Do «Estado social» ao Neoliberalismo Pt. e globalização contra os povos

O liberalismo inconsequente de Sócrates      (-por Elísio Estanque*, 28/5/2007, http://pt.mondediplo.com/)

   Nos últimos tempos o governo português e o primeiro-ministro vêm dando sucessivos sinais de uma vocação centralista e autoritária, não só agredindo alguns dos principais valores democráticos como evidenciando uma vontade indomável de desmantelar o frágil «Estado social» que temos.  

   Recordamo-nos bem das promessas eleitorais: era preciso salvar o Estado social; era preciso dar combate às desigualdades sociais; era preciso tornar o país competitivo, mas sem perder o sentido da solidariedade; proceder à reconversão tecnológica e dar oportunidades aos melhores, mas preservar a coesão social; etc., etc.

    As bandeiras da competitividade, da defesa da eficácia, da transparência e da flexibilidade, para além de justificadas com a necessidade de reequilíbrio das contas públicas, eram condimentadas com as referências ao 'socialismo «moderno»' e à redução das desigualdades. Digamos que o lado «pragmático» e liberal do discurso de Sócrates procurou equilibrar-se com a suposta defesa do Estado social e da sua sustentabilidade. Passados dois anos torna-se claro que o piscar de olho à esquerda não passou afinal de mero verniz eleitoralista.

    Observando as medidas tomadas e a postura política do governo a meio da legislatura, é forçoso hoje concluir que, ao contrário do prometido, não se trata de decisões difíceis para chegar a resultados justos. Ao contrário da retórica oficial, não se trata de sacrificar interesses egoístas em benefício do bem comum.   A divisão entre os sectores público e privado, alimentada e explorada pelo governo, pintando-se o primeiro como povoado de «privilegiados» e o segundo como o sacrificado perante a crise, serviu para legitimar a reestruturação em curso na administração pública.   Criou-se a ideia de um excessivo peso do Estado, escondendo-se o facto do sector público português ser na verdade um dos mais «magros» da União Europeia quanto ao volume de assalariados. 

   Com tais pretextos, ataca-se a eito o funcionalismo numa lógica de nivelamento por baixo.  Além da contenção salarial e do bloqueio das carreiras, assiste-se a uma drenagem de recursos (veja-se o caso dos médicos), a um desmembramento de serviços e em muitos casos à sua crescente privatização, como se a gestão privada fosse sinónimo de boa gestão.   Na saúde, na educação, nas universidades, a batuta do maestro reflecte as pautas musicais do neoliberalismo reinante.  O requisito democrático do diálogo social e da negociação é deitado ao lixo, porque os sindicatos são agora considerados as novas «forças de bloqueio».   A promessa de um «socialismo moderno» está a virar uma espécie de «a-socialismo» de cariz pré-moderno.  Na verdade um liberalismo inconsequente nos próprios termos do seu ideário.

    As desigualdades sociais em Portugal já eram das mais acentuadas dos países da União Europeia, o diferencial entre os 20% mais pobres e os 20% mais ricos situava-se em 2003 num desequilíbrio de 1 para 7,4 vezes a favor dos mais ricos, e, segundo estudos internacionais, a desigualdade existente no país (na distribuição da riqueza, medida pelo índice de Gini) coloca-nos próximos de países como a Tanzânia e Moçambique.   Uma situação que, somada aos 20% da população que vive no limiar de pobreza, é de facto vergonhosa.   Tudo isto já se sabia antes de Sócrates, só que agora, com o poder de compra dos trabalhadores a baixar como não acontecia há mais de 20 anos, com o desemprego a aumentar e a proletarização a bater à porta da classe média, tais indicadores estarão seguramente a agravar-se cada vez mais

    Entretanto, a nova casta de gestores e administradores – privados e públicos –, os bancos e grupos que comandam a economia financeira, triplicam salários e multiplicam lucros.  Isso acontece à custa sobretudo dos que trabalham, ou já trabalharam durante décadas, dos que descontam mensalmente para o Estado, dos que se endividaram aos bancos para terem casa, dos que sofrem na pele o despotismo de chefes, directores e pseudo-líderes, estes sim, fiéis incondicionais da nova 'corte tecnocrática', cujos privilégios, reformas, bem-estar e segurança estão garantidos.

    E quanto ao país competitivo e à revolução tecnológica das empresas, não se vê nenhuma luz ao fundo do túnel.  Numa sociedade como a portuguesa, ainda amarrada a um conjunto de peias, lógicas corporativas, tutelas e dependências, o factor segurança – em especial no emprego, que é a base de tudo o resto – é a chave da coesão social.  E sem segurança não é possível nem reconversão profissional, nem aumento da produtividade e da capacidade competitiva, nem maior eficácia das instituições.   Até porque a obsessão pelo mando, por parte das chefias, as vaidades e interesses pessoais que minam as organizações aniquilam a – já de si fraca – iniciativa individual e sentido de autonomia dos trabalhadores portugueses.  Mais emprego qualificado sim, mas que permita aos melhores aceder à estabilidade e lhes dê incentivos e possibilidades de progressão.

   A administração pública, que até há pouco era o único sector do emprego que dava alguma segurança, está a ser desmembrada e puxada para baixo, para o mesmo padrão dos sectores privados considerados mais «competitivos», ou seja, os mais insensíveis aos direitos laborais e os mais exploradores.

     Perante tudo isto, pode perguntar-se:

se tivermos mesmo de aceitar o facto consumado do fim do Estado-providência, onde está o modelo liberal alternativo?   Que sinais, que exemplos de boas práticas, que espaços de oportunidade para os mais talentosos, qualificados e competentes?   Se o Estado, além de emagrecer e se extinguir como factor de coesão, se demite da sua função reguladora, se passa a permitir ou incentivar o regresso à barbárie mercantilista (reduzido às ditas funções «nucleares»), como parece ser o caso, não poderão os replicantes portugueses dos Blaires ou Sarkozys admirar-se de ver de novo o «pacato» povo português nas ruas, pois estarão a estimular a que um novo «proletariado» precário, inseguro, mas cada vez mais revoltado, mostre ao governo e ao primeiro-ministro que o novo capitalismo selvagem, tal como o do século XIX, tem como contraparte uma nova questão social! Uma nova conflitualidade social e laboral, de que a greve geral de 30 Maio pode ser apenas um primeiro passo.      -- * Sociólogo, C. Estudos Sociais da Fac. Economia da Univ. de Coimbra.

------ (entretanto, com o governo PSD/CDS+Memorando austeritário da Troika, a situação agravou-se...).

----- (e sobre como governantes enganam cidadãos e estão ao serviço dos interesses dos lóbis financeiros e industriais, sem regulação nem freio): 

                    Armadilha transatlântica  (-por Serge Halimi , 9/3/2014,  LeMondeDiplomatique )

   Pode apostar-se que, nas próximas eleições europeias, este assunto vai estar muito menos em foco do que o número de expulsões de imigrantes clandestinos ou o (pretenso) ensino da «teoria do género» na escola. De que assunto se trata? Do Acordo de Parceria Transatlântica (APT), que vai abranger oitocentos milhões de habitantes com forte poder de compra e quase metade da riqueza mundial [1].   A Comissão Europeia está a negociar este tratado de comércio livre com Washington em nome dos vinte e oito Estados da União; o Parlamento Europeu que será eleito em Maio deverá ratificá-lo. Nada está ainda decidido mas, a 11 de Fevereiro último, durante a sua visita de Estado a Washington, o presidente francês François Hollande propôs que se apressasse o passo: «Temos tudo a ganhar em avançar depressa. Senão, sabemos bem que vão acumular-se medos, ameaças, crispações».

   «Tudo a ganhar em avançar depressa»? Pelo contrário, nesta matéria o que é preciso é parar, e já, as máquinas de liberalizar e os lóbis industriais (americanos, mas também europeus) que as inspiram. E isso é ainda mais necessário porque os termos do mandato de negociação confiado aos comissários de Bruxelas foram escondidos dos parlamentares do Velho Continente, ao mesmo tempo que a estratégia comercial da União (se é que ainda existe uma que seja algo mais do que a recitação dos breviários do laissez-faire/ neoliberais) era já perfeitamente conhecida das grandes orelhas americanas da National Security Agency (NSA) [2]…    Este tipo de preocupação com a dissimulação, mesmo que relativa, raramente anuncia boas surpresas.   De facto, o salto em frente do comércio livre e do atlantismo pode obrigar os europeus a importar carne com hormonas, milho geneticamente modificado ou frangos lavados com cloro. E pode impedir os americanos de favorecerem os seus produtores locais (Buy American Act) quando afectam despesas públicas à luta contra o desemprego.

