Sexta-feira, 08.04.11

Um bom espelho para certos inscritos/militantes que, ainda, andam a acalentar ilusões.

Tudo indica e, ainda mais, face às actuais circunstâncias, que objectivo do XVII Congresso do PS não vai além de preparar a máquina partidária para a luta eleitorallegislativa de 05 de Junho, empurrando para segundo plano (ou para as calendas gregas, como sucedeu no anterior) as discussões estratégicas e de reorganização interna do partido, incluindo a revisão estatutária.

Este congresso nacional, o XVII, que tem o seu epicentro na cidade de Matosinhos e decorre entre hoje (dia 8 de Abril) e domingo, parece feito à medida (Narciso Miranda diz que queda do governo foi golpe de mestre, vá-se lá saber porque faz tais afirmações) para mobilizar a máquina partidária para as eleições legislativas.

José Sócrates foi eleito, por proposta de Jorge Coelho, secretário-geral do PS em 2004, a composição da Comissão Política e do Secretariado (o órgão de direcção restrita), apesar de mudanças pontuais, tem registado, desde então, uma continuidade significativa.

Dizem alguns dos responsáveis, do aparelho socialista, que quando este congresso foi convocado destinava-se a fazer um balanço da actividade do Governo socialista a meio da legislatura e a proporcionar alguns ajustamentos internos para afinar a ligação entre as esferas partidária e governativa. Numa atitude clara, ainda que não confessada, por parte dos dirigentes máximos do PS, de que já andavam preocupados com fragilidades sentidas no arco da governação e não tanto com o próprio partido.

Pode concluir-se que pouco mudou na filosofia de preocupação do congresso, por parte de quem conduz a máquina do partido e, no próximo Sábado, segundo dia de trabalhos, os cerca de 1800 delegados não vão votar outra coisa que não seja a moção global e outras, colaterais, propostas apresentadas por José Sócrates ou por alguém, estrategicamente, por ele indigitado. Todos os esforços serão concentrados em torno de uma única meta; a de ganhar as eleições e manter os socialistas no poder.

As listas de deputados, embora tendo um processo de escolha que intercala entre os órgãos nacionais do PS (Comissão Nacional, Comissão Política Nacional e Secretariado Nacional) os federativos e concelhios, tem registado algumas picardias internas sempre dirimidas através de compromissos e troca de favores ou colocações, tanto no aparelho de estado, autarquias como nas empresas públicas.

Por voto secreto os delegados vão eleger a Comissão Nacional do PS e também aqui ninguém contestará a proposta que for apresentada por Sócrates, até porque há muitos lugares em disputa mas são muitos mais os boys a satisfazer.

O grave de tudo isto é se a estratégia falhar, o PS perder as eleições e José Sócrates não vier a ser indigitado primeiro-ministro. Nestas circunstâncias iremos ver muitos ratos a sair do palheiro e vira casacas a desdizer o que antes de dois meses haviam jurado pelas alminhas do purgatório que irão cair direitinhas no fogo do inferno partidário.



Publicado por Zé Pessoa às 00:04 | link do post | comentar | comentários (4)

Quinta-feira, 17.03.11

É, por isso, urgente, abrir desde já as portas a uma profunda renovação do PS, quer quanto ao modo como se relaciona com a sociedade, com o capitalismo e com o futuro, quer quanto ao seu funcionamento interno.

Urgente, porque só será realista pugnar pela conquista de uma nova credibilidade no curto prazo, se for objectivamente evidente que o PS iniciou um longo e radical processo de renovação.



Publicado por JL às 16:03 | link do post | comentar | comentários (4)

Quarta-feira, 22.12.10

Um elefante vê uma cobra pela primeira vez.

Muito intrigado pergunta:

- Como é que fazes para te deslocar? Não tens patas!

- É muito simples - responde a cobra - rastejo, o que me permite avançar.

- Ah... E como é que fazes para te reproduzires? Não tens tomates!

É muito simples - responde a cobra já irritada - não preciso de tomates, ponho ovos.

Ah... E como é que fazes para comer? Não tens mãos nem tromba para levar a comida à boca!

Não preciso! Abro a boca assim, muito grande, e com esta enorme garganta engulo a minha presa directamente.

- Ah…ok! Ok! Mas então, resumindo….rastejas, não tens tomates e só tens garganta...

 

Esta generalização é, abusivamente exagerada mas, infelizmente, constitui uma opinião publicada e o que é grave a tornar-se, também, pensamento e debate público, de quase toda a gente.

