… Olho para os resultados disponíveis e observo que para além dos quase 6.000.000 de eleitores que não votaram houve mais 163.000 que votaram em branco (mais de três vezes que o primeiro partido que não elegeu um deputado – o MEP – 52.400 votos) e perto de 71.000 votos nulos.
São contas que tradicionalmente ninguém faz, mas começa a ser tempo de se fazerem.
Quanto a outras contas, as das sondagens de campanha, algo está realmente muito mal e não parece que seja só pelos níveis de abstenção atingidos, conforme os fazedores de sondagens gostam de se justificar. Principalmente em relação ao CDS começam a ser incompreensíveis os valores apresentados em todas elas e os resultados que depois são obtidos. [Luís Novaes Tito, Eleições 2009]
Com os resultados de todas as freguesias no território nacional (4260) já apuradas, só foram atribuídos 21 mandatos dos 22 que Portugal elege.
Será o voto dos emigrantes que decidirá o deputado em falta, ainda só estão apurados os resultados de 33 dos 71 consulados portugueses no estrangeiro.
O Presidente apelou ao voto nas eleições europeias.
Usou uma elegante gravata cor-de-laranja e mostrou um novo penteado.
Cavaco é um Presidente muito atento aos pormenores e gostos não se discutem. Muito menos em dia de reflexão. Não haveria cores mais neutras e que não gerassem esta minha desconfiança de que não foi uma escolha inocente? Enfim, gostos... [André Moz Caldas, Câmara de Comuns]
Quem tem experiência de rua e de campanha popular, quem já foi apalpado num mercado, beijado na boca por uma desdentada, beliscado por beliscão anónimo (daqueles que fazem nódoa negra) e levou um banho de água de peixe espirrada pelo bater de uma chaputa na pedra de venda de um mercado e viu as imagens dos diversos candidatos no Porto;
Quem já foi parte activa de comitiva, preparou acontecimentos para que acontecessem ou improvisou outros perante imponderáveis, saiu das tamanquinhas dos gabinetes e dos teclados, foi sentir o povo e pedir-lhe confiança e viu as imagens dos diversos candidatos no Porto;
Quem já fez tudo isto e muito mais, apercebeu-se da diferença das coisas, relembrou-se que quem escreve e opina nos jornais, nas TVs e na NET é uma minoria insignificante de quem vota e ficou esclarecido sobre o desaire que o PSD vai ter daqui a dois dias.
Um Partido da Oposição que dispõe do benefício de ter uma conjuntura extremamente difícil para quem está a governar e que consegue passear a sua líder nas ruas do Porto como se estivesse a transportá-la num andor intocável e um Partido do Poder sujeito ao desgaste mas que tem um líder que beija, que se mescla na mole e se deixa tocar por quem se deslumbra com o toque nos poderosos, marca a diferença entre os vencedores e os vencidos do próximo Domingo.
Para os lados da Buenos Aires deverão estar a montar-se os dois cenários possíveis para a noite da sondagem final. Quando se acenderem os holofotes e dispararem os contadores de votos haverá um palco recheado de maizenas e outro onde o cepo está preparado para a execução. A cortina que os separa esconde os trajes dos carrascos prontos a serem encapuçados por quem andou com o andor às costas. Em breve saberemos quem será o opositor de Sócrates nas legislativas. [LNT, A Barbearia do Senhor Luís]
O Partido Socialista vai vencer as europeias de domingo com uma vantagem de cerca de quatro por cento em relação ao PSD. Esta é a conclusão da última sondagem da SIC, Expresso e Rádio Renascença.
De acordo com o estudo da Eurosondagem, se as eleições fossem hoje, a lista encabeçada por Vital Moreira conseguiria 36 por cento dos votos. O que representa uma subida de meio por cento em relação à sondagem da semana passada. O PSD, de uma semana para a outra, caiu: a projecção dá-lhe 31,9 por cento, tendo perdido 0,6 por cento.
A surpresa destas eleições pode ser a subida do Bloco de Esquerda a terceira força política do país. A sondagem aponta para um resultado de 10,1 por cento, a subir 1,3 por cento em relação à semana passada. O bloco ultrapassou a CDU, que consegue 9 por cento dos votos com uma ligeira queda.
A lista do CDS-PP pode ser a grande derrotada destas europeias.Tem pouco mais de 6 por cento. e perde 0,4 em relação à última sondagem. [SIC]
Assunto de areias movediças é o que trata de questões ligadas ao voto branco e ao voto nulo. Idem para a abstenção. Há dezenas de teorias para análise destas realidades e vou só centrar-me no facto em si.
Quem se abstém (excluir os impossibilitados p.f.) indica a indiferença em relação ao Sistema existente. Não acredita nele, ignora-o ou despreza-o.
Quem vota branco ou nulo identifica-se com o Sistema, mesmo que seja para através dele apresentar o seu protesto. No voto branco o eleitor não se reconhece representado por qualquer candidatura. O voto nulo é tecnicamente um voto mal votado, digamos que é um erro do eleitor. Acontece que há a desconfiança na idoneidade das Assembleias de voto. Em tempos idos tinhamos a certeza de ter, entre delegados e membros da mesa, representantes que inviabilizavam a transformação de votos brancos noutra coisa qualquer. Hoje existe alguma desconfiança resultante de em muitas mesas ter deixado de haver a representação dos concorrentes (por falta de capacidade das forças políticas se fazerem representar, leia-se, porque a Lei continua a prevê-los) o que leva muitos eleitores que pretendem votar em branco a anular os seus votos, inviabilizando outros usos.
