De UE salva os Bancos. - Quem paga ?! a 26 de Maio de 2014 às 12:28
Reflexão e memória

[ver vídeo em : http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/05/reflexao-e-memoria_24.html ]

«Quando a Europa salva os bancos, quem paga?», o excelente documentário do canal Arte (Junho de 2013), conduzido por Harald Schumann, jornalista de investigação do Tagesspiegel (Berlin), a que o Nuno Teles já tinha feito referência e que o blogue Aventar, em mais um gesto de serviço público, legendou. O documentário inclui entrevistas a vários ministros das finanças europeus, a ex-administradores de bancos, activistas, etc., mostrando quem realmente beneficiou dos resgates e os impactos económicos e sociais que os mesmos causaram.

(- por Nuno Serra )
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Acusando-se uns (todos os políticos sem distinção), desculpa-se os outros, os funcionários principescamente pagos a quem chamamos banqueiros, enquanto se defende os interesses rentistas dos acionistas, que aprovaram os programas de incentivos dos funcionários e as políticas de alavancagem surrealista. Haja paciência!

---Saiba que após 1929 e por muitas dezenas de anos os bancos não podiam especular nem sequer participar em sociedades de corretagem, e isso no paraíso capitalista - USA.

--- Agrada-me vê-lo recorrer à defesa de um papel regulador forte por parte do Estado para retorquir ao meu comentário, em vez do trauliteirismo habitual. Penso que se refere a isto, não é? http://en.wikipedia.org/wiki/Glass_Steagall_Legislation,
e conheço bem a sua existência. Pois, estou inteiramente de acordo, o Paraíso Capitalista (em relação ao Capitalismo Não-Rentista este comentador em particular não tem nada a opor) foi em tempos governado por pessoas que tinham em mente o interesse da maioria, não apenas da Plutocracia Financeira Reinante, que é o que você na prática defende com as posições reacionárias que toma.
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Saídas

Com a excepção do trabalho de alguns jornalistas, de que o melhor e mais recente exemplo é o livro de Paulo Pena, a comunicação social, como até Camilo Lourenço reconhece no seu pedido de desculpas, tem sido demasiado timorata na cobertura dos mandos e desmandos do poder financeiro em Portugal. Pudera. É que o dinheiro comanda muito respeitinho e tem propriedades estranhas de inversão para as quais a referência clássica continua a ser Marx. Basta pensar no que também acontece em alguma academia por aí: a que tem cátedras BCP, salas BES e atribui Doutoramentos Honoris Causa e outras honras a banqueiros muito respeitáveis e a quem a próspera economia portuguesa tanto deve; a que propagou a ideia de que os mercados financeiros liberalizados são o máximo da eficiência. Basta pensar na eficiência com que o capital financeiro se transmuta em poder politico, a tal “bancocracia”.

Surge esta conversa a propósito da extraordinária entrevista ao Doutor Honoris Causa Ricardo Salgado feita pelo Negócios e do pouco que se vai sabendo sobre a transformação do Espírito Santo em zumbi, para a qual já chamámos a atenção: na melhor das hipóteses, o próprio Ricardo Salgado atribui os “erros” de gestão à opacidade da estrutura do grupo, às “n” holdings, tudo feito certamente para maximizar a transparência fiscal e regulatória, tudo certamente tolerado pela regulação ligeira, pela trela solta da finança. Aliás, a Espírito Santo Internacional estava sediada no refúgio fiscal do Luxemburgo porque o Espírito Santo está sempre onde estão os portugueses. A naturalidade com que fala do Luxemburgo, sem que haja qualquer pergunta, é impressionante.

O resto é a impunidade de sempre até à hipotética queda final do que era considerado até há pouco tempo o homem mais poderoso da economia política portuguesa: devemos estar muito agradecidos, segundo Ricardo Salgado, por este nos ter “poupado” dinheiro ao evitar a capitalização estatal. Também devemos estar agradecidos pelos créditos fiscais concedidos, na ordem das centenas de milhões de euros, referidos de raspão. Enfim, vejamos se as propriedades autodestrutivas de um sistema, que também apostou na austeridade, não deitam tudo a perder.
(-por João Rodrigues, 24/5/2014, Ladrões de B.)

Holding do Grupo Espírito Santo escondeu 1200 milhões de euros em dívida - ESI, está em falência técnica.
http://www.publico.pt/economia/noticia/esi-escondeu-1200-milhoes-de-euros-em-divida-163712


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