De Defender-nos e Falar por nós, em Grego. a 12 de Janeiro de 2015 às 17:03
http://opaisdoburro.blogspot.pt/2015/01/leituras-obrigatorias.html

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«(...) Que a União Europeia seja ela própria o principal factor de degradação dos valores da democracia não é de hoje.
Mas a demonstração deste misto de pesporrência e atrevimento vai-se tornando mais exibida.
No entanto, esse processo não foi inventado por Moscovici ou por Barroso, ou suscitado de repente para o caso grego.
De facto, ele nasceu com a União, antes de se chamar União. (...) Pierre Mendès France, deputado radical e depois membro do Partido Socialista Unificado, discursou no parlamento francês em Janeiro de 1957 – há quase sessenta anos, ainda a procissão ia no adro – contra a ideia de mercado comum de Jean Monnet.
Disse ele que “A abdicação de uma democracia pode ser conseguida de duas formas,
ou pelo recurso a uma ditadura interna concentrando todos os poderes num único homem providencial,
ou por delegação desses poderes numa autoridade externa, a qual, em nome da técnica, exercerá na realidade o poder político, que em nome de uma economia saudável facilmente irá impor uma política orçamental, social e, finalmente, uma política” (cit. in Medeiros Ferreira, 2013, Não Há Mapa Cor-de-Rosa, Lisboa: Edições 70, p.97).

(...)» – A ler: "Vá lá, até podem votar se se portarem bem", por FranciscoLouçã, no Público.

«Há 5 anos que sofrem na pele as consequências de um processo de engenharia social, digno de um capítulo do livro Shock Doctrine, de Naomi Klein.
Há 5 anos que vêem governos a rodar, mas é sempre a mesma austeridade, sempre mais crise, mais pobreza.
Há 5 anos que vivem no país que ninguém quer ser, mas é agora que Berlim, Bruxelas e o FMI ameaçam o povo grego inteiro com as duras consequências de um "voto errado" no dia 25 de Janeiro.
Não, as eleições gregas não são um plebiscito à permanência da Grécia no euro.
Até ver, se ela acontecer, será por imposição da Alemanha e não por escolha democrática.
As eleições gregas são, só e apenas, o momento em que todos nós, todos os europeus, poderemos finalmente vislumbrar uma inversão na relação de forças na Europa e acreditar que é possível resgatar a democracia da asfixia dos mercados. (...)
Uma eventual vitória do Syriza pode alterar as relações de poder na Europa.
Se o Syriza na oposição já inspira tanto medo, capaz de juntar Merkel, Juncker e FMI na sua condenação, imaginemos o efeito de uma voz em Bruxelas que
coloque os direitos dos cidadãos, defendendo a justiça económica e social à frente dos "direitos" dos mercados.
Finalmente, teremos quem fale por nós em Bruxelas, e irá fazê-lo em grego. Que orgulho.»
– A ler: "Um Governo que nos defenda", por Mariana Mortágua, no Expresso.


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