama a um vendedor de tachos e panelas ?  Relvas ?

    Na Assembleia da Republica foi aprovado a extinção de mais de mil freguesias, enquanto ao mesmo tempo se criam mais uns tachos de coordenadores locais ou regionais, não eleitos mas sim nomeados e a ganhar uns milhares de euros por mês. Uns tachos para agradar aos boys das concelhias (do partido) e mais uma machadada na democracia.
    Não se deviam acabar com freguesias, o que se deviam era criar mais garantindo que nenhuma tinha mais de cinco mil habitantes e assim que nenhum membro da junta era remunerado. Assim se garantia que quem concorresse para esses cargos o fazia por cidadania e serviço público e que os cidadãos ficariam com alguém que conheciam e que os poderia atender para ouvir as suas opiniões e problemas. Aproximar os eleitos dos eleitores devia ser o caminho não o contrário, como está a ser feito, em que os eleitos nem conhecem os eleitores e os eleitores vão ver chegar gentes dos partidos, muitos vindos de bem longe, para ocuparem os lugares e os tachos administrativos agora criados.
    Este Miguel Relvas é o personagem mais sinistro deste governo, é o homem que cala jornalistas, saneia outros, vai vender a RTP a amigos, anda metidos em segredos das secretas e paga favores feitos ao partido com tachos para boys.

   Primeiro foram os amigos importantes, em cargos de Administração bem pagos, como na EDP, CGD e outras, depois lugares de assessores e consultores pelos Ministérios e empresas públicas e agora há que satisfazer os boys locais com tachos administrativos bem remunerados. Pelo menos bom pagador de favores este governo é. Ao pé deste Relvas até o aldrabão do Sócrates parece um anjinho.

       O "igNóbel" da paz

 A União Europeia recebeu hoje o prémio Nobel da Paz. Quem se lembra da cimeira das Lajes e da Guerra do Iraque e da forma como alguns países europeus promovem um autentico colonialismo económico sobre os outros países mais fracos só pode considerar isto como uma brincadeira de mau gosto. A Europa, assim como a América ou outra qualquer grande potencia são sempre focos de guerra, de instabilidade e de miséria porque todos procuram manter o seu poder à custa de outros. O prémio Nobel da paz há muito que está desvirtuado e serve interesses económicos e políticos. Infelizmente, mais uma boa ideia transformada num jogo de interesses.


Publicado por Xa2 às 13:31 de 11.12.12 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Partidos ... muito a melhorar

            Os partidos dos funcionários  (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)

      Quando vi que o Congresso do PCP começava numa sexta-feira, de dia, não pude deixar de pensar: como pode um partido político juntar os delegados a um congresso num dia de semana? Só de uma forma: se uma parte significativa desses delegados trabalharem para o partido, forem eleitos para cargos políticos com disponibilidade a tempo inteiro ou forem assalariados de organizações que lhe são próximas.   Henrique Monteiro escreveu aqui sobre o assunto, ao referir que dois terços dos eleitos para o Comité Central do PCP são funcionários do próprio PCP. Assim, até lhe retomo o título.
      O debate, pelo menos à esquerda, sobre o papel da burocracia partidária nos processos políticos está muito longe de ser novo. E o problema também. O que é novo é a falta de implantação social dos partidos políticos. O que torna o problema ainda mais grave.
      O problema não é apenas do PCP. Longe disso. Há dois anos, a Convenção do Bloco de Esquerda aprovou (por proposta de um grupo de militantes onde me incluí) uma norma que definia que a sua Mesa Nacional não podia ter mais de metade de membros que fossem funcionários, assessores ou eleitos com disponibilidade a tempo inteiro. Ou seja, que de uma forma ou de outra dependessem financeiramente do partido. Uma regra tão tímida (mas inédita nas organizações partidárias) teve, num partido jovem e com raízes na crítica à burocracia comunista, o resultado de obrigar a lista então maioritária a recompor a sua proposta de composição da Mesa Nacional.
     Se tratarmos do PS ou do PSD, encontraremos menos funcionários de partido, mas uma impressionante e talvez ainda maior massa de deputados, ministros, assessores, diretores de estruturas públicas, presidentes de câmara, vereadores a tempo inteiro.
     Na realidade, como bem escreve Henrique Monteiro, o problema é geral: os partidos são dirigidos quase exclusivamente por profissionais da política. É um tema que debato desde a minha militância comunista e que, com a redução da implantação social dos partidos políticos, tende a agravar-se.
     Primeiro, é bom afastar deste debate o discurso populista que tanto sucesso faz por estes tempos. Os partidos, como qualquer organização, precisam de funcionários. A partir de um determinado nível de exigência, de disponibilidade e conhecimento as coisas não se conseguem fazer nas horas vagas. A democracia precisa de deputados e autarcas. E estes cargos precisam de apoio técnico profissional.
      Eu próprio fui, durante quatro anos, assessor partidário, na área da imprensa, que era onde tinha experiência. Não foi seguramente pelo rendimento que tal função me garantiu que aceitei a tarefa. Ser funcionário do PCP ou do BE, pelo menos, não é especialmente gratificante do ponto de vista financeiro. Se me é permitido este pequeno desvio autobiográfico, coloquei uma condição quando entrei em funções: só ali ficaria durante quatro anos (o tempo de um mandato parlamentar) e depois regressaria à minha vida extrapartidária. Quatro anos depois, foi o que fiz: saí pelo meu pé. Não fui o único a fazê-lo e sei que na vida tenho tido a sorte de poder escolher a minha vida profissional, coisa que não depende exclusivamente dos valores que defendemos. Confesso que não foi nenhum princípio republicano que me moveu nesta condição para ocupar aquele lugar Foi outro, um pouco mais egoísta: não queria depender de um partido para viver.
      Os partidos precisam e de funcionários e os eleitos precisam de assessores. E nem todos os funcionários partidários, eleitos e assessores são falhos de qualidade e princípios. Há até quem desperdice boas carreiras - conheço-os em vários partidos - por militância. A questão é outra: os partidos não podem ser dirigidos exclusivamente, ou principalmente, por pessoas que, de uma forma ou de outra, dependem profissionalmente deles. Por três razões: autonomia, representatividade e motivação política.
      Funcionários, deputados ou assessores dependem, direta ou indiretamente, financeiramente do partido. Podem, claro está, ser suficientemente livres e desapegados para, ainda assim, correr o risco de tomar posições dissonantes. Mas quanto mais tempo ocupam o lugar menores são as probabilidades de encontrarem uma carreira fora do partido. E menor virá a ser a sua autonomia face ao próprio partido. Por mais livre que seja, um assalariado é menos livre do que alguém que não depende do partido para viver. A não ser, claro, que dentro do partido sirva outros interesses que lhe garantam uma carreira futura. Encontramos muito disso em partidos de poder.
      Direções alargadas (Comité Central, Mesa Nacional, Conselho Nacional, etc.) que são, como praticamente todos são, maioritariamente constituídos por profissionais políticos, não representam a realidade nacional. Podem preocupar-se com ela, mas demoram mais tempo a compreender todas as suas contradições.
      Não representando a realidade do País e dependendo do partido na sua subsistência, tendem, mesmo que não queiram, a ser movidos pela sua própria sobrevivência partidária. Essa motivação ajuda a explicar a dificuldade que todos têm, neste momento, em compreender e assimilar o momento de emergência nacional que se vive.
      É, em parte, esse instinto de sobrevivência que explica porque o PS não corre riscos na oposição e se limita a esperar que o poder lhe caia no colo. Que explica, em parte, porque o PCP e o Bloco tendem a ter uma posição imobilista na construção de alternativas e preferem manter o satus quo à esquerda. E porque é que, mesmo quando ninguém acredita neste governo e nas suas soluçõesnão há uma revolta no PSD e no CDS. Pela rede de dependências que criam (e esta é apenas uma delas), os partidos são mais conservadores do que o resto da sociedade.
      Repito: o problema é de todos. E obriga os partidos políticos a repensar a sua própria organização. Com o risco de se transformarem em espaços isolados do resto da sociedade, incapazes de reagir às suas necessidades e onde o uso da liberdade individual é uma excêntrica exceção de gente que tem um estatuto económico suficientemente confortável e uma ambição suficientemente contida que lhe permita dar-se ao luxo de correr riscos


Publicado por Xa2 às 07:47 de 06.12.12 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

