Portugal e os portugueses


Publicado por JL às 16:15 de 24.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Este povo não presta!

Acabava de entrar o ano de 1872. E o novo ano que chegava interrogava o ano velho. "'-Fale-me agora do povo", pedia o novo ano. E o velho: “-É um boi que em Portugal se julga um animal muito livre, porque lhe não montam na anca; e o desgraçado não se lembra da canga!” -"Mas esse povo nunca se revolta?" insistia o ano novo, espantada £ respondia o velho: “-O povo às vezes tem-se revoltado por conta alheia. Por conta própria, nunca" E uma derradeira questão:"- Em resumo, qual é a sua opinião sobre Portugal?" E a resposta lapidar do ano velho:"- Um pais geralmente corrompido, em que aqueles mesmos que sofrem não se indignam por sofrer”. Este diálogo deve-se a Eça de Queirós. O mesmo Eça que escreveu sobre o Portugal de então: "O povo paga e reza. Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam (...) e padres que rezam contra ele. (...) Paga tudo, paga para tudo. E em recompensa, dão-lhe uma farsa" Estávamos, repito, em 1872.

Estamos obviamente a falar do povo português. Esta "raça abjecta" congenitamente incapaz de que falava Oliveira Martins. Este povo cretinizado, obtuso, que se arrasta submisso, sem um lamento, sem um queixume, sem um gesto de insubmissão, tão pouco de indignação e muito menos de revolta. Um povo que se deixa conduzir passivamente por mentirosos compulsivos como Sócrates ou Passos Coelho ou por inutilidades ignorantes como Cavaco Silva, não merece mais que um gesto de comiseração e de desdém. É vê-los nas televisões, por exemplo, filas e filas de gente acomodada, cabisbaixa, servil absurdamente resignada, a pagar as estradas que a charlatanice dos políticos tinha jurado "que se pagavam a si mesmas"! Sem qualquer tipo de pejo e com indisfarçável escárnio, o Estado obriga-os a longas filas de espera para conseguirem comprar e pagar o aparelho que lhes vai possibilitar a única forma de pagar as portagens que essa corja de aldrabões agora no poder, se lembrou de inventar! E eles passam a noite inteira à espera, se preciso for. E lá vão depois, bovinamente, de chapéu na mão, a mendigar a senha redentora que lhes dará o "privilégio de serem esbulhados electrónica e quotidianamente pelo Estado”. Um povo assim não presta, não passa de uma amálgama amorfa de cobardes. Porque, se esta gentinha "os tivesse no sítio" recusar-se-ia massivamente a pagar as portagens. E isso seria o suficiente para que os planos governamentais ruíssem como um castelo de cartas. Mas não. Esta gente come e cala. Leva porrada e agradece. E a escumalha de medíocres que detém o poder, rejubila e escarnece desta populaça amodorrada e crassa que paga o que eles quiserem quando e como eles o definirem. Sem um espirro de protesto, sem um acto de revolta violenta, se preciso for. Pelo contrário. Paga tudo, paga para tudo. Sem rebuço, dóceis, de chapéu na mão, agradecidos e reverentes, como o poder tanto gosta. E demonstram-no publicamente, disso fazendo gala. Como eu vi, envergonhada a imagem de um homenzinho ostentando um sorriso desdentado e exibindo perante as câmaras da TV o aparelhinho que acabara de pagar, como se tivesse ganho uma medalha olímpica,

Esta multidão anestesiada espelha claramente o pais que somos e que, irremediavelmente, continuaremos a ser - um pais estúpido, pequeno e desgraçado. O "sítio" de que falava Eça, a "piolheira" a que se referia o rei D. Carlos. "Governado" pelas palavras "sábias" de Alípio Severo, o Conde de Abranhos, essa extraordinariamente actual criação queirosiana, que reflecte bem o segredo das democracias constitucionais. Dizia o Conde: "Eu, que sou governo, fraco mais hábil dou aparentemente a soberania ao povo Mas como a falta de educação o mantém na imbecilidade e o adormecimento da consciência o amolece na indiferença, faço-o exercer essa soberania em meu proveito..” Nem mais. Eis aqui o segredo da governação. A ilustração perfeita com que o rei D. Carlos nos definia há mais de um século: "Um país de bananas governado por sacanas". Ontem como hoje. O verdadeiro esplendor de Portugal.

 

Jornal de Barcelos


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Publicado por Izanagi às 09:15 de 24.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

História da austeridade

No modelo agora dominante não há lugar para políticos centristas. Ao abraçarem-no, estão a cometer suicídio

 

Quem tomar por realidade o que lhe é servido como tal pela espuma diária dos discursos do Governo e de boa parte da Oposição, bem como das análises dos comentadores conservadores e de boa parte dos progressistas, tenderá a ter sobre a crise económica e financeira e sobre o modo como ela se repercute na sua vida as seguintes ideias: todos somos culpados da crise porque todos, cidadãos, empresas e Estado, vivemos acima das nossas posses e nos endividámos em excesso; as dívidas têm de ser pagas e o Estado deve dar o exemplo; como subir os impostos agravaria a crise, a única solução será cortar as despesas do Estado diminuindo os serviços públicos, despedindo funcionários, reduzindo os seus salários e eliminando prestações sociais; estamos num período de austeridade que chega a todos e para a enfrentar temos que aguentar o sabor amargo de uma festa em que nos arruinámos e agora acabou; as diferenças ideológicas já não contam, o que conta é o imperativo de salvação nacional, e os políticos e as políticas têm de se juntar num largo consenso, bem no centro do espetro político.

Esta «realidade» é tão evidente que constitui um novo senso comum. E, no entanto, ela só é real na medida em que encobre bem outra realidade de que o cidadão comum tem, quando muito, uma ideia difusa e que reprime para não ser chamado ignorante, pouco patriótico ou mesmo louco. Essa outra realidade diz-nos outra coisa. A crise foi provocada por um sistema financeiro empolado, desregulado, chocantemente lucrativo e tão poderoso que, no momento em que explodiu e provocou um imenso buraco financeiro na economia mundial, conseguiu convencer os Estados a salvá-lo

da bancarrota e a encher-lhe os cofres sem lhes pedir contas. Com isto, os Estados, já endividados, endividaram-se mais, tiveram de recorrer ao sistema financeiro que tinham acabado de resgatar e este, porque as regras de jogo não foram entretanto alteradas, decidiu que só emprestaria dinheiro nas condições que lhe garantissem lucros fabulosos até à próxima explosão.

A PREOCUPAÇÃO COM AS DÍVIDAS é

importante mas, se todos devem (famílias, empresas e Estado) e ninguém pode gastar, quem vai produzir, criar emprego e devolver a esperança às famílias? Neste cenário, o futuro inevitável é a recessão, o aumento do desemprego e a miséria de quase todos. A história dos anos de 1930 diz-nos que a única solução é o Estado investir, criar emprego, tributar os super— ricos, regular o sistema financeiro. E quem fala de Estado, fala de conjuntos de Estados, como a União Europeia. Só assim a austeridade será para todos e não apenas para as classes trabalhadoras e médias que mais dependem dos serviços do Estado.

Porque é que esta solução não parece hoje possível? Por uma decisão política dos que controlam o sistema financeiro e, indiretamente, dos Estados. Decisão que consiste em enfraquecer ainda mais o Estado,

liquidar o Estado de bem-estar, debilitar o movimento operário ao ponto de os trabalhadores terem de aceitar trabalho nas condições e com a remuneração unilateralmente impostas pelos patrões. Como o Estado tende a ser um empregador menos autónomo e como as prestações sociais são feitas através de serviços públicos, o ataque deve ser centrado na função pública e nos que mais dependem dos serviços públicos.

PARA OS QUE NESTE MOMENTO controlam o sistema financeiro é prioritário que os trabalhadores deixem de exigir uma parcela decente do rendimento nacional, e para isso é necessário eliminar todos os direitos que conquistaram depois da II Guerra Mundial. O objetivo é voltar à política de classe pura e dura, ou seja, ao século XIX.

Apolítica de classe conduz inevitavelmente à confrontação social e à violência. Como mostram bem as recentes eleições nos EUA, a crise económica, em vez de impelir as divergências ideológicas a dissolverem-se no centro político, acica-ta-as e empurra-as para os extremos. Os políticos centristas seriam prudentes se pensassem que na vigência do modelo que agora domina não há lugar para eles. Ao abraçarem-no, estão a cometer suicídio.

 

Visão


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Publicado por Izanagi às 11:39 de 22.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Armas silenciosas para guerras tranquilas

Estratégias de programação da sociedade

1- A estratégia da diversão

Elemento primordial do controlo social, a estratégia da diversão consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e da mutações decididas pelas elites políticas e económicas, graças a um dilúvio contínuo de distracções e informações insignificantes.

"Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por assuntos sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar, voltado para a manjedoura com os outros animais".

2- Criar problemas, depois oferecer soluções

Este método também é denominado "problema-reacção-solução". Primeiro cria-se um problema, uma "situação" destinada a suscitar uma certa reacção do público, a fim de que seja ele próprio a exigir as medidas que se deseja fazê-lo aceitar. Exemplo: deixar desenvolver-se a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público passe a reivindicar leis securitárias em detrimento da liberdade. Ou ainda: criar uma crise económica para fazer como um mal necessário o recuo dos direitos sociais e desmantelamento dos serviços públicos.

3- A estratégia do esbatimento

Para fazer aceitar uma medida inaceitável, basta aplicá-la progressivamente, de forma gradual, ao longo de 10 anos. Desemprego maciço, precariedade, flexibilidade, deslocalizações, salários que já não asseguram um rendimento decente, tantas mudanças que teriam provocado uma revolução se houvessem sido aplicadas brutalmente.

4- A estratégia do diferimento

Outro modo de fazer aceitar uma decisão impopular é apresentá-la como "dolorosa mas necessária", obtendo o acordo do público no presente para uma aplicação no futuro. É sempre mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro porque a dor não será sofrida de repente. Segundo, porque o público tem sempre a tendência de esperar ingenuamente que "tudo irá melhor amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Finalmente, porque isto dá tempo ao público para se habituar à ideia da mudança e aceitá-la com resignação quando chegar o momento.

5- Dirigir-se ao público como se fossem crianças pequenas

A maior parte das publicidades destinadas ao grande público utilizam um discurso, argumentos, personagens e um tom particularmente infantilizadores, muitas vezes próximos do debilitante, como se o espectador fosse uma criança pequena ou um débil mental. Quanto mais se procura enganar o espectador, mais se adopta um tom infantilizante.

"Se se dirige a uma pessoa como ela tivesse 12 anos de idade, então, devido à sugestibilidade, ela terá, com uma certa probabilidade, uma resposta ou uma reacção tão destituída de sentido crítico como aquela de uma pessoa de 12 anos".

6- Apelar antes ao emocional do que à reflexão

Apelar ao emocional é uma técnica clássica para fazer curto-circuito à análise racional e, portanto, ao sentido crítico dos indivíduos. Além disso, a utilização do registo emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para ali implantar ideias, desejos, medos, pulsões ou comportamentos...

7- Manter o público na ignorância e no disparate

Actuar de modo a que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para o seu controle e a sua escravidão.

"A qualidade da educação dada às classes inferiores deve ser da espécie mais pobre, de tal modo que o fosso da ignorância que isola as classes inferiores das classes superiores seja e permaneça incompreensível pelas classes inferiores".

8- Encorajar o público a comprazer-se na mediocridade

Encorajar o público a considerar bom o facto de ser idiota, vulgar e inculto...

9- Substituir a revolta pela culpabilidade

Fazer crer ao indivíduo que ele é o único responsável pela sua infelicidade, devido à insuficiência da sua inteligência, das suas capacidades ou dos seus esforços. Assim, ao invés de se revoltar contra o sistema económico, o indivíduo desvaloriza-se e culpabiliza-se, criando um estado depressivo que tem como um dos efeitos a inibição da acção. E sem acção, não há revolução!...

10- Conhecer os indivíduos melhor do que eles se conhecem a si próprios

No decurso dos últimos 50 anos, os progressos fulgurantes da ciência cavaram um fosso crescente entre os conhecimentos do público e aqueles possuídos e utilizados pelas elites dirigentes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" chegou a um conhecimento avançado do ser humano, tanto física como psicologicamente. O sistema chegou a conhecer melhor o indivíduo médio do que este se conhece a si próprio, permitindo deter um maior controlo e um maior poder sobre os indivíduos

 


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Publicado por Izanagi às 11:41 de 19.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

A década perdida

De 2002 até hoje a economia portuguesa, basicamente, não cresceu. Se tomarmos os dados do Rendimento - e não do Produto -, a situação é ainda mais triste. Porquê? Não conheço estudos que possam dar uma resposta quantificada e mais ou menos definitiva. É pena. Mas podemos pensar sobre o assunto. Não houve certamente um só factor mas uma conjugação de factores que determinaram o paupérrimo desempenho da economia portuguesa nos últimos oito anos, quase uma década.

