De al Corão interpretação e não flexibilid. a 10 de Novembro de 2014 às 14:23

Revista de blogues (9/11/2014)


•«(...) Uma diferença importante entre o islão e as outras religiões com mais aderentes é o seu livro sagrado.
A Bíblia, os Vedas e os Sutras são compilações de textos muito diversos, de fontes diferentes e que os crentes aceitam como relatos inspirados mas que podem ser interpretados com alguma flexibilidade.
Em contraste, o Corão é um texto muito mais uniforme, conciso e coerente e que os muçulmanos assumem como sendo uma recitação da palavra divina.
Não tem partes que se possa descartar como alegóricas ou metafóricas nem se dá a grandes interpretações.
Por exemplo, 4:89 expõe claramente como se deve lidar com quem abandona a fé:
«Anseiam (os hipócritas) que renegueis, como renegaram eles, para que sejais todos iguais. Não tomeis a nenhum deles por confidente, até que tenham migrado pela causa de Deus. Porém, se se rebelarem, capturai-os então, matai-os, onde quer que os acheis, e não tomeis a nenhum deles por confidente nem por socorredor.»(3)
No Antigo Testamento também há exemplos deste género, mas enquanto cristãos podem invocar que o Novo Testamento se sobrepõe ao antigo e judeus podem interpretar tais trechos como relatos históricos de práticas que já não se aplicam, para um muçulmano é muito mais difícil descartar as ordens do Corão enquanto mantém a fé neste livro como registo das palavras do seu deus.
•Esta diferença tem consequências práticas.
Não é certamente coincidência que os 23 países que punem explicitamente a apostasia como um crime estejam entre os 49 países de maioria muçulmana.
Dos outros países, sejam seculares ou dominados por outras religiões, nenhum considera a apostasia um crime. A razão mais plausível não parece ser económica ou social.
Parece ser a de que o islão tem um texto sagrado que é aceite como a palavra directa de Deus onde está explícito que se deve matar quem se rebelar contra esta religião.

•Outra diferença importante é a vida e o legado do fundador da religião.
Jesus pregou, rezou, ensinou e foi crucificado.
Buda pregou, jejuou, ensinou e abandonou o seu corpo.
Maomé unificou as tribos de Medina e conquistou Meca com um exército que depois enviou para destruir todos os templos das outras religiões na península arábica.
Nos hadiths é-lhe atribuída a ordem de que «Quem quer que abandone a sua religião Islâmica, então matai-o»(4).
Consumou o seu casamento com Aisha quando esta tinha nove ou dez anos (5). E assim por diante.
Um muçulmano não pode descartar estas coisas como um cristão faz com as barbaridades do Antigo Testamento porque trata-se do Profeta, a peça central da sua religião.
É tão difícil a um muçulmano condenar inequivocamente estas práticas pela barbaridade que são como seria a um cristão admitir que a história da ressurreição é fictícia. (...)» (Ludwig Krippahl)

(-via http://esquerda-republicana.blogspot.pt/2014/11/revista-de-blogues-9112014.html )


De Islão, outras religiões e nésciosTV a 6 de Janeiro de 2015 às 11:55
O Islão, nós e eles
 Paulo Pinto, 3.01.2015

A prestação televisiva da Marisa Moura no último dia de 2014 é um bom exemplo daquele ridículo ... e da cascata de disparates,... Mais do que uma mera aparição infeliz e desajeitada, o episódio revela algo muito mais profundo, a vários níveis:
a) a nesciência palerma e arrogante de quem vai à televisão escudada atrás do estatuto de jornalista e não se preocupa em preparar-se minimamente para a tarefa;
b) o nível zero de exigência por parte de quem coordena o espaço informativo e de quem conduziu a entrevista;
c) o baixo nível de crítica do público, já anestesiado pela banalidade televisiva que constituem os disparates de comentadores.

Mais grave ainda:
falar de política, comentar a crise, as medidas do governo ou as manobras da oposição é algo que oferece, digamos, um notável grau de "clareza": qualquer espetador está mandatado, enquanto cidadão, para concordar ou discordar e para emitir a sua opinião e dispõe de ampla informação, porque se trata de realidades que a todos afetam.
Agora sobre o Islão, "essa coisa do outro mundo", como diz a Safaa Dib?
Não se exigiria um mínimo de cuidado pedagógico a uma jornalista - que, ironicamente, mencionou precisamente o desconhecimento que existe por cá acerca de tudo o que envolve esta temática, sem se aperceber de como contribuiu para aumentar essa ignorância - ?

Em Portugal, Islão significa várias coisas, todas estereotipadas e negativas:
intolerância, mutilação genital feminina, terrorismo, atentados, 11 de setembro, barbudos, guerra, burqas, "Estado Islâmico", atrocidades. Ponto final.

