O que não é o PSD

Facto 1: A fazer fé nas sondagens, e caso se realizassem hoje eleições legislativas, a maioria dos portugueses daria a vitória ao PSD, sem contudo lhe entregar uma maioria absoluta para governar o País.

Facto 2: A fazer fé nas sondagens, a maioria (agora sim absoluta) dos portugueses não acredita que o Governo seja capaz de cumprir as metas orçamentais a que se propôs. Que é como quem diz, a maioria dos portugueses não confia minimamente no Governo.

Facto 3: A fazer fé nas sondagens, uma esmagadora maioria dos portugueses (63%) defende que o PSD deve evitar provocar eleições antecipadas.

Confuso? Eu também. Especulemos pois sobre esta bizarria.

Cenário 1: Os portugueses ensandeceram de vez e querem ver no Governo um partido em que não confiam em absoluto sem primeiro tirar de lá um outro em que não confiam de todo. Uma espécie de arranjinho político desenhado por M. C. Escher. É a tese do "enlouquecimento global".

Cenário 2: Os portugueses estão verdadeiramente fartos de políticos, politólogos, sondagens e eleições, desistiram de ter opinião, divertem-se a responder o que primeiro lhes passa na mona e vão à sua vidinha que está muito difícil. É a tese do "seja lá o que Deus quiser" ou, na versão mais laicamente correta, "o último a sair que apague a luz".

Cenário 3: Os portugueses estão com o Eng.º Sócrates pelos cabelos (fartos dos seus "truques", no dizer mais requintado de Alexandre Soares dos Santos), sabem que o homem os conduzirá fatalmente à desgraça, mas não fazem a mínima ideia do que seja esse tal de PSD. É a tese do "estamos à beira do precipício mas ainda não percebemos se a alternativa não será um passo em frente".

Entre as três hipóteses, confesso, mon coeur balance. Mas como sou um homem prático facilmente entendo que pouco ou nada há a fazer se os portugueses tiverem coletivamente ensandecido ou se tiverem desistido desta pátria improvável. O que nos deixa com o Cenário 3. E mesmo relativamente a esse, não vale a pena perder muito tempo nem muitas energias. Ninguém, no seu inteiro juízo, se vai pôr agora a exigir ao Dr. Passos Coelho que nos explique o que é o PSD. Há desafios que todos reconhecemos ser impossíveis e parece cristalinamente óbvio que não existirão dois militantes com a mesma resposta para tão esfíngica pergunta. Felizmente a forma de sair deste intrincado paradoxo - e começa a ser urgente desatar este nó - é estupidamente simples: bastará que o Dr. Passos nos diga o que não é o PSD. Ou, melhor ainda, quem não é o PSD.

Sossegue o País, Dr. Passos. Diga-nos mais claramente ainda (porque é verdade que já o sugeriu) que o seu governo não será o comboio fantasma de apparatchicks que todos imaginam. Diga-nos que não nos vai obrigar a mudar de governo para que tudo fique na mesma. Diga-nos que percebe, tão bem como nós percebemos, que muitos dos seus entusiasmados apoiantes de hoje foram os indefetíveis de Sócrates até anteontem. Diga-nos que não vai ficar refém dos mesmos interesses económicos e financeiros que sustentaram o delírio socialista. Diga-nos com firmeza e coragem o que não é, nem nunca será. Vai ver que é o que basta para fazer desequilibrar a balança.

Pedro Norton [Visão]



Publicado por JL às 18:05 de 22.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Já Basta!

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Publicado por JL às 21:28 de 16.03.11 | link do post | comentar |

Dizem que é mau, mas não passam sem ele

Dizem que é mau, mas não passam sem ele.

    O responsável por um dissimulado programa de propaganda semanal do PSD na TVI, Marcelo Rebelo de Sousa, procurou imputar a Sócrates as culpas por uma crise que vaticinou como bastante provável. Normal, na função que ali desempenha de propagandista subtil do PSD, consistindo aqui a subtileza o modo como ostenta uma imaginária qualidade de comentador independente.
     Mas o que eu achei curioso é que, zurzindo no PS, dando notícia da grande convergência nacional que, para ele, existe quanto a essa hostilidade, o arguto propagandista apenas achou, como solução possível da crise atravessada, uma coligação de toda a direita, ou pelo menos do PSD, com o PS.
    Estranha incompetência a desse partido, que ao mesmo tempo que é agredido de todos os lados pelo que faz o seu governo, é considerado uma parcela indispensável do governo que viria substituí-lo se conseguissem derrubá-lo.
    Talvez, por isso fosse bom que o PS tornasse claro que se outros o derrubarem, menosprezando a estabilidade política mesmo nesta conjuntura, devem estar avisados que, perante qualquer outro governo saído de um derrube do actual, o PS será oposição contra ele, desde o princípio.
     De facto, se o governo do PS for derrubado pela recusa do PSD em lhe dar qualquer suporte sequer indirecto, não teria sentido que quem recusou abrir a porta da governabilidade a um adversário, mesmo numa situação limite, lhe vá pedir logo de seguida aquilo que acabou de lhe recusar.



Publicado por Xa2 às 12:45 de 15.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

A resistência de Sócrates serve Portugal

Num artigo do "Financial Times" desta semana, Paulo Rangel e Marques Mendes são citados como sendo a favor de que Portugal peça ajuda externa o mais rapidamente possível.

Parece que as coisas se perspectivam mais ou menos assim, para alguns dirigentes do PSD: Portugal é forçado a pedir apoio maciço externo, reconhecendo de uma vez por todas que as taxas de juro da divida pública são incomportáveis. Imediatamente o Presidente da República convoca eleições, que o PS vai perder e o PSD vai ganhar, quem sabe até com maioria absoluta. Haverá lugares para "boys" e "girls" que estão fora do poder há anos. E o principal problema de Portugal, isto é, o facto de termos um governo liderado por José Sócrates, ficará resolvido. Vamos todos à nossa vida renovados, com o sol a brilhar e os horizontes largos. A cereja em cima do bolo será que o PSD poderá enquanto governo responsabilizar o PS, a Angela Merkel, a Comissão Europeia, ou o Jean-Claude Trichet, à vez, por tudo o que de medidas de austeridade tiverem que ser tomadas durante toda a legislatura.

Infelizmente, esta atitude tão "blasé" do PSD em relação à inevitabilidade da ajuda externa é contrária aos interesses do País. A ideia de que uma intervenção externa igual à da Grécia e Irlanda pode ser benéfica para Portugal já foi desconstruída várias vezes. Desde logo, pelo que está a acontecer naqueles dois países: desde que solicitaram ajuda as taxas de juro associadas às suas dívidas públicas não desceram. Pelo contrário. Actualmente os mercados estão interessados em testar a solidez do euro. O que está em causa é a própria sobrevivência da moeda única.

Se houver ajuda externa nos mesmos moldes que na Grécia e na Irlanda, haverá sérios efeitos económicos, como tão bem explicou Pedro Santos Guerreiro no editorial de quarta-feira deste jornal. A começar pela fuga de capitais que afectará os bancos, mas não só. Haverá também gravíssimos efeitos políticos, que atingirão não apenas o PS mas toda a classe política com responsabilidades governativas desde a entrada de Portugal na UE. A crise de soberania política que se abaterá sobre nós fará alicerces em cima de um fosso crescente que existe e tem vindo a agravar-se desde 2003 entre políticos e cidadãos. Por isso, esta ânsia do PSD em derrubar Sócrates, ao ponto de abrir os braços a uma ajuda externa maciça é um bocadinho como aqueles que apoiaram a guerra no Iraque porque serviu para tirar o Saddam do poder.

Ao longo dos últimos meses, José Sócrates e Teixeira dos Santos têm feito bem em resistir às supostas evidências de necessidade de recurso à ajuda externa invocadas por um coro de operadores económicos, muitas vezes anónimos, e agora pelo PSD. Sócrates será teimoso, mas a sua resistência tem objectivos políticos reais. Porque enquanto Portugal tem resistido, a conjuntura e a forma de auxílio a Portugal tem-se tornado ligeiramente mais favorável.

De facto, essa resistência já deu frutos. Quais? Bem, tem servido para que a Europa - e sobretudo a Alemanha - dêem passos no sentido de assumirem esta crise como uma crise do euro, e não uma crise dos "gastadores do Sul". Temos de assumir as nossas responsabilidades no que respeita ao défice orçamental, mas não somos responsáveis pela vontade que alguns operadores de mercado têm de testar a solidez da moeda europeia. No momento que escrevo, Sócrates e Merkel reúnem para decidir se vai ou não haver uma possibilidade de acesso a uma linha de crédito europeia, sem necessidade de recurso a ajudas maciças, desde que o País se comprometa com objectivos de redução de défice e de reformas. Seria um bom compromisso.

Visto desta perspectiva, o PSD não deveria fazer mais do que colocar-se responsavelmente na oposição, tal como sugere Pacheco Pereira numa entrevista desta semana honrando os seus compromissos tanto orçamentais como do PEC I e PEC II. E apoiando patrioticamente os esforços do Governo em negociar na UE um acordo que impeça que Portugal sirva como mero "firewall" de Espanha, essa sim o verdadeiro teste à solidez do euro. Neste momento, tempo é dinheiro e mais do que isso. Tempo é soberania.

Marina Costa Lobo [Jornal de Negócios]



Publicado por JL às 00:01 de 04.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

NO GOVERNO OU NA OPOSIÇÃO, FAZ TODA A DIFERENÇA

Na oposição o comportamento difere (ainda que, por vezes ilusoriamente) de quando estão no governo.

Há quem afirme que, nos tempos correntes, a única coisa que distingue a esquerda da direita se deve à mão com que o larápio mete na algibeira do contribuinte. Os do centro metem as duas mãos, embora nos digam o contrário. E, muitas das vezes em vez de meterem (eles próprios) mandam outros faze-lo por si. Mas a justiça não tem conseguido apanhar uns nem outros.

Ora vejam!

Adriano Rafael de Sousa Moreira propõe (agora que está na oposição) ao Governo cortes, nos vencimentos e no número de chefes, nas empresas públicas. Este, agora deputado do PSD, Adriano Rafael Moreira, que diz que "é necessário que o Ministério das Finanças solicite informações sobre estes casos" a todas as empresas que tutela, tem pouca ética e menos moral para fazer tal exigência.

A média de tais cargos no conjunto das várias dezenas de EPEs são 60 chefes em cada empresa, mas existe o caso da Refer que tem 158 chefes. Há até chefes que não têm subordinados. É, efectivamente,  muita gente disso se não duvida.

O comum do cidadão, contribuinte ou não com os impostos que todos somos, cada vez mais forçados, achará na sua boa fé que aqui temos um honestos deputado. Puro engano este “alto defensor da boa gestão da coisa pública” foi Administrador do Pelouro do Pessoal em três mandatos de Administrações da CP.

Pergunta-se, ainda, o que foi fazer para Assessor da Refer, quando saiu de Administrador da CP e antes de ir para Deputado do PSD?

Já esqueceu onde comeu do bom e do melhor, quando por cá passou mais de 6 anos, hospedado no hotel Tivoli Oriente pago pela CP?

É tão baixo e tão despudorado que não há palavras para qualificar esta situação torpe e asquerosa que só envergonha e diminui aqueles que a tornaram possível!

Este país não vai longe, com políticos deste calibre, que, apenas e só, olham para o próprio umbigo!

Será que as próximas medidas de austeridade vão mesmo abranger a redução de deputados? Eu não acredito, tal é a força lobista dos aparelhos partidários e dos boys que por aí vegetam.



Publicado por Zé Pessoa às 00:11 de 02.03.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Município de Lisboa, atitudes e verdades

Contrariamente ao que foi o seu comportamento, em 2010, o PSD permitiu, este ano, a aprovação do Orçamento Municipal de Lisboa.

No passado dia 14, a Assembleia Municipal da capital aprovou por maioria dos eleitos o orçamento para governo da maior cidade do país.

Para se chegar a tal desiderato o PSD exigiu que as freguesias recebessem mais apoios além da redução orçamental de 1.005M€ para 900M€ através da retirada de 100M€ de receitas provenientes de um putativo negócio com a EPAL cujos contornos duvidosos já aqui havíamos alertado.

Deste modo, a nosso ver, o PSD acaba por, numa cajadada, fazer dois favores ao executivo de Antonio Costa: aprovou o orçamento e evitou um mau negócio.

É de louvar, concomitantemente, a atitude de reconhecimento assumida por Miguel Coelho, enquanto líder da bancada socialista.

As atitudes, boas ou más, são para serem reconhecidas e as verdades para serem ditas e escritas. Haja agora controlo e observância dos “Príncipes de Bom Governo” na aplicação das verbas aprovadas é o que os eleitores esperam.



Publicado por Zé Pessoa às 00:11 de 18.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Um "tacho" para o ceguinho

Fiscal das contas públicas certificou irregularidades no BPP

O presidente do grupo de trabalho para criar a comissão encarregue de fiscalizar as contas públicas, António Pinto Barbosa, certificou durante cerca de dez anos as contas do Banco Privado Português, que foi intervencionado no final de 2008 pelo Banco de Portugal, para evitar a sua insolvência imediata.

Esta iniciativa revelou um conjunto de irregularidades e de ilicitudes nas contas da instituição - estavam fora do balanço mais de 1,2 mil milhões de euros - o que levou o BdP, a CMVM e o Ministério Público a iniciarem investigações em curso.

A indicação do economista Pinto Barbosa para liderar o órgão que vai fiscalizar as contas públicas do país partiu do PSD e está a provocar polémica na medida em que não detectou, enquanto presidente do Conselho Fiscal do BPP, quaisquer irregularidades nas contas do banco. Pinto Barbosa sairia da instituição quando João Rendeiro foi obrigado pelo Banco de Portugal a rescindir.

Nas últimas contas da instituição certificadas por Pinto Barbosa, no parecer do Conselho Fiscal, este assegura aos accionistas que as “demonstrações financeiras supra referidas e o relatório de gestão, bem como a proposta nele expressa, estão de acordo com as disposições contabilísticas e estatutárias aplicáveis pelo que poderão” ser aprovadas pela reunião magna.

O Conselho Fiscal informa ainda os accionistas do BPP que valida “a regularidade dos seus registos contabilísticos e o cumprimento dos estatutos” e diz que recebeu quer da administração, liderada por João Rendeiro, quer “dos diversos serviços do banco todas as informações e esclarecimentos solicitados”.

Para além do economista Pinto Barbosa, fundador do PSD, integram ainda o Grupo de Trabalho referente ao Conselho Para a Monitorização das Contas Públicas e da Política Orçamental João Loureiro e uma administradora do Banco de Portugal Teodora Cardoso.

[Público]



Publicado por JL às 19:37 de 05.01.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Espécies cinegéticas (V)

O calendário 2011 do Coelho


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Publicado por JL às 00:03 de 04.01.11 | link do post | comentar |

Exclusivo WikiLeaks

 

O governo sombra do Coelho


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Publicado por JL às 21:42 de 30.12.10 | link do post | comentar |

Espécies cinegéticas (IV)

 

Novo Ano do Coelho


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Publicado por JL às 19:21 de 30.12.10 | link do post | comentar |

Espécies cinegéticas (III)

O Coelho Natal


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Publicado por JL às 00:12 de 22.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Espécies cinegéticas (II)

As múltiplas posições do Coelho

Onde situa Passos Coelho?

Vejo na liderança do PSD bastante imaturidade e isso explica alguns ziguezagues.



Publicado por JL às 15:16 de 15.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Espécies Cinegéticas (I)

 

Afinal, o Coelho também hiberna. Pelo menos em Portugal.


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Publicado por JL às 21:40 de 11.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

REVISÃO CONSTITUCIONAL?

Passos, tenta matar vários coelhos com uma só cajadada. Não será um tiro na própria pata?

Com a ideia/proposta de revisão constitucional o rapaz, novo líder do PSD, pretende atender ao podido do “soba" da Madeira de cujo apoio político, tanto dentro como fora da agremiação social-democrata, necessita como de pão para a boca.

Com a apresentação de tais, retrógradas, propostas, sabendo que elas não são, nem poderiam ser, acolhidas pela maioria de esquerda representada na Assembleia da Republica, tal facto deixa-lhe argumento de peso a que se agarrar para incumprimento de, eventuais, propostas a fazer em campanha eleitoral e no caso, nefasto, de vir a ser governo, o que se duvida, a fazer fé em tais proposições constitucionais.

O chamado aumento de poderes presidenciais, além de desnecessários, visto que tanto os artigos 133º - Competências quanto a outros órgãos e 134º - Competências para a prática de actos próprios já consagram amplos e suficientes poderes no regime semi-presidencialista como é o nosso.

De resto o período do PREC e dos governos de iniciativa presidencial já passou há muito tempo e o pais já perdeu tempo e oportunidades em demasia a olhar o passado em vez de perspectivar e enfrentar o futuro.

O que o país precisa e a população anseia, com urgência, são propostas credíveis de governação, são iniciativas de alteração de comportamentos das instituições e institutos publicos, bem como dos respectivos agentes para que a distribuição da riqueza produzida seja mais justa, a estabilidade social seja maior e os direitos fundamentais que ao Estado compete garantir aos cidadãos não seja letra morta plasmada na actual Constituição.

Passos, o Coelho, deveria, acima de tudo, preocupar-se que o actualmente estatuído na Lei fundamental em vigor fosse respeitado.



Publicado por Zé Pessoa às 00:10 de 22.07.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

O 4º Magnifico, do PSD

O advogado Castanheira Barros, já em campanha pelo Algarve, diz que apenas lhe faltam menos de meia centena de assinaturas para que possa formalizar a sua candidatura à liderança do seu partido, o PSD.

Partido é, partido continuará a sê-lo, depois das eleições, com uma, duas ou três voltas, (há quem queira o tudo ou nada) com congresso extraordinário ou sem ele, não há volta a dar-lhe.

Embora, este candidato, não prometa rasgar tudo nem se proponha a fazer rupturas, pretende, qual Don Quixote de La Mancha à procura de uma qualquer Dulcineia, “regressar às origens” da Social-Democracia, segundo o pensamento do ideólogo Sá Carneiro.

Ainda bem que há sonhadores na política a “andar por aí”. Nos tempos que correm são bastante necessários, duvida-se, e bastante, é da sua utilidade.

É que já anda toda a gente de semblante muito carregado. Mesmo os apoiantes das várias candidaturas intervêm (quando o fazem, o que já começa a ser muito raro) com muito pouca alegria, perece já não acreditar no que dizem e muito menos no que ouvem e em dias melhores.

A política, os políticos e os partidos parecem que caíram numa profunda tristeza, amargura e descrença.

Será geral, este vírus? É uma pena que assim seja. O esforço dos militares de Abril não merecia tal desiderato.


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Publicado por Zé Pessoa às 00:01 de 03.03.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

O Bailinho da Madeira

O PSD deu um novo contributo para a eventual demissão do Governo e a realização, de novo, de eleições gerais antecipadas. Com os votos do PSD e de um deputado do CDS-PP foi aprovada na Assembleia da República uma alteração ao Orçamento do Estado para 2009 para que a Madeira possa contrair um endividamento de 79 milhões de euros. Teixeira dos Santos, ministro das Finanças, acusou, neste caso o PSD, de ter uma atitude irresponsável ao viabilizar mais esta despesa, que agrava a dívida da Região Autónoma da Madeira, e que terá de se repercutir no corte de receitas do Estado. O PSD esteve surdo a todos os apelos de Teixeira dos Santos, nomeadamente quando disse que o Continente vai ter de continuar a pagar os desvarios financeiros da Madeira, que dá sinais claros de descontrolo de contas e de indisciplina orçamental. Na Madeira, os partidos da oposição, do CDS ao BE, falam de legitimação do "regabofe" das finanças públicas.

Trata-se sem dúvida de mais uma vitória de Alberto João Jardim, mesmo incompatibilizado com Aguiar Branco, líder da bancada social-democrata, catalogado como "incompetente" que tem conduzido o PSD a um "pantanal de contradições". O Governo de José Sócrates vai ter de arrostar com mais esta despesa não prevista, que se junta a outras resultantes da aprovação por uma coligação negativa formada pelo PSD, CDS-PP, PCP e BE para viabilizar alterações ao Código Contributivo que, na prática, significarão elevadas perdas de receitas e novas despesas no valor de quase dois mil milhões de euros, também não previstas no Orçamento do Estado. Aperta-se assim o cerco ao Governo da República, que vai tendo cada vez mais dificuldades em cumprir o seu programa. Começa lentamente a desenhar-se um cenário de ingovernabilidade, que após os primeiros seis meses da praxe só pode vir a desembocar em eleições, se, até lá, não for mudado o quadro de actuação dos partidos com assento parlamentar.

Infelizmente, a pouco e pouco vai-se confirmando a ideia de que em Portugal só se pode governar com maiorias absolutas, única forma de se cumprir um mandato de legislatura, com um programa de governo pré-estabelecido. Os governos de maioria simples só muito excepcionalmente conseguem "levar a água ao seu moinho". Não há uma cultura de governos de coligação nem de acordos de incidência parlamentar, e o que em regra se constata é a impossibilidade de governar e de resolver os problemas do País.

[Correio da Manhã, Emídio Rangel]



Publicado por JL às 00:02 de 13.12.09 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Um impasse irresponsável

Francisco Pinto Balsemão, num debate promovido pelo Instituto Francisco Sá Carneiro, disse que o PSD estava a caminhar lentamente para o suicídio.

Não é que seja necessário elogiar a coragem do militante número um dos social democratas, mas não deixa de ser digno de nota que o tenha dito na cara dos que têm conduzido o partido a este lamentável estado - pelas declarações da presidente do partido, à saída da sessão, mostraram que, ou não tinha ouvido o que Balsemão tinha dito ou não percebeu as evidentes criticas.

Por outro lado, também fica sempre bem exibir a capacidade de autocrítica. Ninguém, com certeza, se esqueceu que o ex Primeiro-Ministro foi apoiante da candidatura da dra. Ferreira Leite. Nunca é tarde para reconhecer os erros.

Dizia Francisco Balsemão, que é difícil dizer o que distingue verdadeiramente o PSD, que grandes temas ou causas o partido defende, que propostas e projectos apresenta para o futuro de Portugal e dos portugueses. Pois é.

Deve ter sido interessante ver as caras dos que pensavam que o povo embarcava na patética conversa da "verdade" e da do "espelho meu, espelho meu, haverá alguém mais sério do que eu?".

Não eram precisos projectos nem propostas, bastava uma folhita A4 e o povo acorreria, quais ratos de Hamelin. Bom, afinal o povo não correu. Deve ter sido por estar democraticamente asfixiado, bem entendido.

Para quê gastar tempo a falar do futuro e a mostrar que existiam alternativas ao governo socialista, se ninguém ia ler programas? O esforço não era compensador. Para quê, repito, se nas palavras de um dos grandes promotores desta direcção, Vasco Graça Moura, os portugueses preferem a porcaria? De facto, com apoiantes destes, esta direcção social-democrata não precisava de adversários.

E assim, contra um dos piores governos da nossa história democrática, o PSD perdeu. Perdeu porque o PSD não apresentava alternativa, não mostrava rumo, apenas tinha para oferecer um misto de discurso de um qualquer populista sul-americano com um sermão dum catastrofista de hospício.

Quem dizia que era preciso discutir os grandes temas e ter uma visão para o futuro eram meia dúzia de destabilizadores que apenas queriam derrubar esta liderança e estavam ao serviço de um qualquer plano diabólico.

"Temos de sair deste impasse", afirmava Francisco Balsemão. Ainda bem que o recordou. Mais uma vez, deve ter havido um silêncio embaraçado.

É que enquanto este impasse dura, esta direcção, que ainda o é apesar de já não o ser, vai agravando, a cada dia que passa, a situação do PSD.

Parece haver uma vontade firme, por parte de alguns elementos desta espécie de governo de gestão social-democrata, de ainda depauperar mais a imagem do partido. Uma variante da política de terra queimada.

Ver a ainda presidente do partido a perder tempo com acusações que apenas servem para desviar a atenção do estado do país, insistindo em ataques pessoais em vez de se concentrar na busca de soluções é, pouco menos, que desesperante.

Constatar que num debate onde se devia falar do grave problema orçamental, do subsídio de desemprego e de questões que preocupam os portugueses a presidente do partido volta a falar de suspeições e de assuntos já arrumados pela Justiça é lamentável.

Ver o PSD ir atrás do Bloco de Esquerda e do Partido Comunista na proposta da criminalização do enriquecimento ilícito e do fim do sigilo bancário é assustador.

Esta questão, aliás, vai muito para lá da luta política circunstancial. Neste debate discute-se a inversão do ónus da prova, pilar fundamental do Estado de Direito; discute-se o sigilo bancário, fundamental para o direito à privacidade.

Que pensará um habitual eleitor de direita ao ver o CDS a tomar uma pose de Estado, lutando contra estes ataques a direitos fundamentais, enquanto o PSD cede ao mais desbragado populismo?

A situação no PSD não é só de impasse, é de irresponsabilidade.

As eleições internas, se realizadas ontem, já teriam vindo com atraso.

Os social democratas precisam de uma nova liderança e de um novo rumo antes que seja tarde demais.

[Diário de Notícias, Pedro Marques Lopes]


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Publicado por JL às 00:02 de 07.12.09 | link do post | comentar |

Espionagem política


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Publicado por JL às 00:01 de 07.12.09 | link do post | comentar |

O suicídio cor de laranja

O que pode aguardar-se deste PSD? A actual direcção quer manter-se na liderança do partido, à espera que Sócrates caia. Abrir-se-ia aí uma janela de oportunidade ao PSD. A questão é: mas a que PSD?

O militante n.º 1 do PSD, Francisco Pinto Balsemão, disse há quatro dias que o seu partido caminha, lenta mas alegremente, para o "suicídio colectivo". Repito: o PSD caminha para o "suicídio colectivo". A declaração fez-me lembrar de imediato o efeito que as bombas disponíveis no jogo brick-breaker (destruidor de tijolos, em tradução livre) provocam quando tocam nos ditos tijolos: tudo abana. Pensei que o partido abanaria. Ingenuamente, percebo agora, porque nada no PSD abanou.

