12 comentários:
De Seg-Co: Circo para "Principe" maquilhado a 30 de Maio de 2014 às 10:32
Costa e Seguro: virtus e fortuna
(-Maio 30, 2014 por Frederico Aleixo, 5Dias)

... eis que o agenda-setting se alterou. Não interessava falar mais na vitória de Pirro socialista e da derrota monumental do governo. Nem um suspiro sobre o chumbo da população europeia ao projecto europeu.
A noite eleitoral de domingo era a última oportunidade para lançar o assalto à liderança do Partido Socialista, e sabemos como a pequena política preenche mais as colunas diárias do que um debate acérrimo em torno do Tratado Orçamental Europeu ou a Parceria Transatlântica.

Os teóricos do sebastianismo têm agora em mãos um novo case-study. ...

Com António Costa, o caminho está aberto até às legislativas, queira ou não o estóico Seguro. Uma vitória que, a suceder-se, não se pode dizer que seja tanto pelo acervo ideológico de um sobre o outro. Não reconheço grandes diferenças entre ambos:
o combate ao governo, a renegociação do memorando ou mesmo a necessidade de investimento europeu como complemento ao rigor nas contas públicas.
Devo dizer que nem em relação ao Tratado Orçamental Europeu como muitos advogam, já que nunca foi ouvida a proposta de Costa quanto à revisão dele.
Sabe-se também que Seguro procurava em Hollande uma outra esperança para uma adenda de crescimento.
Enfim, nenhum rasga o que nunca deveria ter sido escrito.

Em matéria de entendimentos não é fácil descortinar. O entendimento de Seguro com a direita parlamentar teve, entre a retórica abstencionista violenta, episódios como a conivência do Orçamento de 2012, a longa negociação pelo consenso cavaquista ou o acordo pela descida do IRC.
Neste ponto, António Costa é menos lacónico e defende um entendimento em torno da renegociação do memorando. Mas na sua última participação na Quadratura do Círculo, deixou algumas pistas que parecem indiciar novamente uma proximidade com o seu concorrente.
Tal como o actual secretário-geral, parece que não faz contas com outros partidos. Deixou no ar a possibilidade de acordos parlamentares com o apoio de uma sólida base social.
No entanto, sabemos a opinião de António Costa em relação à ingovernabilidade da esquerda e da sua intenção de conquistar o centro.
E se Marinho Pinto pode ser produto apenas do exotismo que as europeias têm prendado do lado eurocéptico, a conquista do PSD por Rui Rio traria o Bloco Central de Mário Soares e Mota Pinto à memória.

Preocupa-me um pouco esta adesão de muitos trabalhadores ao mito de António Costa. Um candidato elogiado à direita deve ser visto com desconfiança pela classe trabalhadora, sejamos práticos.
Que diferença trará numa Europa austeritária onde um Hollande em queda livre se refugia num primeiro-ministro social-liberal de nome Manuel Valles, num PSOE em ruína ou num SPD coligado com a CDU de Merkel?
Onde 2/3 do Parlamento Europeu e todo o Conselho Europeu navegam para o mesmo lado dos interesses financeiros?
Que tem Costa a dizer da recapitalização da banca ou da actuação dos grandes grupos económicos portugueses – e não só - no rumo percorrido até aqui?
Duvido que António Costa sequer fale em burguesia; mas sei que esta vê no presidente lisboeta a hipótese de estancar uma convulsão social que se avizinha e alguém com capacidade de maquilhar o status quo que varre Portugal:
rentismo, presença do centrão em cargos administrativos empresariais e manutenção dos sectores privatizados.

Acima de tudo, o que distigue António José Seguro de António Costa é um pormenor maquiavélico. O primeiro não tem aquilo que o autor florentino chamava de virtus; a capacidade política de gestão dos acontecimentos, qualidade esta reconhecida no presidente da câmara lisboeta.

Em relação a fortuna, mera contingência e ventos da sorte, um Príncipe deve procurá-la.
O actual secretário-geral sempre foi arrastado pela maré e não procurava sequer criar ondas. Apresentava-se passivo perante o descalabro europeu.
E António Costa lançava avisos pela televisão.

Mas o verdadeiro pormenor importante que faz de António Costa um candidato com outro fulgor para Maquiavel, é que: este sabe aparentar o que não é.

Estruturalmente pensa como Seguro, mas sabe fingir e defender as mesmas ideias com outro carisma e mobilização.


De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 30 de Maio de 2014 às 10:56
Resumindo, o que diz aqui é o seguinte?
- Que António Costa e António Seguro são duas faces da mesma moeda.
E portanto é uma questão, à antiga, de lançar a moeda ao ar de deixar sair «cara ou coroas»!
A merda é a mesma só que pode sair ao PS outro jogador a «sair» à frente.
Muito mal vai Portugal quando o PS continua a ser um fantasma dum Partido dito Socialista...


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