Carta aos encarregados de educação: Comportamento e Aprendizagem

« Carta aos Encarregados de Educação


      Agradecendo desde já a atenção e trabalho da professora de matemática (e dos profs de todas as disciplinas) em prol dos nossos filhos/educandos, e corroborando as palavras (texto anexo) da prof. M.R.,
      solicito a todos os pais/Enc.Educ. (tal como eu farei já hoje) que falem (mais uma vez) com os vossos filhos/educandos e lhes dêm um "bom apertão" ...  seja com incentivos (promessas, prémios, ...)  e com penalizações / corte de privilégios (retirar-lhes 'aparelhos', jogos, net, telefone, tv, saídas com amigos/as, compras, ...),
mesmo aqueles que (geralmente) se "portam bem" precisam de ser chamados à Realidade, ao Estudo (exercícios, leituras, testes, tpc,...) e/ou a um melhor Comportamento ... seu e dos colegas/amigos.
      Claro que eles vão dizer que «a culpa é dos outros» (dos colegas, dos profs, da matéria que é uma "seca", ... nunca é culpa dos nossos 'anjinhos' ...)
porém, se 'os outros' (e eles, às vezes, um pouquinho ...) se «portam mal»   (conversam, viram-se para trás ou lado, fazem brincadeiras, riem-se,...)  PROVOCAM  distúrbios e DESATENÇÃO nas aulas, ...  TODOS são PREJUDICADOS

      e  os Prejudicados  também têm o Direito e o Dever de (fora da sala) lhes chamar a atenção para que se COMPORTEM MELHOR ... e se não quiserem aprender/estudar ao menos NÃO INCOMODEM os outros !!
      Eles/elas que deixem os telemóveis, bilhetinhos, as conversas, risos, macaquices, brincadeiras e namoricos para os recreios ... nas aulas concentrem-se e façam o que os professores dizem.
      Todos sabemos que a maior parte das vezes não há maldade no seu comportamento (e esta turma/escola até nem é das piores... bem pelo contrário), é só da idade/ adolescência ... 
      Também sabemos que para eles não é fácil fazer o 'papel' ou ser rotulado de 'polícia', 'denunciante', 'betinho', 'cromo', 'nerd', ...  (e ser excluído do grupo)  mas é mesmo Urgente e Necessário cuidar do Comportamento e Aprendizagem tanto do nosso educando como do conjunto da turma (e até da escola), caso contrário, o «deixa andar» e o desinteresse  não darão bons resultados ...
      E nunca é demais Lembrar que eles já não são crianças, devem ser RESPONSÁVEIS,  que o 9º ano será importante para definir o seu FUTURO ..., que os tempos estão Dificeis e  que os BONS/ Muito Bons (agora nos estudos, na matemática, ..., depois num curso superior...) terão mais hipóteses de um emprego, de sucesso profissional e social ...  (em vez do desemprego ou da emigração ou de uns trabalhitos precários mal pagos !)
      Cumprimentos
M.A., encarregado de educação »  20/03/2014

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    «Boa noite ...     Conforme te disse à hora do almoço, em anexo envio o comunicado que te pedia para reencaminhares para os Encarregados de Educação dos alunos do 9º ...ª  

    Estou muito preocupada com esta turma, com seu pouco interesse e atitude incorreta relativamente à disciplina de Matemática.     Esta disciplina não só vai estar sujeita a uma avaliação externa no final do ano como é extremamente estruturante para o prosseguimento de estudos que a maioria, julgo, quer fazer.

    Assim, são muitas as dificuldades e insucessos que esperam estes alunos no secundário.     Um abraço grande e preocupado    M.M.R. »
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              «Caros Encarregados de Educação do 9º... :
     Hoje dei a primeira aula de preparação para o Teste Intermédio aos vossos Educandos. 

     Preocupada em rever matérias que não temos trabalhado este ano, reajustei a planificação anual de forma a ter mais de uma semana a rever a resolução das equações do 2º grau dada no 8º ano (os alunos não trabalhavam com Álgebra quase desde o 1º Período atendendo a que temos trabalhado com Funções e Geometria) e deixei os cinco tempos desta semana para trabalhar/rever outros conteúdos do 3º ciclo que têm sido menos relembrados no trabalho do 9º ano.

     Organizei uma síntese teórica da matéria e recolhi os exercícios constantes dos Testes Intermédios e Provas Finais dos últimos anos.

     Dos 27 alunos que constam da turma, só cerca de oito alunos se mostraram interessados no desenrolar do trabalho da aula.    Os restantes mantiveram-se na atitude, já bastante habitual, de conversa, alheamento ao trabalho, barulho e brincadeira.

     Normalmente, quando estou a trabalhar conteúdos do 9º ano, é com bastante esforço que os obrigo a estar com a atitude correta de trabalho e concentração na aula.    Hoje, após várias tentativas infrutíferas de manter um bom ambiente de trabalho, decidi parar o trabalho que estava a fazer com os tais oito ou nove alunos que ainda respeitavam o desenrolar da aula e comuniquei que os restantes três tempos da semana não seriam mais dedicados à preparação para o Teste Intermédio e que voltaríamos ao normal desenrolar dos conteúdos do 9º ano.

     Esta atitude, bastante incorrecta, dos vossos Educandos leva-me a temer que se manterá no momento em que estarei a prepará-los para o Prova Final do 3º Ciclo no final do ano letivo.    Se a sua reacção for a mesma, também nesse momento passarei a trabalhar apenas conteúdos do 9º ano pois não estou disposta a sofrer tal desrespeito pelo meu trabalho.    Comunico este facto agora, atempadamente, para que haja tempo, da vossa parte, para conversar cuidadosamente com os vossos Educandos e prepará-los para uma postura correta no que concerne às aulas de preparação (e não só).

     Os conteúdos do 9º ano compete-me, profissionalmente, trabalhar.    Os conteúdos do 3º Ciclo, é responsabilidades dos alunos fazê-lo e eu limito-me, com todo o gosto, a orientá-los e ajudá-los, se estão interessados.    Nada mais tendo a acrescentar, despeço-me com preocupação pelos vossos Educandos
      M. M. R. Professora de Matemática »

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Fonte: comentários num post de blog de associação de pais.

Agora imaginem o que será o comportamento e a aprendizagem em turmas/escolas menos boas !!  Quem se preocupa e vos avisa amigo é.



Publicado por Xa2 às 07:43 de 20.03.14 | link do post | comentar |

6 comentários:
De .os Exames e ... - por SantanaCastilho a 23 de Junho de 2014 às 11:31
Mais uma vez, os exames

22/06/2014 por Santana Castilho

Nuno Crato chamou ocultas às ciências da Educação. Compreende-se, por isso, que trate crianças de 9/10 anos de idade como adultos pequenos a quem, em sede de exames nacionais, pediu uma declaração escrita, por honra delas. Compreende-se que à revelia do que se faz na Europa e do que as neurociências e a psicologia do desenvolvimento descrevem como características fundamentais dessa idade as obrigue a um exame nacional, com os contornos daquele que actualmente existe.
Na semana passada, o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgou os resultados dos exames a que se submeteram 220 mil alunos do 4º e 6º anos de escolaridade. Aproximadamente 95.000 reprovaram em Matemática e cerca de 46.000 em Português. Para estes, desde que os pais o queiram, haverá mais três semanas de aulas extraordinárias, seguidas de novo exame. É pertinente perguntar se o expediente compensa o efeito pernicioso do aumento do número de alunos por turma, da falta de dispositivos de apoio ao longo do ano, designadamente docentes, de metas curriculares rígidas, inibidoras da acomodação das diferenças entre as crianças e de um calendário escolar inapropriado, desequilibrado relativamente à duração dos períodos lectivos e onde a antecipação do exame significa uma grande perturbação das aulas dos 5º, 7º, 8º e 9º anos.