Se um partido da dimensão e da importância do PSD corre o risco de desaparecer, isso quer dizer que a democracia portuguesa está bastante perto de ficar (ainda) mais pobre. Por isso, uma declaração deste calibre, vinda de quem vem, deveria suscitar alguma reacção, algum debate, algum contraditório no seio do partido (e até fora dele). Não suscitou nada, facto que, em si mesmo, é bem revelador do estado em que se encontra a alma dos social-democratas.

No primeiro debate quinzenal desta legislatura, travado na Assembleia da República, ficou claro que, para desgosto de todos, Pinto Balsemão tem a sua dose de razão. A prestação do PSD, e designadamente da sua líder, mostrou bem como o caminho e a estratégia dos social-democratas é basicamente inexistente.

Num momento particularmente difícil para o Governo (exemplos: caso "Face Oculta" com ministros de peso como Vieira da Silva a falar de "espionagem política, estado da economia, défice, desemprego, orçamento rectificativo...), Manuela Ferreira Leite começou o debate a defender-se, abdicou da peleja e passou depois a palavra ao líder parlamentar (que, como se sabe, não é um exemplar orador), permitiu que o PS a cola-se à agenda do Bloco de Esquerda e acabou a ouvir o primeiro-ministro a acusá-la de conduzir o partido seguindo uma linha de "lama" e "coscuvilhice". As palavras escolhidas por José Sócrates não são seguramente as mais condizentes com o léxico parlamentar, mas mostram à saciedade como o primeiro-ministro soube aproveitar o momento para "virar o bico ao prego".

O que pode aguardar-se deste PSD? É já claro que a actual direcção está apostada em esticar a corda o mais que puder, ficando na liderança do partido até ao limite do aceitável, à espera que os "factos" tirem José Sócrates do Governo, abrindo-se assim uma janela de oportunidade ao PSD. A questão é: mas a que PSD? A este de Manuela Ferreira, cujo caminho, traçado por estrategos e ideólogos de alto coturno, a trouxe até este beco? Ao PSD de Pedro Passos Coelho, que está longe de ser um congregador de vontades? Ao de Aguiar-Branco, cujas ideias sobre Portugal são uma incógnita? Ao de Marcelo, que pede uma obviamente impossível federação de interesses, sendo que o federador seria ele próprio? Deve ser por não vislumbrar, assim de repente, uma saída airosa e substantiva que Pinto Balsemão teme o "suicídio".

[Jornal de Notícias, Paulo Ferreira]


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Publicado por JL às 15:15 de 06.12.09 | link do post | comentar |

Responsabilidade

Ex-líderes exigem à direcção do PSD "responsabilidade"

Santana, Marcelo, Menezes e Rui Machete alertam que não se pode chumbar diplomas só porque estes são do PS. Pedem "responsabilidade" à bancada e liderança do partido

Dias depois das primeiras coligações negativas na Assembleia e à beira da discussão do Orçamento do Estado, quatro ex-presidentes laranjas deixam o aviso: o PSD tem de actuar de forma responsável na Assembleia da República. Ou seja, primeiro o interesse do País, depois o partido. Luís Filipe Menezes e Rui Machete juntaram-se aos "avisos" já feitos por Marcelo Rebelo de Sousa e Pedro Santana Lopes.



Publicado por JL às 00:00 de 02.12.09 | link do post | comentar |

Pacheco Pereira e o seu sósia

José Pacheco Pereira escreveu inúmeras páginas contra a tentação tão portuguesa de denegrir a função política e que cede às mais básicas pulsões populistas, tendo servido de fermento à ditadura. José Pacheco Pereira escreveu inúmeras páginas sobre a necessidade de introduzirmos racionalidade no debate político português, evitando as infiltrações extremistas susceptíveis de corroer o nobre mas frágil edifício institucional da democracia.

Pensava nisto enquanto concluía que não podia ser o mesmo Pacheco Pereira aquele que se desgrenhava no ecrã à minha frente, atirando argumentos cheios de carga emocional e populista para a fogueira da discussão na Quadratura do Círculo. Fogueira que praticamente só ele alimenta, na permanente tentativa de falar em cima dos restantes intervenientes, procurando a todo o passo travar-lhes o raciocínio. É um Pacheco Pereira que parece sempre à beira do delito passional, agarrado a duas ou três teses férreas das quais não se demove um milímetro em função dos argumentos alheios, o que no fundo inviabiliza qualquer debate. Lobo Xavier, nas raras vezes em que o companheiro de mesa lhe permite falar, é muito mais hábil na defesa dos pontos de vista que interessam ao PSD para se firmar como eficaz partido de oposição. António Costa mal consegue juntar duas frases sem ser de imediato atropelado pela torrente verbal de Pacheco, ao melhor estilo das reuniões gerais de alunos de há várias décadas. Carlos Andrade parece todo o tempo investido da ingrata missão de procurar reduzir o ruído que este irreconhecível Pacheco Pereira provoca em estúdio, olhando nervosamente para o cronómetro, com a angústia do guarda-redes antes do penalti.

O "debate", nesta Quadratura, é nulo: tudo se esgota no incessante martelar das teclas de Pacheco, cada vez mais prisioneiro das suas obsessões, cada vez mais transfigurado pelo ódio cego a José Sócrates. E nestes instantes vou sentindo uma irreprimível nostalgia do Pacheco antigo, que nos mandava tomar as devidas precauções contra o frenesim populista, inimigo desbragado dos "políticos" e de todo o debate travado em moldes racionais. Nada a ver com esta penosa reencarnação do outrora ilustre pensador, tão mal representado pelo seu sósia, que parece desdizer hoje tudo quanto o Pacheco original dizia outrora.

[Delito de Opinião, Pedro Correia]



Publicado por JL às 00:02 de 28.11.09 | link do post | comentar |

A agonia de um partido

Enquanto o país brama contra a justiça e a corrupção (os jornais de ontem só quase falavam disso), no centro do regime, o PSD apodrece. A derrota eleitoral e a permanência de Ferreira Leite não contribuíram, como era de prever, para uma transição regular e ordeira. Pelo contrário. A intriga ferve por toda a parte: nas distritais, no Parlamento, na direcção. Personagens completamente desconhecidas vieram à superfície na sopa turva de uma guerra civil interminável, enquanto diariamente se fazem e desfazem alianças sem programa, nem propósito e no Instituto Sá Carneiro (pobre Sá Carneiro) algumas criaturas de outro mundo se preparam para descobrir o qual é afinal a verdadeira "identidade" do partido. Não se consegue imaginar uma situação mais catastrófica.

Pior ainda, além das grandes divisões do passado (entre a "social-democracia" da elite e o populismo das "bases", por exemplo), apareceram agora novas divisões. Primeiro, a divisão entre a tendência para a "estabilidade" e um temporário compromisso com o PS, isto é, para o "bloco central" e a tendência para uma oposição de princípio, que paralise rapidamente o Governo e o torne inviável. Segundo, a divisão entre os que preferem dar prioridade à política económica de Sócrates (se, de facto, ela existe) e os que preferem um ataque sistemático à corrupção, supondo talvez que o PSD não será afectado. E, terceiro, a divisão entre os que se propõem ressuscitar as "regiões" (com PS, claro) e os que sensatamente têm medo de consumar o caos. No meio desta miséria, há também quem recomende, sem se rir, o misterioso exercício de "federar ideias".

O único candidato declarado a encabeçar a loucura vigente é Pedro Passos Coelho, um homem bem intencionado e hábil, mas manifestamente imaturo. Marcelo continua a pairar, esperando o que por aí se chama uma "vaga de fundo" ou simplesmente sem estômago para o que se exigiria dele. E Aguiar Branco, apesar da ambição que lhe suspeitam, não passa, em teoria, de um putativo candidato. No fundo, o PSD anda à procura de um chefe e não encontra nenhum. E, não encontrando nenhum, acabará fatalmente com um chefe de acaso e de recurso, que presidirá, inerme, à sua desintegração final. A República, como incessantemente se repete, depende dos partidos. Com o PSD, já não pode contar

[Público, Vasco Pulido Valente]


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Publicado por Izanagi às 16:19 de 22.11.09 | link do post | comentar |

Tantos a falar para dizer o mesmo de sempre

"Não há ninguém em melhores condições de ser presidente do PSD do que o professor Marcelo Rebelo de Sousa", veio agora dizer José Eduardo Martins.

Fazendo coro com Paulo Rangel, José Luís Arnaut, Alexandre Relvas, José Matos Correia, Nuno Morais Sarmento, Macário Correia e Guilherme Silva, entre outros (são já tantos que começo a perder-lhes a conta).

Vários destes membros do clube de 'notáveis' do partido integraram as direcções de Durão Barroso, Santana Lopes, Marques Mendes, Luís Filipe Menezes e Manuela Ferreira Leite.

Só descobriram que Marcelo é "o melhor presidente do PSD" depois de terem dito o mesmo de Durão, Santana, Mendes, Menezes e Manuela.

Querem que Marcelo sirva agora de argamassa para colar os mil cacos em que se transformou o partido precisamente pela acção (e omissão) de muitos destes notáveis, sempre dispostos a empurrar os outros para o palco sem arriscarem eles próprios dar um passo nessa direcção.

Com isso podem inviabilizar a melhor candidatura presidencial de direita, daqui a 15 meses, na hipótese de Cavaco Silva não se recandidatar.

Mas isso pouco lhes interessa desde que consigam prosseguir a tranquila gestão das suas actividades profissionais com ocasionais incursões na vida partidária para manter a espécie de baronato vitalício que lhes foi outorgada.

É caso para perguntar a alguns deles por que motivo, estando tão preocupados com o futuro do PSD, não aceitaram sequer um lugarzinho elegível nas listas parlamentares do partido.

Manuela Ferreira Leite ter-lhes-ia agradecido.

[Corta-fitas, Pedro Correia]


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Publicado por JL às 10:45 de 01.11.09 | link do post | comentar |

Cristo ressuscitado

O país precisa de uma Oposição responsável e credível. Quem perdeu as eleições não serve para liderar a Oposição mas, no PSD, ninguém pode acreditar que o problema foi a Dr.ª Manuela Ferreira Leite. O problema é o partido. A actual líder não é pior que nenhum dos dirigentes que se perfilha para a substituir, bem pelo contrário.

Ferreira Leite devolveu ao PSD a credibilidade. Falhou no discurso, mas não falhou nas ideias para o país. Era uma alternativa ao actual Poder, não era uma mera alternância. O povo escolheu a continuidade, mas não desistiu de exigir a todos os partidos que encontrem soluções para ultrapassar a crise.

Falhada a conquista do Poder, problema maior para um partido da alternância, o PSD não pode agora falhar a discussão programática. Não pode e não deve centrar a discussão no candidato que melhor passa na Comunicação Social. É um erro acreditar que o mais mediático dos candidatos é o que melhor pode servir os interesses do partido.

Acontece até que o mais mediático dos candidatos é o mais ponderado nas propostas para devolver ao PSD a capacidade de ser uma alternativa credível. Marcelo Rebelo de Sousa propõe que o PSD se encontre a si próprio antes de pedir ao país que encontre o PSD. Talvez, por isto, seja o melhor líder que o PSD pode ter, mas é bom que os militantes do partido não o queiram, apenas, porque é o mais popular dos seus militantes.

Por uma vez, Marcelo disse que não seria líder do PSD "nem que Cristo desça à Terra". Acabou por ser. Desta vez, não ouviremos declarações tão peremptórias. Marcelo, inteligente, astuto, bem informado, poderá ser o melhor líder da Oposição que o país pode ter. O que todos esperam, a começar pelos militantes do PSD, é que prove também que pode ser a melhor alternativa como chefe de governo. O país não pode ficar à espera de um D. Sebastião que nunca se concretiza. É que é mais fácil acreditar na ressurreição de Jesus Cristo.

[Jornal de Notícias, Paulo Baldaia]


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Publicado por JL às 19:57 de 31.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PSD investimentos

Pedro Passos Coelho, Aguiar Branco, Paulo Rangel, Morais Sarmento, Marcelo Rebelo de Sousa, Santana Lopes e Luís Filipe Menezes são, no momento presente, os grandes accionistas dessa fantástica agremiação político-empresarial que é o Partido Social Democrata.

Cada um deles dispõe de uma quota específica do capital social da empresa, representa interesses accionistas divergentes e tem uma visão própria para a sua estratégia empresarial.

O grave é todos fazerem parte do Conselho de Administração e não se conseguirem entender.

Filhos mais ou menos próximos de Aníbal Cavaco Silva, demonstram-se incapazes de gerir a herança deixada pelo pai.

Enquanto o PSD não for tomado por um accionista largamente maioritário, estará condenado a perder mercado e, quem sabe, mesmo até à falência.

[Portugal Contemporâneo, Rui Albuquerque]


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Publicado por JL às 19:51 de 31.10.09 | link do post | comentar |

Justiça a branco e Preto

António, que é Branco, não vai virar a Preto pela simples razão de que a “justiça” que temos em Portugal não espreme certos Brancos.

