De U.E., nacionalismo e extrema direita. a 31 de Maio de 2016 às 15:22
---Se faz favor
(-por D.Crisóstomo, 28/5/2016, 365forte)

Então é assim: Francisco Louçã está espantado e em choque porque na Áustria há tipos de extrema-direita. Sabe lá Deus como, coisa nunca vista, um tipo extremista e xenófobo nascido em solo austríaco? Coisa recente e novel, só pode, nos bons velhos tempos não havia disto.

Não havia, e a culpa, Louçã conclui, é da União Europeia, essa maker-of-nazis. A conclusão está feita, a argumentação está por fazer, mas deduz-se ser óbvia, certamente. Pois então, não pode ser, na Áustria da gente bué recomendável que o conselheiro de Estado recomenda (deduz-se que nos países com a extrema-direita no poder aquilo seja pocilgas culturais), "de Viena capital da Europa", nos tempos áureos antes da UE malévola, onde Viena era opressora e colonialista de checos, bósnios, croatas, eslovenos, eslovacos, etc etc, essa mesma, de boas famílias, quem diria, que não foi a provocadora da IªGuerra Mundial nem nada, lá terá gente esquisita. E apesar do pseudo-fascista nunca ter ganho em Viena, nem na primeira nem na segunda volta, ter estado bem longe disso, estaremos na capital do país "que dá hoje metade dos votos a uma figura de um partido nascido da saudade da invasão pelas tropas nazis", pois, isto é coisa estranha, partidos com maiorias em democracias fundados por gente que esteve em partidos de regimes totalitários? Não temos cá disso, nunca se viu, isso é coisa do diktat de Bruxelas também. Aliás, o FPÖ, o partido nacionalista citado, já tinha o seu líder como governador da Caríntia, um estados da Áustria, e, com os seus 42 deputados, era já terceira força política antes da entrada da Áustria na União Europeia em 1995. Mas enfim, deixemos lá isso, detalhes meus.

Continuemos. "Se este é o resultado da fragilidade do regime democrático, da decadência das suas políticas sociais, do medo dos refugiados e da perturbação criada pela guerra fria de baixo nível nas fronteiras da Rússia", e de muitos outros factores, muito bem, de acordo, continue, pois "então é caso para nos questionarmos sobre a sobrevivência da própria política europeia, porque ela é um dos factores principais desta desagregação" e prontus. A UE, deve estar lá nos tratados, é a culpada do tipo anti-UE ter arrecadado muitos votos na Áustria interior e rural. E da Rússia. E dos refugiados. Isto lá estava mesmo bom e nos conformes antes da UE meter o bedelho, como é óbvio. Aliás, nos dois temas, Rússia e refugiados, é isso que se exige nas ruas: UE fora daqui, cada um por si, não queremos cá cooperação, xô.

"Quanto ao discurso, nem vale a pena cuidar disso". É, é melhor não, ainda nos estragava a narrativa e isso era chato. Ainda víamos que o tipo que Francisco Louçã denuncia tinha um discurso completamente odioso ao projecto europeu, a Schengen, às liberdades, direitos e garantias europeias, à Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, ao mercado único, ao plano de reinstalação de refugiados europeus, a qualquer reestruturação da divida da Grécia, etc etc. Que dizia perceber que o risco para Portugal Áustria se chama Comissão Europeia e Banco Central Europeu. Mas não vale a pena cuidar disto.

Francisco Louçã sublinha ainda outros casos de alerta: "entretanto, forças afins da extrema-direita dominam ou participam nos governos da Polónia, Hungria, Dinamarca, Finlândia e Holanda". Ora bem, antes de mais é bom ver Louçã ao lado da Comissão Europeia e das forças progressistas europeias na denuncia do governo polaco, apelidando-o de "extrema-direita", também estou de acordo (estamos, apesar de tudo, a falar de um partido que pertence à família europeia do Partido Conservador britânico). Também concordo com a classificação relativamente ao governo húngaro, do Partido Popular Europeu (Duarte Marques dirá que não, mas eu e Louçã suportamos-nos neste documento, entre outros). Na Finlândia, os Verdadeiros Finlandeses lá estão na coligação, verdade, também concordamos. Agora, não sei aonde terá desencantado as forças de extrema-direita no governo dos Países Baixos (o Dijsselbloem é um lodoso feioso, mas não exageremos). E na Dinamarca, aspas aspas, mas aqui ainda posso supor que a argumentação será que o nacionalista Partido Popular Dinamarquês faz parte da maioria parlamentar que apoia o governo - mas então, ...


