Leis de direita e 'mercados' globais contra Trabalho e dignidade laboral

     Unidade  do Trabalho (e da falta dele)  contra o Capital ! 

479739_256084377854700_2005160388_n  ”MSE apela à participação de todos os trabalhadores, precários, subempregados e desempregados, na manifestação organizada pela CGTP-IN para este sábado, dia 15 de dezembro. A concentração está marcada para as 15 horas, no Largo de Alcântara, e seguirá em desfile até Belém. As palavras de ordem são “Não ao OE 2013” e “Não à exploração”. O MSE, como movimento de trabalhadores, não podia deixar de apoiar as lutas dos trabalhadores da CGTP-IN contra as políticas deste governo do desemprego e vai estar presente na manifestação.”

(Via Movimento Sem Emprego)

  Contra “Direito a trabalhar" por Menos $ e condições” no estado de Michigan, EUA  (-por A. Levy)

Protestos de trabalhadores em Michigan contra a lei "Direito ao Trabalho"

     O processo de criação de legislação nos EUA é algo mais complexo do que em Portugal...   A compreensão  do que está em causa numa proposta legislativa é ainda complicada pela criatividade na nomenclatura das propostas, em particular por parte dos Republicanos. A título de exemplo recorde-se a infame lei passada no rescaldo dos ataques de 11 de Setembro de 2001, com vista a dar vastos poderes de vigilância, busca e apreensão sob pretexto de suspeita de terrorismo: o Acto “Unir e Fortalecer a América Proporcionando os Instrumentos Necessários para Interceptar e Obstruir Terrorismo ” (Uniting and Strengthening America by Providing Appropriate Tools Required to Intercept and Obstruct Terrorism Act of 2001 : USA PATRIOT Act). A proposta legislativa foi apresentada a 23 de Out. de 2001, aprovada na Casa de Representantes no dia seguinte (24), com apenas 66 votos contra, e aprovada no dia seguinte (25) no Senado, com um voto contra, e assinado pelo Presidente Bush a 26 de Out. É extremamente duvidoso que os Congressistas tenham tido tempo de ler ou reflectir sobre suas 363 páginas, mas no contexto do momento, quem “podia arriscar” votar contra uma lei com o nome USA PATRIOT ACT.

      Uma figura de estilo frequente na nomenclatura de leis é o eufemismo. A tributação da herança de propriedade privada (oficialmente conhecido como Estate Tax), imposto que atinge sobretudo os mais privilegiados, foi combatida pelos Republicanos durante a segunda metade dos anos 1990. Uma das armas na campanha pela revogação deste imposto foi renomeá-lo como Imposto da Morte (Death Tax), termo que foi rapidamente adoptado pela comunicação social.

     (A década de 90 marcou a ascensão da máquina oleada de comunicação e propaganda do Partido Republicano ... e o aumento de leis promovidas por muito poderosas empresas, 'carteis' de interesses e milionários 'na sombra'.)

    Tudo isto a propósito da recente aprovação pelo Governador do Estado de Michigan da lei “Direito ao Trabalho” (Right to Work). Esta designação da legislação é também um eufemismo. Não se trata de uma legislação que garante direito a um emprego ou direitos laborais, mas de uma lei que torna ilegal que seja obrigatório a contratação de trabalhadores sindicalizados ou que seja obrigatório que os trabalhadores paguem quotas ao sindicato da sua área profissional. Na prática, é um ataque aos sindicatos e à contratação colectiva; uma porta aberta à contratação de trabalhadores não abrangidos pelos contratos colectivos, e que portanto podem ser pagos menos que o estipulado nesses contratos. Críticos da legislação chamam-lhe “Direito a Trabalhar por Menos”$.

     Michigan tornou-se o 24º Estado a aprovar esta legislação (os restantes Estados são sobretudo Estados do sul dos EUA, mas inclui o Estado vizinho de Indiana). O argumento do Governador Rick Snyder, que a aprovação desta lei é necessária para manter a competitividade do Estado, é na verdade oco. Há sim uma corrida entre os Estados para nivelarem por baixo os direitos laborais e sindicais dos trabalhadores. (que os governos de direita na Europa também seguem ... é o 'dumping' laboral e social, a par do fiscal, ...)

     Michigan é um Estado com grande tradição sindical. A sua cidade principal, Detroit, é historicamente a cidade de produção industrial de automóveis. Os efeitos da globalização e deslocalização do sector industrial afectaram severamente este Estado, processo retratado no primeiro documentário de Michael Moore, Roger and Me.

     Na antecipação da aprovação pelo Governador, milhares de trabalhadores manifestaram-se contra esta legislação e o ataque aos direitos sindicais e dos trabalhadores (o próprio B.Obama também se declarou contra). A manifestação foi recebida por forças policiais, armadas com gás lacrimante. A lei foi aprovada, mas os trabalhadores prometem continuar a luta.



Publicado por Xa2 às 07:46 de 14.12.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

14 DE NOVEMBRO, UMA LUTA DOS TRABALHADORES EUROPEUS E NÃO SÓ

 

Por cá, por mais porrada que os portugueses esteja a levar nos seus precários orçamentos, falo do povo em geral, claro está, continuamos a presenciar, com demasiada frequência, uma política sindical de “contar as bandeiras”.

Fica sem se saber se foi a CGTP que avanço isoladamente se foi a UGT que se isolou avançadamente, o facto é que a primeira parece estar a actuar mais em conformidade coma as actuais circunstâncias de tal forma que as centrais espanholas e não só se decidiram a marcar, também, greves e outras formas de luta para o mesmo dia. Mesmo a Confederação Europeia de Sindicatos.

Já é tempo e as circunstâncias o exigem de se acabar com atitudes de “capelinhas”.

É estranha a posição da UGT portuguesa tanto mais que, tudo indica, em Espanha a greve foi marcada, concertadamente, pelas principais centrais (UGT, Comissiones e USO). Se assim vier a suceder constitui uma iniciativa inédita que vem dar força á iniciativa portuguesa e levar com mais força o eco das lutas na Península Ibérica!

Para além disso a própria Confederação Europeia de Sindicatos (CES), na reunião do seu órgão executivo, de 17 de Outubro, marcou para esse mesmo dia uma Jornada de Luta para toda a Europa!

Será que o dia de amanhã poderá constituir o embrião de uma futura Greve Geral Europeia! A ver vamos, assim for não poderá a UGT ter quaisquer argumentos para ficar de fora.

Por outro lado, a CGTP tem evoluído no relacionamento com os movimentos sociais e associações de trabalhadores que não têm carácter sindical como os trabalhadores precários e os organizadores das manifestações autónomas que tiveram a maior expressão no 15 de Setembro. Como articular as acções de rua de forma coordenada mantendo a expressão autónoma, mas convergente, na contestação das políticas de austeridade e de destruição do Estado Social? Os movimentos sociais exprimem aspirações e expressões próprias. Os sindicatos, por sua vez, também têm uma história, organização e estratégia próprias! Existe espaço para todos! Todos somos necessários!

A luta, para ser virada a favor das populações, exige o máximo de convergência de acções e menos iniciativas sobrepostas nas mesmas datas e locais diversos, para mudar a relação de forças sociais, impedir que a exploração financeira, o esbulho da riqueza e a fuga de capitais destruam o nossos países e as nossas sociedades democráticas assim como o que gerações inteiras levaram a construir com trabalho, suor, sangue e lágrimas!

Que os reformados os trabalhadores no activo ou desempregados saibamos demonstrar, profunda e inequivocamente, o nosso descontentamento pelo trabalho dos políticos e rumo à venda do país.  



Publicado por Zé Pessoa às 18:21 de 13.11.12 | link do post | comentar |

Mais e melhor Sindicalismo

  DESAFIOS  DO  SINDICALISMO  EM  TEMPOS  DE  CRISE  !

 
    Os sindicatos estão perante desafios enormes no quadro da atual crise do capitalismo internacional. Os desafios maiores são o desemprego galopante a nível mundial e a precariedade que conduz á pobreza milhões de trabalhadores.  Mas existem outros desafios tremendos como é o caso da destruição do Estado Social em vários países na Europa no âmbito da crise do euro. Neste quadro urge responder á desfiliação sindical e descredibilização que afeta não apenas os políticos mas também os sindicalistas.
    De forma breve podemos apontar alguns desafios imediatos a que os sindicatos terão que responder relativamente á desfiliação sindical:
   . A dessindicalização é devida ao desemprego, á falta de dinheiro, ao medo, á descrença e á credibilidade sindical. Nos últimos tempos a dessindicalização é bastante forte em alguns setores de atividade.
    Neste sentido seriam necessárias algumas medidas com destaque para a eventual diminuição das quotas sindicais, melhores serviços jurídicos, uma maior proximidade dos dirigentes sindicais aos locais de trabalho e a uma maior dinâmica sindical nas empresas e serviços. Dada a limitação de quadros, vários locais de trabalho são contatados por 'sms' e não têm delegados sindicais há muitos anos. Seria necessário dar uma maior importância á formação sindical, dignificando-a e fazer com que a mesma fosse reconhecida com estatuto de formação profissional!
    Formação ao nível nomeadamente da legislação laboral para que os trabalhadores tivessem uma maior informação no domínio dos direitos laborais! A ignorância neste domínio é confrangedora e nefasta para a luta reivindicativa e para a emergência de ativistas sindicais!
    Seria necessário igualmente rever algum discurso sindical escrito em geral pouco esmerado, repetitivo e demasiado conotado partidariamente!
    Por outro lado o movimento sindical deve estudar (outras) formas de prestação de serviços aos seus associados. O sindicalismo reivindicativo não é incompatível com a prestação de serviços aos associados para que estes vejam outras utilidades em estarem sindicalizados. O sindicalismo é um movimento de massas, é uma organização dos trabalhadores, se possível de todos os trabalhadores!
    Quanto á credibilização o problema tem a ver com a transparência e a democraticidade das organizações! Dar mais poder aos associados e menos decisões de cúpula, nomeadamente nas decisões sobre as lutas que se fazem!
    O provável futuro Secretário -Geral da UGT, Carlos Silva, mostrou-se recentemente preocupado com algumas destas questões e, ainda, com a ligação dos sindicatos aos movimentos sociais. Eis uma reflexão pertinente e obrigatória! Os sindicatos não devem ter medo de perder a sua identidade! A realidade não pára e os trabalhadores ou apostam nos seus sindicatos ou criam outras organizações. Os sindicalistas profissionais que se cuidem….


Publicado por Xa2 às 13:20 de 08.11.12 | link do post | comentar |

Greve geral na U.E.-sul : 14 nov.

Será desta ?   Que vai haver  UNIÃO/coordenação de acções na EUROPA Sul    (-por Renato Teixeira)

Parece que sim e que a data também já se ventila no Chipre e em Malta.



Publicado por Xa2 às 19:39 de 19.10.12 | link do post | comentar |

Agentes e alianças para combater o saque e melhorar a política e a vida

      Para ser alternativa, muda de vida !     (-por Daniel Oliveira, Arrastão e Expresso online)

  Portugal vive um momento único. Daqueles momentos fundadores de um novo tempo. O que ele será, nenhum de nós sabe. O provável é que sejamos surpreendidos e contrariados em todas as nossas previsões. A crise económica, a iminente, mas não certa, saída do euro e a segura degradação social e política produzirão os seus efeitos. Certo é que a minha geração e as gerações que a ela se seguem - as que não viveram ativamente os anos imediatamente posteriores ao nascimento da nossa democracia - estão a viver o período politicamente mais relevante das suas vidas. E é neste cenário que os vários atores políticos e sociais que se opõem ao saque do País vão ter de decidirque papel terão no futuro.

      Por enquanto, todos parecem continuar a fazer tudo como antes. Como se nada de novo estivesse a acontecer. Como sempre, em todos os tempos e em todas as Nações, o País político e institucional rege-se pela inércia e pelo hábito. Mas alguma coisa acabará por ter de mudar.

      A  direita (CDS e PSD) que não se sente representada pelo fanatismo ideológico que nos governa terá de fazer um corte com o deslumbramento de recém-estrangeirado e com uma cultura de subjugação ao poder financeiro, dando lugar a um pragmatismo patriótico que não a leve na enxurrada do descontentamento que virá. Apesar de uma direita mais autoritária não ter, desde o 25 de Abril, tradição no nosso País, não está escrito nas estrelas que sempre assim será. Se a direita conservadora com preocupações sociais e éticas não cumprir o seu papel, gente mais perigosa o fará.

      O  Partido Socialista, com a provável assinatura de um novo memorando, terá de abandonar a sua estratégia de sempre, quando está na oposição (já para não falar da que usa quando está no governo): a de basear o seu comportamento numa imagem de responsabilidade sem qualquer conteúdo político, que lhe retira qualquer utilidade como verdadeira alternativa. Já não basta arranjar um líder com mais carisma, apresentar-se como um mal menor e sacar à sua direita e à sua esquerda uns nomes que componham o ramalhete e criem uma "dinâmica de vitória". Não é só a esquerda fora do "arco de poder" que não tem sabido apresentar-se como alternativa credível. O PS há muito que não desempenha esse papel.

      O  PCP terá de compreender que, num tempo absolutamente novo, com uma realidade laboral e social completamente diferente, já não chega preservar uma memória de luta que o honra - e honra. Poderá, por falta de alternativas, manter intacta a sua fortaleza. Mas ela contará cada vez menos na luta social e política. Devemos aos comunistas coisas boas e coisas más. Soube representar um país de excluídos, enquadrado numa mundividência cada vez mais anacrónica. Um país social e uma memória que, se não fosse o PCP, estariam fora da representação institucional e política. Mas um país que conta cada vez menos nos conflitos sociais relevantes. Até porque, enconchado na sua própria autopreservação institucional e ideológica, essa mais-valia vive isolada dos outros, temendo ser contagiada por culturas e modos de agir diferentes.

      O  Bloco de Esquerda terá de sair da encruzilhada em que se encontra. O estado de graça que a novidade naturalmente lhe garantiu acabou. E construir uma alternativa depende da capacidade de, à esquerda, saber fazer todas as pontes, tendo na recusa do sectarismo a sua principal marca identitária. Aceitando o que muito dificilmente qualquer partido aceita: que, em tempos tão dramáticos, ele é muito curto para a construção de uma alternativa. E que a acumulação de forças, por via do descontentamento crescente, nem é provável, nem, mesmo que acontecesse, seria suficiente para que tivesse um papel útil no cenário que nos espera. Um partido que nasceu para desbloquear a esquerda portuguesa não pode transformar-se em mais um factor de bloqueamento, regressando à velha cultura de seita que condenou a esquerda redical portuguesa. Até porque, tendo em conta a juventude do BE e a natureza da sua base social, dificilmente, ao contrário de outros, sobreviverá ao seu próprio autismo.

      Os  empresários do sector produtivo têm de perceber que, neste momento específico, o capitalismo financeiro, que vive da especulação à custa da produção, é seu inimigo. E que, por isso, também são diferentes os seus aliados. Aceitarem manter-se reféns de quem nada produz é aceitarem o fim do seu próprio poder. Posso não me rever nas suas aspirações de sempre. Mas também posso aceitar que, vivendo momentos dramáticos, há interesses circunstanciais que nos são comuns. Mas para que isso seja possível é fundamental abandonarem a cultura rentista, que vive do tráfico de influências no Estado. Até porque, neste novo mundo, ela apenas beneficiará os novos senhores do dinheiro. E eles não são os barões da indústria. É a banca que, aos poucos, suga os recursos toda a atividade produtiva das Nações. Entre a ética do capitalista tradicional e a ética do especulador apenas a legitimidade do lucro lhes é comum. Tudo o resto os afasta.

      Os  sindicatos terão de reaprender quase tudo. Adaptar-se a uma nova realidade laboral, onde a maioria da população ativa ou está desempregada ou tem vínculos laborais ultra-precários. Isto não significa abandonar a defesa dos direitos dos que ainda têm contrato. Cada direito que aí se perde não é um direito que os precários e os desempregados ganham. Pelo contrário, é uma vitória de quem quer que o trabalho volte a ser tratado como uma mera mercadoria. Conseguir representar dois mundos - o das relações laborais que a democracia social nos garantiu e o da semi-escravatura em que a esmagadora maioria dos jovens vive - não é nada fácil. Mas é a única forma de impedir que se alimente um confronto geracional que apenas serve a quem quer dividir para reinar. Em Portugal, o primeiro desafio ao movimento sindical - o único movimento social realmente estruturado no País - é mais prosaico: libertar-se das tutelas partidárias que limitam a sua força e a sua representatividade.

      Os  pequenos movimentos sociais dispersos têm de ultrapassar a fase mais ou menos espontânea ou de tribo em que vivem e saber dar conteúdo político à manifestação da indignação e frustração das pessoas. Têm de ambicionar ganhar representação maioritária e, para isso, abandonar as tradicionais formas de participação, que apenas podem incluir os mesmos de sempre. Isto, sem embarcar na ingenuidade de pensarem que estão, a cada momento, a inventar a roda. Não desprezando os movimentos sociais e políticos tradicionais, como os sindicatos e os partidos. Na história, nunca se começa do zero.