Entre os muitos factores, parece-me relevante destacar quatro. Primeiro, o efeito da abertura das economias desenvolvidas à China e à índia. Com estes países mais envolvidos no comércio mundial, os preços de muitos bens de baixa tecnologia e de produtos mais estandardizados caiu significativamente. Desde a T-shirt à torradeira acabando na televisão, a queda dos preços foi brutal. Isso tem sido certamente muito bom para o consumidor, que viu o seu poder de compra aumentar significativamente. No entanto, muitos desses produtos concorriam com as nossas exportações, nomeadamente todo o têxtil mais tradicional. Deste modo, a queda do preço destes bens no mercado internacional configura aquilo que os economistas chamam uma perda CO) nos termos de troca. As nossas exportações viram os preços cair e as nossas empresas mais tradicionais tiveram problemas, e muitas, naturalmente, fecharam. Quando os termos de troca caem o bem-estar também cai; ou seja, teríamos de exportar mais T-shirts para podermos importar um programa de software, por exemplo...

É claro que a entrada da China no comércio mundial era bem conhecida, mas os nossos empresários sempre acharam que era só fumaça e o Estado havia de arranjar qualquer coisa. Não arranjou, nem podia.

Mas infelizmente tentou. Ou seja, com políticas de apoio à reestruturação de empresas, o Estado subsidiou empresas arruinadas, adiando e protelando os necessários ajustamentos na produção. Estes passavam com toda a certeza pelo fecho de empresas, agora inviáveis. Por isso, durou oito anos o nosso sacrifício e não apenas três ou quatro, embora os ajustamentos que tudo isto implica levem tempo. Verifica-se, desde há alguns anos, uma clara evolução nas nossas exportações para bens tecnologicamente mais evoluídos. Isto não é fruto, estou certo, de grandes políticas públicas, mas de um rearranjo nas vantagens comparativas: agora temos de exportar mais, mas fundamentalmente melhores produtos.

Um segundo aspecto tem a ver com a entrada dos países de Leste na União Europeia. A entrada de países como a República Checa ou a Hungria não só aumentou a concorrência das nossas exportações tradicionais, reforçando o efeito da China, mas também desviou muito investimento internacional. O investimento internacional, mormente da Alemanha, passou muitas vezes a preferir localizar-se em países com mão-de-obra muito mais barata e não raro mais qualificada que a portuguesa. Eram economias ávidas de capital e de novos investimentos e, para os alemães, ficavam ali mesmo ao lado. Sem dúvida que este factor explica em grande parte a queda no investimento directo estrangeiro em Portugal nos últimos dez ou quinze anos, o que contribuiu para a estagnação da última (quase) década.

A reacção dos vários Governos a esta perda de capacidade de atracção de investimento internacional não foi a melhor. Como sempre, em vez de os resolver, lançou dinheiro sobre os problemas.

Um terceiro factor que também teve influência - e, mais uma vez, actuou no sentido de deteriorar as nossas relações de troca - foi a subida dos preços do petróleo. No início da década o barril deveria rondar os 25 ou 30 dólares e, com altos e baixos, desde então a tendência geral foi de subida. Como o petróleo e o gás natural são integralmente importados, as importações ficaram mais caras, enquanto as exportações tradicionais viam os preços a cair. Infelizmente também aqui a reacção dos Governos foi a pior. Inicialmente protelou-se (mais uma vez o protelar) a subida dos combustíveis nas bombas e depois foi a moda, politicamente correcta, das renováveis, com especial destaque para os últimos cinco anos. A aposta nas energias alternativas - vento e sol - saiu caríssima às famílias e às empresas, que já estão a pagar a factura, com perdas acrescidas de bem-estar e competitividade.

Mas um quarto e último aspecto foi crucial e decorre do já referido atrás: o Estado. O que é que andámos a discutir desde 2002? Finanças públicas, o défice ou a dívida pública. E com boas razões o discutimos, porque este problema é um problema real como o sentimos hoje. E afugentou o investimento. De facto, um investidor internacional - que pode muito bem ser português - pode escolher entre investir na Hungria, na Polónia ou em Portugal. Os critérios de decisão têm certamente a ver com a prospectiva solidez financeira do Estado, com a expectativa do nível futuro de impostos, com a facilidade futura de acesso ao crédito, com o risco de o país não vir a pagar o que deve. Por tudo isto, o nosso país comparava mal. Para além dos outros factores muitas vezes referidos: ensino, justiça, burocracia... E sem investimento, não há crescimento.

Como seria de esperar, a situação orçamental deteriorou-se para níveis nunca imaginados serem possíveis. Tudo isto com custos para todos nós, com mais impostos, menor crescimento e mais desemprego. E a próxima década será outra década perdida? Tudo estamos a fazer para que seja.

 

Público


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Publicado por Izanagi às 00:29 de 31.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Memórias de uma imprensa bem-comportada

Os jornalistas realizam diferentes tarefas e preenchem diferentes funções sociais. Uma dessas tarefas consiste em produzir e difundir notícias. Outra função consiste em alimentar o debate de ideias no seio da sociedade. Porém, aquilo que, aos meus olhos, é a função essencial do jornalista é o que se chama vulgarmente a "fiscalização dos poderes" e a que os anglo-saxónicos chamam de forma mais colorida a função de watchdog - servir de cão de guarda das liberdades cívicas, revelar as actividades de todos os poderes e de todos os poderosos e denunciar abusos.

Esta é a função que só os media levam a cabo de forma independente e constitui o coração do ethos jornalístico. Isto não quer dizer que não possa haver uma organização não mediática que funcione dessa forma. Mas a prossecução desse objectivo de forma independente - sem qualquer agenda predefinida, sem defender interesses particulares - é a marca de água da actividade jornalística.

Tivemos há dias um exemplo de grande impacto do que pode ser esta fiscalização dos poderes com a publicação pelo site WikiLeaks de milhares de casos de abusos perpetrados pelas tropas americanas e iraquianas no Iraque. Curiosamente, o líder do WikiLeaks, Julián Assange, não só não se considera um jornalista como recusa com veemência o rótulo, que considera "ofensivo". Porquê? Porque Assange pensa que a esmagadora maioria da imprensa, premeditadamente ou não, não só não fiscaliza os poderes como colabora activamente com eles, escamoteando ou maquilhando as suas práticas mais criticáveis. Um exagero? Talvez.

Mas vale a pena, no actual panorama de crise e recessão, quando todos os portugueses têm uma lista de perguntas que gostariam de ver respondidas pelo Governo (sobre as empresas que não pagam impostos, sobre os impostos da banca, sobre a nacionalização do BPN, a política fiscal, o real funcionamento da economia, as razões, para o optimismo com que nos regalaram nos últimos dois anos) podemos perguntar-nos a quantas dessas perguntas os media conseguiram responder. Ou quantos nomes foram responsabilizados. Ou quais foram as denúncias que vimos nas páginas dos jornais e nos ecrãs dos noticiários. Existem pequenas excepções singulares, mas contam-se pelos dedos de uma mão. No geral, a imprensa limita-se a reproduzir os discursos existentes na cena política ou económica. Claro que isso significa citar o Governo e a oposição, os patrões e (esporadicamente) os sindicatos, mas a verdade é que isso é dramaticamente insuficiente.

Mais do que saber qual é a mensagem que os protagonistas querem transmitir, o que os cidadãos gostariam de ter é um retrato fiel da situação. Esta crise seria uma ocasião excelente para os media provarem a sua utilidade - para além do consabido "este disse, aquele disse". Todos gostaríamos de saber o que aconteceu de facto com o PECI e II. Quais são as contas reais do país. O que está a acontecer com as parcerias público-privadas (os factos e não as leituras ideológicas). Com as empresas que não pagam impostos. Com o offshore da Madeira, com as mil e tal fundações privadas que recebem dinheiro dos nossos impostos, com os privilegiados que acumulam pensões e salários, etc. A verdade é que a maioria dos media se encontra ou acantonada num confortável conformismo ou numa quase paralisia imposta por uma draconiana redução de despesas, que impede qualquer actividade de investigação. Só que, sem essa investigação, sem essa função irreverente de watchdog, os media apenas repetem as versões que interessam aos poderes. Sobrevivem, mas isso não é vida. A crise que os media estão a atravessar não é alheia a esta situação. Os media parecem empenhados em provar a sua irrelevância, sem perceberem que é esse o caminho que os está a levar à cova.

 

Público



Publicado por Izanagi às 11:14 de 30.10.10 | link do post | comentar |

Carris, CP e Docapesca aumentaram “escandalosamente” salários de gestores em 2009

Depois de na passada semana ter divulgado uma longa lista de empresas e institutos públicos que, no seu entender, podiam ser extintos, o ex-líder do PSD Marques Mendes voltou hoje ao ataque. Desta vez, o alvo foram os ordenados dos gestores públicos

Um dos casos relatado no seu comentário na TVI24 (Jornal das Dez), é o da CP. A empresa, que em 2009 teve prejuízos 231 milhões de euros (CP e CP Carga), passou a 12 de Junho do ano passado, por decreto-lei governamental, de Empresa Pública (EP) para Entidade Pública Empresarial (EPE). Um mês depois (13 de Julho), por despacho dos secretários de Estado do Tesouro e Finanças e dos Transportes, foram alterados os vencimentos dos seus gestores. O presidente que ganhava 4.725 euros passou a ganhar 7.225 euros (mais 52 por cento) e os vogais passaram de 4.204,18 euros para 6.791 euros (quase 60 por cento).

Outro exemplo é o da Carris. A empresa, que em 2009 teve cerca de 41 milhões de euros de prejuízo, viu, por decisão governamental, os ordenados dos seus gestores igualmente aumentados de forma significativa em Março de 2009. O presidente ganhava 4.204 euros e passou a auferir de um ordenado mensal 6.923 euros (mais 65 por cento). Já os vogais passaram de 3.656 para 6.028 (mais 65 por cento).

 

Mendes citou ainda as subidas de ordenados dos gestores da Administração do Porto de Lisboa. Lembrando que estes aumentos tiveram sempre o aval do ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, o ex-líder do PSD revelou que em Junho de 2009 o presidente da empresa pública passou de 4.752 de ordenado mensal para 6.357 euros (mais 34 por cento). Já os vogais passaram de 4.204 euros para 5.438 (mais 29 por cento). Mendes afirmou que são apenas três exemplos – “mais há”. E lembrou que a sua fonte de consulta são documentos do próprio Estado, considerando estes aumentos “escandalosos”.

“Neste sector da Administração do Estado não há crise – ou se multiplica o número de administradores, ou se multiplicam os vencimentos, ou se multiplica uma coisa e outra.”

 

in Público

 

Assim até eu me pergunto se não seria um militante “carneiro” sempre pronto a colaborar com o “aparelho”



Publicado por Izanagi às 00:09 de 15.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Eduardo CATROGA _Um excesso de protagonismo

Impressiona-me que certos políticos não tenham memória e que os cidadãos não critiquem a falta de memória destes políticos. Vem isto a propósito da citação que o PÚBLICO do dia 5 de Outubro faz do ex-ministro das Finanças Eduardo Catroga, que escreveu no Diário Económico que "o Estado engordou 10 quilos e este excesso de peso requer uma dieta prolongada de, pelo menos, duas legislaturas".

Dezasseis quilos (8 mil euros por mês, que cresceu todos os anos, para atingir cerca de 16.000 euros quando cumpriu 60 anos), foi quanto Eduardo Catroga atribuiu a si próprio, por despacho cirúrgico (a expressão é de Eduardo Dâmaso, 28 Setembro de 1995), aos 53 anos de idade, e como reforma vitalícia, antes de abandonar o cargo de administrador delegado de um fundo de pensões e ir para ministro das Finanças do XII Governo Constitucional da II República presidido por Cavaco Silva, e remeter-se ao silêncio durante mais de duas legislaturas (...).

Mais de duas legislaturas foi quanto durou a dieta prolongada do protagonismo do ex-ministro de Cavaco Silva, que progressivamente vem recuperando o estatuto de defensor dos interesses do país, agora que a memória do público se esvaiu. Mas alguns lembram-se quanto custa ao contribuinte (o dinheiro é trabalho) a reforma de mais de 30 salários mínimos de 500 euros (ou 60 salários mínimos de 250 euros dessa altura) que Catroga atribuiu a si próprio, há 15 anos, em 1995, aos 53 anos de idade. Façam as contas.