Tem de ser invertida, esta tendência de generalização, e será possível faze-lo se os responsáveis políticos e partidários começarem por dar o exemplo através de comportamentos concordantes com o postulado nos respectivos, próprios estatutos e declarações de princípios. Apliquem-no, dêem vida à letra que tem andado morta.

Comecem por ganhar a estima, o respeito e a credibilidade junto dos respectivos militantes.

Seria óptimo, para todos os portugueses, com mais ou menos responsabilidade, que os chamados “donos” dos aparelhos partidários iniciassem o Novo Ano com outros comportamentos. Aproveitem a situação de constrangimentos para, sem demagogias e com atitudes concretas, darem sinais de arrumo nas próprias casas partidárias.

Debatam assuntos de proximidade e convoquem quem, por uma ou por outra razão, se sentiu afastado ou se auto afastou das actividades politicas, autárquicas e partidárias.

Serão os dirigentes capazes disso? Só deles próprios depende o lançar desafios.



Publicado por Zé Pessoa às 00:17 | link do post | comentar | comentários (2)

Terça-feira, 07.12.10

Os partidos políticos estão, internamente, apodrecidos e já não é crível que, por si só, sejam capazes de se regenerar, nem internamente nem no seu comportamento social e político-gestionário da “coisa pública”. Os seus militantes, vulgares cidadãos com os mesmos vícios e iguais virtudes de todos os restantes, o que vêm no seu respectivo partido, minoritariamente falando (a maioria foi virando as costas ou sendo “empurrada” para fora), não é outra coisa que um trampolim para progredir no emprego ou uma forma de ocupação de um qualquer lugar de influência partidária por meio da qual seja eleito/nomeado para uma qualquer autarquia ou para a gestão de uma entidade publica empresarial, quando não uma assessoria de gabinete ministerial.

Um tal senhor que “anda por aí” disse que “qualquer dia o povo chateia-se”. Duvido que, pelo menos nos tempos mais próximos, esse desiderato possa suceder, ainda que seja essa a vontade manifestada por esse ex-primeiro ministro de má moeda e má memoria. A minha duvida deriva do simples facto de que a razão, a origem de tudo o que se passa neste “nosso” país, reside e emerge da própria sociedade, é fruto do próprio povo que somos. “O mal está em nós” como ainda há bem pouco tempo um outro filósofo repetiu o que já José Gil havia dito quando afirmou que “temos medo de existir”.

Nós, agregado colectivo, é que “produzimos” os “medíocres políticos” que nos (des)governam, é que permitimos que sejam colocados mas empresas (publicas e privadas) os gestores que, com facilidade, se deixam corromper pela “natural” razão de que a corrupção se tornou moda e nunca ninguém foi, nem há perspectivas que o venha a ser, exemplarmente condenado por tão energúmeno vicio.

Se algum dia o povo se vier a chatear terá que o fazer, primeiramente, consigo mesmo, de imediato com os políticos e partidos que temos e que nos têm desgovernado tão descarada e estupidamente, substituindo uns e outros com critérios de rigor e de permanente controlo.

O caso, no mínimo profundamente discutível e no máximo amplamente criticável, dos magistrados do Ministério Público auto-assumirem-se como um qualquer grupo assalariado de funcionários publicos, juntando-se a greves gerais, é (bem) ilustrativo do como evoluíram certas camadas da sociedade portuguesa.

Com tanto protestar, tais magistrados, não se colocarão a jeito para que o poder político instalado resolva, efectivamente, equipará-los aos trabalhadores da função pública em geral, procedendo à abolição do seu estatuto especial, incluindo no plano remuneratório?

Há profissionais que se não dão conta das suas prerrogativas e vantagens como contrapartidas do exercício de um dos poderes democráticos, pressupostamente, exercidos “em nome do povo” conforme disposto constitucionalmente, nº 1 do artigo 202º conjugado com o disposto no artigo 219º da mesma lei fundamental.



Publicado por Zé Pessoa às 00:16 | link do post | comentar | comentários (3)

Terça-feira, 30.11.10

1. Quem no interior do PS pensa que Sócrates deve ser substituído tem uma boa oportunidade no próximo Congresso. Mas, se antes não ocorrer um qualquer evento dramático e se Sócrates se recandidatar à liderança, ou eu me engano muito ou os que agora, deslizando pelos corredores do poder, esgotam a sua margem de coragem política, sussurrando a hipótese de uma substituição de Sócrates, vão ficar ronronando silêncios, quando seria exigível que falassem.