UMA CARTA A CAVACO SILVA

Meu caro Ilustre Prof. CAVACO SILVA,
Tomo a liberdade de me dirigir a V. Exa., através deste meio
[o Facebook],  uma vez que o Senhor toma a liberdade de se dirigir a mim da mesma forma. É, aliás, a única maneira que tem utilizado para conversar comigo (ou com qualquer dos outros Portugueses, quer tenham ou não, sido seus eleitores).
Falando de eleitores, começo por recordar a V. Exa., que nunca votei em si, para nenhum dos cargos que o Senhor tem ocupado, praticamente de forma consecutiva, nos últimos 30 anos em Portugal (Ministro das Finanças, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Primeiro Ministro, Presidente da República, Presidente da República).
No entanto, apesar de nunca ter votado em si, reconheço que o Senhor: 1) Se candidatou de livre e espontânea vontade, não tendo sido para isso coagido de qualquer forma e     foi eleito pela maioria dos eleitores que se dignaram a comparecer no acto eleitoral; 2) Tomou posse, uma vez mais, de livre vontade, numa cerimónia que foi PAGA POR MIM (e por todos     os outros que AINDA TINHAM, nessa altura, a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus     impostos); 3) RESIDE NUMA CASA QUE É PAGA POR MIM (e por todos os outros que AINDA TÊM a boa ventura de     ter um emprego para pagar os seus impostos); 4) TEM TODAS AS SUAS DESPESAS CORRENTES PAGAS POR MIM (e pelos mesmos); 5) TEM TRÊS REFORMAS CUMULATIVAS (duas suas e uma da Exma. Sra. D. Maria) que são PAGAS por     um sistema previdencial que é alimentado POR MIM (e pelos mesmos); 6) Quando, finalmente, resolver retirar-se da vida política activa, vai ter uma QUARTA REFORMA     (pomposamente designada por subvenção vitalícia) que será PAGA POR MIM (e por todos os outros     que, nessa altura, AINDA TIVEREM a boa ventura de ter um emprego para pagar os seus impostos).
Neste contexto, é uma verdade absoluta que o Senhor VIVE À MINHA CUSTA (bem  como toda a sua família directa e indirecta).
Mais: TEM VIVIDO À MINHA CUSTA quase TODA A SUA VIDA.
E, não me conteste já, lembrando que algures na sua vida profissional: a) Trabalhou para o Banco de Portugal; b) Deu aulas na Universidade.
Ambos sabemos que NADA DISSO É VERDADE.
BANCO DE PORTUGAL: O Senhor recebia o ordenado do Banco de Portugal, mas fugia de lá, invariavelmente com gripe, de cada vez que era preciso trabalhar. Principalmente, se bem se lembra (eu lembro-me bem), aquando das primeiras visitas do FMI no início dos anos 80, em que o Senhor se fingiu doente para que a sua imagem como futuro político não ficasse manchada pela associação ao processo de austeridade da época. Ainda hoje a Teresa não percebe como é que o pomposamente designado chefe do gabinete de estudos NUNCA esteve disponível para o FMI (ao longo de MUITOS meses. Grande gripe essa).
Foi aliás esse movimento que lhe permitiu, CONTINUANDO A RECEBER UM ORDENADO PAGO POR MIM (e sem se dignar sequer a passar por lá), preparar o ataque palaciano à Liderança do PSD, que o levou com uma grande dose de intriga e traição aos seus, aos vários lugares que tem vindo a ocupar (GASTANDO O MEU DINHEIRO).
AULAS NA UNIVERSIDADE: O Senhor recebia o ordenado da Universidade (PAGO POR MIM). Isso é verdade. Quanto ao ter sido Professor, a história, como sabe melhor que ninguém, está muito mal contada. O Senhor constava dos quadros da Universidade, mas nunca por lá aparecia, excepto para RECEBER O ORDENADO, PAGO POR MIM. O escândalo era de tal forma que até o nosso comum conhecido JOÃO DE DEUS PINHEIRO, como Reitor, já não tinha qualquer hipótese de tapar as suas TRAPALHADAS. É verdade que o Senhor depois o acabou por o presentear com um lugar de Ministro dos Negócios Estrangeiros, para o qual o João tinha imensa apetência, mas nenhuma competência ou preparação.
Fica assim claro que o Senhor, de facto, NUNCA trabalhou, poucas vezes se  dignou a aparecer nos locais onde recebia o ORDENADO PAGO POR MIM e devotou toda a vida à sua causa pessoal: triunfar na política.
Mas, fica também claro, que o Senhor AINDA VIVE À MINHA CUSTA e, mais ainda, vai, para sempre, CONTINUAR A VIVER À MINHA CUSTA.
Sou, assim, sua ENTIDADE PATRONAL.
Neste contexto, eu e todos os outros que O SUSTENTÁMOS TODA A VIDA, temos o direito de o chamar à responsabilidade: a) Se não é capaz de mais nada de relevante, então: DEMITA-SE e desapareça; b) Se se sente capaz de fazer alguma coisa, então: DEMITA O GOVERNO; c) Se tiver uma réstia de vergonha na cara, então: DEMITA O GOVERNO e, a seguir, DEMITA-SE.
Aproveito para lhe enviar, em nome da sua entidade patronal (eu e os outros PAGADORES DE IMPOSTOS), votos de um bom fim de semana.
Respeitosamente, Carlos Paz

 

(recebida via e-mail e publico-a por me rever, em absoluto, nela)



Publicado por DC às 12:28 de 27.11.12 | link do post | comentar |

A REFUNDAÇÃO DE PORTUGAL E O GOVERNO ACTUAL

Ao que nós chegamos!

A vinda dos técnicos de um dos nossos "tutores", o FMI, para determinarem onde se vai cortar nos gastos públicos é bem ilustrativa, se alguma duvida ainda subsistisse, da incompetência e do completo desastre que tem sido e continuará a ser (se não for demitido) o actual governo.

As oposições, que não foram capazes apresentar propostas mobilizadoras da opinião pública e dos portugueses, também elas mesmo têm muitas culpas na actual situação. Por acção e por omissão, de algum modo, têm contribuído para o actual descredito popular. Poderiam, ainda que simbolicamente, abandonar por algum tempo a Assembleia e juntarem-se, enfrente dela, ao povo.

Como é que alguém, vindo de fora, que não conhece, minimamente, a realidade social e cultural dos portugueses, alguém que não conhece o terreno do próprio país é que vai dizer ao governo o que deve fazer. Vai, com certeza que vai, e nós também vamos pagar muito mais caro tais propostas. Aposto que nenhuma delas incidirá nem no combate a evasão fiscal nem na fuga dos capitais para paraísos fiscais, o que bastaria para obter varias vezes os necessários 4.000 milhões de euros

Mais uma vez vamos ser obrigados a pagar múltiplas vezes o serviço que os eleitos, para isso o foram, deveriam fazer. Pelos vistos nem os governantes, nem os funcionários do Estado, nem os deputados na Assembleia da República nem o Presidente da República fazem o que seria suposto fazerem.

Os primeiros, os governantes, não dão trabalho aos técnicos do Estado, para fazer os necessários pareceres técnicos, por lhes ser mais conveniente mandá-los elaborar a certos escritórios de advogados, depois argumentam que há funcionarizo públicos a mais. Assim amealham de um lado e do outro.

Muitos deputados trabalham para tais escritórios e para interesses inconfessados, numa vergonhosa e sem precedentes promiscuidade, em vez de desempenharem, com abnegação e exclusividade, as tarefas para que os seus eleitores os elegeram.

O Presidente, a tudo isto assiste, sem ter a coragem, necessária e suficiente, para tomar medidas de, como jurou, fazer cumprir a Constituição da República.

Será que o Presidente da República não tem a mínima noção do que deveria fazer a um governo que já deu mostras inequívocas de incompetência, que já deu provas de desgoverno, que já nos envergonhou e prejudicou vezes sem conta?

Se não tem eu permito-me, enquanto cidadão cumpridor das minhas obrigações e cioso dos meus direitos de cidadania, sugerir-lhe o que deve fazer, com a máxima urgência: DEMITA-O.



Publicado por Zé Pessoa às 13:33 de 05.11.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

OS MÉDICOS, OS CANGALHEIROS E O MORTO

   

Hoje fui à Assembleia da República assistir ao debate do Orçamento de Estado para 2013.

Devo dizer que embora se designe, aquele espaço, como a “casa da democracia” fiquei com a ideia que já ali se não aprende nada e a gente sai de lá com os ouvidos a sangrar de tanta agressão e disparate ouvir. O que ali se vê e se ouve tem tanto de deslumbrante como de demagógico e de disparate, como de agressão a quem lhes paga e a quem tanto massacram. É uma completa decepção.

Mas indo aos factos e fatos que as actuais circunstâncias e as vontades de quem manda nos impõem, conforme nos querem fazer crer, a verdade é que estamos entalados entre quatro tabuas.

Aqueles que nos doseiam a receita e nos fazem engolir a medicação, cada vez em doses mais reforçadas, dizem que não há outro remédio para salvar um país doente por males apanhados devido a festas e andanças para as quais tal gente nos empurrou.

Tais curandeiros reforçam, quando o seu argumentário lhes começa a faltar, que o referido caminho (prescrição do receituário e doseamento) é aconselhado por uns senhores troikianos, já habituados, experimentadamente, a esmifrar outros doentes. Sabemos bem que essa troika vem ao que vem e vem ao serviço de certos “laboratórios internacionais” que se fazem pagar através de rendosos e usurários juros.

Uns e outros são sabedores que nem a receita nem os doseamentos melhoram a saúde do doente, nem isso alguma vez foi a sua intenção. O que sabem, uns e outros (o doente ainda mais) é que de doente já passou a moribundo e a seguir virá a morte (para alguns já chegou).

Uns e outros, médicos e cangalheiros, agora preocupam-se, já não com a cura do doente, mas sim com a extorsão da herança do defunto.

A “refundação” que o médico-chefe pretende levar a cabo é bem reveladora da estratégia e do que pretende. A situação do deficit agravou-se, são previsíveis rupturas sociais, ainda há muito património e actividades publicas a ser entregues a especuladores e experientes parceiros que, de futuro, garantirão lugares muito bem pagos aos amigos de ontem, de hoje e de amanha. Á que agir com rapidez.

Para que tudo isto seja feito por um governo sem escrúpulos é conveniente que tais medidas estejam inscritas, num qualquer memorando de ajustamento assinado com a troika, de modo a justificar o aperto preconizado.

Antes de solicitarmos a intervenção de uma qualquer associação de defesa do consumidor para mediar o reescalonamento da divida, à semelhança do que é feito, tardiamente, com os devedores particulares junto dos bancos, (ninguém agiu quando os bancos forçavam os clientes a ter os tais cartões!) ou de estarmos todos mortos o governo acautelará a alienação dos transportes e aeroportos, venderá quartéis, bombeiros e militares. Entregará, à iniciativa privada, hospitais, centos de saúde, SNS, Caixa Nacional de Pesões, CGA e ADSE.

Com a política da refundação o governo alienará, a privados, a gestão dos tribunais e prisões, o Instituto do emprego e formação profissional.

O próprio governo será entregue a Bruxelas e os Passos do Conselho passarão, definitivamente, a ser passos perdidos.

Mas, é curioso! Para que quererão eles isto tudo se o país estiver, então, completamente morto?



Publicado por Zé Pessoa às 19:12 de 30.10.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

JÁ FOMOS ENGANADOS. TANTAS VEZES!

Mais uma vez, já fui enganado, outra vez e uma vez mais. É como diz o provérbio “não há duas sem três” mas, tanta vez arre burro que é demais!

Mais uma vez fui enganado porque, em terra de touros e de outro mais gado, não fui capaz de ser moço forcado e o boi da cidadania não ter pegado.