Justiça numa palavra, foi perguntado ao actual Bastonário da Ordem dos Advogados, ao que este respondeu: fuja dela.

Em Portugal a justiça só aperta certos Brancos que sejam considerados Pretos e certos Pretos que sejam uns pobres Brancos

É a vida! mal fadada vida de (in)justiça.


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Publicado por Zé Pessoa às 12:45 de 27.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

A guerra civil do PSD

Não admira que se fala em balcanização do PSD. Há muito que não parecia tão estilhaçado.

Balcanização é uma palavra muito usada por estes dias quando se fala do PSD. Os Balcãs são uma região assombrada pelo desentendimento, onde o consenso é uma utopia e a paz gera desconfiança. O PSD não anda muito diferente. Durante décadas, graças à liberdade de movimentos concedida aos países não-alinhados, o marechal Tito conseguiu transformar a fragmentação de vontades, religiões e culturas de que os Balcãs são feitos numa ficção bem montada, embora à força, chamada Jugoslávia. Quando o marechal saiu de cena, a ficção sucumbiu. Ódios e rivalidades, que estavam adormecidos sob a mão pesada do regime, despertaram com alarido e os povos da região desencadearam o conflito europeu mais sangrento desde a II Guerra Mundial. As divergências não tinham fronteiras claras, com enclaves dentro de enclaves. A guerra travava-se esquina a esquina, casa a casa - e dentro das próprias casas. A ilusão de unidade fabricada por Tito tinha-se infiltrado até à escala mais ínfima da realidade, misturando croatas, sérvios e bósnios, católicos, cristãos ortodoxos e muçulmanos, no mesmo prédio ou na mesma família. Com a guerra, pais cortaram relações com filhos, maridos e mulheres passaram a odiar-se e irmãos mataram irmãos.

As tragédias dos Balcãs e as lutas internas dos social-democratas correspondem, como é evidente, a diferentes graus de desordem. Mas quem se lembrou de aplicar a imagem da balcanização ao PSD não o fez por acaso: limitou-se a constatar o somatório de pequenas Krajinas, Mostars, Sarajevos, Kosovos e Srebrenicas em que o PSD se tornou.

Até à última campanha eleitoral, uma parte significativa dos social-democratas vivia no sonho de que Manuela Ferreira Leite poderia trazer de volta a unidade a um partido assente numa base tão heterogénea como é o PSD. Afinal de contas, tratava-se da descendente mais directa de Cavaco Silva, o homem que, tal como o marechal Tito na Jugoslávia, conseguira travar a dispersão de tendências no partido. Com o desenrolar da campanha, porém, o sonho começou a ficar cada vez mais próximo do pesadelo que, no final, prevaleceu. Encarada durante anos como uma reserva de liderança e de moral para usar em tempos de aflição, a senadora Ferreira Leite esfumou-se num resultado ao nível de Santana Lopes. Resumindo: além do desaire, a ex-ministra de Cavaco deixou um forte sentimento de orfandade entre os social-democratas.

O PSD de Ferreira Leite foi incapaz de aproveitar as vulnerabilidades de um PS desgastado por uma sucessão de casos políticos e pela contestação social. E este PSD de ninguém, pelo que se assiste, continuará a definhar diante de um PS mais fraco, que governa em minoria.

A desorientação dos social-democratas é mais aguda do que nunca. A líder, que simboliza a derrota, insiste em ficar até Março e o único candidato à liderança, Passos Coelho, está longe de ser consensual, o mesmo acontecendo com os putativos interessados na corrida, como Paulo Rangel, Aguiar Branco ou Morais Sarmento. Mesmo Rebelo de Sousa, visto por muita gente como a solução para o problema no imediato, seria sempre um regresso ao passado.

[ i ,Francisco Camacho]


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Publicado por JL às 00:02 de 27.10.09 | link do post | comentar |

Tão substantivamente quanto possível

1 Não há governos bons e governos maus. Há governos com bons ministros e maus ministros. Há ministros que se tornam boas apostas e outros que não passam de erros de casting. Em todos os governos há bons e em todos os governos há maus, porque em todos há boas e más políticas, boas e más reformas.

Tomemos o exemplo, próximo, do primeiro Executivo de José Sócrates.

Houve ministros muito bons. Teixeira dos Santos guiou as Finanças com acerto. Vieira da Silva fez uma reforma difícil e apreciada na Segurança Social. Luís Amado ganhou dimensão na passagem dos militares para os Negócios Estrangeiros (onde Freitas do Amaral, fosse pelo que fosse, não foi a "estrela" esperada).

Na escala seguinte houve ministros bons. Maria de Lurdes Rodrigues, por exemplo, ilustra o caso de uma pessoa a quem faltou em experiência política o que sobrou em coragem pessoal e dedicação a uma ideia de ensino público. O seu julgamento far-se-á substantivamente no futuro, sem histerismos nem manifestações promovidas por esse capataz do sindicalismo mais negativo que se chama Mário Nogueira.

E houve apostas que valeram zero, de Campos e Cunha (remodelado em poucos dias nas Finanças, e desde aí um opositor pessoal de tudo o que José Sócrates decida) a José António Pinto Ribeiro, de quem a Cultura se despede com alívio. Negativo foi também o percurso errante de Mário Lino nas grandes obras, a actuação de António Costa na Justiça, de Nunes Correia no Ambiente.

Houve ainda casos interessantes. Jaime Silva, contestado pelos lobbies da Agricultura e das Pescas, foi muito melhor do que apregoam os gastadores de subsídios e até Manuel Pinho teve em acção e empenhamento pessoal o que lhe faltou em discernimento político.

Não se podendo fazer um classificação absoluta, a média do anterior Governo é positiva. Suficiente mas positiva, numa conjuntura absolutamente delirante em termos económicos e com uma tradução catastrófica em termos de manutenção de emprego.

2 Sendo absolutamente disparatadas as "previsões" quanto à qualidade da acção do novo Governo - até porque também ele dependerá da conjuntura económica internacional, para além do desempenho dos ministros e da colaboração dos diversos sectores da sociedade portuguesa -, há, no entanto, reflexões que podem ser substantivamente tiradas do processo de formação deste outro elenco e dos nomes que o compõem.

Substantivamente, José Sócrates trabalhou rápido e conseguiu apresentar o Governo ao Presidente da República sem que ele já o conhecesse em parte pela comunicação social. Na actual fase da vida política portuguesa este rigor não é de somenos.

Substantivamente, há sinais civilizacionais importantes, como as cinco mulheres ou a procura de personalidades vindas de todo o País, da Madeira aos Açores, do Porto a Lisboa, de Aveiro a Évora. Estes detalhes são positivos e costumam estar presentes na formação de executivos em todo o mundo.

Substantivamente, nota-se a habilidade política do primeiro-ministro nas trincheiras que cava à sua volta para o combate político permanente que vai marcar esta legislatura. Alberto Martins na Justiça, Santos Silva na Defesa, Jorge Lacão no Parlamento mostram como Sócrates se rodeia de um núcleo de fiéis (onde se contam Silva Pereira, Vieira da Silva, Teixeira dos Santos, Rui Pereira e Luís Amado) nas pastas mais delicadas institucional e socialmente para não correr riscos na condução política.

Substantivamente, quase metade do Governo é uma incógnita. Percebe-se, apenas, que Sócrates quer dar sinais de que ouviu as pessoas e entendeu o sentido de alguns votos. Há aqui uma vontade de impor a imagem de humildade onde antes se assinalava a "arrogância" provinda de uma maioria que já não há. Por isso temos uma sindicalista no combate ao desemprego e outra na Educação, ambas com currículo, para ver se conseguem imitar o que Ana Jorge fez na Saúde, pacificando-a depois de Correia de Campos.

Substantivamente, a conjuntura é muito difícil em termos económicos e a oposição será mais forte quando o PSD encontrar finalmente um líder. O primeiro-ministro sabe que não pode cometer erros importantes, mas será talvez errado esperar um Governo conciliador e dialogante em excesso. Sócrates não é Guterres. Quer, com certeza, fazer bem. Mas quer, sobretudo, se um dia tiver de cair no Parlamento, na sequência de uma coligação das oposições, que os eleitores lhe não debitem a culpa. Esse cálculo político permanente vai, substantivamente, marcar a vida política nos próximos anos e também ele não é bom nem mau: é assim.

[Diário de Notícias, João Marcelino]


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Publicado por JL às 00:03 de 26.10.09 | link do post | comentar |

Cavaco, prisioneiro de Sócrates

A política tem destas coisas, o mesmo Cavaco Silva que parece ter dado rédea solta aos seus assessores para conspirarem contra Sócrates, com o objectivo claro de levar Manuela Ferreira Leite a São Bento, vê-se agora orçado a andar com Sócrates ao colo se quer ter esperança de vir a ser reeleito Presidente da República. Quando Sócrates tinha a maioria absoluta mas ficou vulnerável face à crise financeira Cavaco optou por lhe tirar o tapete, agora que Sócrates não conta com uma maioria absoluta Cavaco vê-se obrigado a protegê-lo.

O que irá pela cabeça de um Fernando Lima que há poucos meses promoveu falsas acusações com o objectivo de destruir Sócrates e agora vê Cavaco pedir aos partidos que deixem passar o programa de governo e o orçamento?

A diferença no comportamento de Cavaco Silva explica-se pelo calendário eleitoral, antes Cavaco tinha uma estratégia em função as legislativas, agora actua em função das eleições presidenciais. Este é o prior dos cenários para Cavaco Silva, parte com a imagem de um político que não tem perfil nem está à altura das exigências do cargo de Presidente da República, é forçado a apoiar o partido que não queria ver no governo, não vai conseguir gerir o processo de mudança na liderança do PSD e nem este nem o PS lhe vão agradecer o que tem feito.

Cavaco vai usar o protagonismo que a ausência de uma maioria absoluta lhe proporciona para assumir o papel de garante da estabilidade o que não deixa de ser irónico, quando essa estabilidade estava assegurada pela existência de uma maioria absoluta foi ele e os seus assessores que assumiram a função de desestabilizar. Só que este apoio ao PS fá-lo perder a confiança da direita e é pouco provável que lhe traga simpatias à esquerda.

Se quiser os votos da direita Cavaco terá de desagradar ao PS mas isso levaria a uma grave crise política e, muito provavelmente, a uma derrota nas presidenciais. Se quiser os votos à esquerda Cavaco terá de desagradar à direita mas isso pode levar à implosão de um PSD que precisa de se livrar dos cavaquistas para reencontrar a sua identidade, mas que depois de mais de duas décadas a servir de eucaliptal cavaquista perdeu o seu espaço político.

O mesmo Cavaco que sonhou ver-se livre de Sócrates é agora prisioneiro do líder do PS, a sua reeleição vai depender da estabilidade política e da recuperação da economia. Por outras palavras, se Cavaco quer ser reeleito terá de ajudar Sócrates a recuperar a governar bem e a manter-se no governo e, muito provavelmente, a recuperar a maioria absoluta.

Cavaco apostou e perdeu, não só perdeu como ficou com grandes dívidas de jogo de qu Sócrates é o grande credor. O PSD vai aprender uma dura lição, Cavaco Silva é um político que apenas se serviu dele para satisfazer as suas ambições pessoais e fará tudo o que for necessário para sobreviver, incluindo ajudar à destruição do partido que o deu à luz na vida política. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:05 de 22.10.09 | link do post | comentar |

Armários e prateleiras

Pode-se debater que Socialismo temos hoje em Portugal, o que é o Socialismo Democrático, que caminho seguirá no futuro, mas duma coisa não há dúvidas, o PS e o Governo por ele suportado é socialista, e dos rijos a avaliar pelas acusações de excesso de socialismo e pelos ataques por causa de medidas socialistas por parte de muitos e ilustres bloggers de direita (assumida ou nem por isso) da nossa praça.

Portanto sabemos uma coisa, o partido socialista e o governo são socialistas, porreiro, menos mau, pelo menos há um referencial assumido e há uma legenda consensual, podem haver níveis de intensidade ou qualidade diferentes ou então opções passíveis de interpretação.

Curiosamente, quer no governo quer na oposição, jamais o PSD foi acusado de excesso de "social-democracia", atacado por interpretações ou opções demasiado social-democratas, referenciado por qualquer tipo de variante, tendência ou denominação social-democrata. Porquê?

Porque o PSD não tem nada a ver com a Social-democracia, nem em sentido estrito nem em sentido lato, nem com muita memória nem sem memória alguma, nem com boa vontade nem sem vontade nenhuma, é um caso de clara publicidade enganosa perpetuada por quem se serve desta falácia política.

Tal como o mito Cavaco Silva foi sustentado por quem disso se aproveitou em (grande) benefício próprio também a suposta e alegada social-democracia do PSD é ainda hoje alimentada, melhor, tolerada, pelos dirigentes que sabem da importância desta fraude de comunicação para manter os resultados eleitorais que mantenham a esperança de poder, este sim o único elemento "ligante" no PSD.