Jorge Pinto in Público


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Publicado por Izanagi às 10:38 de 14.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Um pouco de humor, ou talvez não

2 mil presidentes, 4 mil vice-presidentes, 6 mil administradores executivos, 15 mil administradores não executivos e 45 mil consultores das empresas municipais reúnem-se para saber onde cortar despesas

0 governo precisa de dinheiro, tendo já posto à venda os Jerónimos como "Prédio muito espaçoso em zona histórica. Ideal para atelier. Óptimo estado de conservação. Com espectacular vista para o Tejo. 1 milhão de euros. Pedro Silva Pereira: Tlm 91445 234". O governo quer também extinguir algumas das 30.000 empresas municipais, pois 29.999 dão enormes prejuízos, sendo a excepção a bem gerida Canos de Esgoto de Mangualde, que dá apenas prejuízos consideráveis. 0 IP falou com Rui Pinto, CEO da Fontanários do Ribatejo: "Vou reunir com o Presidente Executivo, com os 13 Vice-Presidentes, com os 34 administradores executivos e com os 45 administradores não executivos da empresa! Temos de fazer cortes, mas não é tarefa fácil, pois movimentamos 4500 euros por ano e empregamos 3 pessoas! Eu, o Bill Gates, o Warren Buffet e o Carlos Slim temos muitas responsabilidades!".

 

IP



Publicado por Izanagi às 15:28 de 02.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

De quem falo?

Jurou que resolveria os problemas financeiros, o endividamento e a degradação em que vivemos há anos. Julgámos nós que para isso apostaria num bom desempenho que fizesse entrar dinheiro e permitisse que saíssemos do buraco em que estamos. Pelo contrário: os investimentos que fez foram incompreensíveis e os que devia ter feito ficaram na gaveta.

À sua volta apenas vemos gente incompetente. Só não quer quem lhe faça frente, por saber mais e melhor do que ele. A regra é simples: abaixo da sua mediocridade só quer mais mediocridade. E nós pagamos a fatura.

Confunde coragem com gritaria. Fala grosso para baixo, mas para enfrentar a banca, que nos suga até ao tutano a cada dia que passa, nem sussurro de ouve. Confunde determinação com arrogância. Para quem o critica, escolhe o insulto. Envergonha-nos com a sua falta de rigor, afunda-nos com a forma errante como governa à vista. Limita-se a insistir nos erros dos seus antecessores. Mas fá-lo com mais espalhafato e incompetência. Está agarrado ao poder. Mesmo quando já se percebeu que não tem estatura para o ocupar.

Está na altura de partir. Para não nos afundarmos sem remédio. Mas para isso é necessário que apareça uma alternativa digna desse nome, que corte com os últimos anos de incompetência. Alguém que esteja à altura da nossa história e do futuro que podíamos ter. Alguém com currículo e credibilidade. E não tem sido o caso. E ele só lá continua por isso mesmo.

De quem estou eu a falar? De quem governa o meu país ou o meu clube? Provavelmente dos dois. Sou português e sportinguista. Não me envergonho de ser nenhuma das coisas. Pelo contrário. Mas está tão difícil... Vá lá: pelo menos o Sporting ainda consegue surpreender e esmagar na Europa. Já Portugal...

Por Daniel Oliveira, no Record


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Publicado por [FV] às 15:05 de 02.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

VÍTIMAS DA CRISE (3)

No momento em que vários países da União Europeia (UE)
se viram obrigados a cortar salários e subsídios de desemprego
para reduzir as despesas públicas, a Comissão Europeia foi forçada
a justificar o generoso sistema de indemnização dos seus ex-comissários.

 

Bruxelas confirmou que dezassete membros da primeira Comissão de Durão Barroso recebem actualmente subsídios de reintegração que variam entre 40 e 65 por cento (dependendo do número de anos em Bruxelas) do seu salário de base, que ascende a 20.300 euros por mês (fora despesas de residência e representação) ou 22.500 para os vice-presidentes. A excepção é a sueca Margot Wallström, que não consta da lista fornecida por Bruxelas, enquanto que os restantes nove comissários foram reconduzidos na nova Comissão que entrou em funções em Fevereiro.
Pagos durante três anos, estes subsídios são acumuláveis com outras remunerações provenientes de novas actividades dos comissários, desde que o montante total não ultrapasse o valor do anterior salário, explicou um porta-voz da Comissão
...

Segundo Bruxelas, estes subsídios destinam-se a “facilitar a reinserção no mercado de trabalho” dos ex-comissários e a “manter a sua independência”, de modo a evitar eventuais conflitos de interesses com os anteriores pelouros. Os ex-comissários estão aliás obrigados a informar a Comissão das novas funções, e só as podem assumir depois de obterem a necessária luz verde.
Um caso particularmente polémico que é regularmente denunciado por organizações não governamentais, é o do alemão Guenther Verheugen, que fundou em Abril uma empresa de consultoria em assuntos europeus com o objectivo de fazer lobby junto da sua antiga instituição, mas que só informou a Comissão a 1 de Setembro. Bruxelas ainda não se pronunciou, mas recusa-se por enquanto a falar de infracção.

Notícia do Público, ler mais aqui


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Publicado por [FV] às 14:54 de 24.09.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

"Liberté, égalité, fraternité"

Ex-presidente francês, Jacques Chirac, pediu um empréstimo de €500 mil  para pagar parte de uma falcatrua na Câmara de Paris e continua a viver à borla em casa emprestada por amigos libaneses.

Jacques Chirac , chegou a um "acordo tripartido" com o actual dirigente, o socialista Bertrand Delnaoë, e o seu partido, UMP, atualmente controlado pelo presidente da República, Nicolas Sarkozy.

A França não é uma "República das bananas", mas às vezes parece. Para escapar a um aborrecido processo judicial sobre desvio de fundos públicos e empregos fictícios durante a sua presidência na Câmara de Paris, entre 1977 e 1995, o ex-chefe de Estado francês,

O desfalque foi de €2,2 milhões - somas que serviram para pagar "funcionários" do município que na realidade trabalhavam para o seu partido. Depois de persistentes negociações e com a garantia de que Delanoë retirava a queixa nos tribunais, o re-embolso do capital desviado ficou assim estabelecido: a UMP, que invoca um "dever de solidariedade" com o seu ex-líder, paga à Câmara €1,72 milhões e Chirac €500 mil.

Delnaoë e outras personalidades defenderam o acordo, que foi, no entanto, contestado por alguns socialistas e pelos ecologistas, seus aliados na Câmara parisiense. "Não vamos julgar um ex-presidente de 77 anos!", exclamaram alguns. O problema é que, disse um dos advogados de Jacques Chirac, este não tem dinheiro. "O presidente tem de pedir os €500 mil emprestados a um banco", disse hoje à imprensa o advogado Jean Veil.

Sempre à borla
Com este acordo, o ex-presidente pode escapar a uma humilhante condenação num processo penal que foi instruído contra ele devido a este caso.
Mas a notícia de que o ex-chefe de Estado - que recebe algumas importantes pensões de reforma relacionadas com os diversos cargos públicos que ocupou - se encontrará "na miséria" é que é o assunto do dia, em França.
Chirac não paga sequer renda de casa desde que saiu do Palácio do Eliseu, em 2007. Com efeito, desde essa data, Chirac habita em Paris com a esposa, Bernadette, num luxuoso apartamento com vista para o rio Sena e o museu do Louvre, que lhe foi cedido graciosamente pelo filho de Rafic Hariri, ex-primeiro-ministro do Líbano, assassinado em 2005.
Jacques Chirac, dizem as más-línguas, em Paris, "nunca pagou qualquer renda na vida" porque, até 2007, viveu 35 anos, sempre à borla, nos "palácios nacionais".
In Expresso,  por Daniel Ribeiro, correspondente em Paris.


Lá como cá, a justiça tem dois pesos e duas medidas.
É a globalização da impunidade e da mediocridade da sociedade ocidental.
Qual “Liberté, égalité, fraternité”?



Publicado por [FV] às 20:55 de 21.09.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

A saúde mental dos portugueses

Alguns dedicam-se obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas.
Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque assisto com impotência a uma sociedade perturbada e doente em que violência, urdida nos jogos e na televisão, faz parte da ração diária das crianças e adolescentes. Neste redil de insanidade, vejo jovens infantilizados incapazes de construírem um projecto de vida, escravos dos seus insaciáveis desejos e adulados por pais que satisfazem todos os seus caprichos, expiando uma culpa muitas vezes imaginária. Na escola, estes jovens adquiriram um estatuto de semideus, pois todos terão de fazer um esforço sobrenatural para lhes imprimirem a vontade de adquirir conhecimentos, ainda que estes não o desejem. É natural que assim seja, dado que a actual sociedade os inebria de direitos, criando-lhes a ilusão absurda de que podem ser mestres de si próprios.


Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque, nos últimos quinze anos, o divórcio quintuplicou, alcançando 60 divórcios por cada 100 casamentos (dados de 2008). As crises conjugais são também um reflexo das crises sociais. Se não houver vínculos estáveis entre seres humanos não existe uma sociedade forte, capaz de criar empresas sólidas e fomentar a prosperidade. Enquanto o legislador se entretém maquinalmente a produzir leis que entronizam o divórcio sem culpa, deparo-me com mulheres compungidas, reféns do estado de alma dos ex-cônjuges para lhes garantirem o pagamento da miserável pensão de alimentos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque se torna cada vez mais difícil, para quem tem filhos, conciliar o trabalho e a família. Nas empresas, os directores insanos consideram que a presença prolongada no trabalho é sinónimo de maior compromisso e produtividade. Portanto é fácil perceber que, para quem perde cerca de três horas nas deslocações diárias entre o trabalho, a escola e a casa, seja difícil ter tempo para os filhos. Recordo o rosto de uma mãe marejado de lágrimas e com o coração dilacerado por andar tão cansada que quase se tornou impossível brincar com o seu filho de três anos.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque a taxa de desemprego em Portugal afecta mais de meio milhão de cidadãos. Tenho presenciado muitos casos de homens e mulheres que, humilhados pela falta de trabalho, se sentem rendidos e impotentes perante a maldição da pobreza. Observo as suas mãos, calejadas pelo trabalho manual, tornadas inúteis, segurando um papel encardido da Segurança Social.

Interessa-me a saúde mental dos portugueses porque é difícil aceitar que alguém sobreviva dignamente com pouco mais de 600 euros por mês, enquanto outros, sem mérito e trabalho, se dedicam impunemente à actividade da pilhagem do erário público. Fito com assombro e complacência os olhos de revolta daqueles que estão cansados de escutar repetidamente que é necessário fazer mais sacrifícios quando já há muito foram dizimados pela praga da miséria.

Finalmente, interessa-me a saúde mental de alguns portugueses com responsabilidades governativas porque se dedicam obsessivamente aos números e às estatísticas esquecendo que a sociedade é feita de pessoas. Entretanto, com a sua displicência e inépcia, construíram um mecanismo oleado que vai inexoravelmente triturando as mentes sãs de um povo, criando condições sociais que favorecem uma decadência neuronal colectiva, multiplicando, deste modo, as doenças mentais.

E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.

 
in Público


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Publicado por Izanagi às 13:05 de 20.09.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O 'peso' do Estado Social

Notas sobre o monstro

(por João Rodrigues, em Arrastão.org)

 

“Portugal chega a ser monstruoso pelo excesso de Estado Social”. Se fosse um dos inúmeros economistas do medo, que prosperam apenas porque praticamente não existe debate, eu não ligaria muito, mas foi  a economista Helena Garrido que escreveu isto. É uma das jornalistas que admiro, devido ao seu respeito habitual pelos factos e à sua capacidade para ser social-liberal sem cair na vulgata liberal e assim enriquecer o debate.

 

Como é que se pode olhar para os dados, mesmo muito agregados, e dizer que temos um Estado social excessivo?

Percentagem das prestações sociais, categoria demasiado heterogénea é certo, no PIB?

Abaixo da média da zona euro (17,2% contra 17,7%, em 2009).

O quê, então? Peso dos impostos no PIB  e sua progressividade?

Também não: o peso da receita fiscal no PIB é de 34,8% (na zona euro é de 38,6%) e o peso dos regressivos impostos indirectos, como o IVA, na estrutura dos impostos é dos mais elevados.

Aumento das despesas sociais? Bom, esse foi, felizmente, inevitável no actual contexto e mesmo assim foi insuficiente.

Isto para não falar do idealismo que Helena Garrido revela quando fala numa suposta rede social que o Estado social teria destruído.

Eu bem sei que os hegemónicos economistas do medo interpretam o aumento das despesas com o RSI ou com o subsídio de desemprego nos últimos dois anos como se de um súbito vírus da lassidão, que só afecta os mais pobres e vulneráveis, se tratasse.

 

Entretanto, as sempre patrióticas e empreendedoras “classes médias” (altas, ricas...)  transferiram 1,2 mil milhões de euros para offshores no primeiro semestre.

 

Como nunca conseguiram entender a crise e o aumento do desemprego gerado, resultado das desigualdades, da desregulamentação e da crença no fundamentalismo de mercado que sempre apoiaram, caem num moralismo que só revela a sua situação social confortável.

