Sexta-feira, 30 de Maio de 2014

Admirável mundo velho       (-por J.J. Cardoso, Aventar, 29/5/2014)

competitivosparaiso fiscal

    J.A.Fernandes disserta hoje no Público sobre o populismo do «Podemos», o novo partido que em poucos meses escavacou o bipartidarismo (do centrão de interesses) espanhol. Entendem estas almas plácidas e serenas que está tudo bem como está e não poderia estar melhor, criticando todos os movimentos que dão voz precisamente ao que estão fartos de que isto fique sempre na mesma.

    O conservadorismo é um ideologia muito meiga, querida e terna. O conservador não quer mudanças porque o conservador está bem como está, embora eventualmente possa ficar melhor se tiver acesso ainda mais simplificado a um paraíso fiscal. O conservador é normalmente de direita, mas numa Internacional dita Socialista qualquer até se diz de esquerda, mas da responsável. Responsável por termos chegado a este ponto, após décadas de terceira via (Blairismo), a tal que acha inevitável ser tão liberal como uma Thatcher, e que para gáudio do mesmo J.A. Fernandes agora enterra as ruínas da esquerda italiana. Responsável pelo aumento da desigualdade e pela liberdade de os mercados financeiros assaltarem à mão desarmada todos os povos e todos os direitos que conquistaram.

    O que criticam aos fundadores do Podemos (furiosos por lhes terem ido aos votos que como toda a gente sabe são propriedade privada dos partidos arqueiros (do"arco-do-poder"), num fantástico conceito de democracia em que um centro oscilante e minoritário decide o futuro de um país), e chamam de populismo, é terem um programa que contraria o que está e proporem soluções fora do quadro previsto pelo actual governo alemão.   O clássico Não Há Alterrnativa, soltado em gritinhos histéricos e consecutivos, muitas vezes, muitas vezes, muitas vezes, convencidos de que continuarão a convencer quem se vê despejado da sua casa, desempregado, arruinado, transformado em reserva laboral barata, entre a indigência e a esmola.

    Quando a extrema-direita violenta avança na Europa, esforçam-se por garantir que não é bem assim, não são todos nazis, o que é verdade, muitos são apenas fascistas, e bem os preferem cavalgando o descontentamento popular.   O Expresso entrevista hoje um tal de Nial Fergussen, apresentado como “historiador superstar”. Entre chamar paneleiro a Keynes, acreditar numa crítica do Financial Times a um livro que ainda não leu e proclamar que o Reino Unido foi “uma enorme força para o bem no mundo”, assegura que os populistas de direita não são fascistas ou nazis, e garante que os outros é que não estudaram História e por isso nos colocam nos anos 30. Lá está, enquanto lava o focinho aos Le Pen, mimetiza tão bem aqueles que deixaram a República vizinha entregue a Franco. O problema, para eles, são sempre os outros, a esquerda, o pavor bolchevique. Esta gente é tão repetitiva como previsível.



Publicado por Xa2 às 07:44 | link do post | comentar

1 comentário:
De Zé das Esquinas, o Lisboeta a 30 de Maio de 2014 às 12:08
Excelente. Basta ver estes 2 cartoons, para se verificar que estas políticas europeias estão erradas e são globais para todos os chamados países periféricos.
Não é preciso grandes textos e filosofias...
Basta a arte do cartonista, para se entender o que é hoje a política europeia!
Só a arte é verdadeiramente revolucionária!


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