10 comentários:
De Social-Democracia PRESA p. NeoLiberaisPP a 3 de Julho de 2015 às 12:29

O Episódio Grego não é um Episódio

O que está em marcha na UE é uma desconsideração estrutural da política em benefício de um unilateralismo economicista que serve automaticamente os interesses do capital financeiro. Essa desconsideração traduz-se na secundarização da democracia. E assim fica a descoberto um divórcio até agora inconfessado.No mundo de hoje,o capitalismo respira tanto mais facilmente quanto mais despreze a democracia - é isso que nos diz o comportamento da burocracia económico-financeira que atrofia a Europa. De momento, a vítima é o povo grego. Mas os capatazes políticos do capital financeiro que dominam os lugares de decisão das instâncias relevantes, embora ágeis enquanto aspirantes a agiotas, são anões políticos. Anões incapazes de terem respostas politicas consistentes para os problemas que tem levantado a sua lamentável inconsistência estratégica, mesmo que ancoradas na sua mundividência. No grande jogo xadrez da geopolítica mundial comportam-se como jogadores de damas, simples consumidores lineares do seus próprios ócios. Perdidos nos automatismos cegos que não sabem controlar deixam que toda esta deriva antidemocrática vá assumindo paulatinamente o rosto da Alemanha, o que faz correr o risco de ressurreição de velhos medos e velhos fantasmas. Tudo isto se faz sob a batuta dos partidos liberais-conservadores da Europa, abusivamente sugeridos como democratas-cristãos, à sombra do rótulo hipócrita de Partido Popular Europeu. Tudo isto é dramaticamente agravado pelo facto de os partidos membros do Partido Socialista Europeu se terem deixado aprisionar no predomínio ideológico dos conservadores, deixando-se reduzir ao papel triste de agentes moderados das malfeitorias dominantes. Em poucos casos, as outras esquerdas compensam essa anemia com uma nova pujança. Mas a extrema-direita vai crescendo, de momento parecendo desafiar o "status quo neoliberal", amanhã assumindo o rosto musculado do fim da democracia, que o capital financeiro prepara como plano B, no caso de as atuais instituições colapsarem por completo. Por isso, os socialistas europeus não estão apenas perante um encruzilhada política, como tantas outras que a História põe no caminho dos seus protagonistas. Estão perante um encontro histórico com a sua identidade e o seu destino --- perdem-se no triste papel de acólitos das direitas europeias ou assumem uma refundação estratégica que os reconduza à sua razão de ser, ao seu lugar no coração do futuro. E o modo como os partidos membros do Partido Socialista Europeu lidarem com o caso grego pode muito bem ser o sintoma incontornável do caminho que vão percorrer. E não vale a pena ter ilusões. Desta vez o discurso suave e redondo, que sugere tudo sem dizer nada, não é uma opção, mesmo que seja má. É uma rendição; com tudo o que isso tem de cobardia política e irremediável desencontro com o povo de esquerda.

(--por Rui Namorado, 28/6/2015,OGrandeZoo)

Marcadores: capitalismo, esquerda, Grécia, Partido Socialista

------Há na situação presente uma oportunidade única dos socialistas repensarem o que tem feito ou não feito relativamente à Europa que neste momento está sob a égide dos Draghi (BCE), dos Weidmann (Bundesbank) , dos Schauble, de Merkle, ou seja, do grande capital financeiro. Por outras palavras, a Democracia está prisioneira destes senhores e dos esbirros que os servem.

---- http://ograndezoo.blogspot.pt/ ,


De Jornalismo enviesado a 3 de Julho de 2015 às 15:25
A imprensa nacional e os gregos malditos
(http://esquerda-republicana.blogspot.pt/ , 2/7/2015, M.Carvalho)


Não tenho sido o único a notar que a imprensa nacional passa uma história diferente daquela que é passada pela imprensa anglo-saxónica. Nada melhor para ilustrar isto do que os textos sobre a declaração de hoje do FMI:

Enquanto uns dizem que o FMI pede maior flexibilidade na ajuda à Grécia...