    No entanto, o pretexto do acordo é o emprego.   Encorajados por «estudos» muitas vezes financiados pelos lóbis, os defensores do APT são no entanto mais loquazes sobre os postos de trabalho que serão criados graças às exportações do que sobre os que serão perdidos por causa das importações (ou de um euro sobrevalorizado…).   O economista Jean-Luc Gréau recorda, contudo, que, de há vinte e cinco anos para cá, cada nova investida liberal – mercado único, moeda única, mercado transatlântico – foi defendido com o pretexto de que iria reabsorver o desemprego. Um relatório de 1988, intitulado «Desafio 1992», anunciava que «devemos conseguir cinco ou seis milhões de empregos graças ao mercado único. Contudo, a partir do momento em que este foi instaurado, a Europa, vítima da recessão, perdeu entre três e quatro milhões de empregos» [3]…  

   Em 1998, um Acordo Multilateral sobre o Investimento (AMI), já então concebido por e para as multinacionais, foi destruído pela mobilização popular [4].   O ATP, que retoma algumas das ideias mais nocivas do AMI, precisa de ter o mesmo destino.

          Notas:

[1] Ler Lori M. Wallach, «Tratado Transatlântico: um tufão que ameaça os europeus», Le Monde diplomatique – edição portuguesa, Novembro de 2013.

[2] Patrick Le Hyaric, deputado europeu do grupo da Esquerda Unitária Europeia (GUE), publicou o texto integral deste mandato de negociação no seu livro Dracula contre les peuples, Éditions de L’Humanité, Saint-Denis, 2013.

[3] Jean-Luc Gréau, em «Le projet de marché transatlantique», actas do colóquio Fondation Res Publica, Paris, Setembro de 2013.

[4] Ler Christian de Brie, «Comment l’AMI fut mis en pièces», Le Monde diplomatique, Dezembro de 1998.



Publicado por Xa2 às 07:10 de 13.03.14 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Congresso de partido no poder, propaganda e pobreza

--- circo no Coliseu dos Recreios. --e--  Portugal ao espelho  (-por S.Lavos, 23/2/2014)

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      Os congressos - sobretudo os do PSD - são sempre momentos de suspensão da realidade, encenações montadas para impressionar papalvos e "unir o partido", isto é, dramatizações auto-celebratórias e propagandísticas que contam com o deslumbramento acrítico dos media, as televisões encabeçando o desfile mediático com horas e horas de discursos e de comentários que se limitam a repetir o que acabou de ser dito.   Os partidos organizam estes fins-de-semana alucinatórios para fora, isto é, sabendo que as câmaras estão a registar o acontecimento. Os congressos mostram o instante em que os políticos mais afastados estão da verdade e da realidade, ainda que as encenem com toda a convicção e talento nas artes dramáticas. 

     Neste campo, o da montagem da propaganda, este Governo tem sido imbatível. A máquina de manipulação montada pelo CDS e pelo PSD é fenomenal na sua dimensão - são dezenas de assessores e adjuntos no Governo, mais os manobradores dos partidos  e as agências de comunicação - e de uma eficácia a toda a prova. Quase três anos de austeridade e de empobrecimento acelerado de milhões de portugueses depois, a verdade é que o Governo pode dar-se ao luxo de agitar a bandeira do sucesso sem que a opinião pública verdadeiramente questione o que está a ser feito.

    Os jornalistas e comentadores vão atrás do brilho das luzes. O congresso do PSD começou com um discurso errático de Passos Coelho que teve o mérito de trazer para o centro do comentário a questão da ideologia. Mas é evidente que o PSD não é, nem nunca foi, um partido que perdesse muito tempo com questões ideológicas - ao contrário do que afirma Pacheco Pereira.   Mais do que ser um partido que conjuga várias correntes ideológicas, o PSD é um partido dos interesses, puramente pragmático. A ideologia serve apenas os líderes na medida em que pode ser instrumento de combate partidário antes de se alçarem ao poder.   Lá chegados, essa ideologia é rapidamente esquecida e passa a contar o que verdadeiramente interessa: a distribuição de lugares (tachos) a boys do partido (e a familiares e sócios), desde os ministérios até aos organismos públicos, passando pelas empresas públicas e outras dependentes do Estado.  Neste Governo tem sido bastante evidente este processo de parasitismo dos lugares no Estado. A maioria dos delegados presentes no Congresso está ali para agradecer a Passos Coelho o que este fez por eles.  E contam com Passos, sabendo que, neste momento, ele é a maior garantia de que o PSD se manterá no poder, distribuindo lugares e prebendas.   A ida de Marcelo Rebelo de Sousa representou o cúmulo desta visão pragmática da política.  Ninguém acredita que ele tenha decidido aparecer por se ter emocionado ao ver o acontecimento nas TV's.  Ele foi ao Congresso porque quer ser Presidente da República, e o Congresso foi o lugar e altura certos para marcar posição junto das bases, sabendo que Passos Coelho não contava com ele para a candidatura. Marcelo, Marques Mendes, Morais Sarmento, Santana Lopes, podem semanalmente criticar o Governo, mas quando toca a reunir, quando chegamos a eleições e começa a ser premente a perpetuação no poder, eles dizem presente.  As excepções - Manuela Ferreira Leite, Pacheco Pereira, Rui Rio - acabam por ser cilindradas pelo Congresso e também pelos media - os comentadores são bastante mais críticos em relação a quem preserva a sua independência e coerência do que em relação aos oportunistas pragmáticos, os cata-ventos que aparecem apenas em função do seu próprio interesse.

    O PSD não é um partido neoliberal, é verdade. Mas também não é social-democrata.  É uma amálgama de interesses, um caldeirão de autarcas e de militantes de base que dependem do favor do líder para continuarem a fazer a sua vidinha.   O PSD é o partido de Miguel Relvas, que voltou rapidamente pela mão de Passos Coelho para dirigir a agremiação nos próximos desafios eleitorais.  O PSD é o partido que, ao mesmo tempo que mantém como militantes Dias Loureiro e Oliveira e Costa, expulsa críticos e ameaça expulsar outros por delito de opinião - como sugeriu ontem Santana Lopes, falando de Pacheco Pereira.   É o partido do BPN e da Tecnoforma, de Arnaut e dos milhares de boys que pululam nos ministérios.   Podem mudar os líderes, mas a essência permanece inalterada. E é o partido dos portugueses, como não se cansam de afirmar. Os portugueses que aceitam a corrupção e o jogo de interesses passivamente, sem grandes ondas. Um partido que é o espelho dos nossos piores defeitos.

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---Antónimo:
    «A máquina de manipulação montada pelo CDS e pelo PSD é fenomenal na sua dimensão - são dezenas de assessores e adjuntos no Governo, mais os manobradores dos partidos  e as agências de comunicação».  E jornalistas e arraçados: António Costa, Luís Rosa, Paulo Baldaia, David Dinis, Paulo Pinto Mascarenhas, João Miguel Tavares, Ricardo Costa, Henrique Monteiro, Ricardo Jorge Pinto.

---A.R.A:

    Meu caro, então essa gente não tem tambem que fazer pela vidinha?  Como dizem os "coisos": Money talks, bullshit walks!
Hoje em dia, melhor do que ser politico "eleito" é ser comentadeiro "posto" (na TV e ...).
---Joe Strummer a 23.02.2014:
    O psd é a união nacional. isso foi muito bem dito naquela timeline que figurava num painel interactivo.  Porque é q temos q ser sempre tão simpaticos com "eles" quando nos cospem todos os dias na cara? A imprensa não se deixa levar por isto ou por aquilo, a imprensa é o psd. Com raras excepções vivemos num país de informação condicionada.  E não me refiro só aos opinadores, refiro-me ao controlo editorial que vem da Lusa e pelo q passa pelas montagens de vergonhosas peças de video feitas pelas estações de TV.  Mesmo nos opositores mais radicais ninguem se refere a esta vergonha. O PPereira aflora este tema mas superficialmente.   Junte-se a isto o facto de haver um Bloco BE/PCP q julga como o Governo q não existe alternativa a este caminho unico (...) ao contrario dos outros países europeus. A direita sabe q assim pode voltar ao pré-25 Abril onde foram felizes, (...) cobardias democraticas e um país adiado.
---Zé T.:
     E será que o PS é (muito) diferente do PSD ?!. Socialista não é, meteu "isso" na gaveta, esqueceu o punho para usar a rosa, adoptou a "3ªvia Blairista" e o "moderno", abriu a porta ao neo-liberalismo, ... e a maioria dos militantes (também em decréscimo e descrentes) não parecem diferentes dos do PSD, aliás barões de um e outro partido são amigos, compadres, maçons das mesmas lojas, sócios, ... pertencem ao mesmo "centrão de interesses" e buscam/partilham/alternam nos tachos e benesses do poder.
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 Notícias do milagre económico : ... O desemprego aumentou. Com efeito, há mais 14 mil desempregados em Janeiro em relação ao mês anterior.  ...
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Estamos melhor ou pior do que em 2011 ?  (-por Sérgio Lavos, 22/2/2014, 365forte)
"Em 2010, 2,3 milhões de famílias (48% do total) recebiam menos de 10 mil euros. Em 2012 eram já 3 milhões, 66% do total.  É o  Empobrecer, rapidamente e em força !   Em apenas dois anos o total de famílias em Portugal que ganham menos de 10 mil euros brutos por ano disparou 33,1%. Em 2010, 2,28 milhões de famílias ganhavam menos de 715 euros brutos mensais - considerando 14 meses -, mas em 2012 eram já 3,04 milhões de agregados abaixo daquele limiar.   Segundo dados da Autoridade Tributária e do Orçamento do Cidadão (OC), esta semana divulgado, em 2010 foram entregues 4,71 milhões de declarações de rendimento em Portugal. Deste total, 48,4% declaravam menos de 10 mil euros brutos e 51,6% mais que aquele valor anual bruto."

    Passos Coelho, no seu discurso de abertura do Congresso do PSD, não se cansou de repetir que Portugal está melhor agora do que há dois anos. Quem ainda vive em Portugal, quem emigrou, quem não habita um mundo paralelo alimentado a propaganda, sabe que quem afirma uma coisa destas está a insultar todos os portugueses - a esmagadora maioria - que ficaram mais pobres com as políticas do Governo. E se a realidade não for suficiente, todos os dias saem notícias que comprovam o estado de miséria sem esperança a que estamos a ser conduzidos. Esta é mais uma, bastante significativa: 750 mil famílias caíram para os escalões mais baixos do IRS - abaixo de 10.000 euros anuais - em dois anos. E depois, Passos Coelho ainda teve a coragem de lamentar no discurso de ontem os 40% de portugueses que pagam IRS, insinuando que os outros 60% vivem às custas dos impostos de quem pode pagar. Nestes 60% estão todos os portugueses que perderam o emprego ou cujo rendimento foi tão reduzido que deixaram de pagar IRS. Os portugueses que empobreceram por causa das políticas de Passos Coelho. Sinceramente, a pulhice está a atingir níveis demasiado pestilentos. Inacreditável.

----Luis Ferreira a 23.02.2014:

    É verdade, estamos melhor, se usarmos a lógica Salazarista que se mostrou uma vez mais, neste congresso do PSD (penso que o S passou a ser de Salazar). Melhorámos, se desprezarmos todos aqueles que empobreceram, que ficaram sem emprego (cerca de 800mil ), os que tiveram de imigrar (quase todos jovens, o que vai ter impacto a médio prazo, na população), etc.   Podemos considerar esse todos como falhados. Já dizia o Salazar que "Só devíamos chorar os mortos, quando os vivos o não mereciam).   Reparem como o Aguiar-Branco até já fala de vírus nacional aqueles que se opõem.    Não há-de tardar a aparecer centros de contenção viral e policia correspondente. Antigamente chamavam-se presos políticos e pides. Como já não temos Tarrafal, pode-se fazer um "centro de contenção viral " nas selvagens, sempre se pode dizer que são habitadas. Pois é, temos o fascismo no seu melhor. Só que adaptado, como nova semântica , só que as ideias, são as mesmas.

   (e)   Portugal é o país europeu com mais  rendimento  concentrado nos  mais ricos  (-por S.Lavos, 20/2/2014, 365forte)

---xx---     Da social-democracia e dos seus adversários principais

    A natureza supranacional e pós-democrática do Consenso de Bruxelas faz com que as instituições que o incarnam possam apresentar toda a brutal verdade sobre o projecto em curso: da insistência nos cortes salariais até à ausência de quaisquer referências à pobreza e às desigualdades.

    ...   O que me espanta é que a maioria dos verdadeiros social-democratas ainda conte com Bruxelas e não perceba que a social-democracia exige uma desobediência democrática, onde a escala nacional é preponderante, culminando num esforço para desmantelar este regime monetário e financeiro europeu, o melhor aliado de gente como Passos. Enquanto a social-democracia não seguir, por exemplo, as pisadas de um Oskar Lafontaine, entre muitos outros, está condenada à derrota que conta: a de um projecto de sociedade decente.

----xx----   Fala o sofisticado Assis ou... (com apoio da direcção deste PS  ?!)

... uma original e inovadora caldeirada 
 Se não perceberam o acerto e profundidade da caracterização não desanimem nem se irritem,  depois de contados os votos em 25 de Maio, Francisco Assis far-vos-á  boneco. (notícia no i).


Publicado por Xa2 às 13:40 de 25.02.14 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Esquerda: movimentos e partidos (CDA, 3D, BE, RC, PS, L, MIC, ...)

Carta aberta aos coordenadores do CDA e do 3D  (-por J.V.Costa, 16/2/2014, NoMoleskine)

   Há dias, deixei escritas algumas questões que se me colocam sobre as relações entre o Movimento/ Manifesto pela Dignidade, pela Democracia e pelo Desenvolvimento (3D) e o Congresso Democrático das Alternativas (CDA). Não voltaria ao assunto se não tivesse recebido notícia de um novo documento do CDA, “O fim da troika, o regresso aos mercados, o programa cautelar... e outros mitos”, com que concordo inteiramente e que não destoa da declaração original do CDA.
    Simplesmente, pensava, talvez ingenuamente, que o 3D levaria o CDA ao adormecimento, pela forte identidade das suas figuras mais conhecidas e intervenientes. O texto de agora parece mostrar que não e suscita a questão da lógica da coexistência do CDA e do 3D. Como apoiante inicial do CDA e votante da sua declaração, creio ser legítimo que me interrogue, bem como os 1600 votantes da declaração, sobre o que ele é hoje, como forma de intervenção política. Quando e em que condições é que uma posição política, como agora, vai ser tomada pelo CDA – a que pertenço – ou pelo 3D – a que não pertenço – quando, com boa probabilidade, os redactores serão os mesmos?
    Certamente que os organizadores do CDA não duvidam de que o CDA “pertence” a todos os que nele se reviram e tomaram como sua a declaração. A meu ver, a declaração, ao contrário de outros manifestos diversos anteriores, ambíguos ou recuados, é um documento que vai ao encontro das ideias e vontade política de um grande número de pessoas de esquerda consequente. Julgo ter sido esta a razão do sucesso do CDA, mau grado um certo arrefecimento posterior. Pessoalmente, por não acreditar em fadas, discordo de iniciativas inconsequentes com sobrevalorização de uma salvífica convergência não se sabe para que programa. Mas mantenho o meu apoio ao CDA e desejaria ver mais força na sua continuação. E não considero que o 3D seja continuação lógica do CDA.
         Os objectivos fundamentais de uma alternativa, seguindo a declaração rio CDA, eram
a) Retirar a economia e a sociedade do sufoco da austeridade e da dívida: denunciar o Memorando;
b) Desenvolver a economia para reduzir a dependência externa, valorizando o trabalho e salvaguardando o ambiente;
c) Defender o Estado Social e reduzir as desigualdades;
d) Construir uma democracia plena, participada e transparente;
e) Dar voz a Portugal na Europa e no mundo.”
           De entre as muitas propostas extensamente apresentadas, desenvolvendo e concretizando esses objectivos fundamentais, destaco a que, provavelmente, mais demarcou a posição em relação a propostas recuadas do PS e até, nessa altura, da direcção do BE. Refiro-me a
denúncia do Memorando e abertura de um processo negocial com a CE, o BCE e o FMI a partir de uma posição determinada, ancorada no reconhecimento de que os pressupostos do Memorando estão errados e na reivindicação do direito ao desenvolvimento; Reestruturação da dívida colocada no topo da agenda das negociações; Preparação para os cenários adversos que podem resultar de uma atitude negativa da troika, traduzida numa suspensão do financiamento internacional (incluindo a necessidade de declarar uma moratória ao serviço da dívida).
         Embora de forma não tão explícita, creio que o 3D não contraria esta posição firme do CDA, mas gostava de ver isto mais esclarecido. Então porquê o 3D? Será uma diferença de plano e forma de intervenção? Parece que sim, por várias razões. Em primeiro lugar, há uma recomposição dos promotores de ambas as iniciativas, embora se mantenha um grande núcleo de pessoas muito conhecidas, independentes. No CDA havia um forte envolvimento do BE e um pequeno núcleo do PS, no 3D não. Pelo contrário, aparecem no 3D membros da direcção da Renovação Comunista, que me parecem ter estado ausentes do CDA.
         Em segundo lugar, tudo parece apontar para uma marcada diferença nas propostas de intervenção política, em relação às que fizeram consenso no CDA. Neste, aprovou-se:
           “8.6.1 A defesa de um compromisso comum de convergência, que ajude a viabilizar uma governação alternativa em torno de princípios abrangentes e claros como os sugeridos nesta resolução, por parte das forças políticas democráticas que decidam apresentar-se a eleições;
8.6.2 A organização e mobilização em todo o país dos apoiantes do Congresso com vista à divulgação e prosseguimento do debate no espaço público das propostas desta resolução, ao seu enriquecimento e desenvolvimento participativo e à promoção da iniciativa cidadã em defesa das causas e dos objetivos aprovados;
8.6.3 A consolidação e alargamento da base plural de apoio ao Congresso;
8.6.4 O diálogo com forças políticas, instituições e movimentos sociais, nacionais e internacionais, inspirado pelo propósito de estimular dinâmicas de convergência na ação e de construir denominadores comuns para as necessárias alternativas políticas.”
          Estas posições reflectem uma perspectiva unitária, abrangente e inclusiva, bem como distante de qualquer intervenção partidária ou para-partidária com fins imediatamente eleitorais. Pelo contrário, o 3D, tanto no manifesto como em declarações de seus membros notáveis, entende que (…) não têm de esperar por entendimentos entre toda a oposição democrática”, privilegia uma intervenção imediata no plano eleitoral, tendo “como objectivo construir um movimento político que seja o mais amplo possível”, mas afastando desde logo qualquer acção conjunta com o PCP e o PS. Como se sabe, a perspectiva, esperadamente fracassada, era a de instrumentalização da capacidade eleitoral passiva do BE, como partido, numa lista circunscrita ao BE, ao 3D e ao Livre.
           Apoiei o CDA, mas não o 3D. Só vou em iniciativas e movimentações políticas pelas suas ideias e propostas, feitas de forma clara. Não vou apenas pela notoriedade dos proponentes, principalmente quando isto hoje se liga tanto ao protagonismo no círculo mediático. É assim que entendo que o manifesto 3D, com propostas não operacionais, apresentadas só na generalidade, já tenha, ao que se diz, recolhido milhares de apoios (até que ponto sobreponíveis aos do CDA, ou desviando do CDA? E com a escassa chamada a participação dos do CDA?)
           As fórmulas começam a ficar estafadas, pelo afã do menor múltiplo comum da convergência. É ao posicionamento e declarações dos promotores mais em evidência que me socorro quando procuro chegar a uma conclusão, para mim próprio, do que se está a passar nesta área confusa da esquerda não partidária e na sua relação com os partidos. Não tenho dados para avaliar bem se há ou não contradição entre dirigir simultaneamente o CDA e o 3D, se as agendas pessoais são isentamente compagináveis com a participação em ambos, a nível dirigente. Como apoiante do CDA, e não duvidando da vossa seriedade política e do vosso empenhamento na dinamização da esquerda, podiam esclarecer-me? Ou sou eu que sou incoerente, apoiando o CDA (forum de debate e mobilização) e não o 3D (proto ou para-partido)?
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   Se analisarmos as similitudes com o percurso do MIC - Movimento de Intervenção e Cidadania (mais próximo do PS e especialmente de M.Alegre), mais o "conservador actual" PCP e os ainda resistentes micro-partidos (MRPP, POUS, MAS, ...), teremos uma panorâmica dos 2 tipos de esquerda cívico-política (sejam 'militantes', 'independentes' ou apenas dizentes) :   mais discurso 'redondo' e tentativa de abrangência (dominante/ conciliatória com  o PS e "centrão moderno", também com 'alas', 'jotas' e 'barões' instalados),  versus   mais acção concreta e participação eleitoral própria (mesmo fraccionada e até pró-radical) -- no entretanto, entre impasses, contra-jogos e críticas fraticidas, perdem-se oportunidades e vontades, votos e reconhecimento, aumenta o desencanto/ afastamento (de jovens e outros) da 'militância', dos partidos, das eleições, da política e até da democracia !  ... enquanto a direita se vai unindo de facto e lambendo o pote ... até um dia ...
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A  DIVERGÊNCIA  DE  ESQUERDA     (-por JMCPinto, 1/2/2014, Politeia)

 
AFINAL, O QUE SE PRETENDE ?
  ... Os desiludidos do Bloco de Esquerda (e do PS) e mais uns tantos, porventura muitos, que sempre mantiveram uma prudente e relativa equidistância entre o PS e o BE, acham que, se não se criar uma força convergente e aglutinadora ..., o PS está tragicamente condenado a lançar-se nas mãos da direita
    ... o “êxito” desta estratégia passava pela inclusão do Bloco. Mas como o Bloco ...jamais poderia dar o seu aval a uma estratégia como a defendida pelo 3D e pelo Livre, sob pena de se dissolver ou desintegrar.
   Bem podem uns e outros dizer,..., mas o de obrigar o PS a governar à esquerda, ...
  ... E governar como membro ... minoritário de uma coligação dominada pelo PS é em si um objectivo? Ou o objectivo é antes alcançar algo, realizar algo sendo a governação, o poder, o meio adequado e necessário para o conseguir?
   Ninguém de seu perfeito juízo acredita que o PCP ou o Bloco não queiram governar. Isso não passa de uma tirada demagógica à Paulo Portas, aproveitada pela propaganda do PS e adoptada por alguns dos seus oferecidos aliados.
   Do Livre não haveria muito a esperar salvo aquilo a que o próprio movimento se propõe: eleger ... para defender e tornar exequíveis políticas de esquerda. ... De facto, esta esquerda atomizada por múltiplas sensibilidades, que de vez em quando se reúne em grupetos com vista a certos objectivos muito circunscritos, não oferece confiança ao eleitor em geral... São tantas as divergências quantos os protagonistas.
    A Convergência de Esquerda ou 3 D, ... parece ter ficado num beco sem saída depois da recusa do Bloco.  E, agora, vai convergir com quem?
    ... o grande problema dos nosso tempo é este divórcio consumado, de que o PS também é vítima, embora cúmplice ou mesmo em co-autor moral, entre capitalismo e democracia.
   Toda a ideologia da social-democracia depois ... da vitória das ideias keynesianas assentava na ideia de que era possível simultaneamente ter um modo de produção capitalista e um modo de distribuição tendencialmente socialista.    E assim foi de facto nos países ricos europeus e até na América até meados da década de 70 do século passado. Depois (com Reagan/Chicago boys e Tatcher) tudo se começou a complicar. Primeiro foi a inflação, depois o endividamento público, a seguir ou simultaneamente a concessão de crédito às pessoas para compensar a desigual distribuição de rendimentos e, finalmente, a austeridade como meio de consolidação de um novo modelo de sociedade. Uma sociedade da qual a democracia vem sendo gradativa mas consistentemente expulsa.
    O que todos os dias ouvimos dos governos, dos comentadores, das organizações económicas e financeiras internacionais é a imposição da lei dos mercados com completa marginalização dos processos e procedimentos democráticos
    Não há forma de sair disto evolutivamente. O PS está enredado nesta teia do pescoço até aos pés. Toda a social-democracia está, como ainda agora se viu com Hollande. Somente através de uma ruptura – que em algum lado se há-de dar – se poderá sair disto. Sair no sentido de iniciar uma longa e dura luta, onde certamente vai haver, como em todas as lutas de longo alcance, avanços e recuos.        ...


Publicado por Xa2 às 07:49 de 21.02.14 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

O PS DEVIA TER VERGONHA

João Cordeiro – Apenas mais um...

«Sei muito bem aquilo que posso fazer,
o que não posso e o que me recuso a fazer.
E – pode ter certeza – política é uma das coisas que me recuso a fazer.
Não me entusiasma.»

Estas terão sido declarações do senhor João Cordeiro à “Visão”, em 2005.
O senhor João Cordeiro dirigiu, durante anos, aquele que é considerado um dos maiores lobbies da economia portuguesa, a Associação Nacional de Farmácias.
Ainda me lembro do tempo, nada distante, em que se acaso uma farmácia saísse das mão da família que a detinha havia gerações, o valor de trespasse do negócio que era anunciado, ainda que se tratasse de uma simples farmácia de bairro com três ou quatro funcionários, faria inveja a muitas médias empresas com cem ou mais trabalhadores e boas carteiras de encomendas.
À frente dessa poderosa máquina de fazer dinheiro, João Cordeiro notabilizou-se, nos últimos tempos, pelas guerras violentas que travou com o Partido Socialista. Desde Ferro Rodrigues, que lhe terá devolvido uma carta em que a Associação protestava contra a ideia da criação de farmácias sociais, pelo facto de esses “protestos” estarem alagados em insultos; passando pelas violentas trocas de galhardetes com o ministro da Saúde de Sócrates, Correia de Campos... até chegar ao próprio Sócrates a quem chamou publicamente «mentiroso e traidor»... o aguerrido Cordeiro foi dizendo do PS, dos seus ministros e dirigentes, aquilo que Maomé não ousou dizer do toucinho.
Notícia súbita... o senhor João Cordeiro é candidato à presidência da Câmara de Cascais!
Não! Não seria sequer notícia o facto de o homem aceitar um cargo político, depois de afirmar taxativamente que era uma coisa que se recusava a fazer. Isso é o pão nosso de cada dia... ainda que a “habilidade” de vir pretender, numa patética tentativa de justificar a "mudança", que o lugar de presidente de uma autarquia "não é bem política"... revele um pormenor de carácter que pode levá-lo ainda mais longe do que a anterior profissão ligada ao negócio da morte.
Não! Aquilo que realmente é notícia é o facto de o homenzinho se ter deixado convencer a ser candidato à Câmara de Cascais... exactamente pelo PS!
O que é indesculpável é que homenzinhos desta estirpe continuem, impunemente, a atirar gasolina para a fogueira onde arde a honorabilidade da nobre actividade política, no que ela encerra de sentido de serviço público, de dádiva de si aos outros. Actividade nobre que, por entre tanto fumo de corrupção, interesses e oportunismo, acaba por ter colado o rótulo sujo do “Eles são todos iguais!”... por mais injusto que isso seja para tanta gente honrada que entende a política como ela deve ser entendida, sejam autarcas ou políticos em geral que, manda a justiça e a mínima honestidade intelectual que se diga, podemos encontrar em várias áreas do espectro político-partidário e entre muita gente independente.


Publicado por [FV] às 16:55 de 16.06.13 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Incompetência ou corrupção?

Ontem li no jornal Metro, o artigo infra, de Manuel Falcão, que me pareceu uma opinião que merece uma reflexão. Daí a liberdade de partilhar convosco o artigo.

"

Uma das curiosidades mais intrigantes dos últimos dias é a forma como as operações de swaps que mais prejuízos causaram em empresas públicas estão concentradas em número apreciável ligadas ao sector dos transportes. Podia ter acontecido noutras áreas, mas a verdade é que desde os Metros de Porto e Lisboa até à Carris ou Refer, é grande a concentração destas operações em empresas públicas tuteladas pelo Ministério dos Transportes, decisões tomadas praticamente em simultâneo, na época do Governo Sócrates. Por acaso foi também nos Transportes que surgiram as negociatas com as sucatas e as pressões para que fossem tomadas decisões de favor. No caso dos swaps alguns responsáveis financeiros dessas empresas, à época, já estão identificados. Mas a mim quer parecer-me que falta contar muita coisa: Quem apareceu com o negócio? Quem fomentou o negócio? Quem trouxe os bancos e os seus contratos? Foram os diretores financeiros ou eles limitaram-se a obedecer a instruções das suas administrações? A ideia de fazer do dinheiro dos contribuintes material para apostas arriscadas veio dessas administrações ou através da tutela? Quem montou um jogo de apostas ruinoso nas empresas públicas de transportes? Quando o dinheiro dos contribuintes se envolve em negócios privados, que terminam com um prejuízo colossal para o Estado e um lucro desproporcionado para os privados, a coisa merece atenção.

Pode ter sido incompetência: pode ter sido ambição; mas também pode ter sido corrupção. E convinha esclarecer isso - é que no fim do dia quem toma as decisões e gera prejuízos acaba olhando para a paisagem com ar intrigado -, mas os contribuintes são sempre quem tem de pagar a fatura dos disparates que outros fizeram em seu nome.



Publicado por Izanagi às 00:09 de 02.05.13 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

SEGURO: AMNESIO OU ESQUECIMENTOS DE CONVENIÊNCIA?

António J. Seguro afirma, no ponto 3.1 do seu “Documento de Coimbra”, inicialmente por manifesta gafe política intitulado de “Portugal Primeiro” afirma o seguinte, quanto a “Uma nova forma de fazer política” :

O PS é um partido que aspira a governar Portugal. O PS não é um partido de oposição. O PS está na oposição. Um oposição firme e na defesa dos seus valores, responsável perante os compromissos assumidos e agindo construtivamente, apresentando sempre alternativa quando discorda de uma proposta do Governo.

O PS fixou uma regra de ouro: não prometer nada na oposição que não possa cumprir quando for Governo.

Esta postura é condição de credibilidade da alternativa do PS.

A unidade no PS é uma condição referencial para o que mais importa fazer: unir os portugueses numa larga plataforma de entendimento em torno de soluções partilhadas para os problemas nacionais.

Impõe-se que o PS em nenhum momento se deixe cair na tentação do isolacionismo. Só em torno do PS é possível congregar disponibilidades e mobilizar energias criativas. É com tal entendimento que o PS se declara firmemente empenhado em constituir-se como pólo agregador de concertação social.

A concertação social e o diálogo político estruturaram o modo de acção política do Partido Socialista, que se deve assumir como plataforma aberta ao entendimento e à participação. Estreitar relações intensas com empreendedores, associações sindicais e patronais, sem discriminações, instituições de solidariedade social, ONG’s e outros movimentos informais significará fazer do PS um interlocutor constante dos protagonistas sociais. Assim, o PS deve mobilizar o maior número de organizações e cidadãos para as tarefas que o país mais reclama e de que carece.

…”

Quanto à relação dos partidos com o poder político e à sua respectiva forma de financiamento nem uma vírgula;

No que reporta ao combate à corrupção uma breve referencia intencional, pouco mais que um;

Sobre a promiscuidade de atividades paralelas e de conflito de interesses, por parte da maioria dos deputados, nem um minúsculo registo;

No que reporta ao debate interno, à forma de realização de eleições nas estruturas (secções, concelhias, federações e representantes para cargos políticos) e à forma renovação do partido, um total deserto.

Há quem ache um bom documento. Gente pouco exigente ou talvez com vontade que o homem não marque pontos. Eu, enquanto militante descontente, exijo mais, muito mais. Para medíocres já basta os que por aí andam.

Para ganhar o país não será suficiente ganhar o partido e deste só está ganho a parte do aparelhito, não os militantes. É preciso fazer mais, muito mais, do que tem sido feito até ao presente.



Publicado por DC às 13:36 de 18.02.13 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

cláusulas secretas nas PPP

Sobre as novas medidas de austeridade,

o sociólogo António Barreto falou em “inexperiência”

e considerou que já foram ultrapassados todos os limites.

 

O sociólogo António Barreto chama a atenção para a existência de cláusulas secretas nas parcerias público-privadas (PPP). Sem querer pormenorizar, pediu transparência ao actual Governo e também que não seja conivente com o anterior Executivo, quando foi tão crítico sobre esta mesma matéria.

“Estamos há um ano e meio à espera. Eu sei há muito tempo, há quatro anos, que há cláusulas secretas nas parcerias público-privadas (PPP). Não é aceitável que um estado democrático tenha cláusulas secretas”, começou por dizer António Barreto.

“Este Governo, já que as criticou em tempos, devia tornar, em primeiro lugar, todas as cláusulas transparentes. Não pode haver cláusulas secretas em contratos do Estado e, portanto, há um bocadinho de insatisfação nisto tudo”, acrescentou.

Sobre as novas medidas de austeridade, e falando como cidadão, o ex-ministro falou em “inexperiência” e considerou que já foram ultrapassados todos os limites.