 

Como nunca conseguiram entender a natureza disfuncional da zona euro, que sempre saudaram, esquecem que estamos trancados num conjunto de políticas de austeridade que produzem um resultado perverso: o esforço para cortar na despesa produz as condições económicas conjunturais que podem aumentar a despesa mais tarde.

 

Sem demagogia, é preciso dizer que o estado das finanças públicas quase só depende do andamento da economia.

Diz que a retoma está em risco. Pudera. O bloco central apostou num irracional e desumano corte das despesas sociais para os mais pobres, para fazer com que as transacções desesperadas se multipliquem e os salários eventualmente baixem:

a crise de distribuição, a crise de procura, intensifica-se dentro de momentos e o desemprego também.

 

A pobreza vai aumentar e assim a ideia de que estamos todos no mesmo barco torna-se um pouco mais fraudulenta.

Enfim, não se toma em consideração a abordagem dos balanços financeiros sectoriais:  

a soma dos saldos dos sectores externo, público e privado, tem de ser igual a zero.

Num contexto de crise, com o saldo do sector externo mais ou menos constante, é evidente que o esforço dos privados para reequilibrar os seus balanços, com cortes no consumo e no investimento, tem de gerar inevitavelmente um aumento do défice público.

Sabendo que o cenário macroeconómico aponta para uma redução necessariamente ligeira do défice externo, então o contraproducente esforço para reduzir o défice público tem como contrapartida um aumento do endividamento do sector privado.

E este dificilmente ocorrerá.

Por algum lado a corda vai ter de partir e está a partir, claro.

 

Remato brevemente com duas questões mais estruturais.

Em primeiro lugar, a bota do Estado social que não bate com a perdigota da economia que temos.

O Estado social construiu-se tendo como pano de fundo um processo de liberalização e de privatização, Isto gerou grupos económicos cuja hostilidade à provisão pública, que é onde está a fruta doce dos lucros garantidos, é proporcional ao seu desespero e às exigências dos accionistas.

Gerou também níveis de ineficiência, de rentismo e de desigualdade que hoje podem corroer os fundamentos do Estado social.

 

Em segundo lugar, e de forma talvez contraditória com o primeiro ponto, as tendências fortes do desenvolvimento

– do envelhecimento ao aumento da importância dos serviços sociais de proximidade, da saúde e da educação, onde a superioridade da provisão socializada é evidente, passando pelas alterações climáticas, pelas insustentáveis desigualdades económicas ou pela constatação de que a finança de mercado é uma máquina de destruir capital

– trabalham, no quadro das democracias, para manter e até aumentar a prazo a importância do sector público na criação de riqueza em sentido amplo e na extensão e aprofundamento da regulação.

 

As sociedades que prosperarão são as que sabem viver pacificamente com o que a vida mostra com mais clareza em situações de risco: o peso do Estado não vai, não pode, diminuir.

A questão nem sequer é essa, mas sim que ideias e que interesses controlam os recursos públicos e definem as regras do jogo.



Publicado por Xa2 às 00:07 de 28.08.10 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

Novas espécies identificadas no Estado social português (2)

O jogo das influências, das cunhas e dos pedidos sempre fez parte da nossa relação com o Estado enquanto poder

 

O povo do meio "Todos os anos é a mesma coisa. Mas não me consigo habituar a tanta incompetência: 45 dias depois do fim das aulas, neste final • de Julho, os alunos e as famílias não conhecem os horários do próximo ano lectivo, impedindo de atempadamente planearem transportes, tempos livres, actividades extracurriculares, enfim, planearem a sua vida. Como se tal não bastasse, a 5 dias do fim do mês, recebo carta a informar-me que o meu filho que vai iniciar o 7o ano afinal já não fica na escola onde se inscreveu. Criaram à pressa um novo agrupamento, juntaram as turmas todas desse ano noutra escola. Dizem que tenho cinco dias para me opor, mas nem sequer informam o que acontece se o fizer: fica na rua? Vai para outra escola ainda mais longe? Tá tudo maluco" - escreveu Gabriel Silva no blogue Blasfémias.

Ao contrário do que escreveu Gabriel Silva não está nada "tudo maluco". Quem assim procede sabe muito bem o que está a fazer, pois, como diz o provérbio, manda quem pode, obedece quem deve. E nós portugueses devemos. Ou muitos de nós devem. Muito particularmente aqueles que gostam de se definir como classe média e que estão presos pela retórica, pelos impostos e pelas aparências a um Estado que se diz social. É o povo do meio.

Para aqueles que vivem nas franjas, o problema naturalmente não se coloca. Ou colocam os filhos em colégios privados, de preferência estrangeiros para que as crianças fiquem a salvo de alguns desvarios pedagógicos nacionais e sobretudo aptas a triunfar em qualquer lugar do planeta, ou então gritam muito e invocam discriminações e traumas vários que lhes garantem a compreensão de muitas assistentes sociais e animadores culturais.

Só quem está no meio precisa de saber em Julho os horários que os filhos vão ter em Setembro, pois os outros têm sempre quem resolva ou se preocupe por eles. Quem está no meio é que não tem saída. Quem garante que as crianças cujas famílias contestem não acabarão num agrupamento pior? Num horário que não dá jeito? Ou numa turma que se designa como problemática? E qual é a alternativa a não obedecer? Pedir ao agrupamento que entregue a cada família os 5 mil euros que lhe custa o aluno e usar esse dinheiro para pagar um colégio ou colocar o filho noutra escola pública? Não pode ser que isso, dizem, é a destruição do Estado social. Claro que seria sim a destruição do Estado deles. Daqueles para quem vários pais nesta espécie de jogo de sorte e azar telefonam para que o seu filho aparentemente calhe numa turma conveniente. Dos chefes deles. E dos chefes dos chefes deles.

O jogo das influências, das cunhas e dos pedidos sempre fez parte da nossa relação com o Estado enquanto poder. Quando o Estado se passou a chamar social, a mobilidade social passou a depender cada vez mais da capacidade que tivermos para nos relacionar com a sua estrutura. O povo do meio para passar a ser povo de cima não tem de trabalhar mais. Tem de aprender a mexer-se melhor no labirinto estatal. E sobretudo não esquecer que a primeira regra para conviver com o Estado social é que este não se contesta. Influencia-se.

 

Público



Publicado por Izanagi às 10:07 de 02.08.10 | link do post | comentar |

Plataforma por Monsanto critica lixo do Delta Tejo

O movimento cívico Plataforma por Monsanto criticou ontem a falta de limpeza e o lixo acumulado na zona do Parque Florestal onde decorreu o festival de música Delta Tejo, temendo que os detritos possam funcionar como "combustível" em caso de incêndio.

Numa carta dirigida à Câmara de Lisboa, o movimento critica a "limpeza superficial e ineficiente" da zona onde decorreu o festival, explicando que "há duas semanas que não existe qualquer movimentação, foram retiradas todas as máquinas e tudo indica que os trabalhos de limpeza e reparação do local estão concluídos".

Porém, "o que se constata é que as terras e pisos foram colocados aleatoriamente e o lixo abunda". Segundo a plataforma, "nas últimas duas semanas o grande protagonista da limpeza do terreno tem sido o vento" que "tem transportado o lixo para o interior da mata, área classificada.

 

Público

 

O total desprezo pelos impostos e taxas pagas pelos cidadãos singulares é uma imagem de marca da gestão da CML e que se tem vindo a acentuar nos últimos mandatos. Perguntamos, apesar de sabermos de antemão que nunca iremos ter reposta, para quê  cerca de 12 000 funcionários ?



Publicado por Izanagi às 19:29 de 30.07.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Equilibrio

TODA A ECONOMIA É POLITICA

NEM TODA A POLITICA É ECONOMICA



Publicado por Zurc às 15:56 de 21.07.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Gadgetismo, aldrabice estatística, educaçãorrota, irresponsáveis e ...

O "GADGETISMO"

Por Santana Castilho *

 

Com esta desumana fórmula de gerir escolas, ...

A dúvida assalta-me a cada nova acometida:

a sucessão das etapas desagregadoras da educação nacional foi planeada à distância?

Olho para os protagonistas e logo rejeito.

Mesmo para urdir estrategicamente a maldade mais odiosa é necessária uma inteligência que não possuem. Actuam à bolina e move-os um só desígnio: embaratecer o custo do trabalho honesto de muitos para enriquecer uns tantos, protegidos pela burqa da legalidade podre que corrói o país.

Anima-os uma cultura: o "gadgetismo" bacoco. Suporta-os o sonambulismo cívico da nação.

 

Aos Magalhães, aos quadros interactivos e a toda a corte de gadgets electrónicos, enganosos salvadores da ignorância que floresce, acrescentam-se agora os gadgets pedagógicos e organizacionais do momento:  a learning street e os megagrupamentos de escolas.

 

Sob os auspícios da Parque Oculta, dizem-me que José Trocado executa o comando de José Trocas-Te:  um megagrupamento de escolas por concelho.

Exagero ou não, tanto faz. Facto é que as direcções regionais iniciaram a fusão dos agrupamentos existentes.

Trata-se de arrebanhar crianças de tenra idade, retirá-las do seio familiar contra a vontade dos progenitores e abandoná-las numa comunidade de milhares de alunos com idades que vão até aos 18 anos (apontam os 3000 como limite, mas com a credibilidade que lhe conhecemos, só eles sabem onde a loucura os pode deter).

 

Perfilam-se surreais ligações administrativas e pedagógicas de escolas separadas por dezenas de quilómetros, com projectos educativos tão idênticos como a velocidade e o toucinho.

Adivinham-se os inerentes megagrupamentos de docentes e a megamobilidade dos ditos, com o primeiro tempo da tarde a quilómetros do local onde leccionaram de manhã.

Tudo caucionado pela crise económica, pela grilheta limitativa do calendário das presidenciais e pelo jogo dos pequenos interesses dum bloco central envergonhado.

 

Com esta desumana fórmula de gerir escolas, a decantada qualidade do ensino deteriorar-se-á ainda mais.

Desaparecerá a gestão de proximidade que o acto educativo não pode dispensar. O que restava da pedagogia cederá passo ao centralismo administrativo que, sendo já mau, agora fica gigantescamente deplorável.

O caciquismo vai refinar-se, a burocracia expandir-se e a indisciplina aumentar. Não esperem que se aprenda mais ou que o abandono e o insucesso escolar diminuam.

florescerá a aldrabice das estatísticas e a crista dos galos que permanecerem nos poleiros.

 

Toda a lógica gestionária, entronada há apenas um ano como a (e sublinho o artigo definido) solução, já vai de arrasto, directores às urtigas, órgãos dos agrupamentos às malvas.

Não é exequível qualquer projecto educativo com tais loucos ao leme.

Não são criminosos no sentido penal do termo. Mas são hediondos criminosos pedagógicos.

 

Não só escaqueiraram o que encontraram, como deixam armadilhado o caminho dos que se seguirem, que outra alternativa não terão senão voltar a virar tudo do avesso, salvo se forem tão insanos como eles.

O sistema educativo não aguenta tamanha instabilidade. Tudo o que possa ser sério e válido é visceralmente incompatível com este tumulto.

Para fazer o que a nação reclama que seja feito, quem se seguir tem que se alicerçar num diálogo social e num pacto político que gere estabilidade à volta do que é estruturante. Doutra forma o sistema soçobra.

Percebo bem que os portugueses se preocupem com a bancarrota. Não entendo que não reajam à "educaçãorrota". Depois de lhes sacrificarem os filhos, ainda não se dispõem a defender os netos?

 O ano lectivo vai terminar de forma grotesca.

 

De fanfarronada em fanfarronada, os sindicatos foram ao tapete:

cederam na aberração da avaliação do desempenho; aguardam com a paciência dos desistentes um estatuto de carreira por promulgar que, em boa verdade, só muda as moscas; assistiram ao sacrifício dos contratados e ao adiamento de tudo o que libertasse os professores da escravidão em que caíram.

Pactuaram quando tinham que ser firmes. Persistiram no erro quando puderam reconhecê-lo.

E, não contentes, espadeiraram contra os que estavam do seu lado, cegos pela ganância de não partilharem o protagonismo das negociações eternas.

 

Cabe aos professores rejeitarem vigorosamente o papel de simples sujeitos-mercadoria que o "gadgetismo" irresponsável lhes reserva, impondo-lhes, como se desejo seu fosse, toda a sorte de porcaria perniciosa.

Mas não cabe só aos professores.

É tempo do novo responsável do PSD dizer ao que vem.

Dizer claramente se sustenta a dissimulada mas escandalosa privatização do Ministério da Educação, que o polvo da Parque Escolar vai sorvendo;

dizer, com urgência, se acompanha ou não a subalternização da sala de aula e a substituição do ensino pelo entretenimento atrevido e ignorante do "eduquês" pós-moderno de Teresa Heitor;

dizer, sem dar espaço às habituais tergiversações do PSD, se, uma vez no Governo, porá fim à terraplanagem selvagem da identidade e da cultura das escolas portuguesas;

mais que dizer, mostrar, numa palavra, ele que tanto se detém nos labirintos da economia e da globalização, que interiorizou as razões pelas quais as multinacionais do Ocidente procuram os alunos da China, da Coreia do Sul e da Índia.

 

*Professor do ensino superior. s.castilho@netcabo.pt   (via comentário no post «Ignóbil reduto da iliteracia diplomada»)



Publicado por Xa2 às 12:50 de 09.07.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Economia e Poder exercido, de facto!

"Folheando o Diário Económico de hoje..."

«...o direito à gratuitidade é uma questão inalienável de cidadania, competindo aos decisores políticos, económicos e sociais encontrarem o modelo de desenvolvimento que garanta a criação de valor necessária para o sustentar:

investindo na inovação e criatividade, na qualificação dos cidadãos, na investigação e desenvolvimento e na internacionalização, potenciando as suas vantagens comparativas nos mercados vocacionais, como os nórdicos fizeram com sucesso. Todos sabemos que é mais difícil este caminho, mas é o único que permite traçar o caminho correcto» (Francisco Murteira Nabo)

«Um dia, mais tarde ou mais cedo, vai saber-se que a crise actual foi decidida num dos muitos centros de poder oculto espalhados pelo mundo. Um dia, alguém tem acesso a documentos de uma reunião de um clube privado tipo Bilderberg, a uma inconfidência por parte de uma fonte género Trilateral, a uma acta redigida e assinada por mãos invisíveis, e lá virá a lume a criação e implantação de uma estratégia da crise para acabar de vez com os direitos conquistados pelos assalariados desde a revolução industrial, para exterminar os direitos humanos de cariz social.» (João Paulo Guerra)

«A política [de austeridade] alemã é um perigo para Europa e pode destruir o projecto europeu. (,,,) Actualmente, os alemães estão a arrastar os seus vizinhos para a deflação. E isso poderá conduzir ao nacionalismo e à xenofobia. A democracia pode estar em risco.» (George Soros) 

 

... Caro Francisco,

Parece-me que deixamos o neoliberalismo ganhar o fôlego suficiente para renascer das cinzas... ...quando toda a gente vaticinava o fim da "fera", ela renasce com mais força do que tinha... E AGORA?!?!?

Vamos escrever mais uns artigos ou mandar mais uns amigos para a Assembleia da Republica e ficar à espera que nos chamem... para ... whatever ?

Já não acredito no Poder da caneta, mesmo que seja uma caneta digital !

O único Poder que é reconhecido é aquele que é exercido, de facto e não só de juris!

A única Autoridade que é reconhecida é aquela que é exercida, de facto e não só de juris!

Remember remember the fifth of November

Gunpowder, treason and plot.

I see no reason why gunpowder, treason

Should ever be forgot...   - Miguel

Pai Natal disse...

1. A gratuitidade da educação, mas também da saúde, e até certo ponto da justiça (e da segurança pública), são vectores fundamentais do desenvolvimento.

O facto do PSD vir agora pôr estes valores fundamentais em causa demonstra bem o tipo de politicos que temos, e domonstra bem como (esta) democracia não é um sistema adequado.

2. A teoria da conspiração ... misturar assuntos sérios com delirios literários.

3. Quanto ao comentário de Soros, ... está com medo de perder dinheiro com o pico do euro que ocorrerá entre agora e fim da moeda (provavelmente durante os proximos 5 anos) e portanto que a zona euro a desvalorizar em massa. Puro open show and sell, bem à moda de buffet.

L. Rodrigues disse...

Pai Natal, também não sou adepto das teorias da conspiração, mas os grupos referidos existem e reunem (com que intuito?) e o próprio Neoliberalismo teve uma raíz na Mont Pelerin Society. http://en.wikipedia.org/wiki/Mont_Pelerin_Society#Influence

Podemos achar que isto é delirio literário, mas quem financia os think tanks referidos no link, por exemplo, só pode dar o seu dinheiro por bem empregue. Ou seja, como dizem os espanhois, ''eu não acredito em bruxas, mas que as há, há''.


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 26.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (17) |

Cavaco: a pré-confusão

Pode parecer tabu a não divulgação, por parte do actual PR, Dr. Cavaco Silva, da sua decisão de se recandidatar. Contudo, só quem andar muito distraído é que poderá considerar existir esse ... tabu.

As mais recentes intervenções, com ou sem “crispações”, já não podem deixar dúvidas que a decisão, pela afirmativa, já foi tomada.

As suas, mais recentes, declarações denotam uma clara politização do discurso e deixam a evidência de que o Presidente da República, se recandidatará a um novo mandato.

É natural que até o pé lhe fuja para a chinela e extravase, inadvertidamente, as suas naturais e próprias competências, invadindo as atribuídas à governação, ao governo. Os portugueses, cidadãos eleitores, dever-mos estar atentos.

O homem alerta, e faz muito bem, para a complicada situação em que o país se encontra, mas parece esquecer as suas próprias responsabilidades na condução de politicas que contribuíram para este estado de coisas. Quem se não lembra dos tempos das vacas gordas e dos barões do PSD por si próprio denunciados, mas não combatidos, no comício do Pontal, Algarve?


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Publicado por Zé Pessoa às 14:34 de 25.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

CDU quer saber de 23 mil euros em falta na Charneca

CDU exigiu ao executivo da Junta de Freguesia da Charneca da Caparica esclarecimentos sobre o destino dado aos quase 23 mil euros de diferença entre o saldo contabilístico e o saldo real das contas de 2009. O presidente socialista do executivo da freguesia, Fernando Jorge Amoreira, afirmou que o desacerto nas contas se deve a um problema no sistema informático.

Rosário Quintas, eleita pela CDU na assembleia de freguesia, considera que "existe um conjunto de situações que não estão esclarecidas a este respeito" e acrescenta que, "tratando-se de tanto dinheiro, é imperioso que haja uma auditoria externa para clarificar eventuais procedimentos incorrectos". Para a CDU, de "há alguns anos a esta parte que os relatórios e contas da junta de freguesia têm levantado um conjunto de questões que não têm sido respondidas".

...

O presidente do executivo da junta afirmou ainda que sempre esteve disponível para prestar todos os esclarecimentos que lhe fossem solicitados. A CDU propôs a criação de uma comissão eventual de acompanhamento do trabalho de auditoria, que exige que seja feito.

A comissão foi eleita na sessão de 27 de Abril e é constituída por um elemento de cada partido - CDU, PS, PSD, Bloco de Esquerda e CDS-PP. Fernando Jorge Amoreira disse que depois de ter sido nomeada, a comissão apenas reuniu com ele uma vez. A Charneca da Caparica é a maior freguesia do concelho de Almada, com 30 mil habitantes.

Público

 

Ainda no Público:

Oposição na Câmara de Beja contra a falta de botas e abundância de cartões de crédito

Autarcas comunistas criticam a contenção de despesas imposta pelo executivo de maioria socialista na câmara alentejana.

O plano de contenção e de recuperação divulgado anteontem pelo executivo de maioria socialista que preside à Câmara de Beja veio agudizar, ainda mais, o confronto político com os comunistas que recentemente tinham contestado a atribuição de cartões de crédito aos seus opositores autárquicos.

À semelhança do que acontecera em 2009, os eleitos da CDU na autarquia alentejana contestaram que o orçamento municipal contemple a possibilidade de o presidente, o seu chefe de gabinete e os três vereadores socialistas beneficiem de um crédito mensal de 900 euros cada um, renovável automaticamente no final de cada mês.

Para além deste cartão de crédito, os socialistas criaram um outro de 2500 euros, também renovável no final de cada mês. O presidente de câmara, Jorge Pulido Valente, justificou este procedimento alegando que era "para a marcação de viagens e pagamento de alojamentos, pois muitas vezes só podem ser feitos através da Internet."

Para além destes créditos mensais, a CDU diz que as despesas de representação orçamentadas para 2010 ascendem a 58 mil euros, "sete vezes mais" que as orçamentadas pelo anterior executivo (comunista) para 2009. Em paralelo com a atribuição dos cartões de crédito os autarcas comunistas foram confrontados durante os seus contactos com os trabalhadores municipais, com "o insólito caso das botas". Existiam dificuldades no fornecimento de calçado, ao ponto de "haver operários com necessidade urgente deste tipo de equipamento".

...

O presidente confirma o acesso aos cartões de crédito e à utilização de despesas de representação, mas esclarece que "não funcionam como um complemento de vencimento", sustentando que o seu uso está estipulado na lei e que "até foi aconselhado pela Direcção-Geral de Finanças, por ser um meio mais transparente". Pulido Valente acusa a CDU de estar a "deturpar e a manipular o uso dos cartões de crédito", garantindo que o seu fundo de maneio "é inferior" ao que era utilizado pelo anterior presidente que tinha acesso a "dinheiro vivo".

 

Que credibilidade nos merecem os autarcas eleitos pela CDU?

Serão alguns dos autarcas eleitos pelo PS e vencedores em eleições locais, pessoas que se servem do poder e não pessoas ao serviço do poder? Claro que não. Haverá alguém, para além dos eleitos pela CDU, que duvide?


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Publicado por Izanagi às 17:26 de 09.06.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

ANÁLISE a "Outra economia e alteração da zona Euro"

Dos 16 países com moeda única, Euro, 10 não apresentam os problemas que os restantes apresentam, ou seja, um défice orçamental elevado e uma dívida pública quase incontrolável como a portuguesa. Outra curiosidade é que dos 6 países com problemas de défice orçamental elevado, com excepção da Irlanda, todos se situam no sul da Europa: Portugal, Itália, Grécia, Espanha e França.

Também a dimensão dos países não é relevante. Alguns países sem problemas têm a nossa dimensão, outros são mais pequenos e há um que é maior. Contudo, todos receberam proporcionalmente á sua população muito menos subsídios a fundo perdido, que Portugal.

Que leitura podemos desde já fazer: A primeira afirmação do post “Outra economia e alteração da zona Euro não colhe. Não foi a entrada na zona euro a principal razão da perda de competitividade. O processo da desvalorização da moeda e da exportação de produtos de preços reduzidos, sustentados em mão-de-obra de baixos salários, não é compatível com um quadro de globalização como o actual. Aliás, é o autor do Post que afirma que mesmo uma redução drástica de 30% nos salários pouca repercussão tinha no custo final do produto.

Da mesma forma que não colhe a afirmação que planos de austeridade são uma má opção. Desde logo porque a austeridade resulta primeiramente da falta de crédito. Não é portanto uma opção, mas sim uma consequência, sem alternativa. Também não colhe a afirmação, muito defendida por Jorge Sampaio, que um orçamento equilibrado não é importante, ou como dizia: há muita vida para além do défice: Vê-se!

Estão os países com orçamentos equilibrados e dívida pública controladas a serem alvos de especulações? Não. Mais, é Jorge Sampaio ou Stiglitz quem empresta o dinheiro que Portugal sistematicamente precisa? Também não. Alguém acredita que os alemães ou qualquer outro povo está disposto a trabalhar e fazer economias para as entregar a Portugal ou países idênticos ao nosso? Claro que não. Poder-nos-ão fazer empréstimos mas têm que ter garantias que os mesmos são pagos. Que garantias oferece Portugal, onde a dívida pública e privada crescem exponencialmente e sem controle e onde a balança de transacções comerciais tem um défice crescente?

Sobre a lucidez dos economistas, que créditos nos merecem sejam académicos ou não? Qual o seu contributo, ou mesmo o das suas universidades, no caso dos académicos, para o crescimento económico de Portugal?

Soluções para o défice orçamental: Diria que nem há necessidade mexer nos impostos nem de despedimentos; basta tão só reduzir os desperdícios (nem digo eliminar) e a burocracia, ajustar os recursos humanos e afinar a máquina fiscal, melhorando a justiça contributiva, porque ainda há uma percentagem muito elevada de fuga aos impostos, aparentemente até alguma dela, com a conivência do aparelho fiscal.

Soluções para o crescimento da economia: Num curto prazo é difícil. Mas Portugal tem que definir uma estratégia para um médio e longo prazo, que passa por ajustar o ensino superior às necessidades previsíveis de técnicos e não ter cursos em função dos interesses dos professores, como acontece actualmente bem como exigir que os investigadores pagos pelo Orçamento Geral do Estado, que devem ser 100%, orientem a s suas investigações para áreas produtivas, isto é, que estejam ao serviço do país e não exclusivamente, como acontece actualmente ao serviço do seu curriculum. Melhorar (aqui substancialmente) o funcionamento da Justiça e exigir das entidades com essa competência, nomeadamente o INE, rigor na informação.

Estas 4 medidas, que não têm custos acrescidos, antes pelo contrário, serão a alavanca de que o país precisa para sair deste marasmo económico e produtivo.


