9 comentários:
De Fanatismo, cinismo, vergonha, ... a 12 de Janeiro de 2015 às 12:24
Não, não acabou!
(CB Oliveira, 9/1/2015, Crónicas do rochedo)

Abatidos os três cidadãos franceses que não souberam dar valor ao facto de terem nascido num país livre, as notícias sobre os atentados dos últimos dias em Paris vão desaparecer dos telejornais dentro de dias.

Muitos dos que saíram à rua, deixarão de ser Charlie. No próximo atentado serão Big Ben, Moulin Rouge, Alexanderplatz ou outra coisa qualquer.
Como já foram Torres Gémeas, Atocha ou Metro de Londres

O que restará então na memória destes dias? O mesmo que restou dos atentados anteriores:
mais medidas securitárias, menos liberdade,
mais xenofobia, mais extrema direita, mais ódio e
mais espírito de vingança canalizados para o sentido errado.

Os males da Europa não estão no exterior e não é com medidas xenófobas e de redução das liberdades individuais, nem com gritos de "não temos medo" que se resolvem os problemas.

É dentro da Europa que os cidadãos, sejam franceses, alemães, gregos, ingleses, italianos, espanhóis ou portugueses devem procurar as causas destes actos de barbárie.
E encontrar medidas para os evitar, preservando um dos valores fundamentais da civilização ocidental: a Democracia, a Liberdade, a Justiça, ...

Continuar a tentar explicar apenas com causas externas os problemas que estão a corroer a Europa por dentro, é o mesmo que pensar que um móvel com caruncho pode ser restaurado apenas com uma pintura.

A história ainda não acabou. A avaliar pelo que fui ouvindo ao longo destes dias, penso mesmo que só agora tudo começou.
------------

Hollande emporcalhou a marcha de Paris


Mais de um milhão e meio de pessoas saiu à rua em Paris, contra o terrorismo e em defesa da liberdade de expressão.
A presença de Benjamin Netanyahu já era um insulto a todos os que se juntaram na Place da La République mas, em nome da união, ainda se aceitava.
Como também se aceita, por razões de segurança, que os políticos só tenham percorrido 500 metros do percurso.

Inaceitável é que no final Hollande tenha dado uma bofetada em todas as pessoas que desfilaram em Paris. Ao acompanhar Netanyahu à sinagoga Hollande hostilizou a comunidade muçulmana e, pior ainda, manifestou o seu apoio a um terrorista que manda atacar escolas e matar crianças inocentes.
Deu um sinal a todo o mundo de que o terrorismo pode ser aceitável ou, no mínimo, tolerado.
Tudo depende de quem o pratica.

VERGONHOSO!
--------
... o macabro acontecimento só está a ter tanto tempo de antena porque interessa a muitos políticos. Todos os dias há massacres e ninguém fala deles.
E são os políticos todos que lá foram, que mais reprimem a verdadeira liberdade de imprensa.

Se os magrebinos não tivessem sofrido tanto por causa da França e não fossem tão enxovalhados nos subúrbios de lata para onde os mandaram, talvez esses irmãos e outros descontentes e com veia de criminosos, não tivessem ido treinar para o Iémen, só porque tinham passaporte francês.
---------

Os lacaios mais acérrimos do (NeoLiberal) imperialismo financeiro , de braço-dado, transformaram a indignação dos Povos no mais repugnante dos terrorismos:
ALIENAREM CENTENAS DE MILHARES DE PESSOAS.


De Marcha inócua liderada por não democrata a 12 de Janeiro de 2015 às 12:35
CHARLIE
N'EST PAS
CHARLIE
(-JPP 11/1/15)
1. Este poderia ser um título do Charlie Hebdo se se mantiver o espírito dos assassinados. Eles seriam os primeiros a satirizar a sua própria morte e a gozar com o unanimismo que hoje sai à rua a seu pretexto e em nome de uma "liberdade de expressão" de que eles, no conjunto da sua vida, só conheceram porque a forçaram. O Hara-Kiri que o diga que, com o seu título provocatório depois da morte de De Gaulle, foi encerrado. "Bal tragique à Colombey: 1 mort" foi o título.

2. ... O sentimento de quem participa na marcha é de genuína revolta e é respeitável. Para além disso as pessoas gostam destes unanimismos e a mobilização maciça que é feita pelos media, cria quase um dever moral de participar. Mas a marcha de hoje já tem todas as ambiguidades que a tornará inócua e por isso mesmo perigosa.

3. À sua frente vão os homens e mulheres que estão a construir uma Europa não democrática, de Merkel a Passos Coelho,
que abandonaram qualquer ideia de uma Europa assente na solidariedade, que ajudaram a criar e a reforçar sociedades em que não há mobilidade vertical,
o único mecanismo que permite assegurar o melting pot, logo a integração de todos, os que cá estão e os que conseguem passar as aguas do Mediterrâneo sem morrer nelas.
Mas, pior ainda, fecharam os olhos aos problemas que coloca aos valores da nossa civilização "ocidental", ( e sei bem que todas estas palavras são ambíguas, mas servem),
a emergência de um Islão transformado num movimento político que assume exactamente esse carácter político ao combater esses valores.
É esse o seu conteúdo político e o resto é a sharia.

4. O "politicamente correcto" está em reduzir o problema desse Islão político às suas manifestações mais radicais, ao terrorismo da Al Qaida ou do ISIS, quando
é um problema societal e cultural que está muito para além disso.
E este "politicamente correcto", presente como um mantra bem intencionado repetido por todos, oculta os problemas para debaixo do tapete.
E debaixo desse tapete habita a Senhora Le Pen, que percebe muito melhor os problemas que são sentidos por milhões de franceses, os problemas de proximidade, os mais perturbadores, do que os discursos vazios de Hollande e os seus amigos europeus.

5. Alguns dirigentes muçulmanos, quase todos com a cabeça a prémio pelos fundamentalistas, são a voz da razão e moderação. Mérito deles.
Aliás, se o Rei e a Rainha da Jordânia participarem na marcha, é deles a maior coragem. Mas a verdade é que fora destas tragédias, dos atentados e assassinatos,
não é a comunidade muçulmana que sente como seu primeiro problema o assalto aos valores da democracia, e da liberdade feitos em nome da sua religião, mesmo nos países ocidentais.
Só uma minoria, muito minoritária, fala como deve falar e mesmo assim nunca falaram alto e bom som
pelo direito de se ser blasfemo numa sociedade livre, como não falam com clareza sobre a principal fractura civilizacional que separa o mundo ocidental das sociedades islâmicas,
o papel e condição da mulher.

6. A questão não está na religião em si, (embora do ponto de vista histórico, como se passou com o cristianismo, a autoridade interpretativa teológica mais forte no papado assim como no xiismo e menos no sunismo, tenha algum papel) mas
no modo como é vivida, entendida e controlada por imans, clérigos e dirigentes civis, universidades, escolas, instituições de beneficência, poderes e autoridades,
como não havendo separação entre estado e igreja, logo impondo ou legitimando padrões de comportamento na sociedade que ofendem a liberdade individual.
O problema é que mesmo nos casos em que a "primavera árabe" tentou democratizar as sociedades,
o que emergiu, como já acontecera na Argélia com a vitória eleitoral da FIS, foi uma enorme pressão para o retorno da sharia, e a punição dos infiéis.
O mesmo se passa nos países "libertados" dos seus ditadores pelo apoio ocidental, como a Líbia, o Iraque, ou a tentativa de derrubar Assad na Síria,
todos deram origem a sociedades onde ser-se ateu é correr um real perigo de morte,
e as mulheres se escondem debaixo de camadas de véus,
e o que aumenta é a Al Qaida ou o ISIS.

7. Ora em sociedades europeias em que comunidades muçulmanas crescem pela história colonial ou pela emigração ..


De Vítimas, TERRORistas e apoiantes. a 14 de Janeiro de 2015 às 12:08
Visita ao Curdistão iraquiano - 23 - discussões com líderes cristãos

(-por AG, 12/1/2015, http://causa-nossa.blogspot.pt/ )

No último dia, visitamos o Arcebispo Warda, da Diocese Caldeia de Erbil, com quem discutimos a desesperada situação das minorias no Iraque e especificamente no Curdistão (cristãs, mas também yazidis, shabbak, turcomanas, shiitas etc..), cruelmente perseguidas pelos salafistas do EI (estado islâmico/ Daesh).

Todos os dirigentes cristãos que foram nossos interlocutores durante esta visita consideraram
urgente a derrota militar dos terroristas e a reconquista de Mosul (e Kobane) e do território iraquiano e sírio
onde oprimem a população que ficou (incluindo a sunita, sujeita a impostos e extorsões, sem serviços básicos a funcionar, com o combustível a escassear e a preços exorbitantes).

Todos se interrogam porque europeus e americanos não fazem mais e melhor,
inclusivé no apoio militar, para ajudar os peshmergas a progredir
- mas não compreendem que aqui está a linha da frente do combate terrorismo que golpeou em Paris e golpeará noutras cidades europeias, se não for rapidamente derrotado aqui?

Todos pedem apoio humanitário urgente,
ajuda à reconstrução a prazo
e intenso apoio à reconciliação nacional e à governabilidade do "so called Iraq",
como condições indispensáveis para que o Iraque não se despovoe de ancestrais comunidades.

"Mais seis meses de ocupação terrorista e todos partirão,
ninguém das minorias acredita ainda ter futuro no Iraque,
ninguém terá qualquer esperança de poder voltar às suas casas e terras, que além de saqueadas, sabem estar a ser semeadas de bombas pelos terroristas...".
Todos pedem apoio político, diplomático e outro
para resgatar as jovens e crianças raptadas
e para levar ao Tribunal Penal internacional os criminosos e seus MANDANTES:

Todos apontaram o dedo a ideólogos, financiadores, organizadores e instigadores Sauditas, Qataris e apoio logístico e não só Turco aos jihadistas do chamado EI.

A Europa não podia ser mais vigilante e contundente, política e diplomaticamente?

Todos - e em especial os líderes cristãos - condenaram e pediram que parassem os programas de alguns países europeus privilegiando a concessão de vistos a famílias cristãs.
Além da discriminação inaceitável, isso contrariava os seus próprios esforços para preservar a presença dessas minorias no Iraque:
"Estamos a lutar titânicamente por uma dupla
sobrevivência nesta terra berço de civilizações:
a das pessoas e a das culturas pré-islâmicas".

----------

Visita ao Curdistão iraquiano - 3

(- por AG, 12/1/2015, Causa nossa)

Logo na primeira noite jantamos com membros do Conselho Legislativo do Iraque e do Parlamento Regional curdo.
A tragédia de Paris presente na cabeça e nas palavras de pesar de todos. Os colegas iraquianos a sublinhar que sabem o que é:
desde há anos sofrem de devastadores ataques terroristas. Agravados no Curdistão desde que o chamado EI capturou Mosul, em Junho passado.
Com muitos criminosos europeus nas suas fileiras a cometer barbaridades contra iraquianos e sírios,
incluindo decapitações, massacres, raptos de crianças e escravização de raparigas.

Nós na UE chamamos-lhes "foreign fighters", mas na realidade muitos são europeus, como os que atacaram o Charlie Hebdo.

É preciso compreender porque tantos jovens se radicalizam. Para o prevenir.
------------


Comentar post