De Portugal, Israel e a Palestina a 12 de Maio de 2015 às 10:30

Portugal, Israel e a Palestina

(-por Paulo Gorjão, em 09.05.15


Mesmo no limiar do prazo, Benjamin Netanyahu conseguiu formar o novo governo que em princípio tomará posse na próxima semana.
Com 61 dos 120 lugares no Knesset, o novo executivo é uma coligação heterogénea cuja sobrevivência, na sua actual composição, parece incerta.
Igualmente importante, estamos perante um governo em que os nacionalistas religiosos e os ultra-ortodoxos têm um peso desmedido.

Assim, esta coligação não augura nada de bom e constitui uma razão acrescida para, como defendo, Portugal reconhecer o Estado da Palestina.
Não tem qualquer sentido continuar a defender, tal como faz Rui Machete, que Portugal apenas o deve fazer em concertação com os nossos parceiros da UE.
Pura e simplesmente, Netanyahu NÃO está minimamente interessado -- e a sua coligação muito menos... -- em encontrar uma SOLUÇÃO que contribua para ultrapassar o actual statu quo.

A mudança tem de ser induzida a partir do exterior. Não será certamente o reconhecimento português que alterará os equilíbrios internos, mas sem dúvida que constituiria mais um sinal de que o copo está a transbordar.
Ainda por cima, esta nem é apenas uma questão de fazer o que está 'certo'.
O que está 'certo' é o que realisticamente melhor salvaguarda os interesses nacionais.

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http://observador.pt/2015/05/07/netanyahu-fecha-coligacao-para-novo-governo-com-nacionalistas-religiosos-e-ultra-ortodoxos/

A menos de duas horas de terminar o prazo, Benjamin Netanyahu informou a Presidente de Israel, Reuvén Rivlin, que tinha conseguido um acordo para formar o seu terceiro Governo consecutivo, o quarto em que é primeiro-ministro, mas terá uma margem escassa.

O acordo conseguido com a formação ultranacionalista, liderada por Naftalí Bennet, dá ao partido de Netanyahu 61 deputados no Knesset (Parlamento de Israel), num total de 120.

A coligação será assim formada por cinco partidos:
o partido de Netanyahu e vencedor das eleições, o conservador Likud, que tem 30 deputados;
o partido de centro-direita Kulanu, com 10 deputados;
o partido ultraortodoxo Shas, com 7;
o Partido Judaísmo Unido da Tora, com 6;
e finalmente a formação ultranacionalista Bayit Yehudi, com 8.

Os detalhes do acordo serão dados a conhecer na próxima semana por Benjamin Netanyahu no Parlamento, diz ainda a Presidência de Israel.

Um governo de guerra, diz a Palestina

A reação do lado palestiniano não se fez esperar.
A Organização para a Libertação da Palestina (OLP) criticou a formulação conseguida por Netanyahu para a coligação que vai suportar o próximo Governo e diz que
este será mais um Governo para promover a guerra e não a paz.

“Este Governo visa matar, e reforçar a colonização” nos territórios palestinianos, disse à agência de notícias francesa AFP o membro da comissão executiva da OLP Saeb Erakat, numa primeira reação à formação apresentada.

“Este é um Governo de união para a guerra e contra a paz e a estabilidade na nossa região”, acrescentou.


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