Mas se algum inesperado vulto se erguer numa súbita coragem, para dizer estou aqui, ainda se terá que perguntar se partilha a adesão ao essencial do caminho percorrido, apenas exacerbando detalhes num arremedo de demarcação, ou se, realmente, se afirma pela convicção de ser necessário enveredar por um outro caminho, qualitativamente distinto do que tem vindo a ser trilhado.

Se estivermos perante uma demarcação substancial, ficará aberta a porta para um Congresso útil que, valendo naturalmente pelas suas opções mais estruturantes , valeria também, desde logo, pelo tipo de debate em que necessariamente se traduziria. Mas, neste ponto, há que sublinhar que de modo nenhum, se poderá aferir a profundidade e a autenticidade de qualquer alternativa pelo grau de veemência do discurso. Veemência que facilmente o poderá aprisionar num tom insultuoso, em detalhes conjunturais ou em trivialidades. Mas deve também estar-se atento ao risco de o saudável vigor crítico praticado no interior do PS se alimentar das agendas políticas da propaganda dos nossos adversários.

A consistência e a radicalidade das demarcações de fundo são factores qualificantes do debate e indícios de uma utilidade objectiva para o Partido dos protagonismos em que se traduza. Os insultos, os processos de intenções, as vozearias, que se encerram em questões menores, são apenas indício de primarismo político, facilmente apropriáveis pelos quadrantes políticos adversários, como armas ao seu serviço. Verdadeiramente, quem seguir por esses caminhos sôfregos e crispados, quer no assalto aos virtuais castelos do poder quer na sua defesa, não será, por certo, um elemento da seiva da vida política, podendo, pelo contrário, contribuir para o seu descrédito. E nunca poderá ser encarado como um protagonista de uma acção cívica, mas pode ser olhado com um simples galaró de combate, absorvido pela fúria estéril de um rixa que só pode contribuir para tornar a vida política mais rasteira e abafada.

Só uma radicalidade estratégica, resolutamente ancorada num horizonte socialista, poderá dar sentido a qualquer alternativa, rompendo a estéril disputa gerada por uma espécie de concorrência entre perfis individuais ou entre tribos. Dito isto, não se deve cair no erro de julgar que qualquer proposta de uma orientação política alternativa se pode limitar a este ponto de partida. Mas, sem este ponto de partida, nenhuma verdadeira alternativa se pode construir.

2. Quem do exterior do PS pensar que, sem recurso a novas eleições, Sócrates deve ser substituído como primeiro-ministro ou que deve ser substituído no PS por um novo líder num próximo Congresso, pode merecer discordância, mas não passa a fronteira da irracionalidade ou da hipocrisia, se o fizer como simples cidadão que exprime uma opinião.

Mas, se disser o mesmo, na qualidade de um actor político que quer contribuir para ver concretizado o que diz, merece uma observação. Pode ser encarado de duas maneiras. Numa primeira hipótese, essa posição é um simples fingimento. Fingimento de quem, achando embora que Sócrates deve continuar, por julgar que essa continuidade beneficia os seus adversários, diz o contrário, por pensar que assim reforça a hipótese de que isso não aconteça. Quem assim proceda, podendo ser qualificado como cínico, não deve ser considerado como politicamente estúpido. A sua estratégia pode ser eticamente repugnante, mas tem uma lógica que a torna compreensível.

Numa segunda hipótese, esse actor político diz o que pensa e quer. Ou seja, ele quer ver Sócrates pelas costas, mesmo que o Governo continue a ser do PS . Nesse caso, a sua tomada de posição pública é uma atitude grosseiramente estúpida de um ponto de vista político.

Realmente, quanto mais relevantes e numerosas forem as vozes exteriores ao PS, apontando nesse sentido, menos provável será que o PS as acolha positivamente. De facto, devia fazer parte da informação mínima de qualquer actor político português, a fortíssima improbabilidade de o PS alguma vez consentir que lhe ditassem do seu exterior quem deve ser o seu secretário-geral, ou quem deve ser indicado para liderar um governo do PS. E quanto mais os seus adversários, ou seja quem for do seu exterior, falarem nisso, mais se acentuará essa improbabilidade, bem como o repúdio por essa via no interior do Partido. De facto, cada voz pública nesse sentido reforça a irredutibilidade da sua recusa.

Por isso, pode afirmar-se, com segurança, que os actores políticos exteriores ao PS, que publicamente insistam na ideia de que o Partido deve fazer com que Sócrates saia da chefia do Governo e da sua liderança, ou são cínicos ou são estúpidos.

Rui Namorado [O Grande Zoo]



Publicado por JL às 00:08 | link do post | comentar | comentários (3)

Quinta-feira, 18.11.10

Se há algo que caracteriza o actual poder é o domínio de uma nova classe de “jotas” que já não correspondem aos habituais militantes das juventudes partidárias, esses ficam-se pelos gabinetes de assessores dos autarcas e pelas empresas municipais. Nos gabinetes ministeriais impera uma outra classe de “jotas” diria mesmo de jotas mais finos que ascendem ao poder impulsionados pelas raízes de poderosas árvores genealógicas, pelos laços de amizade criados nas universidades, nas consultoras ou nos escritórios de advogados onde estagiaram.

Estes jovens tigres são inexperientes, deslumbrados com o poder e mordomias dos gabinetes ministeriais, num dia andavam a comer sopas, no outro andam de BMW com motorista, num dia ganham mil euros num escritório de advogados onde desempenham as tarefas rotineiras, no outro são distintos adjuntos de secretários de Estado ou chefes de gabinete. Sem experiência, ávidos de poder e com um profundo desprezo pela Administração Pública tem como único objectivo fazer currículo e regressar aos escritórios e consultoras com direito à promoção.

Cheios do poder que vem dos laços familiares, da amizade do ministro ou do secretário de Estado ou da passagem pelo núcleo duro de apoiantes do primeiro-ministro têm um profundo desprezo pela hierarquia da Administração Pública, para eles o que conta não é a competência ou a defesa dos interesses do Estado, é o poder que cada um tem e a capacidade de usar a informação dos serviços para influenciar a opinião pública. Se o povo está descrente procuram-se indicadores de sucesso, se o povo está revoltado fazem-se fusões e saneamentos e exibem-se os culpados, estes jovens tigres são uma versão moderna e liberal dos antigos guardas vermelho da revolução cultural de Mao.

Alguns são bem sucedidos e chegam mesmo a secretários de Estado depois de uma passagem como assessores de Sócrates ou chefes de gabinete do ministro, é o que sucede no ministério das Finanças, cheio de gaiatagem agressiva onde Teixeira dos Santos parece o pai da malta. E pelo que dizem esta é uma realidade comum a muitos gabinetes ministeriais, estão cheio de jovens tigres visionários convencidos de que por serem filhos ou genros de Guilherme Oliveira Martins ou porque por terem tomado o pequeno-almoço com Sócrates são detentores do dom da competência ilimitada e de um poder que não emana de um regime democrático mas sim do facto de pertencerem à corte de um vencedor de eleições.

O risco de levarem o PS a uma derrota humilhante nas próximas legislativas não os incomoda muito, a uma boa parte deles tanto faz que governe o PSD como o PS e quando mudar o governo regressarão às consultoras e escritórios de advogados onde serão promovidos em sinal de gratidão pelas encomendas de falsos estudos que fizeram ou pelas leis simpáticas para os negócios que ajudaram a adoptar. Exibirão nos seus currículos os elevados cargos que desempenharam sem que neles conste a incompetência que promoveram.

[O Jumento]



Publicado por JL às 00:11 | link do post | comentar | comentários (2)

Segunda-feira, 15.11.10

Entre nós, cá dentro, muitos são aqueles que prognosticam a queda do governo antes do fim da legislatura, incluindo o próprio socialista João Proença, da UGT, que diz não irá além de Junho.

Eu, pelo que estou a constatar, tal “trambolhão” não será assim, tão certo, a avaliar pelas mãos estendidas que chegam do exterior, dirigidas a tão ilustre crente no futuro, ser iluminado para todos os compatriotas defender. Já tinha chegado o “amigo” chileno e veio, agora, cheio de entusiasmo, o não menos “amigo” chinês.

Cair ou não cair? Tudo depende dos socialistas, considerando as mais diversas circunstancias. Dos socialistas que estão no governo, dos que estão nas autarquias, dos que estão nas empresas (sobretudo dos administradores), dos que estão nos sindicatos e dos militantes em geral. Todos esses socialistas, cada um de modo próprio e segundo o respectivo grau de responsabilidade, podem contribuir para que a boa gestão dos recursos publicos seja conseguida. Claro que o exemplo terá de surgir do topo, dos que têm maior grau de responsabilidade, o que, em abono da verdade se diga, não tem sucedido.

Os militantes socialistas terão de ser mais actuantes e mais exigentes para consigo próprios e para com os seus camaradas em exercício de cargos publicos, políticos e gestionários.

Os sindicalistas socialistas terão de se deixar de olhar, apenas e só, para o umbigo sindical e passarem, também, mais activa e frequentemente, a “dar a cara” aos diferentes níveis da estrutura interna do partido.