      Termino como acabei: vivemos tempos únicos. Quase tudo tem de ser reaprendido. Mas nada começa sem um passado. Os atores políticos e sociais que existem, e é com o que existe que se faz política, terão de se adaptar para combater o saque deste País. Começando por repensar a sua política de alianças, que podem ter de ser bem mais amplas do que alguma vez imaginaram. Quem não perceba que vivemos um momento de emergência nacional, e continue a tratar de si próprio, estará condenado à inutilidade.

      Claro que aqui quase só disse o que não pode continuar a ser. Não sou diferente, nos meus vícios e defeitos, dos que critico. Também eu não sei bem o que nos espera. Também eu aprendi a fazer política num tempo diferente deste. Também estou, como todos os que querem travar a destruição do Estado Social, confuso e a tatear caminhos. Mas saber da urgência é um bom ponto de partida para querer mudar de vida

                  Políticos  há  muitos ...        

    O sobe e desce do Público de sexta-feira coloca o ex-goldman Mario Draghi a subir porque o efeito das suas declarações mostra que “os mercados confiam mais no BCE do que nos políticos para salvar o euro”. No Público de hoje, Luís Villalobos alinha pelo mesmo diapasão, dizendo que “que não foi um político que se destacou esta semana, mas sim o presidente do BCE”.
    Em primeiro lugar, é bom relembrar que Draghi é um político porque dirige uma instituição politica, que até diz que conduz política monetária e tudo. Lá por o BCE ser uma instituição pós-democrática, nos seus procedimentos e efeitos, isso não quer dizer que seja menos política.
    Em segundo lugar, é verdade que a maioria dos operadores nos mercados financeiros anseia pela formação de uma convenção “salvação do euro” que ajude a ancorar as expectativas e a encarar o sempre incerto futuro com outra confiança, o que ajuda a tornar claro que as dinâmicas dos mercados financeiros estão dependentes de decisões políticas que impeçam as suas lógicas autodestrutivas em momentos de instabilidade.
    Em terceiro lugar, o efeito das declarações de Draghi poderá ser de curta duração sem acções à altura: uma convenção “salvação do euro” exige, como se tem repetido nos últimos anos, violar de forma cada vez descarada as regras que mal o suportam, refazer a relação quebrada pelo euro entre banco central e tesouro(s), entre políticas monetária e orçamental, colocando o BCE a agir como prestamista de última instância dos Estados (pode começar por ser por via de um fundo com licença bancária...).    Draghi terá de mandar o mandato do BCE borda fora, mesmo que tente disfarçá-lo porque fazê-lo abertamente acabaria com muitas carreiras e reputações e tornaria mais difícil manter a ficção de que não é de política que se está a falar (a regulação bancária com escala europeia promete também neste campo...).
    Em quarto lugar, e apesar de ir conseguindo impedir o colapso da infra-estrutura monetária, o BCE está sempre muito atrasado e tem sido parte do problema nesta crise. Recapitulemos: em 2008, o BCE andava ainda a aumentar as taxas de juro por causa do seu rígido mandato, depois alinhou, em coerência com o seu código genético ideológico, com a “austeridade expansionista” e com a lógica da “rigidez laboral”, ajudando a destruir empregos por esse euro fora e tentando liquidar o que resta dos modelos sociais, acompanhando a propaganda com todo o apoio directo aos bancos, negado aos Estados, e com toda a chantagem que outras intervenções nos mercados secundários da dívida foram capazes.
    Em quinto lugar, é bom lembrar que a aposta baseada na intuição “o que nasce torto...” pode ser mais racional do ponto de vista de investimento individual se as peças do dominó continuarem a cair como até agora, graças às lógicas anti-keynesiana e anti-social inscrita neste euro.


Publicado por Xa2 às 07:51 de 30.07.12 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Lutar por Trabalho digno e com condições

              TRABALHO  DIGNO  ! - para além dos manifestos !

     Nos últimos dias têm sido noticiadas iniciativas de juristas e académicos com manifestos e tomadas de posição sobre as alterações laborais e os atentados aos direitos sociais de quem trabalha. Surgiram apelos para que o Presidente da República vete essas propostas legislativas que vão alterar a nossa legislação laboral, reforçando escandalosamente o poder patronal, diminuindo drásticamente os custos do trabalho e golpeando a contratação coletiva e as organizações dos trabalhadores !  A luta hoje neste contexto é, efetivamente, uma luta pela dignidade no trabalho!

     É importante que se proteste e se denuncie esta manobra que vai reforçar o despedimento de muitos e a exploração intensiva de quem ficar no trabalho. No setor público aplicam-se idênticas medidas! É uma política coerente da direita que não pretende um crescimento económico que beneficie a maioria, mas antes uma acumulação da riqueza em alguns e o empobrecimento generalizado.

     Perante esta situação fico perplexo com as teorias de alguns dirigentes de partidos de esquerda quando dizem mais ou menos isto: não será fácil a unidade das esquerdas. Acrescentam alguns, inclusive, que tal objetivo não é muito importante pois cada partido já tem o seu programa! Logo, os leitores que votem! Que direi ?  São surdos ?  Não estão a ver a realidade? Ou não sentem verdadeiramente a crise na pele ?  Não beneficiam eles, mesmo na oposição, de um bom estatuto na vida?

     Alguém que não tenha esse estatuto de «político» e esteja no desemprego ou tenha o emprego ameaçado pode estar tranquilo? Não terá a maioria do povo português que estar ofendida com esta gente que vive á sombra da Assembleia da República ou de uma autarquia, ou de um cargo do Estado ou do partido? Gente que não está nada preocupada em encontrar alternativas com outros, porque já tem o seu partido, o seu programa, o seu objetivo estratégico. Ou não têm?

     Não será absolutamente urgente, imperativo até, preparar uma plataforma política capaz de nas eleições varrer esta direita incompetente que tem como objetivo varrer a nossa Constituição e tudo o que ela significa em termos de modelo de sociedade ?  De um trabalho com direitos e deveres nas empresas pretende-se que apenas as empresas tenham direitos!  O trabalhador será um mero recurso e como tal deve ser o mais barato possível !  Esta contra-revolução em curso não exige uma resposta adequada tendo como base programática a nossa constituição?  Ou mesmo na esquerda já temos gente que há muito não está com a nossa Constituição ?

 

               Impacto das TIC nas condições de Trabalho ! 

       O Centro de Análise Estratégica da Direção Geral do Trabalho do Estado Francês publica um excelente relatório sobre o Impacto das tecnologias de informação e comunicação (TIC) nas condições e bem estar dos trabalhadores. É uma área pouco trabalhada partindo-se do princípio (errado) que os riscos não são muitos.
       Todavia, o Relatório, em françês,acaba por concluir que existem cinco principais riscos ligados ás TIC no que respeita ás condições de trabalho.  São:
   1. Redução da autonomia do trabalhador. Maior controlo da sua atividade;
   2. Aumento do ritmo e intensificação do trabalho;
   3. Enfraquecimento das relações interpessoais e/ou dos coletivos dos trabalhadores;
   4. Desaparecimento das fronteiras entre o trabalho e o resto da vida;
   5. Grande sobregarga informacional.
        Embora extenso este documento é um excelente instrumento de trabalho para quem reflete sobre o trabalho e o que se passa nos locais de trabalho modernos, nomeadamente a nível sindical.     LER

    (- por A.Brandão Guedes, http://Bestrabalho.blogspot.com)



Publicado por Xa2 às 07:48 de 19.06.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Concertar movimentos e acções para atingir o alvo !

REFORMA  LABORAL  EM  ESPANHA :  a  mesma estratégia !

    Dizia-se em tempos que a Europa era uma anã política e um gigante económico ! Hoje talvez já não seja verdade. Para salvar os anéis (o capital, investidores e agiotas) compromete seriamente os dedos- a massa trabalhadora qualificada- a verdadeira riqueza económica da Europa.
    A reforma laboral hoje aprovada em Espanha, sem consulta séria aos sindicatos, é muito semelhante á que foi aprovada em Portugal e certamente á que está para ser aprovada em Itália ! Abertura aos depedimentos, medida cinicamente apontada para combater o desemprego, com diminuição das compensações e de todo um conjunto de medidas para diminuir os custos das empresas e os rendimentos dos trabalhadores ! As centrais sindicais da vizinha Espanha apontam para uma greve geral a 29 deste mês !
    Não podemos ser ingénuos. Uma mão mestra, ou de mestre, está por detrás destas medidas. Uma mão que gizou uma estratégia de destruição do modelo de relações laborais, pilar da Europa Social! Uma mão que passa por Bruxelas, pela OCDE, pelas grandes multinacionais, enfim, pelos investidores e banqueiros! Os mesmos que estão a transformar a Europa numa anã económica. Uma mão que aproveitou magistralmente a crise da dívida soberana para alcançar um objetivo (: enriquecer à custa de novos escravos !!) que levaria anos a conseguir!
   O que espanta é a impotência com que uma larga parte das sociedades europeias assiste a esta situação. É certo que o desemprego é um poderoso inibidor social. É certo que o medo é talvez um dos sentimentos mais espalhados nas empresas europeias.... precisamente o medo de perder o emprego!   No  entanto, ainda temos sindicatos e outras organizações sociais de defesa. Não podemos esperar que a tempestade não nos atinja. Individualmente poucos (ou nenhuns) se safam... em conjunto (só o movimento sindical europeu, unido, se poderá opor à catástrofe).
   O movimento sindical europeu tem que amadurecer e agir concertadamente ! Uma greve geral nacional, país a país não chega! São necessárias ações europeias que apontem ao coração da economia!
(o alvo : o capital financeiro, offshores, agiotas e suas marionetas políticas e comunicacionais !!!) 
 


Publicado por Xa2 às 07:53 de 12.03.12 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Neoliberais : destruir trabalhadores, famílias e Estado !

  FUNÇÃO PÚBLICA - Nova forma de despedimento à vista ?

     São muitos os sintomas de autoritarismo deste governo português. As últimas declarações do deputado do CDS ,João Almeida, sobre a mobilidade geográfica na Função Pública ultrapassam todos os limites da decência! Esta indecência só foi igualada pelo salazarismo que não admitia que um funcionário público tivesse a ousadia de reclamar de uma diretiva ministerial !  Pois estes são netos desse salazarismo miserável !
      Para o deputado Joao Almeida, se os funcionários não aceitarem a mudança geográfica proposta têm uma saída que é a desvinculação! Assim! Nada de considerações humanas e constitucionais! Vê-se bem por aqui o tipo de pessoas que temos como deputados! Uns canalhitas! Hoje dizem estas barbaridades e amanhã choram lágrimas de crocodilo sobre o aumento dos divórcios, a baixa natalidade e a desagregação da família! A direita em todo o seu esplendor! Duros com as pessoas concretas, e em especial com os trabalhadores, solidários com abstrações como a «família» e, em particular, com algumas famílias !
      Mas, porventura este jovem deputado trabalhou a sério em alguma coisa?! Estudou a história da administração pública, leu a constituição?! Colocou-se porventura na pele de um funcionário público português que de repente se vê confrontado com uma proposta de ir trabalhar para 100 ou 200 quilómetros de distância?! Sabe o que isso significa se a mulher/homem  trabalha no privado  e os salários dos dois são mesmo a curtar as unhas?
      Sabe ele que esta é + uma forma de despedimento encapotada tal como estamos a verificar com a recente medida do Montepio que, ao adquirir o Finibanco propôs aos trabalhadores do Porto desta instituição, cerca de 200, para virem trabalhar para Lisboa? O Sindicato dos Bancários do Norte interpôs uma providência cautelar e o caso está, inclusive, no Tribunal Europeu para ser resolvido, dado que para qualquer jurista isto é despedimento? Que uma posição fundamentalista como esta abre as portas a que no privado se faça o mesmo?
      Claro que sabe, mas na sua douta opinião isto são considerações de menor valia!  Ele está num governo que quer «salvar a pátria» á custa dos trabalhadores que, com as suas famílias, são a maioria esmagadora dos portugueses! Todavia, o que ele quer salvar são os interesses de uma minoria de portugueses! Leu por uma cartilha teórica, a do neoliberalismo puro e duro! Gostaria de saber o que dizem alguns trabalhadores que eu conheço e se consideram democrata- cristãos! Penso sinceramente que não estarão de acordo com estas posições. Se há coisas que me custa a entender é a submissão do sindicalismo á política partidária! Tanto á direita como á esquerda!
Os sindicatos, quer da UGT quer da CGTP, não podem aceitar uma posição destas ! Negociar a mobilidade para melhor distribuir os funcionários é uma coisa, agora fazer dos trabalhadores coisas é que nunca!NUNCA!



Publicado por Xa2 às 07:50 de 17.02.12 | link do post | comentar |

Trabalho, concertação, ... desunião, empobrecimento e desigualdade

BEM ESTAR NO TRABALHO É A CHAVE!

 

  Nunca encontrei tanta gente a dizer mal do trabalho como na última década!  Professores, funcionários públicos, quadros de multinacionais, operários e gente do comércio e serviços!  São muitos os que suspiram por sair, mudar de emprego ou pedir a reforma!  Então na Função Pública é uma calamidade.  Temos que convir que esta situação não é normal ! 
    Há razões para a existência de um clima desta natureza nas empresas e serviços públicos? Sim, todos temos a experiência de ouvirmos estes desabafos a colegas, vizinhos ou amigos. De que se queixam afinal esta pessoas? De mau ambiente de trabalho, de formas de gestão á base da pressão e assédio, de salários baixos e de ameaças de desemprego, pois cada vez há mais gente com vínculos precários!
    Em muitos locais de trabalho, nomeadamente no Estado, existe descoordenação, mudanças permanentes de chefias, falta de reconhecimento pessoal e muita desconsideração! A maioria das pessoas queixa-se mais da falta de reconhecimento e de ambiente de trabalho do que dos congelamentos salariais.
    Com o desemprego e a promoção de políticas de gestão do medo e da mudança permanente desvaloriza-se o trabalho com ganhos para o capital e perdas para o trabalhador. A polivalência , a facilitação do despedimento e as mudanças permanentes enviam a mensagem de que ninguém tem seguro o seu posto de trabalho nem a sua função! A mensagem radical que a empresa envia ao trabalhador é: tu não tens qualquer valor e o teu lugar e a tua vida está nas nossas mãos! Isto fragiliza o trabalhador e o coletivo dos trabalhadores. Individual e coletivamente fragilizados os trabalhadores não existem como força organizada e capaz de gerar um contrapoder. Será muito mais fácil a sua exploração intensiva.
    Ora, este tipo de relações laborais não tem futuro. Destrói o ser humano e prejudica a produtividade mesmo que conjunturalmente exista, por medo, qualquer aumento da mesma.
    Apenas a promoção do bem-estar no trabalho produz estabilidade, abertura á mudança necessária, desejo de participação. As formas de gestão, quer no privado, quer no público que sejam de natureza predadora levarão á resistência e á insubmissão! Animar esta insubmissão é missão das organizações de trabalhadores!

   Daniel Bessa, um dos intelectuais orgânicos de um certo patronato, saúda a coragem de João Proença e considera que a meia hora era uma brincadeira de crianças ao pé do que foi conseguido. Bessa tem razão: trata-se de uma vitória em toda linha para o patronato medíocre, o que é bem sucedido a usar a crise como pretexto para reforçar um modelo extensivo de acumulação, assente em despedimentos mais fáceis e baratos, em cada vez menos férias ou em horas extraordinárias que se tornam ordinárias.
   Tudo parte de uma engenharia de desvalorização interna que só vai aumentar o desemprego e transferir todos os custos do ajustamento para os trabalhadores, para os seus salários cada vez mais reduzidos, para as suas cada vez mais precárias condições de vida.   Desgraçadamente, a UGT cumpre o papel que muitos lhe reservaram: servir para tentar legitimar todos os retrocessos laborais. Para isto não é preciso ter coragem; basta apenas ter disponibilidade para dizer que sim a tudo.  
         (-por João Rodrigues )
       Trabalhadores vão financiar a redução do seu salário   

         Os jornais dão conta de mais uma proposta do governo: os desempregados que aceitem um emprego com um salário inferior ao seu subsídio poderão manter até 50% desta prestação social nos primeiros seis meses de trabalho e até 25% durante os seis meses seguintes ...   ...   ... será paga com um empobrecimento geral dos trabalhadores e um aumento da desigualdade na distribuição de rendimentos. Que é, devo recordar, a principal doença deste país.   

          (-por Daniel Oliveira, publicado no Expresso Online )

       Um debate a não perder (a rever)

A propósito do novo pacote laboral, esta "entrevista" de Mário Crespo a Arménio Carlos é obrigatória. O sindicalista desmonta, de forma consistente, os argumentos do jornalista (?!"Os novos cães de guarda"?!) e explica por que foi a CGTP a única organização com uma posição decente nestas negociações.


Publicado por Xa2 às 07:48 de 17.01.12 | link do post | comentar | ver comentários (11) |

Agenda neoliberal: desregulamentar, manipular e rebaixar a situação laboral

Portugal tem um governo de classe, com agenda anti-sindical

     A revisão do memorando de entendimento com a troika anuncia o maior ataque à contratação colectiva de que há memória.
     Entre Maio e Dezembro, no ponto que se refere à fixação de salários foram feitas umas "pequenas" modificações:
  a) o Governo renuncia a fazer qualquer portaria de extensão de um contrato colectivo até estarem definidos critérios de representatividade dos signatários;
  b)  onde se lia que a definição da representatividade seria feita com critérios quantitativos e qualitativos passou a ler-se apenas critérios quantitativos;
  c) Onde se acometia ao INE a tarefa de recolher informação sobre a representatividade dos parceiros sociais passou a dar-se a responsabilidade ao Governo.
     O que valem estas três "pequenas mexidas"? Quem tenha acompanhado o debate sobre a representatividade sindical e patronal sabe que esta é uma questão extremamente sensível e promotora de conflitualidade. Quem acompanhe a evolução da contratação colectiva sabe também que a cobertura dos trabalhadores por esta tem larga dependência das portarias de extensão e dos efeitos devastadores dos "vetos de gaveta" ministeriais.
     Ao anunciar que não há portarias de extensão até estar fechado o processo de medição da representatividade, o Governo acaba de anunciar uma drástica redução da contratação colectiva por tempo indefinido. Dificilmente este processo se fechará com algum consenso em meses. Mas o governo já fez saber que não tem intenção de o ver concluído em 2012, se esta notícia tiver fundamento.
     Desde o 25 de Abril, o ano de maior desprotecção dos trabalhadores pela contratação colectiva foi o de Bagão Félix, a seguir à aprovação do Código do Trabalho. Mas o que se promete para 2012 fará desse ano um paraíso do diálogo social nas empresas.
     Não é difícil antever que o governo espera congelar os salários do sector privado por esta via e reforçar o já elevado poder unilateral do patronato nas relações de trabalho em Portugal. Mas há mais. Como vai pôr os sindicatos em estado de necessidade na negociação da questão da representatividade, reservou para si todas as condições para manipular o debate: retirou a responsabilidade pelo apoio técnico a essa medida ao INE, que seria a única instituição pública com independência e credibilidade para o fazer; retirou dos critérios qualquer medida qualitativa, indispensável para que fosse minimamente consensual. O Governo até pode nem querer manipular os resultados do dito estudo, mas quer certamente partir a espinha a qualquer convergência na acção entre a CGTP e a UGT, forçando-as a um confronto em matérias que as dividem há muito tempo enquanto impõe a sua agenda anti-sindical na legislação laboral.
     Portugal precisa de fazer reformas e podia fazê-las em diálogo ou de modo autoritário. O Governo escolheu a via autoritária.
     Aquilo que na Alemanha levou anos a fazer, com negociações e compromissos, promete-se por cá em meses. A desvalorização dos salários - que sabiamnos que ia acontecer - em vez de ser moderada (os leitores sabem que nem me oponho, como a generalidade da esquerda o faz, à meia hora de trabalho) será brutal, juntando a dita meia hora, a supressão de feriados, a redução de dias de férias, a redução das indemnizações por despedimento. E, cereja em cima do bolo, pelo ataque drástico à eficácia da contratação colectiva. Simplesmente os trabalhadores vão trabalhar mais e por menos dinheiro, nem sequer é pelo mesmo, dado que haverá congelamento nominal dos salários, a menos que, unilateralmente, os patrões decidam o contrário.
     Como temia quem olhasse a partir da esquerda para o uso que o PSD faria do memorando com a troika, aí está no seu esplendor total o exercício de embrulhar algumas medidas necessárias numa agenda liberal e no caso anti-sindical. Mas como não vale a pena chorar sobre leite derramado, apenas se pode extrair daqui lições para o futuro mais ou menos imediato, que se me colocam sob a forma de duas perguntas:
  1. Ainda há alguém de esquerda capaz de dizer que os Governos do PS, com todos os defeitos que tenham, são iguais aos do PSD?
  2. Vão as centrais sindicais cair na mesma armadilha em que caíram os partidos de esquerda há um ano ou dar-lhes-ão, pelo contrário, uma lição de sentido de responsabilidade e de capacidade de distinguir o essencial do acessório, o urgente do que pode esperar?
     Acredito que 2012 será o mais importante ano de clarificação política na sociedade portuguesa desde 1976. Ou os protagonistas perceberão o que está em causa ou desaparecerão também sobre os escombros da revolta inorgânica ou da anomia.
    O optimismo antropológico é uma das razões que me faz ser de esquerda.  Aproxima-se um momento em que o silêncio é demissão e a convergência é submissão. 2012 não será o ano da separação do trigo do joio, mas o da separação das águas. E, no caso do PS, convém não esquecer que os Portugueses votaram pelas reformas e não pela contra-revolução liberal, na hora de saber com o que se deve transigir e do que se deve demarcar.
   (-por Paulo Pedroso , BancoCorrido, 2011.12.22)



Publicado por Xa2 às 13:26 de 05.01.12 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Precisam-se: agentes da unidade na acção e da alternativa política

CONGRESSO  DA  CGTP,  A CRISE E AS LUTAS  SOCIAIS ! (IV)

    O próximo Congresso da CGTP a realizar em finais de Janeiro, acontece numa altura de um formidável ataque ao modelo social europeu que, em Portugal, significa uma subversão do modelo laboral democrático construído com a Revolução do 25 de Abril!
     Esta grave situação vai incrementar as lutas sociais e exige um novo posicionamento do movimento sindical e uma estratégia de alargamento da base de apoio á sustentabilidade das lutas. Neste sentido as lutas estão a ser desenvolvidas por alguns atores sociais sendo necessário mobilizar outros para o mesmo objetivo.
     O movimento sindical organizado é o principal ator das lutas sociais neste momento. Tudo indica que continuará a ser o mais importante e decisivo no futuro. Vai ter que procurar todos os pontos que conduzam á unidade na ação, evitando os pontos de conflito. Quer a UGT quer a CGTP terão que ser muito sábias para, sem abdicarem das suas identidades e estratégias, conseguirem articular ações conjuntas que potenciem o movimento social!
     No Movimento sindical português a CGTP continuará a ser o elo mais forte, podendo reforçar-se ainda mais, caso desenvolva a sua autonomia e abertura a outros setores sociais.
     O segundo e importante ator laboral das lutas sociais são, sem dúvida, os movimentos de jovens precários. Questionam não apenas a precariedade mas aspetos do sistema e da democracia liberal. Embora ainda muito inorgânicos, revelam bastante autonomia e criatividade. Serão decisivos em atrair para as lutas sociais os estratos jovens que sofrem com a crise! As suas reivindicações colocam em questão um aspeto fundamental do capitalismo moderno- a flexibilidade! Uma flexibilidade que desestrutura a vida pessoal, familiar e social e retira o «caráter» ao trabalhador.
     O terceiro ator excluído do campo laboral e que poderá contribuir para as lutas sociais são os desempregados. Em Portugal quase não têm expressão organizada. O desemprego afeta cada vez mais pessoas. Estas poderão juntar-se ao movimento dos precários ou poderão auto-organizar-se. De qualquer modo há aqui uma imensa energia que ainda não está em movimento.
     O quarto ator são os estudantes que tardam a entrar na luta em Portugal! As contradições das próprias políticas da austeridade irão, mais tarde ou mais cedo, lesar os estudantes e, em particular, os seus pais. Muitos já não têm ilusões quanto ao emprego. Alguns já integram as lutas dos precários. Sentem que no chamado «mercado laboral» não haverá lugar para eles, ou caso haja, o emprego conseguido estará muito longe das suas esperanças. Os jovens estão altamente desvalorizados no trabalho. São carne para canhão!
     Numa situação em que todos estes atores se envolvam num processo social de resistência á aplicação da política da austeridade, outros atores deverão também cumprir o seu papel. É o caso dos partidos de esquerda (PS, PCP e BE) que terão a obrigação histórica de delinear uma estratégia coerente de unidade capaz de fazer emergir a esperança e uma alternativa política. Caso não seja possível fazer emergir esta alternativa então o futuro apresenta-se negro! A democracia fica cativa numa alternância PSD/CDS e PS, fautores e guardiões do empobrecimento e das desigualdades! As responsabilidades aqui serão de todos nós e não apenas de uns ou de outros!



Publicado por Xa2 às 13:25 de 05.01.12 | link do post | comentar |

Desvalorização do Trabalho

MAIS MEIA HORA DE TRABALHO: o crepúsculo da concertação social ?

 

    O actual Governo, como bom neo-liberal, está-se nas tintas para a concertação social! Vai dando com uma mão (demagogia) e vai retirando com a outra (direitos). Vai reunindo patrões e sindicatos, encanando a perna á râ, como diz o ditado, mas legisla a toda á pressa com medo da troika! Foi o que se passou com a famosa meia hora a mais de trabalho por dia! A UGT e CGTP não aceitam esta pantomina e muito bem! E finalmente o José Seguro também não concorda com tal medida e muito bem, claro está!

    Com esta prática bem podemos estar a presenciar o crepúsculo da concertação social em Portugal que, aliás, acontece por toda a Europa! Os governos conservadores, em maioria na UE, e os tecnocratas consideram desnecessária a concertação social! Ainda o não dizem nos discursos mas a gente entende bem qual é a sua opinião real! Ainda falam em diálogo social mas estabelecem a imposição!

    Daí que não seja de admirar o crescimento na UE e em todo o mundo de um neo-anarquismo que actualiza a «ação directa» como forma de responder a esta arrogancia do poder político, a este esvaziamento da democracia dos povos!

    Perante o caminho que estamos a tomar, onde a precariedade e o desemprego é a regra e os eleitos se descredibilizam, onde o pobre é tratado como um doente, não nos admiremos que cada vez mais cidadãos simpatizem com novas e velhas formas de ação directa  e que respondam á violencia do Estado desnaturado com outra violencia!

    Não se pense que as artimanhas da policia e as suas técnicas chegarão para apagar os incêndios! Quando são muitos os cidadãos que acordam, o poder, por mais arrogante que seja, fica semelhante ao pó levado pelo vento!

    Esperemos que estes arrogantes políticos não venham ainda a ter saudades das ordeiras manifestações sindicais!



Publicado por Xa2 às 07:39 de 14.12.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Sindicalismo para enfrentar a crise e o ataque aos trabalhadores

SINDICALISMO PORTUGUÊS: um congresso para enfrentar a crise !  (III)

 

   O próximo congresso da CGTP, a realizar nos finais de Janeiro de 2012, pode ser um congresso histórico! A maioria dos analistas vão centrar-se na saída de Carvalho da Silva bem como sobre a pessoa que o irá substituir!
   Serão feitas análises também sobre a relação de forças entre as diferentes correntes  e qual delas vai ganhar ou perder. Pessoalmente não considero particularmente relevante estas questões nem vejo que sejam importantes para o presente e futuro dos trabalhadores portugueses. Será importante para alguns sindicalistas da cúpula, a maioria ligados aos dois grandes partidos da esquerda portuguesa. Sempre existiu e continuará a existir uma luta latente pela hegemonia do movimento sindical. O problema está quando esta luta se torna central, mirrando a vitalidade de uma organização. Penso que não é o caso! Espero que não o seja no futuro!
Embora não subestimando este dado penso que será muito mais importante e interessante responder à seguinte questão:  Vai a CGTP ser capaz de enfrentar a crise presente e sair dela mais reforçada e como a maior organização dos trabalhadores portugueses?  Vai se continuar o seu caminho com destaque para alguns aspectos, nomeadamente:

1º Se o seu novo secretário geral mantiver e alargar a herança de Carvalho da Silva relativamente ao diálogo com a sociedade portuguesa, nomeadamente os partidos políticos, igrejas, movimentos cívicos, novos movimentos sociais e de trabalhadores precários; se valorizar a participação nas instâncias institucionais a par da reivindicação e da proposição autónoma.

2º Se a CGTP se transformar cada vez mais num grande espaço de debate politico-sindical e de unidade de acção desde os locais de trabalho até á direcção. Um espaço onde sejam aceites com tolerância perspectivas políticas diferentes e plurais, acarinhada e incentivada a militância de base de novos trabalhadores e activistas sindicais. Para este objectivo é muito importante o reforço da formação sindical, cada vez mais aperfeiçoada e rica e que deve criar hábitos de leitura e de estudo, levando os activistas a evitar as receitas e os «chavões».

3º Continuar e incentivar com responsabilidade a renovação de quadros sindicais, cativando gente mais nova para as direcções sindicais e delegados. Gente que não se perpetue na organização mas que possa regressar ao local de trabalho sempre que possível. A ligação dos activistas e dirigentes aos locais de trabalho é fundamental. Apenas os estritamente necessários devem ficar nas estruturas.

4º Estudar novas formas de acção sindical adequada aos tempos actuais e ás diferentes categorias profissionais, aos desempregados e aos precários. Rever formas de manifestação e participação, a coreografia, os cenários, o discurso,etc. Todas estas questões podem ser estudadas na formação sindical.

5ºTalvez seja tempo de estudar uma nova forma de reorganização sindical adoptando e potencializando o território de modo a conseguir-se uma melhor participação dos desempregados e trabalhadores precários bem como até de alguns reformados. As uniões distritais não cumprem tais objectivos. Uma organização sindical mais próxima animaria a vida sindical. Não vejo que esta forma de organização sindical seja concorrente dos partidos políticos.

No quadro desta crise de ataque inédito aos direitos dos trabalhadores e aos seus interesses estratégicos a CGTP pode sair mais reforçada, mais forte e mais coesa, ou, pelo contrário  uma organização cansada pelos combates, burocrática, ritualista e reduzida a uma organização assente apenas nos militantes que resistiram à tempestade.



Publicado por Xa2 às 08:49 de 10.12.11 | link do post | comentar |

Esquerda: rebelar contra a inércia e contra 'mercados' e ideias neoliberais

NA EUROPA: melancolia socialista.

Hoje, vou dar-vos a conhecer um pequeno texto noticioso, publicado no diário espanhol El País, escrito em Bruxelas, pelo jornalista , Ricardo Martínez de Rituerto, intitulado “Papandreu culpa a los conservadores de "hacer fracasar a Europa" ”, cujo subtítulo é “Los socialistas europeos buscan respuestas a la crisis que los arrolla”.
   Pelo texto, se pode confirmar a gravidade do esvaziamento político que atingiu o Partido Socialista Europeu. Em contrapartida, não se consegue vislumbrar o mínimo sinal de esperança nos horizontes por ele sugeridos. Tenhamos esperança, apesar de tudo, de que se trate apenas de uma falha de informação e fiquemos a aguardar melhores notícias.

   Mas se isso não acontecer , talvez não nos reste outra saída do que a de nos rebelarmos contra a inércia cinzenta das burocracias que sufocam o socialismo europeu, condenando-o a uma quase irrelevância. Uma irrelevância que as dificuldades presentes tornam insuportável.

Vejamos o texto:
   "Los socialistas europeos celebran este viernes y sábado en Bruselas el congreso de su partido en la atmósfera de depresión y desorientación propia de quienes se han convertido en los administradores de políticas que sus electores consideran serviles a las ideas liberales y a los mercados. “Necesitamos otro espacio político”, dice el danés Poul Nyrup Rasmussen en el discurso de despedida como presidente del Partido de los Socialistas Europeos (PSE), un mandato que comenzó con otras expectativas en 2004. En su parlamento, Rasmusen ha dado calor político al ex primer ministro griego Yorgos Papandreu, quien, a su vez, ha arremetido contra “la Europa conservadora que ha hecho muy poco y muy tarde” por evitar la crisis que tiene a la UE contra las cuerdas.
    Papandreu ha sido el penúltimo socialista al que la crisis le ha costado el cargo, justo por delante de los socialistas españoles barridos en las urnas el pasado domingo. A ambos les precedió el portugués José Socrates. Ante este panorama, Rasmussen ha animado a sus correligionarios con el hecho de la llegada de socialistas a los Gobiernos de Irlanda, Finlandia y Dinamarca, en todos lo casos en coalición y sólo en Copenhague al frente del Ejecutivo. Socialistas quedan también en las coaliciones gubernamentales de Eslovaquia (con próximas elecciones que pintan mal para ellos), Austria y Bélgica (en funciones).
    Para animar al auditorio ha dicho Ramussen que quizá haya de nuevo socialistas al frente de Bélgica (si es que Elio di Rupo, que hace unos días tiró la toalla de formador de Gobierno, acepta el encargo regio de seguir intentándolo), Alemania (donde hay elecciones el próximo otoño), Francia (con François Hollande deseoso de desplazar a Nicolas Sarkozy en mayo de 2012) e Italia, en fecha imprevisible.
En buena ley, más deseos que realidades. “El enfado contra la austeridad está ahí fuera”, ha dicho Rasmussen a un auditorio que lo sabe de sobra porque lo está pagando caro. Con ánimo batallador ha pedido que estos dos días de debate y reflexión sean los de renovación y reactivación del socialismo europeo.
    Papandreu ha reconocido las cosas como son: Europa “hoy está dominada por los conservadores”, antes de arrojar sobre ellos toda la responsabilidad de lo que ocurre: “Son los que han hecho fracasar Europa y han fallado al pueblo”. En el caso griego, subraya, fueron los conservadores de Nueva Democracia quienes minaron el territorio. Él, ha dicho, sólo heredó los problemas y adoptó medidas impopulares “para poner la casa en orden”, siguiendo los dictados de la ('tróica') Comisión Europea, el Banco Central Europeo y el Fondo Monetario Internacional.
    Las referencias le han servido para explicar su órdago fallido del referéndum sobre el plan de rescate griego:

se trataba de “redistribuir el poder, dar el poder a la gente, voz a su voluntad e ir más allá de los intereses conservadores”. En el aire ha quedado por qué no llegó hasta el final en su deseo de dejar al pueblo que “decidiera su futuro” mientras ha vuelto a hacerse eco de palabras que de repetidas suenan a hueco a electores de izquierda frustrados: estrategia responsable de crecimiento, Europa competitiva, necesidad de invertir en la juventud y el empleo...
    Rasmussen cede la presidencia del PSE al exprimer ministro búlgaro Serguei Stanishev, que en 2009 perdió en su país las elecciones generales y europeas."



