8 comentários:
De Lendas e realidades ou vontades. a 28 de Novembro de 2016 às 14:14
artigo (em francês) sobre Fidel Castro e ... (lenda dourada, lenda vermelha, lenda negra ):

http://www.liberation.fr/planete/2016/11/26/castro-legende-doree-legende-rouge-legende-noire_1531118


De .Fidel e os outros... a 28 de Novembro de 2016 às 16:50
-----Gostaria de criticar Fidel -------
(26/11/2016, http://jumento.blogspot.pt/)

[ O yate 'Granma' onde Fidel partiu (do México) para Cuba em 25 de Novembro de 1957 (para dar início à Revolução Cubana, vitoriosa em 1959);
Precisamente 60 anos antes do dia em que morreu].


Gostaria de dizer que em Cuba as eleições são viciadas e o poder não é escolhido pela maioria. Pois, mas a América vai ter um presidente que teve menos votos do que a rival em eleições sobre as quais há muitas dúvidas e o mesmo já tinha sucedido na Florida, a mesma Florida dos exilados cubanos.

Se fosse descendente de um proxeneta dos tempos do ditador Baptista, de algum latifundiário ou da burguesia cubana estaria a festejar agora a morte de Fidel.
Mas não tenho a certeza de que os cubanos estejam contentes ou mesmo indiferentes, como sugere uma blogger cubana (no exterior).

Gostaria de dizer que os cubanos vivem mal por causa de Fidel, mas a verdade é que há mais miséria em todos os países da América Latina do que em Cuba,
a verdade é que em muitos indicadores de desenvolvimento Cuba está ao nível dos países mais desenvolvidos e nalguns cassos mesmo acima dos Estados Unidos (e de Portugal).

Gostaria de dizer que em Cuba há uma ditadura, mas como posso ignorar que muitos dos democratas que criticam a ditadura cubana apoiaram uma ditadura no meu país (de Salazar-Caetano),
como posso fazer de conta que algumas democracias da América Latina (e da Turquia, da Europa de leste, da Ásia, de África, ...) têm tantos ou mais presos políticos do que Cuba.

Gostaria de criticar Fidel por ter optado pelo isolamento, mas como posso esquecer que foi Cuba quem travou uma das maiores batalhas no continente africano, derrotando as forças armadas do Apartheid, em Cuito Cuanavale.
Como posso criticar o isolamento de Cuba se foram os EUA que lhe impuseram o maior boicote comercial na história da humanidade.

É verdade que Cuba não é uma democracia, mas está longe de ter sido a pior das ditaduras da América Latina.
É verdade que os cubanos poderiam viver melhor, mas são dos povos com menos miséria da América Latina.
É verdade que Fidel foi um ditador, mas muitos dos que dizem que Fidel é um ditador, ajudaram ou apoiaram o mais brutal dos ditadores (Pinochet) a derrubar Salvador Allende (democrata).
Fidel, o ditador, tinha mais autoridade democrática do que muitos governantes democratas que ajudaram ou promoveram ditadores bem mais brutais.


Nesta hora gostaria de critica Fidel, seguindo os meus princípios. Mas, peço desculpa, não consigo.


De .A revolução e a via única/ estreit ... a 28 de Novembro de 2016 às 17:08
------ Infiel a Fidel ----
( por AGomes, 27/11/2016, https://causa-nossa.blogspot.pt/ )


Fidel Castro foi personagem marcante do século XX. Mas nem sempre pela positiva.

Começou bem. Foi o "El Comandante" da revolução contra a colonização de Cuba pelo imperialismo americano que sustentava a ditadura corrupta de Fulgêncio Batista - que, não por acaso, se exilou na ditadura em Portugal, na Madeira. A descida da Sierra Maestra e a entrada gloriosa em Havana em 1959 despertariam a mitologia da revolução cubana: quem da minha geração não teve posters na parede com o Che de boina e estrela?

A revolução trouxe esperança e admiráveis progressos na saúde e na educação, acessíveis a todos em Cuba - e bem exportados, como atestam os médicos cubanos e timorenses formados em Cuba que cuidam do povo em Timor-Leste. As exportações militares foram politicamente mais questionáveis, por justificadas que fossem na luta contra o colonialismo, da Guiné-Bissau (e eu não me arrependo de ter andado pela ruas de Lisboa a gritar pela libertação do cubano Capitão Peralta nos idos de 74...) a Angola, onde os militares cubanos foram decisivos em arrumar a África do Sul. Angola, onde Fidel, hábil cavalgador do Movimento dos Não Alinhados, arrumou também a tentativa de hegemonia soviética, apoiando Agostinho Neto contra Nito Alves...

Mas há um reverso trágico, pela intolerância de Fidel aos que tinha por infiéis, por teimarem em exercer direitos e liberdades fundamentais e divergir e criticar o regime. E pela penúria, a pobreza indigna que fez emigrar milhões de cubanos e que não resultou apenas do embargo com que retaliaram os Estados Unidos. O embargo forneceu, de facto, um alibi para os sacrifícios e a repressão que o despotismo de Fidel impôs ao povo cubano: no fundo, a América que defendeu o embargo foi a melhor aliada da ditadura em Cuba.

Com o afastamento de Fidel Castro do poder executivo por doença (formalmente em 2006), a mudança começou em Cuba. Tinha de ser, porque entretanto ruira o outro sustentáculo da ditadura cubana: o apoio económico da União Soviética. O vislumbre de abertura explica a visita do Presidente Obama a Cuba há dois anos: veremos se se vai acelerar agora, não obstante ou com a "ajuda" dos extremistas em torno de Trump...

Não me arrependo, como Secretária Internacional do PS em 2003, de ter publicado um comunicado em nome do Partido a condenar as execuções de dissidentes pelo regime castrista: os socialistas democráticos não podem calar perante a perversão política e ideológica que toda e qualquer ditadura implica.

Muitos respirarão hoje com mais esperança em Cuba, tantos certamente quanto choram Fidel, mas a maioria dos mais jovens fica indiferente: só anseia por emigrar.

Em Portugal irrita que sobretudo se discuta o carisma de Fidel: como se o carisma dispense de avaliar se foi posto ao serviço do bem ou do mal.

Eu não choro Fidel. Presto tributo ao revolucionário, a El Comandante da Sierra Maestra. Mas constato que ontem se apagou mais um tirano.


De Ainda é possível um mundo melhor?.. a 28 de Novembro de 2016 às 17:24
------ Muchas Gracia!s, Comandante


Fidel Castro foi um dos heróis do século XX que me ajudou a sonhar. Com Che e com ele acreditei que era possível um mundo melhor.
Cometeu erros? Quem não os cometeu?
Mas quem, como ele, foi capaz de resistir, sozinho, contra um mundo que o queria liquidar?

Obrigado, Comandante! A História te absolverá.
Viva a América Latina

(-por Carlos Barbosa de Oliveira , http://cronicasdorochedo.blogspot.pt/2016/11/muchas-gracias-comandante.html#comment-form )


--- Anfitrite:

Só os Usocubanos (filhos de privilegiados exilados) poderiam festejar a morte deste grande sonhador, lutador,
revolucionário que lutou contra ventos e marés,
mas não lhes tendo dado a liberdade de expressão,
deu-lhes o direito, à Educação, à Saúde, à dignidade de dum povo que era lacaio dos EUA,
e nunca cedeu a chantagens nem nos tempos mais difíceis.

Afinal os americanos continuam em Guantanamo e um presidente não teve poderes para levantar o embargo, porque foi isso que fez sofrer o povo.

Hasta sempre, COMANDANTE!


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