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Publicado por Izanagi às 18:20 de 27.05.10 | link do post | comentar |

Sócrates conclui amanhã consultas internas para decidir candidato presidencial

Título de notícia do jornal Público on-line de hoje

 

 

Não sei se os militantes com quotas em atraso também vão pode pronunciar-se ou se apenas abrange os militantes com quotas em dia.

Como tenho as quotas em dia, podem imaginar a minha “ansiedade” e simultâneo "desalento" por ver a data aproximar-se e ainda, ao contrário do que é habitual quando há processos eleitorais, quer sejam internos ou externos, não ter sido contactado para me pronunciar.

Será que houve qualquer anomalia na base de dados? Vocês já foram contactados?

 

PS –Post scriptum

Depois de ter escrito isto falei com amigos que me disseram que não posso continuar a ser ingénuo (confessaram mais tarde que foram simpáticos, porque o adjectivo que deviam ter utilizado era antes “ignorante” ou mais forte ainda "PARVO"), que militante é mesmo isso: pagar quotas e estar disponível para as campanhas nos momentos eleitorais.

Eu nunca mais aprendo !!!!


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Publicado por Izanagi às 19:44 de 24.05.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Dois ratos pariram uma montanha... de impostos

Durou cerca de uma hora e meia a reunião entre o primeiro-ministro e o líder do PSD, que terminou pelas 11:05. Foi uma reunião a sós para analisarem medidas de combate ao défice orçamental no âmbito do Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) e de outras exigências colocadas por Bruxelas e pelo Banco Central Europeu, com vista, segundo eles, a travar os ímpetos especulativos dos mercados financeiros.

Esta foi a terceirade,  certamente, muitas mais reuniões a sós entre o primeiro-ministro e o líder do PSD.

Nem José Sócrates e muito menos Passos Coelho fizeram declarações aos jornalistas no final do encontro, essas ficaram, muito certamente para o final da reunião do Conselho de Ministros a decorrer durante o dia.

O Conselho de Ministros está reunido hoje para aprovar as medidas adicionais de combate à crise financeira, que como habitualmente irão pelo caminho mais facil de aumento de impostos em vez do combate ao desperdício e ao exagero de certas regalias das elites.


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Publicado por Zurc às 12:15 de 13.05.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

O jogo dos ratos e banqueiros

O JOGO DOS RATOS

[- por AG, em Causa Nossa, 3.05.2010]

     Na semana passada foi animador ver o Primeiro Ministro e o líder da Oposição juntos para rechaçar o ataque dos especuladores financeiros à economia portuguesa.

Mas a montanha pariu um rato. Largado contra os desempregados, que não têm culpa da crise provocada pelos especuladores financeiros. Um rato que nem sequer se sabe quanto alivia ao orçamento do Estado!

Não se percebe a lógica, quando o Governo afirma que não há ataques especulativos que o façam desistir ... do programa de obras públicas.

De entre elas, só uma vincula já internacionalmente Portugal e é verdadeiramente estratégica para a competitividade do país: o projecto TGV Lisboa-Madrid.

Mas esse e outros projectos vão obrigar o Estado e as empresas a fazer mais daquilo que alimenta e atiça os especuladores financeiros: ir buscar financiamento ao exterior, agravando o nível de endividamento nacional.

 

É caso para perguntar:

De que está o Governo à espera para lançar empréstimos publicos obrigacionistas que captem e incentivem as poupanças dos portugueses, a fim de travar o nível de endividamente do país?

 Porquê continuar a fazer o jogo dos bancos e dos especuladores financeiros?

 

Redução do rating português considerada “duvidosa”

[- por Macro (RM) at 29.4.10 macroscopio]

 

A redução da nota da dívida de Portugal pela agência de “rating” Standard & Poor´s foi hoje considerada “duvidosa” pela edição alemã do Financial Times, que sublinha que a economia portuguesa teve uma forte recuperação nos últimos meses.

 

“Os dados macroeconómicos de Portugal não pioraram nas últimas semanas e meses”, afirma o chefe do gabinete de estudos económicos do Dekabank, Ulrich Kater, no mesmo jornal.

Outro economista citado pelo Financial Times Deutschland, Roland Doehrn, do Instituto de Pesquisa RWI, defendeu também que a situação económica de Portugal “não é motivo” para agravar a nota da sua dívida.

“Os problemas económicos de Portugal e da Grécia não se agudizaram agora, o que mostra, mais uma vez, que as economias nacionais, durante a crise, se tornam um joguete dos mercados internacionais, com forte apoio das agências de rating”, observou ainda Doehrn.

No artigo chama-se ainda a atenção para o facto de, em Março, Portugal ter subido no Índice ESI da Comissão Europeia, que mede diversos indicadores, de 91 para 95,2 pontos, enquanto a Grécia desceu sucessivamente no mesmo índice nos últimos cinco meses.

 

Commerzbank considera realista a previsão de crescimento do Governo

Além disso, as previsões de crescimento económico do Governo português – de 0,7 por cento do Produto Interno Bruto em 2010 e quase um por cento em 2011 – são positivas e na opinião dos analistas do Commerzbank, segundo maior banco privado alemão, são também “bastante realistas”.

O jornal alemão destaca ainda que Governo e oposição chegaram a acordo em fins de Março sobre um novo Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC) e que a dívida pública portuguesa, 78,6 por cento do PIB, “é moderada”, em comparação com os 115 por cento da Grécia.

Porém, na opinião de Charles Wyplosz, professor no Institute of International Studies, de Genebra, citado pelo Financial Times Deutschland, entretanto “já não interessam as perspectivas económicas de um país, quando este cai na mira dos mercados”.

“Nos dias que correm, todos os países com défices e dívidas elevados são vulneráveis a ataques dos mercados, porque, quando os investidores começam a apostar contra um país, os outros vão atrás”, explicou o economista.

 

Agências alimentam “círculo vicioso”

Wyplosz afirmou ainda que as agências de “rating” desempenham um “papel especial” neste processo, como “os canais de transmissão do círculo vicioso” que amplificam o sentir dos mercados.

É possível, no entanto, travar esta espiral e acalmar os mercados, “não através do anúncio de um pacote de ajudas financeiras de outros países, mas sim através da implementação do mesmo pacote”, refere Ulrich Leuchtmann, perito em macroeconomia do Commerzbank, dando o exemplo do que aconteceu na Hungria.

Quando este país da Europa de Leste iniciou negociações com o FMI, há dois anos, os mercados não reagiram, mas quando as primeiras ajudas chegaram, a taxa de risco da Hungria melhorou.  

Obs:

Já se percebeu que as agências de rating do costume têm uma agenda política (escondida) sobre a fragilidade económica dos países em dificuldades, e é sobre eles que pretendem ganhar dinheiro, de forma parasitária e sem escrúpulos gerando e convocando ainda mais as ondas especulativas que se põem em marcha no terreno por parte dos investidores especulativos, sempre ávidos e fazer dinheiro.

Nesta ordem, o timing que escolhem para lançar os seus avisos à navegação é cirúrgico e tem um fito económico e financeiro altamente especulativo.

Talvez não foi marginal repensar na taxa Tobin a ser aplicada em sede de transações em bolsa...

Assim sendo, seria de toda a conveniência que a Europa constituísse de forma credível uma grande Agência de Rating para avaliar com maior rigor e isenção os indicadores económicos com que hoje os países têm ou não crédito internacional.

Esta seria uma reforma importante na Europa a 27, não se compreende por que razão Durão Barroso não mexe uma palha nesse sentido, e os países membros, através dos seus ministros das Finanças, também não propõem nada nesse sentido. O que revela bem o estado de letargia desta Europa.



Publicado por Xa2 às 08:00 de 04.05.10 | link do post | comentar |

Atacados pelos mercados !

Segundo temos lido e ouvido Portugal está a ser atacado pelos mercados!

Estes, segundo alguns analistas, estão “turbulentos” ou “nervosos” porque temem que Portugal não pague as suas dívidas!

É uma linguagem “engraçada” para falar dos mercados financeiros e da sua malvadez especulativa e manipuladora!

Dezenas de comentadores e analistas argumentam até à saciedade que é preciso medidas duras para “acalmar” os mercados, tal como os antigos povos acalmavam os deuses que exigiam a sua quota de vítimas! Os oráculos falaram, o poder reuniu e decidiu tomar já uma medida para acalmar os ditos mercados: alterar as regras do subsídio de desemprego.

 

Esta medida e uma reunião do Primeiro Ministro com um tal senhor chamado Passos Coelho eleito há pouco tempo chefe de um partido da oposição irão acalmar os mercados que estão sedentos de juros altos! No fundo passa a ideia de que a nossa situação crítica se deve a esses milhares de “malandrecos” que estão no desemprego e nunca mais querem trabalhar!

Ouvindo alguns senhoritos como o Miguel Sousa Tavares e outros comentadores bem instalados na vida a culpa é dos desempregados, dos que estão integrados no rendimento mínimo e dos trabalhadores absentistas!

Ao que chegaram estes senhores que em tempos andaram de cravo vermelho ao peito e que agora são loquazes sacerdotes dos tais mercados que não olham a meios para destruir o projecto europeu começando pelos países mais vulneráveis!

 

Lamentavelmente o PS está desarmado ideologicamente!

Entreteve-se a gerir o poder e a usufruir do mesmo todos estes anos!

Agora para se salvar incorpora as miseráveis reivindicações de uma direita socialmente xenófoba que prega o ataque aos pobres e aos trabalhadores como salvação da pátria!

Reivindicações que são ouvidas aqui e acolá pelas gentes mais variadas como de senso comum se tratasse ... Mas não são!

Em situação de crise uma parte dos portugueses sempre encontra um bode expiatório nos mais fracos e sempre apelou para medidas autoritárias!

 É mais fácil sustentar e defender ideologicamente o banco alimentar contra a fome! É a caridade que é defendida, o amor aos pobrezinhos!

 

O direito a ter um mínimo para a sobrevivência, independentemente da situação relativamente ao trabalho não está suficientemente enraizado e trabalhado.

É uma questão cultural a que a esquerda nunca deu grande importância! Há que aprofundar!

- por A.Brandão Guedes em Bem Estar no Trabalho, 29.04.2010


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 30.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Todos a 'remar' no mesmo barco ?

O nosso barco

 "Não rema mais, porquê ?!!" "Não estamos todos no mesmo barco ??"

O Diário Económico de hoje apela na sua manchete aos líderes dos dois maiores partidos de forma clara:

"Entendam-se!".

Na sequência de mais uma descida do rating, a Direita procura agravar a política recessiva do PEC e o PS presta-se a um papel lamentável: centrar os sacrifícios nas prestações sociais.

Da reunião entre Passos Coelho, saíram duas conclusões:

1) antecipar a política de redução das prestações sociais e

2) antecipar os cortes no subsídio de desemprego.

 

Partilha de sacrifícios, nem vê-la.

O Bloco Central tenta criar um clima de grande unidade nacional em torno de um programa que exige tudo àqueles que sempre pagaram o Estado em Portugal e que, não tendo tido responsabilidade na crise, são mais uma vez chamados a pagá-la.

Não é falta de imaginação. É falta de vontade política.

- por José Guilherme Gusmão, em 28.4.10 Ladrões de Bicicletas

 

Onde é que já ouvi isto?

«As pessoas aqui gostam mais de gastar do que de trabalhar».

«A febre dos juros baixos levou a um endividamento insustentável das famílias.»

«Os produtores locais não se dão ao trabalho de procurar mercados externos, preferem viver da procura local.»

«A evasão fiscal é enorme e os serviços de finanças não se dão ao trabalho de combatê-la.»

Estas são algumas explicações que tenho ouvido em Atenas, onde me encontro, sobre as razões da crise que afecta a Grécia.

 

Tal como em Portugal, é mais difícil encontrar quem diga que a política monetária única conduzida pelo BCE desde a fundação do euro reflectiu sistematicamente as condições dos países centrais da UE em detrimento das suas periferias (aqui como noutros países a taxa de juro deveria ter sido substancialmente mais elevada durante boa parte da última década).

Já poucos discutem que o nível cambial adoptado à entrada do euro foi excessivo e que, associado à valorização do euro face ao dólar, desincentivou o investimento em sectores transaccionáveis.

Ou que a sobrevalorização do euro (na perspectiva das periferias) se juntou a uma política comercial europeia que abriu os mercados externos às economias emergentes, prejudicando os sectores mais tradicionais (que dominam as economias das periferias) para obter como contrapartida o acesso das exportações de bens intensivos em capital (que dominam economias mais avançadas, como a Alemã) aos apetecíveis mercados emergentes.

Poucos referem também o impacto que a promoção do mercado interno de serviços financeiros e a liberalização dos fluxos de capitais teve sobre a facilidade de fuga ao pagamento de impostos de alguns sectores importantes das sociedades europeias.

Ou como a ausência de harmonização fiscal na UE vem erodindo a capacidade de financiamento dos estados membros.

