De BCE / euro da desgraça a 6 de Outubro de 2014 às 14:51

--- Comprar trampa
(BCE compra a merd que os bangsters fazem e fá-la pagar bem cara pelos contribuintes e trabalhadores !!)


O BCE reiterou a intenção de começar a comprar empréstimos à banca comercial europeia na esperança de reavivar o mercado de crédito, chegando a comprar títulos classificados como “lixo” na Grécia e Chipre. O raciocínio é simples. Os bancos acumulam um conjunto de empréstimos de qualidade muito duvidosa cujas perdas não têm sido assumidas, o que normalmente implica um contínuo financiamento a recipientes com graves problemas financeiros (lembram-se do BES e do GES?). Ao comprar estes activos, assumindo assim o seu risco, o BCE tem a esperança que a liquidez gerada e a recomposição dos balanços bancários permitam a concessão de novos empréstimos a “bons” negócios, supostamente anteriormente constrangidos pelas necessidades de refinanciamento dos créditos duvidosos.

Já aqui referi que, no actual contexto de estagnação do investimento e deflação, o problema está sobretudo na procura de crédito no espaço europeu. No entanto, vale a pena realçar outros dois aspectos deste novo programa. O primeiro vem directamente da teoria económica mais convencional: o “risco moral”. Através deste programa o BCE está a recompensar todos os bancos que andaram e andam a empurrar com a barriga os seus problemas financeiros, em vez de assumirem as perdas e de recapitalizarem os seus balanços. Fica o sinal sobre quais os comportamentos a adoptar no futuro pela banca: escondam perdas, que a dada altura o BCE resolve o problema. O resultado é o aumento da instabilidade sistémica do sector. O segundo aspecto, mais preocupante, diz respeito ao subsídio público implícito que este programa traduz. Recursos públicos são usados para recompor balanços privados com uma condicionalidade vaga sobre novos empréstimos a pequenas e médias empresas. As regras do jogo mantêm-se as mesmas no que à contabilização de capital, concessão de crédito ou transacções de derivados e instrumentos financeiros. Pelo contrário, o BCE condiciona este programa à prossecução dos programas de ajustamento e austeridade da União Europeia. Em suma, transferem recursos públicos para o sector financeiro como patrocínio de uma contínua transferência de recursos do trabalho para o capital. E ainda há quem à esquerda queira permanecer neste sistema…

(- por Nuno Teles às 4.10.2014 , http://ladroesdebicicletas.blogspot.pt/2014/10/comprar-trampa.html


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