Publicado por Xa2 às 07:45 de 28.11.11 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Depois vieram buscar ...

- E tu ficas calado e quieto ?   - Até ser demasiado tarde ?!   ... chega de desculpas:  Levanta-te  e  Luta.

 

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Publicado por Xa2 às 07:40 de 23.11.11 | link do post | comentar | ver comentários (15) |

Greve Geral e União dos Trabalhadores

GREVE GERAL EUROPEIA ?

    Há muitos trabalhadores que hoje se interrogam se não seria altura para se fazer uma greve geral europeia. Altura seria, pois nunca tivemos no pós-guerra uma ofensiva de tal envergadura contra os direitos fundamentais dos trabalhadores.
    Esta ofensiva é, aliás, transversal, pois afecta mais ou menos todos os paises e todos os trabalhadores europeus. Porém, ela não se convoca porque, infelizmente, a este nível as questões estão muito pouco maduras no interior das organizações sindicais europeias.
    No último congresso da Confederação Europeia de Sindicatos (CES) o ano passado a questão é abordada e obviamente pensada por muita gente no interior dos sindicatos. No documento de acção final pode ler-se:

« para criar uma correlação de forças favorável é necessário proporcionar formas de acção que partam dos locais de trabalho, incorporando no nosso debate o conceito de «greve geral europeia», sua viabilidade e possíveis formas. Lutamos para que o conceito de «greve transnacional» se incorpore no direito europeu.»
    Portanto a CES está á espera de debater o conceito e de que o mesmo venha a ser reconhecido no direito europeu! Bem pode esperar sentada! Imaginem que no passado os sindicatos estavam á espera que  o direito a oitos horas de trabalho e outras conquistas fossem reconhecidas pelo direito de cada país!
    O problema é complexo e mostra que nesta ofensiva os sindicatos europeus estão em parte manietados! Uma parte dos dirigentes da CES desconfiam dela própria! Ainda há pouco li um artigo de um dirigente sindical da Função Pública portuguesa em que considerava a CES e a CSI uma criação do grande capital. 

Por outro lado vários sindicalistas da CES de países do Leste consideram que dentro da Confederação Europeia estão  comunistas, o seu anterior inimigo!Por outro lado há dirigentes da CES que estão instalados e fazem do sindicalismo uma carreira profissional. São profissionais de uma instituição europeia e como tal são burocratas e legalistas.... O castelo está sitiado e ainda debatem a legalidade de pegarem na espada!
    Uma grande parte das organizações sindicais continuam assim com dificuldade em dar passos significativos para um novo patamar a que nos obriga a realidade presente! São muitos os sindicalistas que têm essa consciência! Outros continuam a fazer congressos, seminários e viagens; a fazer congressos e disputas que são mais partidárias (poder) do que sindicais!
    Mas o que está verdadeiramente na mesa é o que já os primeiros animadores do movimento operário pediam, ou seja a unidade de todos os trabalhadores para além dos países tal como faz, aliás, o capital financeiro.



Publicado por Xa2 às 14:22 de 14.11.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

União e manifestação de cidadãos

FESAP apela à união dos trabalhadores para que adiram à manifestação este sábado12 Nov. concentração às 14:30 na Rot. Marquês de Pombal, Lisboa.

    A Frente Sindical da Administração Pública (FESAP) apelou hoje à união dos trabalhadores para que adiram à manifestação de 12 de novembro, destinada a contestar os “brutais” cortes salariais e a suspensão dos subsídios de férias e de Natal.

    Em declarações à Lusa esta manhã em Lisboa, o coordenador da FESAP, Nobre dos Santos, acusou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, de “aprendiz” e pediu ainda aos funcionários públicos que se juntem à greve geral de 24 de novembro.

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UGT e CGTP destacam "claríssimo descontentamento

    Os líderes das duas centrais sindicais portuguesas, CGTP e UGT, afirmaram hoje que a greve geral de 24 de novembro representa "um claríssimo descontentamento" perante a atual situação económica e social.



Publicado por Xa2 às 07:23 de 11.11.11 | link do post | comentar |

Melhorar o sindicalismo

E DEPOIS DA GREVE GERAL ?

     Vamos ter uma nova greve geral a 24 de Novembro, no mesmo dia, aliás da que foi realizada há um ano!

O que mudou entretanto?

Muito na situação social e política e pouco no campo sindicalNeste as coisas estão como estavam há um ano!

Depois da greve do ano passado cada Central Sindical foi à sua vida, os trabalhadores que aderiram tiveram a oportunidade de protestar contra as ameaças e medidas de Sócrates, em particular os funcionários públicos, claro! Sócrates, entretanto também foi estudar filosofia e ainda veio um outro primeiro ministro que faz tudo ao contrário do que tinha prometido!

A situação piorou para todos os trabalhadores: mais desemprego, mais cortes, mais impostos!

Vamos a outra greve geral igual à do ano passado, com os mesmos protagonistas e de 24 horas!  E depois?  Voltamos ao mesmo?

A próxima greve geral pode ser diferente e não ser um mero protesto repetido e ordeiro! Pode ser algo de novo que dê esperança a quem trabalha e tenha alguma eficácia. Mas teria que existir uma outra visão política e estratégica dos seus principais actores. Nesta linha seria importante:

1.  CGTP , UGT e sindicatos não filiados prepararem a greve geral em conjunto. Reuniões nos locais de trabalho conjuntas com distribuição de documentos preparados e cuidados no discurso, explicando o que está em curso e o que se vai fazer a seguir á greve geral.

2. Preparação conjunta de propostas a apresentar no CCS (Conselho de Concertação Social), nomeadamente sobre salário mínimo, reforma, despedimentos, participação nas empresas, formação profissional, recibos verdes/precariedade e horários, saúde e segurança no trabalho -tudo no quadro de revitalização da contratação colectiva.

3. Trabalhar para se constituir uma plataforma sindical e social, plural consistente em Portugal capaz de mobilizar cada vez mais camadas da sociedade e  tornar eficaz a luta contra a subversão neoliberal e conservadora em curso.

Sei que existem muitos sindicalistas que gostariam de alinhar num processo destes. Uns não o fazem por fidelidades partidárias, outros porque estão presos a pactos políticos do passado que dividiram as forças sindicais e ainda outros que perspectivam o sindicalismo na concorrência sindical como fosse uma empresa!
Idealista- dizem alguns! De facto, eu diria pragmático, para além de uma dose de esperança!

Mas, por acaso temos outro caminho em Portugal e na Europa? Temos, claro, é o que estamos a seguir e, se nada se fizer, vamos perder muito do que se ganhou no século XX!


MARCADORES: ,

Publicado por Xa2 às 07:20 de 27.10.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Manif. de trabalhadores - - O que está em causa ?

O QUE ESTÁ EM CAUSA ! 

 

    As próximas manifestações convocadas pela CGTP, nomeadamente a 1 de Outubro, estão a ter uma adesão assinalável de várias entidades associativas do mundo do trabalho! Todavia, é impressionante constatar a passividade e a indiferença que grassa em muitos locais de trabalho! São muitos os trabalhadores que olham para o evento como mais uma manif, «os de sempre», algo rotineiro que não tem nada a ver comigo!
É espantoso porque isto significa que uma grande parcela dos trabalhadores portugueses não se apercebe do que está a ser debatido neste momento na concertação social e quais as consequencias das decisões que vão ser tomadas com a nova revisão da legislação do trabalho!

    O que está em jogo é uma questão de fundo que diz respeito a toda a sociedade e em particular aos assalariados, quadros ou simples trabalhadores não qualificados! Quando acordarmos, daqui a um ou dois anos, o mundo do trabalho será ainda pior para todos, inclusive para os funcionários públicos!
    Alguns, os mais precários, dirão que para pior não poderão ir mais! Pura ilusão! A ladeira, mesmo para eles ainda não chegou ao fim! Os mais seguros e os que se acham muito competentes e que valem por si, não sabem bem o que os espera ao longo da sua carreira, em particular se não existir uma contratação colectiva dinamica!
    Claro que na base desta indiferença e passividade de muitos também estão as fragilidades e erros sindicais! Ainda ontem li um papel volante de uma estrutura sindical apelando á manifestão que, para além de uma linguagem estafada e gasta, batia sempre naquilo que é um erro enorme: meter sempre o PSD/CDS e PS no mesmo saco!

    Afinal querem alargar a base social para uma grande manif ou querem sectarizar com a desculpa de que uns são os pecadores e os outros são os santos? É um erro táctico de carácter político com origem partidária e que neste momento cria de imediato urticária a muitos trabalhadores!
    Quem elabora documentos destes deveria ser demitido do movimento sindical! É um sectário e não vê mais nada para além da sua seita!
O momento actual exige um outro discurso e dinâmica sindical! A maior fragilidade do movimento sindical está nos locais de trabalho! os trabalhadores vão mudando e os sindicatos devem perceber isso!

    No dia 1 de Outubro (sábado às 15:00) lá estarei !  (e no dia 15 também) !

 



Publicado por Xa2 às 07:08 de 30.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Novo sindicalismo

 

Contra a escalada neoliberal, por uma nova agenda sindical

MANIFESTO

   Na última década, no quadro das novas condições da globalização, o capital multinacional e os governos neoliberais desencadearam uma nova fase de liberalização, de privatizações, de ataques sistemáticos ao Estado Social e aos direitos dos cidadãos e dos trabalhadores. Na Europa, boa parte das medidas anti-sociais e anti-laborais foi justificada em nome dos critérios de convergência para a moeda única e em nome da defesa da estabilidade financeira da zona euro.

   A crise financeira global que emergiu em 2007-2008, em vez de constituir uma oportunidade para os governos e instâncias supranacionais repensarem os tremendos riscos sociais e políticos do liberalismo de mercado, introduzindo mecanismos de regulação e reorientação das políticas económicas, teve um resultado bem diferente. Com efeito, os Estados acorreram a salvar os sistemas financeiros, injectando somas colossais, sem lhes fazer exigências ou introduzir penalizações. Não impondo a regulação que se impunha, colocaram-se à mercê dos mercados financeiros, da sua voracidade e das suas condições de financiamento, que penalizam dramaticamente os países em situação mais frágil.

   As instâncias da União Europeia tremeram pelo Euro e sucumbiram à chantagem fazendo suas as condições das instituições financeiras. As regras da zona Euro quanto ao controlo do défice e da divida têm vindo a constituir o pretexto para propostas de políticas que visam cumprir integralmente a agenda neoliberal, salvaguardando os interesses dos ricos e poderosos e penalizando brutalmente os trabalhadores e demais cidadãos. No quadro da escalada da crise, em 2010, a UE reforçou os constrangimentos e pressões sobre os estados membros, processo que se acentuou recentemente com a cimeira do Conselho Europeu de 24 e 25 Março.

   Os países do sul da Europa (Espanha, Grécia e Portugal) e a Irlanda, incluídos na zona Euro, têm sofrido as consequências da tripla pressão FMI/ Agências privadas de rating/ União Económica Monetária, levando ao corte dos salários dos trabalhadores do sector público, ao corte do investimento público no sector produtivo, a novas privatizações, à redução da protecção social, incluindo o congelamento ou diminuição das pensões e benefícios sociais e a multiplicação das restrições ao seu acesso, bem como a limitação dos subsídios de desemprego e a facilitação dos despedimentos.

   As consequências desta tripla pressão são dramáticas, visto que põem em causa o Estado Social e os direitos laborais duramente alcançados, promovendo a desigualdade e a exclusão social e, em vez de promoverem o crescimento e o desenvolvimento económico, aprofundam a crise económica através de uma política fortemente recessiva. No plano político, fragilizam-se as bases da democracia e do exercício da cidadania, enfraquecendo também o poder de decisão dos parlamentos nacionais.

   Na Europa, em muitos países, os trabalhadores e demais cidadãos, os sindicatos e variadas organizações da sociedade civil, têm vindo a reagir fortemente contra as políticas de austeridade, com greves gerais, manifestações e outras formas de contestação, incluindo a adesão às iniciativas de protesto da Confederação Europeia dos Sindicatos. Em Portugal, os trabalhadores do sector público e do sector privado, os precários e não precários, têm vindo a exigir uma viragem nas políticas nacionais e europeias. Em Portugal, a greve geral do sector público e privado de 24 de Novembro de 2010, juntando a CGTP e a UGT, constituiu uma resposta unitária massiva aos planos de austeridade dos vários PEC e do Orçamento para 2011. A manifestação de 19 Março de 2011 promovida pela CGTP contra o mais recente PEC 4 insere-se também neste movimento. A extraordinária mobilização do 12 de Março, ao apelo dos jovens, mostrou a quem tinha dúvidas a profunda vontade de mudança no sentido da justiça social.

 

   Os sindicatos estão numa situação crítica sem precedentes, em Portugal e na Europa, confrontados com sucessivos planos de austeridade que representam um verdadeiro retrocesso social. Simultaneamente são atacados como estruturas corporativas que defenderiam interesses instalados ou como obstáculos ao livre funcionamento do mercado de trabalho. São acusados de pactuar com o desemprego quando defendem a estabilidade do vínculo laboral. São acusados de aprofundar a crise quando defendem salários decentes e o Estado Social. São pressionados a aceitar mais e mais flexibilidade e insegurança.

 

    Em suma, são pressionados a deixar de desempenhar o seu papel como sindicatos. Nas últimas duas décadas os sindicatos definiram em grande medida as suas estratégias e práticas numa lógica defensiva face à agenda liberal. A crise actual e o que se anuncia exige uma profunda reflexão, ancorada é certo nas aquisições da experiência sindical passada, mas capaz de promover novas agendas, estratégias e práticas que reforcem a capacidade dos sindicatos de influenciar realmente os acontecimentos. A ancoragem nas aquisições da experiência sindical passada é fundamental, sobretudo tendo em atenção uma lição fundamental: a construção da capacidade de mobilização dos trabalhadores e de inscrição na sua vida colectiva é uma fonte essencial do seu poder de negociação e do seu poder de alcançar resultados.

 

    À deriva burocrática e rotineira, é preciso responder com o reforço da democracia interna e com a ampla discussão envolvendo a base. Ao fechamento dos sindicatos é preciso responder com a abertura e diálogo com outras organizações e associações da sociedade civil, criando sinergias e potenciando a acção comum efectiva. A relação dos sindicatos com os partidos políticos, que foi sendo historicamente uma constante do movimento dos trabalhadores, tem de ser repensada, reforçando a autonomia e independência dos sindicatos, mas permitindo a acção conjunta quando a natureza transversal do combate político e social o exigir.

 

    A reflexão impõe-se para uma acção esclarecida e coordenada a nível nacional e europeu. E certamente também no plano internacional. Com o desmantelamento dos direitos sociais e laborais na Europa não é só a Europa e os países que dela fazem parte que têm a perder. A sua defesa na Europa é um capital de esperança para os trabalhadores e cidadãos de todo o mundo, incluindo nos países onde milhares e milhares de trabalhadores ingressando agora nas empresas industriais subcontratadas ou deslocalizadas da Ásia começam a fazer as primeiras experiências de acção colectiva, ainda sem sindicatos livres e independentes.

 

    Nós, sindicalistas, cidadãos envolvidos em diferentes organizações e movimentos sociais, e cientistas sociais, decidimos tomar em mãos algumas iniciativas para contribuir para esta reflexão urgente, porque sentimos que é exigido o concurso de todos e a partilha de experiências e pontos de vista para aprofundar o diagnóstico, encontrar respostas e formular acções, no quadro da liberdade de expressão e discussão. Este manifesto é o nosso ponto de partida.



Publicado por Xa2 às 07:07 de 25.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Desvalorização do Trabalho + Precários, Abusos e Desemprego

FUNDO DE (DES)COMPENSAÇÃO DO TRABALHO !

    O Governo procura a todo o custo fazer aprovar um diploma sobre o Fundo de Compensação do Trabalho (FCT). Na sua sanha (neo/ultra) liberal este Governo procura mil maneiras de tornar o trabalho mais barato para assim proporcionar mais ganhos ás empresas e atrair o capital estrangeiro!
Neste sentido aproveitou a estrada aberta pelo anterior Governo que tinha feito aprovar o Acordo Tripartido para a Competitividade e Emprego, um arranjinho entre o patronato (/empregadores) e a UGT (união de sindicatos dominada/ligada aos partidos do centrão de interesses) realizado em Março passado, que já previa a diminuição drástica das indemnizações por despedimento dos trabalhadores.
    Num novo impulso o actual Governo quer que este Fundo seja privado e e as empresas façam um desconto mensal para o mesmo. O trabalhador apenas vai receber as indemnizações por despedimento na base de 20 dias e não de 30 como estipula a actual lei, para além de fazer obrigatriamente uma poupança para o seu futuro despedimento!
Para além da gravidade de diminuir bastante as indemnizações por despedimento o Governo quer criar um Fundo que nem patronato nem sindicatos querem porque acarreta mais encargos. Por outro lado, um organismo destes deveria ser tripartido e nunca privado.
    Na base de todo este recambolesco processo está a filosofia ultra liberal de desvalorização do trabalho. Este é apenas visto como um custo, um factor de produção, um encargo para as empresas. Ora o trabalho, a valorização do trabalhador e a sua motivação é um elemento fundamental para a recuperação económica!

