De Bancocracia, Bangsters, oligarquia,monop a 27 de Junho de 2014 às 18:29
O labirinto do verdadeiro poder

(- 27/06/2014 por João Mendes , http://aventar.eu/2014/06/27/o-labirinto-do-verdadeiro-poder/#more-1217141 )

Segundo o Expresso, a Portugal Telecom investiu, já durante o ano de 2014, 900 milhões de euros no Grupo Espirito Santo. À primeira vista parece simples mas não é, pelo menos para mim que sou leigo nestas coisas da trapacice financeira. Ler uma notícia destas, para mim como para a esmagadora maioria dos portugueses, é como estar perdido num labirinto de bancos e sociedades gestoras de participações, onde quase todos são accionistas uns dos outros e em cujos conselhos de administração abundam destacadas figuras dos 3 partidos do arco da governação, não vá ser preciso um “empurrãozito” aqui ou acolá.



A coisa é mais ou menos assim: a PT adquiriu os tais 900 milhões em papel comercial – uma espécie de emissão de dívida a curto prazo – do Espirito Santo International. Esta “holding” do GES foi recentemente sujeita a uma auditoria do banco de Portugal que revelou irregularidades nas contas na ordem dos 1,3 mil milhões de euros e um buraco de 2,5 mil milhões. Tal como o próprio GES, está portanto “consideravelmente” endividada. Para piorar a situação, parece que a maioria da dívida do ESI é de curto prazo, o que implica sucessivos refinanciamentos. Para contornar esta dificuldade, é sabido que desde o final de 2013 a instituição se dedicou com mais afinco à comercialização do tal papel comercial, cuja emissão andará na casa dos milhares de milhões de euros. Foi neste contexto que a PT adquiriu 900 milhões de euros de papel, papel esse que foi trocado, em Abril, por papel semelhante, desta feita pertencente a outra empresa com o carimbo da família Espírito Santo, a Rioforte. O prazo de validade deste papel expira em Julho, altura em que poderá ser novamente trocado por outro tipo de papel. Parece que estou a ouvir o Ricardo Araújo Pereira: “O papel? Qual papel?”

Curiosamente, ou não, este investimento surge mais ou menos ao mesmo tempo que o Banco de Portugal obrigou o BES a constituir provisões no valor de 700 milhões de euros. Quanto a quem decidiu tal aplicação, tal parece estar ainda envolto na neblina do costume. Mas sabe-se que Amílcar Morais Pires, o tal que Ricardo Salgado quer a substituí-lo no comando do BES, ou não fosse ele o seu nº2 de longa data, faz parte do conselho de administração da PT. E sabemos também que a recomendação para a PT investir no GES partiu do BES. Eu não acredito em coincidências, mas que as há, há!

A PT fala em “aplicação financeira”. E até o pode ser ou não fosse a PT parte interessada por ser, também ela, accionista do BES, cujo maior accionista é o Espirito Santo Financial Group, que é controlado pela Rioforte que por sua vez é controlado pelo ESI, o tal que recebeu o investimento de 900 milhões da PT e que faz parte do Grupo Espírito Santo, que, nem de propósito, é um dos maiores accionistas da PT. Estará a proteger o seu investimento numa altura de aperto? Ou será apenas uma barganha de conveniência? Eu estou inclinado para a segunda hipótese e pelos visto o João Vieira Pereira e o Pedro Guerreiro também. Pelo menos “na prática”. E consta que eles percebem do assunto.

O jogo da trapacice financeira não é para todos. Poucos o entendem, menos ainda o sabem jogar. A maioria limita-se a existir enquanto ele acontece, ignorando o jogo e o impacto profundo que este tem nas suas vidas. Uma pequena minoria, porém, domina-o e dita as suas regras, independentemente do regime ou do partido no poder. A família Espírito Santo é exímia neste jogo, seja com Salazar, José Sócrates ou Passos Coelho no poder. Podem esquecer-se de declarar uns milhões em impostos, ou até fazer desaparecer uns quantos dos bolsos das suas próprias empresas mas nunca se passa nada. Nada. E nós lá vamos assistindo a tudo isto, regra geral sem perceber exactamente o que se está a passar, enquanto la famiglia instrumentaliza o poder ou brinca aos pobrezinhos. Tudo lhes é permitido. Eles são o verdadeiro poder.