Mais uma vez, já fomos enganados, por no poder em nosso nome ter, outra vez, colocado os mesmos de democratas disfarçados.

Mais uma vez fui enganado por não saber para que lado é que me viro, para que lado, se nenhum actual partido demonstra ser honrado.

Mais uma vez fomos enganados, desde Cavaco até ao Sócrates José, toda a gente engana o, povinho, Zé.

Mais de uma vez já fui enganado, não há duas sem três, mas desta vez fui enganado por um amigo do peito que escrevia torto em caminho direito.

Mais uma vez já fui enganado, nesta sociedade de tanto engano, e é por isso que muitos jovens se vêm obrigados a fazer as bagagens, mandam o país para o catano, procurando melhores paragens.

Mais uma vez muitos foram enganados, por um Passos Coelhone sem nenhuma sensatez, cada vez que meta a boca no trombone é para lixar, outra vez, o povo português. Quem se não lembre veja aqui - http://www.youtube.com/watch?v=gNu5BBAdQec

Mais uma vez já fui enganado, vou-me embora, não quero mais viver num país incapaz, de por os banqueiros, políticos e empresários corruptos na Boa Hora.

Mais uma vez já fui enganado e não é caso para rir, é coisa demasiadamente séria, e para não ser mais aldrabado não sei em quem irei votar a seguir.

Mais uma vez já fui enganado, tanto no país como na freguesia ou na cidade. Por mim, no próximo ano, ficarão sem governo se não houver, nos democratas, unidade. É palavra de homem honrado, e mesmo assim arrisco-me a ser, outra vez, enganado.



Publicado por Zurc às 19:17 de 28.10.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Hipocrisia e sem-vergonhice

Agora até o outro Pedro, o Santana Flopes, um esbanjador de dinheiros públicos em autarquias e Santa Casa Misericordiosa de Lisboa, defende (no programa prova dos 9) para Portugal a solução Islandesa. Vejam bem as voltas que o mundo dá para que tudo fique na mesma.

É bem capaz de ter razão, ainda que eu não concorde com ele, aquele pastor que disse às suas ovelhas que não adiantam nada as manifes e que nem com outra revolução lá iria. Cá por mim, acho que vai lá quando o povo, ele próprio, mudar de mentalidade e pegar numa grande vassoura.

 



Publicado por Zurc às 23:47 de 25.10.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Nunca houve tantos

Tropecei numa pedra porque fui incapaz de, a tempo, desviar de caminho.

A espaços temporais, de curta distancia, ora nos dizem uma coisa ora nos afirmam coisa diferente, sem contudo darem mostras ou quaisquer indícios, minimamente sérios, de mudar de caminho.

Ora afirmam que o endividamento é profundamente excessivo e que é urgente por os burros a pão e água, ora a seguir juram a pés juntos que com esta receita os animais morrem como sucedeu ao cavalo do inglês, sendo por isso necessário tomar medidas que visem o crescimento económico e a criação de riqueza.

Os que ainda ontem diziam, com veemente convicção, não haver outra receita possível para a cura de todos os males que nos foram impingindo durante os últimos 20 anos, tanto mais que é prescrita pelos iluminados sábios da troika, e que o sacrifício não iria além de três anos, agora consideram ser uma loucura e que é mister alargar o período de tratamento, reduzindo a doze, como forma de lograr a cura publica e privada.

Os medos, que a prol se agite e se descontrole, começam a ser tantos que até já o representante, cá no burgo, de sua eminência o Papa se manifesta contra manifestações, o que não deixa de uma grande contradição em si mesma. Porque diabo de legitimidade democrática deveria ser permitido que sua eminência se possa manifestar televisivamente e os outros burros se não poderiam manifestar na via pública?

Conforme li algures, se eu pudesse dar conselhos e mos aceitassem dizia; tomem juízo e deixem de olhar só para os números e passem a ver as pessoas que andam por aí e a quem tanto mal andam a fazer.

Como ninguém aceita os meus conselhos, nem eles chegariam a quem deveria, apenas me resta dizer: burros, nunca houve tantos e com livros. Embora se saiba que, no relvado da política, nem todos os burros sejam doutores, como inversamente, nem todos os doutores são burros, a lusófona que o diga. Alguns são chico-espertos.



Publicado por Zé Pessoa às 22:23 de 18.10.12 | link do post | comentar |

Cheques em branco ou fiadores de ladrões?

Nunca estiveram tão actualizadas as palavras de José Afonso: “eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada…”

Há quem afirme, dizendo ou escrevendo, que o voto é uma espécie de cheque em branco que o eleitor passa ao partido em cuja lista de deputados ou de autarcas vote. Não deixa de ser, de certo modo verdade visto que depois dos votos contados o eleito passa a responder às vontades e estratégias partidária e não aos compromissos assumidos perante quem efectivamente os elegeu, os eleitores.

Mas não houve alguém, já há muitos, muitos, muitos, muitos, anos que disse e escreveu que " a economia era algo muito sério para deixar só nas mãos dos economistas"?

Não será que o mesmo principio se deve aplicar aos políticos dizendo que "a política é algo muito, mesmo muito sério para deixarmos os políticos à solta?"

E o que foi que nós fizemos? Deixamos os políticos à solta depois de os votar em ciclos quadrienais.

Quando um sistema democrático se corrompe, ao nível da corrupção que chegou actualmente o nosso sistema de representação, que nos obriga a suarmos lágrimas de sangue como as que nos são agora impostas não podemos deixar de concluir, pelo menos, duas considerações:

A primeira é que tudo isto é, também, resultado do que semeamos ou deixamos que alguém semeasse em nosso nome e por nossa conta. Fomos fiadores de ladrões.

A segunda é que, sendo um povo digno e querendo assumir, comprovadamente, mudanças de rumo terá de assumir o debate do sistema político em que temos vivido neste últimos trinta anos. É tempo de debater, dentro do regime democrático, as virtudes e defeitos, falhas e anacronismos, alterar aperfeiçoando o regime de representação política, as formas de exercício de democracia representativa e de exercício de democracia directa.

Dito de outra forma, determinar, mais clara e inequivocamente, o que aceitamos, na gestão da rés-publica, seja executado por representantes do povo e quais as matérias em que cada caso em cada circunstância o povo deva deliberar directamente e quais as matérias que o deve fazer ao nível da freguesia, ao nível municipal, ao nível regional e ao nível nacional.

Não é debater o sexo dos anjos, de resto são práticas há muitas décadas exercidas por democracias consolidadas onde a responsabilização é partilhada entre povo e quem exerce actividade política e de gestão em seu nome. Basta pois, adaptarem-se, à nossa realidade concreta, práticas que outras sociedades vêm experimentando com sucesso.

Então não é roubarem-nos o dinheiro que nos cobram nos impostos com os quais se fazem pagar quando aprovam diplomas que os próprios proponentes têm dúvidas da sua legalidade como sucedeu com o diploma que aprovaram sobre a reforma administrativa de Lisboa e que Cavaco Silva devolveu com um valente raspanete?

Já, quase, ninguém se lembra e muito menos há quem pergunte o que espera a Assembleia da República para resolver o imbróglio.

 



Publicado por Zé Pessoa às 20:06 de 13.10.12 | link do post | comentar |

Contestar o funcionamento do regime é afirmação de um povo

 

Sim, são importantes as manifestações de contestação às, desastrosas, politicas que nos têm vindo a impor, sobretudo, pelos maus resultados que delas emergem.

Andaram a enganar-nos com uma pomposa sigla que, de todo, nunca lhe correspondeu qualquer realidade, era o PEC: Plano de Estabilidade e Crescimento. Nunca promoveu qualquer estabilidade e de crescimento só para os especuladores usurários e oportunistas do situacionismo, os mesmos de sempre.

Agora atiram-nos com um brutal aumento da, erradamente, chamada Taxa Social Única, quando toda a gente sabe que nem é social e muito menos é única. Nos tempos actuais TSU mais parece corresponder, e a traduzir a expressão de “Troikos Sanguessugas Unguiformes”.

Há quem afirme que “o povo não é contra o regime, o regime é que está contra o povo”, talvez o mal resida nisso mesmo. Pergunto não será tempo do povo se revoltar e se manifestar contra o regime e propor, debatendo com seriedade, um novo regime?

Não deveríamos debater a construção de um novo regime, um regime onde sejam claras as fronteiras e os conteúdos da democracia directa e a democracia representativa?

Debater a constituição de um regime onde estejam, mais claramente, determinadas as responsabilidades e os mecanismos de controlo por parte dos eleitores sobre o comportamento dos eleitos;

Fazer aprovar um regime onde não seja necessário alterar, repetidamente e sempre no mesmo sentido ideológico, a Constituição da República e onde se consagre que, quando tal for promovido fazer-se, seja feito por via de referendo popular e não pela maioria de dois terços de deputados com assento na Assembleia da República onde a promiscuidade de interesses se tornou escandalosa.

Acham que, mesmo mudando os deputados, se pode confiar, de ânimo leve, nos eleitos?

Cá por mim já nem de ânimo leve nem de ânimo pesado, a avaliar pela forma como são constituídas as listas e o estado, lastimoso, em que se encontram, no presente, os partidos políticos (verdadeiros esquemas aparelhistícos de controlo de interesses marginais) são uma, real, negação intrínseca do regime democrático.

É por tudo isso, por tudo o que aqui no LUMINÁRIA se tem feito eco, por tudo aquilo que muitos outros, como nós, se não tem cansado de esgrimir contra ventos e mares de mau agoiro, se leva a efeito, no próximo dia 5 de Outubro, o Congresso Democrático das Alternativos.

Daí se espera comecem a surgir ideias novas para um exercício de uma nova democracia. Uma democracia responsável, refundada na razão, na ética e na virtude solidária.



Publicado por Zé Pessoa às 18:55 de 27.09.12 | link do post | comentar |

PINÓQUIO II

MARCADORES:

Publicado por [FV] às 17:44 de 23.09.12 | link do post | comentar |

Polícias com lágrimas nos olhos

Na manifestação do passado dia 15 de Setembro frente à Assembleia da República alguns manifestantes questionaram os polícias para que, em vez de estarem a ser sujeitos às garrafas, pedras e petardos que com indignação alguns manifestantes lhes arremessavam, porque se não juntavam ao povo em nome dos seus próprios interesses e do futuro dos seus filhos?