    O escandalo é mais visível na Administração pública onde o Governo não sabe o que fazer aos funcionários (colocados na mobilidade, a BEP-bolsa de emprego pública 'funciona' mal e pouco; os centros de emprego do IEFP nas grandes áreas urbanas estão muito longe de dar resposta cabal, as empresas de trabalho temporário são uma praga, etc)... triste destino o nosso com esta gente que nos governa!

    (-por A.Brandão Guedes, Bestrabalho)

                                                           Finalmente seremos todos precários
    Durante a campanha, chocado, Passos Coelho disse que era falso que pretendesse liberalizar os despedimentos e acabar com o conceito de justa causa. Isto apesar disso resultar como evidente da revisão constitucional que apresentou ao País. Essa revisão dificilmente se fará - até porque, sem muito para dizer, o PS fez do combate a estas propostas o seu cavalo de batalha. Mas não é necessário. As novas propostas do governo para alterar o código de trabalho resultam na mesmíssima coisa.
    Quando se diz que é razão para despedimento por justa causa a redução de quantidade e qualidade da produção de um determinado trabalhador está a dizer-se o quê? Querem conceito mais genérico e arbitrário do que a redução da qualidade do que se produz? Se um patrão quiser mesmo despedir alguém, precisa de alguma coisa que não seja a sua opinião?
    Muitos jovens e menos jovens sem qualquer vínculo contratual - já são uma parte muito razoável do mercado de trabalho -, para quem não há lei, acreditam que os direitos de quem tem contrato são seu inimigo. Tendo a legitimidade de fazer parte dessa geração - quase toda a minha vida profissional foi feita em precariedade absoluta -, não podia discordar mais.
    Os direitos não serão distribuídos com maior equidade. O que acontecerá é exactamente o oposto: a perda de direitos de quem os tem apenas fragiliza ainda mais quem nunca os teve. Porque se todos os trabalhadores estiverem dependentes dos caprichos e humores do empregador ninguém poderá resistir aos abusos. E o primeiro efeito será a perda de poder negocial de quem vive do seu trabalho. O que resultará dessa fraqueza generalizada: uma distribuição ainda mais desigual dos rendimentos entre trabalho e capital.
    A segurança no emprego não é um privilégio. É a condição para o mínimo de justiça social. Se o exército de precários aumenta os principais prejudicados serão os precários de sempre. Saberão finalmente que melhor do que têm nunca conseguirão.    (por Daniel Oliveira, Expresso online)


Publicado por Xa2 às 07:07 de 22.09.11 | link do post | comentar | ver comentários (13) |

Sindicatos fazem falta

SINDICATOS FAZEM FALTA !

 

    Os sindicatos, em particular na contratação colectiva, são actores e instrumento essenciais para combater as desigualdades e a pobreza!

   Daí que as revisões da legislação laboral e as políticas da flexibilidade laboral procuram retirar força aos sindicatos e desvalorizar a contratação colectiva, promovendo o contrato individual de trabalho e o contrato precário!

   «Há, em Portugal, um milhão de trabalhadores independentes. Como fazer a sua representação? Como representar trabalhadores que formalmente surgem como empresários por conta própria?»-Tiago Gillot.

   «Os sindicatos têm de se reestruturar.  Se o sindicalismo acabasse a curto prazo, a barbárie no campo laboral ainda seria pior.»-Elísio Estanque.
   Os sindicatos (e as centrais sindicais) precisam de se reinventar e unir e os trabalhadores precisam de se sindicalizar e exigir melhor representação.
                  «Quero trabalho com salário e direitos» - então: Sindicaliza-te !
   Ver artigo de Sâo José Almeida, no «Público».


Publicado por Xa2 às 13:15 de 01.09.11 | link do post | comentar |

Novo sindicalismo contra ultra-neoliberais

Em defesa do sindicalismo

Contra a corrente: em defesa do sindicalismo, por uma nova agenda sindical (-por Henrique Sousa )



Publicado por Xa2 às 18:08 de 02.06.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Impasse europeu/ U.E. e sindical/ C.E.S., enterra trabalhadores e cidadãos.

IMPASSE EUROPEU VERSUS IMPASSE SINDICAL !
      Na passada semana teve lugar em Atenas o Congresso da Confederação Europeia de Sindicatos (CES). Dos documentos emergentes do Congresso não existe novidade de maior!

    As mesmas críticas moles á governação europeia e aos planos de austeridade, a mesma retórica impotente, a mesma incapacidade estratégica de definir em conjunto uma proposta de luta para além dos nacionalismos! A única novidade foi a eleição de uma mulher para secretária geral!
    Não querem ver ou acreditam mesmo que esta União Europeia vai a algum lado da maneira como está a gerir o problema grego? Está à vista o que pode dar a situação na Grécia e talvez depois em Portugal e por aí fora!
    Os sindicatos europeus deveriam ser os primeiros a definirem claramente uma estratégia de solidariedade efectiva com os países alvos da jogadas dos mercados financeiros. Romperem, se necessário com o diálogo social até que seja delineado um plano de grande envergadura para salvar os países (e a U.E.) em dificuldades!
    Não com medidas de austeridade acumuladas que levam ao desastre, mas com medidas de investimento na economia, no emprego produtivo, no saneamento das dívidas a taxas de juro que são agiotagem do capital!
    Para que serve este diálogo social em que se deixam definhar as economias dos países da moeda única, aumentar o desemprego de forma fria e hipócrita, dar uma imagem da Europa de nau sem piloto?
    É sabido que a maioria dos sindicatos europeus habituaram-se a viver acima das suas possibilidades! Os cofres da UE foram em tempos generosos!Cresceram os funcionários sindicais, assinaram-se pactos indevidos! Houve demasiados compromissos!

    E agora? Há que reestruturar! Há que renovar! Há que defender os interesses dos trabalhadores doa a quem doer!
    Caso contrário cava-se a própria sepultura após a crise.... em alguns casos a cova já está a ser aberta há algum tempo!


Publicado por Xa2 às 08:07 de 26.05.11 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

SINDICALISMO

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) realiza nos dias 16 a 19 de Maio na cidade de Atenas, Grécia, o seu 12º Congresso.

Neste evento a confederação espera reunir mais de 1000 delegados oriundos de 36 países e representando 83 organizações sindicais europeias!

Aqui irão ser debatidos vários documentos com destaque para o Relatório e Programa a realizar até 2015.

Neste Congresso vão ser realizadas eleições do novo secretariado, do Presidente, Ignacio Fernadez Toxo e da nova Secretária Geral, Bernardette Ségol. Relembrar que a, ainda, ministra do trabalho Helena André, interrompeu o seu mandato de Vice-presidente desta organização sindical.

A CGTP e a UGT portuguesas enviaram uma delegação ao Congresso dado que são organizações filiadas na CES.

Este Congresso é realizado num dos piores momentos da curta história da União Europeia e da CES. Apesar disso não se vislumbram mudanças substanciais na estratégia sindical da CES!

É pena, as actuais circunstâncias exigiam medidas de fundo e propostas arrojadas para serem iniciadas mudanças substanciais nesta Europa em, decadência, a vários níveis.


MARCADORES: ,

Publicado por Zurc às 12:51 de 18.05.11 | link do post | comentar |

Troika: desafio ao sindicalismo

TRABALHO DIGNO E REFORMA DIGNA!(I)


     O memorando assinado com a chamada TROICA (FMI, BCE e CE) é, no campo laboral, um desafio tremendo para as organizações de trabalhadores, em especial para o Movimento Sindical Português e de igual modo para a Confederação Europeia de Sindicatos (CES) que vai agora no dia 16 realizar o seu Congresso em Atenas. Atenas capital da Grécia, outro país que está com as calças na mão tal como a Irlanda e, em breve, outros países da zona euro!
     Fez muito bem a CGTP apresentar-se para ser ouvida pelos representantes das instituições financeiras e apresentar aos mesmos os seus pontos de vista ! Sem qualquer ilusão, pois são os mentores da cartilha ultraliberal já conhecida em todo o mundo e que pelos seus ''programas de ajustamento'' garantem que os investidores e o FMI ganhem com as suas operações!
     A CES continua a balbucear em Bruxelas desejos de uma governação económica da UE que cuide do emprego e não aplique políticas económicas de austeridade !  Vê o que acontece na Grécia e na Irlanda, agora em Portugal e está sem caminhos !  Parte das organizações da CES comunga do pensamento conservador e liberalizante !
    O que se perspectiva no campo das relações laborais é um golpe contra a constituição.O despedimento é clara e obscenamente liberalizado. Diz textualmente:«despedimentos individuais ligados á inadaptação do trabalhador deve ser possível mesmo sem a introdução de novas tecnologias ou outras alterações ao local de trabalho(CT). Entre outras coisas, um novo objectivo pode ser adicionado em relação a situações em que o trabalhador tenha acordado com o empregador objectivos específicos de entrega e não os cumprir, por razões decorrentes exclusivamente da responsabilidade do trabalhador».   Objectivos ?!  Então não sabemos como podem ser definidos os objectivos ?!  Algumas empresas definem os objectivos por e-mail !
    Já viram algo mais cínico ?  É do tipo «Eh pá arranjem aí algo para se despedir, qualquer coisa serve..» E acrescentam:«Despedimentos individuais, pelas razões acima referidas, não devem ser sujeitos a obrigação de tentar uma transferência para uma eventual posição adequada(CT). Como regra sempre que houver postos de trabalho disponíveis que correspondem às qualificações do trabalhador, as demissões devem ser evitadas.» Enfim, um rebate final de consciência que não servirá na prática para nada!
    Vamos ver como vai ser elaborada a legislação nacional que deverá incorporar esta directiva da troica. Mas isto é a abertura para o despedimento individual liberalizado, à vontade do patrão !
    Mas o que está previsto no memorando é brutal para os trabalhadores e para os reformados. A luta pelo trabalho digno e uma reforma digna deve mobilizar todos os democratas e todos os trabalhadores e suas organizações ! Voltaremos a esta questão!


Publicado por Xa2 às 08:07 de 17.05.11 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

1º Maio: unir e lutar

Primeiro de Maio, abnegação e luta

[  O próximo futuro não augura nada de bom para os trabalhadores, pensionistas, reformados e para o povo em geral. Maio e luta são duas palavras indissociáveis, há mais de cem anos. Carregam sofrimento, coragem, honra, dignidade, emancipação e justiça.

   Numa sociedade dual, nunca nada foi dado aos mais fracos. Tudo teve que ser arrancado aos mais fortes. Trabalho digno, direitos económicos e sociais foram emergindo do sangue, suor e lágrimas dos que celebramos no dia 1.º de Maio, e do exemplo que nos legaram.
   Depois, revivescendo, e exercitando, quotidianamente, esse legado, e passando esse testemunho de mão em mão, foi possível à classe trabalhadora lavrar um terreno de maior respeito por quem trabalha, mais humano, menos injusto.
   Dia após dia, ano após ano, com luta e abnegação, os trabalhadores têm vindo a forçar a sucessiva correcção das injustiças existentes. Com avanços e recuos, porque a cada avanço respondem as forças ultraliberais com uma panóplia de "munições", visando a perda dessas conquistas sociais. Muitas vezes parece um combate desigual, com sucessivos benefícios do infractor.
  

   Não há direitos sem deveres, nem deveres sem direitos. Mas há quem, erradamente, queira impor mais deveres à revelia dos legítimos direitos de quem trabalha e produz riqueza.
   A única resposta reside na luta constante, ordeira e organizada, dos trabalhadores e dos seus sindicatos.
   Luta é a palavra que nunca poderá sair do léxico dos trabalhadores. Luta é o comportamento permanente dos que não aceitam que se confunda empresas com "sanzalas" nem trabalho com escravatura.
   Este 1.º de Maio decorre num dos momentos mais graves da nossa vida colectiva.
   A vida nunca foi fácil para os portugueses. A bancarrota, no final do século XIX, os desvarios da I República, a ditadura, a guerra colonial, a descolonização, e os choques petrolíferos obrigaram-nos a enormes sacrifícios colectivos, ao longo dos últimos 115 anos. Mas esta crise, com a sua dimensão exógena, de responsabilidade exclusiva de um modelo criminoso e egoísta de capitalismo selvagem, especulativo, de "casino", apanha-nos, a nós portugueses, de uma forma brutal, e quase indefesos.

   A inépcia dos nossos governantes, o silêncio dos nossos intelectuais, a cumplicidade de muitos dos que nunca desistiram de vingar as nossas conquistas sociais e a perda concomitante de alguns dos seus privilégios foram o caldo de cultura da crise portuguesa. A somar à paralisia do processo de integração europeia, onde os egoísmos nacionais se sobrepõem, adiam e postergam a solidariedade, a coesão, a convergência e a competitividade da zona euro, condição sine qua non à sobrevivência do projecto europeu.
   É crise a somar à crise. Nacional, internacional, europeia e, desgraçadamente, política, com eleições, campanhas, disputas, insultos e desresponsabilizações, quando os "homens do fraque" já cá estão, para nos impor as condições que lhes garantam receber o dinheiro que nos vão emprestar, no mais curto espaço de tempo. Sem que tivéssemos feito, responsavelmente, o trabalho de casa que nos competia: a negociação de um Pacto de Salvação Nacional, que envolvesse e responsabilizasse todos (cf. por mim proposto num artigo de opinião publicado na edição deste jornal de 11 de Março de 2011), constituindo uma garantia de co-responsabilização colectiva - como aconteceu em 1983 - e, assim, travar e conter muitas das receitas que nos irão ser impostas pela troika de credores, sem racionalização, humanidade e justiça, enfraquecidos e desnorteados que estamos, perante esta "loucura" política a que nos conduziram os nossos governantes e "responsáveis"políticos, só comparáveis ao anti-herói literário Macunaíma, do escritor Mário de Andrade. "(Trata-se de) alguém que apenas transita pelo mundo ao sabor do acaso, sem outro fim ou projecto que não seja o da própria sobrevivência, capaz de tudo para consegui-la".

   O presente e o futuro apresentam-se assustadores para quem trabalha.
   Desde as medidas que o FMI nos vai impor como garantia do empréstimo que evite a bancarrota (um PEC IV muito mais gravoso), até às propostas do Mais (Alta) Sociedade dos amigos de Passos Coelho - com toda a tralha de políticas e soluções de pendor "reaccionário", contra quem trabalha e, preservando os interesses dos banqueiros e dos grandes grupos económicos - o próximo futuro não augura nada de bom para os trabalhadores, pensionistas, reformados e para o povo em geral. 
   Avizinha-se a vitória do capitalismo selvagem. Será efémera, se os trabalhadores e o seu movimento sindical assumirem sem tibiezas o seu papel prioritário - a Luta. Que este 1.º de Maio seja o ponto de partida de uma enorme mobilização dos trabalhadores, para a "guerra social" que, inevitavelmente, terá uma vez mais que ser travada, igual a todas as que desde os mártires de Chicago foram desencadeadas pela emancipação da classe trabalhadora.

[José Manuel Torres Couto * , Público.pt, 29-04-2011,(via MIC )

* Secretário-geral da UGT de 1978 a 1995, dirigente nacional do PS de 1978 a 2002


Publicado por Xa2 às 00:07 de 30.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

A SEM VERGONHICE DE CERTO SINDICALISMO PORTUGUÊS

Como é possível que um sindicato venha a publico tentar esclarecer mas não contrariar que a remuneração salarial de uma categoria profissional tenha a variação entre os 934 euros e os 3.600 euros (ainda que brutos).

Depois de divulgado, por uma fonte da empresa, que o salário médio de um maquinista da CP em Janeiro, foi de 2.230 euros, variando entre os 934 euros e os 3.600 euros o Sindicato dos Maquinistas afirmou, num esclarecimento ao CM, que estes valores são "a contrapartida salarial, em trabalho normal, horário entre 06H00 e 09H00/10H00, em regime de laboração contínuo, no topo da tabela indiciária, corresponde a 1.020,76 euros".

As restantes rubricas são comuns aos outros trabalhadores com excepção do prémio de condução. Por outro lado, "aumento daquelas remunerações é, exclusivamente, resultante do volume acrescido de trabalho extraordinário".

Quer dizer que o sindicato não contesta que numa categoria profissional haja trabalhadores a receber, ordenado bruto, de 934 euros ao lado de outros que recebem 3.600.

Passou-se do oito para oitenta, isto é do exagero demagógico de “a trabalho igual salário igual” para o salve-se quem poder e tenha peso reivindicativo.

Pelos vistos é este sindicalismo que se mistura com a geração à rasca, que marca manifs e que diz defender os trabalhadores portugueses. Já não há ética nem moral, é o que é.

Não consubstanciarão, estas atitudes, também práticas de corrupção do sistema económico, social e democrático?