“Os sinais dos últimos meses, os desvios inesperados, o imprevisível, afinal de contas foi pior do que se pensava, a despesa aumentou, a receita diminuiu”, apontou.

“Parece que há qualquer coisa de falta de perícia, de inexperiência. Eu acho que se está a passar dos limites, afirmou. “Porque é que se está a mexer nas pensões dos velhotes, nas pensões mesmo baixas? Não pode haver um pouco mais de selectividade? Eu penso que sim, podia haver mais cautela.”

“Será verdade que se vai compensar os grandes grupos económicos, as grandes empresas, e que vai de facto criar emprego e aumentar o investimento? Isto não está claro. Não se pode continuar a pedir, a pedir, a pedir, sem explicar melhor. Isso é que eu critico, sobretudo, às autoridades, é não explicarem nem partilharem melhor com os cidadãos”, concluiu António Barreto.

O sociólogo falava em Évora, à margem do IV Congresso Português de Demografia, que decorre até esta quinta-feira.

In RR



Publicado por [FV] às 17:43 de 12.09.12 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Oposição
 
O que o jornal EXPRESSO diz, que deveria dizer o PS, enquanto oposição

Na oposição, Passos exigia um corte nos impostos dos combustíveis. Portas queria isso e mais. Agora dizem que não é com o Governo

Na semana em que o preço da gasolina voltou a bater máximos históricos, os partidos da coligação assumiram duas iniciativas: o PSD levou o presidente da Autoridade da Concorrência (AdC) ao Parlamento; o CDS apresentou um projeto de resolução, coassinado pelos sociais-democratas, para que o Governo "sensibilize os revendedores de combustíveis para a necessidade imperiosa de aumentar a presença de combustíveis não aditivados no mercado". A audição de Manuel Sebastião — mais uma — serviu para o presidente da AdC repetir que nada pode fazer e que a redução dos preços dos combustíveis "não é possível, a menos que sejam tabelados". O projeto de resolução é a maioria parlamentar a lembrar ao Governo o que está no seu próprio programa sobre combustíveis low cost, remetendo, de caminho, as responsabilidades para os revendedores. A resposta do Executivo, essa, já era conhecida desde que o primeiro-ministro declarou que o preço dos combustíveis "não depende da intervenção do Governo".

Conclusão provisória: a chegada ao poder tornou bastante modestas as ambições do PSD e do CDS sobre a questão do preço dos combustíveis. Mas, quando estavam na oposição, Passos Coelho, Paulo Portas e os seus partidos tinham ideias claras sobre o que o Governo podia fazer para aliviar os bolsos dos contribuintes da fatura da gasolina e do gasóleo. Antes de junho de 2011, nem Passos nem Portas achavam que esta fosse "uma matéria que não depende da intervenção do Governo", e até exigiam a redução da carga fiscal (ver textos ao lado).

Passos propôs, preto no branco, a descida do IVA sobre os combustíveis e, uns dias depois, corrigiu o tiro e defendeu um corte no imposto sobre produtos petrolíferos. Portas foi mais elaborado. Num plácido sábado de maio de 2008, meteu-se num carro, cruzou a fronteira e, com os jornalistas atrás, só parou numa bomba de gasolina em Badajoz. Cruzou-se com dezenas de portugueses que iam à procura de combustíveis mais baratos. Da experiência concluiu que "a teimosia de Sócrates leva apenas a isto: Zapatero enriquece e agradece e perdemos todos nós".

O CDS foi o partido que mais se insurgiu contra o aumento dos combustíveis quando Sócrates governava. E não foi há 3 ou 4 anos — foi até vésperas das legislativas. Entre janeiro e abril de 2011 (quando o Parlamento foi dissolvido), todos os meses o CDS fez declarações no plenário sobre o assunto. A principal iniciativa foi um projeto de resolução com "várias medidas concretas no sentido de levar o Governo a agir nesta matéria", conforme então explicou o porta-voz do CDS, João Almeida. A principal reivindicação era "que o Governo reveja, com urgência, toda a política fiscal que incide sobre o preço dos combustíveis". Trata-se do mesmo CDS cujo projeto de resolução agora entregue no Parlamento parte do pressuposto de que o Governo não poderá "alterar a fiscalidade dos combustíveis" — por causa da troika. O mesmo partido que diz agora ter "noção de que o preço dos combustíveis depende do valor do barril de petróleo nos mercados internacionais e do cruzamento entre a curva de oferta e procura de combustíveis nesses mesmos mercados".

Mas havia mais três "medidas concretas" que o CDS propunha há um ano:

1) a publicação, "com urgência", de um decreto-lei específico para o subsector do petróleo;

2) a realização de um estudo por uma entidade independente, "suficientemente profundo sobre a formação do preço dos combustíveis, retirando conclusões muito concretas sobre a existência, ou não, de um clima de verdadeira concorrência.”

3) definir entre o Governo e as transportadoras as “medidas necessárias” para reduzir ao máximo possível o impacto da escalada dos preços no sector dos transportes.

O projeto do CDS descansa, até hoje, nos arquivos do Parlamento.

 

O que militantes do PS dizem e não deviam dizer

 

Mário Soares

 

Foi apanhado a 200 à hora na autoestrada (em carro do Estado conduzido por motorista). A resposta que deu às autoridades: "O Estado é que paga a multa."



Publicado por Izanagi às 23:30 de 08.04.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Deputados Socialistas no PE: Correia de Campos e Capoulas Santos

Houve um empate. Nove eurodeputados portugueses (socialistas e de esquerda) votaram ontem a favor do fim das viagens aéreas em primeira classe. Outros nove votaram a favor da continuação dessa regalia.

 

Apesar de tudo, a emenda 3 ao “relatório Fernandes” (proposta por Miguel Portas, deputado do Bloco de Esquerda, em nome do grupo Esquerda Unitária Europeia, e que defendia a alteração dos critérios de viagem de modo a que as deslocações aéreas inferiores a quatro horas fossem feitas em classe económica) acabou rejeitada pela maioria dos membros do Parlamento Europeu (por 402 votos contra, 216 a favor e 56 abstenções).

 

Há 22 eurodeputados portugueses. Nove votaram a favor da emenda 3. Ou seja, estiveram ontem a favor do fim (com ressalvas) das viagens em primeira classe para deslocações inferiores a quatro horas. A saber: os três deputados do Bloco de Esquerda (Miguel Portas, Marisa Matias e Rui Tavares), os dois deputados da CDU (Ilda Figueiredo e João Ferreira) e quatro eurodeputados do PS (Luís Paulo Alves, Elisa Ferreira, Ana Gomes e Vital Moreira).

 

Contra esta emenda, ou seja, a favor da continuação das regalias de voos em executiva, estiveram sete eurodeputados sociais-democratas e dois eurodeputados socialistas. Do lado do PSD votaram contra os seguintes deputados: José Manuel Fernandes (o relator), Paulo Rangel, Regina Bastos, Carlos Coelho, Mário David, Maria do Céu Patrão Neves e Nuno Teixeira. Do lado do PS, votaram contra os socialistas Luís Manuel Capoulas Santos  e   António Fernando Correia de Campos.

 

A social-democrata Maria da Graça Carvalho não votou. Os dois eurodeputados do CDS-PP, Nuno Melo e Diogo Feio, também faltaram à votação.

 

Houve apenas uma abstenção: da eurodeputada socialista Edite Estrela.

  

Numa altura de contenção orçamental, a emenda frisava que esta mudança para classe económica visava apenas as viagens com menos de quatro horas, quer para os eurodeputados quer para o restante pessoal do Parlamento. E, além disso, a emenda previa excepções em função da idade e do estado de saúde dos viajantes.

 

Algumas horas antes do voto na sessão plenária, Miguel Portas (que declarou a sua oposição ao projecto) fez um apelo a todos os deputados: “Desculpem lá mas não é normal que deputados que viajaram sempre em económica tenham passado a fazê-lo em executiva mal os voos começaram a ser reembolsados ao bilhete e não ao quilómetro”.

 

Miguel Portas disse ainda: “Eu não compreendo como é que pode haver aqui deputados que não hesitam em defender nos seus países políticas de austeridade e de redução do salário e da pensão mas que, quando chega ao momento de decidir sobre o seu próprio dinheiro, aí a austeridade fica à porta de casa. Isto não é sério, meus amigos. Isto é indecente e muito triste”.

 



Publicado por Izanagi às 08:10 de 08.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Onde pára o PS?

