De BES, bancocracia e... 22/6/2014 a 24 de Junho de 2014 às 16:33
Sobre o banco do regime e sobre o regime do banco

A situação do BES é crítica. Falência? Não sabemos. Apesar de sermos nós que pagamos quando o negócio corre mal, a contabilidade dos bancos continua a ser uma coisa opaca, onde os poderes públicos não entram para repor a transparência. Apenas sabemos que, tal como aconteceu com Oliveira e Costa na falência do BPN, que todos pagámos e ainda está por julgar mais de seis anos depois, a anterior Administração do BES foi afastada e substituída por gente do regime. Os nomes não são nem os de Durão Barroso, nem o de Manuel Pinho, nem o de Maria de Belém Roseira, nem o de Miguel Frasquilho. E podiam ser. Todos eles ou passaram pelo BES ou continuam por lá de manhã ou à tarde enquanto de tarde ou de manhã desempenham cargos públicos. Mas que ninguém se preocupe. O BES ficou em muito boas mãos.

«O BES está em convulsão interna e vai ter de substituir o seu conselho de administração. Salgado sai por causa de "irregularidades graves", dívida escondida e coisas afins.
Mas deixa lá o seu braço direito, Amílcar Morais Pires, arguido num caso de abuso de informação na compra de ações da EDP. Para chairman, o Grupo Espirito Santo propõe Paulo Mota Pinto, presidente do conselho de fiscalização das "secretas", deputado do PSD e atualmente do conselho de administração da ZON [Isabel dos Santos, accionista de referência]. Ainda para a administração vai Rita Barosa, secretária de estado do Ministro Relvas... do PSD.» – Mariana Mortágua, no Inflexão.

«A crise dos Espirito Santo. Os Espirito Santo – chamemos-lhe BES, ou grupo Espirito Santo - são o regime português. A partir de 1869, da Caza de Cambios, os Espirito Santo construíram um império financeiro que suportou e modelou o regime.
O Estado Português é, em boa parte, o Estado que a família Espirito Santo construiu. Já na I Grande Guerra os Espirito Santo negociavam em nome do Estado Português junto do Bank for International Settelments, o Banco de Pagamentos Internacionais que ainda hoje tem a sede em Basileia, na Suíça.
Os Espirito Santo foram os financeiros de Salazar.
Os Espirito Santo dirigiram os negócios de volfrâmio da II Guerra Mundial a troco do ouro nazi.
Os Espirito Santo financiaram negócios estratégicos em Angola e Moçambique durante o período colonial.
Os Espirito Santo organizaram os grandes negócios do regime democrático. Estão presentes nas PPP, nas grandes obras publicas, na saúde, nos transportes, na energia, no material militar, nas comunicações.

Os Espirito Santo despacharam funcionários seus, às dezenas, para ministros, secretários de Estado, administradores de empresas estatais.
Quer isto dizer que a falência, ou a grave crise dos Espirito Santo é um problema nacional de primeira ordem.
A ministra das Finanças, o governador do Banco de Portugal, têm de dar uma explicação sobre o que se passa com os Espirito Santo. Ouve-se, e não se acredita, que os Espirito Santo recrutaram um vice-presidente do PSD para cobrir dificuldades, que armadilharam uma solução para camuflarem uma situação de falência.
Ninguém no governo diz nada. Todos são coniventes? Todos estão à espera que o povo aguente, mais uma vez e pague sem bufar?
É curioso que, neste caso dos Espirito Santo, ninguém exija explicações. Que baste um tal Gomes Ferreira, aprendiz de contabilista na SIC dizer que o BES está blindado para todos ficarmos descansados. Eu não estou.» – Carlos Matos Gomes, no Facebook.

«
As informações sobre o que se está a passar no GES, como o que nos últimos anos se veio a saber do BCP, e, andando um pouco mais para trás, toda a história ainda em curso do BPP e do BPN, mostram alguma coisa de consistente no comportamento de uma parte importante da elite político-financeira portuguesa.
Não estou a dizer que tudo tenha sido igual, mas muita coisa não sendo igual, nem em dimensão nem em consequências, é demasiado parecida para que não se anotem as semelhanças. Há excepções, com tanto mais mérito quanto escapam à regra, mas são excepções.

O que tudo isto tem em comum é em primeiro lugar a completa promiscuidade com o poder político.
Os Espírito Santo frequentavam os gabinetes de Sócrates, elogiaram-no até ao dia em que o derrubaram, quando os seus interesses
estavam em ameaça de bancarrota


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