Os brancos e os nulos são contados e contabilizados em separado, mas não entram nos cálculos do método de Hondt para apuramento eleitoral. Quer isto dizer que, por exemplo, num universo de 100 eleitores e três eleitos, se 50 eleitores não forem votar (abstenção) e 49 eleitores votarem branco ou nulo, os três eleitos serão escolhidos pelo centésimo eleitor (o único que votou válido). [LNT, A Barbearia do Senhor Luís]
PS elege nove eurodeputados
O PS mantém-se na liderança das intenções de voto. De acordo com uma sondagem CM/Aximage, o cabeça-de-lista do PS, Vital Moreira, reúne 36,2 por cento das intenções de voto contra 30,9 por cento do candidato do PSD, Paulo Rangel. Isto significa a eleição de nove deputados pelos socialistas e de oito pelos sociais-democratas.
De um total de 22 eurodeputados portugueses, menos dois que no anterior mandato no Parlamento Europeu, tanto o PCP como o BE elegem dois candidatos, segundo os resultados desta sondagem. O cabeça-de-lista do BE, Miguel Portas, somou 10,2 por cento das intenções de voto, enquanto a lista da CDU, liderada por Ilda Figueiredo conquistou 10,1 por cento. Já o CDS-PP, cuja candidatura é liderada por Nuno Melo, registou cinco por cento das intenções de voto, o que implica a eleição de um deputado. [Correio da Manhã]
PS elege mais um eurodeputado que PSD
O Partido Socialista (PS) deverá eleger nove eurodeputados e o Partido Social Democrata (PSD) oito, segundo sondagem da Universidade Católica para o Diário de Noticias, a Antena 1, a RTP e o Jornal de Notícias.
A pesquisa prevê também que a Coligação Democrática Unitária (CDU) e o Bloco de Esquerda (BE) elejam dois eurodeputados cada e o Centro Democrático e Social (CDS) um.
Em termos percentuais, o PS deverá obter 34% dos votos, o PSD 32%, a CDU 11%, o BE 9% e o CDS 4%. A confirmarem-se estas previsões, a CDU recupera terreno em relação ao BE, mantendo-se como o primeiro partido à esquerda do PS, e o CDS sobre ligeiramente em relação à anterior sondagem para DN/JN/RTP/Antena1.
Estes valores foram obtidos calculando a percentagem das intenções directas de voto em cada partido em relação ao total de votos válidos (excluindo abstenção e não respostas) e redistribuindo indecisos proporcionalmente pelas opções válidas. [Diário de Notícias]
Problemas técnicos irresolúveis, com origem na imagem de Paulo Rangel, que provocavam uma emissão sem qualidade, levaram a RTP a não poder concretizar o frente-a-frente entre os cabeça de lista do PS e PSD.
No próximo dia 7, domingo à noite, é mais que certo e sabido iremos ouvir, em todos os telejornais e ao longo da noite, quer os cabeças de lista como os principais responsáveis partidários cantar vitorias. Todos vão dizer que ganharam, ou porque tiveram mais votos, meteram mais deputados, aumentaram o número de deputados, isto é; de uma forma ou de outra, com os mais variados argumentos todos se afirmarão ganhadores.
A política é assim, já assim o era nos tempos de Bordalo Pinheiro, do José Malhoa ou Fernando Pessoa, os políticos sempre ficaram a ganhar e o povo sempre foi carregando essas vitórias.
O povo, mais uma vez e outra vez, também, por culpas próprias, fica a perder, como perde igualmente a democracia, a cidadania e o esclarecimento. Tudo fica mais débil.
Mais uma vez, como quase sempre, o povo não ficou minimamente esclarecido. Mais uma vez as pessoas, individualmente e a população em geral, ficaram a saber menos do que precisavam saber e mais confusas em relação ao pouco que eventualmente já soubessem. Novamente se repetiu mais do mesmo, que foi o muito falarem, acusando-se mutuamente, sem nada dizerem do que era necessário fosse dito.
Ficamos a saber o que já sabíamos, que efectivamente, é nada sobre importantes questões como sejam:
· O que é, qual o conteúdo do Tratado de Lisboa?;
· O que fazem e como podem ser contactados os deputados?;
· Quais as estruturas e organismos existentes bem como respectivas atribuições ao nível da Europa?;
· Quanto custa e quem paga cada deputado europeu?;
· Qual é o valor orçamental das várias instituições europeias?;
· Como chegam, através de que impostos e como são redistribuídas as distas verbas de Bruxelas?;
Estas e muitas outras perguntas e outros tantos esclarecimentos ficaram por fazer. Mais uma oportunidade perdida, para aproximar o cidadão da Europa, aproximar o eleitor dos eleitos.
Será uma estratégia intencional, por parte dos putativos deputados ou dos controleiros partidários, que não querem por perto a participação de cidadãos esclarecidos e exigentes?
E os cidadão, que iniciativas tomaram? Quantos grupos autónomos, de iniciativa ad hoc se constituíram para convidar candidatos a debater as questões que, pressupostamente, deveríamos querer saber e sobre as quais nos deveríamos interessar?
Pois é, pouco se avançou e nada se avançará se todos continuarmos apenas pela lamúria e na abstenção ao voto. Exige-se que se vote, é urgente fazer algo mais que apontar o dedo às falhas alheias, cada um de nós tem as suas próprias. A mim não me acusarão de virar as costas ao exercício de um direito de cidadania que foi postergado durante 50 anos. Os direitos defendem-se exercendo-os e há direitos que são, simultaneamente, obrigações, é o caso do voto.
Eu voto, no dia 7 de Junho e nos outros dias quando a isso o dever de cidadania me chamar.
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