Liberais, Populares e Conservadores, seria assim que se definiria facilmente a grande maioria dos dirigentes do PSD e de uma boa parte das bases também. Mas mudar o nome do partido seria o bilhete de ida sem regresso para muitos votos que repousariam no colo do CDS! E já houve um par de mentes que pensou num Partido Social Liberal, não houve?

Liberais, excelente malta com ideias muito interessantes que jamais dará o salto da blogosfera (cito a blogosfera porque existe no PSD quem se assuma como liberal apenas porque aumenta o "sex-apeal politico" ao contrário de muitos liberais a sério que podemos encontrar na Web 2.0!) para um partido próprio porque...dá muito trabalho e leva muito tempo a atingir o patamar em que se consegue influenciar as decisões, a exemplo do que aconteceu pela Europa fora. A redoma teórica é muito mais segura e higiénica.

E o CDS é demasiado pequenino...

Populares, amálgama muito mais abstracta e heterogénea, com referência europeias contraditórias, mas que não suporta pensar em exemplos recentes de suicídios políticos.

E o CDS é mesmo demasiado pequenino...

Conservadores, pessoal muito porreiro, com ideias questionáveis mas com princípios muito dignos, mas o medo de assumir o peso da palavra direita, algumas fobias e tabus do passado, remete-os a ficarem sentadinhos. E o CDS ainda é demasiado pequenino...

Existe ainda uma grande maioria silenciosa que agradece não ter que pensar em ideologia, nem debater os princípios do partido ou discutir os fundamentos da política seguida pelo partido. Para esses o PSD é como um partido profissional sem qualquer matriz ideológica, leva a real politik ao extremo, pode tudo e nada, algo e o seu oposto em qualquer momento ou circunstância, um partido decalcado do líder provisório comportando-se como uma empresa de lobbying que por vezes toma o poder...mais nada! E quando falha o líder tal como acontece desde 1995?Tonturas, enjoo e problemas de equilíbrio.

 Retire-se a base de poder local sustentada pela rede autárquica ao PSD, insufle-se o CDS como um partido de Poder onde liberais e conservadores assumam diferenças e tentem (teoricamente difícil mas para quem respira o ar laranja, qualquer coisa é mais saudável!) conviver como alas ou tendências e...desaparece o PSD como uma necessidade de base e depois como uma necessidade de cúpula.

Teríamos então uma espécie de direita mais "a sério" em Portugal, numa Europa do Sec. XXI, na Europa curiosamente dominada por governos de direita, numa Europa onde 5 governos têm até partidos de extrema-direita em coligações governamentais democraticamente eleitas.

 Precisamos desta direita assumida e "normal" para os padrões Ocidentais? Sim. Porquê?

Porque o "mercado politico" precisa dos melhores quadros nos melhores partidos para que sejam poder de acordo com o sufrágio popular e este modelo de "espécie de PSD" estrangula ideias, princípios e recursos humanos. Porque se a Esquerda se divide e se confronta mas assume as diferenças, a Direita mente e finge, não sai da prateleira nem do armário, usando máscaras e engodos para disfarçar o óbvio e natural, são mesmo de Direita! E depois, qual é o mal? Nenhum, desde que todos sigam as mesmas Regras do Jogo...

[Câmara de Comuns, Paulo Ferreira]


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Publicado por Xa2 às 00:04 de 22.10.09 | link do post | comentar |

A farsa que é a social-democracia do PSD

Pedro Picoito, conhecido militante social-democrata, e colaborador do Instituto Sá Carneiro avançou com as suas propostas para o PSD em artigo do jornal i.

Vale a pena ler.

Estão lá presentes todos os traços da velha direita europeia, socialmente conservadora e economicamente neoliberal.

Mas por uma vez é assumido de forma honesta que isto não é um programa social-democrata.

Para justificar o uso da sigla PSD, Pedro Picoito confessa uma frase que é todo um programa político: "sou conservador-liberal por dentro, mas tenho que parecer social-democrata por fora".

Assumido, assim, sem mais. Pedro Picoito assume que a "social-democracia" do PSD é uma farsa.

[Câmara de Comuns, Carlos Santos]


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Publicado por Xa2 às 00:02 de 22.10.09 | link do post | comentar |

A ser verdade, afinal não é só no Afganistão!

PS/Espinho pede nulidade das autárquicas

PS de Espinho recorreu para o Tribunal Constitucional alegando que houve irregularidades e ilegalidades no processo que deu a presidência da Câmara ao PSD.

O PS de Espinho apresentou na passada sexta feira, 16 de Outubro, um recurso ao Tribunal Constitucional (TC), pedindo a nulidade das Eleições Autárquicas neste concelho.

Urnas que viajaram nas viaturas pessoais dos presidentes de mesa e votos considerados válidos apesar de apresentarem escritos como "o IMI está muito alto" e "mandem o Mota para o Brasil" são alguns dos exemplos referidos na queixa dos socialistas, a que a Lusa teve acesso hoje, terça-feira.

José Mota, o ainda presidente da Câmara que a 11 de Outubro perdeu a reeleição, remete as explicações do caso para Liliana Ferreira, eleita pelo PS para a Assembleia Municipal e para a Assembleia de Freguesia de Espinho.

Liliana Ferreira, advogada, sustenta que o partido "detectou imensas irregularidades e ilegalidades durante todo o processo eleitoral".

"O Tribunal Constitucional tem que apurar responsabilidades e corrigir a situação", acrescenta.

Como alguns exemplos Liliana Ferreira sustenta que "na mesa de voto 4, havia 467 votantes assinalados nos cadernos como tendo comparecido para votar, mas, nas urnas, estavam 637 boletins".

Acrescenta ainda que "a PSP só deve levar os boletins nulos e brancos, e não pode levar os que ficaram por utilizar. Mas houve mesas de votos em que levou tudo".

"Também houve presidentes de mesa que andaram com os votos nos seus carros particulares e tiveram oportunidade de preencher como entenderam esses boletins que estavam por utilizar", frisa a advogada.

Segundo Liliana Ferreira "isso pode justificar a discrepância de resultados".

O caso "mais evidente", para a eleita do PS, será o de Silvalde, onde o PSD começou por ganhar por 299 votos "quando na realidade só tinham 289".

"As contas finais deram a Junta de Silvalde ao PSD por apenas um voto de diferença, mas o PS reclama que há um boletim de voto a favor dos socialistas que foi considerado nulo e não devia", sustenta.

"Nesse caso", explica Liliana Ferreira, "o resultado seria um empate e teria que repetir-se o acto eleitoral".

A queixa que o PS apresentou ao Tribunal Constitucional faz ainda referência a uma carta anónima com fotografias das urnas e dos boletins de votos, alegando que os sociais-democratas pagariam "20 euros ou mais por cada voto no PSD", diz a advogada.

O TC notificou, segunda-feira, todos os partidos que participaram no acto eleitoral de Espinho para se pronunciarem sobre o caso.

Depois de serem ouvidos, o TC tem 48 horas para se pronunciar. [Jornal de Notícias]



Publicado por JL às 00:05 de 21.10.09 | link do post | comentar |

O PSD vai precisar de um líder e de um candidato presidencial

A esta hora já Cavaco Silva deve ter percebido que ou é mais difícil ser presidente do que primeiro-ministro ou não tem perfil para o cargo, ou ainda que sucedem as duas coisas. Qualquer Presidente da República tem boa imagem, basta para tal beneficiar da dignidade do cargo e manter a isenção, é raro a imagem de um Presidente da República descer tão baixo como está a suceder com Cavaco Silva.

Então no que falhou o actual Presidente da República?

Cavaco habitou-se demasiado ao poder do cargo de primeiro-ministro e não resistiu à tentação de exercer o poder para além dos limites das suas competências. Tentou fazê-lo ao promover pactos entre o PS e o PSD de Marques Mendes, fê-lo ao intervir no caso da localização do aeroporto e quando percebeu que José Sócrates não era um pau mandado recorreu a uma dúzia de vetos políticos para impor a sua vontade.

Acabou por não resistir à tentação de ver Sócrates ser substituído pró Manuela Ferreira Leite, convencido de que as campanhas contra o primeiro-ministro e as dificuldades resultantes da crise financeira criaram as condições para uma vitória eleitoral do PSD apostou tudo nas legislativas. Mas perdeu, não só não perdeu como quase pôs em causa a sua continuidade no cargo, acabou por ter de se remeter a uma atitude defensiva na tentativa de voltar a poder sonhar com uma reeleição.

Habituado a governar a pensar em votos Cavaco não percebeu que a melhor forma de se manter tranquilamente no cargo era prestigiando a instituição Presidência da República. Não percebeu que enquanto Presidente não tinha os fundos comunitários para gerir a sua imagem, não poderia agendar as inaugurações para as vésperas das eleições, nem podia aumentar as pensões para assegurar vitórias eleitorais.

Cavaco não percebeu a diferença entre ser primeiro-ministro das vacas gordas e ser Presidente da República durante a maior crise financeira internacional, aliás, Cavaco nunca percebeu o papel da Presidência da República que no passado designava por foça de bloqueio, ele que agora serviu vetos à dúzia.

Não só não percebeu a dimensão do cargo como foi incompetente no seu desempenho e revelou não ter dimensão política e intelectual para o seu exercício. O resultado é perigoso, Portugal tem um Presidente fraco, de competência duvidosa, em cuja isenção poucos confiam, que tem de colaborar com um primeiro-ministro contra o qual os seus assessores foram acusados de conspirar, havendo muita gente que pensa que o fizeram a mando do Presidente.

Cavaco não cumpriu nenhuma das suas promessas eleitorais, nãose portou com isenção não ajudou nem o governo nem o país, limitou-se a pensar nele e o seu futuro e fê-lo de forma desastrada. Conseguirá Cavaco recuperar desta actuação desastrosa? Duvido, da mesma forma que duvido que muitos portugueses considerem que Cavaco Silva está à altura das exigências do cargo.

Isso significa que o PSD não enfrenta apenas a necessidade de encontrar uma liderança credível a curto ou médio prazo. É muito provável que se venha a confrontar com a necessidade de arranjar à pressa um candidato a Presidente, até porque Cavaco vai manter o tabu da sua recandidatura até se sentir seguro de que não será humilhado nas eleições presidenciais, ficando para a história como o primeiro Presidente da República a não conseguir ser reeleito. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:03 de 21.10.09 | link do post | comentar |

Ir ao fundo

É lastimável que depois da ‘débacle’ eleitoral do PSD, quer nas legislativas quer também nas autárquicas, os seus dirigentes se permitam vir a público clamar vitória porque no âmbito das autarquias o partido tem mais duzentos mandatos que o PS.

Houvesse um pouco mais de sensibilidade política na direcção do partido e de certeza que se evitaria este tipo de figuras tristes que o público escarnece e a militância já desdenha.

Há um conjunto de pessoas que em torno da liderança do PSD se acham ungidas por uma qualquer transcendência que as faz julgarem-se superiores intelectuais e, nessa medida, só elas sabem que caminho seguir, que táctica adoptar, que estratégia desenvolver.

Viu-se no que deu. A credibilidade, uma suposta vantagem competitiva, logo foi estilhaçada no momento de construção das listas com a integração de militantes que deveriam cumprir o resguardo ético adequado a quem está a braços com situações de justiça.

A asfixia democrática, o mote obsessivo do discurso de campanha, eis que se afundou nas águas do Atlântico que banham a Madeira com as inusitadas palavras sobre a actuação do presidente do Governo Regional.

O TGV andou por aí tempo de mais a circular sem que ninguém tivesse percebido a consistência e o alcance da sua insistente rejeição.

Desemprego, nova pobreza, nada disto surgiu no guião eleitoral do PSD, como se estes não fossem os temas essenciais, não pelos seus potenciais dividendos eleitorais, mas porque o são em absoluto e em qualquer circunstância.

A liderança do PSD teve dois pássaros na mão e deixou-os voar. Teve a arte e o engenho de desperdiçar todas as condições de vitória e permitir que Sócrates tivesse conseguido reverter uma situação que de início se lhe afigurava manifestamente negativa.

É tempo de reflectir. É certo que é. Mas é tempo de fazer essa reflexão em termos diametralmente opostos de todas as reflexões que têm sido feitas ultimamente. Não é suportável continuar a queimar líderes num fósforo de tempo. A questão não deve partir da liderança. Esse não é o ponto de partida. É o ponto de chegada de um caminho que tem que ser feito em torno daquilo que o partido pretende ser enquanto força política num quadro de referência novo e que comporta o reforço das forças marginais (BE e CDS) e acima de tudo um pêndulo central (PS) que adequa os seus movimentos à esquerda e à direita consoante as oportunidades.

O PSD pode ter uma liderança, pode ter vinte lideranças. Mas essas lideranças têm que definir o seu espaço político. O seu espaço de acção ideológica e programática. É mesmo isso, o PSD precisa de se transformar, do ponto de vista programático e em consequência reconsiderar a sua denominação. A história é um elemento de referência, é certo. E por isso tem que estar presente. Mas, é um lugar comum, eu sei, não há passado sem futuro. E acima de tudo há que ter consciência de que é muito importante que o futuro comece hoje.

[Diário Económico, Rita Marques Guedes]


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Publicado por JL às 00:01 de 19.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Um partido em crise

1. O PSD entrou definitivamente no ciclo de substituição de Manuela Ferreira Leite. Já se apresentou Pedro Passos Coelho. Marcelo Rebelo de Sousa estuda a conjuntura. Paulo Rangel reflecte. Luís Filipe Meneses mostra-se. Marques Mendes nota-se. Pedro Santana Lopes continua por aí. Rui Rio aguarda. E haverá outros.

Vem aí mudança, e não podia ser de outro modo face à derrota em que se traduziu o balanço dos últimos cinco meses de eleições.

Ao optimismo de uma campanha para as europeias bem protagonizada por Paulo Rangel, e que contou com o "voto de protesto" contra o Governo, seguiu-se uma derrota estrondosa nas legislativas e uma queda nacional nas autárquicas. Nestas, o PSD ganhou, porque tem objectivamente mais câmaras (também fruto das coligações com o PP), mas esvaiu-se de novo em votos e, sobretudo, delapidou a enorme vantagem que nesse terreno local tinha sobre o PS.

Que isto tenha acontecido num momento final de legislatura, necessariamente desgastante para quem está no poder, não é um facto de somenos. O PSD perdeu em toda a linha e Manuela Ferreira Leite esgotou as possibilidades de se manter à frente do partido.

2. O episódio da renúncia de João de Deus Pinheiro na reabertura do Parlamento mostra como o PSD está ferido e em alguns casos perdeu a vergonha. Este é, sem dúvida, o exemplo de um homem que se candidatou para enganar quem nele votou. Deus Pinheiro não tinha a mínima ideia de trabalhar no Parlamento! Nunca lhe passou pela cabeça voltar a ser deputado! Quanto muito estaria disponível para entrar num Governo. E, no entanto, deve ter-lhe sobrado a veleidade de ser um trunfo eleitoral do partido… Um imprescindível! Terá escondido esta estratégia de MFL? Talvez, sim; talvez, não. Aqui, como no caso de António Preto, vê-se o que valem as palavras. "Verdade", "honestidade", "seriedade" são termos tão bonitos como perigosos e Pacheco Pereira não terá percebido isso no momento de traçar a estratégia da "asfixia democrática" cuja derrocada agora o faz rebolar na insensatez, na mentira e na desonestidade intelectual.

3. O PSD pode acabar - diziam-me um dia destes num programa de televisão. Não estou de acordo. Primeiro, um partido de pessoas e que está tão presente no terreno, como o PSD, não desaparece de um momento para o outro. Seriam precisos muitos anos de erros. E, por outro lado, a sua função de equilíbrio no sistema ainda não está colocada em causa pelo crescimento do CDS/PP. Portugal precisa de ter uma alternativa e esta continua a ser o PSD.

Aquilo de que o partido precisa, de facto, é de uma liderança jovem (nas ideias, o que não tem nada a ver com o BI), descomplexada, que aceite o partido com as suas virtudes e os seus defeitos, que não seja das duas cidades (Lisboa e Porto) contra os autarcas ou destes contra os "elitistas", que o defina ideologicamente de forma mais coerente, que vise agradar ao País e não se esgote nos dois grandes sindicatos internos de voto.

O PSD não vai acabar mas está perante este desafio: tem de escolher uma personalidade com capacidade para ser primeiro-ministro, para unir e para viver quatro anos com um grupo parlamentar formado a partir do núcleo mais fiel a MFL. Se virmos as coisas assim, só há três mosqueteiros (que, tal como os de Dumas, são quatro): Passos Coelho, Paulo Rangel, Rui Rio e Marcelo Rebelo de Sousa. Com toda a franqueza, o PSD tem bons candidatos. Precisa de meter as mãos ao trabalho, deixar a intriga, e olhar para o País. Foi aí que perdeu com Sócrates. …

[Diário de Notícias, João Marcelino]


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Publicado por JL às 00:03 de 18.10.09 | link do post | comentar |

Não foi nada disto que eu pedi!

Se os votos tivessem hipótese de reclamação imediata, estou certo que o PSD já teria recebido duas.

Uma por ter assumido, à priori, que votaria contra o orçamento, mostrando que, independentemente do que de lá venha, a partidarite se sobrepõe ao bom-senso e que "às cegas" se adoptam muitas decisões por aqueles lados.

A outra teria base na expectativas defraudadas de quem elege deputados para uma legislatura e não por meia hora e que com toda a legitimidade poderia dizer "não foi nada disto que eu pedi!"

Abram o livro de reclamações que há já quem lá queira escrever!

[Câmara de Comuns, João Maria Condeixa]



Publicado por JL às 00:05 de 17.10.09 | link do post | comentar |

“Enganos” neoliberais nos “sociais-democratas”?

Mais propostas para o proto-PSD: a neo - social democracia, em que o "social" é figurativo.

Este é um bom tempo para ler blogues de direita. Particularmente os afectos ao PSD. Porque por entre as reflexões que se vão produzindo sabemos o que vai na mente de militantes, e dirigentes, ainda que depois a cosmética de nomes e programas tente vender gato por lebre. Nesta reflexão, por exemplo, produzida por uma autarca recém-eleita, considera-se que a viabilização do PSD, para se demarcar do PS e do CDS em cada lado, passa por medidas como:

1) possibilidade de escolha na segurança social - esta por acaso era uma proposta já constante do programa do PSD, que se traduz, como se concluiu, na privatização da segurança social, reduzindo o financiamento do sistema público, que de acordo com o Relatório Anual do Banco de Portugal de 2008, as reformas do corrente governo conseguiram tornar sustentável até 2070, quando estava na eminência do colapso em 2005;

2) privatização da educação saúde e empresas públicas (presumo, portanto, que se inclui aqui a CGD, a TAP, a RTP e o que mais vier à rede?) - o que significa a morte da escola pública e do sistema nacional de saúde;

3) oposição ao investimento público em grandes obras - o que corresponde a dizer que certa ala do PSD não percebeu o cartão vermelho que recebeu da população que votou por um país com investimento modernizador, potenciador da produtividade e criador de emprego;

4) diminuição de funcionários públicos: o que significa aumentar o desemprego em contexto de recessão, uma medida particularmente inteligente e, como dizer, social-democrata! Se em mente estiverem reformas antecipadas, suponho que se compreende a sobrecarga do sistema se segurança social?

5) desregulamentação na defesa do consumidor - o que fala por si!

6) flexibilização do mercado laboral: na versão soft isto quer pelo menos dizer aumento do trabalho precário, o que já é grave; nas versões mais duras isto passa por eliminar o próprio salário mínimo recuando à Inglaterra de Thatcher e ao puro neoliberalismo; na versão António Borges equivale a descidas salariais.

7) concentrar as prestações sociais nas camadas infantis e seniores: o que significa diminuir ou extinguir conquistas sociais como o rendimento social de inserção, o subsídio de desemprego com alta taxa de substituição face ao último salário; o subsídio social de desemprego e outras que beneficiem quem tenha mais de 5 e menos de 65 anos! É que nem a invalidez foi incluída.

 

Deve chamar-se à noção de justiça social que preside a este proto-PSD uma espécie de neo-social democracia. Assim, sem o social, e com muito de neoliberal?

[O Valor das Ideias, Carlos Santos]


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Publicado por Xa2 às 00:01 de 16.10.09 | link do post | comentar |

Que opções fará o PSD?

Há muita gente no PSD a pensar que varrendo Manuela Ferreira Leite da liderança do PSD o partido começará nova vida. É um erro. É evidente que ela deve deixar a liderança mas, estando a saída prevista para Maio, não se vê o que pode o partido ganhar por antecipar o processo. A menos que haja alguém no horizonte com capacidades superiores mas incapaz de esperar mais um pouco. É pouco provável. O PSD necessita, além disso, de voltar à normalidade, não podendo estar sempre pronto para apear um líder. E o líder que vier tem de ser sólido, não sendo o líder de uma facção. E o partido precisa de doutrina, precisa de voltar a discutir política para poder traçar um rumo que lhe sirva de guião. O que o partido não pode é perder sucessivas eleições - e, cuidado, não apregoem muito que venceram as autárquicas porque podem convencer-se disso - e persistir nos mesmos erros.

Em boa verdade, a questão da liderança no PSD é uma questão dos dirigentes. Não é um movimento de militantes que agita as águas sociais-democratas. São os dirigentes, com as suas guerras, as suas estratégias, as suas clientelas sedentas dos poderes que o partido tem para distribuir - é essa gente, que não respeita um líder eleito em congresso e não descansa enquanto não o derruba, que tem conduzido o partido para onde está. O partido assistiu a dois mandatos de Guterres longe do poder, conseguiu, mediante a desistência de Guterres, eleger Durão Barroso e, depois desses dois anos de poder, é o desastre que se sabe. Quando Sócrates e o PS pareciam enfraquecidos, o PSD seguiu a estratégia errada, sem aparecer com a sua máquina partidária nas arruadas e comícios, sem propostas, sem uma ideia, apenas dizendo mal.

A varredela de que o partido precisa passa pela sua classe dirigente. Quase todos os actuais dirigentes do partido são filhos do Cavaquismo ou do Barrosismo. Cavaco está em Belém, Barroso em Bruxelas, um e outro não podem - nem querem - ser os tutores dos que ficaram. Piores do que estes dirigentes a quem a orfandade (evidente sobretudo no caso dos cavaquistas) deixou sem rumo, são alguns ideólogos que nunca puseram "a mão na massa", isto é, que nunca exerceram o poder. São teóricos ressabiados, gente que gosta de se pôr atrás da cortina. Eles não querem a honra de um ministério nem "esmolas" dessas. Querem aconselhar, ser ouvidos, gozar do privilégio de serem eles os estrategos.

A verdade é que aquilo que ainda hoje é o PSD vive longe destas realidades. A verdade é que os militantes que conjugam o verbo ganhar não se revêem nestas estratégias palacianas da Rua de São Caetano à Lapa nem praticam os mesmos processos. Eles ganham autarquias por esse país fora, e quase se poderia dizer em alguns casos, apesar da direcção do partido, apesar do isolamento e dos erros da liderança nacional. É por aí que o partido deve recomeçar. Ouvir as bases e os autarcas que têm ganho. Esses conhecem as necessidades das populações, sabem que um partido só faz sentido para servir as pessoas. O partido tem gente desta em grandes cidades e em aldeias remotas. Mas não vale a pena ter muitas ilusões. A voz que vem de detrás das cortinas não é isto que diz. E, assim, dificilmente o PSD aproveitará esta oportunidade para renovar a sua classe dirigente, fazer um amplo debate interno para poder aparecer ao eleitorado com novos rostos, novas políticas, novas propostas. O partido precisa deste banho de humildade antes de voltar a aparecer ao eleitorado. Infelizmente para o partido e para o país há gente no PSD que pensa que é um banho de poder que resolve tudo o resto, limpa a crise. Para esses, o que é preciso é correr depressa com o Governo e chegar de novo ao poder. O tempo mostrará como não têm, definitivamente, razão.

[Jornal de Notícias, José Leite Pereira]


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Publicado por JL às 00:05 de 15.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Mentirosos

 

Não será possível afirmar que não haja mentirosos a serem eleitos. É certo que qualquer pessoa poderá reconhecer já alguma vez ter sido enganada por um qualquer político mentiroso., mas daí a admitir-se que uma cidade como Lisboa iria eleger um mentiroso compulsivo seria exagero.

Efectivamente não foi o homem que afirmou ir andar por aí (e vai continuar a andar) que promoveu a requalificação das quintas das Conchas e Lilases (foi o então Presidente, Dr. João Soares) nem quem inaugurou a conclusão das obras (foi o Eng.º Carmona Rodrigues).

Não há duvida que, a natureza é como as pessoas, quando bem tratadas florescem.

Aqui fica um exemplo do afirmado.

 



Publicado por Otsirave às 01:35 de 12.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

O conselheiro do Sr. Presidente

 

Marcelo Rebelo de Sousa pediu para “Deixem ficar a Dra. Manuela que está muito bem”, mas ao mesmo tempo veio lançar o tabu se será ou não candidato à liderança.

Claro que sabemos que não vai ser, o que ele quer é a cadeira do Sr. Silva.

Este seu “Conselheiro de Estado” não perde a oportunidade para ir semeando veneno pelo caminho e de vez em quando passar-lhe uma rasteira.

Ainda recentemente, no caso do e-mail e das escutas, garantiu ser este um assunto sem importância e que se resolvia com um puxão de orelhas ao culpado.

O Sr. Silva acreditou e no dia seguinte sacrificou o Fernando Lima, ficando ainda mais queimado ao confirmar a sua responsabilidade na tramóia e que terminou com a patética comunicação ao país.

Com amigos destes o Sr. Silva não vai longe.

[Wehavekaosinthegarden]



Publicado por JL às 00:02 de 08.10.09 | link do post | comentar |

Estranha forma de democracia

Manuela Ferreira Leite, a líder do PSD em regime de gestão, foi a Alcobaça dizer o que pensa de com se deve governar quando não se conta com uma maioria absoluta, só resta saber se esta posição é meramente pessoal ou, como Ferreira Leite nos habituou, antecipa a opinião de Cavaco Silva. Ferreira Leite defendeu que Sócrates não deve governar com o seu programa porque não tem a maioria absoluta deve governar com um programa que respeite o parlamento.

