A opinião das diferenças e as diferenças de opinião

São apresentadas “luminárias” ideias diferenciadoras, que podem e devem possibilitar aos cidadãos e cidadãs, eleitores/as, determinar a sua opção de voto nos diferentes actos eleitorais que se aproximam.

Em artigo de opinião publicado no JN Sócrates aponta diferenças em relação à direita e à esquerda mais radical.

Sob o título "Uma escolha decisiva", José Sócrates inicia o seu longo artigo no JN referindo a existência de uma "velha lógica de coligação negativa, em que forças políticas de sinal contrário, como a direita conservadora e a esquerda radical, convergem no objectivo comum de atacar o PS e dizer mal de tudo o que se tenta fazer para melhorar o país".

José Sócrates centra a sua crítica na direita, apelando a que "não haja ilusões: para Portugal, a alternativa real é entre o PS ser chamado de novo a formar Governo ou regressar a um Governo de direita. Por isso, os que querem um PS fraco e vencido, digam o que disserem, preferem de facto a direita no poder".

O Primeiro-ministro, na qualidade de secretário-geral do PS, afirma que "enquanto o PS lança as ideias políticas que marcam o debate, na direita reina o vazio: não tem ideias nem alternativa para apresentar e, mais grave ainda, tenta agora esconder dos eleitores as ideias que antes apresentou e defendeu, como as que contestaram o aumento do salário mínimo ou as que poriam em causa a universalidade e tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde, bem como a própria matriz pública do nosso sistema de segurança social, que garante as pensões e as reformas dos portugueses".

"Em primeiro lugar", escreve, "trata-se de escolher uma atitude na governação. Como é manifesto, a atitude que tem marcado o discurso da direita é dominada pelo pessimismo, pela amargura e pela resignação. Bem vistas as coisas, a direita só fala do futuro para dizer que tem medo do dia de amanhã. Medo: não apela ao melhor mas ao pior de nós. A sua mensagem é triste e miserabilista. Não adianta fazer nada a não ser esperar pacientemente por melhores dias."

Logo a seguir, o líder do PS afirma que há uma escolha política a fazer sobre o investimento público. "A nossa direita", acusa Sócrates, "ao arrepio do que se vê pelo Mundo fora, permanece apegada aos seus preconceitos ideológicos e acha que o Estado não deve fazer tanto para ajudar a economia a vencer a crise e para salvaguardar o emprego. A sua proposta é, por isso, simples e recorrente: cortar no investimento público."

O Secretário Geral do PS diz ser "errada" esta proposta: "Cortar no investimento público modernizador, como propõe a direita, seria um grave erro estratégico, que prejudicaria seriamente o relançamento da economia, atiraria muito mais empresas para a falência e bloquearia a recuperação do emprego."

Sócrates afirma como imperativo da intervenção do Estado que "há uma escolha crucial a fazer sobre o futuro das políticas sociais".

A esse propósito, escreve que "a direita insiste no recuo do Estado Social, para a condição de Estado mínimo ou, como dizem agora, Estado 'imprescindível'. Nada que não tenhamos já visto antes: lembramo-nos bem de que estes mesmos protagonistas foram responsáveis por um forte desinvestimento nas políticas sociais quando estavam no Governo. Mas, tendo em conta as propostas apresentadas pela direita ao longo desta legislatura, a ambição que agora se desenha é outra: privatização parcial da segurança social, fim da tendencial gratuitidade do Serviço Nacional de Saúde e pagamento dos próprios serviços de saúde pelas classes médias, privatização de serviços públicos fora das áreas de soberania."