Os gestores socialistas (empresas, autarquias, políticos) terão de ser, e parecer, mais sérios, mais coerentes, na gestão da “res pública”, usando, mais eficaz e justamente, os recursos de que dispõem e só esses, provenientes dos impostos, agindo com rigor e parcimónia nos gastos.

O rigor legislativo, a eficácia dos mecanismos e de todo o sistema de regulação da economia, terão de ser melhorados bem como a eficiência da “máquina” fiscal, sobretudo, no que respeita à movimentação de mercadorias, capitais e serviços, quer internamente como no que reporta a comércio externo.

Terá de ser reduzido, drasticamente, o mercado paralelo e a, concomitante, fuga aos impostos.

Naturalmente que PSD ou qualquer outra das forças politicas, com assento na Assembleia da Republica, só se atreverão a apresentar qualquer moção de censura ao governo se este cair na desgraça de dar motivos para esse desiderato.

A queda de Sócrates só acontecerá se o seu governo e o partido que o apoia persistirem em não agirem solidariamente entre si e permanecerem as escandalosas derrapagens associadas a asneiras politico-financeiras alienantes da responsabilidade que quem destrói incentivos à poupança e desbarata dinheiro capturado no mercado externo.



Publicado por Zé Pessoa às 00:13 | link do post | comentar | comentários (5)

Quinta-feira, 09.09.10

Há uns meses foram, os militantes socialistas, chamados para elegerem os seus dirigentes de base e concelhios. Em alguns casos como Lisboa verificaram-se mudanças de tais lideranças, ao que parece os eleitores e militantes em geral ainda não sentiram quaisquer alterações significativas na dinâmica interna partidária.

Alguns desses eleitores já clamam que vai ser mais do mesmo nas eleições federativas que se aproximam, por isso dizem que já se não dão ao trabalho de exercer tal dever/direito cívico. Dizem que o partido só o chama para votos e comícios.

Tais “queixumes” ouvem-se, a miúdo, às mesas dos cafés, entre conversas de amigos e camaradas, dizendo que o processo de escolha dos listados, para concorrer a lugares partidários ou em eleições autárquicas é, em demasiados casos, pouco transparente, muito filtrado, por pequenos caciques, nada debatido e sem a mínima participação por parte dos militantes partidários.

Assim, dizem, não será tão cedo, que aparecem alternativas credíveis à confrangedora pobreza política existente, nos vários níveis do exercício da representação(?) democrática(?) o que origina falta de capacidade interventiva e massa critica dentro dos partidos e nas autarquias.

Por isso, cidadãs e cidadãos, precisam-se, no mínimo, com menos contradições e menos egoísmos, no máximo, com mais e mais sérias convicções, com mais ética. Gente com novos ideários e proposituras inovadoras, faz falta à refundação do exercício democratico, à implementação de novos e diferentes comportamentos que renovem a confiança perdida na política e no bom governo da “rés pública”.

Para que possam surgir, na vida pública, tais cidadãos há que começar a praticar, esses princípios e hábitos, nos prédios onde habitamos, nas reuniões de condomínios, passando pelas associações do bairro, pela intervenção nas assembleias de freguesia...

Locais, estes, que têm sido um deserto de participação cívica, incluindo dos próprios e imediatamente interessados. A maioria está sempre à espera que alguém lhes resolva os problemas com os quais se deveriam preocupar, segundo os próprios e imediatos interesses.

Em vez de passarmos a vida a dizer mal uns dos outros, deveríamos olhar mais para cada um de nós próprios e interrogarmo-nos sobre a participação de cidadania, aos diferentes níveis e nas mais variadas possibilidades que existem ou podem ser criadas pela sociedade civil.

Paradoxo, dos paradoxos, é o facto dos portugueses, depois de terem sido libertados de uma ditadura que os oprimia, tornaram-se, genericamente, nuns Estado-dependentes. É o que temos sido, nos últimos 30 anos, individual e colectivamente em vez de cidadãos de plenos direitos e concordantes obrigações.

Se cada um responder, positivamente, segundo a sua quota-parte de responsabilidade, na participação cívica dos problemas de todos, deixaria de haver tanta "camarilha" e "boys-Estado-dependentes" à procura de jobs. Haveria menos desemprego (que chega já aos 11%) porque o espírito empreendedor seria bastante mais dinâmico, o que não acontece, desde logo, a partir do próprio exemplo de inércia que advém das autarquias do Estado e respectivos quadros de pessoal. É um acomodar quase absoluto.

Há quem clame por menos Estado. Tanta hipocrisia!



Publicado por Zé Pessoa às 00:05 | link do post | comentar | comentários (8)

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