Publicado por Otsirave às 09:28 de 14.04.11 | link do post | comentar |

TRANSPORTES, COMO O PAÍS, EM RUPTURA FINANCEIRA

A hipócrita demagogia com que nos querem ludibriar, como quem nos atira poeira para os olhos ou pretendam tapar o sol com uma peneira esburacada.

Estas empresas vêm, há longos e penosos anos, a ser utilizadas para enganar o Orçamento de Estado com a conivência de toda a gente, sem excepção. Os mais responsáveis são os políticos que nunca assumiram, enquanto governantes, a clarificação das responsabilidades por parte do Estado na componente de serviço público e social, inerente a este tipo de actividades.

No caso dos transportes em ferrovia (CP, estranhamente dividida em três, o que agravou, ainda mais, a situação e metropolitanos) cujos custos de infraestruturas foram, sempre, assacados às respectivas empresas, obras, legal e supostamente por conta e risco do Estado, que nunca as assumiu, para já se não falar de inúmeras das que são forçadas executar a pedido de autarquias e de outras empresas do ramo de actividade mais debilitadas, sem que os respectivos encargos sejam, por estas, assumidos. Tais factos têm obrigado a elevados encargos financeiros que fizeram já desaparecer os seus respectivos capitais próprios.

É facto que, no plano interno, muitas culpas há no cardápio das incongruências e das (i)responsabilidades. Passaram-se muitos anos argumentado, falaciosamente, que não havia problemas de gestão “à tripa forra” visto que o Estado é algo de horizontes lagos e tudo é capaz de suportar.

Todos os governos, sem excepção, como também a própria assembleia da republica e incluindo o actual Presidente da Republica que foi 1º Ministro durante lagos anos andaram a brincar ao gato e ao rato, para não dizer, a brincar com o fogo. Espalharam a ideia da “desmedida ilusão de acesso a dinheiro facil e sempre disponível, fazendo acreditar que o Estado nunca poderá falir”. Agora é o que se vê andamos, quase todos, de “Calças na mão e chapéu de baixo do braço” mendigando empréstimos alheios pagos com língua de palmo e meio.

No plano legal tem sido, também, por parte de todos os governos, do PSD e do PS (com ou sem coligações), que, por convicção e omissão, sempre foram varrendo para debaixo do tapete a tomada de decisões incómodas. O sacudir tais decisões sempre carrearam vantagens e eram mais uns lugarezitos para seus boys ocuparem, por isso a estratégia nunca foi a de fundir mas sim a de dividir para partilhar, irremediavelmente com os resultados agora visíveis e incontestados.

Veja-se, em termos legislativos, o que sempre tem sido o sacudir de responsabilidades, num regime democratico.

O Decreto-lei 294/84 de 5 de Setembro transferiu a responsabilidade, tanto da organização como do controlo de funcionamento e financeiro, para a esfera municipal dos transportes escolares.

A Lei 10/90 de 17 de Março, veio aprovar as “Bases do sistema de Transportes Terrestres”, numa perspectiva da apregoada “concorrência saudável entre empresas públicas e privadas reconhecendo-se a chamada liberdade de concorrência e de livre mercado determinando-se regras mínimas e obrigações específicas de qualidade de preços e de quantidade de carreiras”.

Esta lei, só e apenas, refere no seu Artigo 6.º com epigrafeFinanciamento dos transportes em meio urbano” o seguinte: “Nos termos a definir por lei podem ser lançados impostos e taxas visando garantir a manutenção e o desenvolvimento dos sistemas de transportes públicos de passageiros, em áreas urbanas, revertendo as respectivas verbas para as entidades responsáveis pelo seu funcionamento.” Alguém conhece o que tenha sido legislado sobre tal matéria? Claro que ninguém!

Pelo decreto-lei 8/93 de 11 de Janeiro é alterado o regime tarifário incentivando à criação de títulos de transportes combinados entre empresas, mas não são definidas quais as percentagens atribuídas aos custos sociais ou seja a diferença entre o valor cobrado e o considerado custo/km real do transporte, em cada modalidade (rodoviário, ferroviário e metro).

Através do Decreto-lei 3/2001 de 10 de Janeiro, o legislador isentou os municípios da sujeição de regras de acesso à actividade de transportes quando tal actividade seja desenvolvida exclusivamente pelos próprios serviços municipais.

Mais recentemente, através da Lei nº 1/2009 de 5 de Janeiro, o governo e Assembleia da República sacudiram a água do capote atirando as responsabilidades para “autoridades” de quem, até à presente data, se não vislumbrou existência, “Autoridades Metropolitanas de Transportes de Lisboa e Porto”, a quem foram incumbidas tarefas, nomeadamente de “definir princípios de ordenamento das interfaces de interesse metriopolitano e modos da sua exploração, incluindo exploração mediante delegação nos municípios associados ou concessão a terceiros;”

Ou ainda o “Assegurar, gradual e progressivamente, a contratualização do serviço público de transporte, nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, sem prejuízo das atribuições do Instituto da Mobilidade e dos transportes Terrestres, abreviadamente designado por IMTT, I.P.;”

O que verificamos, na realidade, é um constante diluir e alijar de responsabilidades que em vez de dar resposta aos problemas os tem agravado ninguém podendo, por isso, afirmar estar isento de culpas. Tudo o que de diferente possam apregoar, quaisquer que sejam os políticos, é pura hipócrita demagogia.

Também os trabalhadores, que muitas vezes são levados ao engano e acham que são eles a decidir, aprovaram há menos de oito dias a continuação de greves, agora alguém decidiu por eles.

Finalmente, tanto o PCP como o BE parece terem compreendido que a situação não está para brincadeiras e como se entrou no período eleitoral terão percebido que lhes não convinha continuar a dar animo às lutas dos trabalhadores dos transportes, dos professores, funcionários publicos e da administração autárquica. As greves, por agora, têm o seu período de tréguas eleitorais.



Publicado por Zé Pessoa às 00:07 de 11.04.11 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

PCP prometeu, CGTP cumpre, com moção de censura na rua

Com os mesmos slogans de sempre, o Conselho Nacional da CGTP-IN decidiu, em Resolução do dia 16 de Fevereiro de 2011, vir para a rua com a seguinte moção de censura ao governo “contra o desemprego, as injustiças e as desigualdades, mudança de políticas!”, comprometendo-se tão-somente com:

Os argumentos até são validos, infelizmente a inovação de propostas e compromissos é que são nenhumas, como sempre, e aí é que reside o busílis da questão.

A mesma cacete de sempre. O poder do PCP é tão só e apenas o poder da rua e enquanto a CGTP mantiver alguma credibilidade junto da opinião pública porque em boa verdade já só mobiliza os funcionários publicos, autárquicos, transportes (não todo o sector) e pouco mais. De vitória em vitória até à derrota final, para mal de todos nós.



Publicado por Zurc às 09:12 de 17.02.11 | link do post | comentar | ver comentários (8) |

MOÇÕES CENSURA AO GOVERNO, A RUA E O PARLAMENTO

A luta pela reposição dos salários entalada entre a rua e os tribunais

Trabalhadores da função pública e das empresas do sector empresarial do estado “entalados” entre a barra dos tribunais e as agitações de rua para onde um governo, dito socialista, os empurrou por não ter tido a coragem de legislar (segundo o principio da igualdade legislativa e constitucional) para todos só cidadãos nacionais (trabalhando dentro ou fora do pais e estrangeiros que colaboram, entre nós, para a produção da riqueza nacional.

O Governo de Sócrates empurra-nos e o PCP usa-nos, visto que a pertença moção, que o Comité Central se preparava elaborar para que os seus camaradas com assento na Assembleia foi “extorquida” pela antecipação do BE que assim se descola da imagem, errónea, de colagem ao PS a propósito das recentes eleições presidenciais, fazendo, simultaneamente, (com acordo um sem ele) um grande favor político a uns e a outros. Agora o PCP já diz que a verdadeira censura ao governo Sócrates é feita na rua, afinal o único sito onde, ainda, têm alguma expressão de poder, controlam a CGTP, é o que lhes basta.

A redução de salários nas empresas públicas, imposta pelo Governo na Lei nº. 55-A/2010 que aprovou o Orçamento do Estado (OE) para 2011, gerou uma vaga de contestação junto dos seus trabalhadores que vai arrastar-se até aos tribunais. Muitos sindicatos preparam-se para interpor acções judiciais contra as empresas e o Estado já este mês. O objectivo é travar a aplicação dos cortes e reembolsar os funcionários.

São diversos e variados os sindicatos que afirma estar a preparar-se, através dos seus departamentos jurídicos e/ou com apoio de assessores especializados, para a litigância jurídica nos tribunais, onde vão pedir a anulação das reduções nos vencimentos. Entre eles os que parecem mais avançados são a CGD, a RTP, os CTT e a TAP.

Convenhamos que as agitações, da semana passada, provocadas pelos surtos grevistas, que de não corresponderem, realmente, aos números divulgados por alguns dos sindicatos e prejudicaram grandemente quem a elas tenha aderido como igualmente a quem necessitou de transporte, não vão alem, conforme um amigo meu costuma dizer, de “um espirro no meio de uma gripe”.

 Não seja a, eventual, declaração de inconstitucionalidade por parte do tribunal respectivo e, simultaneamente com concordância ou não, os ganhos de causa nas respectivas barras do tribunal, é caso para se afirmar como é costume dizer-se “perdoa-lhe metade que eu não tenho outro remédio que perdoar-lhe a outra.

Naturalmente que tais lutas tambem servem outros fins e para atender a outros interesses que não os dos trabalhadores, mas isso são outras historias passadas, presentes e certamente que futuras. A ver vamos visto que bem ou mal com justeza ou sem ela “a luta continua”.



Publicado por Zé Pessoa às 00:04 de 15.02.11 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

Contributos

Para a história do movimento operário!

A CGTP lançou em Lisboa o Livro intitulado «Contributos para a História do Movimento Operário e Sindical-das raízes até 1977» da autoria de vários sindicalistas fundadores da Intersindical, ainda no tempo da ditadura, e da CGTP que lhe sucedeu a seguir à Revolução de 1974/75.

O livro é um precioso contributo para nos mostrar quanto foi importante o Movimento Operário e Sindical no processo revolucionário português e na formatura da democracia económica e social plasmada na actual Constituição da República!

Um dos aspectos mais interessantes, para além da preciosa informação contida, é, sem dúvida, a forma como os autores abordam os acontecimentos dos quais eles mesmos foram actores.

A forma respeitosa e fraternal como fazem hoje a leitura dos acontecimentos, pese as divergências políticas e sindicais, buscando sempre a unidade dos trabalhadores portugueses! Ranita, Cartaxo, Canais Rocha, Kalidás, Emídio, Cabrita (autores) e tantos outros que se seguiram e trabalharam para defenderem os interesses dos trabalhadores portugueses.

O livro vai estar na próxima semana nas livrarias.

A. Brandão Guedes [Bem Estar no Trabalho]


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Publicado por Otsirave às 14:54 de 28.01.11 | link do post | comentar |

Não contratação colectiva, precariedade e flexiexploração

Flexinsegurança

     Como ilustra este gráfico, quanto maior é a centralização da negociação salarial entre patrões e sindicatos menores tendem a ser as desigualdades salariais. O “fórum”, que substitui o “mercado”, ou seja, a correlação de forças dentro de cada empresa, é sempre mais igualitário.
     A ideia liberal do governo – “pretende-se aumentar a competitividade do mercado de trabalho, através da adopção de mecanismos de descentralização da contratação colectiva, privilegiando a negociação de base empresarial” – é parte da política de fragilização dos sindicatos, de aumento da discricionariedade patronal, empresa a empresa, e de aumento das desigualdades salariais.
     O sucesso laboral do “modelo nórdico” assentou em instituições de negociação colectiva facilitadas por elevadas taxas de sindicalização. Isto também favoreceu coligações em defesa do Estado social universal. Este é o segredo do seu relativo igualitarismo.
     A Dinamarca, por exemplo, com metade das desigualdades salariais de Portugal, gastava, em 2007, 45 000 euros por desempregado; Portugal gastava 8 000 (valores ajustados ao poder de compra).
    Por isso é que o ex-primeiro ministro dinamarquês Poul Rasmussen, o da flexisegurança, deixou um aviso sensato quando esteve em Portugal:
“Se em Portugal decidem de um dia para o outro cortar a protecção laboral, arriscam-se a que tudo o resto não se chegue a realizar. E os empregos precários tornam-se na regra da economia”.
    Reduzir direitos laborais e cortar nas prestações sociais é a receita para o desastre laboral, gerando os incentivos para uma variedade de capitalismo cada vez mais medíocre. A constelação de instituições e de políticas que geram empregos decentes, apontada pelo economista do trabalho David Howell, fica cada vez mais distante. De resto, os países com estruturas negociais mais robustas, mecanismos de partilha e maior protecção laboral e social dos trabalhadores parecem ter aguentado melhor o embate destrutivo da crise em termos de emprego.


Publicado por Xa2 às 00:07 de 22.12.10 | link do post | comentar |

É tempo de passar á ofensiva !

VAMOS PAGAR O NOSSO PRÓPRIO DESPEDIMENTO ?


As medidas que o Governo vai implementar no campo laboral nos próximos meses são de algum modo uma resposta à greve geral de 24 de Novembro e (por outro lado) ás exigências dos organismos internacionais que têm um filosofia económica falsa, ou seja, para eles o trabalho é um custo e os lucros são proveitos! Os lucros são considerados um direito de propriedade e o emprego, ainda em teoria um direito, deve subalternizar-se ao direito de propriedade e á chamada competitividade!exploração desenfreada e desregulada, ao assédio e ao abuso !!)

Ora, não há riqueza sem trabalho e sem pessoas, enquanto o capital é instrumental. E se o capital (os investidores) fogem de um país ou vão para um paraíso fiscal é porque são protegidos pelas leis e pelo sistema político! (nacional, da UE e internacional)
Assim, para superar a crise e manter ou aumentar os lucros é preciso dar competitividade ás empresas á custa do trabalho! Com quem quer a Europa competir ? Com a China (e seguir o seu 'modelo' de sociedade, 'leis' e 'sub-vida' !!)?

Custa a crer que para se resolver a crise se apresentem como soluções a precariedade, os cortes salariais e a redução dos montantes das indemnizações por despedimento! A lógica é a de que se deve caminhar para uma relação contratual como se de um acordo comercial se tratasse entre o patrão e o trabalhador, como escrevia um jornalista do DESTAK, num artigo horrível pela sua ignorância ou, mais grave, pelo seu cinismo! Esquecia o jornalista, ou dava-se como esquecido, que as partes nunca estão em pé de igualdade em tal 'acordo' e por isso mesmo é que nasceu o direito de trabalho para proteger a parte mais fraca - o trabalhador !

Mais perverso será ainda a eventual hipótese de, sendo criado um fundo para custear os despedimentos, sejam os próprios trabalhadores, através dos seus salários (e do seu IRS), a financiar esses fundos para depois serem despedidos.!!  Já se paga para a reforma e para o desemprego, se agora se pagar para ser despedido em breve pagaremos para trabalhar!  Não era inédito, pois no século passado no sector hoteleiro houve uma prática desse tipo! (e já proliferam os 'estágios' não remunerados e sua renovação tipo 'voluntariado')

Sendo este o caminho, não basta ver os gregos a lutar e depois os checos e depois os franceses e por aí fora! É preciso que os sindicatos europeus deixem de ser mansinhos e façam o que prometeram no congresso da CES em Sevilha: passar á ofensiva!

Quanto ao Governo PS dá pena e revolta pela sua desorientação e oportunismo! O PS desbarata a sua base social tradicional e a sua história como partido de esquerda!


Publicado por Xa2 às 13:07 de 17.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (6) |

Economia civilizada ou Estado refém ?

Regras para uma economia civilizada

No mundo tal como ele é, as estruturas salariais são, em larga medida, fixadas pela sociedade; as empresas ajustam-se. A tecnologia e os métodos de negócio são inventados e adaptados dentro da empresa para se conformarem às regras que a sociedade impõe à empresa.
 E estruturas igualitárias são mais exigentes e, portanto, até um certo ponto, mais produtivas (...) Os standards salariais exigentes que empurram a indústria para as melhores práticas são apenas uma versão do que pode ser feito nas áreas ambientais, da saúde e da segurança do trabalhador ou do consumidor.
Impor standards e assegurar que estes são respeitados é uma resposta política à emergência do Estado Predador. (Estado capturado, refém de). Este último reduz-se a uma coligação das forças empresariais reaccionárias que tentam manter a competitividade e a rendibilidade sem melhorias tecnológicas, sem controlos ambientais , sem respeito pelos direitos laborais ou pela segurança dos produtos que fabricam.  - James Galbraith

Um salário mínimo que garanta a recuperação do poder de compra dos trabalhadores mais pobres, como foi negociado em 2006 na concertação social, é uma dessas regras que contribui para criar uma economia civilizada, ainda por cima quando se estima, cálculos do Ricardo, o impacto nos custos das empresas. Perante a pouca vergonha patronal-governamental, que recusa um aumento mensal de 25 euros para o próximo ano, a CGTP enviou uma carta à ministra do trabalho, exigindo a marcação urgente de uma reunião da concertação social. Fez muito bem. E depois ainda há quem tenha a lata de dizer que a CGTP despreza a concertação social...