Eu sei, não estive nas escadarias da Assembleia da República, mas o meu filho estava lá e foi um dos que dialogou com os "agentes da autoridade" tendo alguns deles afirmado, com lágrimas nos olhos, que muito gostariam de estar do lado oposto ao que estavam.

Os polícias perguntaram-lhe porque usava um colete salva vidas na manifestação tendo respondido: "com um governo como este a meter tanta água e o país a afundar-se desta maneira, não sei se mesmo assim me safo".

Já não basta usar colete é preciso varrer com este estado de coisa e com estes, incompetentes e mentirosos, políticos. Afinal parece que já não têm a segurança que julgam ter!

 

 



Publicado por DC às 15:44 de 19.09.12 | link do post | comentar |

A Passos de Coelho

Toskiados com dor e até à medula

António Borges e Passos Coelho, assim como Miguel Relvas, Paulo Portas e Cavaco Silva, não são mais nem menos que bons alunos, agora sob a batota (batuta reles) da Tróica e a mando das filosofias gestionárias e ideológicas mundialmente consagradas, nos livros secretamente distribuídos, pelos ideólogos do Goldman Sachs.

Podem jurar a pés juntos e pelas alminhas de quem lá têm que actuam em nome de Portugal e segundo os cânones dos interesses do povo português que já pouca gente poderá acreditar, muito menos agora com mais estas cavadelas na sepultura económica dos trabalhadores portugueses e da economia interna nacional.

Aliás, com tais políticas e tal submissão aos interesses externos, interesses de quem nos explora até à medula, será melhor mudar o nome do país e dos portugueses; o país pode passar a chamar-se Troikistão e aos seus, desgraçados espoliados, habitantes fica-lhes bem o epíteto de troikistaneses.

Tão toskiados estamos que daqui a pouco nem coiro teremos onde possa crescer qualquer vestígio laneiro.

Devem andar revoltos os espíritos dos nossos antepassados, que tantos novos mundos deram ao mundo, ao se aperceberem de tantas e tão graves submissões, por parte de seus descendentes, a tais perniciosas filosofias económicas e sociais.

Mais parece que se aproximam dias de escravidão para os jovens, para desempregados, para trabalhadores, para reformados, para os pequenos empresários que vivem do mercado interno e para povo em geral.

Não será isso que nos espera se aceitarmos manter como nossos governantes quem promete uma coisa em campanha eleitoral e faz o inverso quando chegados ao poder?

O povo aceitará, e sem ripostar minimamente, esse desiderato?

Porque nos escondem, quase ninguém fala ou escreve, a experiencia islandesa?

Porque será que, entre nós, nunca ninguém (os detentores do poder) esteve interessado em fazer auditorias às aplicações dos dinheiros públicos que “obrigaram” à tão elevada divida soberana?

É mais fácil e conveniente, aos políticos e deputados na nação, fazer apertar o cinto aos fracos do povo do que apertar a garganta aos gulosos na medida em que são estes a garantir, impunemente, putativas colocações no privado, chorudamente remuneradas.



Publicado por DC às 18:07 de 09.09.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Política: globalização e consumo vs vida e desenvolvimento sustentável

José "Pepe" Mujica presidente do Uruguai:  um HOMEM

     Que político é este José Mujica (n.: 1935)?   É o presidente do Uruguai (República Oriental do U.).
Realmente não tem aspecto de político moderno, nem gravata nem patuá nem aqueles gestos largos para o eleitorado... E diz coisas tão, tão, como direi... disparatadas como esta "não podemos ser governados pelos mercados, temos de ser nós a governar os mercados". Está-me a parecer que não é um político com aquela estatura a que estamos habituados. Não tem o traquejo nem o "look" dos nossos grandes líderes políticos do momento. Compara-se lá com o nosso Coelho, ou o nosso Relvas ou o nosso Cavaco. Não deve ter tido a tarimba das jotas nem os créditos doutorais da  Lusófona. Penso eu... 
     Depois de ver e ouvir o seu discurso (aqui em baixo) na recente cimeira do Rio+20, fui num instantinho ao Google saber mais alguma coisa sobre este político que... nem parece um político, destes modernos.
     CAMPONÊS - Então não é que o homem - estava-se mesmo a ver - era e continua a ser um camponês, tem umas courelas, pequeninas, nos arredores da capital, Montevideu, onde cultiva e vende flores. É do que tem vivido. Tem um carro carro de 1987 e a mulher outro. Uns chaços.
     PRESIDENTE - Desde que foi eleito presidente lá conseguiu então um belo ordenado 10.000 euros por mês. Mas fica só com 1.000, dá os restantes para obras sociais. Numa entrevista ao Globo desculpou-se dizendo que há muitos cidadãos uruguaios que vivem com menos. E não quiz ir viver para o palácio. Continua a viver na casita dos arredores e não quer, atrás dele, os 20 ou 30 guarda-costas a que tem direito.
     Não estou a ver um político a sério, por exemplo, o nosso Aníbal a viver numa quintinha, com uma horta, em Loures e dar a massaroca que ganha em Belém mais as reformas, para obras sociais. Nem os "mercados" que ele venera, achariam bem!
O despautério é tal que agora, quando chegou o inverno (lá para baixo no Uruguai o inverno é no verão, é tudo ao contrário de cá...) deu ordem para abrigar no palácio, que estava às moscas, os sem abrigo da capital...
     Fui espiolhar mais. O homem foi, afinal, um dos guerrilheiros fundador do movimento revolucionário TUPAMAROS e bravo lutador contra a ditadura. Esta não perdoou e fê-lo passar 13 anos na cadeia até que foi derrubada.
Sempre ativo na política foi eleito deputado e depois eleito senador. Aí enamorou-se e casou-se com uma senadora que vive com ele lá na quintinha, dos arredores de Montevideu. Foi ainda ministro do anterior governo de esquerda e foi eleito PR para o mandato de 2010-15.
     Em suma, a política não é monopólio de corruptos nem de gente que só quer tratar (da sua) vidinha. Há gente séria e honrada e até pessoas, uma espécie de santos (mas guerrilheiros quando é preciso!) como José "Pepe" Mujica que daqui, humildemente, saúdo.
Eis o seu currículo no site da Presidência do Uruguai  ou um artigo no ABC, um jornal de direita, aqui de Espanha, que titula José Mujica, o presidente do governo «mais pobre» do mundo.  
     Importante ver seu discurso (sobre desenvolvimento sustentável, mercados, consumo, ... POLÍTICA ):


Publicado por Xa2 às 07:56 de 03.09.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Cidadãos (e políticos) de qualidade

  Farto de burlões e escumalha engravatada ...  prefiro gente com cabeça e mérito próprio :

 

        

 
 
 
         ... a continuar ...
 
 
 


Publicado por Xa2 às 07:42 de 03.09.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Adiar a renegociação até ao saque total

     Contagem decrescente para o terrível mês de Setembro  (-por Daniel Oliveira, Arrastão)

   O que se temia é cada vez mais provável: o FMI pode vir a pôr-se de fora da tragédia grega. A Grécia poderá declarar falência em Setembro e muito provavelmente será obrigada a sair do euro. E, bem vistas as coisas, é já a única solução racional que lhe resta. Tudo isto sem que o Syriza, que significaria o fim da Grécia, tivesse chegado ao poder.
      O esforço inaudito dos gregos não serviu para coisa alguma. Era evidente que seria este o desfecho. Claro que quem se recusa a ver a impraticabilidade da aplicação de uma agenda recessiva para sair da crise, quem ainda acredita que é possível manter uma moeda única sem uma profunda reforma institucional e democrática da União e quem aproveita esta crise para, em vez de a ultrapassar, impor a sua agenda ideológica, continuará cego. Claro que o ministro da economia alemão já não se assusta, segundo as suas próprias palavras, com a saída da Grécia do euro. O trabalho alemão está terminado - a transferência da dívida para outros está garantida e o saque do que ainda podia ser saqueado está feito.
      A narrativa continuará a ser a de que foram os gregos que não aplicaram uma receita com futuro. Ela esbarra com o que se está a passar em Portugal. O escrupuloso cumprimento, com um humilhante zelo, do memorando da troika tem tido, em todos os indicadores, péssimos resultados. Não há como o dizê-lo com meiguice, Portugal arrisca-se a ser o próximo candidato à saída do euro. E depois de nós, outros virão. Aquilo a que estamos a assistir, se nada for feito, é o começo da derrocada do euro e do projeto europeu. A cegueira da inconsciência alemã (mas não só), satisfeita com os juros negativos que a desgraça dos outros lhe garante, dificilmente o compreenderá.
      É arriscado fazer qualquer prognóstico sobre o que acontecerá na Europa e em Portugal nos próximos meses. Mas, como a evolução económica a que temos assistido, é possível que Portugal tenha, depois de Setembro, de fazer uma escolha: ou apresenta um plano de financiamento autónomo, que dê ao FMI garantias de sustentabilidade, ou assinaum novo memorando com a troika, ainda pior do que o anterior. Qualquer uma das duas opções implicará mais austeridade, mais crise, e ficar ainda mais longe do objetivo que a troika diz querer garantir: o pagamento da dívida.
      Não nos espera, no campo das soluções que a troika defende, nenhuma solução com qualquer futuro. Mesmo para quem acredite que o pagamento integral da dívida é matematicamente possível (ou seja, quem acredita que a vontade é independente da realidade dos números), a recessão que as receitas da troika impõe só nos afastam desse mirífico objetivo.
      Sem uma mudança, nos próximos dois meses, na Europa (tão improvável), restam a Portugal três alternativas:uma renegociação radical do memorando e uma reestruturação profunda do pagamento da dívida;a saída do euro, seguindo um caminho de enormes sacrifícios que, apesar de tudo, nos permitirá reconquistar alguma capacidade de decisão económica e política; ou adiar uma destas escolhas, para que ela venha num momento em que seja ainda mais difícil sair do buraco em que ainda nos estamos a enfiar.
      Se nada fizermos, haverá um momento em que o ministro da economia alemã dirá, sobre Portugal, que a nossa saída do euro já não o assusta. Esse será o momento em que entrará na cabeça de tanta gente que a credibilidade económica de um país se mede em números, não em certidões de bom comportamento. Já não causamos dano? Então vamos à nossa vida. É assim que as coisas funcionam. Por isso, era enquanto poderíamos causar dano que deveríamos ter batido o pé. Temo que já seja tarde demais.
      Nenhuma das escolhas que nos restam - renegociação ou saída do euro - é fácil. Nenhuma é segura. Nenhuma nos dá um futuro animador. Mas a ideia de que é possível continuar a ter como única estratégia a de ser bom aluno, à espera de um prémio que nunca virá, é irresponsável e infantil. Em Setembro poderemos ser confrontados com a inconsistência desta estratégia. Sei do que se lembrarão nessa altura: de um governo de salvação nacional dirigido pelos que nos deixaram chegar até aqui. No meio das tragédias, há quem se salve sempre.
             FMI quer cessar ajudas à Grécia  (-por Sérgio Lavos)
     Andaram os dirigentes do criminoso centrão grego a prometer mundos e fundos ao povão com medo dos papões do Syriza para isto: o FMI ameaça fechar as torneiras, contrariando as "promessas" ao povo grego de que iriam continuar a financiar o país caso o Syriza não ganhasse.