Uma das evidências desta crise política é o estado catastrófico do PS.

Amarrado a uma liderança sem outro rumo que não seja o da autopreservação do poder, o PS é hoje um partido mergulhado num incompreensível autismo, sem capacidade para gerar um debate interno que o recoloque no seu espaço próprio, construído por valores de abertura, tolerância, transparência e liberdade de opinião.

O PS de Sócrates nada tem a ver com a herança de líderes como Soares, Sampaio, Guterres ou Ferro Rodrigues. É um partido barricado na falsa união, no unanimismo obediente, na defesa de privilégios e benesses típicos do exercício do poder de forma autocrática. Há porém um PS que está muito para lá das lógicas propagandísticas do aparelho medíocre construído por Sócrates e seus apaniguados.

Há um PS de eleitores que é muito mais do que o partido de militantes que conforta Sócrates nas suas maiores norte-coreanas eleições internas. E é esse PS de eleitores que está a abandonar o outro de militantes. Há gente que está a ver isso no largo do Rato mas permanece estranhamente silenciosa. Onde pára, afinal, esse outro PS? Sem sinais de respiração, o partido de eleitores também se vai desvanecendo. Sem esperança, o PS de eleitores vai dar mais de uma década de castigo ao outro, desenhado por Sócrates.

Por:Eduardo Dâmaso[Correio da Manhã]

 


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Publicado por [FV] às 10:31 de 28.03.11 | link do post | comentar |

Contranatura

As jornadas parlamentares do PS tiveram - presumo que por convite - a presença da esquerda oficial ou oficiosa do partido, tirando Manuel Alegre que já se deve achar "presidencial" de mais para estas coisas. Mas bastou quem estava: estavam Mário Soares, como é óbvio, Ferro Rodrigues, Paulo Pedroso, Pedro Adão e Silva, António Costa, João Proença e até o ambíguo António Vitorino. O que vieram dizer estas figuras? Como se verá, não vieram dizer nada de prático, nem traziam um programa ou sequer uma preocupação comum. Se alguma coisa as juntava era um sentimento. Todas sabem que a política de Sócrates vai fazer, ou já fez, do PS um partido execrado em Portugal e agora andam todas timidamente à procura de evitar o inevitável ou, pelo menos, de não se comprometer em pessoa com o pior do que se prepara.

Mário Soares foi o mais radical: o que se compreende. Citando Krugman, o seu novo guia, deu a estratégia económica de Bruxelas por "obsoleta" e destinada a liquidar "o modelo europeu". Pediu mesmo uma aliança ibérica para combater o "neo-liberalismo" da "Europa", ou seja, em primeiro lugar, o da sra. Merkel e da Alemanha. O dr. Mário Soares não precisa de se importar excessivamente com a realidade. O resto desta esquerda, constrangida e triste, precisa de a reconhecer. Ferro Rodrigues, por exemplo, admitiu sem entusiasmo a necessidade da política de Sócrates. Mas tanto ele como a gente que falou a seguir não se esqueceu de acrescentar o tropo obrigatório da "equidade social". Um conceito que, de resto, nunca explicou a sério como se propunha aplicar.

0 facto é que o PS se meteu cegamente numa situação em que é obrigado a governar contra o que sempre jurou que defendia. Não se trata hoje de saber se a "mensagem cor-de-rosa" de Sócrates passa ou não passa? Ou se "passaria" melhor um "pessimismo" informado e duro, como sugeriu João Proença? Como não se trata de saber se é pura "aberração" que um Orçamento socialista, como o de 2011, inscreva "tectos" para "despesas sociais" (7100 milhões de euros), por muito que isso pareça um horrível regresso à "caridadezinha". A esquerda do PS perdeu imenso tempo com isto nas jornadas parlamentares. Só não discutiu o essencial: quer ou não quer tomar a responsabilidade da crise (para que, aliás, largamente contribuiu)? E, se não quer, por que razão se não separa de Sócrates.

 

Público 09-07-2010


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Publicado por Izanagi às 11:39 de 09.07.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Sócrates conclui amanhã consultas internas para decidir candidato presidencial

Título de notícia do jornal Público on-line de hoje

 

 

Não sei se os militantes com quotas em atraso também vão pode pronunciar-se ou se apenas abrange os militantes com quotas em dia.

Como tenho as quotas em dia, podem imaginar a minha “ansiedade” e simultâneo "desalento" por ver a data aproximar-se e ainda, ao contrário do que é habitual quando há processos eleitorais, quer sejam internos ou externos, não ter sido contactado para me pronunciar.

Será que houve qualquer anomalia na base de dados? Vocês já foram contactados?

 

PS –Post scriptum

Depois de ter escrito isto falei com amigos que me disseram que não posso continuar a ser ingénuo (confessaram mais tarde que foram simpáticos, porque o adjectivo que deviam ter utilizado era antes “ignorante” ou mais forte ainda "PARVO"), que militante é mesmo isso: pagar quotas e estar disponível para as campanhas nos momentos eleitorais.

Eu nunca mais aprendo !!!!


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Publicado por Izanagi às 19:44 de 24.05.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

PS voltaria a vencer folgado em eleições legislativas

Socialistas ganham vantagem ao PSD e estão cinco pontos acima das últimas legislativas. Bloco regista quebra significativa

Nem os mediáticos casos TVI e "Face Oculta", nem a avaliação negativa dos inquiridos ao desempenho do Governo parecem dados suficientemente fortes para abalar o Partido Socialista. Se hoje se realizassem eleições legislativas, José Sócrates seria reeleito com 41% dos votos. Uma percentagem quase cinco pontos superior ao resultado eleitoral do seu partido em Setembro último.
O PSD, em disputa acesa há meses pela liderança do partido, com Manuela Ferreira de Leite em breve a abandonar o cargo, aparece como a segunda força mais votada (33%), mas a uma distância significativa dos socialistas. Estes são alguns dos resultados de uma sondagem da Universidade Católica para DN, JN, RTP e Antena 1.
Segundo este estudo de opinião, realizado entre os dias 6 e 9 deste mês, o CDS-PP consolida a posição de terceira força. O partido de Paulo Portas aparece com um resultado de 10%, mais três pontos em comparação com os resultados do Barómetro DN de Setembro último - e um resultado próximo do que teve nas eleições.
Nas forças à esquerda dos socialistas, a tendência é inversa. A CDU (6%) e o BE (6%) descem nas intenções de voto. Sendo, no entanto, no campo dos bloquistas que se verifica uma quebra mais significativa. A formação liderada por Francisco Louçã perde seis pontos percentuais, perdendo metade das intenções de voto.
José Sócrates venceria as eleições, com um resultado próximo da maioria absoluta. Contudo - e é um dado curioso desta sondagem - os mesmos inquiridos fazem uma avaliação negativa do seu Governo. Mais: em relação ao último barómetro, desce de forma significativa o número de pessoas que dão nota positiva ao Executivo.
Como se explica esta aparente contradição dos portugueses? O mesmo estudo de opinião da Católica indica uma resposta possível. A maioria dos inquiridos não vislumbra no lado da oposição um partido que, na actual conjuntura, tenha um melhor desempenho que o Governo minoritário de José Sócrates.
Apesar da avaliação negativa ao trabalho do Governo, cresce o número de pessoas que não acreditam na possibilidade de a oposição fazer melhor. Dos inquiridos, apenas 23% responderam que algum partido da oposição pode fazer melhor, contra 55% que não acreditam nessa possibilidade.
Esta desconfiança dos portugueses à capacidade de a oposição governar o País pode, enfim, ser um reflexo do que se passa no PSD. O maior partido da oposição mantém há várias anos uma liderança intermitente, enfraquecida por constantes lutas internas pelo poder. Uma situação agravada pela pesada derrota dos sociais- -democratas nas últimas eleições legislativas.
Quando se pensava que a líder do PSD abandonaria o cargo, após as legislativas, tal não aconteceu. Manuela Ferreira Leite quis ir até ao fim do mandato, mantendo dessa forma a indecisão no partido. Com a eleição de um novo líder - Passos Coelho, Paulo Rangel ou Pedro Aguiar-Branco - , nas directas de dia 26, talvez o problema da liderança dos sociais-democratas fique resolvido. E, a partir daí, os portugueses exigirão mais da oposição. No entender de 42% dos inquiridos, refira-se, o PSD é o partido da oposição que "faria melhor que o actual Governo, se estivesse a governar
DN

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Publicado por Izanagi às 09:55 de 13.03.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Deixem-nos sacar à vontade !
O dinheiro em quatro andamentos
 
 
1. Numa recente reunião de banqueiros e de gente da alta finança, Fernando Ulrich, presidente do BPI, investiu contra o Banco de Portugal e contra o Governo: “Deixem-nos trabalhar!”
Isto traduzido para “banquês”, significa:   “ Deixem-nos sacar à vontade !  E não nos chateiem ! ”

Um ou dois dias depois, na primeira página do Diário de Notícias, escrevia-se: “Ter dinheiro no banco nunca valeu tão pouco”.