Financial Times:
The IMF called on Thursday for Europe to grant the country “comprehensive” debt relief.

Concessions proposed by the IMF was a doubling of the maturities on Greece’s existing debts to 40 years and the inclusion of a 20-year grace period on repayments.


Guardian:
The International Monetary Fund (...) conceded that the crisis-ridden country needs (...) large-scale debt relief to create “a breathing space” and stabilise the economy.

IMF revealed a deep split with Europe as it warned that Greece’s debts were “unsustainable”.

Fund officials said they would not be prepared to put a proposal for a third Greek bailout package to the Washington-based organisation’s board unless it included both a commitment to economic reform and debt relief.
According to the IMF, Greece should have a 20-year grace period before making any debt repayments.


... outros dizem que aponta o dedo à Grécia

Público:
O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que se a Grécia não concretizar um conjunto de reformas precisará de um perdão de dívida (haircut).

Jornal de Negócios:
O Fundo Monetário Internacional efectuou uma análise à sustentabilidade da dívida pública da Grécia, tendo concluído que será necessário um "haircut" caso o país não implemente reformas


Nem tive coragem de abrir o Observador...


De Culpas da UE, da Grécia e do NeoLiberali a 2 de Julho de 2015 às 16:42
Da Europa e da Grécia
( Diogo Serras, 02.07.15,http://jugular.blogs.sapo.pt/ )

1- Desde o início da crise que se sabia que a situação da Grécia era insustentável, no sentido de não existir uma política com hipóteses de sucesso que não partisse de uma profunda reestruturação da dívida existente;

2 - andámos todos (Europa e os anteriores governos gregos) a tentar enganar toda a gente, adiando um problema que obviamente se tornaria cada vez maior;

3 - a destruição da economia grega (e aqui, lamento, são indiferentes considerações sobre a justiça dessa destruição face a opções passadas - como o aldrabar das contas públicas) teria, claro, consequências sobre a coesão social e o sistema político grego;

4 - isso foi, aliás, visível na ascensão ao poder do que costumamos chamar esquerda radical;

5 - a característica específica desta esquerda radical é que a teoria económica está do lado deles. Nem as depressões resolvem nada dos problemas da economia, nem criam qualquer dinâmica de crescimento a seguir. Não é como senão tivéssemos exemplos históricos suficientes sobre isto;

6 - tivemos portanto um governo grego eleito na premissa de que vai terminar com o programa de ajustamento e reestruturar a dívida grega, negociando com a Europa. E uma Europa que, claro, não admite perder a face relativamente a tudo o que defendeu - e não funcionou - nos últimos 5 anos;

7 - ainda que esta equação fosse quase impossível de resolver, é preciso dizer que as duas partes não se comportaram à altura. Estou longe de simpatizar com a retórica e atuação do Syriza, que não ajuda propriamente em nenhuma mesa de negociações. Mas culpo mais a Europa, que tem uma responsabilidade diferente - para além de ter errado depois de sistematicamente avisada, insistindo com os programas de austeridade expansionista em puro frontloading;

8 - o referendo é uma tremenda irresponsabilidade? Claro. Todas as imagens que nos chegam são de um país em colapso e, não menos importante, não se entende o que vai ser referendado ou as consequências do sim ou do não; é-me, de qualquer forma, claro que o Syriza não poderia assinar um acordo que vai frontalmente contra as razões por que foi eleito.

