De "Donos Disto Tudo", não vão presos. a 23 de Outubro de 2014 às 12:10
Se deviam estar todos presos – e a maioria dos portugueses pensa que sim – porque é que não estão?
(Resposta no fim)

Deviam estar todos presos
(-por Nicolau Santos, "Keynesiano, graças a Deus")

Até agora considerava-se que, entre todos os bancos portugueses que tiveram problemas, só o BPN era verdadeiramente um caso de polícia. Mas à medida que se conhecem mais pormenores sobre o que se passou nos últimos meses no BES cada vez temos mais a certeza que estamos perante um segundo caso de polícia. Daí a pergunta: porque é que não estão todos presos?

Se não, vejamos. Depois de ter sido proibido pelo Banco de Portugal de continuar a conceder novos créditos ao Grupo Espírito Santo a partir de Janeiro deste ano, o BES continuou a fazê-lo - e, segundo as indicações, fê-lo no montante de 1,2 mil milhões de euros. E das duas uma: ou fê-lo com conhecimento de toda a administração, que sabia da proibição do Banco de Portugal; ou fê-lo por decisão de apenas duas pessoas - Ricardo Salgado e Amílcar Morais Pires.

No primeiro caso, todos deviam estar já presos; no segundo, os dois deviam estar detidos. Para além de desobedecerem ao banco central, lesaram gravemente o património do banco, sabendo conscientemente que o estavam a fazer.

Quanto aos outros membros do conselho de administração, se não foram coniventes, foram pelo menos incompetentes. Tinham responsabilidades em várias áreas de controlo da actividade do banco e ou não deram por nada ou, se deram, não fizeram nada. Por isso, fez muito bem o Banco de Portugal em afastar Joaquim Goes, António Souto e Rui Silveira.

Mas e a Tranquilidade? A Tranquilidade que também continuou a investir em empresas do GES este ano sabendo do estado em que se encontravam? O presidente executivo Pedro Brito e Cunha, que é primo de Ricardo Salgado, tomou essas decisões com base em quê? Na relação familiar, como é óbvio. Devia estar detido igualmente.

Lesou gravemente e de forma consciente o património da seguradora. E Rui Leão Martinho, o presidente não executivo da Tranquilidade e ex-presidente do Instituto de Seguros de Portugal, não sabia de nada?

De novo, das duas uma: ou é incompetente ou foi conivente. Em qualquer caso, já se devia ter demitido ou ter sido demitido. Mas a verdade é que o Instituto de Seguros de Portugal parece estar perdido em combate. O presidente José Almaça não tem nada para dizer? Não tem nada para fazer?

Já agora, António Souto, que o BdP suspendeu da administração do BES é membro do conselho de administração da Tranquilidade. Vai continuar neste cargo? E Rui Silveira, igualmente afastado da administração do BES, é do conselho fiscal da Tranquilidade. Também se vai manter na seguradora?

Por tudo isto se vê o polvo em que se tornou o GES, tendo no seu centro o BES. Nem todos têm as mesmas responsabilidades. Mas há vários dos seus dirigentes que já deviam estar detidos e sem direito a caução pelos danos que estão a causar a muitos dos que neles País confiaram e ao próprio País.

Então, a pergunta é:

- Porque é que não estão todos presos?
E a resposta, óbvia, só pode ser:

- Porque eles são, de facto, «o POLVO nacional», os DONOS DISTO TUDO :
das leis, da Justiça, dos governos, do parlamento. E, por consequência, de todos nós.

Não ouviram, na passada terça-feira, na Assembleia da República, a propósito destruição da PT devido ao caso BES – e às opções dos seus gurus – Pedro Passos Coelho dizer que não é nada com ele? Mesmo que o país perca milhões com isso, nacionalizar está fora de questão? Só se podem nacionalizar os prejuízos, não é verdade?!

E tu deixas…?


De Arruinar a Admin. Pública., deliberadame a 17 de Novembro de 2014 às 12:46
A degradação do Estado

Os directores do IGFEJ que enviaram um relatório à ministra, dizendo que havia indícios de crime e dias depois, em sede de inquérito disseram ao Ministério Público exactamente o contrário, são meros protagonistas de um caso que espelha de forma eloquente a degradação da Administração Pública.

É verdade que essa degradação começou ainda no tempo de Sócrates mas, com a entrada em funções deste governo. o processo acelerou de forma significativa.

Não foi apenas a redução de salários, o corte nos subsídios e as constantes ameaças de despedimento mascaradas com a Mobilidade Especial que contribuíram para a desmotivação.

Foi, principalmente, a perseguição aos funcionários públicos, a desvalorização do seu trabalho e a partidarização da AP.

Este governo contratou para dirigentes de alguns organismos gente sem qualquer conhecimento da AP cujo único objectivo era destruir a máquina do Estado. Muitos deles eram jornalistas que andaram a fazer fretes a Passos Coelho durante a campanha eleitoral e, de um dia para o outro se viram investidos em tarefas para as quais não tinham apetência nem qualidade técnica. Limitam-se, por isso, a obedecer a ordens que vêm dos gabinetes, não tomando iniciativas ou, quando o fazem, é em sentido contrário ao interesse dos serviços e da população que servem.

Serviços públicos dirigidos a partir dos gabinetes ministeriais, também eles completamente fora da realidade, só pode dar asneira.

Os directores do IGFEJ quiseram proteger a ministra e fizeram borrada. Deviam ser demitidos imediatamente, porque está provado que ou mentiram no relatório, ou no inquérito da PGR. É gravíssimo, mas a ministra mantém-nos no lugar porque lhes deve um favor. É assim que estamos. Ninguém se demite neste caso escabroso, porque se estão a proteger uns aos outros, já que sabem que não há inocentes.

Não acredito que este seja caso único. É, apenas, o mais mediático. Este governo destruiu a AP e, admito, nem sequer foi apenas por incompetência das pessoas que escolheu para determinados cargos.Estamos perante um processo deliberado de destruição da máquina do Estado. No mínimo, irresponsável.

Hoje, ninguém entra para o Estado para defender a camisola. Usa o Estado como encosto ou trampolim político. Os portugueses mereciam um bocadinho mais de respeito.

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-por C.B.Oliveira, 13//11/2014,
http://cronicasdorochedo.blogspot.pt/2014/11/a-degradacao-do-estado.html#comment-form


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