Este tipo de raciocínio não é novo, no início da legislatura Cavaco Silva foi um defensor dos pactos, só os esqueceu quando Menezes liderou o PSD e nunca mais pensou nisso quando Menezes cedeu o lugar a Manuela Ferreira Leite. Aliás, por várias ocasiões Cavaco Silva assou por cima da Constituição e vetou diplomas com o argumento de que deveriam ter sido aprovados com uma maioria alargada, o mesmo é dizer que mesmo tendo o PS a maioria absoluta Cavaco Silva achava que para alguns temas (nunca disse quais) essa maioria absoluta era insuficiente.

Seguindo o raciocino de Ferreira Leite o governo do PS deve ser um governo com um programa fornecido à consignação pelos partidos da oposição. Resta saber se esse programa deve ter contributos e todos os partidos ou se basta o contributo de deputados em número suficiente para contar com a maioria absoluta. O problema depois está em saber se os ministros do PS serão os melhores para executar propostas alheiras e Ferreira Leite vem defender que Sócrates deve convidar os outros partidos a indicarem ministros.

Manuela Ferreira Leite tem um problema com programas, quando o PS governava com maioria absoluta queixava-se de que este partido lhe roubava as propostas, até chegou a passar meses em silêncio para evitar que Sócrates roubasse as suas brilhantes ideias, resultado da mistura dos telefonemas para Belém com os artigos do filósofo da Marmeleira. Quando se candidatou ao lugar de primeiro-ministro apresentou-se sem programa com o argumento de que no seu mini programa apenas dizia o que ia mexer ou rasgar, agora que o PS governa sem maioria absoluta acha que deve aplicar os programas dos outros partidos, incluindo o seu.

Será que se Sócrates for buscar as propostas do programa do PSD a sua líder vai mandar os seus deputados votarem sempre a favor do Governo? Será que o próximo líder do PSD vai partilhar com Sócrates o ónus eleitoral da governação?

A opinião de Manuela Ferreira Leite é uma idiotice, mas pode ser uma idiotice inspirada em Belém o que nos tempos que correm não seria novidade. Cavaco Silva tem dado mostras de não saber ser Presidente da República, tem evidenciado muito pouco respeito pela maioria parlamentar, mesmo quando o Parlamento vota por unanimidade. Não ficaria nada admirado se Cavaco viesse a defender esta ideia peregrina de Ferreira Leite, usando o resultado das últimas presidenciais para se transformar num primeiro-ministro sombra, contando para isso com o apoio da direita ou parte da direita parlamentar, senão mesmo do PCP que nos últimos tempos anda muito apaixonado por Cavaco Silva. [O Jumento]



Publicado por JL às 00:01 de 08.10.09 | link do post | comentar |

O trunfo da derrota

O PSD é hoje uma agremiação de luminárias capazes de se trucidar em nome de míseros interesses pessoais.

Aparentemente, o PSD descobriu que tinha nas suas sucessivas derrotas um ‘trunfo’ indesmentível. A saber: quanto mais o partido se afunda nas eleições, mais se afirma como uma fulgurante alternativa. Só assim se justifica o tom triunfal com que alguns dos seus principais dirigentes anunciam que, ao longo dos últimos dez anos, o PSD teve o mérito de ganhar apenas uma das cinco legislativas. Se levarmos em conta que essa pequena e suada excepção se deveu a circunstâncias únicas decorrentes da demissão do engº Guterres, percebe-se que, para honra e glória do partido, este podia ter feito o pleno e ter saído de rastos de todas as eleições legislativas, colocando-se gloriosamente ao lado dos pequenos partidos e à margem de qualquer solução governativa.

É à luz desta sofisticada tese que se percebe o que está a acontecer no PSD. Do alto dos seus míseros resultados, o partido, como qualquer partido marginal, especializa-se na intriga, enrolado em pequenas tácticas, em pequeninos jogos de poder e em pequeníssimas vaidades inverosímeis. Quando se esperava uma palavra sobre o país, o PSD discute afincadamente quando é que a drª Ferreira Leite deve abandonar a liderança: se agora, a seguir às autárquicas, se, mais tarde, em Maio, de forma a poder assegurar a candidatura do dr. Paulo Rangel ou de qualquer outro hipotético sucessor. Tudo, como diz o prof. Marcelo Rebelo de Sousa – que "pondera ponderar" sobre a sua própria candidatura – para impedir, a todo o custo, a hipotética vitória do dr. Passos Coelho, esse "Sócrates de segunda" que convém, desde já, eliminar. Quando se esperava que se apresentasse como uma oposição responsável, o PSD ameaça veladamente brindar-nos com uma moção de rejeição ao Governo que parece ter como principal objectivo ‘colar’ o dr. Paulo Portas ao PS do engº Sócrates. Quando se esperava uma reflexão séria sobre a derrota, o PSD viceja – como sempre vicejou nos últimos anos – num deserto de ideias alimentado pelo caciquismo que o controla e pelo poder autárquico que lhe garante votos e nomeações.

A partir de domingo, quando as autárquicas estiverem resolvidas e o pudor que qualquer campanha eleitoral impõe se dissipar, é natural o PSD volte a exibir, com abundância de pormenores, aquilo em que há muito se transformou: uma agremiação de luminárias sem estofo, capazes de se trucidar mutuamente, em nome de míseros interesses pessoais. A balbúrdia que se avizinha transformou-se, infelizmente, na imagem de marca do PSD.

[Correio da Manhã, Constança Cunha e Sá]


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Publicado por JL às 00:02 de 07.10.09 | link do post | comentar |

Um governo com estabilidade para Portugal

A Dra. Manuela Ferreira Leite, líder (por enquanto e ao que parece a curto prazo) do PSD que, como se viu, não tem ideia nenhuma para o país, quer saber que ideias de governação o PS tem para apresentar, enquanto responsável governativo.

A (a ainda) líder do PSD, pretende que o PS não governa segundo o seu próprio programa apresentado a sufrágio e não percebeu que José Sócrates precisa de tempo para resolver o “diferendo” existencial entre a ala esquerda do seu próprio partido, que recusará alianças à direita com um PP populista e irresponsavelmente conservador ou um PSD vazio de ideias e a pressão de empresários sempre habituados em alternar entre a mama do Orçamento do Estado e os baixos salários com a concomitante precariedade no emprego quando não as duas em simultâneo. Empresários tais que vendo a debilidade do PSD não se coibiram de o substituir na oposição reivindicativa ao governo, mesmo antes de este ter sido formado.

Sócrates, respeitando os seus próprios compromissos e, acima de tudo, os evidentes sinais manifestados pelos portugueses através do seu voto não terá, não poderá ter, duvidas sobre qual a opção tomar para formar governo com personalidades (militantes e independentes) de credível competência, culturalmente de esquerda e, acima de tudo, que dêem garantias de actuação de rigor, trabalhem com honestidade, e observem práticas transparentes na gestão dos recursos públicos. Pessoas totalmente adversas a quaisquer indícios de corrupção.

Não é fácil, mas é absolutamente necessário, para que os portugueses possam acreditar nos seus governantes em particular e nos políticos em geral.

Os resultados eleitorais obrigam ao sentido de responsabilidade e à partilha da mesma, sobretudo à esquerda dos futuros parlamentares e respectivos grupos com assento na Assembleia da Republica. O modelo de “democracia assertiva” tem de ser mais inclusivo do que o de “cooperação conflitual” sob pena da esquerda dar argumentos à direita para que esta a venha a acusar de relação fratricida mais própria de contendores de guerras sucessórias.

Sem radicalismos, é necessário, será possível e (porque não) obrigatória uma convergência governativa à esquerda. Depende do PS é certo, do BE e do PCP dependerá muito mais, assim estes, sem perder a face não compliquem entendimentos.

Para bem do país e satisfação dos portugueses.



Publicado por Zé Pessoa às 00:08 de 06.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Daqui fala o morto

 

À falta de assunto, e talvez por desfastio, a líder do PSD, em plena campanha eleitoral para as autarquias e recomposta da asfixia que lhe tolheu as ideias durante 15 dias, levanta a voz inquisitorial e investe contra o vencedor das eleições de 27 de Setembro exigindo-lhe explicações sobre o programa de governo.

Não haverá ninguém na Buenos Aires que lhe diga que ainda não há primeiro-ministro indigitado e que é má educação tomar a palavra antes de lhe ser concedida? E que neste caso há-de ser o Presidente da República a fazê-lo?

Percebe-se a intenção: a líder do PSD quer dar um sinal de vida quando os seus pares partidários e o seu amigo de Belém já a colocaram na lista dos mortos em combate.

Político, claro.

Mas pelos vistos já não há volta a dar.

[Eleições 2009, Cipriano Justo]



Publicado por JL às 20:08 de 05.10.09 | link do post | comentar |

Entre a razão e o coração

A cooperação entre Cavaco e Sócrates começou por ser exemplar. Depois veio uma presidente PSD cavaquista e o coração falou mais alto.

Recorde-se que o mandato do actual Presidente da República começou com solenes promessas de "cooperação estratégica" com o governo do PS e que, durante os primeiros tempos da governação de Sócrates, essa cooperação foi exemplar. Mas aquilo que tornava possível esse estado de coisas era, além do ímpeto reformista do governo, com o qual o Presidente se identificava, o facto de o PSD ter lideranças que desagradavam a Cavaco Silva. Ou seja, era fácil para o Presidente apoiar o governo do PS quando o partido a que o próprio Cavaco Silva se sentia mais ligado enveredava por caminhos que ele reprovava. A facilidade de relacionamento entre Belém e S. Bento variava na razão directa do desgosto do Presidente em relação às lideranças do PSD. Porém, tudo isso mudou com a eleição de Manuela Ferreira Leite para presidente do partido.

Com Ferreira Leite a imprimir um cunho "cavaquista" à liderança do PSD, o Presidente passou a encontrar menor incentivo para a cooperação com o governo do PS. Foi nessa altura que se desenrolou o "drama" do Estatuto dos Açores. Simultaneamente, com o aproximar do fim da legislatura e a necessidade de responder de forma rápida à crise internacional, o próprio governo tornava-se menos cooperante e lançava políticas ad hoc que desagradavam profundamente ao Presidente. A desconfiança de Belém em relação a S. Bento foi em crescendo. Em termos institucionais, o Presidente manteve a cooperação com o governo, mas notava--se maior proximidade em relação ao principal partido da oposição (por exemplo, na necessidade de fazer um "discurso de verdade"). A cooperação estratégica do Presidente mantinha-se pela "razão" de Estado, mas era constantemente torpedeada pelo "coração" político.

O caso das escutas mostra como o Presidente permanece dividido entre a razão e o coração.

Por um lado, quer sinceramente manter a cooperação estratégica que prometeu aos portugueses, assim como a sua isenção enquanto titular do órgão de soberania que é o Presidente da República. Daí ter adiado uma intervenção pública sobre o assunto. Cavaco Silva não falou antes para não ser acusado de favorecimento ao PSD. Por outro lado, o Presidente tem um desejo irreprimível de vincar a sua distância em relação ao PS e ao seu governo. Daí a violência verbal da comunicação de terça-feira, acusando o PS de forjar o episódio lateral da suposta colaboração dos seus assessores na feitura do programa do PSD (acrescentando embora - o que gera "ruído" na mensagem - que isso não seria crime). Nesta comunicação presidencial, o coração acabou por triunfar sobre a razão.

Quanto à única coisa que interessava e não era lateral - as escutas -, os portugueses ficaram a saber que não há provas nem indícios de que alguma vez tenham ocorrido, mas que o Presidente continua a desconfiar delas. Ou seja, a razão do Presidente sabe que não há escutas, mas o seu coração deseja-as.

[ i , João Cardoso Rosas]



Publicado por JL às 23:22 de 01.10.09 | link do post | comentar |

Geografia eleitoral: o sinal do declínio deste PSD

Em Braga, na capital de distrito, o PS venceu o PSD por 39,14% - 28,96% dos votos. Em Beja, 31,9% - 16,6%. Em Castelo Branco: 39,12-28,64%. Em Coimbra, por 35,82 -27,33. Em Évora, por 34,04 - 21,65. Em Faro, por 32,9 -26,05. Na Guarda, 36,44 - 30,8. Em Lisboa, 34,79 -28,9.

Em Portalegre, 36,3-31,28. No Porto, 36,14-30,89. Santarém: 34,74-27,21. Setúbal: 32,08-18,9. Viana do Castelo: 35,95 - 27,16.

Das capitais de distrito continentais, o PSD conseguiu apenas vencer em Aveiro, Bragança, Leiria, Vila Real e Viseu. E foi precisamente apenas nestes 5 distritos que venceu, sendo que em Aveiro o fez por 0,75 pontos percentuais.