    Tendo em mente que a Grécia está um ano adiantada em relação a nós, recapitulemos:   com o primeiro e segundo resgates helénicos, os bancos internacionais (sobretudo alemães) recuperaram os empréstimos que tinham concedido durante os dez anos anteriores. A dívida pública neste momento está nas mãos da banca grega. A Alemanha e os países do Norte podem agora deixar cair a Grécia tranquilamente, nada lhes acontecerá.

    Portugal vai seguindo nos passos da Grécia: os países europeus estão cada vez menos expostos à nossa dívida, e se tivermos de sair do Euro, quem sofrerá são os nossos bancos - nós, o povo, já estamos a sofrer há um ano.

   Onde pára?   Em Espanha, que já viu dinheiro a ser injectado sem necessidade de resgate directo ao Estado, e em Itália, cujo tecnocrata não-eleito, Mario Monti, se vai opondo como pode às políticas de Merkel.  Somando tudo, o capitalismo predatório sairá sempre reforçado deste (breve?) abalo.

    "2012 vai marcar um ponto de viragem" - Vítor Gaspar, e faltam 161 dias para o ano acabar (-por Sérgio Lavos)

     Falemos dos objectivos do programa da troika. Será empobrecer o país, encolher salários, fazer com que Portugal caia bastantes lugares no ranking de desenvolvimento da OCDE ?   Se assim for, parabéns, em pouco tempo está a conseguir o desiderato.

     Portugal é o país da UE onde os salários mais caíram e onde a austeridade foi aplicada de forma mais desigual. As medidas estão a incidir quase exlusivamente sobre a classe média e baixa. Os privilégios de quem tem maiores rendimentos mantêm-se intocados (hoje a notícia é a manutenção dos subsídios para reformados do Banco de Portugal, o que certamente deverá ter deixado o reformado remediado Cavaco Silva a dar pulos de contentamento). E as consequências dos cortes na Saúde e na Educação certamente irão ser notícia nos próximos anos: a progressiva subida do país nos rankings de bem estar da OCDE vai sofrer certamente uma quebra abrupta. Conquistas do 25 de Abril, como um serviço universal de Saúde ou o acesso democratizado à educação, irão ser coisas do passado - e não é coincidência que por exemplo o ministro Nuno Crato esteja a recuperar práticas do Estado Novo para a área educativa.

      A cada avaliação, a troika dá boa nota ao seu próprio programa. O que não deixa de ser um notável exercício de cinismo. Os grandes objectivos do programa não irão ser cumpridos. A meta do défice (4,5%) é uma miragem em que apenas tolos continuam a creditar, tendo este crescido até aos 6,9% durante o primeiro semestre do ano. E a dívida pública, o grande problema da economia nacional, como não se cansam de repetir os evangelistas austeritaristas nas televisões e jornais, imagine-se, cresceu. Estamos neste momento nos 111,7%, acima dos 107,8% registados no qaurto trimestre de 2011 e bastante acima dos 90% registados aquando da entrada da troika. Um portento de execução orçamental.

      Está tudo a ruir. O "competentíssimo" Vítor Gaspar está a falhar todas as metas. O regresso aos mercados em 2013 é uma má piada. Mas a troika congratula-se com o sucesso do seu programa. Porquê? Apenas duas hipóteses. Ou não estão prontos a admitir os seus erros e a sua incompetência ou simplesmente o objectivo é outro: tornar Portugal a China da Europa, como Angela Merkel disse há uns tempos. Colaborando na tarefa, um Governo de idiotas ou de traidores dos portugueses? Venha o diabo e escolha.



Publicado por Xa2 às 13:40 de 23.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Desfazer mitos da direita e ... políticos na mão de banksters

          G4S  falha Jogos Olimpicos !  Bem feito  !!!!  (-

O desatino neo-liberal, desregulador e privatizador,  de que sucessivos governos britanicos têm sido instigadores a nivel europeu e global, acabou por  ter consequências: 
    O governo (de direita do R.U.) de Cameron entregou a segurança dos Jogos Olímpicos de Londres à duvidosíssima empresa privada  G4S, que admite agora ser incapaz de cumprir o contrato por nao ter conseguido "estudantes" e "desempregados" interessados em trabalhar pelos baixos salarios que oferecia.
    De uma penada, desfazem-se vários mitos : 
- que empresas privadas de segurança são realmente profissionais, mais eficazes e mais confiáveis do que Forças policiais  ou militares do Estado;
- que governos que privatizam funções de defesa e segurança que, por definição,  deveriam ser monopólio do Estado, actuam em beneficio dos contribuintes: os britanicos vão agora gastar mais, com menos garantias de preparação e ninguem lhes paga o gozo que estão a dar por esse mundo fora com a humilhação auto-infligida;
- que governos de direita como o de Cameron se preocupam especialmente com a segurança dos cidadãos.

    Enfim, desta vez voltou-se o feitiço contra os feiticeiros.
    Lamentavelmente nao tenho nenhuma esperança que  os aprendizes do governo português aprendam alguma coisinha com esta historia para moderarem  o afã privatizador, na area da defesa e da segurança e não só.


                    HSBC - mais banksters !

As autoridades americanas concluiram que há anos o banco global HSBC (Hongkong and Shangai Bank Corporation) lavava dinheiro para os carteis da droga mexicanos, as mafias russas e violava as sanções financeiras ao Irão (e tráfico de armas e ... e...).
Tudo previsivel, tudo imitado por outros bancos e tudo impossivel sem a concertação cumplice com outros bancos dirigidos por outros banksters!
Tudo operado através desses buracos negros da criminalidade organizada que sao os paraísos fiscais (offshores).
-Porque é que governos e instituições da UE e dos EUA nao se articulam pelo eliminação ou no minimo o controle dos paraisos fiscais?
-Será porque estão na mão de políticos que estão na mão dos banksters?



Publicado por Xa2 às 07:54 de 19.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

2018, O ANO SANTO DOS PORTUGUESES

Não é previsto que acabe o mundo nem que se verifique a ressurreição de nenhuma vida daquelas já acabadas, ou seja a chegada de nova vida para além da morte como muita gente, ainda, acredita e algumas igrejas apregoam.

Pondo de lado, com o devido respeito, crenças e religiões chama-se à atenção dos portugueses para a importância, quase vital, do ano de 2018.

Segundo suas santidades o papa Pedro Passos, os cardeais Gaspar e Relvas, além de outros bispos governativos, 2018 será o ano sagrado do regresso do período das luzes dos portugueses e de Portugal.

Ele é o regresso dos feriados, ainda não retirados totalmente, já é prometido para aquele sagrado ano o seu retorno;

É a devolução, ainda que sem reposição do sacado e provavelmente não na totalidade, dos subsídios de férias e de Natal aos funcionários públicos e outros similares que nem como tal eram considerados face à lei de vínculo laboral;

É o ano da devolução dos benefícios fiscais e das taxas moderadoras aos níveis do século passado;

É o ano do regresso das taxas de desemprego a níveis inferiores de cinco por cento considerada como taxa técnica admissível numa economia desenvolvida e em pleno funcionamento;

É o ano do regresso dos preços dos transportes públicos de passageiros e dos respectivos descontos a reformados e pensionistas, a jovens e famílias de fracos recursos económicos;

É o ano do regresso do funcionamento competente e em tempo útil dos tribunais;

É o ano do regresso do respeito pelos mais elementares princípios de justiça económica e social, segundo as capacidades e as responsabilidades que a cada um devem ser inculcadas;

É o ano do regresso da aplicação e respeito pelos mais elementares direitos e obrigações consagrados na Constituição da República e nas leis com ela conexas;

Enfim, a esperança é (deve ser) a ultima a desfazer-se e 2018 é um ano de esperança, pelo menos para o governo e para a igreja católica a avaliar pelo acordo em torno dos feriados, e não só.



Publicado por DC às 10:47 de 11.05.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Movimentos de cidadãos

Ainda o BPN e outras manigâncias corruptivas

Caros jornalistas, em primeiro lugar os meus modestos parabéns pelo profundo, importante e fundamentado tralho realizado.

Trouxe ao conhecimento publico, por via de um excelente trabalho, o DN e publicado durante oito dias em “Grande Investigação” há uma semana atrás.

Não restam quaisquer duvidas se é que ainda algumas havia de que os responsáveis de tão vergonhosa delapidação são gente da orbita do PSD e do PS, uns com responsabilidades materiais e outros de cobertura funcional não restando também duvidas dos interesses transversais de gente das duas agremiações partidárias.

