De Neoliberal,Desigualdade,U.E.,Grécia,Pt a 20 de Janeiro de 2015 às 12:58
Mudanças na política económica da UE - onde anda o Governo Português?
( por AG, 20/1/201)

Um relatório da OXFAM veio ontem confrontar o Forum de Davos com o cálculo de que, no próximo ano, 1% da população mundial vai deter mais riqueza do que o resto dos 99 por cento:
a desigualdade está a atingir níveis obscenos com o sistema capitalista desenfreado e desgovernado.

Para combater a desigualdade na América o Obama anuncia hoje medidas que incluem consideráveis aumentos de impostos sobre os muito ricos, sobre heranças e sobre os bancos.

Na Europa também se ensaiam mudanças mas nada disto ainda. E mudanças não apenas por causa das eleições na Grécia, onde torço para que ganhe o Syriza.

Na ultima semana, a Comissao Juncker, por pressão da Itália e do Grupo dos Socialistas Europeus, decidiu finalmente que algum investimento público deixará de contar para o défice;
embora para já, a medida abranja apenas países com défices abaixo de 3% - portanto, não se aplique ainda a Portugal;
Mas todos os países podem suavizar a austeridade, alargando o calendário, desde que realizem "reformas estruturais";

Mas isso exige que Governo e PR se batam na Europa pelo reconhecimento dos sacrifícios que já fizemos em Portugal;
nós, Socialistas portugueses no PE, não temos descansado e não descansaremos.
Mas sabemos que é também precisa uma linha de negociação permanente em Bruxelas em representação do Estado.
Ora, capacidade diplomática e política é o que este Governo não tem, nem quer ter - como está à vista no fiasco quanto à Base das Lajes, e no abdicar de controle, predador, na PT e na TAP.

Uma outra mudança anda a ser preparada pelo BCE:
um programa de compra de obrigações dos Estados, equivalente ao que na América se chama de Quantitative Easing.
É um esquema de injector de liquidez na economia, crucial para inverter a ameaça de deflação associada à estagnação económica, que pode levar à total disrupção económica e financeira, e crucial para a capacidade da zona euro financiar a retoma económica e a criação de emprego.
Na semana passada, o Tribunal de Justiça da UE veio declarar que o programa de compra de dívida é legal.

Mas continua uma fanática oposição alemã, que junta em coro políticos, académicos, economistas e banca de investimento.
E também há oposição dos meios financeiros conservadores, em particular o britânico.

O argumento usado é o de que serão os contribuintes alemães a pagar os prejuízos dos eventuais incumprimentos de países financeiramente debilitados.
Casos explícitos da Grécia, Portugal, Chipre, Irlanda e implícito da Itália e da Bélgica, pelo menos. E tb o da França.

Por isso os alemães põem como condição que a responsabilidade de eventuais perdas não seja assumida pelo BCE, mas sim, repartida pelos 19 bancos centrais dos países do euro.
E insistem que a compra de dívida fique registada nas contabilidades de cada um dos 19 bancos centrais da Zona Euro, que devem dividir entre si as responsabilidades,
para que não haja uma "transferência fiscal" dos contribuintes alemães para os contribuintes dos países prevaricadores.

Ora, as operações de compra do BCE podem perfeitamente ser registadas nos livros de contabilidade dos bancos centrais.
E precisamente por isso nenhumas consequências impenderão sobre os contribuintes alemães.
A responsabilidade dos prejuízos cairá apenas sobre países que entrem em incumprimento - e, naturalmente, sobre os contribuintes desses mesmos países.

A este falso argumento, os opositores juntam outro, "ad terrorem" - o de que o QE irá provocar uma "dramática desvalorização do euro".
Ou seja, os alemães não só ficariam mais pobres, como perante uma "dramática desvalorização do euro", ressurgiria o velho espectro da sociedade alemã: a hiperinflação.

Estes são argumentos de desespero. A Alemanha, insensível as consequências devastadoras para as economias do sul da Europa, não parece estar satisfeita com o atraso que impôs ao BCE - de pelo menos 5 anos - na adopção das políticas de QE em relação aos EUA. Esperemos que essa sabotagem tenha o seu fim na próxima 5.feira.
... será o QE suficiente para impulsionar o crescimento e o emprego na Europa ? ...Os bancos tem de deixar de estar focados nas operações do mercado de capitais - meras aplicações especulativas ...


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