Talvez fosse bom começar por dizer que é uma religião, em tudo idêntica ao cristianismo e ao judaísmo (que respeita e que se assume, aliás, como continuador). Idêntica? Sim. O mesmo Deus (único), a mesma origem geográfica, a mesma conceção do Homem, do tempo e da verdade "revelada", a mesma visão do mundo, da realidade material e espiritual, o mesmo substrato civilizacional e cultural: o Médio Oriente e o Mediterrâneo.
Quem conhece o hinduísmo ou o budismo sabe do que falo. Diferenças? sim, de pormenor, no culto, na teologia, nos dogmas, na prática do quotidiano. Arestas de um tronco comum. Um pinheiro e um carvalho são muito diferentes? Depende se olharmos para cada um ou para o espaço de uma floresta e o compararmos com uma savana.

O que há, sim, são sobretudo tensões históricas, ligadas à turbulência das sociedades humanas. Uma Europa cristã que cresceu no interior de um império já existente (o romano), um Islão que, pelo contrário, nasceu do nada e expandiu-se, naturalmente à custa dos vizinhos.
O resto, o longo conflito entre os dois blocos, resultou do facto de ambas as religiões serem exclusivistas, ou seja, proclamarem a sua verdade revelada como a única válida. Mas a guerra, que eu saiba, não surgiu com o nascimento de Cristo ou com a Hégira.

Uma das ideias mais enraizadas que por cá existe acerca do Islão é o seu alegado monolitismo. Já se sabe, não há frase racista mais típica do que dizer "os pretos [ou chineses, ou quaisquer outros] são todos iguais". Aqui é um pouco o mesmo.
Como ninguém conhece nada do Islão, porque temos uma pequena e (demasiado, a meu ver) discreta comunidade muçulmana e porque o que sabemos é aquilo que nos entra pelos olhos adentro pelas televisões, sempre pelos piores motivos, também eles "são todos iguais".

Geralmente dividem-se entre "moderados" (aqueles que não levantam a voz aos americanos e ao Ocidente em geral e que vivem lá quietinhos nos seus países, atrasados e cheios de inveja) e os "radicais" (os que destilam ódio a tudo o que mexe).
Saddam, por exemplo, era "moderado" enquanto bateu nos ayatollahs iranianos; depois passou a "radical", com temíveis armas químicas e tudo;
os sauditas eram "radicais" quando causaram a crise de 1973, depois passaram a "moderados", mas desde o 11 de setembro não se sabe bem.
A dinastia Assad era "radical" quando alinhava com a URSS e assim se manteve; mas agora, com a explosão do Daesh/'estado islâmico', se calhar até não.
O Khadafi era "radical", depois mataram-lhe a filha e ficou "moderado", não percebo bem porque é que se revoltaram contra ele.
Os iranianos, esses, só foram "moderados" quando tiveram um xá, que até era um gentleman civilizado ...


De O Islão, nós e eles... e TV-'jornalist' a 6 de Janeiro de 2015 às 12:01
O islão, nós e eles
...
... civilizado e com maneiras. Depois tomaram o gosto ao radicalismo islâmico e nunca mais se endireitaram. Os palestinianos? coitados, se não tivessem aquela mania de querer a sua terra de volta até que escapavam, também há uns que são "moderados" (os que amocham) e os "radicais" (os outros todos). Estou baralhado, são todos iguais, era mas é acabar com aquela seita toda, certo?

Não há religião mais dividida do que o Islão. A primeira grande cisão é, precisamente, entre sunitas e xiitas, mas em cada um destes dois grandes "ramos" existem muitas divisões, nem sempre claras, nem sempre definidas. Se a este fundo religioso juntarmos o confuso caldo de culturas, línguas, tradições (pré-islâmicas), migrações, conflitos, intervenção europeia, traçado de fronteiras, rivalidades e antagonismos profundos, formação e fragmentação de impérios, Israel e, por fim, petróleo, temos uma pálida ideia do que é o Médio Oriente, o coração do Islão. Nem falo de outras regiões, como o subcontinente indiano ou o mundo malaio-indonésio. Foi também por isso que a prestação televisiva da Marisa Moura foi, sob todos os pontos de vista, lamentável: porque balbuciou umas banalidades, reproduziu o velho estereótipo imbecil (curiosamente muito apregoado pelo Daesh e pela Al-Qaeda) de que tudo se resume a uma revisitação das Cruzadas e porque nem sequer a clássica, fácil, simples e básica divisão entre xiitas e sunitas conseguiu explicar. Pelo contrário, foi profundamente ofensiva para qualquer muçulmano: imagine-se um barbudo qualquer dizer numa televisão árabe que os católicos são os descendentes de Constantino, um daqueles imperadores romanos corruptos e que viviam rodeados de luxo e de ostentação, precisamente o que Jesus Cristo combateu. Seria mais ou menos equivalente. Ah espera, ninguém se admirava, porque nesses países são todos atrasadinhos e tapados, não têm liberdade de imprensa e as televisões vivem controladas pelo radicalismo, não é? Ainda bem que por cá, não.
----------

- por Paulo Pinto, 3/1/2015, jugular, http://jugular.blogs.sapo.pt/o-islao-nos-e-eles-3839438


Comentar:
De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres