2 comentários:
De Bangsters, Bancocracia, Assalto Portugal a 5 de Maio de 2014 às 10:30

---- Supervisão comportamental

O tribunal que condenou Jorge Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal e António Rodrigues absolveu Christopher de Beck. Aparentemente, o tribunal aceitou a sua justificação de que não sabia nada sobre a utilização das OFFSHORES.
Disse Christopher de Beck, antigo vice-presidente do BCP, em sua defesa, após ter sido absolvido: «A maior parte [dos créditos do BCP às offshores] eram subscritos pelos meus directores, entre os quais o Dr. Carlos Costa [actual governador do Banco de Portugal], que, durante muito tempo, foi o meu director da Direcção Internacional [no BCP]».

Carlos Costa era o director da Direcção Internacional do BCP e também não sabia nada sobre a utilização das offshores. É hoje governador do Banco de Portugal, o supervisor bancário. Dito de outro modo, cabe-lhe a última palavra em relação à supervisão prudencial, mas também no que respeita à supervisão comportamental.

Às vezes, fica-se com a ideia de que o mundo é um sítio estranho.

⇒ Miguel Abrantes 4.5.14 5
: Banca , Banco de Portugal , Justiça , Ministério Público , Off-shore

---- Notícias da banca
Nem os cogumelos selvagens se multiplicam a uma tal velocidade: 17 offshores para, de acordo com o Ministério Público, ocultar prejuízos de cerca de 490 milhões de euros, o que resultou na manipulação do valor das acções do BCP (em 2000, negociadas a 5,9 euros e, em 2002, a 1,5 euros).

O tribunal não acompanhou a tese do Ministério Público: «Não está demonstrada a existência de actuação concertada das offshores no mercado e nem é possível concluir que a sua actuação no mercado visava melhorar o desempenho do título BCP». Mais: segundo o acórdão, não ficou demonstrado «que as offshores tenham sido constituídas por ordem dos arguidos» ou que a decisão de as financiar partiu dos ex-gestores ou que o BCP controlava as sociedades, nem que os administradores do BCP incorreram no crime de prestação de informações falsas (contas inverídicas) aos reguladores.

A notícia do Público não esclarece por que então foram condenados os administradores do BCP. Teremos de aguardar pela publicação do acórdão no jornal económico de maior tiragem no país e no site da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Apenas se sabe que o tribunal decretou que lhes fossem infligidas umas reguadas como castigo.

Com efeito, enquanto o Ministério Público pedia a condenação dos ex-gestores do BCP a uma pena de cadeia até cinco anos e ao pagamento de dez milhões de euros no caso de Jardim Gonçalves e de três milhões de euros para os restantes administradores, o tribunal condenou-os à inibição de actividade no sector financeiro por quatro anos e a uma pena suspensa de dois anos mediante a entrega de compensações a instituições de caridade: Jardim Gonçalves terá de pagar 600 mil euros (menos 9,4 milhões de euros do que o valor pedido pelo Ministério Público) e Filipe Pinhal e António Rodrigues 300 mil euros cada (menos 2,7 milhões de euros).

Estando «esta gente» envolvida no Opus Dei, só falta que as compensações lhe sejam confiadas, podendo então ser devolvidas aos doadores no âmbito de um programa de assistência caritativa. Seria um final feliz para esta história.

⇒ Miguel Abrantes 4.5.14 : Banca , Justiça , Ministério Público

-----Las Vegas versus Detroit (casino vs produção)

[ «Who will help me get a job, ? I do not want charity.»
- Quem me ajuda a obter um trabalho ? Eu não quero caridade. ]

Não é o momento para analisar as razões por que a mistura explosiva entre a banca comercial e a banca de investimento se deixou encandear pelas inovações financeiras, favorecendo os investimentos especulativos em detrimento dos investimentos produtivos. Sabe-se que, em última instância, se vai sempre bater à mesma porta: a estagnação dos salários contrai o consumo das famílias e torna os investimentos produtivos menos aliciantes.

O que a crise mostrou é que aparecem sempre umas augustas figuras dispostas a arriscar as poupanças dos outros em jogadas de alto risco. E, ao contrário do que o título sugere, este post é (também) sobre Portugal.

..4/5/2014
: Banca , Consumo , Custos laborais , Desemprego , Financeirização , investimentos especulativos , Mercados financeiros , Procura interna , Salários


De Fora desgoverno Pt + que troika a 12 de Maio de 2014 às 11:35

Portugal é assim
( via J.Lopes, Entre as Brumas da Memória, 8/5/2014)

Ricardo Araújo Pereira, na Visão de hoje:

«Segundo se diz, a troika vai sair de Portugal no dia 17 de Maio. Uma vez que o Governo desejava ir além da troika, não deveria sair primeiro e para mais longe? (...)

O Governo disse que a chegada da troika era fundamental para a salvação do País, e agora diz que a alegada partida da troika é fundamental para a salvação do País. Há nisto um verto calvinismo político: Poerugal está predestinado à salvação, aconteça o que acontecer.»


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