Colocando de fora os respectivos partidos visto serem uma criação das pessoas, sejam elas de mérito ou como são o caso em apreço de demérito, a questão que se levanta, já tarda em coloca-la em pratica (muita gente a coloca), é porque cidadãos com tais conhecimentos como o são, inequivocamente, os jornalistas que levaram tão meritório trabalho à estampa e de tão elevada importância não assumam (a titulo de cidadania já que o DN tem de se manter com a necessária autonomia) a promoção de um movimento de cidadãos que promova a organização de um processo-crime contra certos e incertos de modo a que hajam consequências sobre tais praticas (acções e omissões) e sobre quem as praticou ou deveria ter agido e não agiu.

É possível que no plano interno “o manto do silêncio” continue a ser demasiadamente grande mas, não haverá uma qualquer forma de um certo tribunal nacional, europeu ou internacional de colmatar a inércia, a apregoada promiscuidade que tem existido entre juízes, tribunais e MP com os corruptos e ladrões de colarinho branco?

Então não é que os bancos, para sacar dinheiro de juros, retiram da conta os valores que uma pessoa tiver subscrito para um PPR mesmo que ela esteja a descoberto aplicando-lhe depois uma taxa de juros entre quinze e vinte e quatro por cento. Isto é que se chama dar com uma mão e tirar com quatro! Atenção às contas ordenado.

Muitos dos cidadãos comuns estarão dispostos a contribuir para que, pelo menos, se tente.

O caso da decisão do Juiz de Portalegre acalenta esperança de que algo pode algum dia mudar.



Publicado por Zé Pessoa às 09:16 de 09.05.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Não esquecer

Miguel Portas ,  1.5.1958- 24.4.2012

 

 . A morte de Miguel Portas não é somente uma enorme perda para a família e os amigos  mas também para a vida política do País, que ele tanto prestigiou, e para o Parlamento Europeu, de que era um dos mais empenhados membros.
Viveu a combater por causas, deixa a vida confrontando a morte anunciada da única forma que sabia: de frente! 

Em Gaza ou Lampedusa senti que valia a pena ser deputado" 

  O Miguel viajou muito em política e fora dela. Apesar de ser deputado europeu, nunca prescindiu de ir ao fundo dos fundos, dentro e fora da Europa. Penso que foi aí que encontrou o sofrimento mais agudo, mas também a dignidade mais improvável e um antídoto contra o “cretinismo parlamentar”, um dos seus maiores receios. De resto, ele era difícil de segurar. Quando tinha uma ideia, uma intuição política, um projecto, entusiasmava-se rapidamente e entrava em regime frenético.

   Isto apesar de não faltar ao pé dele quem o contraditasse. Antes pelo contrário, sempre preferiu rodear-se de pessoas que o criticavam, combatiam, azucrinavam e, basicamente, lhe faziam a cabeça em água. Aparentemente, sempre preferiu pensar e agir no meio da mistura e da heterogeneidade, um luxo de quem tem segurança nas suas convicções e confiança nas suas capacidades. Não impedia, claro está, que fosse teimoso como uma mula. Também ajuda quando se luta a vida inteira...

 

  Quem quiser saber mais e divulgar essa luta, pode ir ao Esquerda, que está a publicar várias coisas sobre ele. Ou ver e partilhar entrevistas entrevistas recentes à SIC, à Antena 1, ao Expresso e ao Jornal i. Ou ler os dois livros (“No Labirinto” e “Périplo”) e o documentário do segundo.Uma bela forma de aproveitar o 25 de Abril, depois da Avenida da Liberdade.

  O velório do Miguel terá lugar no Palácio Galveias este sábado, às 15 h. No domingo realiza-se uma sessão evocativa no Jardim de Inverno do Teatro S. Luiz, com início às 14h.    (-por J. Gusmão , Ladrões de B.)

        Até sempre Miguel   (-por M. Cardina, fotos de P. Matos)



Publicado por Xa2 às 22:00 de 24.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Poder político-partidário, universidade e outras ligações

O namoro com o poder nos bastidores de uma universidade

(-Público, 30.11.2011 -por Andreia Sanches, com José António Cerejo)

 Capa do livro de Rui Verde e que vai ser posto à venda Almoços de negócios em escritórios de empresas onde quase sempre há um “mordomo fardado de branco” e se come “invariavelmente peixe”, seja com “ministros, presidentes de bancos ou empresários”. Cumplicidades. Trocas de favores. Rui Verde, ex-dirigente da extinta Universidade Independente (como vice-reitor e presidente da direcção da SIDES, sociedade proprietária da UnI), um homem que desde sempre teve “uma certa inclinação pelo PSD”, escreve sobre as relações desta instituição de ensino privada com os políticos. E sobre a sua própria tentativa de aproximação à política – começou por tentar singrar contratando três agências de comunicação.

   No livro O Processo 95385 (de Rui Verde, Livros d’Hoje - Publicações Dom Quixote e Exclusivo Edições), aquele que é um dos 24 arguidos no processo Universidade Independente, a instituição de ensino privada que fechou portas em Outubro de 2007 a mando do então ministro Mariano Gago, fala também dos “jotas”, governantes e ex-governantes dos dois principais partidos políticos que passaram pela instituição de ensino. E dos dias na prisão. “Aqueles advogados caros que eu tinha sustentado ou aqueles que tinha lançado na profissão desapareceram. Fui preso sozinho.”
   Num processo que está ainda a decorrer, Rui Verde é acusado de burla, corrupção activa, falsificação de documentos e fraude fiscal. O seu livro é lançado hoje.
1. A Independente e os “jotas
   “A universidade era um meeting point [ponto de encontro] para os políticos”, escreve Rui Verde. Que claramente não tem grande opinião de muitos dos que lá passaram. “Jovens ambiciosos procuravam nela algum título para decorar a sua ignorância.”
   E continua: “Tivemos muitos alunos provenientes das chamadas ‘jotas’ (...) a maioria queria o diploma apenas por uma questão de respeitabilidade externa. Faltavam o mais que podiam às aulas, procuravam inventar as mais estranhas épocas de exame e o curioso é que a lei os favorecia: bastava uma candidatura qualquer e todo o processo de avaliação era subvertido. Não me recordo de favores concretos, mas recordo um laxismo e desinteresse completo pelo saber (...). Saber, para eles, é conhecer quem mexe os cordelinhos na concelhia, quem nomeia o director do hospital e por aí adiante.”
2. A Independente e os “ex” do Governo
   Se os “jotas” iam acabar cursos, os “ex” iam dar aulas, continua o livro de Rui Verde. “Outra gente que apareceu em barda na universidade foram os ‘ex’ (...) Quem saía dos governos buscava lá algum consolo intelectual e respeitabilidade pública – além de ir também, por vezes, procurar negócios. Geralmente, quando caía um governo já sabíamos que nos iam aparecer vários ex-ministros ou ex-secretários de Estado à porta.”
   Nunca iam directamente, diz. Eram sempre aconselhados por algum “amigo” que “dizia que fulano tal tinha imenso potencial e know-how e poderia ser uma excelente aquisição para a universidade.” O que acontecia depois dessas sugestões? “De um modo geral, fazíamos pressurosamente o convite. As questões raramente eram monetárias. Se bem que todos quisessem uma remuneração, o ponto estava em serem considerados professores universitários. A verdade é que todos começavam os anos lectivos, mas poucos os terminavam, entregando rapidamente a tarefa a assistentes.”
   Rui Verde admite que estes professores convidados não estavam na universidade para dar aulas, “mas para trocar favores”. O certo, lamenta, é que não foram assim tão gratos, lamenta. “Nunca obtivemos qualquer favor quando precisámos.”
3. O “gentleman” João Jardim
   Pela Independente passaram muitas figuras públicas – políticos, jornalistas, empresários. E sobre várias delas Verde tece considerações. Umas elogiosas. Outras longe disso. De Alberto João Jardim, por exemplo, Verde diz ter a melhor impressão. “Um verdadeiro gentleman. Acedeu a dar aulas através do contacto de um madeirense que leccionava na Universidade Independente. Encarregou-se do seminário final do curso de Administração Regional e Autárquica, curso muito inovador que formou vários quadros para as autarquias portuguesas (...) Deu as suas aulas de forma gratuita e com muito empenho.”
4. O “pecado original”
   A Independente nasceu com problemas. Começou mal, nas palavras de Verde. E acabou pior – numa “espiral de débitos terrífica”.
   A certa altura Rui Verde conta aquilo a que chama “a história de Saul Maia de Campos, o empresário de construção civil e vice-presidente do Futebol Clube do Porto”. Um dia, Maia Campos terá proposto a Luís Arouca, (reitor e) fundador da universidade, que instalasse a nova instituição de ensino que estava para surgir num edifício que estava a construir. “Em Setembro de 1993, na véspera da ocupação do edifício e um par de semanas antes da abertura da universidade e da sua primeira aula, surge o empresário nas instalações com um contrato na mão. Do seu Mercedes alongado, envergando o habitual fato amarelado, que condizia com o seu cabelo alouradamente pintado e os seus inesquecíveis sapatos de verniz branco, sai risonho e chama Arouca. Não assisti à conversa, mas sei que no fim Arouca surge branco, com um contrato na mão que oficializava a nossa permanência na universidade como arrendatários por um valor exorbitante. Os gestores da universidade assinaram o contrato e demitiram-se logo de seguida. Esse contrato criou um défice tremendo na gestão da universidade que nunca foi ultrapassado. Foi, para usar a linguagem bíblica, o pecado original da Universidade Independente.”
5. O “amigo” Jorge Neto
   Para dar “músculo financeiro e relacional” à instituição de ensino, procuraram-se apoios, escreve Rui Verde. “O papel do advogado Jorge Neto, por essa altura deputado do Partido Social Democrata e secretário de Estado da Defesa, foi central, pois, por mera amizade a mim, disponibilizou contactos com uma série de personalidades influentes do nosso mundo empresarial.”
6. Ilídio Pinho e os inebriantes almoços com o poder
   Ilídio Pinho, “dono de uma das maiores fortunas do país, homem do Norte, amigo de Mário Soares”, foi um dos empresários a quem foi pedida ajuda. Mas Verde lamenta que as lições de gestão que o “homem do Norte” procurou dar à Independente se limitassem a “cortar custos e cortar custos.”
   “Várias vezes fui ao seu escritório no Porto, ouvi-lo e tentar aprender alguma coisa. E aprendi, mas tive dificuldade em pôr em prática os seus ensinamentos”, escreve.
   E continua: “O escritório do comendador Ilídio Pinho fica numa torre moderna perto da Boavista e tem muitas salas com uma decoração minimalista, polvilhadas de quadros valiosos. As reuniões decorriam no seu gabinete, com uma bela vista, e terminavam com um almoço nas instalações – invariavelmente peixe. Peixe foi, aliás, o que encontrei sempre que almocei com ministros, presidentes de bancos ou empresários nas suas salas de jantar privadas. Não se pense que os negócios se fazem habitualmente em restaurantes caros. A maior parte destas pessoas tem salas de jantar nos seus escritórios, e é lá, no recato do seu cantinho, que recebem, acompanhados por um discreto mordomo fardado de branco, aqueles com quem querem conversar tranquilamente. O que se come nesses almoços não é importante. Importante é a ambiência – em que nos sentimos recebidos no sanctum sanctorum dos mais importantes e, por isso, ficamos com uma certa tendência a concordar com tudo.”
   Concordando ou não, Verde diz que ainda se esforçou por “organizar a universidade” como Ilídio Pinho recomendava, mas essas recomendações não se adequavam à realidade da instituição de ensino: “E num dia em que procurámos apresentar, no Conselho Geral, os resultados das nossas tarefas de racionalização e pedir-lhe apoio financeiro (não pessoal, mas junto do BES), levámos uma desanda monumental, como se fôssemos atrasados mentais. A nossa relação nunca recuperou desde então.”
7. A Independente, o PS e o PSD
   “Havia, na Universidade Independente, a ideia de que Luís Arouca cobria a área ligada ao Partido Socialista e eu a área ligada ao Partido Social Democrata”, escreve Rui Verde.
8. O ex-aluno Vara
   Armando Vara é outro nome citado. Também ele tirou o curso na Universidade Independente – conclui-o três dias antes de ser nomeado administrador da Caixa Geral de Depósitos de onde viria a sair para o BCP. Na opinião de Rui Verde, foi um dos que não ajudou a universidade quando ela precisou. “Quando, em finais de 2005, o grupo que tradicionalmente controlava a maioria do capital da entidade instituidora da universidade se viu confrontado com uma espécie de takeover comandado pelo ministro de Educação de Angola, procurou apoio de Vara, na altura administrador da Caixa Geral de Depósitos e, por essa via, supervisor das actividades da Fundimo, o fundo que detinha o prédio onde a universidade estava instalada”, escreve Rui Verde.
   Verde e Arouca terão então combinado um encontro com Vara na sede da CGD, em Lisboa, “esse monumento à loucura dos banqueiros”, e reuniram com ele no seu gabinete (“a decoração é pobre e funcional sem qualquer referência pessoal, só a vista é bonita”). “Atendeu-nos com toda a simpatia e comprometeu-se claramente, dizendo que, se retomássemos o controlo da sociedade, teríamos todo o apoio dele e da Caixa Geral de Depósitos. Eu saí bastante contente. Curiosamente, Arouca não embandeirou em arco e fez-me uma prelecção acerca de não confiarmos nestas pessoas. Tinha razão. Passados dois ou três meses, retomado o controlo, fomos falar novamente com Vara.” A ajuda não chegou, diz.
9. O “sucesso” de Hermínio Loureiro
   “Hermínio Loureiro (presidente da Câmara de Oliveira de Azeméis, ex-secretário de Estado do Desporto nos governos do PSD e deputado) terminou o curso na Universidade Independente para se candidatar, licenciado, a presidente da Liga de Futebol. Era uma figura cordial, preocupada com a dieta. Conheci-o por intermédio de um amigo comum que proporcionou um almoço no Solar dos Presuntos, restaurante bem conhecido pela fartura da bebida e da comida nortenha. Pois bem, não é que o simpático deputado só comeu peixe grelhado e bebeu água? Que desânimo! (...) No final [da licenciatura], veio agradecer-me e perguntar do que é que eu precisava. Garanti-lhe que não precisava de nada e só lhe desejava sucesso. Respondeu-me, simpaticamente: ‘O meu sucesso será o seu sucesso!’ Não foi.”
10. Como entrar na política
   O capítulo “Ligações perigosas: o Partido Social Democrata”, começa da seguinte forma: “Conto a minha história. Desde pequeno sempre tive uma certa inclinação pelo PSD. Era do Benfica e do PSD. Não havia nada de especialmente racional nessa escolha.” Certo, explicará adiante, é que há um momento em que sente que deve entrar na política. Era professor, doutor em Direito, tinha uma carreira profissional e uns “artigos escritos nos jornais”, por isso resolveu “colocar as antenas no ar para saber como poderia aderir e fazer alguma coisa no PSD.” O que basicamente lhe disseram foi: “Arranja uma agência de comunicação, que eles tratam disso.”
   Verde arranjou “não uma, mas três agências de comunicação”, conta. Seguem-se os detalhes das diligências feitas por estas. E os resultados: por exemplo, integrou um grupo de professores universitários que fez estudos para a distrital do PSD. “Deram-nos graxa e produzimos uns relatórios, que rapidamente foram esquecidos ou que apareceram nos jornais para fazer manchetes como se fossem ideias avançadas pelo Dr. [António] Preto. Comecei a perceber que éramos uma espécie de penachos do partido. Uma espécie de imbecis úteis.”
11. Os advogados mandam
   Os artigos que vai publicando nalguns jornais levam-no ao contacto com ministros do PSD, continua. É convidado para conferências e debates, caminho que “curiosamente foi feito sem apoio dos agentes de comunicação”. Mas, uma vez mais, acaba por desiludir-se.
   Rui Verde conta, por exemplo, que um dia a ministra do Ensino Superior Maria da Graça Carvalho marcou uma reunião para o ouvir sobre a reforma do ensino superior privado. “Para meu espanto, são-me apresentados dois advogados bem-postos – uma esbelta senhora loura, vestindo as marcas adequadas, e um rapaz mais novo, com a tradicional camisa branca engomada –, pertencentes a uma dessas sociedades de advogados chiques e a quem eu deveria expor as minhas ideias. Percebi que não eram o ministério e a sua equipa que faziam as leis. Estas eram encomendadas a escritórios de advogados! Fiquei perplexo.”
12. A Independente, a Maçonaria e o Opus Dei
   “Não se pode dizer que a Maçonaria não estivesse na Universidade Independente. Esteve e foi representada ao mais alto nível. No entanto, não se notou a sua influência”, escreve Verde. Sobre o Opus Dei acrescenta: “As pessoas que conheci do Opus Dei sempre me pareceram muito cordiais, correctas e sem qualquer plano estabelecido, às vezes até algo perplexas com o poder e intuito de domínio que lhes atribuíam. Tiveram muitos contactos com a Universidade Independente, designadamente para a fusão de uma instituição de ensino superior que detinham no Lumiar. Não vi em exercício o poder que lhes atribuíam, até porque essa instituição fechou ou esteve prestes a fechar.”
13. O dia da detenção
   “Estava só, quando fui preso. Nem sequer um advogado comigo. Aqueles advogados caros que eu tinha sustentado ou aqueles que tinha lançado na profissão, entregando-lhes causas importantes ou menos importantes, desapareceram. Fui preso sozinho.” Eram sete da manhã do dia 21 de Março de 2007.
   “Três inspectores corteses da Polícia Judiciária bateram-me à porta, sugeriram que me vestisse e convidaram-me a acompanhá-los numa viagem a vários locais (...) E lá fui, sozinho, estando preso, mas não percebendo que o estava. Meti-me num carro discreto alemão, talvez um Audi A3 – daqueles que a polícia apreende e depois usa alegremente.
   Seguiram até à quinta que eu tinha no Ribatejo e, quando estávamos a chegar, pediram que ligasse à empregada para prender os cães. Assim fiz, percebendo que estavam bem informados. Ou talvez não, pois insistiam que queriam ir ver a casa no Algarve, local onde não tinha nem nunca tinha tido qualquer casa. (...) Passei o dia com a polícia em voltinhas pelas casas e lojas – as reais e as inventadas. Só ao fim do dia, quando cheguei à sede da polícia, é que comecei a achar que algo de muito mais anormal se passaria.”
   À noite, na sede da Polícia Judiciária – “[o ramo financeiro] parece uma simples repartição pública com secretárias amontoadas e dossiers pretos, tudo encavalitado num prédio de habitação” – ouviu uma voz feminina: “Queixava-se de que a procuradora era frouxa pois tinha chegado ao escritório de advogados (disse o nome dos meus advogados) e acagaçara-se toda, em vez de entrar por lá adentro. Percebi que tinham ido ao escritório dos meus advogados. A propósito, onde é que eles estavam?”
   As horas passavam. “Depois de ter falado, já noite bem entrada, não percebendo bem o que me estava a acontecer – ao contrário dos filmes, ninguém me lera os direitos nem sequer me explicara o que estava ali a fazer –, fui confrontado com um papel que determinava a minha detenção, por comandar um poderoso grupo criminoso da alta finança internacional com ramificações pelo mundo inteiro.”
   Segundo descreve, no dia seguinte, momentos antes de ser presente a um juiz, continuava sem advogado.
14. Ratos e banhos de água fria
   Rui Verde é detido por suspeita de prática de vários crimes (burla agravada, abuso de confiança e falsificação de documento). Os dias na prisão são descritos com detalhe. “Quem é preso fica marcado para toda a vida. É um lugar-comum, mas é verdade. Sabemos que nunca mais seremos olhados da mesma forma, nem nunca mais olharemos o mundo da mesma forma.”
   Descreve o edifício onde viveu durante meses como “um torto cubo branco de três andares, polvilhado ao acaso com pequenas janelas gradeadas que literalmente faziam ver o Sol aos quadradinhos”. Mas conta mais: a rotina, que é sempre igual (“Às 07h45, postado à porta da cela, posição vagamente militar, pernas abertas, mãos atrás das costas e barriga encolhida. Um guarda faz a contagem, como um general ensonado que não confia nas suas tropas.”); descreve também os diferentes “camarotes” (“Os piores são os que ficam na parte inferior do edifício. Neles se juntam por vezes mais de quatro presos, as retretes não funcionam, as baratas fazem concorrência com os ratos, os canos de água rebentam pelas paredes. Os melhores camarotes ficam no topo do edifício – são individuais, as baratas são facilmente apanhadas e tudo funciona razoavelmente bem”); e descreve por fim como Agosto o marcou (“O aquecimento da água avaria e passa-se a tomar banho de água fria, o número de guardas diminui e por vezes há atrasos na abertura das celas”).


Publicado por Xa2 às 07:50 de 02.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Os cágados que falam

 

...«São como os cágados alcandorados na árvore: não treparam, alguém os pôs lá

 



Publicado por [FV] às 09:53 de 24.10.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

«ELES SABEM LÁ O QUE É A VIDA...»



Publicado por [FV] às 08:16 de 21.10.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

«ELES SABEM LÁ O QUE É A VIDA...»



Publicado por [FV] às 08:14 de 17.10.11 | link do post | comentar |

«ELES SABEM LÁ O QUE É A VIDA...»



Publicado por [FV] às 08:13 de 17.10.11 | link do post | comentar |

Populismo, ensino superior e promiscuidade de (ex-)políticos

O populismo rasca de Medina Carreira a nu 

    “Resolveu-se nos últimos anos endeusar as universidades. Mas então por que é que estamos tão mal? Porque não precisamos de tantos doutores, precisamos é de gente média que saiba fazer. As universidades aturam uma data de vadios e preparam a meia dúzia de gente que sempre foi boa”. -Medina Carreira, Casino da Figueira da Foz, 20/09/2011.

      Esta trapalhada rasca e mal educada num país saudável nem teria resposta. Mas dada a tribuna mediática - sempre sem contraditório - que é atribuída a este indivíduo, se não se responder, estas asneiras tantas vezes proferidas passam a ser verdade.
    A primeira frase revela apenas que os progressos significativos registados nas universidades públicas e na ciência incomodam Medina Carreira. Porquê? Atrapalha a sua intervenção política em prol das ideologias do estado mínimo.

    O falhanço estrondoso de uma sociedade fortemente dependente dos mercados responde à segunda frase, que no nosso caso se traduz numa dívida privada de 220% do PIB (sobretudo externa), dívida que Medina Carreira evita evocar.

    A terceira frase revela um misto de ignorância e rasteireza. Portugal não tem licenciados (doutores em medina-carreirês) a mais, tem licenciados a menos. Todos os países com melhor nível de vida que nosso têm uma maior percentagem de pessoas formadas no ensino superior do que nós temos. Nesses países os quadros médios (gente média em medina-carreirês) passaram quase todos pelo ensino superior (escolas técnicas, bacharéis ou licenciaturas). Essa ideia é reforçada pelo relatório que estabelece os objectivos científicos da União Europeia, "Towards 3%: attainment of the Barcelona target", que descreve o sucesso da aposta da Finlândia na ciência e nas universidades nos anos 90 para responder à maior recessão registada num país da Europa ocidental desde a II Guerra Mundial, a uma taxa de desemprego de 20% e a uma dívida externa incomportável.

Número de publicações científicas por ano de autoria ou co-autoria de investigadores portugueses incluídas no Science Citation Index Expanded (Thomson Reuters/ISI).

     No tempo de Medina Carreira não eram os melhores alunos que entravam nas universidades, eram os filhos dos ricos. O próprio Medina frequentou a universidade graças ao nível de vida do seu pai, o historiador António Barbosa Carreira. Nesse tempo, tirando algumas honrosas excepções Portugal era praticamente um zero em ciência. Havia departamentos inteiros nas universidades que não tinham qualquer actividade científica. A maioria dos alunos andava a passear os livros, não acabava o curso, mas isso não os impedia de ostentar o título de doutor no quotidiano (começamos a perceber a origem do medina-carreirês). No entanto a aposta que foi feita nos últimos 20 anos nas universidades e na ciência teve um retorno científico exponencial (ver gráfico). O número de patentes e de empresas científicas e tecnológicas disparou. Quer instituições quer empresas de investigação participam hoje em redes científicas internacionais juntamente com a ESA, o CERN e outras instituições muito prestigiadas. Apesar de tudo ainda há um caminho longo a percorrer, mas prefiro de longe esta universidade de "vadios" do que a velha universidade de filhinhos do papá



Publicado por Xa2 às 08:08 de 28.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

A crise e o dominó europeu
 
por Daniel Oliveira, Expresso Online, 28.4.2011

      Enquanto o debate político português continua centrado no seu próprio autismo - dedicado à autoflagelação e ignorando a crise europeia -, estão a acontecer coisas interessantes. Duas, por agora:

 a lenta agonia espanhola e a ameaça de reestruturação da dívida grega.

 Basta que a última aconteça para a queda de Espanha ser uma questão de dias. E depois dela, o contágio a Itália e à Bélgica.

     Este efeito dominó acabará por criar uma situação financeira, mas também política, absolutamente nova. Com a queda de dois grandes a Europa será mesmo obrigada a reagir.

     O egoísmo alemão terá de fazer uma escolha: ou muda de rumo ou prepara a morte do euro e da União Europeia. E a segunda escolha terá um preço de tal forma arrasador para os alemães - sempre foram os que mais ganharam com a moeda única - que nem é sequer uma alternativa para quem não queira ficar na história como o chanceler que matou a economia alemã.

     Se este cenário se confirmar - e cada vez mais sinais apontam para aí -, os seus efeitos dependerão da rapidez de uma reação europeia. Se for, como tem sido, a passo de caracol, estamos todos tramados. O barco vai ao fundo e ninguém se salva. Se for, por pressão dos gigantes em queda, rápida, talvez haja futuro para a Europa. E talvez haja futuro para Portugal.

     Triste situação é esta, em que a nossa sobrevivência depende da desgraça alheia. Triste Europa é esta, que só acordará no dia do Apocalipse. Tristes líderes políticos são estes, tão dependentes dos poderes financeiros que só pensarão no futuro quando a tragédia lhes bater à porta.

-------

José Erre Ponto
"Tristes líderes políticos são estes..."  Líderes?  Eles são uns simples servos. Uns servozitos! Todos os dias "rezo" um terço (laico, obviamente) para que a Espanha seja já a seguir.  Logo eu, que gosto da Espanha!  Mas não há outra maneira de as agências e os do dinheiro, donos dos servozitos, nos desmontarem... porque nos montam, mesmo! E mandam morder-nos nas canelas os rafeiros a soldo que vão latindo pela TV. Tudo coisas que irritam!


Publicado por Xa2 às 00:07 de 29.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Generais e políticos gostam de brinquedos caros

Paulo Portas gosta de brinquedos muito caros e inúteis

 

Soubemos pelo WIKILEAKS que o ex- embaixador americano em Portugal, Thomas Stephenson considerava que muitos políticos portugueses gostavam de brinquedos muito caros e inúteis.

Por outro lado arrasou completamente o Ministério Português da Defesa, onde afirma que mais generais por habitante que na maioria dos países.
Mas afinal onde está o porquê do título deste poste?
Exactamente porque o embaixador refere os submarinos como um desses brinquedos, dos mais caros mesmo e foi, como todos sabemos, o Dr. Paulo Portas quem decidiu a compra.

 



Publicado por Xa2 às 00:10 de 21.02.11 | link do post | comentar |

Homens

 Vítor Alves : morreu-nos um Herói !  (por  A.G.)

    Um Capitão de Abril, o "diplomata" dizem.  Era mesmo: convivi de perto com Vítor Alves, quando eu trabalhava em Belém com o Presidente Eanes e ele vinha lá quase todos os dias, tirando aqueles em que viajava pelo mundo inteiro a preparar Dezes de Junho e eu sei lá quê mais que o Presidente lhe dava como encargo. 
    Entrava-me pelo gabinete dentro jovial, atento, aqueles olhos brilhantes e vivos a querer trocar impressões rápidas e sôfregas, a tomar aceleradamente a temperatura do MNE, de S. Bento, de Belém, do país, e a dar noticias das suas andanças. "Atão como vai a menina?" atirava sempre para preparos, super-simpático. Riamos muito, nós na Assessoria Diplomática e o nosso imparável e impagável Major Vitor Alves.
     Traz-me à memória tantos episódios divertidos, recordações tão boas! Eram tempos dificeis, duros, mas aureos na recuperação da imagem e da auto-estima do país, no ensaiar das nossas capacidades de projecção de Portugal no exterior, com orgulho e eficácia na defesa dos interesses da nossa jovem Democracia.
    Impossível não evocar também outro especialissimo Capitão de Abril já desaparecido e com quem também conviviamos diariamente em Belém, na presidência de Ramalho Eanes: Ernesto Melo Antunes
    Melo Antunes e Vitor Alves - dois Heróis inesquecíveis, a quem devemos muito mais do que a tolerância e a Democracia que o 25 de Abril que fizeram nos abriu: devolveram a Portugal a dignidade perdida. Morreram probos e distantes das ingratidões.

 

 

    O (ex-)Presidente Ramalho Eanes disse que recusou comprar a “preços especiais” acções de bancos que o queriam como accionista para credibilizar as suas imagens.  Explicou tudo. Tudo o que o separa de Cavaco Silva (apesar de ser seu apoiante). 
    Tudo o que me faz gostar muito dele e continuar cada vez mais a admirá-lo, para além de algumas (poucas) discordâncias, como essa de apoiar Cavaco – não gosto, mas até compreendo, tendo nós vivido o que vivemos no seu tempo em Belém. 
    Ora aqui está um Homem honrado, impoluto, escrupuloso ao ponto de ter recusado um milhão de euros de indemnização do Estado por ter sido miseravelmente discriminado durante décadas.
    Um Homem não tem de apregoar que é sério, para o ser e ser reconhecido como tal.


Publicado por Xa2 às 07:07 de 14.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

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