Publicado por Xa2 às 00:07 de 16.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

Querem Despedir a Democracia e a Justiça

DESPEDIMENTO: a cereja no bolo!


Como tem acontecido nos últimos anos os Governos chamam os sindicatos à concertação social. Não porque queiram concertar algo, mas apenas para lhes dizer que agora vai ser assim ou assado!
Agora a Comissão Europeia e outras entidades neo liberais acham que Portugal tem que alargar os motivos para o despedimento individual. Quem manda em Portugal ?  Isto é democracia?

Já existe uma dúzia de motivos para o despedimento individual no Código do Trabalho. Mas não chega, querem a liberalização completa do despedimento. Querem o «eu quero, posso e mando» patronal!
O velho argumento é que se criará mais emprego! Não está provado pelos estudos efectuados que isso sempre aconteça ou sequer aconteça. Mas o pior é que todo o trabalho será precário e o trabalhador fica sem qualquer protecção para defender os seus direitos perante o patrão! Será o aumento assustador da exploração do trabalhador! É isto democracia?

A principal consequência será a de que, mais do que hoje, o trabalhador fará sempre o que o patrão disser. Mesmo hoje muitos trabalhadores da privada e da pública já não dizem não a nada. Trabalhar mais horas sem pagamento? claro. Trabalhar doente? quantas vezes! Engolir o pão que o diabo amassou como diziam os antigos!
E os sindicalistas? Esses estarão tramados! Se hoje já muitos jovens hesitam e não aceitam um cargo sindical muito mais isso acontecerá no futuro! Isto será democracia?

Mas para além de quererem despedir com facilidade querem mandar o trabalhador com as mãos a abanar, ou seja sem indemnizações. Olha vai para casa a empresa agora não precisa de ti, come da segurança social, se por acaso tiveres subsídio de desemprego! Ah! Tinhas filhos a estudar? Tira-os da universidade. Tens prestação da casa? Vive numa barraca! Meus amigos, isto será democracia?

Mas eles ainda querem mais! Querem anular a contratação colectiva em muitas áreas, nomeadamente na questão da flexibilização dos horários! Este Código do Trabalho, apesar de feito á maneira, ainda não deu tudo! Querem que isto de trabalhar mais ou menos horas fique inteiramente nas mão dos patrões e não seja objecto de negociação séria com as organizações de trabalhadores. Querem negociar directamente com o trabalhador, ou seja, não querem negociar, querem impor a sua vontade! Mas que democracia é esta?

Não meus caros amigos isto não é democracia! Estamos isso sim a caminhar para uma ditadura económica que será necessariamente política!
E perante uma ditadura será legítimo o combate por todos os meios disponíveis!


Publicado por Xa2 às 00:08 de 10.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

Porque não lhe chamar Paralização Geral?

Para que toda a gente lhe devesse aderir, os que trabalham, os reformados, os a recibos verdes, os a sem recibo, os reformados, o que querem e não podem trabalhar, os que não querem... viver nesta forma de sociedade, manhosa e desonesta, as de trabalho domestico com ou sem ordenado, os sem abrigo, os famintos, os oportunistas... porque lhe não chamar "Paralisação Geral Europeia"?

Com essa experiencia bem poderiam, as forças sociais mundiais, decretar um dia mundial de paralização geral

GREVE EUROPEIA?

A Greve Geral de 24 de Novembro foi forte nos transportes e na Função Pública e fraca no sector privado!Ela foi, no entanto, uma importante manifestação de protesto de centenas de milhares de trabalhadores contra a política de austeridade que o Governo Português, tal como acontece na restante Europa, está a impor em particular aos trabalhadores e aos que dependem da protecção social.
Na presente conjuntura os trabalhadores do privado quase não podem fazer greve sem que coloquem em causa o seu emprego.O direito á greve existe apenas em teoria.Daí que certos comentadores afirmem isto mesmo de uma forma absolutamente cínica!Mais ,consideram que os funcionários públicos são uns felizardos porque usam ainda o direito á greve!Podemos dizer que este pensamento é neofascista!
Esta greve, que demonstra que o sindicalismo ainda é a força social capaz de mobilizar milhares de pessoas, vai ter várias consequencias positivas ,em particular a possibilidade de uma acção conjunta CGTP e UGT para o futuro!Poderá também perspectivar a necessidade de uma greve conjunta de todos os países europeus que efectivamente sofrem na pele a política de austeridade na desigualdade social!Será que a CES cumpre o seu papel e vai além de um protesto inócuo em Bruxelas?
por A.Brandão Guedes em "Bemestarnotrabalho"


Publicado por Zurc às 16:18 de 02.12.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

GREVE GERAL : 24 Nov. 2010

 

 

 

Contra o desemprego dos jovens,

Contra o trabalho precário,

Contra as reformas de miséria,

Contra a ganância da banca, do lucro fácil,

Contra a distribuição de dividendos e a falsa responsabilidade social das empresas.

 

A favor do Estado Social: escola e saúde públicas,

A favor dos sacrifícios para todos,

 

e porque é preciso mudar de sentido,

e apesar de saber que  é preciso aumentar a produtividade para sair do buraco onde nos meteram,

e apesar de considerar que o estado a que nós chegamos não é só culpa do Governo actual,

 

não deixo a espuma do interesse cobrir o mar do dever”,

 

eu faço greve.

 

“Milhões de trabalhadores europeus têm saído à rua transbordantes de revolta e angústia, insurgindo-se contra o garrote que cada vez mais os aperta. Os dias de muitos são cada vez mais cinzentos. A injustiça que os cerca é cada vez mais insuportável.

 

Por que parece fraca a sua força ? Talvez por não terem ainda sido capazes de dizer em uníssono: se nos excluem desta sociedade como se ela não fosse nossa, vamos ter que lutar por uma que o seja.” - Rui Namorado (a ler aqui)

 

PEOPLES OF EUROPE: RISE UP!

 

  Povos da Europa:  Levantem-se !

NOTA: Sou de opinião que a greve devia ser concertada num dia a nível europeu.
- por Manuel M. Oliveira, 2 dedos de prosa e poesia



Publicado por Xa2 às 23:59 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (15) |

Assim ... Basta !

Greve geral -SIM

Greve Geral

 

Quando João Proença disse, aqui há uns dias, que a UGT iria estar em sintonia com a CGTP para concretizarem a greve-geral de 24 de Novembro, acrescentou que também entendia ser inevitável aprovar o OE que tinha sido entregue na AR.
De imediato ouviram-se críticas que apontavam contradição nas posições assumidas e ouviram-se as gargalhadas provindas dos fazedores de espuma.
No entanto não há qualquer contradição. Tal como Proença, também compreendi desde o início a necessidade de ver aprovado este Orçamento, mas não prescindo de aderir à greve-geral.
São duas questões a serem tratadas em separado:
Uma (a questão de aprovação do OE) destina-se a tentar evitar o mal maior;
A outra (a da greve-geral) destina-se a dar o sinal de que foi atingido o limite da tolerância e que deixou de haver margem para continuar o rega-bofe.

É importante que os políticos que nos governam e os especuladores nacionais e internacionais que nos estrangulam entendam que chegou o momento em que a nossa compreensão para as actuais medidas não é um sinal de aceitação dos erros continuados que nos conduziram até aqui. É inevitável fazê-los entender que não estamos na disposição de continuar a admitir novos pedidos de austeridade para tapar os buracos de uns e os roubos de outros.
Isto serve para todos os que têm responsabilidades começando pelo Governo, passando pela Assembleia da República e pela oposição e terminando no Presidente da República.

Quanto aos especuladores há que dar o sinal de que também eles estão no limite.
Impingem condições e chantageiam-nos com ameaças de corte de crédito fazendo-nos crer que o crédito que nos atribuem é uma dádiva e não o negócio de agiotagem que justifica a sua existência.
 
LNT, a barbearia do sr.Luis, 4.11.2010


Publicado por Xa2 às 00:38 de 23.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (15) |

SÓCRATES CAI, SÓCRATES NÃO CAI

Entre nós, cá dentro, muitos são aqueles que prognosticam a queda do governo antes do fim da legislatura, incluindo o próprio socialista João Proença, da UGT, que diz não irá além de Junho.

Eu, pelo que estou a constatar, tal “trambolhão” não será assim, tão certo, a avaliar pelas mãos estendidas que chegam do exterior, dirigidas a tão ilustre crente no futuro, ser iluminado para todos os compatriotas defender. Já tinha chegado o “amigo” chileno e veio, agora, cheio de entusiasmo, o não menos “amigo” chinês.

Cair ou não cair? Tudo depende dos socialistas, considerando as mais diversas circunstancias. Dos socialistas que estão no governo, dos que estão nas autarquias, dos que estão nas empresas (sobretudo dos administradores), dos que estão nos sindicatos e dos militantes em geral. Todos esses socialistas, cada um de modo próprio e segundo o respectivo grau de responsabilidade, podem contribuir para que a boa gestão dos recursos publicos seja conseguida. Claro que o exemplo terá de surgir do topo, dos que têm maior grau de responsabilidade, o que, em abono da verdade se diga, não tem sucedido.

Os militantes socialistas terão de ser mais actuantes e mais exigentes para consigo próprios e para com os seus camaradas em exercício de cargos publicos, políticos e gestionários.

Os sindicalistas socialistas terão de se deixar de olhar, apenas e só, para o umbigo sindical e passarem, também, mais activa e frequentemente, a “dar a cara” aos diferentes níveis da estrutura interna do partido.

Os gestores socialistas (empresas, autarquias, políticos) terão de ser, e parecer, mais sérios, mais coerentes, na gestão da “res pública”, usando, mais eficaz e justamente, os recursos de que dispõem e só esses, provenientes dos impostos, agindo com rigor e parcimónia nos gastos.

O rigor legislativo, a eficácia dos mecanismos e de todo o sistema de regulação da economia, terão de ser melhorados bem como a eficiência da “máquina” fiscal, sobretudo, no que respeita à movimentação de mercadorias, capitais e serviços, quer internamente como no que reporta a comércio externo.

Terá de ser reduzido, drasticamente, o mercado paralelo e a, concomitante, fuga aos impostos.

Naturalmente que PSD ou qualquer outra das forças politicas, com assento na Assembleia da Republica, só se atreverão a apresentar qualquer moção de censura ao governo se este cair na desgraça de dar motivos para esse desiderato.

A queda de Sócrates só acontecerá se o seu governo e o partido que o apoia persistirem em não agirem solidariamente entre si e permanecerem as escandalosas derrapagens associadas a asneiras politico-financeiras alienantes da responsabilidade que quem destrói incentivos à poupança e desbarata dinheiro capturado no mercado externo.



Publicado por Zé Pessoa às 00:13 de 15.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Manuel Alegre: IX Congresso da Corrente Sindical Socialista da CGTP

Manuel Alegre afirmou ontem, naquele encontro de sindicalistas, que a greve geral de 24 de Novembro será «muito importante» se funcionar como «alerta à sociedade e como factor capaz de criar uma nova dinâmica social».

O candidato a Belém, ao intervir no encerramento, sublinhou ter tido «sempre uma posição muito clara» relativamente ao direito à greve e considerou «curioso que ninguém» tenha confrontado Cavaco Silva sobre a iniciativa de dia 24.

Clarificando de seguida que «Eu penso que a greve geral vai ser um momento de grande significado sindical, político e democrático», «A minha posição é muito clara, eu sempre defendi o direito à greve e considero muito importante esta greve geral, não apenas como manifestação da liberdade de expressão e do direito de protesto, mas como alerta à sociedade e como um factor capaz de criar uma dinâmica nova, social, que abra o caminho à mudança e que abra o caminho à procura de novas soluções e de alternativas sociais», e ainda que «A recessão traz recessão, a austeridade traz austeridade, o desemprego traz desemprego, nós precisamos é de políticas de emprego e de crescimento económico», advogou que «Estão-nos a impor as mesmas receitas que provocaram a crise e, portanto essas receitas vão continuar a agravar a crise, as desigualdades, a pobreza, o desemprego», acrescentou.

 


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Publicado por Zurc às 17:17 de 08.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (2) |

Zé Povo ... ou Zé Parvinho ?!

PARA INGLÊS VER ?

Este mês de Novembro vai ser um tempo extraordinário para os portugueses: aprovação de um orçamento de estado para inglês ver e uma greve geral para os outros fazerem!

De facto, a expressão «para inglês ver» é um sinal evidente da nossa perda de soberania que não é de agora mas histórica, em particular no passado em que bem vistas as coisas mais não fomos do que uma colónia inglesa.

Se bem repararmos agora no filme do acordo PS/PSD para a viabilização do OE para 2011 nota-se que foi um acordo que ao fim e ao cabo nenhum dos protagonistas desejava... é apenas para os «mercados» verem! E quem são os mercados? o capital financeiro (banca e especuladores, 'nacionais' e transnacionais). Agora talvez não seja para «inglês ver» mas para «alemão ver»!

Outro acontecimento é a greve geral a realizar a 24 deste mês. Segundo uma sondagens mais de 56% até concorda com a greve geral, mas quanto a fazer mesmo apenas 12% disseram convictamente que sim! Claro que ainda há muito indeciso. São aqueles que ainda vão pensar maduramente no assunto, vão falar com o pai, com a mãe , com a avó e talvez com o vizinho! Ou seja «eh pá a greve geral até é uma coisa que está na ordem do dia mas fazer que alguém faça por mim, que perca o dia de salário porque eu não posso mesmo!»

É muito português este sentimento! Os outros (os franceses) são mesmo aguerridos! He pá nós não temos a fibra dos franceses! Se fosse em Espanha isto já estava virado... os espanhois são outra gente... Nós não... .
Se não assumirmos a nossa pele e o nosso país ninguém o fará por nós! Está na hora de assumirmos as nossas convicções e responsabilidades!
Não façamos as coisas para inglês ver e não tenhamos pena de nós!


Publicado por Xa2 às 00:07 de 04.11.10 | link do post | comentar | ver comentários (22) |

Greve geral a crescer

Da mentira ao oportunismo da (des)informação

Escreve o “Avante” na sua edição N.º 1925 de 21.Outubro “A apresentação do Orçamento do Estado e a insistência patronal no ataque aos salários vêm acentuar a necessidade da greve geral, cujo sucesso está a ser preparado com os trabalhadores.

 

Nas oficinas da Pontinha do Metropolitano de Lisboa teve lugar anteontem, de manhã, um plenário que contou com «a maior participação de sempre», reunindo mais de 500 trabalhadores dos cerca de 1600 que integram a empresa - como salientou ao Avante! o coordenador da CT. Paulo Alves realçou que, com o chamado «PEC III», o Governo determina que deixa de haver negociação colectiva na empresa. Além das perdas comuns a todos os trabalhadores, o pessoal do Metro teria, em 2011, uma redução salarial «na ordem dos seis por cento, para todos que ganhem menos de 1500 euros brutos por mês, e entre 9,5 e 16 por cento, para todos os outros», refere-se na moção aprovada por unanimidade e aclamação. Nesta afirma-se o compromisso de «engrossar a luta marcada para 24 de Novembro» e que tem o apoio de todos os sindicatos com representação na empresa. ”

...

Embora significativamente participado, ninguém pode afirmar que tenham ali estado “mais de 500 trabalhadores”, nem os que lá estiveram autorizaram a que lhes fossem tiradas fotografias, muito menos que elas pudessem ser publicadas no Avante. Um abuso, um oportunista aproveitamento partidário que os trabalhadores não admitem, certamente.



Publicado por Zurc às 00:14 de 27.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Ou reagimos e lutamos, ou voltamos ser servos e escravos !

GREVE  GERAL !   POIS  CLARO !

A situação económica e social exige que os portugueses se mobilizem e digam da sua justiça!
Finalmente, e perante a gravidade da situação as maiores centrais sindicais portuguesas convocaram uma greve geral conjunta para 24 de Novembro! Espero que não seja uma situação esporádica mas que esta greve signifique uma mudança séria na prática sindical.
Agora é uma questão de dinâmica, de informação e mobilização para dar consistência á revolta de muitos portugueses de várias sensibilidades políticas!
A greve geral não é nenhuma panaceia. Mas é um sinal de protesto de que não estamos contentes e que se chegou demasiado longe ao cortar salários e pensões. Sabemos que os problemas são essencialmente das políticas europeias (neoliberais) e que como tal deveriam ter uma resposta sindical europeia.

Sabemos que ou reagimos de forma séria e forte e conseguimos uma outra relação de forças na Europa ou nos próximos anos vamos perder direitos que demoraram séculos a conquistar!
Foi por sentirem esta realidade que os jovens franceses vieram para a rua com os sindicatos!
Não se fizeram esquisitos nem tiveram qualquer pudor em marchar com os das barbas brancas (os pais).
É o futuro que se joga nas cidades francesas! Os jovens são o futuro! 
     
 
Temos vindo a assistir às lutas dos franceses contra a alteração da idade de reforma.
Tal como aconteceu com as lutas dos trabalhadores gregos vamos vendo pela televisão as lutas de um país de cada vez e acontece sempre o mesmo: as lutas têm um pico e depois vão esmorecendo pouco a pouco ! 
O que era necessário? O óbvio, ou seja alargar e intensificar as lutas.