 

Usar a propensão individual para o pecado como explicação para a instabilidade que actualmente se vive nas economias europeias revela-se uma estratégia eficaz – na Grécia como em Portugal, e suspeito que noutros países – e muito ao gosto de certos comentadores.

Infelizmente, o apelo à auto-culpabilização fará muito pouco pela resolução dos problemas estruturais do modelo de integração europeia.

- por Ricardo Paes Mamede, em 29.4.10 http://Ladrões de Bicicletas.blogspot.com

 

 À espera de um milagre na Alemanha

"Ao ‘eixo’ partido da União Europeia junta-se a passividade dos estados que estão na primeira linha para um agravamento dramático da sua dívida pública. Portugal é apenas um deles.

Em suma, a menos que ocorra um milagre na Alemanha, o agravamento da crise ecónomica e financeira acabará por fazer saltar a faísca detonadora de uma crise política na UE no próximo ano. A interacção das várias crises conduzirá ao desmoronar da Zona Euro por insustentabilidade social, financeira e política.

Nessa altura não vai haver condições para ponderar sobre o que será melhor para o futuro de cada estado-membro (benefícios e custos de ficar ou sair do euro).

A partir de um dado momento a dinâmica dos acontecimentos será imparável."

 Este texto foi escrito em Julho do ano passado. Na altura foi lido por muitos como uma especulação despropositada. No entanto, nessa data toda a informação disponível já apontava para este cenário. O problema, como sempre, reside nos óculos com que se lê a informação.

 

Hoje Angela Merkel vai fazer uma declaração solene destinada a 'acalmar' os especuladores. De pouco servirá se a seguir não forem dados passos concretos para uma nova política de crescimento pela procura interna na eurozona e uma nova regulação do sistema financeiro que o ponha ao serviço da 'economia real'.

Em suma, só medidas que nos aproximem de uma nova constituição económica da UE podem travar a desagregação da eurozona.

É que sem crescimento significativo na eurozona não há receitas fiscais que cheguem para pagar os salários nos hospitais, escolas, polícia, exército, tribunais, embaixadas,... reformas, pensões e todo o tipo de prestações sociais nos vários países.

Um PEC recessivo aplicado a toda a eurozona fará retrair a procura interna de todos os produtos europeus, quer dizer, do nosso vestuário, calçado e hotéis ... e também dos automóveis e equipamentos alemães e franceses.

Se os Alemães perceberem isto, então ocorrerá o tal milagre. Contudo, nas palavras do Prof. Paul De Grauwe, "Angela Merkel não quer dar um euro antes da eleição de 9 de Maio, e nem sequer é claro o que é que fará depois."

Realmente só um milagre pode salvar o euro. Sim, porque esta crise não diz respeito apenas aos países da Europa do Sul. Esta crise é o grande teste da viabilidade do euro e da actual arquitectura institucional da União Europeia.

Dito de outro modo, ou nos salvamos todos ou nos perdemos todos. Só isto.

-por Jorge Bateira, em 28.4.10 Ladrões de Bicicletas


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Publicado por Xa2 às 08:05 de 29.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (10) |

Que futuro ?

Lá estão esses esquerdistas do costume

     O FMI lançou um apelo ao G20 no sentido da introdução de dois novos impostos sobre as actividades financeiras:

um que se aplicaria de forma transversal a todas as empresas financeiras; outro que incidiria sobre empresas com lucros e prémios excessivos.

     A proposta vai no sentido de estas medidas serem adoptadas pelas principais economias mundiais em simultâneo, para garantir que não seriam minadas pela concorrência fiscal entre países. [idem para os 'paraísos fiscais'/ 'offshores'].

     Segundo o Financial Times, nem assim parece haver condições para aprovar estas medidas. Nem o FMI consegue levar o sector financeiro a pagar pelos custos do seu funcionamento em rédea solta - apesar de reconhecer que o deveria fazer.

- Por Ricardo Paes Mamede, em Ladrões de Bicicletas 22.4.10

Que futuro para os países da periferia da UE?

    Perante a nomeação de Portugal por parte de alguns economistas estrangeiros mais mediáticos como constituindo o “país-problema” que vem a seguir à Grécia, o secretário de Estado do Orçamento terá pedido “aos economistas portugueses para refutarem as avaliações que têm vindo a ser feitas (ver Público). Evidentemente que não haverá desmentidos ou declarações optimistas que nos possam valer.

    Quem até agora aceitou a liberdade de circulação dos capitais especulativos não pode vir agora queixar-se dos especuladores. Estes apenas fazem o que deles se espera que façam. Coragem política para submeter a finança a uma estratégia de desenvolvimento nacional é coisa que não tenho visto, quer no Governo quer no Partido Socialista.

    Quem até agora aceitou a abertura comercial da UE sem eficazmente defender a nossa frágil indústria exportadora da concorrência de países onde a mão-de-obra vive no limiar da sobrevivência e sem direitos laborais, dando-a em moeda de troca pela abertura dos mercados desses países aos equipamentos industriais alemães, não pode vir agora convencer-nos com um PEC que baseia o crescimento dos próximos anos nas exportações.

    Quem até agora aceitou a ideia de que receber (muito) dinheiro da UE e distribuí-lo pelas empresas resolveria o grave problema da baixa qualificação da esmagadora maioria dos empresários portugueses, e da sua persistente recusa em recrutar licenciados, não pode agora esperar por um milagre de competitividade pela inovação que faça dos exportadores a locomotiva do crescimento económico do País.

     Quem até agora aceitou a ideia de que com o dinheiro da UE poderíamos tornar-nos competitivos pela inovação comprando equipamento à Alemanha com o dinheiro que ela própria nos dava é responsável pelo beco sem saída em que nos encontramos. Começa a desfazer-se a ilusão de que o desenvolvimento é possível sem um processo de aprendizagem que leva tempo, precisa de ser protegido e requer uma grande convergência estratégica entre o Estado e os empresários. Em vez disso tivemos negociatas e imitação tosca do modelo anglo-saxónico.

Na Irlanda e na Islândia a ilusão já acabou. A Grécia vai a caminho. "Os mercados" vão tratar agora de Portugal.

     Quem nada faz para construir uma coligação de países que faça frente às políticas recessivas que a UE quer generalizar, mergulhando assim todo o continente europeu numa nova recessão, não pode esperar credibilidade quando diz que Portugal não é comparável à Grécia. Para ser credível deveria, por exemplo, explicar quais são os mercados que estão em condições de substituir as actuais exportações para a UE no imediato. Os governos da Grécia, Espanha e Portugal dizem-se socialistas. Serão eles que vão administrar a prescrição do FMI às respectivas classes médias, e mesmo aos seus pobres. E sem qualquer vantagem porque as regras da Eurozona continuarão inalteradas e não permitirão a execução de qualquer estratégia de desenvolvimento. Nestas condições, os países menos desenvolvidos da UE vão cristalizar a sua condição de periferia, à semelhança dos estados mais pobres dos EUA.

     Não seria mais vantajoso para estes países organizarem-se e apresentar à Alemanha uma proposta de saída do euro, em bloco e na mesma data? Só o facto de o fazerem obrigaria a Alemanha a pensar duas vezes se seria do seu interesse manter a actual arquitectura do euro. É que não faltam ideias sobre o que deve ser mudado. Em vez de ridiculamente apelarem aos economistas portugueses para darem uma boa imagem do País, mais lhes valia lerem o Financial Times.

- Por Jorge Bateira, em Ladrões de Bicicletas, 21.4.10



Publicado por Xa2 às 00:07 de 24.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

corporação de notáveis de direita

Saída da cartola: uma corporação de notáveis

Passos é um especialista em tirar coelhos da cartola. Convencido de que inventou a roda, deixou cair, como uma bênção no regaço dos atónitos congressistas, o discreto charme de uma proposta alegadamente luminosa.

Um Conselho Superior da República iria fiscalizar actos dos governos. Antigos presidentes disto e daquilo, muitos dos quais nunca antes eleitos por sufrágio universal dos cidadãos eleitores para coisa nenhuma, iriam fiscalizar actos de um órgão político, cujo poder resulta dos deputados eleitos pelo povo.

Uma espécie de antiga câmara corporativa de antes do 25 de Abril a substituir-se aos deputados eleitos. Verdadeiramente paradigmático, para nos mostrar que o referido Coelho, por detrás da sua fachada radicalmente neo-liberal, abriga afinal, como estrutura profunda do seu pensamento, o velho corporativismo que deus haja.

O novo chefe, que nem a actual crise demoveu de uma agenda perigosamente conservadora, no seu fundamentalismo neo-liberal, limou matreiramente as arestas mais assustadoras do seu discurso, num esforço de atenuação do seu potencial para espantar os eleitores menos distraídos. Mas não soube, no fundo de si próprio, distinguir as suas crenças mais apresentáveis das que exprimem cruamente um reaccionarismo político-ideológico claro. Ou então, ter-se-á deixado guiar por algum dos radicais de direita, que já se anunciam como integrando o Olimpo do novo poder laranja.

- por  RN, em O Grande zoo,  10.04.2010


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Publicado por Xa2 às 00:07 de 19.04.10 | link do post | comentar |

A classe média e a estabilidade social

A classe média e a estabilidade social

"Numa sociedade em que cada um tenha algo a guardar e pouco a tomar, será difícil a ocorrência de revoluções violentas" (A. Tocqueville). Para o autor de A Democracia na América, nas sociedades democráticas, em comparação com as velhas aristocracias, os pobres seriam em pequeno número e, além disso, não estariam "ligados por laços de uma miséria irremediável e hereditária, enquanto que os ricos, além de pouco numerosos, não permitem que os seus privilégios atraiam os olhares..." (Idem).

Esta noção de "classe média", relativa à pequena burguesia proprietária dos EUA do século XIX, mudou profundamente ao longo do século XX. Nas sociedades industrializadas do Ocidente, e na Europa em particular, a importância social e política da "nova classe média assalariada", sobretudo a partir da II Guerra Mundial, conferiu-lhe um outro significado, relacionando-a não só com o fenómeno da "mobilidade social" mas também com o papel do Estado. Porém, a relação directa entre a "classe média" e a "luta de classes" - ou, para usar uma linguagem menos conotada, o conflito estrutural - tem permanecido ao longo dos tempos. Enquanto o progresso económico (e tecnológico) pareceu infindável, pensou-se que o crescimento dos white collar seria igualmente ilimitado. No sector privado ou à sombra do Estado social, o imparável reforço da classe média era a garantia da coesão social. Quanto maior a classe média menor a conflitualidade. Isto porque a mobilidade social não se refere apenas a trajectórias de "subida", mas cria a ilusão de subida.

Em Portugal, não obstante a comprovada pequenez da classe média, as subjectividades colectivas trataram de a ampliar artificialmente. Assim, a nossa história recente diz-nos que, mais do que as oportunidades oferecidas aos que tinham "mérito", a mobilidade inseriu-se nos processos de rápida recomposição da estrutura social - sobretudo enquanto foram precisos novos profissionais para alimentar o sector público -, gerando o chamado "efeito escada rolante". Se a família X se via a si mesma em processo de subida era porque se comparava com a condição de origem (ou dos seus antepassados), isto é, era mais fácil ver quem estava para trás do que "os de cima", embora estes subissem a um ritmo igual ou maior. Apesar de tudo, os movimentos ascendentes, se bem que "de curto alcance", tiveram algum significado até ao início da década precedente. Sendo subjectivamente ampliados, funcionaram como ideologia adaptativa, e com isso contribuíram para a relativa estabilidade social. Inseridos nas camadas mais baixas da classe média, esses sectores puderam sonhar com o conforto de um status de pequena burguesia acomodada e consumista. Mas, verdadeiramente, nunca consolidaram a sua posição, antes se viram rapidamente estrangulados com tanta dívida, e estão hoje à beira de um novo "deslizamento" para as franjas dos estratos mais baixos da sociedade. Com a agravante de terem ampliado os índices de privação relativa (e, portanto, o descontentamento e potencial revolta).

Enquanto os estratos superiores funcionaram como "classe de serviço", sendo recompensados pelo seu papel de apaziguadores da conflitualidade (e de veículos da ideologia tecnocrática), os estratos "médios-baixos" não passaram de "zonas tampão" de carácter transitório. É verdade que o estatuto da nova classe média também resultou de conflitos. As lutas sindicais na área da educação são apenas um exemplo disso, entre outros. Todavia, se até recentemente essas lutas foram sobretudo de natureza corporativa, é possível que no futuro elas aumentem em amplitude e intensidade. Se a pobreza no nosso país não é propriamente um fenómeno raro, no actual quadro de crise económica e de fortes medidas de austeridade, com o congelamento de carreiras e remunerações, os ataques à administração pública, o crescimento do desemprego e da precariedade, em suma, com o recuo do sector público todos estes segmentos saem fortemente penalizados. Pode, por isso, ser desastroso pôr a classe média a pagar a factura da crise ou fazer aprovar um PEC que a toma como seu alvo principal. Investigador do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra

 

- por Elísio Estanque, em jornal Público, 10-04-2010 , via http://www.caocomotu.net/ 11.4.2010



Publicado por Xa2 às 00:07 de 16.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Estado sobredimensionado agrava défice

É lamentável o estado a que chegou o Estado.
É lamentável que o nosso Governo peça ao povo português que faça sacrifícios (PEC) sem dar um simples sinal de estar disposto a fazer o mesmo.

