De Revolta Fr. contra esta UE neoLiberal a 31 de Maio de 2016 às 09:41
Temos de ter sempre a França

Com poder de síntese, Jacques Sapir resume as regressivas alterações da legislação laboral, literalmente decretadas pelo governo francês, ao “pagamento de um resgate” à UE, em geral, e ao Euro, em particular,
para ter uma limitada tolerância em matéria de défice, confirmando que a EXTORSÃO faz parte deste regime europeu de esvaziamento da soberania democrática nacional.

Numa outra reflexão, Sapir aponta para a natureza do movimento social em curso, comparando-o com o de 1995 e sublinhando nesse exercício uma eventual diferença:
“constitui, na prática e mesmo que uma parte dos actores não tenha disso consciência, o primeiro movimento CONTRA a União Europeia e as regras que esta impõe”.

Felizmente, existe uma certa França que se REVOLTA, que recusa as medidas de Hollande, Valls ou de outro desses produtos de décadas de transformação do PSF num partido sem o S e sem o F (desde 1983, em nome da Europa...).
É uma França que recusa então os termos de um PESADELO político:
europeísmo social-liberal, na melhor das hipóteses,
retintamente neoliberal na mais realista, ou extrema-direita.
Por isso, tenho repetido por aqui a pergunta:
como é que se diz "depois queixem-se" em francês?

Jacques Sapir não está sozinho e o facto de outro grande economia político SOBERANISTA DEMOCRÁTICO, Frédéric Lordon, ter emergido à sua maneira como uma espécie de Pierre Bourdieu nestes tempos é um bom sinal.
Bourdieu foi, no ciclo de protestos de 1995, um dos raros e CORAJOSOS intelectuais públicos a intervir a favor das reivindicações populares, numa paisagem ainda dominada pelo ranço intelectual dos “novos filósofos” e similares neoliberais.
O Le Monde diplomatique, onde Bourdieu também escrevia e onde Lordon hoje escreve, era e é uma ave rara numa IMPRENSA social cada vez mais empresarialmente CONDICIONADA.

Pode ser que entre a CGT, o movimento «Noite a Pé» e a candidatura presidencial de Jean-Luc MÉLENCHON surja algo das cinzas da ESQUERDA francesa,
a que entretanto ardeu nas chamas do europeísmo social-liberal e dos compromissos eleitorais gerados por um sistema político INJUSTO.

Temos de ter sempre uma certa França, também nas ideias que são forças materiais nas ruas e nas praças, fiel, em 2016, a um certo espírito de uma certa história que não acabou:
1789, 1848, 1871, 1936, 1945, 1968, 1995...

(-por João Rodrigues, 30.5.2016, Ladrões de B.)


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres