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De JPP: o Congresso PSD e ...SáCarneiro a 6 de Março de 2014 às 18:57
1.3.14 -Abrupto, José PachecoPereira

MAIS UMA VEZ...

Manuscrito de um discurso de Sá Carneiro sobre o exercício do poder. :
« ... as únicas políticas que estão em curso e em preparação, que são reais e não virtuais, que não dependem de uma comissão que vai estudar alguma coisa, ou de uma promessa longínqua, são mais um pacote de austeridade.
Mas, como se centra nos funcionários públicos, não há problema. Sobre isto mais silêncio, ou o encolher de ombros. ...»
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É FÁCIL ENGANA-LOS, PORQUE ELES QUEREM SER ENGANADOS

As minhas peripécias só revelam a inexistência de qualquer análise que não seja procedimental ou anedótica, em detrimento do conteúdo.
O que é que lá foi dito de relevante para a actual situação do país, que discurso traduziu as dúvidas dos militantes que antes eram críticos,
ou que são críticos na televisão (para usar um argumento muito de preferência da direcção actual na luta contra os "cata-ventos")? Nada.

Todos se renderam ao actual poder, entre outras coisas porque precisam dele, ou para lhes manter os lugares de nomeação governamental que detém,
ou para terem o apoio do PSD nas suas ambições políticas,
ou, como Aguiar Branco, para nunca ser "ex-" de coisa nenhuma.

Depois, basta dizer meia dúzia de frases de índole social, triviais e desligadas do contexto actual, em particular desligadas da sua relação com a política do governo, para se passar a ser social democrata.
Os pobres de facto tem costas largas na política, e servem para as lágrimas de circunstância.
E logo a seguir, os mesmos interlocutores, passam a tecer loas ao mesmo governo que está a criar o enorme desastre social, como se se pudesse dizer tudo e o seu contrario.
Poder pode e até ver a comunicação social louvar a sua "preocupação social".
É de facto fácil engana-los, que, como eles precisam de novidade, querem ser enganados.

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MAS PORQUE É QUE "ELE" NÃO FOI LÁ DENTRO FAZER AS CRÍTICAS QUE FAZ CÁ FORA?

A resposta é muito simples:
porque não podia ir mesmo que quisesse.
Esta rábula repete-se sempre que há congressos e é por parte de quem a faz ou má fé, ou ignorância.

Os congressos do PSD não funcionam em assembleia de militantes, qualquer um chega lá pede a palavra e tem os minutos definidos.
O PSD não é o BE ou o Livre ou qualquer outro partido em que os militantes cabem numa sala.

Para se falar tem que se ser delegado ao Congresso ou ter uma qualidade que lhe permite o acesso.
Marcelo pode falar, como Marques Mendes ou Santana Lopes, sem serem delegados, porque foram lideres do partido.
Eu não, só podia fazer se fosse por favor da direcção, o que num partido fortemente igualitário era logo visto, e bem, como um privilégio que coloca quem fala acima do militante comum.
Seria, no actual contexto, uma armadilha e estaria agora a ser criticado por qualquer inexistente "baronato".

Acresce que este não é um problema novo.
Já num anterior congresso, colocado perante o mesmo dilema, ofereci-me para ir caso tivesse condições para falar sem ser para dizer "bom dia" e acabar o tempo.
Foi recusado pela direcção. Vem nos jornais, basta ter memória, coisa que pelos vistos não abunda.

Acresce que tudo isto é pouco mais do que espectáculo, e quem quer sangue, touradas com forcados e futebol deveria estar no ramo do desporto.

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AS ESCOLHAS DE UM CONGRESSO

Parece que alguns congressistas, puxados pelos animadores do costume, me tomaram como o inimigo público número um do governo, deixando Seguro para um papel secundário.
A tomar à letra esta comparação, é verdade.
Depois, nos aplausos e nas vaias, mostraram as suas escolhas.

Consideram que eu faço mais "mal" à imagem do PSD no governo do que Miguel Relvas, que pelos vistos é um must para a imagem pública do PSD.
Venha o Diabo com tal comparação, mas tem sentido.
Se não fosse revelador, e trágico para um partido com a dimensão do PSD, seria ridículo de tão absurdo que é.
Revela que o PSD privilegia as cumplicidades internas do aparelho, à sua relação com o país.
Relvas é demasiado "deles", sabe demasiado "deles", para puder ser posto à margem sem efeitos perversos, em particular para Passos Coelho que ele ajudou a "fazer".
Vai ser uma never ending story, até porque os negócios de Relvas voltam ao espaço público.


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