No 4º ano, por comparação com o ano anterior, a média da classificação nacional subiu de 48,7% para 62,2% em Português e desceu de 56,9% para 56,1% em Matemática. No 6º ano, subiu de 52% para 57,9% em Português e desceu de 49% para 47,3% em Matemática.
A Associação Nacional de Professores de Matemática (APM) e a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM) emitiram opiniões discordantes sobre os exames: a APM achou-os complexos e com excessivo peso atribuído ao cálculo no 6ºano e a SPM adequados e prognosticou (enganando-se redondamente) uma melhoria de resultados para o 6ºano, relativamente a 2013. Independentemente de adiantar causas, parece evidente que o substancial abaixamento de resultados de 2012 para 2014, em Matemática, interrompe a evolução positiva que estudos credíveis internacionais (vide meu artigo de 2.1.13) distinguiram.
E voltam as perguntas: os 13,5 pontos percentuais de melhoria verificados na média dos resultados em Português, no 4ºano, significam aumento de conhecimentos ou diminuição do grau de exigência do exame? Qual o impacto que a eventual inadequação das provas às realidades verificadas durante o ano tem nos resultados? Que distorções de leitura resultam da eventual falta de equilíbrio na feitura das provas, de ano para ano? Que pretendem avaliar os exames? O saber dos alunos? A qualidade dos professores? A coerência do sistema de ensino?
São os primeiros sinais de um processo longo, que suscitará polémica, como todos os anos acontece. Chego-me à frente com três notas sobre o papel dos exames no actual contexto do nosso sistema de ensino.
1. Defendo os exames como instrumento de relativização de classificações e de certificação, para determinados efeitos sociais, daquilo que se aprende na Escola. Isso e só isso. Oponho-me a quem tem deles uma visão sacra e lhes atribui o papel insubstituível de ungir o ensino com a marca do rigor e da exigência.
2. A política educativa deste Governo tem do ensino uma visão mercantilista, que considera o conhecimento “útil” a única vertente a proteger na aprendizagem que a Escola promove. Entende que a Escola deve responder às exigências do mercado e por tal aceita a elitização e consequente segmentação e hierarquização do ensino a partir de tenra idade (orientação precoce de “maus” alunos para o ensino profissional, que prepara para a “vida activa”, e introdução de exames nacionais no 4º ano de escolaridade). Para facilitar este desiderato, vem desenvolvendo uma acção persistente no sentido de transformar as escolas em campos de treino para exames (menos recursos para as escolas com “piores” resultados e promoção de uma competição malsã através de rankings com base nos resultados dos exames).
3. Permitir, como este Governo está a fazer, que a actividade dos professores esteja cada vez mais condicionada por exames, como fim, qu


De Mais uma vez, os exames a 23 de Junho de 2014 às 11:33
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3. Permitir, como este Governo está a fazer, que a actividade dos professores esteja cada vez mais condicionada por exames, como fim, que não como instrumento limitado, é perverter o valor e o sentido superior da Educação, substituindo a actividade formativa do ser total pela mecanização estereotipada do ser parcial. Para quem julgue que estou a exagerar, sugiro uma análise atenta aos questionários dos exames e, sobretudo, aos “tratados” de prescrições para os operar e classificar. Encontrará, no primeiro caso, demasiadas situações em que o espaço para analisar, interpretar e responder de forma lógica e fundamentada está blindado por “cenários de resposta” previamente concebidos e preparados para aceitarem apenas os comportamentos adaptados e treinados para os exames. Verificará com os seus próprios olhos, no segundo caso, regras demenciais, inquisitórias, que visam transformar os professores em classificadores autómatos, a quem o Júri Nacional de Exames confisca inteligência e dignidade, que poderiam profanar a santidade do acto.

* Professor do ensino superior (s.castilho@netcabo.pt)


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