De (des)Regulação e Bangsters a 6 de Janeiro de 2015 às 12:10
Dos pequenos temas laterais
(-por Sofia Loureiro dos Santos, Defender o quadrado, 27.12.14)

Afinal, quase exactamente 2 meses depois, ficamos a saber, de forma relativamente discreta, que o BES teria tido os mesmos resultados que o BCP nos tão famosos testes de stress à Banca, em 2013.

Para que servem então estes testes de stress?
E qual a credibilidade da regulação e das Instituições que têm essa função?



De Desgoverno: neoliberal+corrupção+incompe a 20 de Janeiro de 2015 às 10:30
A arte de enfraquecer
(-R.Carreira, 20/1/2015, destreza das dúvidas)

A análise SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities, Threats) é um conceito que foi criado na área de gestão de organizações. Uma das ideias centrais é a de conversão, isto é, após a identificação das fraquezas ou das ameaças, estas são convertidas em forças ou oportunidades. Portugal tem a notável distinção de conseguir pegar em fraquezas e convertê-las não em forças ou oportunidades, mas em fraquezas ainda maiores.

Apesar de ter sido desenvolvida para empresas e projectos, a análise SWOT é uma ideia muito versátil, que pode ser usada para analisar países e até tem utilidade a nível de desenvolvimento pessoal. Por exemplo, a administração Bush (pai) identificou a dependência energética dos EUA como uma fraqueza e investiu em coisas como o desenvolvimento de novas tecnologias para extrair petróleo. Hoje, os EUA colhem os frutos desse investimento através da produção de petróleo e de gás natural de xisto. Outro exemplo, Carl Sagan costumava dizer que a razão de ele ter tanta facilidade em comunicar com pessoas sem formação científica advinha do facto de ele ter de passar muito mais tempo a estudar e a racionalizar a informação que ele recebia porque, para ele, as coisas não eram tão fáceis de assimilar como para os outros. Em ambos estes casos, uma fraqueza foi convertida numa força.

Em 1994, Michael Porter analisou a economia portuguesa e definiu quais as suas forças, isto é, os clusters onde Portugal se deveria focar e aprofundar--isto foi o chamado Relatório Porter. As conclusões foram muito controversas porque, na altura, desejava-se que Portugal fosse uma país desenvolvido o mais rapidamente possível e isso implicava que o sector terciário (serviços) teria de crescer muito mais rapidamente do que os sectores primário (agricultura) e secundário (indústria), pois era essa a característica dos países desenvolvidos. O Relatório Porter apresentava um grande problema: mandava o país investir na agricultura e na indústria, áreas onde estavam os clusters de competitividade portugueses que precisavam de ser aprofundados.

[Um à parte: Note-se que Michael Porter é americano e os americanos adoram a agricultura. O lóbi da agricultura é um dos mais fortes nos EUA, e os americanos não vêem uma agricultura forte como sendo uma coisa negativa. As "land-grant universities", formadas em 1862 e 1890 com os Morrill Acts, têm uma forte componente agrícola e têm, ainda hoje, uma área de Extension Service, ou seja, parte do papel destas universidades é "estender-se" para a sociedade e colaborar com governos locais, agricultores, etc., para transferir para a sociedade os resultados da investigação levada a cabo pelo ramo de Investigação (dura) da universidade. Por sua vez o ramo de Investigação usa dados e informação colhidos pelo ramo de Extensão. Para um americano como Michael Porter, investir na agricultura não é vergonha.]

O Relatório Porter foi ignorado, Portugal optou por investir fortemente na área de serviços. Melhorou-se o acesso à educação, a saúde, turismo, infraestruturas, complicou-se a burocracia--os burocratas são empregados do sector terciário,--etc. Parece-me a mim, que, em Portugal, se confundiu as causas com as consequências do desenvolvimento: os outros países não desinvestiram no sector primário para se desenvolver; o que aconteceu foi que esse sector ficou com uma produtividade tão alta que libertou recursos para a expansão dos sectores secundário e terciário. É assim que países como a França e os EUA têm excesso de produção agrícola. Por exemplo, nos EUA, a região do Delta do Arkansas (parte leste do estado do Arkansas, ao longo do Rio Mississippi) produz arroz suficiente para todo o consumo de arroz americano e note-se que nesta zona produz-se principalmente arroz agulha (70% do arroz produzido nos EUA é agulha). Esta zona é uma das mais produtivas do mundo. A Califórnia especializa-se na produção de arroz de grão médio. Os EUA exportam 50% do arroz que produzem (sumário sobre o cultivo de arroz nos EUA aqui). Outro exemplo, o desenvolvimento do Brasil tem sido conseguido através de investimento na agricultura, nomeadamente na produção de milho e soja. A França tb protege a sua agricultura, assim como a Suiça.
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