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De Corrupção: BES, submarinos, Min.Defesa,. a 19 de Janeiro de 2015 às 15:00
Para a história da justiça em Portugal

Há um mês, a 17/12/2014, a comunicação social noticiou que o processo dos submarinos foi arquivado. Não foram encontrados culpados de ilícitos. Por curiosa coincidência, a TVI24 revelou uma gravação do conselho superior da família Espírito Santo, realizado a 7/11/2013. O vídeo está no YouTube. Segue abaixo a transcrição da parte mais sumarenta.

Reunião do conselho superior da família Espírito Santo, realizada a 7/11/2013 (ou seja, 1 ano, 1 mês e 10 dias antes do arquivamento do processo dos submarinos).

Ricardo Salgado (RS) ‒ Muito bem. Eu quero que saibam, eu não sei o que vai acontecer ao processo dos submarinos, mas, em princípio, parece – parece, ainda não há a certeza – que poderia vir a ser arquivado.

José Manuel Espírito Santo ‒ Ó Ricardo, já agora explica como é que foi o assunto do recebimento da comissão da ESCOM.

R.S. ‒ O problema da ESCOM, no caso dos submarinos, é um problema que de facto é uma história complicada. Porque vocês sabem que a origem desta operação até vem de alguém que trabalhava convosco na Santogal…

Voz não identificada – Era o Miguel Horta e Costa, irmão do Luís [Horta e Costa, presidente da ESCOM].

R.S. – … e o Miguel Horta e Costa foi à ESCOM propor a operação. Nós ficámos, enfim, com uma impressão que isto provavelmente não tinha pés para andar e que, de qualquer forma, era uma operação pontual. O Banco [Espírito Santo] com o Crédit Suisse tinha organizado a operação de leasing para a compra dos submarinos. E então a ESCOM dirigiu sempre a operação, sempre, desde A a Z, e só nos deu informação pelo montante que nós recebemos. Vocês dizem: “Ah mas vocês deveriam ter pedido mais elementos.” Com certeza que nós queríamos mais elementos. E mais uma vez esteve lá o Luís Horta e Costa que explicou que dos… eram 30 milhões…

Voz não identificada – … que a ESCOM recebeu de comissões…

R.S. – … teve de fazer uma redução de 2 milhões imediatamente, porque o programa dos franceses estava mais barato. Ficou em 28, depois teve encargos com advogados e mais não sei o quê, e pagamentos que eles fizeram por fora, mas garantiram-me que não tinham pago nada a ministros, alguns. Acabaram por ficar 20 milhões. Deram-nos 5 a nós e eles guardaram 15. E vocês têm todo o direito de perguntar: “Mas como é que aqueles três tipos [Pedro Pereira Neto, Miguel Horta e Costa e Hélder Bataglia] receberam 15 milhões?” A informação que nós temos é que não é para eles, que há uma parte que não é para eles. Eu não sei se é ou se não é, mas como hoje em dia só vejo aldrabões à nossa volta… Os tipos garantem que uma parte tem que ser entregue a alguém em determinado dia.

R. Abecassis E.S. – Tu não achas esquisito ser a administração da própria empresa que decide quanto é que eles vão ganhar e não os accionistas ou os controladores da empresa? É isso que me choca.

R.S. – Ó Ricardo, ó Ricardo…

R. Abecassis Esp.Santo – O Pedro, o Miguel Horta e Costa e lá o outro… o Hélder dizem: “Nós vamos ficar com tanto”…

R.S.– Ricardo, tu tens razão a levantar a questão, mas, imediatamente a seguir à operação estar feita, começou imediatamente uma campanha nos jornais, horrível, sobre a operação e nós nem quisemos saber de mais nada, mais nada.

R. Abecassis E.S.– Se nós controlamos a empresa [a ESCOM], nós temos de controlar os gestores da empresa e quanto é que eles ganham. Se eles têm que ganhar um milhão, ganham um milhão. É assim que…

R.S.– Este assunto não é da área financeira. Parece-me que é melhor não remexer mais neste assunto…

R.Abecassis E.S.– Está bem, eu…

R.S.– … porque vamos acabar por saber quem é que recebeu parte disto e quem é que deixou de receber. É melhor não perguntar. Não fomos nós, de certeza absoluta. Pronto, a operação foi em 2003 [na realidade, em 2004]. Em 2004, o grupo [BES] decidiu acabar completamente com esta actividade, que é uma coisa horrorosa. Porque eles estavam a preparar-se para fazer muito mais, com carros blindados e havia mais outras: fragatas, metralhadoras…

Voz não id. – Eh, eh, ...
NOTA: Paulo Portas nunca foi ouvido pelo MP desde que o inquérito dos submarinos começou, em 2006, apesar de em Março de 2005 o director financeiro do CDS-PP, Abel Pinheiro, e o ministro da Defesa cessante, Paulo Portas terem sido escutados a falar sobre “acordos”


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