Alargar as lutas a outros países e a outros estratos da população.
Para tal seria necessária uma coordenação europeia destas acções, quer de greves sectoriais e gerais quer de manifestações ou outras acções necessárias para levar os governos à negociação.
Quem nestas circunstancias poderia coordenar estas lutas? A Confederação Europeia de Sindicatos (CES ) se esta Organização fosse efectivamente mais do que um loby sendo uma coordenadora das lutas dos trabalhadores europeus.

Assim as confederações nacionais vão fazendo as suas greves e manifestações mas sem alterar o rumo da política neoliberal das instituições da União Europeia.
Mais uma vez o nacionalismo sindical vai criar a impotência de mudar as coisas e deixar a sensação em mais trabalhadores de que não adianta muito lutar.
Desta crise que atravessa a Europa poderemos tirar muitas lições. Uma delas é, sem dúvida a de que esta confederação das confederações não cumpre a sua missão num momento tão importante em que estão a desmantelar o Estado Social (e o projecto Europeu).


Publicado por Xa2 às 00:07 de 23.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

A, proxima, greve geral

 

 

Foi no ano de 1988 que a UGT e CGTP uniram esforços para levarem por diante uma greve conjunta, já lá vão 22 anos.

Os desvarios que levaram ao estado de coisas actuais e à situação calamitosa em que vivemos começaram há, pelo menos, 15 anos a quando do 1º governo de Cavaco Silva no tempo das “Vacas Gordas” que permitiram os surgimentos de empresas e institutos criadas pelo Estado central, pelas autarquias e pelas próprias Empresas do Sector Empresarial do Estado, que surgiram que nem cogumelos, alem das famigeradas PPP (parcerias publico privadas). Os banqueiros tinham dinheiro barato, na banca internacional, além dos fundos de Bruxelas a chegar diariamente. Ninguém recusou tanta fartura, já pouca gente se lembra do discurso no Pontal em que Cavaco Silva se insurge contra “os barões do PSD” que, todavia, acabaram por lhe dar a volta e se vergou ao peso do aparelho partidária sem que fosse capaz de fazer qualquer alteração estrutural do país de que agora tanto fala.

É claro que também os trabalhadores e as forças que os representam foram incapazes de impor alguma coisa de significativa que impedisse tal evolução e desmando de hábitos e vícios de consumismo, assim como de partilha desigual da sempre diminuta riqueza produzida.

Os desempregados acomodaram-se aos subsídios tal qual como aqueles que nunca tiveram hábitos de trabalhar. Os usurários e especuladores nunca tiveram uma vida tão facilitada e liberdade de fugir a impostos.

Agora que as circunstancias nos levaram a um ponto de quase ruptura e em que a “mão do fisco” entra na carteira de cada um, mais ou menos injustamente, parecem criadas as condições para se promover a dita greve geral, facto que levou os secretários-gerais da UGT e da CGTP, a entregar o respectivo pré-aviso de greve geral no Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social ontem, pelas 12h30.

João Proença, da União Geral dos Trabalhadores, e Carvalho da Silva, da CGTP, chegaram à Praça de Londres, em Lisboa,  assinando em conjunto à porta do Ministério o documento que foi entregue na recepção do edifício e que oficializa a greve geral marcada para 24 de Novembro.

Há já quem afirme que ira ser a maior greve alguma vez realizada em Portugal. O caso não será para menos tais são injustas e desiguais as medidas propostas pelos políticos.

O que se pergunta é se bastara uma greve sem que dirigentes e dirigidos sejam capazes de alterar os seus comportamentos, dando uns os exemplos de rigor e ética e outros os seguirem.

Quem acredita em tal evolução?



Publicado por Zé Pessoa às 09:53 de 20.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (3) |

22 anos depois e por unanimidade

GREVE GERAL CGTP e UGT de novo juntas, 22 anos depois da 1ª vez!

A CGTP decidiu por unanimidade organizar uma greve geral para 24 de Novembro. Tudo indica que foi uma proposta amadurecida por uma vanguarda mas não por um amplo movimento de debate e auscultação dos trabalhadores! A greve geral, nascida como arma final do movimento operário, é um instrumento de luta excepcional!Para os sindicalistas anarco-sindicalistas era a condição para uma insurreição social capaz de destruir o capitalismo e criar um mundo novo!Tinha assim, esta forma de luta ,um carácter mítico.
Ao longo dos tempos a greve geral foi várias vezes utilizada, muitas vezes com impacto político e alterando a relação de forças políticas entre os actores da sociedade, outras vezes sem grande impacto social e político. Para ter impacto e alterar a relação de forças e «valer a pena» a greve geral, hoje mais do que nunca ,deve ser pensada tendo em conta os dados de cada situação concreta.
Não duvido que alguns sectores de trabalhadores estão preparados para fazerem um dia de greve.Aliás mais dias seria um desastre para a sua economia doméstica!
Na Administração Pública um dia de greve apenas pode criar problemas em alguns sectores ou «chatear » o público utente, ou seja o cidadão.-Noutros sectores o Estado apenas poupa o dia de salário dos grevistas!
Relativamente aos transportes e dado o sistema de passes que envolve a maioria dos trabalhadores, um dia de greve não afecta em especial as empresas públicas e privadas de trasportes.A Greve apenas irrita os utentes e naturalmente o Governo!
Daqui resulta que nas condições actuais é fundamental a participação dos trabalhadores do sector privado na greve geral!Ora aqui é que está o principal problema da próxima greve geral.
A crise, embora contenha os elementos de congelamento de salários e despedimentos colectivos, aumentou o desemprego que ameaça subir e assim é um machado sobre a cabeça de todo e qualquer trabalhador do sector privado!
A precariedade, a irmã do desemprego, afecta centenas de milhares de trabalhadores que, por mais vontade que tenham de protestar, fazem contas à vida antes de aderirem a uma greve geral!
Neste quadro a adesão á greve geral passará fundamentalmente pelas grandes empresas como aconteceu ,aliás, em Espanha na recente greve geral de 29 de Setembro!
Tudo isto que aqui lembro sabe-o qualquer dirigente sindical.Todavia, para alguns o interesse político na greve é superior a estas considerações.
Mas estas considerações devem servir para se pensarem em outras formas de luta adaptadas á situação presente e que não passem simplesmente pelas chamadas tradicionais «acções de massas» tão ao gosto dos vanguardistas!Formas de luta que envolvam sectores da população que não podem aderir a greves mas que querem protestar.Formas de luta que afectem económicamente as empresas e defendam os interesses dos consumidores.Formas de luta de defesa dos postos de trabalho, articulando estas com a defesa dos consumidores como se deveria fazer nas lutas das portagens (alguém defende os postos de trabalho dos portageiros?).
Sei que não é fácil organizações tradicionais rotinadas em determinados processos fazerem emergir acções diferentes!Pelo menos devem-se fazer novas alianças sociais e políticas e não partir «orgulhosamente sós» para a luta!
Dada a gravidade da actual situação, outra coisa não seria de esperar que a convergencia total de todas as forças sindicais existentes no país. Não será de acreditar que os proprios sindicatos, ditos, independentes a ela não adiram.


Publicado por Zurc às 14:59 de 08.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (5) |

Marionetas ...

No país das marionetas

     Caminhamos para a destruição do Estado-providência e de todas as regras que protegem os trabalhadores, sem nada sobrar de uma economia civilizada.
     Façamos um exercício: fingir que o bloco central defende os interesses do povo português, em vez de ser uma marioneta manobrada, à vez, por Merkel, por Bruxelas e pelos grandes grupos económicos, à mistura com credores e especuladores tão gananciosos como descontrolados. Levemos a sério, por um minuto, os argumentos dos economistas que maximizam sinecuras e que inspiraram a loucura do PEC III: equilíbrio das contas públicas, credibilidade internacional, financiamento da economia portuguesa, sustentabilidade das políticas sociais. Estas são as palavras oficiais do regime. 

     Mas as medidas oficiais que complementam as palavras do regime também as contradizem. Cortar nos salários e nos apoios sociais e aumentar o IVA comprime o mercado interno - todos sabem isso-, o que gera recessão e aumenta o desemprego. Isto facilita novos cortes salariais e um processo deflacionário. É assim que se pretende corrigir os desequilíbrios com o exterior, numa União construída para fazer com que o ajustamento se faça exclusivamente pelo "factor trabalho", para usar a desumana expressão de Cavaco.

     O diabo está nos detalhes desta utopia. Quem fez as contas sabe que os cortes salariais que imitam uma desvalorização cambial a sério e indisponível são brutais. Entretanto, o comprimido mercado interno europeu assegurará uma saída medíocre para as exportações.
A recessão continuará a pressionar as contas públicas e a garantir, neste ambiente intelectual moribundo, novos cortes. A deflação tem o condão de aumentar o fardo real da dívida. As falências, a quebra de rendimentos e o resto que se sabe aumentarão as dificuldades em servir a dívida privada e pública e logo afectarão o financiamento de toda a economia, levando ao incumprimento dos pagamentos. Os especuladores sem freios ampliarão tudo. Ciclo vicioso.
      Os moralistas das finanças públicas farão a demagogia do costume porque o peso da dívida pública num PIB diminuído não cairá como se espera.
     Como se contraria isto?
     Com resistência social e política por toda a Europa. Só assim se poderá impedir este capitalismo de pilhagem, por enquanto no valor de mais de cinco mil milhões de euros em Portugal, entre cortes e impostos regressivos. Entretanto, temos de reconhecer que parte da saída para a crise é europeia e passa por um estímulo financiado pelo fundo europeu recém-criado, pelo BCE e por euro-obrigações, como defendem os estudos económicos da Confederação Europeia de Sindicatos.
     Não se apela à solidariedade da Alemanha, mas sim ao seu interesse próprio. A alternativa é ver o colapso dos seus mercados e os seus bancos a arder, tal como as periferias: Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha. Os PIGS. E não esqueçamos o Leste europeu. 

     Por este caminho, vamos para a destruição do Estado-providência e de todas as regras que protegem os trabalhadores, sem nada sobrar de uma economia civilizada.
     Será o objectivo deste euro (e U.E.)?
     Os irresponsáveis que nos colocaram num euro disfuncional, os mesmos que ainda podemos ouvir por todo o lado, estão descansados nas suas mordomias. O povo não. Eu confio mais no povo.
Greve geral.
-por João Rodrigues (economista, Centro de Estudos Sociais), em 04.10.2010


Publicado por Xa2 às 00:05 de 06.10.10 | link do post | comentar | ver comentários (12) |

Luta de quem ?: simbólica ?! ou união de todos para obter resultados.

CEM MIL EM  BRUXELAS ?

A Confederação Europeia de Sindicatos (CES) espera cem mil manifestantes no próximo dia 29 de Setembro, data em que está prevista uma acção europeia de protesto contra as políticas seguidas pela União Europeia no domínio económico. Em Espanha esta acção é seguida com uma greve geral das mais importantes centrais sindicais com destaque para a Comissiones Obreras, UGT e USO.

Mas, por acaso está a Comissão Europeia ou alguém preocupado com esta manifestação convocada cordatamente e com objectivos, enfim, manifestamente de dizer não se esqueçam que estamos aqui?
Estará o patronato europeu preocupado com esta manifestação?  e os governantes europeus?
Mais ainda, estarão todos os sindicatos convictos de que esta acção irá alterar alguma coisa?
Respondo taxativamente que NÃO ! Ninguém está mínimamente preocupado com esta acção (da CES).

Existia na Europa uma maior preocupação com os últimos surtos grevistas gregos do que com esta acção da CES.  E alguém apoiou convictamente os gregos? Alguém, nomeadamente a CES aproveitou a situação para generalizar o conflito a toda a Europa? Não, pelo contrário, apenas algumas minorias de organizações alternativas ligadas ao movimento anarquista!!
Muitos fizeram coro com a conversa e chantagem dos mercados que ameaçaram com a bancarrota!!  E alguns até apelidaram os gregos de esbanjadores e «que tinham que pagar pela política que fizeram»

Curioso é hoje sabermos que um relatório do FMI considera altamente improvável que um país do euro e do Norte algum dia não consiga pagar a sua dívida. E ,aliás, se existem devedores é porque há alguém interessado em emprestar não é verdade?
Concluindo:
alguém vai ficar espantado pelo facto de no dia 29 de Setembro ninguém se preocupar com algumas acções simbólicas a que alguns teimosamente continuam a chamar de luta? Luta de quem? dos aparelhos sindicais?
Ou arrepiamos caminho ou continuamos a seguir por becos sem saída.... Os trabalhadores querem ver resultados, hoje mais do que nunca, das lutas que se fazem.... com eles!


Publicado por Xa2 às 00:07 de 14.09.10 | link do post | comentar |

Sindicalismo: coordenar e apoiar, em Portugal, na UE e no mundo

O ano da morte do sindicalismo europeu

 

   A Guardian tornou públicas as pressões de Tatcher sobre Gorbachov a quando da greve dos mineiros ingleses. Ao que parece, os sindicatos soviéticos estavam disponíveis para ajudar financeiramente os grevistas ingleses. Sem independência face ao poder político, acabaram por ceder. A greve durou um ano e foi o mais duro confronto entre os conservadores britânicos, pioneiros da vaga liberal na economia europeia, e um dos mais fortes movimentos sindicais do Mundo. Foi ganha pelos primeiros. Com ajuda, já agora, do general Jaroselsky, ditador polaco que tratou de garantir o fornecimento de carvão ao Reino Unido.

   Neste confronto estava em causa muito mais do que as questões concretas que preocupavam os mineiros ingleses. Era um confronto entre o Estado Social que vigorava no Reino Unido e o neoliberalismo. Era um confronto entre o capitalismo industrial em decadência e o capitalismo financeiro que acabou por se impor. E era a jogada de vida ou morte do sindicalismo europeu.

   São dezenas de filmes a retratar essa greve histórica. Um ano de resistência é obra. E só sindicatos com a pujança que os ingleses então demonstravam podiam ter chegado tão longe. Mas Thatcher percebeu o que estava em causa. Não cedeu um milímetro. E venceu.

   Faltou, não aos sindicatos soviéticos, meras correntes de transmissão do poder, mas aos da Europa ocidental terem percebido o mesmo. E terem-se mobilizado para apoiar financeira e politicamente os que se encontravam na linha da frente daquela derradeira batalha. Não perceberam o que estava em causa. Cada um estava a tratar de si. E a derrota dos mineiros ingleses, com a ajuda do fim do Mundo bipolar, marcou a decadência do sindicalismo europeu. E com ele, a decadência da esquerda em geral, e da social-democracia e do trabalhismo europeu em particular.

 

   Não se aprendeu ainda a lição. Perante a crise europeia e o segundo “round” contra o Estado Social, ainda é a custo que os sindicatos se coordenam. Os gregos tratam dos gregos, os alemães dos alemães, os portugueses dos portugueses. E o nacionalismo, essa doença senil da esquerda europeia, promete uma nova derrota histórica. Nem sequer o apoio ao fortalecimento de um sindicalismo livre em países emergentes como a China, que consiga garantir direitos sociais e valorização mais rápida dos salários, acabando com uma concorrência desleal em que perdem eles e perdemos nós, parece ser uma preocupação.

   Mesmo para quem, como eu, não é marxista, vale sempre a pena aprender com o mestre. Disse o barbudo que o capitalismo não tinha pátria. E daí concluiu que também não a tinham os trabalhadores.

   Não perceberam os sindicatos da Europa que a greve dos mineiros ingleses era a sua greve. Não percebem que a crise grega ou portuguesa é a sua crise. E enquanto não perceberam isto estarão sempre a perder.

- Publicado no Expresso Online. (via Arrastão.org)



Publicado por Xa2 às 00:07 de 07.09.10 | link do post | comentar | ver comentários (4) |

Democracia e Capitalismo não estão funcionando !

ONTEM TIVEMOS PROTESTOS !

 Ontem foi dia de protestos sindicais promovidos pela CGTP ! Foi apenas para manter a contestação aquecida. Todavia , os protestos foram curtos. Não hove uma manfestação massiva, apesar da crise que se vive. É estultícia de alguns ficarem contentes...  Há explicações para quase tudo. Isto também se pode explicar de muitas maneiras.

 

- Hoje fazer protestos ou dar sinal de simpatia pelos mesmos é perigoso na maioria das empresas. É pôr em risco o posto de trabalho numa altura em que o desemprego está quase nos 12%.

- Hoje uma parte dos trabalhadores, embora revoltados, não acredita nas formas sindicais de protesto. São rotineiras e mais se parecem com as antigas ladaínhas e liturgias religiosas.

- Hoje muitos trabalhadores, embora revoltados, procuram uma solução individual para a crise (emigrar, biscates,etc).

- Hoje uma parte dos trabalhadores está anestesiada pela educação que tiveram e pela influência dos órgãos de comunicação social, em particular a TV.

 

Não fiquem contentes pelo facto de não existirem mais protestos.... pelo contrário, será de ficar apreensivo.

É que a revolta pelo que se passa no dia a dia político e social vai acumulando.... tal como material explosivo. Depois é apenas necessário um fósforo!

Falta saber se depois, na fogueira, não será a democracia que arde. Será que ela não está já a arder ?

 

Publicada por A.Brandão Guedes, Bem estar no trabalho



Publicado por Xa2 às 08:07 de 12.07.10 | link do post | comentar | ver comentários (1) |

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