Publicado por Zé Pessoa às 12:15 de 11.08.09 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Líderes

José Sócrates

Depois do abalo inesperado das eleições europeias, José Sócrates demonstrou nervosismo, abatimento pessoal e político, e ensaiou uma inflexão estratégica – o célebre “português suave” – que lhe ia saindo muito cara. A tempo e horas alguém lhe terá segredado que o caminho era outro: voltar à sua postura normal, afirmativa e até mesmo arrogante, apresentar, antes de férias, o seu programa eleitoral, fazer meia dúzia de intervenções públicas a castigar os silêncios do PSD, e partir de férias prolongadas, mudo e quedo. Esta estratégia, que se iniciou no debate parlamentar sobre o estado da nação, parece partir dos seguintes pressupostos: que José Sócrates não deve mudar de estilo em cima das eleições, sob pena de reforçar mais ainda a ideia de falta de seriedade que algum país vai tendo dele; que devia tornar claras as linhas políticas e programáticas do PS, explorando o contraste com a inexistência das mesmas no PSD; mas e sobretudo, que se deixasse a cena livre para o partido rival, este acabaria por se encarregar de lhe dar os votos necessários à vitória nas legislativas.

Infelizmente, os seus estrategas parecem ter acertado.

Manuela Ferreira Leite

A estratégia de confrontação interna posta em prática pela Direcção do PSD, que pôs o partido em guerra civil a menos de dois meses de eleições legislativas, parte de dois pressupostos: que a direita gosta de rupturas e que aprecia líderes fortes que as promovam.

Os pressupostos são correctos, mas insustentáveis no PSD actual. É que Manuela Ferreira Leite não é Francisco Sá Carneiro, nem sequer Aníbal Cavaco Silva, e a imagem que dela tem o país é a de que se trata de uma líder de ocasião, frequentemente confusa e indecisa, que hoje diz uma coisa e amanhã o seu exacto contrário.

Enganam-se, pois, os que pensam que as eleições europeias foram vencidas por uma líder que tenha impressionado os eleitores pelo seu mutismo e circunspecção. Elas foram perdidas por José Sócrates e ganhas por um PSD que, através de Paulo Rangel, surpreendeu e deu ares de renovação e abertura ao país. Exactamente o oposto do que agora está a suceder. [Portugal Contemporâneo, Rui A.]



Publicado por JL às 00:01 de 11.08.09 | link do post | comentar |

Os números da realidade

Quem anda a meter na cabeça de José Sócrates que tem de mudar de imagem e de políticas quer com certeza ajudá-lo a perder mais depressa.

Um líder político não muda de personalidade consoante o número de votos obtidos. Não se é "arrogante", ou só "determinado", porque se tem uma maioria, ou uma ternura de pessoa porque se perde.

Se este Governo deixar cair algumas das suas bandeiras, com a das escolas à cabeça (e ver-se-á o que sai do programa de Vitorino e da campanha que se seguirá ao texto), muito mais depressa perderá a confiança de quem nele ainda confia do que retomará o apoio de quem dele já se afastou.

É neste quadro que José Sócrates vai ter de navegar nos próximos três meses.

O PSD, já se viu, não vai fazer a exploração intensiva do sucesso nas europeias.

A tranquilidade, a distância, a confiança e a seriedade vão ser as palavras de ordem de Manuela Ferreira Leite, que dessa sua estratégia já recolheu alguns frutos.

José Sócrates só tem o caminho da coerência, mesmo que já temperada por um estilo mais humilde ou menos convencido.

A certeza absoluta de que seria o próximo primeiro-ministro de Portugal depois das eleições do final de Setembro caiu nas europeias.

Todas as outras convicções, se não eram de plástico, devem manter-se.

O caminho para José Sócrates ir ao encontro dos cerca de 2,5 milhões de portugueses que agora não votaram mas deverão voltar às urnas para escolher o próximo governo é estreito demais para permitir erros.

[João Marcelino, Diário de Notícias]



Publicado por JL às 23:29 de 20.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Animal amansado

Não foi uma má entrevista. Todos se fixaram na mudança de estilo, de que não gostei. E é natural que se fala apenas disso, pois isso é exactamente o que não interessa.

Mas se Sócrates pensa que baixando a voz e a cabeça, sorrindo muito e arrastando as palavras aumenta a votação, está muito enganado. Será sempre atacado: se for animal feroz é ditador, se estiver amansado é fingidor.

Eu prefiro animal feroz. [Sofia Loureiro dos Santos, Defender o Quadrado]


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Publicado por JL às 23:20 de 18.06.09 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

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