 

2. Há pouco mais de um ano, os banqueiros de todo o mundo – uns mais, outros menos – quase estoiravam com a economia do planeta: caos financeiro, falências, desemprego, fome. Estamos ainda – e vamos continuar – a sofrer as consequências da crise. A recuperação vai ser lenta e vai custar sangue, suor e lágrimas.

Em Portugal, os escândalos começaram com as roubalheiras no BCP de Jardim Gonçalves. Depois foi o BPN, um banco que – para azar de Cavaco Silva – foi erguido, construído e destruído por ex-ministros seus. E, finalmente, o BPP de João Rendeiro, que ao contrário de Madoff, continua alegremente à solta na sua mansão na Quinta Patiño.

A impunidade endémica, a justiça paralítica e a contratação dos melhores e mais caros advogados do País, conseguem eternizar os processos, adiar os julgamentos, e garantir uma “dolce vita” a essa corja de assaltantes do alheio.

Marimbando-se para os dramas de meio milhão de desempregados, para o encerramento diário de fábricas, para a falência em catadupa de pequenas empresas, os bancos continuam a declarar lucros provocatórios e exorbitantes.

Se bem repararem, eles nunca anunciam prejuízos. O que às vezes acontece é que, com lágrimas de crocodilo, declaram uma “diminuição de lucros”, isto é, qualquer coisa que reduz o escândalo para a infâmia, ou o assalto à mão armada para o roubo por esticão.

3. Recentemente, o Banco de Portugal tentou – muito timidamente e muito aquém do que seria justo e necessário – pôr cobro à chamada “usura da banca nacional. Para isso fixou limites máximos para a cobrança de juros de empréstimos. Para o crédito pessoal o máximo são 19.6%. Para o crédito automóvel, 16,1%. E, para os cartões de crédito, 32.8%. (Sim, não é gralha, são mesmo 32,8% ! )

Em contrapartida, quando um cidadão tem uma poupança para aplicar, por exemplo, num depósito a prazo, os mesmos bancos que cobram os juros atrás indicados oferecem-lhe entre 0,5% a 1% ao ano !

Vamos fazer uma simulação: eu tenho 10 mil euros para aplicar num depósito a prazo de um ano. Como me oferecem entre 0.5% e 1%, ao fim de um ano receberei entre 50 a 100 euros. Deduzindo, obrigatoriamente, 20% para o IRS, acabo por receber apenas entre 40 e 80 euros. Mas, como tenho um cartão de crédito, fui pagando despesas que atingiram um total também de 10 mil euros. Como tenho de pagar um juro de 32,8%, o banco vai cobrar-me a módica quantia de 3.280 euros!

Isto é, com os meus 10 mil euros – que são os que eu depositei a prazo – o banco paga-me, de juros, um máximo de 80 euros. Mas, simultaneamente, cobra-me 3.280 euros pelos créditos da utilização do cartão.

Em conclusão: com os meus 10 mil euros o banco, sem nenhum risco e menor trabalho, empochou a módica quantia de 3.200 euros! É como no totobola: “é fácil, é barato e dá milhões”. Ou, como dizia o outro: “É fartar, vilanagem!

4. Acompanhando o que já está a vigorar em países como a França, a Alemanha ou a Inglaterra, o Governo propõe-se aplicar uma taxa sobre os “bónus” que os banqueiros recebem para além dos vencimentos, e que constituem uma espécie de comissão sobre os resultados conseguidos.
Os valores destes “bónus” atingem montantes incalculáveis e chocantes. No Reino Unido o valor da taxa vai ser de 50% sobre todos os prémios. É a doer. Esperemos que, neste país de brandos costumes, a nossa taxa não venha a ter um valor simbólico (ou não seja efectivamente não cobrada !).

Para finalizar:

Não entendo a resistência do PS à “inversão do ónus da prova” em situações de “enriquecimento ilícito”.
O “meu” PS arrisca-se a ficar isolado no Parlamento, o que constituirá uma vergonha nacional, e entrará em colisão com a defesa dos seus valores mais profundos.

Não é passivamente, nem permissivamente, que se combate a corrupção. Nem para inverter o ónus da prova é preciso ter uma maioria absoluta.

- José Niza, O Ribatejo, 23.12.2009, via MIC - Movimento de Intervenção e Cidadania
                      Comentário de mario silva, 2009-12-27:

Qualquer cidadão atento e preocupado, subscreve esta análise. Os que detêm o poder politico também o sabem; contudo, em sede fiscal tratam os bancos de modo mais favorável que os outros sectores económicos.


A questão que se coloca é:

porque continuam os políticos apáticos em relação a esta realidade, principalmente os que advogam defender o ideal socialista?


Talvez o cinismo da realidade seja uma das respostas às questões...


Durante décadas se combateu o malfadado comunismo com a bandeira do capitalismo democrático, e afinal, este revelou-se tão perverso como aquele que combateu...


E, mordazmente irónico, esse capitalismo recorreu a instrumentos do ideário comunista-a nacionalização- para solucionar os prejuízos provocados pela avareza e ganância dos ditos banqueiros, inimigos fidagais da esquerda...



Publicado por Xa2 às 01:05 de 07.01.10 | link do post | comentar | ver comentários (7) |

Belos negócios e comportamentos...

Mas que belo negócio

«O Ministério da Justiça (MJ), no âmbito do programa de alienações lançado em 2006 pelo então ministro Alberto Costa, vendeu, entre muito outro património, os estabelecimentos prisionais (EP) de Lisboa e de Pinheiro da Cruz, os maiores do País, por 60 e 81 milhões de euros, respectivamente. Mas continuou a ocupar ambos os edifícios, passando de dono a inquilino. Agora, paga todos os meses uma renda que, em conjunto, supera os sete milhões de euros anuais. Desconhece-se até quando, uma vez que nenhum concurso público está a decorrer para a construção dos edifícios substitutos.

Se a actual situação se prolongar, todo o dinheiro recebido pela venda dos imóveis acaba dissipado nas rendas mensais, o que corresponde, anualmente, a 5% do valor de venda, havendo o risco de nada sobrar para suportar a construção de novas prisões. Trata-se de um bom negócio sobretudo para quem compra, pois, ao ter de pagar as rendas, acaba por ser o próprio vendedor a suportar os encargos da aquisição, com a nuance de que, ao final, fica sem nada.» [Diário de Notícias]

Feitas as contas o Estado vai pagar o equivalente a 5% de juros ao ano, era bem melhor ter-se financiado com recurso ao crédito.

«Exija-se ao ministro da Justiça que apresente as contas deste negócio

Bloco de Esquerda quer demitir vereador da CM de Odivelas

«O Bloco de Esquerda (BE) defendeu ontem que o vereador Hugo Martins, da Câmara de Odivelas, que no domingo se despistou na A9/CREL com uma viatura da autarquia, apresentando uma taxa de alcoolemia acima do permitido, deve demitir-se do cargo.

"Estamos perante uma situação escandalosa, que é tudo menos normal. Naturalmente, pensava que só por ser vereador podia fazer aquilo que lhe apetecia, até mesmo estragar carros que são do erário público", disse o deputado municipal do BE na Câmara de Odivelas, José Falcão. "A única atitude sensata de Hugo Martins é apresentar a sua demissão e não esperar que o demitam", referiu.» [Diário de Notícias]

Tem razão, só se lamenta que o PS, por cujas listas o vereador foi eleito, não tenha tomado a iniciativa de convidar o vereador a demitir-se. É inaceitável que um vereador destrua uma viatura paga com os dinheiros dos contribuintes ao ter um acidente às 5h30 da manhã por estar alcoolizado (taxa de álcool de 1,67 ) depois de ter estado numa discoteca. É este o exemplo de vereador com o pelouro do desporto que o PS defende? É tempo de acabar com os criminosos da bebedeira!

«Questione-se o PS pelo seu silêncio e passividade

[O Jumento]


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Publicado por Xa2 às 18:07 de 09.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

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