9 - É esta a suprema ironia do comportamento das instituições europeias nos últimos anos: 1º advogam um desastre económico e social como única forma de salvação. Para logo depois, quando as eleições demonstram exatamente esse desmoronar da sociedade grega, quererem demonstrar, sejam quais for as consequências, que um governo de esquerda radical não conseguirá nem um pouco das suas propostas eleitorais;

10 - o caminho a partir daqui parece-me ser entre o mau e o péssimo. A saída desordenada da Grécia do euro, via colapso do sistema financeiro, tem uma probabilidade elevada. Mas aconteça o que acontecer este é um golpe fundo na União Europeia. E não estamos, cada vez mais longe disso, numa altura em que estes golpes podem sarar e não correr o risco de infetar todo o corpo;

11 - no fim, ninguém sai bem disto. Cada parte apenas se enterra mais fundo nas respetivas trincheiras, tirando todo o espaço à capacidade de assumir que a Grécia está cada vez mais perto de ser um Estado falhado. E que construirmos uma Europa efetivamente unida não pode passar pelo reforço continuo aos discursos extremistas e nacionalistas, venham estes de que lado for do espetro ideológico.


De Des-Re-Construção Europeia. a 2 de Julho de 2015 às 17:26

A desconstrução europeia

(-João Cardoso Rosas, 2/7/2015, http://economico.sapo.pt/noticias/a-desconstrucao-europeia_222422.html#.VZRRh47bf4k.twitter )

O que foi a União Europeia?
Foi sem dúvida uma construção feliz nas suas fases primeiras e mais cautelosas, procurando criar interdependências económicas e políticas que prevenissem um novo conflito em larga escala como tinham sido a Segunda Guerra Mundial e a Grande Guerra.

Assim foi com a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, o Euratom, depois ainda a Comunidade Económica Europeia e a construção do "mercado único" para pessoas, bens e serviços.
Tudo mudou, como reacção ao final da guerra fria (e queda do Muro de Berlin, e reunificação alemã),
com a transformação deste processo cooperativo numa espécie de proto-estado europeu
com consideráveis perdas de soberania por parte dos estados-partes e sem qualquer controle democrático digno desse nome.
Foi assim a partir (dos Tratados) de Maastricht, depois com Amesterdão, Nice e o Tratado de Lisboa.

A ideia de que a democraticidade desta mudança fundamental da natureza da construção europeia estava garantida pelo papel dos parlamentos nacionais na cedência de soberania,
ou pelas competências do Conselho e do Parlamento Europeu, foi uma estória para criancinhas.
Não existe democracia sem demos (Povo/ representação/eleição directa dos povos europeus para as instituições europeias: Comissão, Conselho, Eurogrupo, ... e plenos poderes para o Parlamento Europeu), e o demos europeu é coisa que "nunca foi vista nem tida por verdadeira".

A escalada do desastre atingiu o seu ponto máximo com a criação do euro.
O euro foi criado como mais um arrojado passo em frente, esquecendo o que se ensina ao estudante de Teoria Política no primeiro ano da universidade sobre
a conexão necessária entre a moeda e a soberania, ainda mais relevante em contexto democrático.

Sem excessiva surpresa para quem conhece os efeitos perversos do decisionismo político, o passo mais arrojado para criar a união redundou em DESUNIÃO.
O que visava a coesão gerou maior DESIGUALDADE entre os países.
O que tinha como objectivo "amarrar" a Alemanha à Europa traduziu-se na consagração do predomínio alemão.
A Grécia é apenas um caso de um processo mais vasto de perda de relevância dos países do sul e, em especial, da França.

O grande desafio da minha geração foi o da construção europeia.
Mas tudo isso acabou com a crise do euro - escrevi-o aqui no Verão de 2011 - e está cada vez mais acabado.
O grande desafio para a nova geração será o de tentar desconstruir a União Europeia e torná-la algo de menos ambicioso,
numa espécie de regresso às origens, sem que isso provoque demasiada confrontação na Europa, ou mesmo a guerra.

A tarefa é ciclópica, será preciso mudar o paradigma, incomodar milhares de tecnocratas e sobretudo políticos cuja razão de ser - e rendimentos - advêm da União Europeia tal como existe hoje, etc.
Mas o processo de desconstrução europeia é inevitável e o país melhor preparado para liderá-lo é a Grã-Bretanha, uma vez que sempre manifestou um saudável cepticismo em relação ao construtivismo continental.


De Fazer política fiscal e monetária e ... a 2 de Julho de 2015 às 17:29
Draghi (presid. BCE ), pode correr, mas não se pode esconder.

Possivelmente, Mário Draghi salvou o Euro. Teve, no entanto, sempre muito cuidado para não exceder o seu mandato. Por isso, nos seus programas de compra de dívida pública, nunca tratou a dívida portuguesa como a restante dívida europeia, nem tratou a dívida pública grega como tratava a portuguesa. A razão é simples, comprar dívida que tem fortes probabilidade de não ser paga não é fazer política monetária, é fazer política fiscal à escala europeia. Afinal de contas, caso a dívida detida pelo BCE não seja reembolsada, ou seja vendida a preço de saldo no mercado secundário, o prejuízo é suportado pelos contribuintes de todos os países da Zona Euro.


Mas chegará o momento em que Draghi não poderá mais fugir a decisões políticas. Os tratados europeus não prevêem forma de obrigar um país a sair da moeda única. E, na verdade, não há. A única instituição com capacidade para obrigar um país a sair do Euro é mesmo o BCE. Se este fechar o garrote aos bancos gregos, os custos impostos serão tão grandes que a Grécia não terá alternativa que não a de abandonar o Euro.


Ou seja, a mais importante das decisões políticas dos próximos tempos estará nas mão de Mário Draghi, que apenas tem mandato para fazer política monetária.

(-por Luís Aguiar-Conraria ,2/7/2015, http://destrezadasduvidas.blogspot.pt/2015/07/draghi-pode-correr-mas-nao-se-pode.html#comment-form


De Escudo, Euro, ... política da U.E.? a 2 de Julho de 2015 às 17:40
Não se pode “desinventar” o euro?

Em Portugal, desde o início, a criação da moeda única foi recebida pelos partidos maioritários com expectativas bastante positivas sobre os seus efeitos. Além disso, era vista como indispensável ao processo de reforço da integração europeia. Como escreveu Medeiros Ferreira no seu último livro, “Não há mapa cor-de-rosa. A história (mal) dita da integração europeia”:
“A oligarquia portuguesa foi europeísta com a mesma mentalidade acrítica com que fora colonialista até à exaustão.”

Foi, por consequência, sem grande debate interno que, em Abril de 1992, Braga de Macedo, o Ministro das Finanças do Governo de Cavaco Silva, fez o escudo entrar no Sistema Monetário Europeu e, a 10 de Dezembro de 1992, a Assembleia da República aprovava, para posterior ratificação pelo Presidente da República, o Tratado da União Europeia ou Tratado de Maastricht.
Esse documento definia o caminho para a moeda única.
A consequência lógica destas decisões era a adesão ao euro, processo concluído por Sousa Franco, Ministro das Finanças de António Guterres, em 1999.

A 1 de Janeiro de 2002, o euro era lançado em circulação. Em Portugal, na imprensa, regra geral, o tom foi de celebração e euforia com “este simples e prodigioso testemunho (…) legado por uma geração ímpar de homens convictos e corajosos” (Público, 02-01-02).

Aqui e acolá, vislumbravam-se algumas sombras, mas o lançamento do euro em Portugal gerou um enorme consenso mediático.

A crise financeira internacional, a quase bancarrota de Portugal em 2011, o subsequente pedido de “ajuda internacional” em maio desse ano, as consequências do “programa de ajustamento” colocaram em questão a integração na zona euro.

Hoje já ninguém tem dúvidas de que o euro foi mal desenhado e a zona euro tem-se revelado negativa para quase todas as partes envolvidas.

Curiosamente, os alemães, que não desejavam nenhuma moeda única, foram dos poucos a sair, até ao momento, beneficiados nesta história, e a Alemanha assumiu finalmente um domínio político proporcional ao seu poderio económico, coisa que antes nunca tinha acontecido.

O euro foi um erro crasso.
Pela calada, os políticos entregaram de bandeja grande parte da soberania do país, da qual a moeda é, por excelência, o seu maior símbolo.
Como escreveu João Ferreira do Amaral em “Porque devemos sair do euro”:
“Foi a maior capitulação do país desde as cortes de Tomar de Abril de 1581, que consagraram o domínio de Filipe II de Espanha sobre Portugal.”

É possível acabar com esta geringonça chamada euro sem abalar o edifício todo? Ninguém sabe.
A culpa da embrulhada em que a Europa se meteu não é dos “manga-de-alpaca” que hoje nos pastoreiam por essa Europa fora.
Os principais culpados são os “grandes líderes” do passado recente, os tais visionários geniais,
que também não fazem a mínima ideia de que como é que se resolve o problema que nos arranjaram.
(por José Carlos Alexandre
----

---Carlos

Leio, e releio, textos acerca dos "provados" maleficios que o Euro nos trouxe. Sinto sempre falta do contra-factual, como estariamos hoje, como teriamos aguentado (ou não) a maior crise mundial num século, se não estivessemos integrados no Euro?

A quase bancarrota e o ajustamento dos últimos anos é também sempre referido neste contexto, por vezes dizendo-se que o que nos aconteceu não teria acontecido se não estivessemos no Euro.
Não é o caso aqui, vá lá, mas, mesmo assim, diz-se que "colocaram em questão a integração na zona Euro" o que levará muita gente a pensar que melhor seria não estarmos no Euro, tudo teria sido mais simples.

Pois se virmos apenas a história das duas décadas anteriores ao Euro, encontramos não uma, mas duas bancarrotas. E, pelo menos eu, lembro-me bastante bem da fome que muito Portugueses tiveram nos idos de 1983-84. Tudo sem Euros.

----Rita I Carreira

O problema não é o euro; o problema é Portugal. Se Portugal não fizesse parte do euro estaria numa situação semelhante. O desmantelamento do sistema produtivo português deu-se pré-euro, com a entrada para a CEE. O que o euro permitiu foi endividamento a custos mais baixos. Se não estivéssemos no euro, aposto que estaríamos endividados na mesma, mas a custos mais altos.

---- O principal problema é político.


De Solidariedade e Mar de Paz. a 2 de Julho de 2015 às 15:36
---- «Embrulha», UE

... e depois queixa-te.

Turkey can undertake Greece’s 1.6 billion euro debt, provide zero interest loan: Turkish opposition deputy.


De Mudar U.E. e €.; estes Troikas Não ! a 2 de Julho de 2015 às 16:17
------- Manter-se na U.E. e no Euro, mas quanto a este "resgate" dos credores/troika': N€IN, NO, NON, NÃO, OXI, ...

Varoufakis, hoje 2/7/2015

Ouvir o próprio e não os papagaios das nossas TV. :

Greek Finance Minister Yanis Varoufakis said he’ll quit if Greece votes (YES) to accept creditors’ bailout proposals in Sunday’s referendum.

He said he would "rather cut my arm off" than sign a new accord that doesn’t restructure Greece’s outstanding debt.
Varoufakis expects Greeks to follow the government’s recommendation (NO) to reject the bailout proposals, which would require further tax increases and spending cuts in exchange for continued aid.
He spoke to Guy Johnson on "The Pulse."
-------

--- REFERENDO:
No boletim de voto, a questão a que os gregos terão de responder (SIM ou NÃO) é a seguinte:
“Deverá ser aceite o projecto de acordo que foi apresentado pela Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional no Eurogrupo de 25 de junho de 2015
e que consiste em duas partes, que constituem a sua proposta unificada?
O primeiro documento intitula-se ‘Reformas para a Conclusão do Presente Programa’ e o segundo ‘Análise Preliminar à Sustentabilidade da Dívida’”.


De Destruir a UE ou reformular os Tratados. a 2 de Julho de 2015 às 13:08
A crise da Grécia pode destruir a UE
(-Ana Gomes, 30/6/2015)

A crise na Grécia não é só económica, nem só grega: é a mais grave crise política da União Europeia.
Com consequências mundiais tão aterradoras que alarmam Rússia e China. E o Presidente Obama, bem lembrado do que implicou em 2008 a bancarrota de um só banco e não de um país, não larga o telefone da Senhora Merkel para a convencer a não dar ouvidos ao perigoso Dr. Strangelove que ela tem nas Finanças e que há meses vem defendendo e organizando o Grexit - a saída da Grécia do euro.

As reviravoltas dramáticas a que assistimos na ultima semana neste processo de negociação, com um Estado que representa menos de 2% do PIB da UE, espelham a falta de uma liderança política com sentido estratégico, nesta UE sob hegemonia alemã: basta citar o grande filósofo alemão Jürgen Habermas que há cinco dias escrevia no "Le Monde" um artigo intitulado "Porque é que Angela Merkel está errada na Grécia " sublinhando que "o escândalo dentro do escândalo é o modo como o governo alemão entende o seu papel de liderança. A Alemanha é devedora, pelo estímulo à sua recuperação económica, da qual ainda hoje beneficia, da sabedoria das nações credoras que, no acordo de Londres de 1953, perdoaram metade da sua dívida". Nota ainda que o fundo da questão não é o embaraço moral, mas a essência politica: "As elites políticas na Europa não devem mais esconder dos seus eleitores as alternativas colocadas por uma união monetária incompleta. São os cidadãos, e não os bancos, que devem ter a palavra final em questões existenciais para a Europa".

Mas os governos europeus, Comissão e BCE não estão nem aí: no princípio da semana passada, Comissão e Conselho da UE trombeteavam que o acordo com a Grécia estava por horas. Logo veio o FMI fazer exigências inaceitáveis para os gregos e seguiram-se mais manobras para humilhar o governo do Syriza - que, apesar de ter poucos amigos em Bruxelas, pareceu aplicar-se a fazer ...mais inimigos!

Encurralado com propostas que sabia incompatíveis com o mandato que lhe conferira o povo grego e que mais enterrariam a Grécia porque não resolviam a impagável dívida, Tsipras entendeu devolver a palavra ao povo e anunciou o referendo. No sábado, o Eurogrupo, reunindo os ministros das Finanças - mas certamente com poucos adultos na sala (para usar a imagem da Sra. Lagarde) - expulsava ilegalmente o ministro das Finanças grego, retaliando! Os líderes políticos europeus têm medo do exercício da democracia: já é o segundo referendo que rejeitam na Grécia. Agora que o Parlamento grego foi por diante e o aprovou, tudo farão para condicionar pela chantagem e pelo temor o voto do povo grego.

O governo de Tsipras, compreensívelmente, recusou aceitar dos credores (cujas ameaças fizeram desaparecer dos cofres gregos cerca de 40 mil milhões de Euros só neste ano) um balão de oxigénio para pagar até hoje, 30 de junho, 1.600 milhões de € ao FMI . A dívida pública da Grécia é 200 vezes maior. Os gregos estão fartos de ver dinheiro que entra num dia, para sair no dia seguinte, com destino aos mesmíssimos credores, enquanto o povo amarga e a Grécia não sai da recessão e cada vez se endivida. É compreensível e racional que depois de 5 anos de fracassos de programas da troika - tal como o que foi imposto em Portugal- os gregos queiram seguir por outro caminho. É natural que depois de perderem 40 por cento do nível de vida, de atingirem 25 por cento de desempregados (e 50 por cento de desemprego nos jovens), os gregos tenham a ambição de construir uma nova economia num país devastado. Eles sabem - tal como nós portugueses tambem sabemos - que isso não se consegue só com mais cortes e mais austeridade. O Siryza não é responsável pela corrupção reinante, pela disfuncionalidade do estado grego, nem pelas reformas da Troika falhadas. O Syriza quer fazer reformas e tem legitimidade democrática para isso. Mas a UE alemã quer afastar Tsipras do poder, tal como antes afastou Papandreou, levando a destruição do Pasok.