De Federalismo, U.E., neoliberais e direita a 31 de Maio de 2016 às 15:40
---- Se faz favor (-D.Crisóstomo, 28/5/2016, 365forte)
...
... O post contínua, realçando que há governos progressistas que fazem aparentes contra-sensos na legislação laboral
(coisas nunca vistas também e que claramente devem ser da inteira culpa da UE que os obriga, coitados, umas vítimas certamente, é ver como é nos estados fora do espaço comum, exemplares nesta matéria [o facto de a extrema-direita suíça, por exemplo, ter a maior bancada na câmara parlamentar federal também deve ser culpa da UE ou assim])
e que os federalistas estão depressivos, quais derrotados da vida, devido ao conjunto de chefes de estado e governo que nos calhou na rifa. Pronto, e aqui fico inquieto.
Porque sei que Francisco Louçã sabe muito bem o que é o federalismo e o que é o inter-governamentalismo, e que o primeiro reivindica precisamente, por oposição ao segundo, que o destino da União passe a ser mais integrado e dependente da vontade dos seus cidadãos eleitores e não dos líderes nacionais.

Que o federalismo defende o escrutínio e a responsabilização dos órgãos políticos europeus, que estes respondam apenas perante eleitorado europeu e o parlamento que os representa.
Que os órgãos políticos europeus não estejam dependentes das vontades e desejos de governantes de parte da União,
mas sim que dependa exclusivamente dos anseios e opções da maioria da população europeia.
Dizer que os federalistas estão decepcionados com Schauble, Hollande ou Cameron é como afirmar que os marxistas estão decepcionados com os baixos salários pagos pela McDonalds.
Partilhamos do diagnóstico de que é imperfeito, nunca o negámos, mas não é este o modelo defendido.

Mas o grande ausente do post de Francisco Louçã, que se baseia no resultado das eleições presidenciais austríacas para defender a sua (legítima, sem dúvida) tese eurocéptica
é, precisamente, o vencedor das eleições presidenciais austríacas. Alexander Van Der Bellen ganhou este escrutínio, vencendo nos estados do Tirol, Voralberg, Alta Áustria e Viena.
Foi o candidato mais votado em 14 das 15 maiores cidades austríacas, tendo vencido também em todas as nove capitais estaduais. O novo presidente da República da Áustria é um ecologista (ex-líder do partido ecologista austríaco), ex-deputado, um economista keynesiano, especialista em políticas públicas, e antigo director da faculdade de ciências sociais e economia da Universidade de Viena.
É também um filho de refugiados e que se identifica como um declarado federalista europeu. Isto também é culpa das políticas europeias?

Entendamos-nos.
Sim, há um problema, que não é novo, com o poder de influência da extrema-direita em certas partes da Europa (dentro da UE e fora dela).
E que, os dados demonstram, (à semelhança dos Estados Unidos da América) é basicamente
um combate entre uma Europa das cidades e uma Europa do interior rural,
entre uma Europa cosmopolita e uma Europa nacionalista.

E neste combate há as forças progressistas que se concentram na oposição e na alternativa a um retorno civilizacional
e não em partilhar trincheiras nacionalistas com quem nada mais partilham.
Foram estas forças que na passada semana venceram as eleições na República da Áustria.


(Disclaimer: Francisco Louçã foi meu professor e um dos melhores que tive. Todavia, nesta temática, dele sempre discordei, como é aparente)

--- Europa, F.Louçã, Nacionalismo, União Europeia, Áustria, Federalismo, Extrema direita, ... ...

---- http://blogues.publico.pt/tudomenoseconomia/2016/05/27/uniao-pergunte-se-faz-favor-uniao/ por F.Louçã.

---- http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//NONSGML+REPORT+A7-2013-0229+0+DOC+PDF+V0//EN relatório do Parlamento Europeu sobre direitos fundamentais na Hungria. -por Rui Tavares


De UE em crise política e económica. a 31 de Maio de 2016 às 15:54

---Jaime Santos
28 Maio, 2016

Dou de barato que a ideologia austeritária que hoje domina a Europa contribui em larga medida para o crescimento da Extrema-Direita. Quando não há diferenças entre a maioria dos Partidos do PPE e do PSE (e quando neo-fascistas húngaros e polacos se sentam nas bancadas do PPE em Estrasburgo) é natural que o eleitorado rural ou operário abandone as fileiras da Esquerda para votar na Extrema-Direita. Acontece na Áustria, como acontece em França com a FN. Mas convenhamos, atribuir toda a culpa pela existência da Extrema-Direita à UE é algo exagerado. Sempre existiu uma forte tradição de Extrema-Direita na Áustria (Hitler era afinal austríaco), mesmo antes do Anschluss de 1938 e que continuou após 1945. O FPO não é um epifenómeno recente. A UE pode ter responsabilidades na gestão da crise dos refugiados (e alguns países europeus têm responsabilidades relativamente ao eclodir da Guerra na Síria), mas não podemos contestar o princípio de que todos os Países dentro da União devem receber refugiados, como resulta aliás das obrigações impostas pela carta da ONU. Ora, é também essa nossa obrigação de acolher quem precisa que está a alimentar os Partidos de Extrema-Direita por essa Europa fora. Atribuir à fraqueza da resposta da UE perante os egoísmos nacionais (incluindo no Reino Unido) a causa desses mesmos egoísmos, é confundir a consequência com a causa…

--- Nuno Silva

Uma negociação entre uma UE extremista neoliberal, e uma Inglaterra extremista neoliberal, estávamos á espera de quê?

Protecção de pessoas!!?? De seres humanos!??

É óbvio que a Alemanha já desistiu, porque arrogantemente acha que atingiu o seu “estágio”. Nem tentou, como sempre, meter dinheiro vivo nas negociações com a Inglaterra, como sempre fez.

Mas a história ensina-nos, que quanto mais tarde a Europa combater a arrogância da Alemanha, e os seus aliados (mais perigosos), mais grave será a resolução de problemas futuros…

--- Jose

A chamada “UE” não é união, nem aduaneira. As chamadas instituições europeias, algumas nem previstas em nenhum “Tratado Europeu” o poder foi assaltado por que ousou fazê-lo.

A Comissão Europeia perdeu iniciativa e as ordens têm origem duvidosa, mas geralmente são dadas pelo “Presidente do Eurogrupo” que é justamente uma instituição informal sem existência formal. Ou vêm de Merkel e vinham também muito de Schäuble. Tudo poderes usurpados e a representar poderes mal esclarecidos.

No meio da baralhada há uma instituição que manda e muito, demais. É o BCE que tem as economias, que se submeteram ao Euro, com a corda laçada na garganta e as pontas das cordas em Frankfurt. A cada esticão alguém fica para trás.

Está em curso um processo de anexação das economias através da chamada união bancária.

Para ter sido possível arregimentar colaboracionistas nos diferentes países cujas economias estão em curso de anexação foi desenhada esta política de recessão e punição que fragilizou a defesa das democracias pluralistas e no caso da Grécia até ousaram fazer um golpe de estado.

Estas políticas associadas à execução de políticas externas de agressão dando a cara pelos EUA cercaram a chamada “UE” de guerras por fora e terrorismo por dentro.

Tudo tem efeitos colaterais e neste caso é a desconfiança e o voltar de costas de quem não tem a tal corda na garganta com a ponta em Frankfurt.

Ficou em evidência que não existem cidadãos da chamada “UE”. Existem cidadãos das suas nações e países que erguem a voz chamando os seus à sua casa de sempre construída com sangue, suor, lágrimas e muita ousadia. Ninguém fica com “pele de galinha” pelo hino da chamada “UE”.

Sob a capa desta desunião Frankfurt continua a esticar uma e outra corda ficando sempre alguém para trás.


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