De Ricos criminosos... safam-se sempre ?!. a 27 de Junho de 2014 às 18:45
Só com os criminosos pobres é que não se pode comer à mesa
(JPPereira, 21/6/2014, Público)

As informações sobre o que se está a passar no GES, como o que nos últimos anos se veio a saber do BCP, e, andando um pouco mais para trás, toda a história ainda em curso do BPP e do BPN, mostram alguma coisa de consistente no comportamento de uma parte importante da elite político-financeira portuguesa.

Não estou a dizer que tudo tenha sido igual, mas muita coisa não sendo igual, nem em dimensão nem em consequências, é demasiado parecida para que não se anotem as semelhanças. Há excepções, com tanto mais mérito quanto escapam à regra, mas são excepções.




O que tudo isto tem em comum é em primeiro lugar a completa promiscuidade com o poder político. Os Espírito Santo frequentavam os gabinetes de Sócrates, elogiaram-no até ao dia em que o derrubaram, quando os seus interesses estavam em causa pela ameaça de bancarrota. O dinheiro fluiu nos contratos swap, usados e abusados pela governação socialista, e as PPPs contaram com considerável entusiasmo da banca nacional e internacional. Compreende-se porquê, quando mais tarde se veio a saber detalhes dos contratos leoninos que deixavam milhões e milhões para pagamento num futuro que já era muito próximo.

O actual governo mereceu também da banca todos os elogios e retribuiu em espécie, impedindo que qualquer legislação que diminuísse os lucros da banca passasse no parlamento, ou ficando como penhor de bancos que em condições normais iriam à falência, mesmo numa altura em que já era difícil alegar crise sistémica. O governo actual manteve todas as práticas de co-governação com a banca e as instituições financeiras que já vinham do governo anterior, consolidando um efeito perverso, que não é apenas nacional, de permitir que os principais responsáveis pela crise dos últimos anos tivessem sido seus beneficiários principais.

Para além disso, mantém uma transumância de lugares e funções com a banca tanto mais reforçada quanto a sua relação com os “mercados” passava pela intermediação financeira quer em Portugal, quer fora, e a desertificação das chefias da função pública baseadas no mérito, atiradas para a rua pela demagogia do diminuir os “lugares de chefia”, entregou áreas importantes do estado a consultoras financeiras e à advocacia de negócios. Os incidentes com secretários de estado que vinham da banca e do sistema financeiro e que se transmutavam da venda de swaps para negociadores de swaps, mostraram essa promiscuidade. E as decisões revelam como ninguém quer beliscar uma banca de onde veio, onde pode voltar a ir. A decisão de não ir a tribunal em nenhum caso mais grave de acordos leoninos quanto a PPPs e contratos swap, foi um dos maiores presentes que o actual governo ofereceu à banca. Os provados que usaram a justiça, ganharam em toda a linha, o estado encolheu-se perdeu muito.

As privatizações reforçaram esta promiscuidade, favorecendo uma captura do estado pelos interesses financeiros sem comparação com o passado. No passado, havia interesses industriais, agrícolas, manufactureiros, comerciais que partilhavam com a banca essa proximidade com o estado, o governo e os partidos do “arco da governação”. Agora, mesmo sectores em que as operações financeiras são relevantes, como a distribuição, não tem nem de perto nem de longe a promiscuidade com o poder político que tem a banca e por isso podem com maior liberdade falar criticamente.

Outro aspecto crítico, também atirado para debaixo do tapete é o papel de elite cleptocrática angolana que se exerceu também em Portugal através de uma colaboração estreita com a banca portuguesa que não se importou de contar malas de dinheiro trazidas meio às escondidas, meio com a complacência e colaboração das autoridades portuguesas, e assim permitir uma penetração na economia portuguesa, na comunicação social e na política.

Outra das coisas que se vão sabendo é como a gestão dos bancos se fazia como se o dinheiro que lá estava fosse pertença dos seus donos, gestores, administradores e dos seus amigos, ao mesmo tempo que uma ríspida prepotência e intransigência é a norma de tratamento dos clientes e depositantes, a quem não se desculpa nada. Os milhares de casas, carros, empresas, bens que foram consumidos ..


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