 

“O Governo corta no investimento do Plano, mas aumenta as despesas de funcionamento dos seus membros e altos quadros da Nação.
Tribunais superiores, Presidência da República, Presidência do Conselho de Ministros e Forças Armadas parecem dispensados de ‘apertar o cinto’ imposto aos portugueses em nome da contenção do défice. O mesmo se passa em relação aos membros do Governo, órgão que vai continuar a gastar milhões em serviços e estudos que depois são deitados fora.
As associações representativas dos empresários dizem que o Estado dá mau exemplo e pedem maior contenção. A solução passa pela implementação do Programa de Reforma da Administração Central do Estado.”

[Vida Económica, de 09.04.2010]

 

A solução passa, antes de mais, pelo Programa de Reforma destes Políticos, digo eu.
No fim dos portugueses terem feito e sofrido com os sacrifícios que fizeram e que foram obrigados a fazer, estará o País e todos nós, bem pior do que estávamos hoje.
Lamentável o estado onde chegámos. Lamentável.



Publicado por [FV] às 10:08 de 13.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Vergonha, pode ser pouca mas haja alguma

Os políticos/autarcas que temos, salvo muito poucas excepções, claro está.

A decisão há dias tomada pelo Supremo Tribunal Administrativo (STA) em resposta aos recursos interpostos pela Caixa Geral de Aposentações (CGA) e pelos autarcas e servirá de orientação para processos semelhantes que ainda estejam em apreciação, vem colocar alguma moralidade em termos políticos e no desempenho dos respectivos cargos.

O Acórdão n.º 3/2010 do Supremo Tribunal Administrativo publicado no D.R. n.º 49, Série I de 2010-03-11 vem clarificar, definitivamente, a interpretação da CGA: os presidentes de câmara ou os vereadores que tenham pedido a reforma antecipada até 2005, beneficiando de condições especiais, não podem acumular a pensão com um terço do salário nem, em alternativa, receber a totalidade do salário e um terço da pensão.

Este é, pelo menos, o quarto acórdão em que o Supremo vem dar razão à CGA, contrariando a interpretação dos autarcas e da Associação Nacional de Municípios Portugueses (ANMP). O primeiro data de Julho do ano passado, mas todos pretendem pôr um ponto final na polémica sobre a aplicação do diploma que limita a possibilidade de os titulares de cargos públicos acumularem pensões com salários.

Em todos os acórdãos até agora conhecidos, o STA usa os mesmos argumentos. Os juízes consideram que a Lei 52-A/2005 pretendeu retirar e limitar direitos e não "conceder algo que a lei anterior expressamente negava". Não seria razoável que uma lei que "reduz drasticamente o montante das pensões" e aumenta "consideravelmente a idade e o tempo de serviço" para se ter acesso à pensão pudesse conferir aos eleitos locais "direitos que até aí não tinham", justificam.

Na base de toda esta controvérsia está o Estatuto dos Eleitos Locais, que permitia que os autarcas em regime de permanência pudessem requerer a reforma antecipada depois de seis anos no cargo, desde que tivessem mais de 60 anos de idade e 20 de serviço. Mas, ao mesmo tempo, impedia que recebessem essa pensão enquanto exercessem o cargo.

Este estatuto foi revogado pelo Decreto-Lei n.º 52-A/2005 - que disciplinou a acumulação de pensões com salários e vice-versa - mas os autarcas entenderam que a partir dessa altura poderiam acumular a pensão antecipada com o salário, desde que prescindissem de dois terços da remuneração ou da pensão. É o velho hábito, de falta de ética e ainda menos moral (por mais que batam no peito e comunguem ao domingo), de cada um ver as coisas com os óculos que lhes convenha.



Publicado por Zé Pessoa às 00:01 de 05.04.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Agentes do Mercado, bárbaros e cúmplices locais

Com algum atraso e com a sua autorização, aqui vai mais um "Estranho quotidiano", traduzido por J.L.Pio Abreu em mais uma das suas crónicas ("O mercado"), publicadas no DESTAK.

O Mercado

"O leitor já alguma vez jogou na bolsa?   Duvido que agora o faça, mas é possível que tenha cedido à tentação num momento em que todos ganhavam com isso (um "bull market"). Seguramente, andou um pouco ganancioso enquanto tudo corria bem, mas acabou por perder porque outros mais gananciosos o fintaram.

Dizem que o Mercado é o lugar onde os interesses dos cidadãos se equilibram harmoniosamente, mas não é. Apenas uma minúscula parte dos cidadãos opera directamente no Mercado. De todos, são os mais gananciosos e truculentos. São mestres do ofício de dar mais dinheiro a quem já o tem, a começar por eles próprios.

Os agentes do Mercado podem convencer-se que trabalham para fundos de pensões, dando ganhos aos reformados e aforradores que neles confiaram. No fundo, porém, estão a pensar na sua extravagante comissão. Arriscam tudo e arriscam, sobretudo, o dinheiro dos outros, sabendo que o mais que arriscam, da sua parte, é o despedimento com uma choruda indemnização. Nunca ficam pobres como aqueles que fazem empobrecer.

A população trabalhadora e pacífica sempre se sujeitou aos invasores e cúmplices locais que, sendo minoritários, eram suficientemente agressivos para imporem a sua lei gananciosa. Com a democracia, pensámos que nos livrávamos deles. Mas não. A minoria agressiva disfarça-se hoje de agentes do Mercado. Com grande sofisticação, destroem pessoas, empresas e nações. Poderão os políticos democratas lutar contra eles? Talvez não. O mais que podem, tal como dantes, é fazer acordos e enviar sinais para os acalmar". [J. L. Pio Abreu]

 - Postado por RN em 31.3.2010, O Grande Zoo



Publicado por Xa2 às 08:05 de 31.03.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Debater o papel do(s) estado(s)-nação, é urgente

O papel do Estado-Nação no contexto da "Globalização e Política", segundo a tese do Prof. Holgonsi Siqueira - Brasil.

Não tem, infelizmente, ocupado o centro dos debates nem, tão pouco, havido a suficiente polémização a respeito da globalização, da questão da diminuição ou enfraquecimento do papel do Estado-nação.

No caso português, as tarefas do Estado estão, claramente, plasmadas no artº 9º da Constituição da Republica, as quais podem, em certas circunstancias, mal ou bem, ser alteradas.

Segundo o Professor acima citado “Neste contexto predominado pela ideologia neoliberal, há uma mudança de paradigmas e toda uma nova conceituação a respeito das questões sociais, cidadania, soberania, hegemonia, autonomia entre tantas outras que passam por alterações frente ao novo Estado-nação, Estado fraco ou mínimo, como preferem alguns autores. (Principio da intervenção mínima, artº 2º da CRP)

As relações económicas são reguladas pelo mercado num mundo sem fronteiras, de reestruturação tecnológicas, que afecta tanto as formas de produção, organização e gestão empresarial quanto à própria natureza do Estado e a sua função enquanto instituição reguladora e promotora do bem-estar social e económico. (Principio da liberdade e livre iniciativa, artº 26º CRP)

Após alguns anos da implantação desta nova ordem global de liberação económica, privatizações e revoluções tecnológicas, podemos verificar que houve muitos avanços como na área da tecnologia, nos meios de comunicação e informação entre outros, mas por outro lado, trouxe muitos prejuízos, nas áreas sociais, económicas, trabalhistas e humanas para muitas pessoas que são atingidas (negativamente) pelos impactos tecnológicos e que em grande parte não tem meios alternativos para a situação em que se encontram. (Não tem sido salvaguardado Principio da dignidade humana, artº 1º CRP)

Daí toda a discussão a respeito da intervenção do Estado na promoção do interesse público, nas suas mais diversas áreas e nos vários níveis de intensidade, conciliando a responsabilidade ou dever de conduzir uma economia de mercado estabilizada perante o sistema financeiro internacional, com os problemas sociais urgentes de uma sociedade necessitada, que ainda precisam ser resolvidos, principalmente nos países periféricos. (Falhou a garantia do respeito pela dignidade e soberania dos povos, artº 3º CRP)

Portanto, torna-se necessário promover várias formas de debates, discussões, pesquisas que encaminhem soluções práticas e executáveis para estes problemas.”

O debate que por estes dias tem sido feito e irá continuar a fazer-se, quer em torno do PEC cujo real conteúdo é um Programa Económico de Retracção (em vez de “Estabilidade e Crescimento”) tal como as dívidas públicas, sobretudo a da Grécia, não tem ido e continuará a não ir ao âmago das questões, o que leva, mais uma vez, a demonstrar que a Europa não é capaz de se libertar das influências deterministas dos EUA, através das agências de ranking e do FMI.

Os EUA e suas políticas, arranjaram sempre, e assim parece manter-se, aliados no velho continente, para que a Europa não seja autónoma na resolução dos seus próprios problemas.

Novos paradigmas necessitam de novas soluções, haja coragem de assumir uns e outras.



Publicado por Zé Pessoa às 00:09 de 29.03.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

ASSIM VAI ESTE PORTUGAL

 

Dois extractos de um artigo de Helena Matos no Público de 18 de Março
 Apoio psicológico –
Há alguns anos, os alunos de uma universidade portuguesa resolveram integrar nas praxes a simulação do assalto a um banco. Pressurosa, a comunicação social avisava nos dias seguintes que os ditos jovens assaltantes já contavam com apoio psicológico. Desde então, a garantia de apoio psicológico não tem faltado, seja após a queda de pontes, despiste de automóveis ou o naufrágio de embarcações de pesca. Assim, quando a segurança falha ou os serviços funcionam mal, garantem-nos não investigação e apuramento das responsabilidades mas sim psicologia, como se tudo se resumisse a uma questão de comportamentos e não de responsabilidades. Prestar apoio psicológico aos cidadãos está mesmo a tomar-se na principal vocação do Estado português: numa rua onde passo todos os dias está uma sarjeta partida há mais de quatro anos. A junta de freguesia dessa zona tem gabinetes de apoio psicológico, terapia familiar, mediação familiar, formação parental, animação cultural para combater o isolamento, apoio a vítimas de violência doméstica e de bullying. Arranjar sarjetas é que não está na sua vocação e creio que no dia em que algum carro se enfie na dita sarjeta ou que a mesma cause uma inundação nos garantirão apoio psicológico e dirão que a sarjeta nos sujeitou a bullying.
Conhecimento informal

Aqueles dilemas morais sobre o que fazer quando uma determinada informação nos coloca problemas de legalidade ou honestidade são uma recordação do tempo em que os redondos vocábulos não eram lei. Agora o conhecimento formal versus o conhecimento informal permite-nos conjugar o melhor de dois mundos possíveis: tiramos vantagem do que sabemos mas não temos de assumir qualquer responsabilidade que daí advenha. O conhecedor informal não nega que conhece, simplesmente isenta-se das consequências desse conhecimento. A hipocrisia de tudo isto só é desmontada (por enquanto, mas também isso acabará) quando algo de incontornavelmente óbvio, como um cadáver, se atravanca no meio deste universo perfeito. Veja-se o caso da acta desaparecida na Escola Básica 2+3 de Fitares relatado pelo jornal i. Nessa acta devia constar a queixa de um professor de música sobre o comportamento dos alunos. Mas, na manhã de 9 de Fevereiro, o dito professor atirou-se ao Tejo e a pessoa que redigiu a acta omitiu o relato do colega sobre o que acontecia nas aulas. Aqueles que validaram esta acta optaram, tal como quem a escreveu, por ficar na segurança do conhecimento informal sem se comprometer com os aborrecimentos do conhecimento formal. A acta falava de visitas escolares e outras coisas aprazíveis que constituem o corpus do conhecimento formal. Agora, que são conhecidos os textos que o referido professor deixou sobre os vexames a que era sujeito pelos alunos, os professores exigem uma rectificação da acta, de modo a que seja incluída a queixa do professor de música. Ou seja, exigem que passe a conhecimento formal o que todos estavam fartos de saber mas que, para consolo das consciências e sedativo do dia a dia, só se conhecia informalmente. Mas agora não só a acta desapareceu como a directora do agrupamento escolar de Fitares não autoriza a sua rectificação, enquanto a escola não receber a visita do instrutor da Inspecção-Geral de Educação. Já não é apenas uma questão de conhecimento formal e informal. É sim de não reconhecimento do direito à realidade.



Publicado por Izanagi às 10:48 de 19.03.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

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