O PSD não vence qualquer distrito a Sul do Tejo, e no Litoral vence apenas Aveiro (com a margem referida), e Leiria. Em Setúbal, o 4º maior distrito em nº de inscritos é a 3ª força, com apenas 16,39% dos votos.

O PSD perdeu em todos os concelhos do distrito do Porto, com excepção da Póvoa. Perdeu em todos os concelhos de Setúbal, nunca atingindo os 20%. Perdeu em todos os concelhos de Lisboa com excepção da Lourinhã!

Pensando aleatoriamente em alguns agregados urbanos relevantes, do ponto de vista da densidade populacional, do Grande Porto, o PSD perdeu na Maia (!!) por 41-29, em Matosinhos por 44-24 e em VN Gaia por 41,27!

No distrito de Lisboa, releva que perderam em Sintra por 37,6-21,6. No distrito de Setúbal, perderam em Almada por 36-18.

Tudo somado e ponderado, a dificuldade do PSD nos centros urbanos do Litoral é notória. A dificuldade no Sul é clara. A hipotética divisão do país em Norte e Sul em termos ideológicos já morreu há muito. O PS é dominante no litoral, especialmente nos polos metropolitanos do Algarve ao Minho.

O bastião do PSD é o interior norte e centro. Rural, ou semi-urbano e fracamente povoado. Leiria é uma excepção.

Ao fazer este retrato não posso deixar de me lembrar do mapa eleitoral dos EUA a 4 de Novembro. O PSD acantonou-se tal como o partido republicano. O seu eleitorado mais fiel vive no interior, nas zonas rurais. É conservador, e segundo indicavam as sondagens, é de um escalão etário médio mais avançado.

O definhar do partido republicano nos EUA é um desafio para os seus líderes, se não querem ter de esperar por inversões de ciclo. Em Portugal, o desafio do PSD, preso entre um PP mais apelativo aos jovens, e um real partido de esquerda democrática, é difícil de resolver.

Numa coisa Nuno Rogeiro tem razão: Portugal já teve 2 grandes partidos e um pequeno. Agora tem alguns partidos médios, um ligeiramente maior, e um partido realmente grande.

Não é a minha casa, nem o meu problema. Mas é com isto que o PSD tem de se confrontar.

[O valor das ideias, Carlos Santos]


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Publicado por JL às 09:21 de 01.10.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Matilha de sombras

Ficaram com um tique de proprietários do país, quando lhes foi dado fruir uma década de poder político. Depois, dispersaram-se, preparando um regresso. Conseguiram-no relativamente, mas apenas para um alto poder, por vezes demasiado alto, talvez mais simbólico do que real. Mas, no fundo comportam-se ainda como se fossem os "donos da bola".

Uma inesperada curva da política pareceu abrir-lhes de novo a porta do paraíso. E, assim, embriagados pelo despontar brusco de uma hipótese de regresso ao poder, quando pouco antes molengavam, cumprindo calendário, sob a égide de uma das mais cinzentas sombras da sua década de glória, explodiram sofregamente em todas as direcções, numa girândola de inventonas, mentiras, calúnias e dislates.

Plantaram histórias mirabolantes de escutas e espiões. Vestiram apressadamente fatos melífluos de vítimas aflitas. Multiplicaram insinuações e não resistiram à voragem de se embrulharem em mentiras, cada vez mais improváveis; náufragos de si próprios cada vez mais desesperados. A sombra cansada do cavaquismo, porta-voz do momento, na sua rabugice mais cinzenta, não hesitou em incendiar de acusações malévolas os adversários políticos mais directos, movida pela impulsiva tentação de fulminar quem a embaraça.

Mas, à simples e plebeia verdade, laica e honesta, bastou espreguiçar-se, de surpresa, para fazer em estilhaços a máscara de virtude que o PSD pusera a si próprio em milhares de cartazes que nos assombram por esse país fora. A enorme verdade de Manuela Ferreira Leite, proclamada ao mundo por mil trombetas, transformou-se num cortejo de pequenas mentiras. E a cólera dos “anjos da vingança” do PSD, as suas diatribes plenas de virtude esfumaram-se, como a brisa envergonhada que se descobre nua.

E foi assim que a enorme verdade ambulante, que tem assolado o país, se esvaziou sem remédio pelas bocas incautas dos que mais a proclamavam. Não era afinal uma grande verdade épica, asfixiada pela mentira, que procurava irromper pelas ruas do nosso país. Era apenas um prosaico rosário de pequenas mentiras, simples percevejos políticos degradantes e sujos. [O Grande Zoo, Rui Namorado]


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Publicado por JL às 00:03 de 24.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Quem se lixa é sempre o mexilhão...

Cavaco Silva só terá percebido que o silêncio sobre o caso das escutas estava a beneficiar o PSD, quando MFL e Paulo Rangel tentaram aproveitar-se das suas declarações de sexta-feira para lançar ataques patéticos ao PS e a Sócrates. Com a lhaneza que lhe é habitual, MFL repisou a tecla da asfixia democrática. Como se estivesse a tomar chá num grupo de amigas, pegou no cardápio das difamações e desatou a lançar suspeitas. Não querendo ficar isolada, chamou Paulo Rangel e disse-lhe para comparar Sócrates a Chavez. Em MFL já nada me espanta…

Quanto a Cavaco, o seu silêncio é preocupante. Se um PR não consegue perceber o que todos os portugueses perceberam, o que poderemos esperar dele no futuro?

Não suspiro aliviado com a demissão de Fernando Lima, porque ela não encerra o caso. Como disse Paulo Portas, a demissão é clarificadora mas, em minha opinião, fica por esclarecer a responsabilidade do PR neste caso.

Os portugueses têm o direito de conhecer todos os contornos deste caso escabroso. Exibir em praça pública um culpado, entregando-o ao julgamento do povo, pode ser-lhe favorável neste momento mas, mais tarde ou mais cedo, não deixará de ser emulado. Cavaco resistirá, no máximo, até 2011, e ficará na História como o primeiro PR que não foi reeleito. Por muito que alguns dos seus admiradores se esforcem na tentativa de branquear a actuação de Cavaco, chamando à liça casos que não podem ser comparados, o futuro do actual PR está traçado.

Só Fernando Lima poderá salvar Cavaco. Assumindo que agiu por iniciativa própria e sem conhecimento do PR. Mas apenas lhe salvará a Honra, não o futuro político. [Delito de Opinião, Carlos Barbosa de Oliveira]



Publicado por JL às 00:07 de 23.09.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

A conspiração

O Presidente da República afirmou aos jornalistas, a propósito de eventuais escutas em Belém, que um dos seus traços não é a ingenuidade.

Ora, depois da decisão de afastar um assessor e da confirmação oficiosa da conspiração a partir de Belém para derrotar o PS nas eleições legislativas, vale a pena dizer ao Presidente que os portugueses também não são ingénuos.

O que se está a passar é mau demais para ser verdade, é a asfixia democrática que ninguém imaginava possível, é a fragilização de um órgão de soberania, o Presidente da República, com a conivência do próprio, por acto ou omissão, mas seguramente por actos e omissões mal explicados, contraditórios, suspeitos. Por isso, a demissão de um assessor, o seu afastamento, a sua responsabilização pública só explica parte da história, a de que houve uma tentativa de golpe palaciano para prejudicar o PS e José Sócrates em plena campanha eleitoral. Mas continuam a faltar outras explicações de Cavaco.

O silêncio ambíguo de Cavaco Silva quando foi publicada a primeira notícia, no "Público" a 18 de Agosto, sobre as suspeitas de que o Governo andava a espiar a sua actividade, através de escutas colocadas no Palácio de Belém, causaram perplexidade. Afinal, não era um disparate de Verão? Quando o DN noticiou, na passada sexta-feira, que o assessor Fernando Lima tinha encomendado uma notícia sobre estas escutas, através do mesmo jornal, a resposta ambígua de Cavaco Silva serviu apenas para confirmar que, afinal, era mesmo verdade, o Presidente suspeitava da existência de escutas. Até porque, nessa resposta, afirmou-se atento "às questões da segurança" e disse que não era ingénuo. A declaração do director do "Público", José Manuel Fernandes, de que o SIS poderia estar envolvido na notícia do DN, porque citava um ‘email' trocado entre o referido assessor e um jornalista do "Público", só serviram para adensar o trama.

O primeiro a desmentir-se foi o director do "Público", porque, afinal, não teria existido uma violação do sistema informático do jornal. O segundo foi o próprio Presidente ao demitir o assessor Fernando Lima, a forma encontrada para dizer ao país que a conspiração não tinha tido a sua participação ou conhecimento e limitar, assim, os danos deste caso, já óbvios.

A decisão de demitir Fernando Lima - que não é um caso particular da Presidência, como afirmou Manuela Ferreira Leite para justificar o seu silêncio sobre o caso - confirma a existência de uma conspiração a partir de Belém contra o primeiro-ministro, afecta a imagem do "Público" neste processo pela forma como o seu director assumiu ‘as dores' da Presidência, arrasta o PSD neste pântano institucional e partidário e, mais grave, põe em causa a sua própria autoridade e independência políticas.

A decisão de Cavaco Silva serve, apesar de tudo, para responder à pergunta colocada ontem neste espaço: os portugueses podem confiar nas ‘secretas' portuguesas e o regime democrático não está em causa, porque, afinal, não há escutas promovidas pelo SIS ou outro órgão de informação a mando do Governo. Se existissem, o Presidente já teria, com toda a certeza, actuado... [Diário Económico, António Costa, (Director)]



Publicado por JL às 00:03 de 23.09.09 | link do post | comentar |

Crime Público

Portanto, o Governo está a espiar a Presidência da República! Gravíssimo! Que fazer? Há várias alternativas para um presidente espiado. Denunciar o Governo espião e dar-lhe um ralhete exemplar em público (nunca no "Público") utilizando uma comunicação nacional na TV como o fez com irrepreensível dramatismo e inigualável teatralidade com o estatuto dos Açores. Desta vez, teria de incluir a demissão do Parlamento e a convocação de novas eleições. O caso não seria para menos. Um governo a usar serviços secretos do Estado para espiar outro órgão de soberania exige demissões e eleições. Mas não. O presidente da República, o mais alto magistrado da nação, o comandante em Chefe das Forças Armadas, sabe que está a ser espiado. Tem a certeza disso porque, da sua doutrina passada ficou o axioma de que "raramente se engana e nunca tem dúvidas". Estando a ser espiado qual é a actuação realmente presidencial para este caso? Exigir do procurador-geral da República uma investigação imediata? Convocar o Conselho de Estado (já com a respeitabilidade recuperada desde a saída de Dias Loureiro)? Fazer uma comunicação ao Parlamento como é seu privilégio e, neste caso, obrigação? Nada disso! A Presidência de Cavaco Silva, através da sua Casa Civil, decide encomendar (mandar fazer in: Dicionário Porto Editora) uma reportagem a um jornal de um amigo.

Como os jornalistas são por vezes um bocado vagos e de compreensão lenta, a Casa Civil da Presidência da República achou por bem ser específica na encomenda dando um briefing claro a pessoa de confiança no jornal. "Vais falar com fulano e pergunta-lhe por sicrano, vais aqui, vais ali, fazes isto e aquilo e trazes a demasia de volta". O homem ainda tentou cumprir com a incumbência, mas a coisa não tinha pés nem cabeça e parece que lhe disseram isso repetidamente.

Por isso, logo, por causa disso, houve mais um ano e meio de fartar espionagem enquanto no Pátio dos Bichos continuavam todos a ouvir vozes

Cavaco Silva deve ter tido uma birra monumental com a sua Casa Civil e mandou perguntar ao amigo do jornal: "Sócrates está quase a ser reeleito e essa notícia não sai"? Como o que tem de ser tem muita força, a história lá saiu. Mal-amanhada, mas era o que se podia arranjar. Lá se meteu a Madeira no meio porque, como ninguém gosta do Jardim, gera-se logo um capital de boa vontade. Depois, como tinha pouca substância, puseram na mesma página duas colunas ao lado a dizer que, há uns anos, o procurador-geral da República tinha dito que também estava a ser escutado, e a encomenda ficou mais composta. Que interessa que tudo isto seja bizarramente inverosímil? Nos média, o que parece, é. Cavaco Silva julga que está a ser escutado, portanto, está a ser escutado, tanto mais que o seu recente depoimento presidencial é que "não é ingénuo". Com tudo isto, fica-me uma certeza. O trabalho de reportagem do "Diário de Notícias" é das mais notáveis e consequentes peças jornalísticas na história da Imprensa em Portugal. O e-mail com registos claros da encomenda feita por Fernando Lima não é "correspondência privada" que se deixe passar pudicamente ao lado. É uma infâmia pública de gravidade nacional que exige denúncia.

Invocar aqui delações, divulgação de fontes ou violação de correspondência é desonesto. Ao ver o presidente e a Casa Civil metidos nisto fica-me também uma inquietante dúvida. Aníbal Cavaco Silva, referência do PSD, ainda tem condições para continuar a ser o presidente de Portugal depois de causar uma trapalhada desta magnitude a dias das eleições? [Jornal de Notícias, Mário Crespo]



Publicado por JL às 16:57 de 22.09.09 | link do post | comentar |

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