3 comentários:
De DesGoverno, Troika, neoLiberalismo e OE. a 10 de Novembro de 2014 às 15:32
Farisaísmo orçamental
• João Galamba, Farisaísmo orçamental:

«Depois de toda a oposição, da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), do Conselho Económico e Social (CES) e do Conselho de Finanças Públicas (CFP) terem posto em causa a credibilidade do Orçamento do Estado para 2015 (OE2015), juntam-se ao coro a Comissão Europeia (CE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI).

Já era um facto que este orçamento não cumpria o Tratado Orçamental (TO), agora passou a ser um facto que ninguém — tirando o Governo — acredita que este Orçamento consiga cumprir o seu principal objetivo:
respeitar o Pacto de Estabilidade e Crescimento (PEC).
Será o não cumprimento das regras um problema? Para um Governo que é um dos maiores e mais fanáticos defensores dessas mesmas regras, sim, tem de ser um problema.

CE e FMI não são instituições cujas previsões o Governo possa desvalorizar, como tentou fazer a ministra das Finanças.
Não porque a sua autoridade seja inquestionável, não porque acertem sempre, mas porque se trata de 'compagnons de route' deste Governo, que partilham a sua visão estratégica para o país, e, no caso específico da CE, porque se trata da instituição com quem o governo tem de lidar em matéria do cumprimento das regras orçamentais.
O Governo tem dito que o FMI e a CE já se enganaram. Tem toda a razão. Acontece que se enganaram sempre com o Governo, não contra ele.

Um primeiro-ministro que diz ser um ponto de honra sair do Procedimento por Défices Excessivos e que não se cansa de falar da absoluta necessidade de cumprir as regras europeias em matéria orçamental— sob pena de acontecerem coisas horríveis ao país e aos portugueses—
não pode assobiar para o lado quando a instituição a quem cabe tratar destas matérias diz que o OE2015 não é credível e que as regras não serão cumpridas.
Ou as regras existem e são para serem cumpridas,
ou as regras são erradas, não podem ser cumpridas, e têm de ser revistas.
O que não pode acontecer é as regras servirem apenas como instrumento de coerção política, impondo certas políticas e proibindo outras, mas desvalorizando os resultados orçamentais.
É suposto que uma política cumpra as regras, não que as regras existam como desculpa para a imposição de certas políticas.

Por esta razão, das duas, uma:
ou se mantém o discurso do cumprimento das regras orçamentais e o primeiro-ministro tem de explicar o que fará para atingir esse resultado, nomeadamente no que a medidas de austeridade adicionais diz respeito,
ou se reconhece que as regras não são passíveis de ser cumpridas e se procura ajustar a política orçamental à realidade, abrindo uma discussão séria (e necessária) sobre as nossas obrigações em matéria orçamental e sobre como podemos compatibilizar essas regras com o desenvolvimento económico e social do país.
O que não pode acontecer é este farisaísmo orçamental, em que as regras são, na verdade, uma farsa, um mero expediente para tentar ilegalizar a própria possibilidade de uma alternativa política.»

(- Miguel Abrantes, 10.11.14, CamaraCorporativa)


De Produtividade, competitiv... propaganda. a 7 de Novembro de 2014 às 09:56
A «RELIGIÃO» DA PRODUTIVIDADE !

O discurso da e sobre a produtividade tornou-se avassalador no pensamento dominante. Tão dominante, que as instâncias do próprio Estado reproduzem até ao fastio essa lenga – lenga!
Não há discurso sobre economia que não coloque o enfoque na competitividade e na produtividade. Mas, também ouvimos discursos sobre a educação e sobre a saúde a falarem da produtividade!

Prevenir o Stresse? Claro, para sermos mais produtivos!
Melhorar a escola? Claro, para fazermos homens mais produtivos!
Melhorar o transporte? Sim, para aumentar a produtividade do trabalho!
Enfim, uma autêntica ideologia, por vezes mesmo uma religião! A produtividade é assim uma espécie de deus a quem tudo se deve SACRIFICAR !

Nesta religião sacrificial também é desenvolvido em grande escala o sentimento de culpa.
Se, não existe suficiente produtividade quem é o culpado? O trabalhador!
Como castigo aumenta-se o horário de trabalho sem remuneração, cortam-se dias de férias e feriados, facilita-se o despedimento!
E vem depois todo o discurso FASCISTA de que «são preguiçosos», grevistas, querem emprego mas não querem trabalhar, e logo agora que não falta trabalho, é só querer!
Mas, porque será que no estrangeiro trabalham tanto?
Porque será que pouco se aposta na formação dos trabalhadores?
Porquê tanta resistência a aumentar o salário mínimo e a falarem em redução salarial em tantas empresas, em vez de aumentarem para motivarem quem trabalha?
Em Portugal ainda se pensa em aumentar a produtividade através do chicote!

Mas a questão principal nem é esta do aumento da produtividade! O discurso da produtividade tem como principal objetivo aumentar a EXPLORAÇÂO dos trabalhadores em benefício do capital!
Para o capitalismo o trabalhador é um instrumento de produção que, bem afinado, pode gerar mais riqueza, para ser na sua grande parte apropriada e não distribuída com justiça!
Bem afinado significa bem enquadrado, bem MANIPULADO no seu espírito, na sua alma!
É aqui que se aplica bem o ditado popular «não vendas a alma ao diabo»!
Não entendo é como existe tanta gente a reproduzir o discurso do diabo!
Alguns ganham bem com isso, mas outros….


(-por A.Brandão Guedes , 4/11/2014, http://bestrabalho.blogspot.pt/2014/11/a-religiao-da-produtividade.html )


De Desigualdade aberrante. a 7 de Novembro de 2014 às 14:44
Afinal há grandes salários em Portugal!
( 27/10/ 2014, pestanandre , 5Dias)

Nos locais de trabalhos onde os baixos salários e a precariedade proliferam
e até se limita ao mínimo dos mínimos a ida à casa de banho ou pausas/intervalos reparadores no trabalho,
pelos vistos há quem receba grandes salários… só é pena que não seja para a maioria:

http://www.noticiasaominuto.com/economia/296421/soares-dos-santos-ganha-108-vezes-mais-que-os-seus-trabalhadores


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