Tsipras propôs, por exemplo, cortar nas despesas da Defesa. A Troika e o Eurogrupo rejeitaram. A Grécia tem a terceira !!! maior despesa militar entre os 28, em parte por causa de 4 submarinos vendidos pela Alemanha e de vários navios de guerra vendidos pela França,


De Mudar Tratados e reAfirmar VALORES. a 2 de Julho de 2015 às 15:15
A crise da Grécia pode destruir a UE

(-Ana Gomes, 30/6/2015, http://aba-da-causa.blogspot.pt/ )
...
...
... por causa de 4 submarinos vendidos pela Alemanha e de vários navios de guerra vendidos pela França, já com as contas da Grécia à beira do naufrágio.
As instituições não deixaram cortar nessas despesas e querem que a Grécia faça mais cortes nas pensões e na Segurança Social.
Tal como o governo de Passos Coelho e Portas quer fazer em Portugal.

A Grécia quer aumentar impostos sobre os mais ricos e sobre as empresas com lucros anuais superiores a meio milhão de €.
A troika e o Eurogrupo dizem que não pode ser.

Em troca, dizem que é preciso aumentar, por exemplo, o IVA das ilhas gregas, o que seria uma machadada fatal no turismo - o único setor da economia com alguma dinâmica.

Qualquer que seja a opinião que se tiver sobre Tsipras e o Syriza, é preciso reconhecer uma coisa:
o povo grego tem direito a não ser governado pelo FMI, pelo Eurogrupo ou pela Alemanha.

E por cá?
Ao longo dos ultimos 5 meses, governo e Presidente da República desvalorizaram as consequências para Portugal da falta de um acordo entre a Grécia e os credores.
A oposição dos governos português e espanhol a qualquer concessão dos credores à Grécia demonstrou essa cegueira.

Com o aproximar da campanha eleitoral, acrescentaram às teses do bom aluno da troika, dos cofres cheios, ou da almofada de segurança, a da blindagem de Portugal à especulação nos mercados e o respeito destes pelo pretenso sucesso do ajustamento português.
Na verdade, a posição de Portugal nos mercados é extremamente vulnerável:
logo no primeiro dia das medidas de controlo de capitais tomadas na Grécia, o risco da dívida de Portugal subiu 20 pontos percentuais,
forçando o Presidente da República a vir reconhecer que afinal existe mesmo risco de "contágio",
brindando-nos ainda com uma tirada à Américo Tomás a de que "se a Grécia sair, o euro passa de 19 para 18 membros"...

Por mais que Governo, Presidente e escribas de serviço insistam no vergonhoso "chega-para-lá" aos gregos,
a verdade é que Portugal e Grécia estão ligados por um cordão umbilical chamado União Económica e Monetária.

Que, tal como está, não funciona.
A emergência de dois controlos de capitais, dentro da zona €, em apenas dois anos, mostra-o.
Em 2013 com Chipre, agora com a Grécia, fica demonstrado que a União Econónica e Monetária está incompleta e precisa de obras urgentes.
O relatório dos 5 presidentes - Presidente do Conselho Europeu, da Comissão Europeia, do BCE, do Eurogrupo e do PE, há dias publicado, aponta já nesse sentido.
Estas obras implicam MUDAR os TRATADOS, se o euro sobreviver.
E pode não sobreviver à crise da Grécia.

Esta não é só a mais GRAVE crise de uma União Económica e Monetária DISFUNCIONAL, onde se agravaram divergências macroeconómicas entre membros da moeda única,
atolada em POLÍTICAS ERRADAS e arrasadoras dos seus valores, objectivos e do próprio potencial europeu.
A Europa à beira de perder a Grécia é a mesma INCAPAZ de se organizar para combater o TERRORISMO, guerras e outras ameaças à sua volta,
de dar acolhimento a REFUGIADOS desesperados e a migrantes de que precisa
e de proporcionar segurança, emprego, justiça, confiança e esperança aos seus cidadãos.

Se a UE perder a Grécia, destrói o euro e a própria União.
Realmente, destrói-se!


(Notas em que me baseei para a minha crónica de hoje no Conselho Superior, ANTENA 1)


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